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Posts com a Tag thomas bellucci

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:04

No paraíso

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Ao mesmo tempo em que acontece a final da Copa Davis em Belgrado, em Mogi das Cruzes a CBT organiza o Correio Brasil Masters Cup, evento que reúne os melhores do Brasil em evento-exibição que leva o nome do principal patrocinador da CBT.

O evento é realizado no Paradise Golg & Lake Resort, um belo hotel com treze quadras de tênis e várias outras opções de lazer.

O formato são os sete melhores profissionais do país mais um juvenil convidado, no caso o Augusto Laranja. Quem defende o título é Thomaz Bellucci. Todos os tenistas convidados comparecerão, com a exceção do contundido Marcos Daniel. No passado, tivemos eventos similares no fim da temporada, mas agora a CBT tem usado de sua musculatura para convencer os tenistas a jogarem. Normalmente, para esse tipo de eventos, os tenistas exigem uma garantia, além do prêmio, que não costuma ser dos maiores.

Imagino, porque não troquei essas figurinhas com ninguém, a CBT utiliza do fato de pagar uma parte das despesas de viagem de todos eles durante a temporada para convencê-los a participar, o que me parece mais do que justo.

Alem de jogar de sexta-feira a Domingo em Mogi, os tenistas estão, desde quarta-feira em São Paulo, realizando diversos testes físicos sob o patrocínio da CBT e a supervisão do preparador-físico do time da Copa Davis, Eduardo Faria. São três dias seguidos de testes. Sobre o assunto, Faria e o supervisor da CBT Paulo Moriguti ficaram de me enviar detalhes sobre o trabalho.

Ontem eles passaram a tarde em uma das quadras do Clube Pinheiros, onde Faria trabalha, fazendo testes em quadra, feito em total clima de confraternização, dos quais publico algumas fotos abaixo.

Todos eles estão voltando de suas férias e esta semana é o começo do trabalho da pré-temporada. Por isso, nenhum deles estará ainda em sua melhor forma este fim de semana, já que o trabalho de pré-temporada visa os torneios do início do ano e ter uma base do que utilizarão no primeiro semestre de 2011.

Quem estiver nas redondezas de Mogi não deve perder a oportunidade de ver nossos melhores tenistas em um local bem interessante.

No Clube Pinheiros – Bruno Soares, Andre Sá, Thiago Alves, Thomaz Bellucci, Marcelo Melo, Ricardo Mello, Franco Ferreiro e Caio Zampieri, Edu Faria e Cassiano Costa, preparadores.

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:18

13 de sucesso.

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Experiência ganha jogo? Se não ganha, ajuda barbaridades. A partida entre o gaúcho Marcos Daniel e o paulista Thomas Bellucci, pela final da Copa Petrobras, por 6/1 3/6 6/3, foi um bom exemplo.

Pode-se dizer que a chuva que castigou São Paulo no sábado também foi uma questão. Primeiro, porque deixou o jogo mais lento, o que tira um pouco a pimenta do jogo de Bellucci. Segundo, porque mexeu com a preparação dos tenistas – o início arrasador de Daniel e o pífio de Bellucci – deixou o fato evidente.

Estive rapidamente nos vestiários após a segunda interrupção e o clima era extremamente ameno. Thomas conversava com seu preparador físico, debruçados sobre um ipad, enquanto Marcos conversava animadamente com o supervisor Paulo Pereira sobre sua visão da ATP. A cada dia que passa fica claro que Daniel tem qualidades que podem ser usadas pelo tênis, internacional e nacional.

Depois de mais de quatro horas de espera, os dois brasileiros entraram em quadra para decidir quem tiraria melhor proveito do fator casa.

Daniel entrou em quadra dando na bola com vontade, inclusive fazendo mais estragos com o saque que o oponente, reconhecido sacador. Tirou o tempo do adversário, o incomodando e acuando, já que Bellucci gosta de jogar mandando no ponto, despencando de qualidade quando tem que se defender.

O mandato de Daniel ficou incólume até o 1×2 no segundo set, quando se estendeu em uma discussão com o árbitro e acabou por perder o foco. Deixou de ser arrojado, sua bola ficou mais curta e Bellucci pode então mandar no jogo a seu feitio.

Essa fase do jogo durou até o início do terceiro set, quando Thomas teve suas chances e não conseguiu cacifar. Daniel pediu atendimento por conta de dores nas costas e no game seguinte parecia que iria entregar a rapadura – parecia. Chegou a ficar 0x40. Mas sacou bem, foi agressivo e não deixou Thomas vencer um dos games mais emocionantes da partida.

Bellucci voltou a ter outros dois break-points no 2×2 e novamente deixou escapar. A norma do futebol de quem não faz leva também tem seu valor no tênis. No game seguinte Bellucci foi quebrado.

Desde o terceiro game do terceiro set Daniel não sentava nos intervalos. Muito a vontade, virava para quem estava atrás dele e dizia: “se eu sentar, não levanto mais”, se referindo ao fato de que suas costas estavam travadas. “E não vou entregar a partida!”.

Não deixa de ser curioso e interessante o fato de que Bellucci não parece ter um Plano B para seu jogo, já que, claramente, Daniel não tinha mais a mesma mobilidade, um fato que Thomas não soube aproveitar – continuou jogando exatamente como antes. Durante a partida, só jogou diferente quando Daniel encurtou e ele pode realizar o seu jogo A.

Daniel ainda teve que enfrentar um momento delicado ao sacar em 5×3, sabendo que se deixasse escapar a oportunidade poderia perder o torneio. Não deixou.

Fiquei feliz com a vitória de Marcos Daniel, por saber o lutador que ele é. Além disso, sempre foi e continua sendo uma pessoa extremamente agradável, dentro e fora das quadras, ao contrário de um de seus mais impertinente crítico.

Marcos, que foi um juvenil talentoso, teve que passar por muitas dificuldades em sua carreira, de sérias contusões, sempre o maior adversário de um atleta, a rasas e interesseiras a perseguições, inclusive por indivíduos que chegaram, por pouco tempo é verdade, a posições das quais nunca foram merecedores.

Com seus 13 títulos em Challengers – os quais, declarou após a final no Harmonia, trocaria, de bom grado, por um título no ATP Tour – Daniel conseguiu escrever sua história dentro do tênis brasileiro. Talvez não tenha sido a mais brilhante, mas segue sendo uma belíssima história de superação, dentro da carreira que escolheu dedicar seus anos mais atléticos.

Não sei, e nem sei se ele sabe, o que fará nos anos após encerrar sua carreira. Mas as coisas que aprendeu, dentro e fora das quadras, a objetividade com que consegue se expressar, a simpatia irradiante, a transparência de caráter, a força interior, e outras qualidades que me isento de listar, asseguram que encontrará novos sucessos e felicidade, que é o que um homem pode desejar nesta vida. Realizar o melhor possível com suas qualidades, sem aceitar limites, internos e externos.

Marcos Daniel, esperando a chuva passar, perdendo a concentração, soltando as costas, sacando muito e recebendo um abraço especial.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:05

Sem bombar

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Nome ganha jogo? Se não, e não ganha, ajuda barbaridades. A partida de ontem entre Thomas Bellucci sobre o insosso esloveno Ivo Klec foi um bom exemplo. O esloveno, derrotado por rápidos 6/2 6/0 deixou a fé nos vestiários e veio para a quadra fazer uma simpática apresentação. Não confrontou o adversário, nem enervou a torcida.

Como fazia um certo frio e a garoa paulistana molhava as arquibancadas, o rapaz não conseguiu sequer bombar nossos sangue nas veias e cheguei a passar frio. Thomas jogou à vontade, impondo seu maior volume de jogo, o fato de jogar em casa e larga vantagem no ranking.

Esta noite, a partir das 19:30h, Bellucci enfrenta o chileno Capdeville, que não é nenhuma flor que se cheire, nem vem vai deixar nada nos vestiários. Os dois já enfrentaram em três oportunidades, todas com vitórias brasileiras. Duas em Challengers, em 2008, e a última no ATP de Santiago, quando, em casa, o chileno só foi perder por 7/5 no terceiro set, após vencer o primeiro.

Capdeville é o atual #225 no ranking, já foi #76 e gosta de pontos longos, algo que Bellucci prefere evitar. Por conta disso, o serviço de Bellucci será, mais uma vez, um fator. O resto fica por conta da briga em quadra.

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domingo, 24 de outubro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:29

Plano B

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Claudicando lá fui eu passear na Sociedade Harmonia de Tênis acompanhar o segundo dia de partidas pelo qualy, que foram mais rápidas do que o esperado.

Logo de cara encontro Luiz Mattar que escolheu o mesmo programa, o que para ele faz ainda mais sentido já que é sócio do Harmonia. Almoçamos e colocamos a conversa em dia. Estava apurado, pois teria ainda que passar em casa, pegar o filho do meio – tem três garotos – e levá-lo para competir um torneio infantil nas quadras do Corinthians, do outro lado da cidade. E ontem esteve nas quadras do Clube Pinheiros acompanhando o mais velho. Como diz o comercial – “tem que participar”

Perguntei ao Mattar, o segundo brasileiro com mais títulos na ATP – são sete – como era quando ele era garoto. “Geralmente a minha mãe levava e o meu pai buscava. Sempre tinha um deles presente. Mas, na época, havia bem menos torneios infanto-juvenis do que atualmente”. Apesar das atribulações e correrias de sua vida, Mattar voltará ao Harmonia na terça à noite para assistir a estréia de Thomas Bellucci.

O ambiente no clube fervia com as repercussões das declarações de Bellucci e a réplica de alguns tenistas. Além disso, a pergunta que rondava o clube é sobre qual será o próximo técnico de Bellucci.

Thomas treinou com Thiago Alves, que continua dando incrivelmente forte na bola com sua direita e ambos realizaram um belo treino.

Após o set entraram em quadra Tiago Fernandes e seu técnico Larri Passos – os dois, obviamente, estavam treinando em outra quadra antes, pois Tiago aqueceu alguns serviços e foi para o jogo. Os tenistas deram barbaridades na bolinha e apresentaram um alto padrão – o primeiro game, no serviço de Thomas, demorou uns 10 minutos e teve emocionantes trocas de bolas.

Tiago é um tenista com excelentes golpes, ótima envergadura, imagino que tenha mais de 1.90m, o que vai possibilitar que seu serviço seja ainda melhor do que já é, com boa velocidade para chegar nas bolas laterais, sabe correr para frente, ainda tem que melhorar seus voleios, apesar de não aparentar receio de ir decidir os pontos na zona do agrião.

Além disso, como me apontou Larri, enquanto acompanhava os pontos do pupilo, está aprendendo a ter um “Plano B” e um “C” e não se limitar a ser um tenista unidimensional, uma praga que assola o tênis atual, especialmente entre os mais jovens. Tiago mostrou algumas variações, executou uma passada de slice no apuro da corrida que não é bola para qualquer um, deu na bola como gente grande, mudar o ritmo, para o alto e para baixo, quando apurado e, obedecendo a um comando, sacou alto no drive do adversário, um golpe pouco visto por aí.

Do outro lado da rede, a ausência de João Zwetsch evidenciava a presença de Roberto Marcher, conhecido como “O Bruxo”, e a eminência parda por detrás do atual numero 1 do país. Roberto, para quem não sabe, foi tenista na mesma época do que eu, possui um excelente conhecimento teórico e pratico do tênis, além de uma erudição não muito padrão pelas quadras, que está tentando passar para o pupilo, e já trabalhou como técnico de inúmeros tenistas.

A presença desse quarteto na Quadra 1 do Harmonia, aguçou as conversas de bastidores sobre os boatos de Bellucci vir a treinar com Passos.

Duvido que teremos alguma definição de imediato sobre o assunto e menos ainda alguma declaração das partes. Eu diria que um certo flerte existe, esperado até pelas circunstâncias. Se alguém vai pegar na mão eu não sei dizer.

Pelo perfil de Bellucci, ele pode ser atraído por dois perfis razoavelmente opostos de treinadores. Um deles é o mais “amigo” e “parceiro”. O outro o mais exigente e cobrador. Pelas suas declarações recentes, Bellucci deve contemplar um técnico lá fora, um argentino talvez, e viver com o ônus e o bônus de tal decisão.

Se escolher alguém por aqui, a primeira suspeita recai sobre Passos, que, não esqueçamos, nunca foi técnico de passar a mão na cabeça de ninguém. Com ele o bicho pega – é o atual Capitão Nascimento das quadras nacionais. Se optar por esse caminho, Bellucci também estará fazendo também uma opção pelos bônus e ônus.

Acredito que primeiro o tenista defenderá o título em São Paulo e irá a Paris jogar o último Masters 1000 da temporada. Depois, terá duas semanas de férias, tempo para pensar e decidir qual parada irá assumir para enfrentar a temporada 2011.

Passos, Fernandes, Marcher e Bellucci – quadra em quadra.

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:07

Presentes

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Podem falar o que quiser, mas eu sei, como fato, que as partidas de Copa Davis estão em outra dimensão técnica, dramática e emocional, acima de qualquer outra competição, inclusive de Grand Slam.

As duas vitórias do Brasil sobre a Índia foram retumbantes. Vencer fora de casa pelo placares registrados é sempre um feito. Bellucci este por um fio e conseguiu escapar. Poderia fazer algumas críticas ao tênis apresentado pelo nosso tenista, mas vale, acima de tudo, a vitória. Até porque os urubus já estariam carniçando se fosse uma derrota apertada e não uma vitória.

Bellucci conseguiu encontrar dentro dele algo que tem lhe fugido, na Davis e em outras competições. Usem o nome que quiserem, o fato é que no 3/5 no 5º set ele escapou de 3 match-points enfrentando um tenista perigoso e que estava então bem confiante. Melhor ainda, no 4/5, total hora da onça beber água, fez exatamente o que se espera de um vencedor quando face a face com a derrota. Saiu dando em tudo o que apareceu pela frente, conseguindo quebrar o saque adversário graças as suas bolas e não pelo erro alheio.

Melhor ainda, após o empate, administrou o emocional e o fato de sacar atrás e conseguiu mexer com a cabeça do adversário, vencendo um jogo que, apesar de permitir um tenista mais frágil crescer e incomodar, encontrou uma maneira de vencer, que é com importa no final das contas.

Quanto a Ricardo Mello, posso arriscar e escrever com o rapaz seja o tenista brasileiro em espírito de Copa Davis desde que Gustavo Kuerten se aposentou. As partidas que perdeu eram partidas que devia perder. As partidas que ganhou eram partidas que deveria ganhar, o que parece pouco, mas não é, pelo menos na Davis. E ainda entregou uns bem vindos presentes.

Parabens ao time.

Thomas Bellucci vc Rohan Bopanna 6/7 7/6 7/5 4/6 10/8

Ricardo Mello vc Somdev Devvarman 4/6 6/2 6/7 6/2 6/4

Brasil 2 x Índia 0

Ricardo Mello – vitória muito bem vinda.

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Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 07:03

Ironia do destino

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Todo tenista deve ter partidas inesquecíveis, para sua alegria e tristeza. Nunca perguntei, mas imagino que uma das que mais deve ter incomodado Thomas Koch foi sua inesquecível derrota em Calcutá.

O Brasil chegara à semifinal da Copa Davis em 1966 após surpreender e bater em Porto Alegre os EUA de Ralston, Richey – que recém lançou um livro sobre sua luta com a depressão – e Arthur Ashe. O time liderado por Koch e Mandarino foi então à Índia para decidir quem enfrentaria a Austrália na final.

O evento foi jogado na grama, piso tradicional no país que herdou o tênis dos ingleses. Na partida decisiva, com a série empatada em 2/2, contra o magnífico e habilidoso Ramanathan Krishnan – que chegou a ser o 4º no extra-oficial ranking de então sobre a grama – Koch abriu 2 x 1 em sets e 5 x 2 no quarto set.

Sacou no 5/3 para vencer, teve seu serviço quebrado, deixando escapar a oportunidade, no que creio deve ser o foco de seus pesadelos, e acabou derrotado por 7/5 e finalmente 6/2 no quinto set para a alegria dos locais. Koch era exímio sacador/voleador e deixar escapar uma vitória desse calibre e dessa magnanimidade em seu próprio serviço não deve ter sido de fácil digestão.

O Brasil só chegaria à semifinal da Copa Davis novamente em 1992, ao vencer sete confrontos consecutivos, incluindo a Alemanha de Becker no Rio de Janeiro e a Itália em Maceió, perdendo para a Suíça em Genebra, em uma de minhas melhores lembranças como técnico da Copa Davis.

O Brasil voltaria a enfrentar a Índia somente 25 anos depois, em 1991, nas quadras de saibro do Clube Pinheiros, contra um time indiano liderado exatamente pelo filho de Ramanathan, Ramesh, que, em uma daqueles mistérios genéticos, tinha exatamente o estilo e golpes do pai – um tenista de toques, suavidade de bater na bolas e antecipação única, que tornava o tênis de ambos atraente inclusive para seus adversários (o avô tambem foi um grande tenista). Seu companheiro de equipe era Leander Paes, que ainda está por aí vencendo títulos de Grand Slams nas duplas. O Brasil de Mattar e Oncins venceu por 4/1.

Desta vez, obedecendo a alternância de local, o Brasil vai a Chennai, no mesmo estádio onde se joga o torneio da ATP. Abriram mão da grama a pedidos de seu principal singlista, Somdev Devvarman, que preferiu as quadras duras, onde joga melhor. Assim, o rapaz carrega a responsabilidade de vencer suas partidas.

Nas contas dos capitães, como sempre, há uma discrepância de planos. Os hindus esperam que Somdev vença suas duas simples e que a dupla Paes e Buphati vença as duplas. Na pior das hipóteses que Somdev perca para Bellucci e seu 2º singlista, Rahan Buphana, um duplista transvertido em singlista (recém esteve na final do US Open) consiga bater Ricardo Mello. O capitão brasileiro conta com a vitória de Bellucci nas duas simples e Mello contra Buphana. Fora isso são surpresas muito bem vindas, ou não, pelos dois times.

Só espero que as impensadas – até porque o rapaz é totalmente avesso a controvérsias – declarações de Mello (“a Índia é um país sujo e miserável”), não incendeiem as arquibancadas – o que eu duvido, por não ser o perfil do povo – especialmente na partida contra Buphana, que aconteceria em uma possível quinta e decisiva partida.

Escrevi o post acima antes do susto da partida entre Bellucci e Buphana que abriu o confronto. Por uma ironia do destino, o hindú teve o mesmo placar de seu conterrâneo Krishnan 44 anos atrás e permitiu que o brasileiro virasse o placar.

Buphana abriu 5/2 no quinto set, teve três match-points, no saque do brasileiro, que os jogou como se não houvesse amanhã. Acabou confirmando o serviço e foi para o ataque total para surpreender e quebrar o adversário no 3/5, assim como Ramanathan fez com Kock quase meia década atrás.

Thomas manteve seu serviço no 4/5, pouco depois de ser atendido por fadiga muscular e quatro horas de jogo.  Os oponentes mantiveram seu serviço até o 8/8 quando Bellucci quebrou Buphana e confirmou seu serviço, as expectativas do capitão brasileiro e o primeiro ponto do confronto.

Ramanathan Krishnan – estiloso e perigoso.

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:04

Placidez

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O duro é jogar quase quatro horas de partida, jogar mais de 300 pontos e perder em duas ou três bolas. Mas é a realidade.

Olhando os comentários dos meus leitores, pelo menos aqueles que acrescentam algo, vejo que o pessoal estava atento aos momentos importante, aqueles que definiram a partida entre Thomas Bellucci e Anderson.

O melhor momento técnico da partida foi o primeiro set. Os dois foram quase impecáveis e Bellucci levou no tie-break, jogando de forma excelente. Mas, esse um dos absurdos do tênis, foi logo depois, no inicio do 2º set, que o brasileiro definiu sua derrota, ao cair na velha armadilha de se acomodar emocionalmente, mesmo que por alguns instantes, permitindo o adversário, que vem babando após perder um set no TB, quebrar o seu serviço e determinar o percurso do set.

Como o grande diferencial dos eventos Grand Slam são as partidas em cinco sets, pelo menos entre os homens, os mesmos permitem umas quase intermináveis nuanças emocionais e mudanças de ritmo, que causam renováveis, boas e más, emoções. O melhor momento do brasileiro, pelo menos sob minha ótica, foi no fim do terceiro set, no game em que quebrou o adversário e definiu o set. Ali Thomas “brigou” e determinou que iria vencer o game. Fiquei com aquele sentimento de orgulho alheio.

Se há uma lição que eu, e quiçá ele, tiraria dessa derrota, é exatamente essa. Bellucci é um tenista talentoso, com inumeras habilidades e com pelo menos dois golpes contundentes que o credenciam a ser um “cachorrão”. No entanto, para sobreviver nessa selva é necessário trazer para a quadra um pouco mais, aquele diferencial que separa os homens dos garotos, os jogadores profissionais dos cachorrões – uma determinação em vencer que faz com que o tenista chegue um pouco melhor na bola, faça um pouco mais como golpe, intimide um tanto a mais o oponente.

Por característica pessoal, Thomas é uma pessoa reservada e introvertida, o que também lhe proporciona uma reserva emocional que o permitiu entrar na galeria dos melhores do mundo, o que não é pouco por nenhum ponto de vista, desde de que equilibrado. Mas são muuuuitos poucos os atletas que vem com o “pacote” completo. Thomas pode, talvez deva, investir nesse aspecto de “jogar com a faca entre os dentes”, que ficou evidente naquele santo game no fim do 3º set.

No entanto, o que ainda impera em sua quadra é essa placidez que ele carrega com elegância, que lhe permite surfar entre as ondas turbulentas do tênis profissional com uma evidente categoria, e, ó céus, as vezes lhe rouba vitórias que, tenho a certeza, apareceriam se fosse um pouco mais encardido.

Isso ficou evidente em outras deslizes, nada anormais, mas que definiram o vencedor de uma apertadíssima contenda.

Quando perdeu o game de seu serviço no 4º set, após tê-lo sob controle em 40×15, quando seu adversário estava em seu pior momento emocional e pronto para entregar a rapadura, quando deixou escapar duas oportunidades de quebra no quinto, uma delas com uma bola implorando uma definição.

Com essas poucas oportunidades perdidas – infelizmente um jogo de tal qualidade e duração acaba sendo decidido em poucas oportunidades, aproveitadas ou não – Thomas permitiu que a sorte, sempre uma aliada de competência, tivesse um peso maior na decisão da partida.

O TB do quinto e decisivo set foi decidido, pelo menos no quesito emocional, logo no primeiro ponto, quando o sul-africano mandou uma bola de devolução de saque na fita que chorou para o outro lado e caiu em cima da linha para uma bola vencedora. Talvez o Woody Allen entenda alguma coisa de tênis.

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010 Curtinhas | 13:31

No stop

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É um dos raros momentos da temporada em que dois Masters 1000 acontecem em semanas consecutivas. No stop. Com isso, os quatro melhores do ranking voltam às quadras em Cincinatti, um torneio que um dia foi da ATP, para a última parada antes do U.S Open, último G.S. do ano.

Nadal na chave de Berdich, nas quartas, e Federer nas semis. Djokovic na chave de Soderling, nas quartas, e Murray nas semis. Isso sem contar a matilha solta na chave.

Thomaz Bellucci terá que derrotar o último dos algozes de Agassi, Benjamin Becker, para enfrentar, logo na 2ª rodada, o vencedor de Marcos Baghdatis e Marin Cilic. E já deu Marcos, já que o Marin está em crise. Isso é Masters 1000, isso é “matilha”. Isso é um problema para Bellucci e todos os outros.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:48

No gringos

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Parece que passou desapercebido e ninguém fala no assunto. Pelo menos não aqui, nem nos EUA. Mas com a derrota de Andy Roddick em Washington, na semana passada, para o francês Giles “O Magro” Simon, termina uma era no tênis norte-americano. Pela primeira vez, em não sei quantos anos, pelo menos desde 1973, quando a ATP começou a divulgar o seu ranking, não há um gringo entre os 10 melhores do mundo.

O fato é uma realidade que só confirmou um fato já conhecido. Os EUA deixaram de ser a maior força do tênis mundial masculino e o fundo do poço ainda não foi atingido. E se ainda falam grosso no tênis feminino, não é graças o circuito Country Club e sim graças ao ghetto e as irmãs Williams.

Já prevendo que a casa iria cair, o USTA, a federação de lá, aumentou seus investimentos na formação de tenistas. O encarregado da tarefa é Patrick McEnroe, capitão da Copa Davis e queridinho dos cartolas. O que não evitou que levasse um puxão de orelhas a quatro paredes, após declarar que seu projeto tinha como meta formar campeões.

Os cartolas de lá, já experientes, tiveram com ele uma conversa ao pé de ouvido e McEnroe Jr recentemente corrigiu publicamente a meta: “criar uma filosofia que limpe o caminho para jovens tenistas chegarem ao profissionalismo”. Vá ser politicamente correto lá longe. O que não deixa de ser bem mais realista ao mesmo tempo em que tira o deles da reta. Por aqui alguém faz um projetinho sem vergonha de necessitado e já sai proclamando que a meta é formar campeões.

Para enfrentar o problema, Mc Enroe já colocou na folha de pagamentos da USTA, até agora, 55 pessoas, entre técnicos, fisioterapeutas e preparadores físicos. O número é só para o pessoal de “alta performance” que está alojado, principalmente, na Florida, na Academias Evert, onde há bom clima e podem treinar no saibro, o que Mc Enroe proclama ser uma necessidade para sair do buraco.

Não incluem os inúmeros outros centros de treinamentos da USTA e federações locais, parques públicos, academias para dar com pau, universidades e country clubs que não acabam mais. É essa riquíssima estrutura que o resto do mundo, o Brasil incluído, tem que enfrentar. E zero de top 10. Enquanto isso, no Brasil, na ultima vez que contei, tinham, na mesma situação, deixa-me ver; zero??! O certo mesmo é cair de pau no Bellucci e seus companheiros.

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terça-feira, 27 de julho de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:31

Apressadinhos apocalípticos

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Sempre ouvimos e lemos declarações de grandes campeões que chegar a número 1 é uma tarefa árdua, mas ficar lá é mais difícil ainda. O mesmo raciocínio vale para vencer um torneio e defender esse título.

Para os apressadinhos “tenistas de divã”, sempre prontos a criticar e crucificar, é só lembrar as dificuldades de Gustavo Kuerten após vencer Roland Garros pela primeira vez. Alguém aí lembra seus resultados em 1998 e 1999? Uso o exemplo porque a cultura tenistica de boa parte de nossos fãs se resume à era pós Kuerten.

É fato e óbvio que Thomas Bellucci não conseguiu administrar a pressão de defender seu título. Para agravar, enfrentou um tenista da casa, Marco Chiudinelli, e asua consequente motivação extra, além do fato de não ter nada a perder, pois enfrentava “o campeão”que o derrotara nas três oportunidades anteriores.

Era a típica situação que o brasileiro precisava de uma ou duas vitórias para “entrar” no torneio, afastar os maus olhados e soltar o braço. Bateu na trave.

O resultado, 7/6 0/6 6/4, espelha a montanha russa emocional. Um 1º set apertado, emocional e tecnicamente, um 2º set onde soltou o braço porque ficou face a face com a possibilidade da derrota, e um terceiro tenso novamente quando viu a possibilidade da vitória.Tenho certeza que se Bellucci passasse a primeira rodada subiria de produção e qualidade e, quiçá, conquistasse um novo título, até porque existe uma tendência em o tenista saber como e conseguir defender títulos.

Se não o conseguiu é porque nem tudo está ainda tão certo em seu tênis e seu emocional. O que não deixa de ser normal em sua idade e quilometragem, mas, com certeza, não é o sinal negativo e definitivo que os apressadinhos apocalípticos de divã crêem ler e saber.

Entendidos, apressados e apocalípticos.

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