Publicidade

Posts com a Tag torneio de barcelona

terça-feira, 19 de abril de 2016 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 18:31

Nuances locais

Compartilhe: Twitter

Rafael Nadal deve estar dando graças a Deus pelo início da temporada européia sobre a terra. Se para ele sempre foi um martírio as partidas sobre as quadras duras, nos últimos tempos isso ficou mais grave; tanto pelos danos ao seu corpo, como pelas dificuldades em vencer partidas com frequencia a que estava acostumado, pela simples razão que ele não tem mais a mesma estâmina física que um dia teve.

 

Nao só pelas razoes acima, ele chegou babando em Monte Carlos. Era mais do que isso. Ele precisava em mandar uma mensagem a seus adversários. Se não ganhasse o torneio no jogo lento do MCCC, com suas quadras a poucos metros do mar, iria perder ainda mais o respeito que vem se definhando. E, acreditem, respeito ganha jogo sim senhor.

 

Rafa ganhou seus jogos sem estresse até as semifinais. Lá teve que lidar com Murray. O primeiro set foi magistral. O segundo muito bom. No terceiro Nadal mostrou, mais uma vez, que tem mais cabeça do que o escocês.

 

A final não foi diferente. Monfils mostrou, mais uma vez, após chegar às semis em Miami, que pode jogar de igual com qualquer um. Por um tempo. Porque chega uma hora entrega a mortadela. E Rafa não entrega. Por isso é o gênio que amamos.

 

Agora o circuito chega a Barcelona, no tradicional e pedante Real Club de Barcelona. Na época de Franco era necessário estar de terno para entrar na sede e no restaurante do clube. Os tenistas eram vistos como intrusos. Imagino que os tempos são outros e costumes também. Sorte deles.

 

O torneio é muito grande na cidade, muito bem frequentado, mas sem mais o mesmo impacto no circuito. Hoje, apesar do enorme time de espanhóis no circuito, os vizinhos franceses tem bem mais torneios do que os furiosos.

 
Os catalães tem o torneio desta semana, que era “mais torneio” por muito tempo. Hoje, depois que o romeno Ion Tiriac comprou Madrid e o transformou em Masters 1000, o evento no Real Club virou coadjuvante. É um calo no sapato dos catalães.

 
Nao sei bem como Rafa se relaciona com as nuances locais. As Ilhas Baleares são muito mais próximas e têm muito mais a ver com Barcelona. Mas, não sei porque, ele torce, descaradamente, pelo Real Madrid – e o tio dele foi zagueiro do Barcelona FC por quase uma década. Por outro lado, está sempre se bicando com o evento de Madrid, enquanto se enche de amores por Barcelona, apesar de, muitas vezes, ser um torneio difícil de encaixar no seu calendário.

 

 

Duvido que jogaria esta semana se não fosse em Barcelona. Os quatro primeiros do ranking; Novak, Roger, Andy e Stan estão em casa se preparando e descansando para coisas mais importantes. Assim, Barcelona se torna mais uma oportunidade de vitória, assim como uma responsabilidade, para Rafa Nadal. Como ele nunca foi cara de fugir do pau….

 

 

Mas que fique claro uma coisa. Seus olhos estão mesmo voltados para Roland Garros, o evento mais importante do calendário para o rei do saibro. Lá ele definirá a sua temporada. O resto dela se acomoda ao redor daquele evento que faz a sua confiança brilhar.

Autor: Tags:

segunda-feira, 23 de abril de 2012 Juvenis, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro | 13:35

Tapetão

Compartilhe: Twitter

No dia seguinte à conquista em Monte Carlo, Rafael Nadal já estava em quadra no Real Club de Barcelona para a disputa do tradicional Trofeo Conde Godó.

Não é simples jogar dois eventos seguidos em locais distintos, mesmo ambos sendo à altura do mar. O piso é um tanto distinto, assim como as condições em geral. O tenista tem que imediatamente apagar a alegria da vitória de sua mente e focar na nova meta e nas novas dificuldades.

Rafa chegou ao RCB, fez uma conferência de imprensa com os organizadores, imaginem um torneio em Barcelona sem Nadal, e foi para a quadra treinar.

Abaixo publico uma foto para a qual chamo a atenção de todos. Os que praticam nosso esporte vivem no Brasil uma realidade resquício de nossa cultura. Nos clubes e academias do país existe a figura do arrumador de quadra, aquele funcionário que passa o tapete ou escovão e varre as linhas. E quando não os há é mais por conta da falta de verba ou pessoal para tal. Só para cobrir possíveis exceções, que confirmam a regra, digo que talvez existam locais que os próprios tenistas, por opção própria, arrumem as quadras quando jogam.

Na Europa a praxe é o tenista arrumar a quadra após o seu treino, deixando ela pronta para o próximo usuário. Não importa se seja amador ou profissional criança ou velho, todos o fazem, sendo considerado falta de educação não fazer.

Também por lá, assim como nos EUA, a figura do pegador de bola só existe em torneios. Nos clubes e academias os tenistas recolhem suas próprias bolas. No Brasil, se o pegador não aparece os tenistas começam com seus xiliques e reclamações.

Aqui a garotada, infelizmente, não é instruída a arrumar quadra, um símbolo de civilidade e coletividade, perpetuando essa “falta de educação”, muito mais pelo desábito e ausência de informação do que por acomodação. Assim como aprendem, com os adultos, que um pegador deve estar presente quando treinam.

Na Escolinha do Clube Pinheiros as crianças recolhem suas próprias bolas e são incentivadas a arrumar a quadra após os treinos. Quando instituí isso no Clube, no início de minha gestão na Seção de Tênis, uma garota me procurou, demonstrando certa revolta, querendo saber por que ele teria que arrumar a quadra. Após explicar a ela o porque, ela concordou e disse que o faria de bom grado. Como sempre, muitas vezes maus hábitos são corrigidos com muito mais facilidade e bom grado do que se imagina.

Rafael Nadal passando o tapetão após seu treino de hoje.

Autor: Tags: ,

domingo, 24 de abril de 2011 Tênis Masculino | 14:00

Animal que ronda

Compartilhe: Twitter

Deixando transparecer certa conformação, minha mulher me perguntou logo cedo que hora seria a final de Barcelona, para ver por quanto seria a derrota de Ferrer. Percebi uma certa ironia na pergunta. Só para descobrir, o que me deixou mais contente, que ela deu mais um passo em seu relacionamento com o tênis, ao torcer, sem pudores, pelo Ferrer, o que garantiria um melhor espetáculo. Pouco adiantou.

Ferrer continua respeitando, mais do que a conta, o seu maior adversário. No segundo set chegou abrir 4×2, sacando para ampliar. Não conseguiu. Perdeu quarto games seguidos.

Se engana redondamente quem pensa que Ferrer jogou mal, ali ou em algum outro momento. Ele jogou muito tênis. O tênis mostrado por ambos é quase uma aberração pela qualidade dos golpes e o incrível atleticismo. Porém, Ferrer ainda faz parte dos poucos mortais que jogam muito tênis, mas não conseguem manter o mesmo alto padrão em todas os pontos disputados.

O que pode causar severos danos emocionais a ele Ferrer, e a outros talentosos mortais com uma raquete na mão, é que do outro lado da rede ronda um animal que está em outra dimensão tenistica. Sei que meus leitores precisam se manifestar, o que acho ótimo. Para ajudar a evitar que descarrilem por caminhos menos produtivos, deixo a eles a tarefa de publicar alguns dos números que Nadal consolidou com a conquista do Torneio de Barcelona.

O Animal em Barcelona

Autor: Tags: , ,

segunda-feira, 18 de abril de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:44

Vitórias e derrotas

Compartilhe: Twitter

Como a SporTV só vai mostrar Barcelona a partir de quinta-feira, só nos resta imaginar como foi a derrota de Thomaz Bellucci para o colombiano Santiago Giraldo, um tenista imprevisível e perigoso, adjetivos que também podem ser utilizados com o brasileiro.

O jogo foi um festival de quebras de serviço, o que diz algo sobre a velocidade das quadras do torneio e sobre as dificuldades de Bellucci, que teve seu saque quebrado cinco vezes, o que não é pouco em dois sets.

Mais uma vez Thomaz sacou para fechar um set, só para ter seu serviço quebrado e terminar por perder o set. A frustração, mais uma vez, lhe abaixou o espírito e fez com que perdesse o set seguinte de maneira mais fácil do que o primeiro. O rapaz segue tendo dificuldades em lidar com os aspectos emocionais e mentais do jogo de tênis da faixa de competividade que frequenta.

Thomaz ainda não encontrou seu melhor caminho, mesmo sob a direção de Larri Passos, o que deve ser frustrante para ambos. Como não poderia deixar de ser, o técnico bate na tecla de que é necessário paciência com a fase de aprendizado e ajuste. Nem todos os atletas maturam, técnica ou emocionalmente, na mesma idade, e torcedores tendem a ser totalmente cegos à qualquer realidade que não seja seus desejos. Faz parte do trabalho do técnico lembrar desse detalhe a todos os envolvidos. Hoje assisti a um documentário sobre Diego Forlan – que esteve entre ser tenista e boleiro – e que só desabrochou como jogador aos 26 anos e atingiu seu ápice, na ultima Copa, aos 30 anos.

Como Bellucci é um tenista ainda com um emocional instável e, de certa maneira influenciável pelo o que acontece durante a partida, duas verdades paralelas se impõe.

As derrotas lhe fazem muito mal emocionalmente e impedem seu crescimento, na mesma medida que vitórias poderiam lhe trazer aquele algo a mais que faria a diferença em sua carreira. O problema segue sendo que uma derrota indiscutivelmente lhe coloca fora de um evento e todas as consequências que com isso vem, enquanto suas vitórias nem sempre conseguem motivá-lo e lhe dar a confiança necessária de seguir vencendo até a final. Esse é o equilíbrio que Thomaz Bellucci ainda busca.

Thomaz ainda busca seu equilíbrio.

Autor: Tags: ,

domingo, 26 de abril de 2009 Tênis Masculino | 14:35

Grã-Duque

Compartilhe: Twitter

Talvez à

distância fique um pouco difícil de entender. Mas o fato é que para um espanhol o título do Torneio de Barcelona tem um peso e um significado muito maior do que o de Madrid, mesmo distribuindo metade dos pontos e prêmios. Como dizia um amigo meu italiano, tradição não se compra; e eu acrescento, se constrói. E isso que o Real Club de Barcelona vem fazendo há pouco mais de 50 anos.

O Torneio Conde de Godo é o mais tradicional da Espanha e ambos os finalistas – Nadal e Ferrer – deixaram claro, na cerimônia de premiação, a importância dele em seus respectivos imaginários. Jogado em um clube fundado no século retrasado e sede de algumas das famílias mais finas, ou frescas, conforme o ponto de vista, de Barcelona. Ali todos se acham condes e marqueses e até o porteiro deve ser achar barão de alguma coisa. Hoje talvez esteja um tantinho melhor, mas até os anos oitenta, ainda sob a sombra da época de Franco, o ambiente era de uma frescura nas úúrtimas. O que não ofusca, de maneira alguma, a fidalga maneira com que acolhem esse maravilhoso evento.

Os jovens espanhóis crescem ouvindo e lendo sobre os grandes embates e os campeões que se apresentam em quadras tão aristocráticas e talvez essa tradição explique a questão que alguns leitores levantaram sobre a participação de Nadal em Barcelona, apesar de espremido entre Monte Carlo e Roma. Um Federer pode esnobar o Conde de Godo, um espanhol é bom nem pensar. Após cinco títulos, lá também, o pessoal do clube deve star planejando lhe entregar o título de Grã-Duque de Tierra Batida y Mallorca.

O Duque – mais um banho em seus súditos

Autor: Tags: ,