Publicidade

Posts com a Tag teliana pereira

segunda-feira, 21 de março de 2016 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 13:39

Na primeira

Compartilhe: Twitter

A Lei de Murphy ataca mais uma vez. Nao sei qual a probabilidade matemática para o caso – algum leitor matemático se arrisca? – mas, na melhor da hipóteses é uma curiosidade. Duas brasileiras, Teliana Pereira e Bia Maia, na chave de 48 tenistas do Torneio de Miami são sorteadas para se enfrentarem na 1a rodada.

 

As duas são parceiras dentro das quadras e amigas fora, mas na hora da onça beber água é cada uma por si e Deus por ambas. Teliana tem mais volume de jogo e mais experiência, mas não tem muito gosto pelo piso duro. Bia gosta de jogar em cima da linha e tem habilidades que Teliana, mais forte e rápida, não tem. A pernambucana é a favorita e Bia não terá responsabilidade. Resta ver como cada uma delas irá reagir emocionalmente, que é o que determina a vitória em tais circunstâncias.

 

Podemos também olhar pelo lado do meio copo cheio. Uma brasileira estará na 2a rodada do Aberto de Miami. E enfrentará então a cabeça 16, Ana Ivanovic. Eu estarei lá para conferir – na 1a fila.

Autor: Tags: , ,

domingo, 20 de dezembro de 2015 Copa Davis, História, Juvenis, Masters 1000, Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 19:21

Os melhores do ano

Compartilhe: Twitter

Com o fim do ano e da temporada surgem as pesquisas dos “melhores do ano” para a apreciação dos fas. Interessante que nem sempre os votos dos “experts” coincidem com o dos fas. Qual vale mais? O que vale mesmo é o que você pensa, até porque se nao for o caso é melhor só usar pra pentear. Pode ser também o que você sente, já que em termos de escolhas esportivas o emocional fala alto. Nao é futebol, mas o Tênis também cria suas paixões.

Recebi dois ou três pedidos de enviar meus votos e o fato me inspirou em deixar aqui no Blog os meus pensamentos a respeito dos “melhores do ano”. Divirtam-se divirjam se forem capazes!

Os fatos marcantes mais mencionados foram: Os 3 Slams do Djoko e da Serena, a vitória da Penetta em Nova York, a conquista da Davis pelos britânicos.

Se Djoko ou Serena, os dois melhores tenistas do ano, tivessem ganho os quatro seria difícil ter outro fato mais marcante, o que nao tira o imenso mérito de ambos em conquistar algo dificílimo e merecedor de muitos aplausos. Mas a Serena foi, em um jogo, do Fato do Ano para a Afinada do Ano, ao perder para a Roberta Vinci nas semis e deixar escapar o Grand Slam que a colocaria como candidata a maior da história.

A vitória de Penetta, no apagar das luzes de sua carreira, foi a maior surpresa da temporada e uma conquista maravilhosa para uma tenista maravilhosa. E eu adoro surpresas em quadra, além de pernas bem torneadas. Alias, o fato é ampliado pela presença de duas italianas na final – na Itália elas vao ganhar todos os votos.

Mas Murray, o tripolar das quadras, liderar uma conquista da maneira como foi feita, e aí o diferencial, para o país que tem Wimbledon e Murray e nada mais em termos de tênis, apesar dos milhões investidos, foi um fato marcante. Eu fico com a vitória na Davis, pelo impacto que terá no país que inventou o tênis e as emoções que causou mundo afora.

As decepções? A Bouchard no feminino. Mais uma tenista que tropeçou na fama e na máscara, achou que era maior e melhor do que realmente é. Além de ainda nao ter conquistado lhufas ainda. Agora perdeu a confiança, perde jogos que nao deveria perder e ainda tem que enfrentar as consequências do tombo que levou – figurativamente e de fato.
Entre os homens, temos o Dimitri que pensou que era o rei da cocada preta, enquanto só foi o plebeu que pegava a rainha. Tem tênis pra ser mais do que apresentou. Eu nao vou falar do Gulbis porque ele nao é mais uma decepção e sim uma certeza.

As esperanças? Temos aí o Zverev que tem golpes e serviço pra incomodar, o Kyrgios que tem o serviço, um pouco de golpes e a personalidade pra incomodar, o Thiem que tem uma bela direita mas precisa achar uma esquerda, o Coric que tem uma bela esquerda mas precisa melhorar a direita, o Kokkinakis que é um fantasmao com um belo serviço e se acertar os golpes vai ser bem perigoso.

Os que mais melhoraram fora dos radares. O Anderson aprendeu tirar o melhor de seu tênis limitado, provavelmente ouvindo sua mulher que é bem mais do que uma digitadora de texto ou uma fazedora de biquinhos. Outra melhora surpreendente, que me pegou de calças curtas, foi o Benoit Paire. O cara tem, de longe, a pior direita do circuito, pior do que os 3a classes lá no clube, além de tropeçar na própria mascara. Mas tem uma tremenda esquerda! Milagres acontecem, amigos. Entre as mulheres, a suíça Bencic, que ano e meio atrás jogava no mesmo nível da Bia Maia – as duas eram rivais no juvenil – e hoje é 12a do mundo.

O idiota do ano? O Kyrgios leva fácil. O cara investe no quesito com frequencia e sem medo, além de ter uma família que aplaude seu esforço. Alias, poderiam dar uma dica para narradores e comentaristas de TV. O nome do cara se pronuncia Kirios e nao Kirgios – meu, é só ouvir o juiz de cadeira falar. O interessante é que a Austrália, que sempre foi celeiro de tenistas extremamente educados e divertidos deu de exportar tenistas idiotas. Harry Hopmann deve estar tendo surtos na cova.

Entre os brasileiros tivemos bons sucessos. Marcelo Melo virou o Tenista do Ano no Brasil por se tornar #1 do mundo em duplas. Tenho minhas reservas em eleger um duplista à frente de um singlista. Mas ser #1 do mundo nao é mole nao. Marcelo soube aproveitar as oportunidades e administrar a temporada lindamente e colocou o tênis nacional na mídia de maneira positiva – parabéns! Bellucci nao foi grandes notícias, mas teve seus momentos – na Davis no Ibirapuera foi um deles. Permanece o 1o de nosso ranking e 30 do mundo, o que nao é nadinha mal. Parabéns também para Teliana Pereira, que soube fazer o necessária para sair das sombras e ir para as luzes do circuito principal. Fecha como 54a do ranking mundial e conseguiu dar seu salto à frente aos 27 anos, idade em que a maioria das tenistas já mostrou o seu melhor. Vale lembrar Orlando Luz, que aos 17 anos se tornou um dos melhores juvenis do mundo e, suponho, encerrou sua carreira entre a garotada, apesar de só completar 18 em 2016. Agora vai buscar o caminho do sucesso naa transição para o profissional, momento que separa os garotos dos homens.

Se vocês tiverem outras categorias que queira explorar, sejam meus convidados. E aproveito para desejar boas festas a todos que com sua leitura, e comentários, fazem deste Blog um local de amor ao tênis.

Autor: Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 3 de agosto de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 13:24

O canal de Teliana

Compartilhe: Twitter

Para quem nao vem escrevendo muito, nada como uma boa motivação. E no fim de semana vieram duas. Uma, que repercute aqui e mundo afora; as pazes de Rafa Nadal e os títulos, algo que o espanhol e seus fås queriam muito. Especialmente acontecendo sobre um tenista que já estava abrindo uma caderneta com o nome de Rafa, a ponto de durante uma virada de lado, o italiano Fognini ficar de pé, mandar o espanhol ficar quieto e parar de “encher o saco”! Bem..

Para nós brasileiros, a nota mais importante da semana no tênis veio pelas raquetes da pernambucana Teliana Pereira que fez uma das coisas que mais admiro e respeito no Tênis – vencer em casa. Foi o segundo título de sua carreira. Me fez lembrar um filme, nåo tåo recente, do Kevin Costner, “Campo dos Sonhos”, onde a frase chave é “se você construir, eles virão”, frase que virou icônica para vários usos. Bem, a CBT fez um evento no nível WTA em quadras de saibro e a Teliana ganhou.

Imagino que quando a CBT pensou em organizar tal evento a idéia era dar uma alavancada no carente tênis feminino. Talvez ainda com um pouquinho do gosto de “nós fazemos e elas faturam”, onde nossas meninas eram as coadjuvantes com sonhos de um dia serem protagonistas. Bem, o cenário mudou, o sonho se tornou realidade a a estrela da festa é uma brasileira com alma sertaneja, temperada no sudeste por um chefe francês e que hoje tem em suas entranhas, como é necessário para uma campeã de tênis, uma bagagem internacional. Com cada um dos itens tendo sua devida e insubstituível importância.

Nao deixa de ser interessante o fato de que Teliana ganhou em casa em uma quadra de saibro. Nao acompanhei de perto para lhes dizerem porque o evento saiu de quadras duras para o saibro este ano e, dizem, irá de volta para as duras. Bem provável por demanda da WTA, que quer impõe que o piso encaixe no calendário. Eu diria que com esse novo, e importante, fato, a vitória de Teliana, a CBT poderia considerar abrir negociações com a WTA. Evento no Brasil é para brasileiros aproveitarem e, havendo um mínimo de chance, ganharem. Infelizmente durante nossa história somente Gustavo Kuerten, Luiz Mattar e Jaime Oncins e agora Teliana tiveram o que é necessário mental e emocionalmente para tal conquista, porque se fosse só pela técnica outros tiveram pelo menos essa capacidade. Óbvio que estou me referindo a torneios do circuito top, como os da WTA e da ATP, porque nos Challengers tivemos outros que souberam aproveitar as chances.

Teliana está, mais uma vez, de parabéns. É uma atleta a se respeitar. Seu arsenal técnico é limitado, seu background familiar longe dos privilégios – o que para mim se torna uma vantagem no longo prazo. Se o tênis feminino tem um futuro no Brasil, nao me canso de dizer isso, ele está nas periferias e nas zonas mais carentes do país, um perfil do qual Teliana é uma digna representante. O tênis competitivo internacional é um esporte danado de difícil e que exige muito do emocional da mulher – podemos dizer que para nossas meninas é massacrante. Por isso, o respeito pelo o que Teliana vem conquistando.

Uma maneira de observar seu valor é notar que somente aos 27 anos Teliana desabrocha internacionalmente. Antes estava lutando com seus inúmeros handicaps, derrubando os muros em seu caminho, desenvolvendo sua arte, polindo seu diamante tenistico. Tudo isso, sem as facilidades do talento natural e da habilidade que facilitam os primeiros passos, sem as benesses que uma família de posses pode oferecer, longe da vidinha do shopping center.

Teliana aprendeu cedo e em casa que o tênis era uma porta para tirar alguém de uma situação de pobreza e oferecer possibilidades de uma vida melhor. Para isso teve, inicialmente, a mao do pai, um lavrador que saiu do agreste a procura de um emprego no Paraná. Quando sentiu firmeza e construiu uma casa com suas maos trouxe a família. Eram 8 irmaos, uma barra que mae teve que segurar lá fronteira de Pernambuco e Alagoas.

O pai foi fazer manutenção das quadras em uma academia e a mae a faxina. Teliana foi pegar bolas, assim como seus irmaos; Junior, ainda um bom tenista e Renato, seu técnico atual. Como muitas vezes acontece, os pegadores se interessaram pelo jogo da raquete pelas maos do professor da academia, o francês Didier Rayon, a quem Teliana agradeceu em quadra após o título.

Teliana se tornou a melhor juvenil do país, assim como Junior. Mas ainda teve que comer muito pão amassado pelo diabo pelo caminho. Inclusive uma contusão no joelho, que por falta de melhor orientação e dinheiro para se cuidar, atrasou sua carreira em quase dois anos. Mas seguiu em frente. Com certeza, como toda história de sucesso, existem muitas histórias tristes, surpreendentes, alegres e fascinantes, conhecidas e aquelas que nunca serão contadas.

A mais importante agora é essa que a moça do agreste, que poderia estar com uma enxada na maos e uns oito filhos debaixo da saia, todos com escarsas chances de vingar, está escrevendo uma nova história com uma raquete nas maos. É fácil dizer que o tênis é que propiciou isso. Mais acurado dizer que foi a ferramenta. O que tornou isso uma realidade foi a determinação, filha da força de espirito, produto de alguém que um dia teve muito pouco, quase nada, além da energia sagrada que vem da família, uma chance na vida e um coraçao guerreiro. É isso. O Tênis, nao o shopping center, fica com o crédito de ser o canal pelo qual Teliana pode mostrar seu valor.

teliana-final-florianopolis-4204469011-2

 

 

Autor: Tags:

sexta-feira, 22 de maio de 2015 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 18:34

Belo e Teliana em Paris

Compartilhe: Twitter

Bellucci chega a Roland Garros nas pontas dos cascos e confiante por conta de seus feitos recentes. O mais recente ir à final em Genebra – o cara gosta mesmo da Suíça – onde vocês saberão o resultado antes de mim que estarei em um avião rumo a Paris.

O quanto isso é bom? É uma faca de dois gumes. O cara vai chegar acreditando ser o rei da cocada preta, o que é ótimo para a confiança e melhor ainda em um Grand Slam. Por outro lado, é uma tradição que nenhum finalista de torneio jogado na semana anterior a RG vai longe neste evento. O cara joga cinco partidas nessa semana e chega um pouco chumbado para jogar cinco sets dia sim, dia nao. Mas duvido que os plano de Bellucci dizem respeito à 2a semana de Paris, quando começam as 4as de finais. Se ele ganhar três rodadas estará em um bom lucro. Mas, como o Belo é um cara imprevisível dentro de sua previsibilidade, nós vamos ficar na torcida para desta vez ele quebrar barreiras e limites em Paris.

Teliana entrou no evento pela próprias pernas, passando pelo qualy, e como bonus pegou uma baba de moça no 1o jogo. Uma francesinha, de 18 aninhos, #326 do ranking que só entrou na chave por convite da FFT. Nao poderia pedir estréia melhor. É só nao se embananar com o fato de jogar contra uma juvenil, que pode fazer qualquer coisa e pressionar alguem que acha que tem mais uma obrigação de ganhar além do fato da estréia. Mas a brasileira anda bem confiante, também por conta de seus recentes resultado, motivada e nunca precisou de ninguém lhe dizer que precisa brigar por cada ponto.

Autor: Tags: ,

quarta-feira, 22 de abril de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 14:29

Um marco

Compartilhe: Twitter

Apesar da consagradora vitória de Novak Djokovic em Monte Carlo, vencendo assim os três primeiros títulos de Masters 1000, sendo o 1o tenista a faze-lo, a figura da semana foi Teliana Pereira, conquistando o primeiro título para o tênis feminino brasileiro no circuito WTA em 27 anos – o ultimo fora de Niege Dias. Teliana vem crescendo tenisticamente com o tempo, ao contrário de outras que param no tempo e se acomodam. A moça é guerreira e, aos poucos, vem conseguindo com que suas carências diminuam e suas qualidades se ampliem, uma virtude para qualquer atleta. Ela nunca foi uma tenista para quem as coisas vieram fácil. Nem pela sua origem social, nem pela ausência de grandes habilidades. É um claro exemplo daquilo que prego há anos. As tenistas brasileiras teriam maior sucesso vindo das classes menos abastadas – da periferia mesmo. O tênis é extremamente punitivo emocionalmente, para nao se falar nada da parte física, e nossas meninas parecem nao estar equipadas com a necessária força interior, muitas vezes oriunda da necessidade, para derrotar meninas de outras áreas do mundo que hesitam menos em pagar o amargo preço para o sucesso nesse esporte. A vitória de Teliana passa a ser um marco, uma inspiração e um exemplo para todas.

Colocado tudo acima, nao deixa de ser interessante o caso de amor que a cidade de Bogota tem com o tênis brasileiro. Lembro que Carlos Kirmayr e Marcos Hocevar tiveram bons resultados por lá. Marcos Daniel foi à final e/ou conquistou nao sei quantos títulos por lá que é considerado o Rei de Bogota. A curiosidade fica mais interessante considerando que a cidade está a 2.600m, o que altera drasticamente a maneira de se jogar. Teliana soube tirar proveito da pequena tradição e das condições. Mais uma razão para parabeniza-la.

Autor: Tags:

segunda-feira, 26 de maio de 2014 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 08:30

A mulher do tempo

Compartilhe: Twitter

Depois do dia de sol ontem, onde me queimei todo assistindo uma partida na quadra 17, onde Jaime Oncins, agora técnico, pagava seus pecados como jogador, o dia de hoje apareceu chuvoso. E nao há coisa pior do que a mistura de chuva e tênis; é igual a água e óleo. E logo hoje, um dia de festa em quadra, com jogos para todos os gostos e de todos os níveis.

Só de brasileiro teremos dois, os dois que temos – Bellucci e Teliana – o que já nos deixa a dois passos de nao termos mais ninguém nas chaves de simples. Apesar de que acho que ambos têm ótimas chances de vencer seus jogos. O alemao Becker nao é nada demais, especialmente no saibro, enquanto que a tailandesa Luksika tem o ranking pior do que a brasileira. Como jogam na mesma quadra, a #5, a torcida canarinho nao vai precisar sequer se mover para acompanhar.

Tudo isso se o tempo permitir. Isso porque os jogos começariam, atrasados, às 12h locais, 7h no Brasil, e a partir desse horário, pelo menos segundo os prognósticos, as chances de chover, muito mais uma garoa forte, aumentam bastante às 15h, até umas 18h, horário que deveria acontecer os jogos dos brasileiros, o 3o e o 4o; sendo o do Belo antes, isso após dois jogos femininos. No fim da história, deve ser um dia estressante, para tenistas e público. O pior é que só melhora mesmo na 4a feira, sendo que sol só na 5a feira, com chances de chuvas novamente no Domingo. Mas quem põe a mao no fogo pela mulher do tempo?

12:30 E todos os jogos em quadra.

BojUdRzIcAAcE9c

 

 

BojZwKJIAAAhOfa

 

 

 

Autor: Tags: ,

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 12:46

As meninas do Brasil

Compartilhe: Twitter

O tenista/técnico Carlos Kirmayr gosta de citar uma estatística feita com dados da WTA, dizendo que as tenistas maturam tarde, lá pelos 24 anos de idade. Com certeza a estatística não cobre as excepcionais, que estouram ainda adolescentes, nem eu sei detalhes da investigação de Kirmayr. Não deixa de ser interessante que o início de temporada está apontando nessa direção, com o sucesso de duas tenistas brasileiras já não tão jovens: Paula Gonçalves e Teliana Pereira.

Paulinha, 22 anos, que conheci meninha magrela ao chegar ao Centro de Treinamento Kirmayr, transformou-se em um mulherão, uma pessoa simpática e agradável e uma bela tenista. Vive hoje o melhor momento de sua carreira; semi em Campos do Jordão, quartas no Paraguai, campeã em Santiago e do Masters da CBT e primeira participação no Fed Cup, onde venceu todos seus jogos. Está nas trincheiras brigando pelo seu primeiro resultado em torneios maiores.

Teliana, 24 anos, está nas quartas de final do WTA de Bogotá, após bater Ivonne Meusburguer da Austria e a pirigueti francesa Alize Cornet, #30 do mundo e 2ª cabeça de chave do torneio. Joga amanhã com a tenista de Luxemburgo Mandy Minella para ir à semifinal. Está na estrada a um bom tempo. Não será hoje que vou contar sua história que com certeza é rica, como acontece com atletas que encaram o mundo profissional do tênis.

O fato a destacar é que ela, como várias outras, está por aí, mundo afora, comendo o pão que o diabo amassou boa parte do tempo, o que talvez não seja um drama para quem saiu do sertão pernambucano, mas não é um fim de semana na praia. O tênis a levou a cidades mundo afora que o leitor nunca ouviu falar. Profissionalmente, desde os 17 anos, sem contar os anos de juvenil. O sucesso desta semana coroa uma luta de anos, onde a moça teve que abrir mão de uma série de coisas que meninas de sua idade consideram normais. Duvido que para ela baste.

Na sua trajetória, Teliana passou por uma série de dificuldades – de contusões sérias no joelho a divergências com a CBT, que queria que abandonasse seu local de treinamento e aceitasse as indicações/exigências da CBT, o que fechou a torneira financeira da CBT para a moça – no fim do ano passado finalmente se acertaram, o que tem agora seus reflexos.

O tênis nacional estava tão deprimido que desde 2005 uma brasileira não vencia um jogo de simples no circuito da WTA. Nenhuma vencia duas partidas desde Vanessa Menga em 1999. Se Teliana se enfiar entre as 100 melhores (hoje é #156) pode ser a primeira brasileira a jogar um GS desde 1993 com Dada Vieira.

Não acredito muito em coincidências, por isso saliento outro detalhe. O Brasil hospeda o seu primeiro evento WTA em Florianópolis a partir de sábado, algo que, não sem razão, é celebrado por todo o tênis feminino brasileiro. Durante muito tempo não existiam eventos profissionais femininos no país. Nos últimos anos, acontceu um grande numero de eventos menores, numero até maior do que eu penso ser saudável, já que tende acomodar e confinar as/os tenistas dentro dos limites desses eventos. Quando tenistas almejam e brigam em torneios maiores, seus horizontes e ambições se ampliam e com isso eles crescem. Talvez o simples fato de saberem que pela primeira vez em suas carreiras jogariam um evento maior em seu país tenha servido de inspiração.

Enquanto Thomaz Bellucci e os homens decidem onde vão buscar sua próxima inspiração – já que o seu grande momento por aqui foi na semana passada – as meninas se dirigem a Floripa para fazerem a sua tão esperada festa. Quanto aos fãs, terão duas ótimas coisas a seguirem no tênis feminino nos próximos dias. As aventuras finais de Teliana em Bogotá – cidade que os tenistas brasileiros adooooram – e o WTA de Florianópolis, onde as meninas vão tentar elevar seus padrões por uma boa causa.

Teliana e o Djoko

Paula Gonçalves.

Autor: Tags: ,