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Posts com a Tag thomaz bellucci

segunda-feira, 25 de maio de 2009 Tênis Masculino | 17:55

Dois a menos

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Não tem como não escrever que é um tanto decepcionante termos quatro brasileiros na chave principal de Roland Garros e nenhum deles chegar à segunda rodada. E olhem que não vou escrever sobre a ausência total das meninas brasileiras.

Marcos Daniel foi o que teve a maior visibilidade, já que enfrentou o melhor do mundo em seu principal palco. Mostrou as qualidades e as deficiências conhecidas. Por um set e meio tentou, e conseguiu, jogar de igual para igual com o Animal. Foi para a quadra com vários toques táticos que incomodaram o adversário, lhe deram um projeto e o possibilitaram equilibrar o jogo, pelo menos pelo tempo em que acreditou em suas forças.

Mas, assim que abriu a vantagem de 3×1 no segundo, e viu uma fresta de possibilidade, voltou a jogar um tênis conservador e indisciplinado, o que abreviou seu tempo em quadra. Aos 30 anos Daniel não tem muitos receios em admitir seus limites, o que é uma pena, porque eles são bem mais amplos do que os que ele se impõe.

Quem ficou em quadra bem menos do que queria foi Thomaz Bellucci, que  abandonou um jogo que tinha boas chances de vencer. Thomaz chegou a sacar para vencer o terceiro set. Entregou no game seguinte. O mais surpreendente é que o abandono foi por falta de condições físicas, admitidas pelo tenista após a partida. É difícil entender como e por que um tenista profissional pode perder suas condições físicas ainda no terceiro set, sendo que é esperado jogar cinco deles em um GS.

Thomaz é um tenista com várias qualidades, dentro e fora das quadras, mas alguma coisa não está funcionando em sua carreira e preparação para conseguir ser um atleta de ponta.

Bellucci, pouco antes do abandono.

Marcos Daniel, esquerda vistosa parou na vontade do adversário.

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segunda-feira, 27 de abril de 2009 Juvenis, Tênis Brasileiro | 17:58

Pressão?

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Quem sou eu para colocar pressão em alguém, mas o Thomaz Bellucci deve estar sentindo uma certa ansiedade com a 1ª rodada de Roma. São várias derrotas inesperadas, ou pelo menos não bem vinda, em rodadas iniciais. Teoricamente, ou pelo menos na sua experiência, ele está jogando em seu piso favorito, apesar de que, como já escrevi, eu aposto nas duras para ele no médio prazo. A pressão é por conta dos 300 pontos que caem nas próximas semanas, a Copa Davis no meio da temporada de saibro e a ânsia por melhores resultados.

Ele executou bem a primeira parte da tarefa em Roma ao passar pela qualificação; nunca algo simples. Agora, pega na 1ª rodada o espanhol Feliciano Lopez, que no saibro está mais para Jose Feliciano. O cara é sacador, bom voleador, tem uma direita decente e uma esquerda que só não é cega porque ele usa bem o elice, sempre uma arma na terra. Mas é vulnerável e não muito confiante nesse piso.
O jogo do Thomaz não é muito distinto do adversário, mas seu revés é melhor, além de ser sacador também e ter uma direita mais agressiva. A pergunta, ainda sem resposta, é se ele já conseguiu colocar todas as peças no lugar.

A primeira rodada é sempre tensa. Para os dois tenistas.

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quarta-feira, 25 de março de 2009 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:45

Coelhos

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Acho que já fazia algum tempo que dois brasileiros se qualificavam para a chave de um Masters 1000. Não deixa de ser uma conquista pessoal se classificar para um torneio desses. Como não deixa de ser estranho o Brasil não ter tenistas que entrem direto na chave.

Thomaz Bellucci entrou na chave e descobriu que vai encarar Fabrice Santoro, um dos meus tenistas favoritos de assistir. Na época em que eu ainda viajava acompanhando tenistas, o francês já estava na estrada com sua cara de chorão e eu adorava acompanhar tanto treinos como jogos de meus pupilos com ele.

Cair contra Santoro na primeira rodada tem seus pontos positivos e negativos. O habilidoso tem 36 anos e não tem mais as mesmas pernas e mobilidade. Por outro lado, tem mãos mais abençoadas do que a maioria esmagadora dos profissionais – além da experiência.

Será uma experiência interessante para o brasileiro. Uma vitória contra tal oponente é uma vitória mental, algo que Thomaz está em necessidade para crescer no circuito. Uma derrota entrará na mesma categoria e com conseqüências na direção oposta. Porque, convenhamos, um jovem no auge de sua forma física não deveria perder para um atleta em franca e inevitável decadência física. Mas Santoro é um artista, um mágico e por isso sabe lá tirar seus coelhos da cartola. Resta ver se Bellucci já está pronto para tirar os seus.

Vejam nos videos abaixo o que Santoro fez com Nalbandian no AA 2006.

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sexta-feira, 20 de março de 2009 Tênis Masculino | 10:37

A peça

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Perder em dois sets com tie-breaks para o espanhol Feliciano Lopez não chega a ser um resultado ruim para o Bellucci. Perder um set em que liderava por 4×0 com certeza o é. Feliciano é um tenista difícil pela força de seu saque e a habilidade de seus voleios – não é fácil quebrá-lo.

No entanto, se Thomaz o quebrou duas vezes seguidas logo no início da partida, a esta altura da carreira deveria já saber proteger melhor a vantagem conquistada – até pelo saque que possui. Perder partidas como estas não acrescenta à sua confiança, talvez o quesito mais vital para sua carreira no momento. Isso tem influência direta em perder partidas em dois tie-breaks.

Continuo achando tudo o que escrevi sobre o paulista, até pela sua determinação em melhorar. Encontrar soluções para seus deslizes mentais em quadra continua sendo a peça que lhe falta para deslanchar.

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sexta-feira, 13 de março de 2009 Tênis Brasileiro | 18:12

Encardido

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Outro dia mesmo escrevi que o Janko Tipsarevic é um tremendo de um encardido. Lembram dele contra o Federer no ano passado na Austrália? Por um lado é o jogador que não varre ninguém da quadra, mas em compensação não dá jogo de graça para ninguém, menos ainda para quem seja pior do que ele.

É o jogador que vejo como um ótimo referencial para se avaliar o tênis real de alguém. Traduzindo, se o Thomas Bellucci tem tênis para ganhar do sérvio – como acaba de fazer em Indian Wells-,que é #46 do mundo, já foi #33, é porque o brasileiro tem tênis para, no mínimo, estar melhor do que isso no momento. E mais importante – o piso favorito do sérvio é a dura, enquanto o do brasileiro é o saibro.

Bellucci melhor no saibro? Isso é o que todos dizem, inclusive ele. Pelo meu olhar, se o brasileiro continuar progredindo e souber administrar seu crescimento como tenista, tem mais chances de ser mais perigoso nas quadras duras do que no saibro. De qualquer maneira, a vitória sobre o “sérvio encardido” é uma ótima maneira de adquirir a confiança necessária para se dar bem nos torneios maiores, onde estão os cachorros grandes; independente do piso.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 Tênis Brasileiro | 00:33

Cachorro grande

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Quando conversei com Thomaz Bellucci no fim da temporada passada, ficou claro que o rapaz tinha sua cabeça feita a respeito de seus objetivos. Não via mais futuros nos Challengers e acreditava que chegara a hora de pensar como gente grande. Um passo tão arriscado quanto necessário e bem calculado.

Após alguns escorregões e críticas de pessoas não familiarizadas com as realidades e dificuldades do circuito, Thomaz chegou à sua primeira final no ATP Tour, e dentro de casa, deixando claro que é um homem que sabe aproveitar suas oportunidades.

Não pretendo dissecar a partida final. O jogo foi disputado, em três sets e decidido somente nos últimos games, o que deixa claro tanto que o brasileiro pode jogar de igual com os melhores, como que ainda lhe falta a maturidade para vencer tais jogos. Nenhum demérito, nenhuma falta.

Pelo contrário, se Thomaz fizer uma análise nua e crua do torneio, que é o que deve fazer, e o que, pelo pouco que o conheço, fará, chegará à conclusão que bastante aprendeu e muito ganhou. Seria ótimo se tivesse vencido, mas a conta desse evento deve ser feita pensando no longo prazo.

Para quem viu Thomaz jogar no final da temporada passada ou mesmo no AA, percebeu algumas melhoras – tanto técnicas como emocionais.

Está sacando melhor, e não me refiro ao departamento de patadas, mas também às variações. Seu backhand está mais agressivo e mais regular. Mas, em ambos quesitos, bem menos do que deverá ser. Foi interessante perceber o quanto conseguiu ser obediente, taticamente e técnicamente, em suas subidas à rede na final. Espero que tenha lhe ficado claro o quanto bom voleador ele pode ser.

Além de alguns aspectos técnicos, como regularidade e velocidade, tanto para correr atrás de bolas como para se preparar para ataques, Thomas deve, até por jogar mais torneios grandes e enfrentar melhores tenistas, melhorar também emocionalmente, que é o que fará a grande diferença em seu tênis. Isso vem com os jogos, as vitórias, as derrotas, a experiência, as orientações e a auto-analise.

Mas a grande charada que Bellucci deve resolver em sua carreira é algo que não ouvi ninguém mencionar. O paulista tem um estilo e uma característica de jogo muito mais propícia para as quadras duras do que para o saibro. No entanto, ainda prefere muito mais a terra do que a rápida. Ele já é um dos melhores sacadores do circuito, apesar de que ainda não o sabe. Com o tempo fará muito estrago com esse golpe. Seu saque me lembra bastante o de Goran Ivanisovic, tanto pela força, como pela acuidade, variação e colocação.

Sua direita é um golpe devastador em quase qualquer circunstância. Também ainda lhe faltam mobilidade e confiança para ficar no ponto. Seu revés também é melhor do que o crédito que ele mesmo lhe dá. Os mesmos quesitos acima vão fazer a diferença.

Sua envergadura é outro ponto favorável, especialmente junto à rede, o que lhe ajudaria ainda mais nas duras. Na Bahia mostrou finesse junto à rede em diversas ocasiões, o que lhe abre as portas para pensar em ser mais audaz, agressivo e variado.

Após uma semana como a que acabou de viver, Thomaz terá que, junto com seu técnico, gastar o hardware e colocar mais alguns programas no lugar, porque, daqui para frente, ele será tanto respeitado e temido, como terá sua cabeça a prêmio por adversários alertas e sedentos. Bem vindo ao circuito dos cachorros grandes – você é um deles agora. 

Bellucci- 64 no ranking e nova fase.

 

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domingo, 11 de janeiro de 2009 Tênis Brasileiro | 23:23

Mãozinha.

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Não se pode criticar Thomaz Bellucci por escolher o caminho da audácia e não o do comodismo. O paulista escolheu pegar o avião, cruzar o mundo e trocar o certo pelo incerto, ao jogar os qualys de Brisbane e Auckland e não o torneio do Parque Villa Lobos, onde seria cabeça um e brigaria pelo título.

Nessas horas um pouco de sorte ajuda e não foi isso o que aconteceu. Bellucci caiu ontem na ultima rodada do qualy do evento na Nova Zelândia, já havia sido eliminado no qualy de Brisbane, para o gigante sacador John Isner. Teve três a zero no terceiro set e não conseguiu segurar o resultado, um problema que vem afligindo o brasileiro.

Thomas tem ainda uma pequena chance de entrar se alguém da chave principal pular fora, o que não dá para dizer ser algo normal. É ai que a sorte pode dar uma mãozinha.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 Tênis Brasileiro | 01:21

Bellucci, o pulo do gato.

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Em um dia da semana tranquilo, pelo menos dentro do oásis do Club Pinheiros, me encontro com Thomaz Bellucci, o brasileiro melhor rankeado na ATP. O rapaz chegou guiando um carro nacional, sem nenhum requinte, não me perguntem a marca, e foi pontual.

Não apresentava as afetações nem os maneirismos dos esportistas que começam a se destacar. Não veio fazendo imposições, demonstrando impaciência e apelando para frescuras marqueteiras. Suas roupas são normais a ponto de passarem despercebidas e tampouco utiliza aquele linguajar “mano” que alguns idiotas insistem em usar quando querem transparecer intimidade e simpatia publicamente.

Conversamos por duas horas. Olhou para o relógio uma única vez – eu também – e em momento algum me fez sentir inconfortável. Foi tão aberto quanto se possa esperar de alguém com sua idade – ele completa 21 anos no ultimo dia de Dezembro – especialmente com alguém que poderia reproduzir a conversa na imprensa. Foi uma surpresa e, considerando o momento do tênis nacional, um alento para quem sempre tem expectativas altas e positivas como eu.

Como espero estar falando, cada vez com mais freqüência, desse tenista, tanto no blog como na ESPN, a conversa não tinha agenda especifica a não ser conhecer melhor o homem por detrás da raquete. Não pretendo reproduzir a conversa neste post, mas utilizar o que aprendi para melhor analisar o personagem no futuro.

A surpresa maior veio em descobrir não só suas ambições, sobre as quais é reservado, mas como pretende realizá-las. Thomaz diz que quer melhorar e se meter entre os 40 do mundo. Mas é claro que sua ambição é maior do que essa. Eu, particularmente, vejo ali material para top20 e aí aguardar onde mais seu emocional e vontade podem levar. Mas, esse tipo de coisa você fala com seu técnico e alguém da família que seja discreto. O momento da carreira é delicado e a hora é de manter as cartas perto do peito.

Porém, o tenista não tem receios em abrir o jogo sobre a formação de seu staff. Thomaz recém despediu seu técnico e contratou um novo. Ficou claro que houve desavenças, não só de metas, mas como conquistá-las. Thomaz não elaborou sobre o passado, mas foi aberto sobre o presente, que é o que conta.

Cansei de ver tenista perdendo o caminho assim que consegue algum sucesso. Assim que entra alguma grana é um tal de comprar carro novo, apartamento e, na hora de investir na própria carreira o bolso fica cheio de caranguejos. Em uma realidade onde os adversários têm de bom para ótimo suporte técnico, financeiro e logístico de suas federações, os tenistas que querem se dar bem, e não contam com essas facilidades, tem que se conscientizar, buscar e criar as suas.

Em 2009, Thomas contará com um staff que inclui técnico, preparador físico, fisioterapeuta e nutricionista. Sempre que possível viajará com os dois primeiros. Além disso, tem uma assessora de imprensa, das profissionais e não das amadoras metidas a besta, um acerto com a Koch Tavares de buscar seus contratos de publicidade. Começa também a trabalhar com uma psicóloga para incrementar o mental. Todas essas áreas são cruciais para o tenista atual. Tudo isso custa e Thomas é o primeiro a reconhecer a necessidade deles. Como sempre é o caso, ninguém se dá bem por acaso.

Bellucci ainda tem várias coisas a trabalhar e melhorar para atingir seus objetivos. Felizmente, para ele, está ciente de boa parte delas.

Alguns detalhes me chamam a atenção. Thomas é dono de poderoso saque, que ainda tem espaço para progredir e se tornar um dos melhores. Tem também um drive potente, capaz de incomodar e machucar os adversários. Tem certas características mentais positivas que, se acrescidas de outras que ainda não estão lá, podem construir um bom arsenal emocional.

Tem também ótima envergadura e excelente tamanho (1,87m) para o tênis. Já o ajuda no serviço e poderia ajudar nos voleios – um fundamento que ainda carece e usa pouco, especialmente para alguém de seu tamanho.

O brasileiro tem alguns desafios imediatos pela frente. Até hoje o seu sucesso foi construído em cima de resultados em Challengers. Suas participações em Torneios ATP deixam a desejar. E ele é o primeiro a saber disso. Bellucci ainda se sente confortável quando enfrenta adversários mais fracos e nem tanto quando encara os mais fortes. Óbvio que uma partida contra Nadal não conta, pois ali não existia nenhuma expectativa, e consequente pressão, para vitória – aí é mais fácil jogar solto.

Em seis ocasiões venceu o primeiro set e perdeu o jogo. Somente em duas perdeu o primeiro e virou – as duas contra brasileiros piores rankeados que ele. Estatistica que precisa, urgentemente, reverter. Pela conversa, a derrota mais difícil da temporada foi contra Jarko Niemenem, em Outubro na Suécia. Jarko é um tenista sem grandes golpes, mas muito sólido e perigoso. Não perde jogos que não deveria perder e para ganhar dele é preciso batê-lo. Nessa partida Thomas sentiu que poderia vencer, mas deixou escapar. A derrota foi um marco, de mais de uma maneira. Deixou claro, em sua mente, que ele tem jogo, está perto, mas ainda não está lá. E o pulo do gato está em começar a ganhar não só esses jogos, como não perder ganháveis e, finalmente, vencer, com regularidade, os adversários melhores rankeados.

Considerando tudo que aprendeu, Bellucci decidiu que 2009 é o ano do pulo do gato. Não quer mais jogar, e se proteger, nos Challengers e pretende fazer bom uso de seu ranking – 85 – para jogar os torneios maiores, como o Aberto da Austrália – e mesmo se arriscando nos qualys, como nos anteriores. Uma decisão tanto arriscada como corajosa. Essa faixa do ranking é escorregadia e perigosa, já que não o coloca em todos os torneios e é fácil cair para fora dos 100. Mas Thomaz já sabe que ficar sendo o “rei dos challengers” – ele ganhou quatro na temporada – não é como se constrói o futuro. Ele já cumpriu essa fase e se não tiver a audácia, a coragem e a capacidade de dar o próximo passo, vai se acomodar por ai como vários fizeram.

Mas eu queria a conversa justamente para sentir o jovem. O encontrei motivado e, principalmente, consciente. Agora é trabalhar, lutar e acreditar. Estarei torcendo.

Thomaz Bellucci – 2009, o ano do pulo do gato.

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