Publicidade

Posts com a Tag thomaz bellucci

quinta-feira, 24 de julho de 2014 Tênis Brasileiro | 14:08

O intangível

Compartilhe: Twitter

Sempre tive um certo fascínio pelos fatos que nao sao bem explicados. A lista de exemplos que tenho em mente é grande, mas fico com um único, que é a razao deste Post. Thomaz Bellucci está na 3a rodada do ATP Tour de Gstaad, algo a se celebrar – tanto ele, como nós. Afinal faz um tempinho que o rapaz nao progredia assim na chave.

O fato é que Thomaz venceu três títulos em sua carreira. Dois deles em Gstaad – o outro em Santiago do Chile. A maneira mais lógica de explicar o sucesso na Suíça seria pela altitude, 1000m, de Gstaad, uma charmosérima vila nos alpes. Santiago fica a pouco mais da metade disso.

Nessa altitude Bellucci consegue o melhor de seus cenários. A altitude beneficia seu saque, um dos melhores do circuito, se considerarmos a força, colocaçao e os efeitos que a vantagem de ser canhoto oferece. A altitude também beneficia seus golpes, que sao ao mesmo tempo fortes e com spin, o que os segura na quadra. Além disso, o ajuda no fato de nao ser o mais rápido tenista e que se beneficia de pontos nao tao longos. Tudo isso regado a uma ótima dose de saibro vermelho, algo que dá um tremendo conforto emocional ao nosso tenista. Um casamento de variáveis que Bellucci utiliza e se beneficia, mesmo sem saber porque.

Tenho minhas duvidas que só isso – ou tudo isso – explique seu sucesso por lá. Especialmente considerando a ausência do mesmo sucesso em outras paragens.

O que acredito é que após vencer Gstaad pela primeira vez, Thomaz abriu em sua mente um altar de confiança alimentada pelas maravilhosas paragens da cidadezinha, que faz com que ele acredite – componente importantíssimo no arsenal de um tenista – e consiga elevar seu padrao a cada vez que por lá chega.

Será que só o fator altitude explica? Creio que nem ele acredite nisso, já que só jogou uma única vez em Kitzbuhl (750m), quando perdeu na 1a rodada.

De qualquer maneira lá está Bellucci derrotando seu adversários novamente – e novamente em Gstaad. O próximo é o argentino Juan Monaco, um tenista que experimentou o gosto do sucesso e nao soube lidar bem com ele. Tudo a postos para termos Bellucci em mais uma semifinal. E, se querem saber, nao vejo ninguém na chave que o brasileiro nao possa bater nas condiçoes apresentadas. Que aproveite o intangível.

Autor: Tags: ,

sexta-feira, 30 de maio de 2014 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 08:21

Na primeira fila

Compartilhe: Twitter

Quase todas as quadras de Roland Garros tem uma seçao, maior ou menor, para acomodar a imprensa e a área dos jogadores, onde sentam os mesmos e convidados. Digo maiores e menores porque algumas sao minúsculas. Digo quase todas porque nao estou tao certo de que todas tem. E se tem sao poucos os que sabem onde elas ficam. Se for depender do pessoal que atende e orienta a entrada do publico estamos perdidos, porque estes muitas vezes nao sabem nem que existem.

Algumas dessas áreas oferecem aquilo que considero o maior privilégio de se assistir um jogo ao vivo em um GS. A oportunidade de acompanhar um cachorrao, ou mesmo uma cachorrona, a pouquissimos metros de distância. E das ofertas de Roland Garros, as minhas favoritas sao as das quadras 1 e 2. A primeira porque a imprensa pouco vai por ali, apesar dos ótimos jogos que lá acontecem e a entrada na quadra ser rápida.

Nessa quadra, quase sempre a imprensa presente senta a partir da segunda fila – sao umas seis filas formando um pequeno retângulo. Acredito que nao ficam na primeira porque é perigoso. Nao sao poucas as vezes que o tenista quase acaba no seu colo, ou pior, que sua raquete passa por perto de seu rosto. Mas é uma sensaçao única.

Ali voce enxerga tudo que o tenista que está próximo faz. Ouve tudo o que ele fala ou resmunga e, acreditem, eles falam o tempo todo entre os pontos. Alguns mais outros menos. Se prestar atençao ouve o que eles pensam.

Ontem foi um excepcional nesse quesito. Após acompanhar Nadal e Thien lá de cima, onde posso escrever ao mesmo tempo, fui vagar pelas quadras. Três partidas preencheram minha tarde e saciaram meus desejos tenisticos.

Acompanhei Murray e o australiano Matosevic do perigoso assento da q1, Bellucci e Fognini da segunda fileira da quadra4, e Verdasco e Cuevas na primeira fila da q2.

A única dessas partidas que pegou fogo mesmo foi a última, quando o uruguaio abriu 2×0 e o espanhol virou e venceu no quinto com quase 4hrs de jogo. O publico lotara a quadra2, que é a quadra mais “gostosa” do complexo, porque é bem fechadinha, ao mesmo tempo que oferece um bom número de assentos, o bastante para a participaçao do público fazer uma diferença. O jogo foi pegadissimo, com muita correria. No final Verdasco conhece melhor o caminho das pedras desses momentos, além de ter um preparo físico superior, o que fez a diferença. Um detalhe curioso é que no tal chiqueirinho se espremiam, sentando ombro a ombro, os amigos, técnicos e convidados de ambos tenistas, com todos torcendo e falando pelos cotovelos com os jogadores. Um jogao!

A partida de Bellucci nao me emocionou e impressionou como a anterior. Pensei que poderia acontecer ao contrário, pela qualidade do oponente – Fognini. O italiano está com tremendo tempo de bola e usa muito bem a força da bola alheia para fazer a sua andar – uma questao de talento.

Duas coisas faltaram para Bellucci, que haviam sobrado na abertura. Confiança e administraçao tática.

Ao meu lado, durante um tempo, assistiu a partida o amigo e comentarista da SporTV, Narck Rodrigues, ex tenista que sabe tudo da bolinha, e os pensamentos em pouco divergiam, até para nao dar a impressao que falo por ele. A pergunta que sempre fica é o porque da oscilaçao emocional, consequente técnica do nosso tenista.

Bellucci tem as bolas – o problema que surge é quando e quais usar. Se tem jogo que ele escolhe melhor e jogo que ele escolhe pior, só pode ser por conta de alteraçoes emocionais. E fica difícil dizer se a confiança despenca conforme as coisas saem erradas ou se é o inverso. Mas, seu problema maior segue sendo as escolhas táticas e mesmo estratégicas de como jogas seu tênis. Sao opçoes muito estreitas para o tamanho de seu potencial.

De qualquer maneira, olhando pelo lado positivo, o vi rápido, sem dar sinais de cansaço, apresentando novas bolas, especialmente no lado do revés. Fica claro que trabalho nao falta. A carência é outra.

O mais divertido da tarde – e atentem que optei por nao acompanhar a Aninha na Central e a Giorgi na q2 – foi assistir MalaMurray na q1. Um espetáculo. O escocês é um tenista diferenciado em vários sentidos e poderia escrever uma dissertaçao a respeito.

O fato que acompanha-lo a essa distância, vejam a foto que tirei na minha página do Facebook -https://www.facebook.com/paulo.cleto.33 – é um privilégio, uma viagem, uma oportunidade impar.

Murray tem golpes extremamente bem montados, uma habilidade ímpar que ele nao hesita em usar das mais variadas maneiras, um preparo físico exuberante que o leva a fazer coisas inimagináveis e seus oponentes à frustraçao, e um conhecimento e raciocínio tático de se tirar o chapéu – o cara pensa o tempo todo.

A sua força física é tanta que lembra a força de um bailarino consolidado. Ele constantemente se movimenta, antecipa, procura a bola, recupera, que é uma arte preciosa no tênis. Seus golpes sao variados ao esgotamento. Seu revés pode ter a abertura normal e longa, pode ser curta ou extremamente curta, como na devoluçao de saque quando ele invade 3 a 4 metros para devolver o petardo de um sacador como o Matosevic. Dos dois lados ele pode usar o top para dar altura e profundidade, pode ser reto para acelerar e atacar, pode ser um slice de esquerda para mudar o ritmo ou se defender. Pode ser um curtinha venenosa ou uma paralela como uma bala. Os seus jogos poderiam custar o dobro dos outros que ainda valeriam a pena – ele e Federer em quadra nao tem preço.

Agora ele também está virando sacador, o que lhe ajuda bastante. Ele diz que ainda está a procura de um técnico, mas nao é algo que vai decidir durante um torneio. Será que irá inaugurar um nas duas semanas que separam RG de Wimbledon? E a pressao?? O interessante é que ele está tao ciente do fato que dá para ver que está prestando mais atençao ao seu jogo e, em especial, à sua postura em quadra. Fala o tempo todo. A cada ponto. Mas ao contrário de antes, quando reclamava demais consigo, pelo menos ontem ficava o tempo todo se motivando. Uma mudança que pode ser crítica para um tenista com seu perfil e que lhe deixa ainda mais perigoso.

Autor: Tags: ,

terça-feira, 27 de maio de 2014 Roland Garros, Tênis Brasileiro | 09:37

Sim, ele pode

Compartilhe: Twitter

Completando um dia improvável e de ótimos assentos fui assistir, desde o início, a partida de Thomaz Bellucci. Uma partida, como escrevi, ganhavel para Thomaz, e nao por isso fácil para Bellucci.

O brasileiro jogou, durante dois sets, o melhor tênis que já o vi jogar. Sólido, sem erros, explorando tanto suas qualidades como as fragilidades do oponente, alternando ataques, desequilibrando o adversário, cortando drasticamente os erros, enfim, jogando o seu melhor, que é o bastante para enfrentar qualquer um.

E é por aí por perto que reside o maior adversário de Thomaz – ele mesmo. Ele duvida.

O alemao falsoBecker nao começou, de repente, a fazer muito mais do que nos primeiros dois sets. Fez o que um alemao sabe fazer; nao desistiu, pagou pra ver. E, lógico, quando Thomaz falseou ele aproveitou – e o jogou mudou.

Em nenhum momento – com a exceçao de um game no 3o set – se pode dizer que Thomaz jogou mal. Acontece que Thomaz, como muitos tenistas, e ao contrário de alguns poucos, tem que jogar o tempo todo com a confiança lá em cima. Aí ele é um enviado dos infernos para seus adversários. Um tremendo de um saque, uma direita avassaladora, um revés que melhorou barbaridades, tanto na cruzada, que ficou perigosíssima, como na paralela, aonde nao tem mais aqueles pensamentos tolos de nao usar o slice (um de seus grandes progressos táticos e que lhe aliviou inúmeros erros nao forçados que cometia quando sob ataque), bons e confiáveis voleios curtos. Ou seja, um arsenal de respeito.

O seu inferno é que quando ele se desvia mentalmente de sua trilha, cometendo alguns poucos erros, o que, convenhamos, é quase inevitável, a nao ser que se trate do um Nadal, Thomaz nao se perdoa com facilidade. Ele permite que o diabao lhe venha infernizar a vida, mexendo com sua confiança, o maior bem que um tenista pode ter – e por isso algo que deve ser protegido, como o rei no xadrez, com todas as forças.

Ontem, após perder dois sets, que poderia ter ganho, Bellucci deu um sério passo à frente em sua carreira. Foi no fundo de sua alma e resgatou-a do chifrudo, levando-a ao altar da confiança, o que lhe permitiu a voltar a jogar o seu tênis original. E que festa ele o é. Um tênis agressivo, arrojado, audaz, insistente no ataque. Nesse cenário Thomaz mostra seu melhor e acua os oponentes. Na hora que o brasileiro aceitar que, como dizem os americanos, shit happens, e aprender a colocar isso de lado assim que acontece, e focar no que de ótimo sabe fazer, conseguirá ser um tenista temido tanto pela agressividade como pela consistência, que é o almálgama que mantém todas as qualidades tenisticas vivas e trabalhando. Tudo que Thomaz precisa é trazer para si um pouco mais daquilo que o tal Obama soube tao bem vender para se tornar o homem mais poderoso do universo; yes, I can!

Autor: Tags:

quarta-feira, 18 de setembro de 2013 O leitor escreve, Sem categoria | 10:25

Apologia à Linda

Compartilhe: Twitter

Nao é de hoje que o tal Glads confunde minha cabeça. E nao é reclamaçao. Quando muito constataçao. Mais certo     . Desta vez ele nos brinda com um dos conceitos a mim mais bem querido. O de escrever o que quer, sobre o assunto que lhe inspira, criando uma tangente, pequena que seja, no caso bem pequena, com o tênis. Senhoras e senhores, Glads, o (nao) operário.

 

Pois é.
.
Ontem venci mais um dia de operário que sou. Lembrei coisas daquelas que vem no cheiro da marmita abandonada numa estufa, das sete ao meio dia, quando ninguém controla a temperatura. O cheiro, dizem, nos remete a mais verdades passadas que a visão ou imagem encarcerada nos labirintos do cérebro. Mastiguei o almoço já vindo cozido de casa, e, então, agora, assado; azar o meu, sina dos mortais, quando tive um tico de tempo a pensar, já enojado da meia bóia.
O cheiro talvez me remetesse nos idos tempos — acho que sim — nos médios tempos pé-lá e pé-cá desse mundo doido, e nós de agora; quanto mais rápido o globo gira, mais pingentes das birutices se agarram na cauda dele. Resumindo, nada me remeteu ao romantismo, ou seja lá, romantismo só meu.
.
Ali no cheiro, não me detive nas imagens das mulheres que marcaram época no cinema e cena. Pouco citadas no desempenho, muito pouco no dia a dia, a lembrança da semana me enlodou. Não sei por quais diabos, na ultima em que acessei a internet, lá estavam e estão, ainda, batalhões remexendo e fazendo apologia à Linda Lovelace.
.
Nada contra, à época ela me apimentou por uma noite no recurso que pude, mas só. Seria interessante, a cada dia, estamparem, mesmo que uma de cada vez, Scarlett Johansson se dando em “Moça com Brinco de Pérolas”, Grace Kelly em “Ladrão de Casaca”, Rooney Mara em “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, Dominique Swain em “Lolita”, Mary Streep em “Kramer vs. Kramer”, Mia Farrow em “A Rosa Púrpura do Cairo”, entre milhares de jóias outras.
.
Ficamos como? Creditamos arte nas performances de becos, que sem palavras, quase, aliviam instintos desgarrados da genialidade e saber? Creditamos arte ao desafogo do instinto nas penumbras?
Pior, daremos créditos ao instinto machadeiro e vazio do Bellucci em prol do tênis, quando?
Estamos, como sempre, perdidos. O tempo cede aos jovens serem de corpo o que puderem. Depois, cumprem compromissos de lendas. E lendas, por favor, nunca favor.
.
Lovelace, Belucci…
Ele — Lovelace conseguiu — poderá alcançar a ponta da cauda?

Autor: Tags:

terça-feira, 17 de setembro de 2013 Copa Davis, Sem categoria | 11:03

Yellow brick road

Compartilhe: Twitter

Quando escrevo que o tênis é um “jogo”, não de azar, ou sorte, não de força, não só de talento e habilidades físicas sinto que ainda não sou compreendido na medida exata. Tudo isso, e muito mais, faz parte. Mas o principal componente, o amalgama final, são o mental e o emocional, que podem parecer ser a mesma coisa, mas não o são, mas são o que forjam os campeões.

É com tristeza, por ele e por todos nós, fãs do tênis brasileiros, que acompanho, à distância e pela TV, a carreira de Thomaz Bellucci não decolar como poderia e se esperava, pelo imenso talento e arsenal técnico. E agora, em um cenário ainda mais doloroso, regredir e, pior, entrar em zona de perigo.

Este ano foi uma tristeza para o tenista. Poucas vitórias – nenhuma de grande valor, talvez a sobre Isner na Copa Davis, mas o grandão vinha de contusão e estava avariado, e de muitas derrotas, e várias para gente de quem não deveria mais perder.

A contusão no abdômen não ajudou – elas nunca ajudam – e veio em momento crítico, quando começava a temporada no saibro, seu piso favorito e campo de suas maiores conquistas, e após alguns bons resultados, em Miami e Barcelona (ambas 3ª rodada). Na Espanha ele se contundiu, em Abril, e só voltou a competir em Julho, em Stuttgart. Dalí para frente ganhou dois jogos e perdeu dez, incluindo a Davis este ultimo fim de semana, onde não ganhou um set em dois confrontos.

Não há confiança que resista a tanto mal trato. E Thomaz sempre foi um tenista que performa na confiança. Ganhar jogo no estresse, na marra, na briga de rua nunca foi seu perfil predileto.

Não sei quanto a contusão, desta vez no ombro direito, foi causa de suas derrotas na Alemanha. Só posso crer que em nada, se não teria sido irresponsabilidade. Jogar com dores faz parte da carreira do atleta. Incomoda, prejudica, um verdadeiro “saco”, mas faz parte e não pode fazer a diferença.

Emerald_City_3-300x225

 

 

 

 

Pelo menos à distância, e ela sempre pode enganar, a dor parece ser mais acima do pescoço e, quiçá, no lado esquerdo do peito. É difícil para qualquer tenista sair dos top100. É um massacre emocional, um ultraje jogado à sua cara, uma derrota pessoal, especialmente quando já se foi praticamente Top20, aos 22 anos e uma estrada de tijolos amarelos se abria à sua frente com mil promessas no horizonte.

Autor: Tags:

terça-feira, 23 de julho de 2013 Sem categoria | 15:24

humor cao

Compartilhe: Twitter

Estou travado. Impossibilitado de ficar sentado por mais de cinco minutos. A região lombar totalmente endurecida, causando desconforto e dor. Isso após uma injeção de deitar cavalo e subsequentes comprimidos antiflamatórios.

Acompanhei a derrota de Thomaz Bellucci frente ao argentino Delbonis. Nao chega a ser uma surpresa, já que o rapaz vinha no embalo e na confiança. Ao contrário de Bellucci, que ficou um bom tempo afastado das competições. E Bellucci é, por sua natureza e personalidade, um tenista que precisa de confiança e uma boa ausência de pressão para jogar o seu melhor.

O fato de defender o título em Gstaad 2012, e os muitos pontos que vieram com ele, nao ajudaram o brasileiro. Muita pressão. Seu ranking atual de #113 já espelha essa ausência, algo que ele tinha ciência antes de entrar em quadra e mais ainda quando chegou a hora da onça beber água nos dois sets – 7/5 7/6 mostra que o jogo podia ir para qualquer lado e foi para quem teve o emocional mais afinado. Afinal estar fora dos 100 melhores tem consequencias na entrada de torneios da ATP daqui para a frente.

Contusoes sao o inferno do esportista. Estou aqui padecendo e amaldiçoando. Nao só pelas dores e incomodo, mas pela impossibilidade de jogar, uma paixão que me alimenta a alma. Mas nao vivo disso. Thomaz Bellucci vive. Só dá para imaginar a angustia, dele e de qualquer um que nao possa realizar sua paixão e, acima de tudo, trabalho. Para eles nao há seguro desemprego, férias pagas, ou mesmo salários pagos como acontece no ambiente de clubes – o cara fica contundido mas recebe igualzinho, moleza. O tenista nada recebe, vê seu ranking despencar, a técnica sofrer, a confiança murchar e quando volta ainda leva umas sapecadas dos adversários para piorar o humor. Sei, isso se ele nao for o Nadal, que só tem um.

O Bellucci vai atravessar uma crise pesada nos próximos meses. Além de ver seu ranking despencar e o colocar fora dos ATP Tour e na faixa dos temidos Challengers, começa em breve a temporada de quadras duras, nunca o seu piso favorito, apesar das minhas esperanças a respeito. Mas, pelo menos está jogando e, pelo visto, recuperado – um enorme alento. Além disso, o publicador do Blog nao funciona. Eu vou deitar, para aliviar a dor, algo que me deixa em um humor cao. Sem til, que nao acho neste diabo de computador.

Autor: Tags:

quinta-feira, 27 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 12:08

A fila anda

Compartilhe: Twitter

Não sei se na Inglaterra tudo acaba em pizza or fish and chips, mas o fato é que eu acho que o jardineiro responsável pela grama do All England Club está com seus dias contados. Ontem o diretor de Wimbledon teve que fazer um comunicado dizendo que o clube não acha que a grama mudou um tiquinho sequer em comparação ao que era.  Sei. Reagia às massivas reclamações dos tenistas sobre a grama escorregadia e perigosa e consequente tombos e contusões dos atletas. Bem, se teve que explicar é porque tem algo ali.

Para agravar, o dia teve dez abandonos e WO por contusões, um recorde, sendo que pelo menos algumas por conta de escorregões. Como esse tipo de coisa não estoura na mão de diretores, suponho que o recém promovido fulano que toma conta das quadras seja rebaixado ao chatíssimo serviço de arrancar ervas daninhas. Para quem não sabe, o atual jardineiro-mór de Wimbledon assumiu a responsabilidade logo após Wimbledon 2012 – este é seu primeiro Wimbledon e parece que o trabalho não agradou aos tenistas.

O que não explica as outras contusões, como a de Darcis, o que eliminou Nadal na 1ª rodada, sentiu o ombro e não apareceu para o jogo. Isso é assunto para outro dia.

Wimbledon sempre foi terreno fértil para zebras nas primeiras rodadas. Faz parte da tradição e das circuntâncias, abordadas em meu recente post Escorregou na Grama.

A maioria faz sentido, considerando estilo dos envolvidos, outras nem tanto, como a derrota de Sharapova para a atrevida portuguesinha Brito, que teve que jogar o Qualy. A moça era para ser uma grande tenista quando juvenil, ambição que bateu no fato de ser pequena. Mas sempre teve uma direitaça e foi insolente, como quando levou advertência de uma juíza por gemer muito alto e chiou de volta “se fosse a Sharapova vc não fazia essa advertência”. Pois é, ontem as duas berraram como bezerras desmamadas e ninguem disse nada. No final, a portuguesinha com sua direita manteve a russa sob pressão e se movendo, o que causou tres quedas ao chão da patachoca, que não deve ter gostado também do espelho auditivo. Pode-se dizer que Brito ganhou no grito.

A vitória de Stakhovsky e suas contigencias também foram abordadas precocemente no ultimo post. É a vitória do compromisso e da boa execução com o saque/voleio na grama. O ucraniano fez a decisão no dia anterior e ficou com ela até o fim. Foi bonito de ver – Federer costumava fazer isso. Mas o Bonitão não é mais o mesmo – nem no estilo nem na cabeça. Ainda dá para curtir muito quando ele está em quadra, mas me parece claro que ele não tem mais o que exige para ser o campeão que um dia foi. O que, convenhamos, é normal aos 31 anos.

Até por isso, há que se fazer mais acertos do que erros, dentro e fora das quadras. Federer sempre se deu ao luxo de fazer incompreensíveis erros em quadra, só para se impor graças ao imenso talento. Na imensa maioria das vezes funcionou. Hoje funciona menos.

Lembro-me que um ou dois anos atrás grande polêmica houve no Blog por conta do calendário de Thomaz Bellucci. Para quem nunca conseguiu entender, ele arriscou e não deu certo, algo que acontece na vida de quem opta pela audácia de querer mais do que tem, algo que vejo com bons olhos. Federer errou em seu calendário este ano, algo que dá para ver agora, mas quando o fez fazia seu sentido. Jogar menos e focar onde teria mais chances, considerando a idade e adversários que tem. Com isso chegou a Wimbledon, seu grande momento na temporada, junto com o US Open, sem o devido ritmo e a devida confiança. Quando pegou um fantasmaço jogando muito e abafando junto à rede não soube/conseguiu contra atacar o tsunami adversário. Teve uma época que lidaria com isso só com seus instintos. Hoje ele está fora. A fila anda.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 23 de maio de 2013 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 01:07

Inconfidência

Compartilhe: Twitter

Imagino que Thomaz Bellucci deve estar frustrado, quase deprimido. Não só sua temporada no saibro passou sem algo digno de nota, o que é um tormento para quem depende tanto dos resultados na terra, como agora ele fica de fora da hora máximo da temporada do saibro europeu. As contusões sempre foram o fantasma dos atletas e não há nada que se diga que possa confortar um esportista afastado de seu esporte por conta de uma contusão. A de Thomaz é em músculo no abdômen, que começou no penúltimo ponto de sua vitória sobre Tursunov em Barcelona, e que ainda não cicatrizou. Ficam aqui meus desejos do mais rápido retono às quadras ao nosso tenista.

Hoje Teliana Pereira volta às quadras enfrentando a canadense Staphanie Dubois. É preciso ganhar três jogos para passar o qualy.

O mineirinho Bruno Soares voltou da Europa para receber, ontem, quarta-feira, a Medalha da Inconfidência, a mais alta comenda entregue pelo estado de Minas. Agora vai para Paris. As duplas só começam na 3ª feira.

Amanhã, 6ª feira, tem o sorteio das chaves. Quando a maioria de nós acordar os adversários da 1ª rodada já serão conhecidos.

Martina Hingis volta a Paris, desta vez como técnica da russa Pavyliuchenkova, uma jovem (21 anos) tenista que já foi #13, despencou e, sob a direção da suíça chega a #19. A russa é uma das mais promissoras e mais instáveis tenistas do circuito. Vamos ver se a baixinha Hingis faz a cabeça dela.

Todos os ingressos das três principais quadras de Roland Garros já foram vendidos. Para quem vai e não tem ingressos, ainda há uma chance, tirando os cambistas, bien sûr. O site www.rolandgarrosviagogo.com é o único lugar autorizado para aqueles que têm ingressos venderem. E as vendas são pelo preço original.

Parou de chover, mas o tempo em Paris continua uma droga. Domingo melhora.

El Rafa já está treinando em Roland Garros.

Autor: Tags:

quinta-feira, 25 de abril de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:01

Instáveis

Compartilhe: Twitter

Finalmente as incertezas do tênis ajudaram um pouco o Bellucci. Quando ele chegou ao Real Club de Barcelona e viu que poderia pegar o ranheta Ferrer na segunda rodada não deve nem ter ficado estressado. Talvez um pouco frustrado.

Pelo menos pegaria um convidado na primeira rodada, o que, teoricamente, era uma boa. Provou ser, apesar dele ter dado aquela flertada com o perigo.

O que ele não contava, e quem contava, era com o maluco do Tursenov eliminar o Ferrer logo de cara. Não assisti e não posso imaginar o que aconteceu. Sei que ventou muito durante o jogo, o espanhol não jogou nada, a ponto de dizer que foi sua pior partida nos últimos 15 anos, que se não é um exagero é muito tempo. Um detalhe: foi a primeira partida que Ferrer jogou desde Miami, quando teve bola para vencer Murray na final e, numa decisão instintiva e que vai lhe assombrar para toda a carreira, parou a bola, desafiou e errou. A ver quanto aquilo mexeu com a cabeça do rapaz. Só imagino que não fez muito bem para a cabeça do operário olhar a chave, ver o Rafa nela e descobrir que ele, Ferrer, era o cabeça #1.

Voltando ao Tursenov. Ele sempre foi mais instável do que a minha internet em dias de chuva. Imagino que o Belo se deu ao luxo de um pequeno sorriso ao saber de sua vitória. Aliás, o rapaz tem fama de ser uma mala sem alça, pelo menos é o que ouço. O que sei é que uma época escrevia um blog para o site da ATP (aliás a ideia, que era ótima, sumiu) e a sua escrita era, de longe, a melhor de todas entre os tenistas. Divertida, para dizer o mínimo.

Não vi também a vitória do brasileiro sobre o russo/americano – aliás, alguém viu? E se viu, onde? O placar – 4/6 6/1 6/2 – fala montanhas sobre ambos os tenistas, algo que deixo para as imaginações tenisticas de meus leitores. Pelas quartas de finais, Bellucci enfrenta o vencedor de Kohlschreiber e Klizan. Os dois estão no 3o set, interrompido pela chuva. Já que tem zebra solta, que venha o eslovaco.

Autor: Tags:

segunda-feira, 25 de março de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:31

Cumprimento complicado

Compartilhe: Twitter

Eu não vi, mas ouvi dizer que a partida entre Thomaz Bellucci e o malucopolaco Jerzy Janowicz foi um espetáculo à parte em Miami. Isso sem contar que a vitória do Belo foi uma certa zebra sem ser necessariamente uma surpresa.

Vale lembrar que o polaco é mais um gigante (2.02m) sacador do circuito e em pouco tempo de circuito já se transformou em uma figurinha carimbada pelas atitudes em quadra, um tanto fora do padrão. Se esse cara vier a jogar o que promete, vai fazer o MacEnroe sentir saudades do circuito.

O confronto entre os dois se alastrou às arquibancadas do Torneio de Miami, onde o bando de brasileiros presentes cresce a cada temporada – e eles adoram participar. E adoram pegar no pé de uma personalidade como a do polonês. Como este tinha também sua torcida o negócio esquentou, na medida em que esquentam as participações ao redor de uma quadra de tênis. Especialmente porque viram que estavam entrando na cabeça do rapaz.

A situação chegou ao ponto dos dois adversários trocarem abusos verbais em uma das viradas o que levou a galera partir para mais vaias e ataques. Em poucas palavras – virou zona.

Como sabemos, o conflito terminou com a vitória do brasileiro, até porque o outro é mais oscilante emocionalmente do que bipolar longe da risperidona. A curiosidade, que não chega a ser uma novidade, foi o tradicional cumprimento após o término da partida, imagem que vou tentar postar abaixo e deixo aqui o link caso não consiga.

http://twitpic.com/cdt0ap

En passant : o juizão foi o trapalhão voz de FM Kader Nouni, aquele que carrega uma foto do Nalbandian na carteira e sempre encontra uma maneira de complicar ainda mais o que já está complicado.

Às vezes dá certo quando clica na imagem..

Autor: Tags: ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. Última