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terça-feira, 3 de setembro de 2013 Sem categoria | 00:46

All things must pass

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All things must pass, já dizia George. E ele já parodiava, entre outros, Mateus. Há mais de um ano eu escrevi que os fãs que se preparassem para novos tempos no tênis, estes sem Roger Federer. Foi bom, muito bom, enquanto durou. Ainda vai ser legal por um tempo, um tempo que nem ele sei se sabe qual será.

Esta temporada Roger fez suas apostas – ficando longe dos torneios um tempo surpreendente – e a aposta não vingou, pelo contrário. Talvez ele já soubesse de suas limitações físicas – e não há razão para ficar divulgando essas fraquezas.

Jogar tênis é como andar de bicicleta, ninguém esquece. Porém, para jogar competitivamente, em um padrão de qualidade que o mundo se acostumou a ver em Roger Federer, e contra os adversários soltos por aí, é preciso físico privilegiado. E isso Roger, que sempre se esmerou no quesito, bem mais do que lhe davam crédito, não tem mais.

A derrota do suíço para o espanhol Tommy Robredo pode ser caracterizada como uma surpresa – este tanto ainda devemos a Roger. Mas ninguém pode dizer que foi imprevisível e fora do radar.

Acima de tudo convenhamos e não esqueçamos – apesar do foco estar no bonitão, Robredo jogou o fino do fino, do começo ao fim e tem mais ver com o resultado do que Federer. É que a gente sempre espera uma mágica do Houdini. O espanhol vem jogando muito bem faz algum tempo e mostrando, após ter ficado longe do circuito por um tempo, que ainda tem muita disposição para competir. E, imprescindível para seu estilo, com muito gás e pernas – lembrem-se de suas “viradas” em cinco sets em Roland Garros, e como se moveu para bater o suíço ontem. Mas, não custa lembrar, ele é somente 9 meses mais jovem do que Federer. Será que isso pode ser uma inspiração para o topetudo?

O que nos fez pensar como Federer vai lidar com essa fase de sua carreira. Terá cabeça para lidar com as adversidades e novidades? Isso ele não tem demonstrado nos grandes momentos, que pra ele são os Grand Slams.

Se olharmos com frieza, cada GS que passa mais difícil fica para ele acrescentar outro título no seu currículo. Nos últimos três GS perdeu para tenistas fora dos Fab4, que era o máximo que lhe acontecia. No penúltimo para um tenista fora dos top100 e neste ultimo fora dos top20. Mas, lembrem-se de dois detalhes. Pete Sampras estava fora dos top10 quando venceu seu ultimo GS, aos 31 anos de idade – e ele não tinha o preparo físico do Federer, e nem adversários com o físico dos adversários do suíço. O ultimo detalhe é que nunca enterrem um grande campeão antes da hora.

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:43

Super Saturday e Stormy Monday

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Como é que vou escrever que logo os americanos estão mais perdidos do que cegos em tiroteio? Difícil, mas um fato. E por mais de uma razão. O assunto, hoje, não é a decadência do seu tênis competitivo, masculino e feminino, assunto para um outro dia. Hoje o assunto é mais ameno; assim mesmo com vários reflexos.

A poderosa USTA, a mais forte de todas as federações de tênis, anunciou esta semana duas notícias sobre o seu evento maior – o U.S. Open. A primeira passou despercebida, a segunda já até mereceu comentários aqui no Blog.

A primeira é que eles acabam, a partir de 2013, com o controverso Super Saturday, que acontece, em diferentes formas, há quase três décadas. O segundo é que consolidam aquilo que a natureza forçou nas ultimas cinco temporadas – a final masculina na 2ª feira.

Lógico que uma coisa está amarrada na outra. O Super Saturday reunia duas semifinais masculinas e a final feminina, o que ofuscava a final feminina e obrigava os homens a jogar a final no dia seguinte arregaçados física e mentalmente. Isso produzia absurdos, que se repetiam ano após ano, como forçarem Lendl a vencer uma semi debaixo do sol escaldante 7/6 no 5º set, e no dia seguinte perder para um McEnroe, que jogara 5 sets com Connors até as 23.30h. Ou causar uma rebelião nos vestiários quando Edberg e Wilander, dois suecos, se recusaram a entrar em quadra às 10h da manhã porque foram informados da mudança de horário (era às 11h) no fim da noite anterior, porque um jogo longo no dia anterior tinha dado uma confusão dos diabos na rede nacional de TV que mostrava a partida, causando o cara do Jornal Nacional de lá dar um piti e deixar os estúdios, causando a maior cadeia americana ficar sem imagens durante seis minutos, porque americano é ruim de improviso, algo que não aconteceu nem antes nem depois. Como o publico não foi informado a tempo, às 10h não havia ninguém no estádio e os suecos se recusaram a entrar – entraram, após ameaças depois de 15 minutos; e a TV esperando.

O Super Saturday sempre foi odiado pelos tenistas. Odiado. Foi uma jogada marqueteira da USTA. “O maior dia de tênis da temporada”. As TVs amaram, os fãs também, a federação cacifou$$ legal, tudo no melhor estilo americano “somos os maiores”. O detalhe é que quando chovia nesse dia a casa caia. E a casa caiu cinco anos seguidos. Pior. Algum gênio lá atrás enterrou quase 500 milhões em um estádio que é o “maior do mundo”, sendo que não dá para ver quem está sacando e quem está recebendo da ultima fileira e, pior, não tem teto! Pior ainda, não dá para colocar um teto! Bem pior ainda, o que os americanos não conseguem fazer em 15 dias, os ingleses fazem em 14, e na grama!! – e só nos últimos anos tinham o teto coberto.

Para mostrar que são espertos, pegaram os seus defeitos e “consertaram” criando outro. Vão deixar as duas semis masculinas no sábado, a final feminina no domingo e a final masculina na 2ª feira! O que, para eles, faz $entido. A ATP reagiu imediatamente chiando e veladamente ameaçando. Para clarificar. Quem realiza o circuito masculino é a ATP, o feminino é a WTA e os Grand Slams é a FIT. E cada um dos Grand Slams tem autonomia para fazer razoavelmente o que querem, sem a ATP e WTA poderem dar uma palavra a respeito. Um “showdown” vem crescendo no horizonte há algum tempo. Uma hora teremos o OK Curral do tênis.

A ATP não que nem ouvir a FIT alongando seus tentáculos para cima de uma nova semana. O que os americanos estão fazendo é muita burrice ou muita esperteza. Escolham, ou o tempo dirá. Eu duvido que essa 2ª feira emplaque ou dure. Os próximos meses vão mostrar muita coisa. Os outros GS podem querer fazer mudanças também. E os tenistas podem querer mudanças ainda mais grave$$.

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quarta-feira, 29 de agosto de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:06

De virada

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Espero que não tenha passado despercebido a partidaça e vitória do espanhol Garcia-Lopez para cima do argentino Juan Monaco pelo placar de 3/6 1/6 6/4 7/6 7/6. Coloco o placar porque ele espelha a emoção do jogo, para mim sempre o diferencial em uma partida. E teve leitor reclamando da chatice do jogo, mostrado em boa parte na TV, o que espelha a cultura sofasista, apegada ao óbvio. Virar uma partida, após estar dois sets abaixo, e vencer os dois últimos sets em TB, não fica muito melhor do que isso.

Aliás, o Dogopolov passou pela mesma situação, após 0x2 abaixo, batendo o dono da casa Jesse Levine, que vislumbrou a vitória, mas miou nos dois últimos sets. Já que o dia era de viradas, e ainda tem gente que quer acabar com os cinco sets nos GS, o Petzschner virou para cima do Mahut, que, acredito, seria o primeiro a acabar com cinco sets. Aqui os dois últimos sets foram também na bacia das almas; 1/6 4/6 6/4 7/5 7/6.

Para completar a dose, o Fognini, o rei da “enrolation”, virou pra cima do Vasselin 3/6 5/7 6/4 6/4 7/5. Essas derrotas são de destruir vestiário, pagar a multa e mandar as entrevistas pro inferno, pegar o metro porque se tem vergonha de pegar o transporte oficial com chofer e tudo, sair para jantar em alguma espelunca em Chinatown comendo gordura com os dedos e arrotando na cara de algum garçon que não fala uma palavra de inglês, tomar um porre de vodka de 3ª categoria e sentar e chorar em um meio fio no coração do Bowery considerando seriamente a aposentadoria precoce e tentar pegar um taxi na madruga para por fim parar um com um chofer paquistanês que não fala duas palavras em inglês – o fuck you eles aprendem rapidinho, e te dar uma canseira já que vocês tá babando no buraco do assento de trás. No dia seguinte passa.

Uma partida que já se anunciava como complicada foi a vitória do Raonic sobre o Giraldo, também em 5 sets (6/3 4/6 3/6 6/4 6/4) e também de virada. Como esse Giraldo é casca de ferida e como ele deixa escapar partidas – outro tenista com potencial para ser ainda melhor do que é.

Para completar as emoções de um dia de viradas, tivemos a que nos trouxe mais alegria: Rogerinho Silva pra cima do russo Gabashvili por 4/6 6/4 6/7 6/3 7/5. Uma vitória dessas, além de mandar uma séria mensagem para o capitão da Copa Davis, às portas do confronto contra a Rússia, dá uma injeção de Confiatrix na veia, mesmo que a próxima rodada seja contra o malasérvio, e uma alegria de lavar a alma a ponto de se convidar os amigos, espero que o Belo entre eles, nem que seja por razões inspiratórias, para ir comer um churrascão dusbão no Plataforma, que se não é meu programa favorito é dos brazucas que invadem a big Apple, tem saudades de casa e uma boa razão para celebrar.

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terça-feira, 28 de agosto de 2012 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 09:10

Negativo

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Depois de algumas surpresas na chave feminina, onde mais?, no 1º dia, a festa continua hoje em N. York. A maior das surpresas foi a derrota das alemãs Lisicki para a romena Cirstea, que só não é melhor porque não quer, e da Georges para Pliskova. As meninas alemãs veem subindo muito de produtividade e agora há cada vez mais expectativa sobre elas. Por isso a surpresa e frustração. Especialmente Lisicki, que é tenista para quarta ou mesmo semis.

O que poderia ser uma grande surpresa acabou não sendo nada além de uma constatação. Em entrevista, Sharapova disse que após as Olimpíadas e dores de estomago fez um ultrasom para ver se estava grávida. Negativo. Deve ter sido muitos testes de Sugarpovas. Mas agora, oh céus, sabemos que a moça não casará virgem no fim do ano.

Entre os homens não aconteceu nada fora do esperado. Talvez a derrota do Istomin para um tal Zopp – não, isso não é surpresa! Foi um dia mais de espetáculos do que emoções com vitórias fáceis de Federer e Murray entre outros.

Uma coisa que também não foi surpresa foi a declaração de James Blake, que aos 32 anos já faz algum tempo está mais com o pé na cova de sua carreira do que rumo a um título. Chega nessa hora, quando não tem mais planos no circuito, o tenista começa a passar por transformações. Às vezes são transparências não tão objetivas, como a de Blake que agora diz que acredita que, como em todos os esportes, também existem tenistas que trapaceiam tomando drogas e não sendo pegos. Ele ressalta que as autoridades fazem o melhor trabalho para evitar que isso aconteça, mas acontece. Diz que ele volta e meia acorda às 6.30 para fazer xixi em um copinho e acredita que outros tenistas também passam por isso. O americano não citou nomes, até porque não é besta e palavras ao vento não custam nada. Mas todo mundo sabe para onde que esse vento bate. Isso é conversa reverberando o assunto Armstrong, que realmente abalou o cenário esportivo, especialmente nos EUA, onde é um ícone, por conta de sua história de “superação” e conquistas. E agora José?

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domingo, 26 de agosto de 2012 Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:11

Para quem vai e quem não vai.

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Começa esta segunda-feira o 130º, ou algo assim, U.S. Open. Infelizmente, pelo menos para eles, a esmagadora maioria dos meus leitores não irá assistir os jogos in loco – a nossa anfitriã Maysa Alva Pérola irá, então o Post é em homenagem a sua viagem. A maioria acompanhará pelas TVs a cabo, já que este Grand Slam é o único que duas delas, ESPN e SporTV, dividem a tarefa.

O U.S. Open é o maior dos Grand Slams, mas não o mais charmoso, nem o mais gostoso de acompanhar. Na verdade, talvez seja o pior de todos para assistir ao vivo. Mas há gosto para tudo e todos e, como tudo, tem suas vantagens e desvantagens.

Para nós brasileiros, uma das vantagens é que o horário de New York é o mais amigável de todos os GS – o fuso horário tem a diferença de somente 1 hora. Acompanhar o Aberto da Austrália é um martírio e trabalhar nele mais ainda. Roland Garros são 5 horas e Wimbledon quatro de diferença, o que também não é tão legal. Se a maioria de vocês trabalha, como o Brasil e lema na bandeira esperam, pode ainda acompanhar os jogos noturnos sem tanto estresse. A rodada noturna começa às 20h de Brasília – uma ótima desculpa para escapar do JN e as notícias do STF e, mais ainda, do Tufão e casa da mãe Joana – e você pode até assistir a ultima partida, que caba não tão tarde, virar para o lado, beijar a senhora e dormir em dois minutos se tiver a consciência tranquila – quem estiver no Estádio Arthur Ashe ainda tem que sair de lá, pegar o metro, voltar para a cidade, talvez comer algo em um restaurante não muito amigável e nem tão barato, ir para o hotel, tomar um banho e aí dar um beijo na senhora etc…

Mas estar por lá, minha cara Maísa, tem suas vantagens. À parte da Arthur Ashe, que sei você tem vários ingressos, e espero que bons assentos, se não nem ver se oFederer bateu de direita ou esquerda, existem várias quadras amigáveis. A maioria delas dá para ficar a uma cusparada do tenista, apesar de que tenho certeza que o fato não lhe fará diferença. Mas é bem legal ouvir o barulho do tênis derrapando no plexipave, o tenista bufando ao impactar as bolas, o som da bolinha sendo depenada pelas raquetes, sem contar com o erotismo sonoplástico de uma Maria ou de uma Victoria, o que também, espero, não lhe fará diferença, mas o maridão pode gastar e voltar com mais alegria no dia seguinte, sem falar da oportunidade única de checar a musculatura, inclusive das pernas, de algumas tenistas a cerca de três metros de distância, apesar de que, imagino, você preferiria a do Nadal, que não estará por lá, e do Federer, que a Arthur Ashe lhe exigirá um binóculo. Mas lá pode acompanhar os replays no telão e dançar com as músicas divertidas nos intervalos dos games e, se tiver sorte, no final do jogo o Djoko pode lhe tirar para dançar.

Você pode alugar um rádio do torneio, se tiver o cartão de crédito certo sai de graça, e receber ótimas informações enquanto no local – tipo o momento certo de sair daquele marasmo da Louis Armstrong e correr para a Quadra 11 para assistir um tie-break do 4º set. Mas corre o risco de morrer na praia ao encontrar um mar de gente que teve a mesma ideia. Na pior das hipóteses vá para a Grandstand, de longe a melhor quadra para se ver um jogo no local.

Não vai ser tão legal se ficar com fome ou tiver que ir aos banheiros. Para os últimos as filas são longas e se prepare para pagar os olhos da cara para comer do pior e um absurdo para matar a sede. Ah, existem bebedouros espalhados pelo local, o que é ótima notícia, já que faz um calor e uma umidade danado durante o dia.

Mas o U.S. Open oferece muito mais. Jogos emocionantes de duplas de pertinho, que as TV não mostram e eu sei você adora, a oportunidade de aplaudir, torcer e até fazer uma diferença, de acompanhar os treinos dos cachorrões e, quem sabe, tirar uma foto com eles, que é um programão e também disputado, porque os americanos que comparecem durante as matinées são tenistas e sabem o que é bom, ao contrário dos notívagos, que são locais e só querem mais uma razão para encher a cara e fazer barulho.

Abra sua mente e, durante a 2ª semana, que é quando você e a maioria dos brasileiros vão, porque querem acompanhar as finais, mas não necessariamente torcer por outros brasileiros, vá assistir alguns jogos dos juvenis, assim você poderá, algum dia, como eu, dizer que viu o “Federer” quando ele era garoto e ninguém conhecia. Os jogos dos cadeirantes são impressionantes e um espetáculo único, muito melhor do que assistir os Masters, totalmente dispensável.

Mas, acima de tudo, temos New York, que sempre será a cidade mais agitada do planeta. Sobre isso não preciso escrever, pois a internet, o Villages Voice e o Time Out vão lhe informar muito bem. Mas não deixe de passear no upper east side, porque você é muito chic, assistir algo na Broadway, The Book of Mormons é imperdível, passear no West Village no fim da tarde, e o que mais o coração mandar – aí sim você vai entender porque esses GS são imperdíveis; a melhor maneira de agregar paixões.

Uma das vantagens – assistir de pertinho.

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sábado, 25 de agosto de 2012 Tênis Masculino | 13:50

New York 2002

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Mais um Post fisgado de colunas de jornais de anos atrás. Este de 2002, o ano seguinte ao fatídico 2001. Neste ano eu saíra de lá no Domingo, vim para São Paulo e à noite voei para o Sauípe, onde começava o Aberto de São Paulo. Na terça as torres caíram. Em 2002 voltei a New York e ao local do atentado. O relato está abaixo.

Aceito o convite da Federação Americana de Tênis para um passeio até o chamado “ground zero”, o local onde um ano atrás estavam as “Torres Gêmeas”. Embarcamos em um double decker, aqueles ônibus de dois andares, sendo o segundo deles com o teto aberto, ônibus que estamos mais acostumados a ver em Londres. Como o dia estava lindo, ensolarado, mas agradável, todos os convidados se acomodam por lá. O nosso guia é um belga muito mais americano do que os gringos que vivem por aqui. É Domingo, o transito está tranquilo e nossa única preocupação é não ficar de pé para evitar os galhos mais baixos das arvores e os semáforos pendurados em fios que atravessam as ruas.

Desde nine eleven (9/11), como os novaiorquinos se referem ao fatídico evento que mudou a história da cidade, toda a área das torres passa por transformações. A prefeitura, com fundos da cidade, do estado e do governo federal tem planos; não só não deixar o ocorrido ser esquecido, como para revitalizar a vizinhança. Alguns prédios vizinhos ainda estão abandonados, talvez comprometidos, e com seus futuros indefinidos; mas a maior parte do local se adaptou e encontrou seu cotidiano.

No lado leste das antigas torres está a Igreja de Saint Paul, construída no século dezoito e cercada por um antigo cemitério, na sua maioria de franceses huguenotes que ajudaram construir a cidade e inabalada pelo atentado. A alta grade de ferro que a cerca por todo um quarteirão é enfeitada por milhares de objetos, lembranças dos mortos nas torres ali colocadas em uma homenagem compreensível e chocante. São fotos, camisetas, calçados, recortes de jornais, ursinhos de pelúcia e tudo que amigos e familiares conseguiram amarrar nas barras de ferro de Saint Paul.

Ao redor de todo o quarteirão, onde durante quase vinte anos foi o maior centro financeiro do mundo, dezenas de camelôs tentam nos empurrar fotos, revistas, pesos para mesas e dezenas de bugigangas como souvenirs. Os terroristas podem ter derrubado os símbolos do capitalismo americano, mas não acabaram com seu espírito.

Reforçando o poderio americano, começa hoje o Aberto dos EUA. Apesar de não ter o charme de Roland Garros, a tradição de Wimbledon e a hospitalidade do Aberto da Austrália, o torneio de Nova York é o que distribui o maior prêmio dos quatro Grand Slams. O evento pertence à Federação Americana de Tênis, que conseguiu o atual local graças a um contrato de 99 anos de aluguel com a cidade. Uma das clausulas do contrato estipula uma multa de mais de U$300 mil dólares se um avião, que saia do vizinho Aeroporto de La Guardia, sobrevoar o local dos jogos durante o evento. A clausula foi colocada pelo antigo prefeito Dinkens, aquele que andou batendo uma bolinha com Gustavo Kuerten na “Central Station” na semana passada. Ela foi também a razão pela qual o antigo prefeito Giulianni, herói de 9/11 e o homem que mudou a cara da cidade nos últimos anos, nunca mostrou deu as caras no torneio. O primeiro tem uma paixão pelo tênis e é um perene convidado do torneio. Para deixar claro o é que a política, Bloomberg, o recém eleito prefeito e adversário de Giulianni, declarou que o Aberto dos Estados Unidos é o maior evento esportivo do país e estará lá hoje para prestigiar o seu início.

À parte de ser o país com o maior numero de praticantes, os americanos – que de bobos não tem nada, nem a cara como muitos insistem – aplicam alguns truques para a façanha de terem o maior evento do tênis e o que distribui o maior prêmio. Um deles á o fato de terem duas sessões por dia. A sessão noturna começa com os jogos das 19 horas quando, nas quadras principais, o publico que ali estava para a sessão diurna é convidado a se retirar. Se não aceitarem o convite, sai igual. Com isso eles faturam duas vezes ao dia, fora comidas, roupas, acessórios etc

O publico da noite é totalmente distinto do diurno. São os novaiorquinos que trabalharam durante o dia e à noite querem assistir a um bom jogo, sentados nos assentos pelos quais pagaram caro, beberem uma cerveja em um copo de plástico, comerem hot-dog nadando em ketchup e enchiladas que custam uma fortuna e são “incomíveis”. Depois voltam para a cidade para comer bem, em casa ou nos restaurantes de Manhattan e vão dormir contentes pelo dia completo. Na seção diurna vêm mais os turistas de outras cidades, aos milhares – que à noite aproveitam para jantar fora e irem à Broadway – e aqueles novaiorquinos que não têm um grande compromisso com o trabalho ou conseguiram convencer os chefes que a outra avó morreu.

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terça-feira, 21 de agosto de 2012 Light, Tênis Feminino | 10:20

Sugarpova

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Agora todo mundo vai poder comer Sugarpova. Pelo menos os americanos. A tenista lançou esta semana a sua linha de gostosuras e pretende com isso começar a alavancar sua carreira como empresária pós tênis.

A russa é a melhor das marqueteiras entre as tenistas, quiçá entre qualquer atleta, sendo a mais bem paga de todas, via patrocinios. A moça é bem falante, tem bom gosto, ao contrário de boa parte das tenistas que tem um pezinho na cafonice, sabe o que quer e não tem a menos cerimônia em correr atrás.

Desta vez ela não foi contratada para endossar. Colocou grana sua e veio com a ideia do que queria e procurou as pessoas para tornar possível. Ela decidiu que sua primeira aventura como entrepeneur seria ter a sua própria linha de balas finas, coisas estilo jujubas etc. Tudo nos trinques, da embalagem ao produto. Pelo menos as embalagens são interessantes, os doces, que são feitos na Espanha, ainda vou ter que experimentar. A moça jura que adora candies desde pequenina e que a decisão foi uma consequência. Sei lá se é verdade, até porque ela diria, como sempre, o que acreditasse ser a melhor estratégia de marketing, e também porque pouco importa.

O lançamento oficial foi na loja Henri Bedel em New York, que as leitoras mais patricinhas, e os maridões que preferem não ter discussões nas suas viagens, com certeza conhecem. É “a loja” de acessórias da cidade, localizada na 5ª Avenida, rua favorita das fashion girls como Maria.

Os tenistas aproveitam a semana anterior ao US Open para fazer as ações de marketing que seus patrocinadores demandam. É uma semana de descanso, treinos e marketing.

Fiquei imaginando se Maria vai distribuir as gostosuras nos vestiários e no lounge dos tenistas durante o U.S. Open. Seria, vamos dizer, uma atitude simpática com colegas, já que todo mundo gosta de um docinho. São 11 produtos distintos, inclusive uma balinha que reproduz exatamente uma bala com o formato de uma bola de tênis. Não vi nenhuma bala com o formato da tenista, o que poderia ser mais um atrativo para os gulosos.

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quarta-feira, 2 de maio de 2012 Tênis Masculino | 10:58

Pragmático

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Definitivamente a formação cultural de uma pessoa se traduz nas suas ações. Enquanto o espanhol Rafael Nadal pegou suas raquetes e abandonou o Conselho da ATP no início da temporada, deixando claro sua insatisfação em como as coisas caminhavam, Roger Federer declara esta semana que a certa altura também pensou em recolher seus relógios e abandonar o Conselho. Pensou melhor e concluiu que se você desiste aí que as coisas não mudam mesmo. Mais pragmático.

A ATP sempre foi um saco de gato e de interesses. O que acontece hoje não diverge em nada do que já aconteceu no passado. Não tenho receio em dizer que é até bem mais tranquilo.

Hoje se discute muito o calendário, a premiação oferecida, especialmente pelos Grand Slams, e a voz dos tenistas em decisões táticas e técnicas, novamente em especial nestes torneios.

Na semana passada, Roland Garros e Wimbledon abriram um pouquinho a mão das fabulosas quantias que arrecadam a cada evento. É um passo na direção do que os tenistas pleiteiam, mas não chega lá.

Federer não aprova algumas dessas demandas e menos ainda a maneira que alguns tenistas escolheram verbalizá-las (ouch!). Como bom suíço, ele acha que a paciência é uma virtude que os tenistas devem cultivar. Ele afirma ter conversado com alguns tenistas em Miami e informado como andavam as conversas com os GS – Federer é presidente do Conselho dos Tenistas. Insistiu para que se aguardasse uma manifestação dos mesmos, algo prometido em Indian Wells.

“Bem, eles mudaram algumas coisas”, diz o suíço lembrando sobre o aumento da premiação, em especial na 1ª rodada divulgado na semana passada. Como está fora do circuito desde então, ele diz que não sabe onde está a cabeça dos tenistas, algo que descobrirá em Madrid. Ele sabe que o perigo de uma greve dos tenistas contra os Grand Slams não está totalmente fora de cogitação. “Wimbledon e Roland Garros fizeram as decisões certas, vamos ver o US Open”, diz ele. Se for por conta disso, a paz está no horizonte. Os americanos, apesar de cabeça dura com certas coisas, como aconteceu no US Open do ano passado e que iniciou a revolta dos jogadores, gostam de pensar ser o mais politicamente correto dos GS. Eles seguirão os outros dois e, não duvido, até um pouco mais. Mas suspeito que as demandas dos atletas não acabarão por aí. Só tenho minhas duvidas sobre qual maneira eles optarão por agir. Se a diplomacia suíça, a indignação espanhola ou alguma outra liderança que surja nos vestiários.

O diplomata Federer.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:39

Xadrez nos bastidores

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É um joguinho de xadrez. A divulgação de que os americanos estão considerando mudar em definitivo a final masculina do U.S. Open para a segunda-feira, o que seria inédito nos torneios de Grand Slam, é mais um movimento desse jogo do que uma decisão final. Além disso, a final feminina passaria de sábado para domingo, estendendo a “cortesia” de um dia de descanso também às mulheres.

A divulgação é uma reação dos organizadores à realidade das veementes reclamações dos tenistas sobre jogar uma final de cinco sets no dia seguinte em que jogam as semifinais – um absurdo que os tenistas vêm engolindo há anos por conta da fome de grana dos americanos que querem o Big Saturday, onde acontecem as semis masculinas e a final feminina.

Além disso, os americanos querem amenizar o risco das chuvas que levaram a final para a 2ª feira nos últimos quatro anos. Eles não agüentam mais o papelão e as explicações de algo inexplicável. Eles sabem que construir um teto sobre qualquer quadra do complexo vai custar os olhos da cara e levar o torneio para o vermelho por alguns anos, um verdadeiro “cruz credo”.

A possibilidade da 2ª feira não é a única sobre a mesa. Eles consideram manter a final masculina no domingo, mas puxando as semis para a sexta-feira. Eles têm também outras idéias, mas a estratégia é colocar a questão em discussão e ver a reação dos envolvidos.

Como eles dizem, e prestem atenção a isto: “o tênis se tornou muito mais físico nos últimos anos e os tenistas tem um ponto em pedir esse dia de intervalo. Mas eles são só um dos lados a ser considerado: há a TV e seu publico, nacional e internacional, torcedores, os parceiros corporativos e patrocinadores”. O que é história para boi dormir já que os outros Grand Slams também consideram todos esses aspectos e ficam longe desse formato absurdo. Eles fazem: semis femininas na quinta e masculinas na sexta, final feminina no sábado e masculina no domingo – todos!

A federação americana afirma que “mudanças implicariam em perda financeira para o torneio” – eu sabia que essa vinha por aí! “E que essa é a razão para se pensar bem sobre o assunto”. Essa “perda”, se vier, seria pelas mãos da TV americana, que é quem força a barra para pegar o filet-mignon no fim de semana.

Os americanos querem manter o fim de semana de partidas cruciais por conta das TVs e das bilheterias – “sinto muito pelos tenistas”, que agora prometem reagir. Esse formato existe desde 1984 e os tenistas nunca engoliram ou resistiram. As negociações com a CBS, que tem os direitos americanos desde 1968 e cujo contrato atual vai até 2014, começaram em Setembro, logo após o U.S. Open, mostrando que o pessoal sentiu o golpe das reclamações dos tenistas que foram feitas públicas, especialmente pelas TV – ohh ironia!

Os organizadores (a federação americana de tênis) alerta que se as mudanças forem decididas até Abril serão implantadas em 2012. Se não só em 2013.

Federer, principal representante dos tenistas da ATP, vê as mudanças como “muito positiva para o tênis”. Essa reação imediata é o movimento de peça do xadrez por parte dos tenistas para dizer que esse é o caminho e que eles esperam que algo seja feito já, e dentro do que eles pediram, que não foi só a mudança do Big Saturday. Foi, acima de tudo, que eles sejam mais ouvidos do que são atualmente, em decisões que afetam suas carreiras e participações nos grandes eventos.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011 Tênis Masculino | 12:32

Garfada na final

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Quem nunca teve problemas com um “garfo” em quadra? Nos profissionais o problema é amenizado pela presença do juiz. Mesmo que esse faça absurdos, existe uma regra não dita que, com a presença do juiz, o maximo que pode acontecer é um dos tenistas questionar uma marcação e se acertar sempre com o juiz. O tenista do outro lado da quadra não teria nenhuma obrigação de se manifestar, de um jeito ou de outro. Sempre existiu a possibilidade de um tenista “passar o pé”, pelo menos no saibro, onde o árbitro poderia, de qualquer maneira, verificar a marca – por isso fica mais fácil, e elegante, simplesmente passar o pé e dar o ponto para o adversário, algo que nem todos fazem.

Em tempos de “Desafios” a história mudou, pelo menos nas quadras em que ele existe. Mas existe uma área em que já tivemos sérios problemas no passado e, parece, não mudou. Quem conhece o tênis há tempos lembrará do sério incidente na final do US Open de 1985, quando Yannick Noah e Henri Leconte enfrentaram a dupla americana de Flach e Seguso.

Os dois primeiro sets foram decididos no tie-breaker. O terceiro estava set point no TB quando uma bola, segundo os franceses, tocou o cabelo de Flach- que usava aquele estilo mullet que o Agassi fez famoso – desviando e saindo pelo fundo. O juiz não marcou nada. Os franceses questionaram o americano que se fez de morto e negou. O pau comeu, com ofensas de ambos os lados. Os franceses se indignaram, perderam o TB e simplesmente entregaram o quarto set, sem fazer um game. O caso ficou muito famoso, saiu em todos os jornais e frequentou todos os vestiários. Os quatro nunca mais se falaram.

Vinte e seis anos depois um replay do affair, exatamente no mesmo cenário e circunstancias; final de duplas masculina do U.S. Open.

Os alemães Melzer e Petzchener enfrentando os poloneses Fyrstenberg e Matkowski. O primeiro set 6/2 para os alemães. No segundo set, 2×2, a confusão. Só que, desta vez, temos as câmeras de TV como testemunhas. Então, sem maiores comentário, eu deixo que vocês acompanhem o voleio de canela do “garfão” Petzchener – simplesmente ignorem o “desafio”, que nada tem a ver com o assunto.

Os poloneses, indignados, não fizeram mais nenhum game. O alemão, de origem polonesa e cara de paisagem, provavelmente não precisava passar por esse papel para ganhar – mas o caráter fala mais alto. Fyrstenberg, assim como os franceses 26 anos atrás, se recusou apertar a mão do “garfão” no final.

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