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sexta-feira, 1 de abril de 2016 Tênis Feminino | 13:53

A idade da loba

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Existe uma mudança de guarda no tênis feminino? Sim, não, não ainda, todas são respostas corretas, por mais incongruente que possa ser ter elas todas na mesma frase. Em uma análise mais fina vemos que são as moças da idade da consolidação da experiência e a técnica que estão se impondo. É a a idade da loba – e dos lobos, já vale também para o tênis masculino – de 27 anos. Já não são inexperientes, aprenderam e consolidaram suas técnicas, fizeram as pazes com suas deficiências, acertaram seus emocionais e estão prontas e famintas para novos sucessos.

 

Na chave feminina, Serena e a irmã Venus se foram, apesar de que Serena ainda é a principal força feminina, enquanto Venus finge que ainda é uma tenista profissional. Sharapova, se não derem a ela uma colher de chá, o que não duvido, mas sinto que assim possa ser, será carta fora do baralho já que é quase uma balzaca e não sei quanto tempo ficaria suspensa.

 

E quem chega à final de Miami? Kuznetsova, uma batalhadora , essa sim uma balzaca, que nunca teve uma segunda agenda a não ser jogar tênis. A moça tem verdadeiro desprezo pela marketing sensual que se consolidou no tênis feminino desde o surgimento de Anna Kournikova e faz questão de ser o inverso. Mas é uma verdadeira tenista, sempre beliscando quando surge a oportunidade (já foi #2, tem 2 GS e 16 títulos) – e em Miami ela surgiu novamente.

 

E aí chegamos às moças-lobas. A outra finalista será a consolidada Azarenka, que este ano chega aos 27 anos, a idade que a(o) tenista normalmente chega a sua plenitude. Esta temporada voltou de contusão e é a favorita ao título – terá que passar pela Kuznetsova, o que não será fácil. Mas sempre tenho pensamentos ruins quando veja aquele queixo quadrado e o tamanho que adquiriu através dos anos.

 

Ainda me divirto horrores com a Radwanska (27 anos) suas gambitas finas, seu tênis limitado, sua cabeça pensante e sua constante luta pela vitória. Em Miami conheci uma nova tenista, a suíça de pais hungaros Timea Bacsinszky, que adora socar a bola e, aos 26 anos se aproxima da idade da leoa entrando entre as Top10.
Valem a menção duas outras que não chegaram lá desta vez, mas são tenistas que continuarão deixando suas marcas: Simona Halep, tremenda lutadora, focada, rapidíssima e com ótima esquerda, que aos 24 anos ainda tem muita lenha para queimar. E Angelike Kerber, que na passagem dos 27 para os 28 conseguiu levar sua carreira para outro patamar ao vencer o Aberto da Austrália e virar #3 do mundo.

 

O tênis feminino atravessa sua fase mais prolífica, com ótimas tenistas surgindo e se consolidando, através de um tênis incisivo, extremamente profissional, baseado em uma preparação física e técnica tanta qualidade quanto a dos homens e que levaram o espetáculo do tênis feminino, guardado as devidas proporções circunstancias, a uma profundidade depredicados tão amplo quanto o tênis profissional masculino.

 

A maneira como as mulheres-tenistas, e aí falo de um universo mais amplo do que no passado mesmo recente, se apresentam, se dedicam e competem sustentam seus pleitos e reivindicações por igualdades de direitos e prêmios. Só fica mesmo faltando a questão dos Grand Slams, onde os homens têm que jogar cinco sets e as mulheres jogam três, talvez o principal, e ultimo, argumento dos tenistas-homens.

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terça-feira, 27 de agosto de 2013 Sem categoria | 10:48

Ovos

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O publico do U.S. Open em New York é conhecido por ser tanto participativo como conhecedor do esporte. Por ali muito tenista, mesmo que pangarés, e poucos sofasistas. Por isso, quando eles berram algo das arquibancadas é bom ouvir.

A americana Sloane Stephens, tenista negra louca para roubar o lugar de Serena Williams, com quem já teve estresses pela imprensa, no tênis americano, passou por essa experiência na sua primeira rodada. Como a moça jogava muito mais para panga do que para pro, seus fas, ao menos fas do tênis americano, decidiram dar uma força para nao dizer outra coisa.

A moça declarou, mais para um desabafo, que tinha uns 75 técnicos na arquibancada. “Joga na direita dela”, “saca na esquerda”, “vai pra rede” e por aí vai. Mas teve um cara que realmente mexeu com ela quando, após perder o 10 set e estar cheia de gracinhas para perder o 2o, mandou um aviso alto e claro das arquibancadas: “se você nao se acertar aquela mulher vai pegar o seu prêmio de segunda rodada”. Como Sloane nao é ainda nenhuma Serena, pelo menos em termos de conta bancária, achou melhor “get it together” como sugeriu o “coach” das arquibancadas, que merecia pelo menos um novo ingresso, se nao um jantar, já que a diferença ali era de U$21 mil.

Enquanto isso, Serena, que vive uma nova fase na carreira, onde humilhar as oponentes é só uma continuaçao do mesmo, fez a campea de Roland Garros Francesca Schiavonne reavaliar a carreira ou a aposentadoria. Deu-lhe um 6/0 6/1 e pior nao foi porque deve gostar da italiana.

Roger Federer nem entrou em quadra por conta da chuva – hoje seria uma oportunidade dos organizadores falarem algo sobre o possivel teto da quadra central. Fora isso, o japanes Nishikori, cabeça 11 deve estar pensando de onde veio esse fantasmaço inglês Evans que lhe deu de chicote. Falando em surpresa, mas seria mesmo, o Gulbis perdeu do austriaco Maurer em 5 sets após liderar por 2×1. Eu ia escrever sobre a derrota do Thomaz Bellucci, mas achei melhor nao. O brasileiro, pelas suas caracteristicas emocionais, é um tenista que precisa estar confiante para jogar seu melhor. Como isso nao vem acontecendo, entra no processo do ovo e a galinha. E nao se faz uma omelete sem quebrar os ovos.

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Francesca nos ombros de um pegador de bolas.

 

 

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013 Sem categoria | 13:34

Nicho

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A imprensa e jornalistas têm seus caminhos, muitas vezes não entendidos ou mesmo concordados pelos leitores. Eu, que não sou jornalista, mas trafego pelas mídias talvez a mais tempo do que deveria, fico em algum meio do caminho, mais fora dele do que dentro, também me dou ao luxo de frequentar, por vezes, esses caminhos.

Quando eu escrevia uma coluna semanal para o Estadão, o mesmo dava um pouco mais de notícias sobre o tênis do que agora. Com certeza pela era Guga, mas nem sempre ele era o personagem. A personagem favorita dos rapazes do editorial era Maria Sharapova – e como incriminá-los? A Serena vencia o torneio e o jornal publicava uma foto enorme da Maria com sua exuberância de pernas. Mas não era só no Estadão. Eu saia da cabine após uma final de um GS com a vitória do Federer e o editor queria falar sobre os dotes da Sharapova que havia perdido uma semana antes. A WTA adoraria esses momentos, já que uma boa parte do seu marketing é em cima desses predicados de suas atletas.

Mas cuidado. O mundo está invadido pelo PC. E no caso não este seu escriba e sim o Politicamente Correto. No início do ano, um veterano comentarista da ESPN americana, Burt Musburger, foi crucificado por parte da imprensa por conta de um comentário seu no ar em um jogo universitário de futebol americano. Em tempos de Twitter e Facebook, as redes sociais conseguem ampliar coisas para uma dimensão inconcebível – que não lembra daquela estudante que foi para o Canadá?

As câmeras da TV mostraram o rosto da namorada de um jogador de Alabama e o comentarista começou a elogiar a moça, dizendo o quanto os quarterbacks (os reis da cocada do football americano) se dão bem com as garotas bonitas. Coisa de 15 segundos. Terminou comentando: “bem, se você está em Alabama, comece a sair no jardim e atirar a bola com papai”. De um uma confusão dos diabos e a ESPN chegou a se desculpar pelo comentário, chamado de sexista. A hipocrisia não tem tamanho nem fim. Pode mostrar mulher bonita em transmissão esportiva, o que não pode é falar a respeito.

Este fim de semana os campeões foram Juan Del Potro, que encostou no #6 Berdich, batendo John Isner, que volta a ser top20, na final de Washington. Marcel Granollers batendo Monaco na Áustria. Samantha Stosur batendo Vik Azarenka, de quem havia perdido oito jogos seguidos, na Califórnia e Magdalena Rybarikova batendo Andrea Petkovic também em Washington.

Apesar disso, a foto do post é da Aninha Ivanovic, que a semana passada despediu o técnico, mais um,  e nesta saiu em ensaio fotográfico na revista Esquire – a moça achou um nicho perfeito para ganhar muito dinheiro, fora das quadras, posando para revistas de prestígio em fotos sensuais. A moça não é mais #1 do mundo – é #15 – e não ganha um GS há anos. Mas só Maria e Serena saem em tantas revistas quanto ela, e ambas já saíram em revistas em poses bem reveladoras. Não ofereço razões nem desculpas. Mas se vocês insistirem eu coloco uma foto da Stosur ou mesmo do Del Potro.

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domingo, 14 de julho de 2013 Tênis Feminino | 19:03

Agenda russa

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Há supresas e surpresas. Maria Sharapova e Jimmy Connors não é exatamente um casal – nem dentro nem fora das quadras. Bem. Podemos pensar asssim, mas a russa não. Como eu escrevi aqui, a Maria deu um pé nos fundilhos do low profile Hogstead e já tinha outro no quarto ao lado. Ontem, ela anuciou Jimmy Connors, uma legenda do tênis americano e nunca uma flor que se cheire sem perigos.

Os dois já haviam trabalhado juntos, brevemente, na pré-temporada de 2008, quando a russa venceu o Aberto da Austrália – ultimo Grand Slam conquistado antes de sua contusão no ombro.

Ela, e seu pai, o Yuri, gostaram do trabalho de Connors, mas não se acertaram nos detalhes com o tenista; mais precisamente na grana e semanas de compromisso. Como a loira ganha um dinheirão fora das quadras, mais do que qualquer outra e só comparável com Federer, imagino que desta vez se acertaram sem maiores delongas. A realidade é que um ano de trabalho de um bom técnico é pago com uma boa semana de trabalho de uma pupila da envergadura de Sharapova. O problema é que tenista é mão de vaca.

O vexame de Wimbledon – a derrota para a baixinha gemedora portuguesa – sobrou para o sueco. Essa é a zona de conforto do tenista: perdi, a culpa é do técnico. Sei lá, talvez ele não tenha feito um scouting sério sobre a rapariga e deixado a pupila em um voo cego; mas isso é só um chute. O que eu não acredito é que o sueco deixou de “poder viajar” logo após Wimbledon. Eu até diria que há uma boa chance que ele em breve embarque em uma viagem sobre a deslumbrante ponte de Oresung, entre Malmo e Copenhagen.

Enquanto isso, Connors chega com uma única agenda ao reino de Sharapova. Ensinar a moça como bater seu impiedoso algoz Serena Williams. As outras tenistas ela vem dominando e acidentes como Wimbledon só comprovam a regra. Mas a americana ganha dela no seu próprio estilo da pancadaria, cara feia e grunhidos quando necessários. Como Connors era um mestre da intimidação, seus conselhos vão soar como árias bachianas aos ouvidos da musa thaicovskiana.

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segunda-feira, 1 de julho de 2013 Wimbledon | 15:10

Surpresas

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Surpresas é o que não falta em Wimbledon. Não sei se fico mais surpreso com a derrota de Serena Williams para a alemã Lisicki, não por esta, mas pela primeira, ou com o fato de Verdasco estar vivo e progredindo nas quartas de final.

Pela temporada que vinha tendo, Serena era a favorita, disparado, especialmente na grama. Mas hoje contra a alemã ela jogou sem sangue nos olhos, sua mais marcante característica.

Qualquer dia desses eu iria escrever que a provável razão de sua ótima temporada é o amor. A moça está no maior affair com seu técnico o francês Patrick Mouratoglu e está de bem com a vida, o que ajuda nos mais diferentes aspectos da vida. Faz o maior sentido.

Pela sua atuação tranquilamente apática de hoje, sem buscar pelas as profundezas de seu dark emocional, eu também posso tirar o amor da manga e usar mesmo argumento. Afinal, briga-se menos quando se está amando. Dois lados da mesma moeda.

O que me incomoda um pouco é o fato de que onde quer que a moça vá a torcida é contra. Será que ela é tão chata assim? Ela já foi bem mais arrogante e marrenta, está mais light; mas não é nenhuma Aninha, em quadra ou fora.

Para mim parece que existe certo preconceito com a moça. Como ela nunca ajudou, dá nisso. Afinal, Arthur Ashe, era tudo menos um Uncle Tom, ou Pai Thomaz. Era bem verbal sobre os direitos dos negros, em uma ápoca eles eram desrespeitados descaradamente, especialmente em seu país, o que marginalisava certos fãs do tênis americanos. Mas ele sempre fez questão de se comportar como um gentleman, dentro e fora da quadra, até para não perder a razão e o direito de sua postura. O que não impedia de representar, e bem, sua raça entre os afro-descendentes. Para quem não sabe, Mike Tyson tem o nome do tenista tatuado no corpo. Ashe sempre foi extremamente respeitado em qualquer lugar que fosse, tirando a Africa do Sul de então, e nunca lhe faltou o respeito, a simpatia e a torcida do público.

Verdasco vem sendo uma carta fora do baralho há algum tempo, parecendo desmotivado e sem a vontade que identifica os espanhóis. Seu último título foi em 2010. Já foi top10 e hoje é #54., ao mesmo tempo que tem o melhor ranking de duplas da carreira, o que o ajudou a voltar ao foco. Agora, aos 29 anos, dá uma revigorada na carreira, chegando às quartas de final de um Grand Slam na grama, seu piso menos favorito. O espanhol está de volta.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 Tênis Feminino | 15:05

Passando o bastão

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Posso estar errado, duvido, mas em breve o tênis feminino americano não dependerá mais das irmãs Williams para conquistas como foi o caso na ultima década.

Durante o Aberto da Austrália assisti algumas tenistas que mostraram qualidades  que podem agitar o circuito. Jamie Hampton foi uma delas. A moça, que recém completou 23 anos tem muito talento, bate bonito, pode jogar, só não sei se tem a cabeça vencedora. Passou pela Ursula Radwanska, Khumkhum e perdeu no 3º set para a Azarenka.

Mas temos algumas ainda mais jovens e surpreendentes. Madison Keys, que ainda vai completar 18 anos em Fevereiro, pega pesado, tem bom tamanho e golpes pesados, jogou seu 1º Grand Slam, passou pela Dellacqua e a Paszek, e perdeu em jogo parelho para a Kerber.

Mas quem colocou as manguinhas de fora de uma vez foi a Sloane Stephens que, não sem uma ponta de ironia, mostrou pouco respeito pela coleguinha e suposta mentora Serena Williams, passando assim para a semifinal como a zebra do evento. Ela já era #25 do ranking, antes do AA.

É claro que a moça foi favorecida por uma evidente contusão de Serena Williams no meio do 2º set. Ele até tremeu para fechar este set, mas passou o teste, soube fechar e administrar o set final.

Chegar a uma semifinal de GS aos 20 anos é uma conquista. Em especial para o tênis americano que vem investindo barbaridades em dólares sem o sucesso esperado. Acreditar em Oudin etc não levou a nada. Agora as tenistas americanas tem uma representante brigando por títulos de GS, que pode abrir as portas para outras arrojadas e confiantes, enquanto os homens só apresentaram recentemente um Ryan Harrison, que tem muito feijão para comer para oferecer sonhos ao pessoal de casa.

Sloane – lembra alguém?

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:48

Imperdível

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A sempre polêmica sem perder a candura e a elegância leitora Maysa, ocupa seu espaço nos comentários para declarar sua ojeriza às chamadas “exibições”. Não é a primeira que me passa essa mensagem, ao mesmo tempo em que outros declaram seu amor pelas mesmas. O que separa as duas vertentes?

Exibição foi algo criado sabe-se lá quando, só posso dizer que há muito tempo, para trazer algo para o qual havia uma demanda. No caso, a presença de estrelas, das mais variadas grandezas, para próximo de seus fãs, em um cenário que não abrigava pelas mais diferentes razões, da tradição à falta de estrutura, torneios compatíveis com a presença de tais tenistas.

Isso são um fato e uma realidade mundo afora, não somente no Brasil. Na verdade, hoje se joga bem menos exibições do que no passado. A demanda do circuito e consequente esgotamento dos atletas, o televisionamento de tudo quanto é torneio tenistico que coloca os ídolos na frente de sofás mundo afora, e, principalmente, o quase obsceno, pelo menos comparado com poucas décadas atrás, dinheiro distribuído em prêmios de torneios oficiais, o que deixa seus bolsos e mentes tranquilos quando não acomodados, são razões pela diminuição da presença das estrelas em exibições.

Por conta disso, as aparições, pelo menos das estrelas, são raras e bem caras – lembrem-se que há demanda no mundo todo. Até mesmo uma cidade como New York, que tem um Grand Slam, demanda e recebe exibições com Federer. Mas imaginem quantas cidades não demandam e aguardam pela oportunidade que provavelmente nunca chegará. Na Europa e na América há a demanda e a oferta por outro tipo de exibições – são os Masters, que atraem o público com seus nomes, mas oferecem pouco mais do que brincadeiras e seções saudades de volta. Não é por menos que a maior estrela dessa troupe é um iraniano naturalizado francês, Mansour Barahmi, que encanta o publico europeu com seus marabalismos em quadra.

A exibição em si é uma arte, muito distinta da competição em si. A personalidade dos envolvidos conta muito para que ela seja um sucesso. Ninguém joga uma exibição como se a vitória fosse a meta. Pelo contrário. É bem mais do que provável que quando dois tenistas se enfrentam, em um treino, longe dos olhos do público, vão procurar a vitória com mais determinação e entrega do que em uma exibição. Por isso, nestas ocasiões é de muito bom tom colocar em quadra somente tenistas que se deem bem – e especialmente se a estrela maior aceita bem o sparring.

Existem algumas regras não escritas, que quase sempre são respeitadas, ainda que por vezes não. Fica “feio” um dos tenistas mostrar que está a fim de ganhar. Tem que saber aliar bons golpes, com uma dose correta de intensidade e um pouco, não muito, de relax e até humor. Se errar a mão em qualquer dos quesitos fica horrível – e, acreditem, poucos dominam essa arte.

O jogador da casa sempre ganha. E aí eu pergunto, com Federer e Bellucci que será o jogador da casa? Afinal, a grande estrela que o publico quer ver e aplaudir é o suíço. Será que Federer obedecerá a regra e fará a gentileza? Ou será que Bellucci esticará o tapete vermelho? Nosso tenista dá suas esticadinhas de tapete, mas raramente contra tenistas mais fortes e as tais estrelas, a quem gosta de fazer sentir sua mão pesada, pelo menos por um tempo. Será interessante ver como se desenvolve essa apresentação que deve ser o ponto alto do espetáculo, até pelo envolvimento do publico. Lembrando, essa será a primeira partida do suíço, do total de três, que jogará em São Paulo. Eu teria colocado como a última. Ele enchia o Tsonga e o Haas de bola nas primeiras, para delírio do público, e o Bellucci ficava para quando a festa já estava assegurada.

Comentando o comentário da Maysa, é preciso entender que na próxima semana não teremos em São Paulo nem um torneio, nem uma exibição. Teremos um espetáculo, uma festa. Uma festa do Tênis. Uma festa exclusiva, já que os ingressos são caros e em boa parte corporativos. Uma festa que todos gostariam de participar. Uma festa para tenistas, sofasistas e até mesmo estrangeiros do tênis, aquele que irão não por conta do Tênis e sim do ser visto.

Vamos ter o creme de la creme do tênis como poucas vezes reunido, em qualquer lugar que seja – o mundo vai babar de inveja. O foco ainda está no Federer, até porque o patrocinador que pagou a conta principal é seu, as chamadas são dele e o cara é adorado. Mas teremos Tsonga e Haas, dois belíssimos tenistas, com estilos distintos e propícios para a festa, até mais do que Ferrer, que é mais “engessado” e que saiu. Os espetaculares irmãos Bryan enfrentando os mineiros Melo/Soares, o que deve vir a ser um espetáculo à parte, em especial para os fãs tenistas.

E as mulheres! Até as Olimpíadas, agradeçam por ela, não vamos ver tal constelação por aqui: Sharapova, Serena, Azarenka, Wozniacki! As meninas mereciam uma festa só para elas e iriam sobrar. Isso sem falar no Roger. Não será um Grand Slam, mas será um espetáculo que lotaria o Madison Square Garden, um local que já acolheu os melhores de todas as áreas, numa cidade onde if you make it there you make it anywhere. Agora é em São Paulo. Esta, Maysa, é imperdível.

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domingo, 28 de outubro de 2012 Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:33

Basiléia, Istambul e Valencia

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Ninguém gosta de perder. Muito menos jogando em casa. Minha mulher fica com vontade de largar a raquete. Roger Federer desiste de ir a Paris. Minha mulher fica louca da vida com as japas baloneiras. Federer detesta encontrar pela frente alguém que dê mais pancada na bola do que ele. Ela começou a competir faz pouco e ainda tem que aprender a lidar com as viadas que fazem das quadras de tênis uma filial de Cabo Canaveral. O suíço deveria lembrar que o argentino não tem nenhuma consideração e adooora alguém que fique lhe dando pancadas à altura da cintura. Aliás, o hermano estava tão com vontade de machucar que quase acaba com a felicidade da Mirka – veja o vídeo abaixo.

A final entre Federer e Del Potro na Basiléia foi tudo o que o publico queria. Em termos de emoção, porque o resultado esperado, lógico, não era a vitória argentina. Mas uma partida decidida no TB da negra, após um TB no 2º, quando Federer escapou de perder em dois sets, teve um tênis de primeiríssima em um estádio que se não é novo, garanto que é de primeiríssima qualidade – padrão suíço.

Logo após a derrota, Federer, que é presidente da ATP, declarou que não jogaria o Masters 1000 de Paris, mesmo sabendo que a decisão vai lhe custar a liderança do ranking no fim da temporada para el djoko. “É a única alternativa para mim!”, alegando que quer preservar o físico para as finais de Londres, e também suas apresentações na América do Sul! Os franceses devem ter adorado a notícia.

Não tem contusão, nem nada que o impeça – simplesmente magoou. Roger já tem 600 partidas, mais de 12 anos de carreira, mas em Janeiro de 2012 ainda não tinha 31 anos, o que o isentaria totalmente das responsabilidades de jogar qualquer Masters 1000 – o que vale dizer que, teoricamente, a partir do ano que vem pode até cobrar para jogar os Masters 1000.

David Ferrer mostrou, mais uma vez, que é “o casca de ferida”. É na Espanha, é na quadra dura lenta, o Nadal não vem, é meu! É a 3ª vez que o casca vence por lá. E desta vez dedicou a vitória a Ferrero, que é um dos donos do evento e encerrou a carreira por lá esta semana.

Para nós, a boa notícia foi mais uma conquista de Bruno Soares, e seu parceiro Peya, batendo na final os ibéricos Verdasco/Marrero em três sets. É o terceiro título com Peya, o seu quinto esta temporada e o seu décimo na carreira. Eue temporada, e que parceria. Essa parceria deve dificultar a possível decisão voltar a jogar com Melo, com quem emparceirou na Davis e com quem ganhou Estocolmo. Com quem ele jogara em 2013?

Maria Sharapova chama Serena Williams de minha rainha do ébano. Não vou tentar adivinhar do que a gringa chama a russa/americana. Eu sei que suas cadelinhas ela chama de Jackie e Lorelei! São oito anos que Maria não vence Serena. Oito anos e nove partidas – uma média legal. O resultado de hoje, em Istambul, na final do Masters, 6/4 6/3, foi melhor do que o ultimo, nas Olimpíadas, 6/1 6/1. Pior do que isso a russa teria que sumir do circuito ou se trocar no carro; sua vida nos vestiários ficaria impossível. Para sempre vai se perguntar: Serena deixou ela fazer um??

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Feminino | 13:26

Redenção

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Foi a melhor final feminina em muito tempo. As ultimas que foram a três sets foram a vitória de Arantxa Sanches pra cima de Steffi Graf em 1994, mas Arantxa ninguém merece, e a vitória de Steffi no ano seguinte sobre Seles. Equilibradas mesmo, decididas na hora da onça beber água no set final como ontem, só em 1985 com a vitória de Mandlikova sobre Navratilova, uma bela zebra, em mais de um sentido (posso imaginar a cara de incógnita da esmagadora maioria dos leitores) e a vitória de Martina no ano anterior sobre Evert.

A vitória de ontem foi uma espécie de redenção de Serena, uma redenção tardia, a tenista já tem 30 anos, porém bem vinda. Depois de muita conversa em casa, mais com a mãe do que com o pai, que nem sei se estava presente, eu não o vi, Serena decidiu que iria jogar como uma dama e não como uma bagaceira, que é o que mais de uma vez o fez.

Como colocou a D. Oracene, e muito bem, ontem era mais importante a filha não perder a tranquilidade, não enlouquecer, e não ser expulsa de quadra. “É muito mais importante ela ter uma mente estável. Tinha que ser bem claro. Não se pode perder o controle”.

Anos vivendo com o Sr. Richard – o homem que, dizem, espancava a mulher, e por ela se mandou assim que deu, e não conseguiu deixar a ira e o racismo para trás, sempre jogando com o tema racismo nas cercanias das quadras – e o inimaginável sucesso das filhas deram a Sra. Oracene o equilíbrio e a serenidade para lidar com o mundo e tentar passar isso às filhas sem que elas perdessem o diferencial que as destacou no circuito.

Venus já tinha negociado melhor esse ranço, mas Serena, até pela personalidade, adorava jogar seu jeito na cara alheia, o que nunca caiu bem mesmo em New York. Não se sabe se veio primeiro a galinha ou o ovo, e se o público “sentiu” a diferença de postura. O fato é que este foi o primeiro U.S. Open que o público abraçou as tenistas negras americanas.

O clima para a final foi lançado por Serena após a semifinal, quando pegou o microfone e chamou o público ao brio: “Pessoal, sou americana, e a última por aqui. Go USA!”. Não lembro ela deixar evidente que ser americana vinha antes de ser negra.

Serena confessou, nas entrevistas pós final, que sempre sentiu uma frieza vindo das arquibancadas, para ela e sua irmã. Em finais contra outras americanas ou mesmo estrangeiras como Hingis, Jankovic, Stosur ou Clijsters a história era sempre a mesma. “As pessoas não estavam prontas para nos ver vencer ou torciam contra mesmo. Era muito estranho”.

Mais estranho é que ela acha que as coisas começaram a mudar após o incidente no ano passado, quando ela teve um ponto tirado após gritar durante o mesmo. No que a juíza estava certa e ela e o público errado. Mas quem disse que a massa tem sempre razão? Até porque ali a juíza bobeou em não explicar, como se todos soubessem as regras do jogo. Um erro começou a consertar outro – bola pra frente.

Fora isso, o jogo foi emocionante o bastante para me fazer sair correndo de casa quando o sinal caiu e assistir em bar próximo com a leal companhia da minha mulher. Ela que tem poucos anos de tênis – antes era sofasista, mas dedicação o bastante para já ter trazido seu primeiro troféu estadual para casa – até hoje é inconformada com a dificuldade de se fechar um set, em especial uma partida. Sua torcida ontem era pela Azarenka, até porque sangue novo tem prioridade. Por conta disso ficou frustrada com a inoperância a partir do 3×5 no 3º set.

Serena abriu nesse game 40×0, um nãonão por parte da bielorussa, que ainda permitiu que a outra fizesse 0x40 no seu saque. Sete pontos seguidos e perdidos na hora de fechar o jogo não vai dar certo.

Ontem Victoria descobriu, finalmente, que além de 1ª do ranking tem tênis para enfrentar e bater qualquer uma, o que, espero, vai lhe assegurar mais sucesso que outras #1 que tivemos no tênis feminino em anos recentes. Mas, ainda não foi sua hora. Serena trouxe de sua infância em Los Angeles um ou outro componente que falam alto na hora da onça beber água. Especialmente se ela aprendeu que esses componentes a servem melhor se ficarem no inconsciente, enquanto ela coloca seu foco principal no seu enorme arsenal tenistico.

Serena – finalmente feliz.

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terça-feira, 7 de agosto de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino | 11:48

Crip Walk

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Não seria Serena Williams se não houvesse uma controvérsia envolvida. Logo após conquistar o título olímpico, Williams foi para o seu canto da quadra, deixou a raquete, olhou para seu camarote, onde estava sua irmã e mãe, e saiu dando alguns passos de dança que chegaram a empolgar os que desconhecem o histórico da esperta dancinha.

Por conta de sua escolha de coreografia uma grande controversa invadiu a imprensa eletrônica americana. A acusação é de a americana ter, mais uma vez, um comportamento impróprio dentro de uma quadra de tênis, especialmente em uma Olimpíada, onde está defendendo seu país.

E por que tamanha confusão por conta de uma dancinha? Aqueles passos fazem parte de uma dança chamada Crip Walk, que tem grande reverberação negativa na cultura americana, por estar associada a uma das piores gangs de Los Angeles e dos EUA – o crips – e seus atos de bandidismo.

A dança, existente desde os anos 70, é a assinatura dessa gangue de bandidos do bairro de Compton, Los Angeles, vizinhança onde cresceram as irmãs Williams. É usada para desafiar seus rivais, em especial os Bloods, a outra grande gangue de LA, e para marcar seus crimes, inclusive assassinatos. Ela é usada, em algumas raras vezes, pelos rappers gangsters em shows ao vivo, sendo que a MTV proibe qualquer vídeo com seus passos, o que dá a medida de seu simbolismo.

Quando perguntada sobre a dança e se esta teria um nome – wimbledon ou serena, arriscou o repórter – a americana respondeu que “a dança tem um nome mas é inapropriado”. O nome sim, a dança não.

Quando assisti a dança de Serena, fiquei impressionado pela ginga e o trabalho de pés da moça, sendo que eu desconhecia a coreografia e sua tradição. Porém, em tempos onde certas ações podem ter o peso de uma “declaração política”, talvez o Tênis pudesse ter ficado sem a crip dance. Mas, ao que parece, foi mais fácil tirar Serena de Compton do que Compton da Serena.

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