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quinta-feira, 11 de abril de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 10:22

Na Alemanha

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O Brasil vai enfrentar a Alemanha, fora de casa, pela repescagem do Grupo Mundial. O adversário não é dos piores para se enfrentar, mas a combinação de jogar fora de casa, com um time capenga, contra um adversário que se não é dos mais perigosos seguramente é um time redondo com Florian Meyer, P. Kohlschreiber, B. Becker, Petzschner, Kamke e a possibilidade, remota, de Tommy Haas, não é das mais interessantes.

O piso favorito dos alemães é o saibro, mas como crescem jogando metade do ano indoors não tem dificuldades com a mudança. A partida será em Setembro, quando ainda poderiam facilmente jogar outdoors na terra. Mas considerando a derrota que sofreram no saibro do Rio de Janeiro em 1992 e o histórico de Bellucci, duvido que alguém lá sugira isso. Devem ir mesmo para indoors; dura ou carpete.

O Brasil já enfrentou os alemães em cinco oportunidades, sendo que nas ultimas três eu era o técnico/capitão; as primeiras duas (1952 e 59) na Alemanha, quando o então presidente da CBT abria mão de jogar em casa por conveniência, dele e dos tenistas. Perdemos uma e ganhamos a outra. Na derrota tivemos o recem falecido Armando Vieira vencendo as duas simples, uma delas sobre o famoso Barão Von Cramm, então com 43 anos, vencedor de Roland Garros duas vezes e finalista de Wimbledon em três ocasiões e o US Open em uma, dono de uma história riquissima envolvendo cavalheirismo, era o tenista mais admirado pelos adversários, prisão pelos nazistas por se recusar a fazer o jogo deles em propaganda, proibição de jogar, luta e condecoração nos campos de batalha da 2a guerra, casamentos milionários e casos homossexuais – não se faz mais tenistas como antigamente.

Em 1981 jogamos no tapete, na quadra coberta do pequeno Ibirapuera. Para a escolha eu contava com o estilo agressivo de Thomaz Koch e Carlos Kirmayr. Kirmayr ganhou as duas simples, mas Koch perdeu as suas duas. O marcante foi a vitória de Kirmayr sobre Pinner, que batera Koch em 3 sets no primeiro dia. Kirmayr venceu o 3o set por 21/19, um dos mais longos da história.

O confronto foi decidido nas duplas, quando Kirmayr e Hocevar foram derrotados por dois especialistas em duplas; Beutel e Zipf.  Outro fato marcante foi que tivemos o serviço quebrado no 11×11, graças a chamada de um foot-fault de um juiz de linha brasileiro(nissei) no break-point, que acabou decidindo o confronto. Sim, aqui não se roubava a favor, se roubava contra.

O confronto seguinte foi em Essen e quem organizava o evento era o Ion Tiriac, então manager de Boris Becker. Desde lá, o romeno, dono do Torneio de Madrid, gostava de aprontar com quadras. Colocaram as partidas em um tapete de escritório que era mais rápido do que gelo. Trataram-nos como país do 4º mundo em diversos aspectos e itens, (tenho altíssimas suspeitas que o árbitro, um italiano dos mais sem vergonha e que eventualmente foi expulso da FIT, nos roubou já no sorteio) sempre privilegiando os da casa, o que é compreensível, mas insistentemente nos prejudicando, o que é inaceitável. Tomamos um cacete. A vingança viria quatro anos mais tarde no Rio de Janeiro, com Boris Becker (então #3 do mundo e #1 três meses antes) e tudo; mas isso é uma outra história que contarei outro dia. Agora, em Setembro, é lá.

Carlos Kirmayr

Armando Vieira

O Barão Von Cramm e seu grande rival, Don Budge, um dos pouquissimos que venceu os quatro GS no mesmo ano.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012 Copa Davis, História, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:15

Brasil x EUA na Davis

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Sorteio é sorte, óbvio ululante, diria o Nelson, algo que o Brasil não teve no esta manhã em Londres. No sorteio saiu EUA. Por conta da alternância de local, o confronto acontecerá na terra do Tio Sam, de 1 a 3 de fevereiro. Para quem não lembra ou não era nascido, o último confronto entre os dois países foi em 1997, três meses antes de Gustavo Kuerten conquistar seu primeiro Roland Garros.

O sorteio é um balde de água fria em duas esperanças que o time brasileiro tinha. Jogar em casa e contra um time mais frágil. Não precisava ser as duas – uma das alternativas já estava bom. Não veio nenhuma.

O EUA é o país com mais títulos na Copa Davis, mas está longe de ser a força que um dia foi. Seu principal jogador na última década, Andy Roddick, largou a raquete no último U.S. Open. Ainda assim é um time de respeito e jogando em casa. Eles têm tenistas como Isner, Fish, Harrisson, Querrey e os irmãos Bryan. Posso garantir que eles não irão escolher a terra como piso.

Os dois países se enfrentaram em quatro oportunidades. Em 1932 na grama de Forest Hills, quando o time brasileiro tinha Nelson Cruz, Ricardo Pernambuco e Último Simone, e os EUA tinham, entre outros Frank Shields que, para quem não sabe, foi o avô de Brooks Shields.

Em 1957 aconteceu em Boston, na grama do tradicional Longwood Club. O Brasil tinha o clássico Carlos Fernandes que, até onde sei, segue dando aulas no Clube Paulistano em São Paulo. Armando Vieira, excelente tenista que nos deixou há pouco tempo, e era membro do Last 8 em Wimbledon. Jose Aguero, filho do icônico Jose Aguero, professor no tradicional Country Club do Rio de Janeiro por mais de 60 anos e formador de uma geração de tenistas cariocas.

Em 1966, enfrentamos os gringos em casa pela 1ª vez. O jogo foi em Porto Alegre e foi uma das grandes vitórias do Brasil na Davis. Um confronto que fez história no tênis nacional. Os jogos foram no Clube Leopoldina e o time brasileiro foi liderado por Edson Mandarino, o herói do confronto, e Thomas Koch, então com 21 anos. Mandarino venceu as duas simples.

Em 1997 jogamos em Ribeirão Preto. Gustavo Kuerten, 20 anos, tinha recém passado a titular, Meligeni na outra simples e Jaime Oncins nas duplas. Os americanos tinham Courier, atual capitão americano e bi-campeã de Roland Garros, MaliVay Washington e a dupla O’Brian/Renemberg. Foi um dos grandes eventos da Davis no Brasil. Kuerten ganhou o 1º set contra Washington, perdeu dois TB seguidos e o 4º set. Meligeni perdeu em 5 sets para Courier. Oncins/Kueten mataram a dupla em três sets. Mas Kuerten perdeu em 4 sets para Courier no 4º jogo. Faltou-lhe um pouco de experiência. Mas, deu-lhe a confiança de saber que podia enfrentar cachorrões de igual para igual – até então jogava os torneios menores – e vencer Roland Garros três meses depois.

E essa tradição e história que o Brasil enfrentará e continuará a escrever na 1ª rodada da Copa Davis em 2013.

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:38

O meu primeiro Pan

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O meu primeiro Pan Americano foi o de São Paulo em 1963, onde o tênis foi disputado nas quadras do Clube Pinheiros. Com 15 anos, fui convidado para ser juiz de linha, o que me assegurava os melhores lugares do torneio. Além disso, pude conviver durante quase uma quinzena com os melhores tenistas das Américas – e obviamente do Brasil. Foi uma experiência inesquecível da qual tenho uma série de boas lembranças.

Era uma época onde o esporte branco atraia ótimos tenistas, para não dizer os melhores de cada país. Época também do tênis “amador”, pelo menos cinco anos antes da chamada Era do Tenis Aberto. Até por isso o Brasil conseguiu reunir os seus melhores jogadores, algo que nunca mais aconteceu, por mais de uma razão – a maior sendo que a competição, com o “Tênis Aberto”, foi perdendo o prestígio necessário para reunir a elite do tênis. E assim é até os dias de hoje.

Em São Paulo reinaram no tênis os melhores de nosso país. Maria Ester Bueno, já com três títulos de simples nos Grand Slams e a quatro meses de vencer o seu próximo em Nova York, venceu as simples, batendo a mexicana Yolanda Ramirez na final. Vocês podem imaginar a emoção de estar na linha de um jogo de uma bicampeã de Wimbledon, em uma época onde não existia tênis em TV?

O site da CBT, erroneamente, afirma que os melhores brasileiros nesse Pan foram Maria Esther e Thomaz Koch. Nos homens o vencedor foi o talvez mais talentoso dos tenistas brasileiros – Ronald Barnes. Pensem no estilo Roger Federer e imaginem Barnes. O carioca venceu as simples batendo o mexicano Mario Llamas. Nas duplas masculinas o carioca emparceirou com o paulista Carlos Fernandes para ficar com o segundo ouro. Com o bronze ficaram os gaúchos Thomaz Koch e Yarte Adams.

Maria Ester ficou com a prata, jogando com a cearense Maureen Schwartz. Nas duplas mistas Esther ficou com a prata ao lado de Koch. Foi o Pan com os melhores resultados do Brasil conquistados pelo melhor time que o país já reuniu. Simples.

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segunda-feira, 29 de junho de 2009 Light | 20:10

O primeiro telefonema

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Em Wimbledon existe uma evidente separação entre a primeira e a segunda semana do torneio. Para deixá-la mais óbvia, o Domingo é um dia sem jogos. Não que essa seja a razão, já que nenhuma razão é oferecida. O Domingo é o dia em que os perdedores almoçam em casa e os sobreviventes treinam sonhando até onde chegarão.

Na cabeça dos jogadores é bem claro o conceito de chegar, ou não, à segunda semana. Estar nela é uma conquista em si. Essa divisão é a única razão, na minha cabeça, para não se jogar no Domingo, algo só feito em Wimbledon. Acho o fato horrível, já que coloca uma pressão a mais no “schedule” dos jogos, que já é estressante pelas chuvas. Fora que é um belo dia para o público, tanto o de lá quanto o do resto do mundo que acompanha pela TV.

Outro fato vêm à mente sobre as duas semanas de Wimbledon. A primeira semana sempre foi a minha favorita em Roland Garros, onde se pode assistir partidas de altíssima qualidade. Em Londres é o oposto. As melhores partidas acontecem na segunda semana quando os favoritos começam a se encontrar. O saibro é um piso mais democrático em termos da qualidade do tênis jogado do que a grama. Esta exige um “know-how” mais específico. Se o tenista não sabe jogar na grama, acaba fazendo o papel de bobo e se sentindo como tal.

Na segunda semana de Wimbledon, as partidas concentram-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos eventos de duplas, juvenis e veteranos.

O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites e é mais uma exibição . Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes, o brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete, em 1959. O estilo de Federer lembra o do Barnes. Para fazer uma média familiar, lembro que minha irmã,Vera Lúcia Cleto, foi a ultima brasileira a chegar à semifinal entre as juvenis, em 1967, aos 17 anos, perdendo para a eventual campeã.

Os eventos dos veteranos, todos eles de duplas, assombram as quadras na segunda semana e são divididos em acima de 35 e 45 anos para os homens e acima de 35 para as mulheres. Nos acima de 45 dos homens vale qualquer idade e é uma ótima oportunidade de ver legendas do passado.

Um charmoso evento que deixou de ser disputado na segunda semana é o “Plate”. Esse eu aposto que vocês não conhecem. É uma daquelas relíquias que só pode existir enquanto o esporte era puro e quase “amador”. O “Plate” aceitava os perdedores das três primeiras rodadas das simples em um novo evento. Também oferecia um pequeno prêmio em dinheiro e era uma boa opção para os tenistas que queriam um pouco mais de competição e “know-how” da grama, ao invés de sair correndo para casa, como acontece hoje.

Foi extinto em 1981 entre os homens e 1989 entre as mulheres. O tênis chegara a uma geração que não jogava mais o esporte simplesmente por amor. Atualmente, o primeiro telefonema dos tenistas, após uma derrota é para a companhia aérea. A idéia é cair fora o mais rápido possível.

Entre os brasileiros, foram finalistas do “Plate” os paulistas Armando Vieira, que chegou às quartas de final da chave principal, em 1954, e a paulista Claudia Monteiro, que atualmente vive nos EUA, em 1982. O gaúcho Thomas Koch venceu o “Plate” em 1969 e 1975, provando que tinha um estilo que se adaptava bem à grama.

Vera e Thomaz sacando.

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