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terça-feira, 17 de novembro de 2015 Masters, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 11:28

Acordando sofrendo

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Duas coisas dá para se ter certeza.

Wawrinka é um tenista com talentos e habilidades, dono de um tênis clássico, vistoso e muito eficiente. Mas é um tenista instável, já foi beeem mais, a ponto de ser donos de dois títulos em Grand Slam. Mas a perseverança e garra nao sao seus parceiros incondicionais.

A segunda coisa é que Rafael Nadal nao é aquela brastemp técnica, apesar de ter um dos melhores golpes do tênis – seu forehand. Mas tem o maior poderio mental e emocional que já vi em uma quadra de tênis e olhem que vejo quadras de tênis há décadas. Às vezes penso o que seria acordar de manha e a primeira coisa que entraria em minha mente seria o fato que naquele dia eu teria que enfrentar o Animal em uma quadra de tênis – terrível. Acho que foi assim que Wawrinka acordou ontem antes da tunda que levou. Pelo menos pareceu.

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domingo, 8 de setembro de 2013 História, Juvenis, Tênis Masculino, US Open | 12:46

Mais do que destino

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Durante décadas os 27 anos eram um padrao do amadurecimento no tênis. Nao só pelo amadurecimento normal que vem com a idade, como tambem pela experiência dos anos de circuito. Nessa idade o tenista parecia, enfim, harmonizar e equilibrar uma série de qualidades de seu arsenal, assim como administrar suas possíveis carências, tanto as técnicas como as emocionais.

O mundo mudou e o mundo do tênis mudou junto. Se antigamente o padrao era o tenista cair na vida após frequentar a universidade, e os casos dos mais precoces eram mais raros, atualmente o circuito abriga tenistas desde a mais tenra idade, nao sendo nenhuma surpresa aqueles que abreviam sua escolaridade para aumentar a dedicaçao exclusiva ao tenis.

Por isso nao me surpreendo com a presença de Gasquet e Wawrinka na semifinais do US Open – ambos deixaram o estudo formal aos 15 anos (ficaram com o estudo à distância). Enquanto meu caro leitor Cambui afirma que suas presenças nas semis é um sinal de fracasso, tanto dos atuais cachorroes que nao confirmam seu favoritismo, como da nova geraçao que nao confirma as expectativas, eu vejo como um caminho natural dentro do esporte.

Wawrinka e Gasquet sao dois tenistas extremamente talentosos que só nos últimos tempos vem confirmando seu potencial. O suíco tem 28 anos e o francês 27. Este, desde a mais tenra idade era um talento enorme e sobre seus ombros foram colocadas enormes expectativas do tênis francês. Eu lembro de ele receber um convite para Roland Garros 2002, ainda com 15 anos, e revista “Tennis” francesa dizendo que ali estava o futuro #1 do mundo – ele era entao o #1 do mundo juvenil.

Wawrinka sempre foi um talento – venceu Roland Garros junior em 2003 – e desde entao compete com seu colega de semifinal quem tem o revés de uma mao mais bonito, e o melhor, do circuito. Gasquet já chegara à semis do um Grand Slam – Wimbledon 2007 – aos 21 anos. Mais a partir dalí, mais uma vez nao conseguiu preencher as expectativas.

Ambos tiveram suas dificuldades emocionais que travaram seu desenvolvimento técnico. O francês sempre sofreu nos momentos importantes de partidas e torneios. Sofria e odiava jogar a Copa Davis, um evento muito emocional. Sua resposta aos estresses a psicologia explica. Assumia o papel do “nao estou nem aí”, assim como vestia a “máscara”, ambas respostas psicológicas de alguém que nao consegue lidar com as expectativas e dar os passos necessários para crescer emocional e tecnicamente.

Wawrinka tinha tambem as questoes dele. Cresceu à sombra do “maior tenista da história”, o que lhe servia tanto de motivaçao e exemplo como de limitaçao. Parecia dizer ao mundo; “até aqui eu vou, a partir daqui é terreno do bonitao”. Nao dá para acreditar que a “decadência” de Federer nao tenha também algo a ver com seu progresso.

Ambos nao caíram de para-quedas nas semifinais. Os resultados dos últimos 12 meses os colocaram entre os top 10, lugar de cachorrao e de gente altamente qualificada para bons resultados nos Grand Slams. O fato de conseguirem “furar” mais uma barreira na atual fase de suas vidas e carreiras só confirma que o amadurecimento do tenista é um fato, especialmente entre os mais talentosos. Os “trabalhadores” tendem a amadurecer antes, ou entao caem no limbo tenistico ou mesmo se frustram e abandonam a carreira. Mas, e essa a beleza do circuito, e da vida, há padroes, mas nao regras incontornáveis. O tênis segue sendo um esporte individualista e o indivíduo segue sendo capaz de escrever e reescrever sua história. E, para esta, nao é o talento que fará a diferença, e sim a sua determinaçao, persistencia e vontade de ser mais forte do que o destino.

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domingo, 12 de maio de 2013 História, Masters 1000, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Masculino | 19:33

Imaginação

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É um privilégio. Entre tantos na minha vida, ter visto os dois maiores tenistas sobre a terra vermelha, distantes uns 30 anos à parte, é um dos privilégios tenisticos que me fazem sorrir. Assisti inúmeras vitórias borguianas em Roland Garros, assim como em outros cenários do tom vermelho, como assisti inúmeras peripécias naldanianas sobre o barro, ao vivo e pela telinha da TV, outro privilégio que os anos recentes nos ofereceram.

É difícil, se não impossível, comparar tenistas de épocas distintas. Tenho acompanhado no utube, outro privilégio, algumas partidas do passado. Uma delas a final de Wimbledon de 1960, quando o australiano Neale Fraser, que nem 1% dos meus leitores conhece, bateu na final um jovem Laver, já com 22 anos, em sua 2ª final de GS (a 1ª foi a vitória no AO do mesmo ano, sobre o mesmo Fraser). O jogo era muito diferente, impossível de comparar com a época atual. A cabeça da raquete era muito menor – aproximadamente 65 polegadas contra uma média de 100 polegadas atuais – além de feitas de madeira laminadas contra as de elementos compostos atualmente. Cordas eram de tripas de gato, que seguem sendo uma excelente, porém caríssima opção,  enquanto os encordoamentos atuais são sintéticos com muito mais alternativas – vocês tem alguma ideia de como são ou viram a corda de Rafael Nadal? Além disso, as bolas são mais leves, as quadras quase que pasteurizadas – e por conta disso vocês viram a reação do Nadal quando mudaram o saibro de Madrid – aliás hoje ele deu, em seu discurso, uma bela cutucada no Manolo Santana, na verdade direcionada ao Tiriac, por conta disso.

Do lado do tenista as mudanças são ainda mais radicais. Atualmente são mais fortes e bem preparados fisicamente, além de serem melhores preparados tecnicamente – os golpes de fundo de quadra são imensuravelmente melhores, quase ridiculamente melhores. Contanto que não falemos sobre os quase defuntos voleios, onde os tenistas de então eram, na mesma proporção, melhores do que os de hoje!

Assisti, pelo menos um pouco, todos os torneios de Rafael Nadal nesta temporada. Agradecemos aos deuses pela TV fechada e o fato de ter jogado em São Paulo. Acompanhei um pouco de Madrid e a contundente vitória na final sobre o Wawrinka, um tenista de encher os olhos de qualquer fã do tênis, aí não inclusos os simples sofasistas, que adoram criticar aquilo que não entendem e desconhecem, ao meter o pau no suíço por conta da contundente vitória espanhola. Entendo a crítica à final, não ao tenista. Os meus sais, por favor.

A partida de hoje não me inspira maiores análises do que a de que foi decidida ainda no primeiro game, quando Wawrinka, a pedido do espanhol, sacou e perdeu o game, após ter salvado 6 break points. Dalí para frente foi só pro forma.

O que me veio à mente foi uma comparação, algo que, como já disse, perigoso. Me fica cada vez mais claro que os dois tenistas mais fortes emocionalmente que já vi em quadra foram Bjorn Borg e Rafael Nadal e os dois maiores jogadores sobre o saibro na história. Ambos com arsenais excepcionais para suas épocas, grandes vencedores no saibro que conseguiram estender o mesmo sucesso para outros pisos. Borg é o único do passado que poderia fazer frente a Nadal com o arsenal que tinha só atualizando o equipamento. Excepcional velocidade, excelente revés com as duas mãos, que não seria incomodado pelo “ganchão”, como não o era pelo de Vilas, e um sangue frio de arrepiar. Se tem uma partida do túnel do tempo que não seria um massacre por conta das diferenças técnicas e físicas, pelo contrário, seria entre esses dois monstros do esporte. Mas é algo para ser visto unicamente na minha, e na de quem mais tiver, imaginação.

Nadal – alguma segunda interpretação com o Troféu Ion Tiriac?

Borg e sua maravilhosa esquerda com as duas mãos.

Os dois ícones com a mão no mesmo troféu de Roland Garros.

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domingo, 5 de maio de 2013 Tênis Masculino | 18:58

Doces

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Muitas cositas boas e interessantes acontecendo no circuito enquanto os senhores lobos não vem. Tommy Haas finalmente venceu em Munique e batendo outro alemão, Kohlschreiber, na final. O alemão está aproveitando o fim da carreira para lavar a égua, o que vem trazendo certa alegria para os fãs do tênis-arte. Mesmo assim  deu uma gelada no fim da partida, quando sacou para vencer, como sempre lhe foi o hábito. Mas é um prazer vê-lo jogar, especialmente considerando como o tênis-eficiencia da atualidade abriu mão da plasticidade. Se não fosse um dos mais arrogantes do circuito até daria para torcer por ele.

Em Portugal o título ficou outro protagonista do tênis-arte – o suíço Wawrinka, que bateu na final o operário Ferrer. Não vi, mas gostei.

O Thiago Fernandes tirou um urubu das costas e venceu seu primeiro título profissional. Foi um Futures, o menor dos torneios, mas é um marco. E um bom marco. Foi na Turquia, que está hospedando vários torneios pequenos e os brasileiros estão se esbaldando por lá. O garoto tem tênis e potencial, mais do que lhe dão crédito; é bom caráter e não tem como não torcer por ele.

O Feijão passou pelo Qualy de Madrid. E batendo o Paul Mathieu, outro tenista que nunca cumpriu o que prometia – e ainda foi o último tenista a bater Kuerten. Fazia algum tempo que eu não tinha a oportunidade de comentar um bom resultado do Feijão – estou feliz, ele é outro bom caráter do tênis brasileiro. Vai enfrentar o francês Paire na 1ª rodada.

Para terminar em nota ainda mais doce, o Brasil conquistou o tri campeonato Sul-americano de 16 anos feminino em La Paz. Bateu as donas da casa, que souberam usar a altitude de La Paz – como é difícil jogar lá –  para chegar à final, mas não deu para bater as brasileiras – 3×0 a final. As campeãs foram Julia Gomide, Leticia Vidal e Luisa Stefani. Se vocês querem um nome para guardar, guardem o de Luisa. Os meninos – Orlando Luz, Fernado Yamacita e Jose Evaldo Neto  ficaram com o quarto lugar.

Julia Gomide, Leticia Vidigal e Luisa Stefani – campeãs sul-americanas.

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quinta-feira, 14 de março de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 10:17

Game, set e match

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Assisti a mais um derretimento mental de Wawrinka, na hora da onça beber água, frente a seu algoz e parceiro El Roger, acompanhado da minha querida mulher, enteado, trancinhas de mel e um pote de sorvete La Basque.

Patricia passou o jogo torcendo pelo suíço errado e falando sobre seu sentimento ambíguo com Federer – coisas de amor e ódio femininos. É lógico que, sempre propenso em ver o circo pegar fogo, eu também torcia pelo Wawrinka. Primeiro porque existe o tema de torcer pelo mais fraco, segundo variações são bem vindas, depois há a minha quase incondicional parceria com a parceira, aliás atenta leitora deste Blog.

Wawrinka jogou como quase nunca e perdeu como quase sempre frente a Federer. O pior é que durante uma boa parte da partida foi disciplinado táticamente, colocando seu maravilhoso revés no revés adversário – literalmente fugindo da direita alheia. Não todo o tempo, e quando não o foi eu aproveitava para apontar o deslize mental à tenista ao meu lado.

O ultimo game foi uma piada – antes disso tenho que dizer que a qualidade do jogo foi altíssima, com dois tenistas de muito talento encantando os admiradores do tênis-arte, algo valioso em dias de Conans armados de raquetes.

Depois de muita briga e bolas maravilhosas (veja o 1o video abaixo), Federer não conseguiu fechar a partida sacando em 5×4 no 2º set. Após uma série de mágicas e vencer o 2º set no TB, Wawrinka tinha que fazer seu serviço, o que vinha fazendo com certa facilidade, e levar a partida para o TB do 3º set. Começou com 0x30 e flertando com erros táticos. No 13×30 deu uma encolhida no braço que me constrangeu a milhares de quilômetros do estádio. No 15×40 pirou. Espera aí, não acabou o jogo e você tá sacando – lute! O rapaz deu uma bola no meio da quadra, quase no centro e na direita do topetudo e foi à rede – imagino que para apertar a mão do Roger! Este ficou tão surpreso com que devolveu na mão, só para Wawrinka volear de volta na direita do bonitão – aí dançou mesmo. Crau, game, set e match!

Mas foi um ponto solto no início do 3º set que causou a polêmica e a irritação do melhor do mundo. Federer sacou aberto no iguais e, raridade, foi à rede, quando foi assaltado pela duvida se o serviço havia sido bom, apesar de nada ter sido chamado.

Com certa displicência voleou a bola na rede, virou para o juiz de cadeira e pediu o desafio de seu próprio saque, algo permitido – desde que dentro dos parâmetros do Desafio. O juizão negou, alegando que ele não interrompera o ponto, fazendo o voleio. Federer alegou que foi tudo muito rápido e o voleio instintivo. O juiz insistiu que fora um golpe a mais do que o permitido. Federer pediu o Supervisor, que só pode regular sobre regras, nunca sobre fatos.

Federer ainda tentou pegar o Supervisor em um contra pé verbal (veja o 20 video abaixo). Ao ser informado que a decisão era de fato e não de regra. Roger disse: quer dizer que você concorda com a decisão?

O Supervisor, com tremenda categoria, respondeu seco que ele não havia dito aquilo que o tenista insinuava, virou as costas e partiu, já que nada mais tinha a fazer por ali e não fica bem em atrasar o jogo. Ponto e jogo para os dois oficiais e quem não entendeu se perdeu.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013 Tênis Masculino | 00:37

De tudo um pouco

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1/6 7/5 6/4 6/7 12/10, 409 pontos disputados em 5hs de jogo. Como empates é para os fracos, alguém leva e alguém sofre. É fácil imaginar como Djokovic se sentia ao sair da quadra, o difícil é imaginar como se sentia o Wawkinka, que desmoronou após o final e saiu da quadra em prantos.

Como disse o Nadal, após a final do ano passado, é para jogos como esses que eles fazem todos os sacrifícios de suas carreiras. Para nós, são essas partidas que ficam na memória e nos faz voltar para mais, na esperança de que a qualidade e a vontade de ganhar sejam tais que o jogo saia do controle dos envolvidos, o fogo se alastre e o circo pegue fogo de vez. De vez em quando acontece, não muitas, quase sempre nos Grand Slams, mais raramente nas frentes das câmeras.

O jogo teve de tudo um pouco. Das alternâncias no placar, no ritmo e na confiança, que são ingredientes necessários para dar emoção. Tivemos também os pontos longos, as bolas impossíveis, os golpes magistrais e, para completar, um quinto set de matar, onde durante 1:45h os dois abusaram de seus corpos e mentes como se buscassem seus limites ainda desconhecidos.

Do começo, onde massacrou o adversário, mostrando que pode jogar um tênis de campeão graças ao talento que sempre ostentou, pelos momentos onde pareceu voltar a ser o Wawkinka de sempre que parece perder interesse pela partida, aos momentos dramáticos onde parecia não ter mais pernas nem mais nada fisicamente para oferecer, às bolas mágicas que encaixava quando tudo parecia perdido e, especialmente como colocou o #1 do mundo como mero coadjuvante em uma partida onde deveria ser a estrela, Stanislas foi o tenista que comandou as ações e determinou o que aconteceria em quadra. Infelizmente não foi  o bastante, faltou aquilo que sempre separou os campeões dos bons tenistas.

É certo que Djokovic se destacou no circuito como um contra-atacador, mas foi saindo desse conforto e investindo na agressividade que ele chegou ao topo do ranking, passando seus dois grandes rivais e vencendo Grand Slams. Por isso não é normal ou frequente que um adversário consiga dominá-lo como fez o suíço. No entanto, como o grande atleta e campeão que é, Djoko conseguiu encontrar uma maneira de sobreviver todos os percalços e sair da quadra vencedor. Olhando com uma pitada de condescendência, como ele mesmo declarou após o confronto – “eu sinto muito que um dos dois tivesse que perder”. Mas esse é o Tênis.

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sexta-feira, 27 de julho de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:17

Porta-Bandeiras

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Aqui no Brasil até que não causou muita celeuma. Mas a decisão de quem é o atleta coroado com a honra de adentrar o Estádio Olímpico carregando a bandeira de seu país é “o assunto” na Vila Olímpica, em todas as delegações, assim como na imprensa de muitos países, o tema é de uma importância que nosso país e sua monocultura esportiva desconhecem. Aqui o negócio é discutir quem é o técnico da equipe de futebol, cargo que todo macho brasileiro tende a ter certeza de que deveria ser o titular.

Não existe um padrão universal para a escolha de tal honra, nem sou a pessoa mais “expert” sobre o assunto. Só tenho cá minhas informações que divido como vocês.

A minha primeira lembrança sobre o assunto é do russo/ucraniano Leonid Zhabotynsky, um halterofilista campeão olímpico, que na Cidade do México, em 1968, causou furor ao desfilar, do começo ao fim, e olha que a tal volta olímpica demora um bocado, segurando a bandeira com um só braço esticado (não achei uma foto do feito). Nem meu pai pensou em tal castigo. Experimentem, em casa, ficar segurando uma garrafa de cerveja, pode ser vazia, 10 minutos que sejam, com o braço esticado. Nunca mais ninguém tentou o feito, pelo contrário, quase todos desfilam segurando a bandeira em um apoio, colocado contra a cintura, onde é colocado o peso da bandeira, já as mãos são só para equilibrar a bandeira. Recentemente estão usando um metal ultr leva e uma bandeira menor para facilitar.

Tal gesto, do russo, tinha tudo a ver com a cultura comunista de usar os Jogos como base de marketing para seu falido regime. “Bota lá o fortão para impressionar e alertar os gringos que qualquer coisa nós vamos enviar um bando de Leonid para cuidar dos Rambos deles”.

Não sei bem, até porque não é totalmente transparente, qual o critério de escolha do nosso porta-bandeira. Pelas escolhas, pelo menos em tempos atuais, tem a ver com as conquistas passadas, algo com as possíveis conquistas da presente Olimpíada e uma personalidade que espelhe os valores olimpicos. Roberto Scheidt, Torben Grael, Sandra Pires, a primeira brasileira a ter tal honra, e uma que causou polêmica maior, Joaquim Cruz, Aurélio Miguel, Walter Carmona, Eduardo Souza Ramos, João do Pulo e Adhemar F. da Silva, ambos do salto triplo e ambos levaram a bandeira em duas ocasiões, o Menon e o Wlamir Marques do basquete, João Gonçalves, um dos maiores atletas do Brasil, que era do Clube Pinheiros e foi olímpico como nadador (duas vezes), jogador de polo aquático (três vezes) e técnico de judô nem sei quantas, o militar Silvio Padilha, que era do atletismo, não ganhou nadinha, e mais tarde foi presidente do COB, em duas oportunidades quando era praxe, não me perguntem porque, colocar uma bando de militares uniformizados com a equipe e alguns outros mais no passado, sendo que o primeiro de todos foi outro militar, Afrânio da Costa, que venceu as duas primeiras medalhas do Brasil, em 1920.

Desta vez escolheram o Rodrigo Pessoa que tem três medalhas olímpicas (1 ouro e 2 bronzes, o ouro veio tardiamente após a desclassificação dos irlandeses), e boas chances de repetir o feito. Acho que aqui mesmo no IG o publico votou mais em Cesar Cielo e na Maureen. Ambos têm, atualmente, muito mais mídia do que Rodrigo, mas ainda não tem o mesmo histórico, além de que a escolha de Cielo só colocaria mais lenha na fogueira de atletas estrangeiros que questionam o julgamento de Cesar na questão do doping.

Nesta edição a escolha que está mais dando o que falar é a dos chineses, que, mais uma vez, escolher fazer uma “declaração política” com a escolha do porta bandeira. Os dirigentes deixaram bem claro, logo eles que não gostam de divulgar nada, que os critérios são; alto, bonito e influente. Com isso, mantiveram a tradição, desde 1984, de escolher um jogador de basquete, que se tem uma beleza discutível, são altos barbaridades, o que transparece que os chineses têm sérias questões com seu tamanho padrão. Desta vez vai um tal de Yi Jianlin, de 2.13m. Na ultima, foi o Yao Ming, que fez sucesso na NBA com basquete estiloso e sua altura. Dizem que uma das considerações foi Na Li, que foi mais votada online do que o Yi, mas os chineses ainda devem ter suas questões não resolvidas com o feminismo e Jian Quing.

Que eu me lembre, a maior polêmica entre porta-bandeira e tênis foi com o mala-mor Marcelo Rios que, horas antes do desfile, teve um fanitico e causou um escândalo imenso no país, se recusou a desfilar e carregar a bandeira do Chile. Já ouvi muitas bobagem em esportes, mas essa está em qualquer lista de top 10.

Este ano, Federer abriu mão de repetir a dose pela 3ª vez e o porta-bandeira suíço será o Wawrinka. Sharapova (que deve ser o maior sucesso das porta-bandeiras), Radwanska, Djokovic, Mirnyi (Bielorussia), Baghdatis, Tecau (Romenia), Vogt (Linchenstein) são outros tenistas que terão tal honra.

João Gonsalves no México. Mais tarde coloco a Maria e quem mais fizer sucesso no desfile de hoje.

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sábado, 11 de fevereiro de 2012 Copa Davis, Tênis Masculino | 18:40

Vaca no brejo

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Uma derrota dessas não acontece por uma única razão. Perder em casa, com um dos seus jogadores sendo “o melhor da história” e o segundo sendo, na pior das hipóteses, o parceiro do primeiro na conquista da medalha olímpica em duplas, é um fracasso de difícil digestão. Ainda mais de forma tão contundente que não exija um terceiro dia de jogos.

Mas, como disse, nunca é uma só razão. Uma delas é que os adversários não se dobraram – o que não é uma característica de um time americano, mesmo sendo zebras fora de seu habitat. Sim, porque esta ultima é mais uma razão do fracasso.

Quando um time escolhe as condições; piso, altitude, cidade, bolas etc, tem, por vezes uma decisão a fazer. Ou jogar nas suas condições favoritas ou tentar tirar o adversário da sua zona de conforto. E com a escolha que fizeram – e suspeito que isso tenha obrigatoriamente passado por Federer, já que o técnico é seu escudeiro – os suíços mandaram uma mensagem que o técnico adversário, Jim Courier deve ter lido e utilizado para motivar seus atletas.

Ao escolher o saibro, os suíços mandaram a mensagem que respeitavam e temiam os adversários. Para quem tem “o melhor da história” e a dupla campeã olímpica e um segundo tenista que é #28 do mundo eu tenho minhas duvidas se essa é a estratégia e escolha correta. Até porque Federer não pode temer ninguém em um piso duro ou um carpete.

No fim das contas, as contingências que poderiam contar contra os americanos trabalharam contra os suíços. Roddick decidiu não jogar, pele falta de confiança e motivação, entrou Isner, um tenista que, já disse isso recentemente, melhorou muito. Assim como Bob Brian decidiu ficar em casa, por conta do nascimento da filha, e abrir a duplas dos irmãos.

A derrota começou a se desenhar com a vitória de Fish, que tinha algumas derrotas atravessadas na garganta em momentos importantes quando defendendo seu país, e ficou pior ainda quando Roger deu mais atenção ao topete do que à tática de como derrotar o gigante John Isner no saibro.

Não é que o americano seja cego na terra – não o é – mas ficar quatro set jogando bola alta paro cara atacar de direita e se recusar em investir nas bolas rasas do slice e manter aquele arzinho blasée, enquanto o circo pega fogo, não é a melhor atitude para se ganhar em uma competição tão visceral como a Copa Davis. Para quem não lembra, é a primeira vez em oito anos que o suíço de dignou a defender seu país na 1ª rodada da Davis.

A vaca suíça, com sino e tudo, foi pro brejo quando os donos da casa tentaram se reagrupar nas duplas, sua trincheira final, e bateram de frente com uma dupla tremenda motivada, e preparada, para fechar a porta na cara de oponentes que não mostraram a garra necessária para vencer uma partida daquelas.

Os suíços, como não poderia deixar de ser, mantiveram a postura magnânima após a derrota, afirmando que a derrota não era nada demais. Sei, eles falam e a gente finge acreditar. Mas para se ter ideia de quanto uma derrota dessas mexe com a cabeça e o coração de alguém é só os leitores que assistiram a partida final lembrarem de dois detalhes.

O sorrisinho sem vergonha do Fish para seu parceiro, e de costas para os adversários, após Wawrinka cometer a segunda dupla falta do game no break point e abrir aporta para a virada americana. Fora o que ele cochichou enquanto ria que, com certeza, tinha algo a ver em como Wawrinka se sentia naquele momento tenso da partida.

E, por ultimo, no game decisivo, com os americanos enfrentando as dificuldades de fechar a partida, e Federer errou duas bolas tão cruciais quanto fáceis. Sendo que uma delas foi das coisas mais surpreendentes e embaraçosas que o suíço já fez em quadra, furando totalmente ao tentar bater um revés no centro da quadra, o que deixou claro o quanto é importante, difícil e constrangedor perder em casa, na frente de 10 mil conterrâneos, um confronto em que se é favorito. Hoje sim eu entenderia o seu choro – mas eu não sou suíço.

A vaca, o sino e o brejo suíço lá embaixo.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Copa Davis, Tênis Masculino | 15:39

Davis

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Semana de Copa Davis é sempre certeza de emoções. O confronto da TV é Suíça x EUA e a primeira partida entre Mardy Fish x Stanisla Wawrinka. E nem precisava de outra.

A partida teve de tudo um pouco e pleno do que se espera de uma delas. Até o ultimo ponto, 4½ depois, não se sabia quem ganharia. No fim, vitória do americano por 6/2 4/6 4/6 6/1 9/7. Sendo que Fish sacou no 5/4 e no 6/5 no 5º set e não conseguiu fechar. O martírio, de ambos os lados, foi intenso.

No fundinho, e isso não confesso, torcia pelo Fish. Pela razão clássica. Como o Federer é o favorito óbvio contra John Isner, nada mais justo do que uma vitória americana na 1ª partida para deixar o confronto equilibrado, que é o que queremos, a não ser os gringos e helvéticos.

Os argentinos não devem ter maiores dificuldades com os alemães após o abandono do Kolhschreiber. Espanhóis e cazaques dependia muito da 1ª partida, entre Ferrero e Kukushkin, que o espanhol venceu 6/4 no 5o set em 41/2h. Em seguida jogam Almagro, que vai chegar, se chegar, a São Paulo acabadinho, contra Golubev.

A Sérvia vai arrasar a Suécia, que não tem jogadores. Alias, estava aqui pensando, o quanto a escolha dessa equipe sueca de Copa Davis, com um tenista #348 e outro #1426 (é isso mesmo, eu não errei) jogando as simples tem a ver com a recente decisão do Christian Lindell, #458 em voltar a ser brasileiro.

O MalaMelzer deu um jeito de ganhar do Kunitsyn em casa e pode colocar uma pressãozinha nos russos, que ainda podem ganhar de 4×1.

Mas o confronto mais surpreendente está sendo Japão, em casa, contra a Croácia. Primeiro, o japa Go Soeda (#93) derrota o Dodig 7/5 no 5º set, numa vitória que poderia ser decisiva. Em seguida, Nishikori entrega o wasabi perdendo em 3 sets para o fantasmaço Karlovic. Aquilo vai longe.

E ainda tem mais….

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domingo, 13 de março de 2011 Tênis Masculino | 01:07

O leitor em Indian Wells

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Como já aconteceu em outras ocasiões, publico o relato de um leitor presente a um evento – Indian Wells.
No ano passado, Gabriel Dias já nos enviou fotos e um texto de sua visita ao evento. Abaixo seu texto e fotos.
 
Saudacoes galerinha,
 
Bom, meu nome e Gabriel e escrevi ano passado para o Blog do Cleto sobre minha experiencia aqui em Indian Wells. E vou compartilhar com voces fanaticos por tenis, assim como eu, minhas experiencias aqui em Indian Wells esse ano.
 
Eu moro a uma hora e 45 minutos do complexo de indian wells pois estudo e jogo tenis numa universidade aqui na California. Vai fazer 2 anos que moro nos Estados Unidos e tenho vivido experiencias incriveis com o tenis e com outras coisas tambem.
 
Ontem, sexta feira, vim aqui pra Indian Wells. Testemunhei a queda dos Brasileiros na dupla para os Murray’s. Torci muito, mas os ingleses foram bem no match tiebreak. Vi bastante brasileiro no jogo tambem. Vi tambem o ultimo jogo da noite, James Blake tirando um australiano gigante. Vi o Isner e Querrey ganhando do Zimonic e Llodra no match tiebrake, e tambem o Verdasco treinando nas quadras junto com o tipsarevic.
 
Nao tem coisa melhor que as quadras de treino, porque vc pode ver os jogadores de pertinho, com quase ninguem vendo, os jogadores discontraidos, fazendo brincadeirinhas e tudo mais. Encontrei com o Larri no players lounge onde so pessoas com credencias tem acesso. E eu como um mero estudante nao poderia ficar de fora. Na minha faculdade aqui nos estados unidos o nosso jogador que joga de numero 1 pela nossa faculdade conhece a Radawanska de tempos em que jogavam torneios juniores pela Europa. E eu o pedi para que ele a pedisse que me colocasse na sua lista de convidados para que eu pudesse entrar no players lounge, nas quadras principais sem pagar. Ate porque estudante é tudo quebrado mesmo, entao ficaria dificil vivenciar esse torneio do jeito que eu estou o vivenciando no momento.
Ele a pediu e ela me colocou na lista de convidados dela e ganhei a credencial onde tenho acesso a todos os lugares do torneio, exceto onde os jogadores fazem entrevistas e ao vestiario dos jogadores. Do resto tenho acesso a todas as dependencias do complexo de Indian Wells. E a partir de agora, sou Radawanska desde de criancinha.
 
Estou agora no players lounge onde tem inumeros computadores, com jogos de fliperama, sinuca, tennis de mesa, sofas, comida, frutas. E é claro, varios jogadores. Tirei foto com o Larri ontem, muito simpatico e tambem gente finissima, conversamos rapidamente e desejei boa sorte ao Belucci. Tirei foto com o Marin Cilic ontem a noite, o cara é sensacional. Pedi para que o outro brasileiro amigo meu tirasse a foto pra mim, pois ele tambem tem uma credencial pelo mesmo motivo e quando fui pedi para o Cilic tirar uma foto comigo, eu cheguei e perguntei se ele se importava tirar foto comigo, dai ele nao falou nada me abracou pra tirar a foto e falou que Sim, que se importava. Daí damos risadas e quando foi a hora de tirar a foto a maquina nao saiu o flash, dai pensei, que azar o meu, o cara aqui e a maquina nao quer pegar, dai coloquei o flash rapidao e dai fomos tirar a foto de novo e derrepente, a camera estava com a memoria cheia, nao acreditei. Dai fiquei com vergonha de ficar enchendo muito o saco dele e falei que tiraria a foto com ele depois pois vinha hoje tambem, mas dai ele simpaticamente falou que eu tinha muito azar e tambem falou que nao, que eu ia tirar a foto agora, dai falou, apaga ai as fotos que vc tirou na Ivanovic que eu sei e vamo tirar essa foto. Dai apaguei a primeira foto que eu vi e finalmente tirei a foto com ele. Dai quando tiramos a foto ele falou rindo, pow cara finalmente essa foto saiu. Desejei sorte a ele e ele falou valeu e falou que era pra eu estar preparado da proxima vez. Agradeci e apaguei umas fotos que nao tinham nada a ve para que aquilo nao se repetisse.
 
Encontrei nos corredores tambem o Carlos Bernades, conversei com ele um pouquinho e ele falou que estava indo embora amanha pois estava cansado porque nao descansava desde o Australia open. Gente boissima.
 
Mais a noite, fui jantar eu e o Victor. Jantamos, claro, onde todos os jogadores fazem suas refeicoes e quem estava do nosso lado jogando baralho com o Wawrinka e mais 2 caras que acho serem os coaches ou amigos. Nada mais nada menos que ele, o melhor da historia. Roger Federer. Eu nao conseguia comer, nem fazer nada, estava meio que sem reacao. Pois nao acreditava estar na mesa ao lado da do Federer. Ele estava tranquilao jogando baralho com o Wawrinka. Estavam rindo e tudo mais. Bem descontraidos. Nao tive coragem de pedir pra tirar foto AINDA pois ele estava com os amigos la num momento que eu achei nao ser apropriado. E como eu viria hj, sabado e domingo e depois pensei comigo mesmo que teria outras oportunidades.
 
Depois saimos e fomos pintar nossos corpos com a bandeira da Suica para torcer para o Federer e Wawrinka que iriam jogar duplas depois. Foi super 10, gritamos muito e viramos meio que celebridades, todos queriam tirar foto com a gente pois estavamos todos pintados. No final do jogo, o federer e wawrinka agradeceu agente olhando para a gente la em cimao pois nem todos tinham credenciais e tambem estavmos em 8, todos do time de tenis. Ele autografou as bolinhas a advinha onde ele jogou 2 das 4 bolinhas que eles autografaram, jogou em nossa direcao as duas, mas nao conseguimos pegar nenhuma delas.
 
Vi na sexta feira a Aninha Ivanovic ganhar em 3 sets na quadra central, de pertinho. Ela e realmente uma belezura. Como a moca joga bem, uma coisa de louco seu jogo de pernas, uma movimentacao de se admirar e aplaudir. E quem esta la na primeira fileira tambem – O Djokovic. Pelo jeito estao bem amigos.  Enfim, ainda bem que ela ganhou, porque minha meta e tirar uma foto com ela com o Nadal e Federer.
 
Hoje tem belucci nas duplas, vamo lá torcer na primeira fileira. Hoje tambem assistimos a Wozniack jogar com a Sloane Stephens, uma americana de 17 anos que por sinal foi com 14 anos jogar future no brasil, ela e mais 3 americanas. Eu lembro disso pois estava no Centro de treinamento Kirmayr em serra negra onde o torneio acontecia, tirei foto com ela quando ela tinha 14 anos, e agora ela com 17 anos, a vi na quadra central de indian wells jogando com a Wozniack agora a pouco. Uma sensacao legal. Hoje tambem vi o Del Potro ganhar do Ljubicic na quadra central nas primeiras fileiras. Os caras jogam muito e sao muito mais fortes ao vivo que pela tv.
 
Nao vou escrever mais pois o Nadal esta jogando e vou la ve-lo dar seus spins alto na esquerda do adversario.
 
Bom, o dia esta so comecando, sessao noturna esta para comecar.
 
Abracos a voces que ficam, pois eu, vou ver o Nadal.

 

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