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sábado, 8 de outubro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:20

Brasil Open em São Paulo

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Nos início dos anos noventa o Brasil chegou a competir com os Estados Unidos em número de torneios do ATP Tour e ser o segundo país no mundo em torneios de tênis. Chegamos a ter cinco em um ano. Já nos anos oitenta tivéramos eventos que hoje seriam o equivalente ao Masters 1000, o que seguramente vem a ser uma surpresa para boa parte dos atuais fãs do tênis. Eu, junto com meu parceiro Paulo Ferreira, fizéramos o primeiro desses eventos em 1982, no antigo Centro Paulista de Tênis, complexo de 12 quadras cobertas e seis descobertas na Marginal do Pinheiros.

Mas os anos de equilíbrio e estabilidade econômica ainda estavam longe no horizonte e por isso estávamos sempre sofrendo nas incertas mãos de patrocinadores que viviam na corda bamba da economia de então. Ninguém fechava um patrocínio por duas temporadas, o que deixava o reguladores da ATP abismados com a garra brasileira em fazer eventos, já que lá fora os contratos mínimos eram de três anos, quando não mais, o que oferece uma tranquilidade enorme para se trabalhar. Lá fora as TVs pagavam pelo evento, aqui os patrocinadores tinham que pagar as TVs. Lá fora se cobrva bem do público, aqui quando não era de graça o publico reclamava dos preços ou não comparecia.

O Aberto do Sauípe nasceu pela comunhão de vários fatores. Luis Felipe Tavares, o empresário com mais expertise e tradição no tênis, conseguiu a parceria com o Banco do Brasil, parceiro do tênis e sócio do complexo turístico. A garra e a parceria fizeram o evento acontecer e sobreviver, apesar das dificuldades inerentes e desconhecidas do grande público que pensa que torneio de tênis é só colocar tenistas em quadra.

O grande charme do evento, o local, sempre foi também seu calcanhar de Aquiles. Uma situação amor e ódio. Os tenistas amavam as facilidades e a tranquilidade. Não gostavam tanto do calor nem da ausência de um público maior. O publico que lá chegava curtia o espaço e o evento, mas para isso era obrigado fazer um compromisso – de se locomover à Bahia – que nem sempre é possível ou ideal. O baiano só comparecia mesmo nas finais.
Os organizadores sempre viveram, com grande habilidade, entre a cruz e a espada. Flertavam com a idéia de levar o evento para o Rio ou São Paulo, mas enfrentavam as dificuldades de nenhuma das cidades oferecer um local condizente ou disponível. Havia a realidade da data, sempre nos arredores do Carnaval, o que é uma dificuldade a mais no Brasil. Faziam o melhor do cenário de então, aproveitando a parceria com o complexo, mas conviviam com as limitações impostas pelo local.

Como bem escreveu nos Comentários o meu amigo Ruy Viotti Filho, o ideal seria termos um torneio lá e outro cá. Sendo o cá um no Rio e outro em São Paulo. E até mesmo um em Porto Alegre. Convenhamos, São Paulo é a maior cidade do país e o maior centro tenistico. O Rio além de ser a bola da vez é a cidade mais conhecida lá fora. Porto Alegre é uma potencia tenistica com grande tradição. E ainda existe o cenário canadense, com a alternância entre Toronto e Montreal. Mas o mundo não é perfeito, já que a tendência do circuito é o enxugamento do calendário, não a expansão.

Por uma razão ou por outra o evento veio mesmo para São Paulo para ser jogado no complexo do Ibirapuera. Será mais uma mágica da Koch-Tavares, organizadora do evento. Não o vejo como ideal nem para eles, nem para os tenistas nem para o público. Nem o vejo como lugar permanente do torneio. Mas que fique claro, para mim e para o tênis como um todo será bem melhor do que no Sauípe e será uma alegria termos um evento desse porte por aqui.

Vejo dificuldades para o organizador porque é obrigado, pela ATP, a realizá-lo sobre o saibro. E, no caso, em ginásios cobertos, que é uma acomodo do local e não uma vontade da ATP. As quadras terão que ser construídas e destruídas. Não é simples nem rápido construir uma quadra de saibro – muito diferente de colocar um carpete ou mesmo um tablado com piso acrílico como é feito na Europa e USA. Três locais distintos – dois ginásios separados, apesar de próximos e as quadras de treino no Clube Circulo Militar só complicam. São enormes dificuldades de logística que não amedrontaram o organizador. Já vi, muito, a ATP aprovar torneios em condições bem mais precárias. Não serão usadas as três quadras de saibro descobertas do Complexo que eram da Federação Paulista e que são bem mais próximas?

De qualquer maneira, São Paulo volta a ter um evento de porte, que será mais que bem vindo, e espero, bem atendido pelos fãs locais. Um torneio desses é uma dificuldade enorme de se conseguir, trazer, realizar e manter. Esse negócio que sempre ouço, de alguns reclamarem disso e daquilo é história para boi dormir. Cada público tem o evento que merece e pelo qual briga e paga. E se o público brasileiro, especialmente o paulistano, quiser ver o torneio crescer e vingar terá que prestigiá-lo. Só assim ele sobreviverá, só assim ele progredirá.

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