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sexta-feira, 30 de setembro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:38

O meu primeiro Pan

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O meu primeiro Pan Americano foi o de São Paulo em 1963, onde o tênis foi disputado nas quadras do Clube Pinheiros. Com 15 anos, fui convidado para ser juiz de linha, o que me assegurava os melhores lugares do torneio. Além disso, pude conviver durante quase uma quinzena com os melhores tenistas das Américas – e obviamente do Brasil. Foi uma experiência inesquecível da qual tenho uma série de boas lembranças.

Era uma época onde o esporte branco atraia ótimos tenistas, para não dizer os melhores de cada país. Época também do tênis “amador”, pelo menos cinco anos antes da chamada Era do Tenis Aberto. Até por isso o Brasil conseguiu reunir os seus melhores jogadores, algo que nunca mais aconteceu, por mais de uma razão – a maior sendo que a competição, com o “Tênis Aberto”, foi perdendo o prestígio necessário para reunir a elite do tênis. E assim é até os dias de hoje.

Em São Paulo reinaram no tênis os melhores de nosso país. Maria Ester Bueno, já com três títulos de simples nos Grand Slams e a quatro meses de vencer o seu próximo em Nova York, venceu as simples, batendo a mexicana Yolanda Ramirez na final. Vocês podem imaginar a emoção de estar na linha de um jogo de uma bicampeã de Wimbledon, em uma época onde não existia tênis em TV?

O site da CBT, erroneamente, afirma que os melhores brasileiros nesse Pan foram Maria Esther e Thomaz Koch. Nos homens o vencedor foi o talvez mais talentoso dos tenistas brasileiros – Ronald Barnes. Pensem no estilo Roger Federer e imaginem Barnes. O carioca venceu as simples batendo o mexicano Mario Llamas. Nas duplas masculinas o carioca emparceirou com o paulista Carlos Fernandes para ficar com o segundo ouro. Com o bronze ficaram os gaúchos Thomaz Koch e Yarte Adams.

Maria Ester ficou com a prata, jogando com a cearense Maureen Schwartz. Nas duplas mistas Esther ficou com a prata ao lado de Koch. Foi o Pan com os melhores resultados do Brasil conquistados pelo melhor time que o país já reuniu. Simples.

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010 Tênis Brasileiro | 19:57

O Dândi

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Enquanto espero a hora de ir para a casa de uma de minhas irmãs para a ceia de Natal, me invade aquele espírito, natalino ou não – acho que fui mais impressionado pela experiência que tive de manhã. Um rapaz me interpelou na rua para comprar panos de chão e panos de prato que, segundo ele, feitos por sua mãe.

O rapaz tinha o rosto totalmente deformado pelo fogo, assim com seus braços e mãos, transformando-o em uma figura impressionante. No entanto, ao olhar em seus olhos não vi nenhuma sombra de ressentimento, auto-piedade, raiva. Vi uma pessoa tranqüila, que tranquilamente tentava realizar um trabalho sem apelações. Hoje à tarde, ao fazer minha fisioterapia, fiquei pensando nele e viajando.

Tomado por esse espírito, fui buscar algo no passado para colocar aqui no Blog para fazer companhia aos meus leitores nesta noite. Encontrei, mas nada a ver com Natal, nada a ver com o que vivenciei à tarde. Algo a ver com beleza, talento, habilidade, graciosidade, história do nosso tênis, desperdício, o que poderia ter sido e nunca foi, uma pitada de espiritualismo e morte. O texto é de 2002, também perto do Natal.

 

Apesar de já ter ouvido esparsos comentários sobre o fato da minha aura e a minha luz serem fortes e bonitas, nunca fui muito de acreditar que eu tinha algum tipo de conexão especial com o invisível e o inexplicável. Isso até sonhar com o “vovô” durante toda noite da última sexta-feira. No caso, nenhum dos meus avôs, mas sim o ex-tenista Ronald Barnes, carioca da gema mais conhecido por esse apelido desde jovem. Como muito acontece, certos personagens ficam em nossa memória mais por idealizações e fatos enevoados do que por razões concretas e fatos precisos.

Barnes foi o tenista mais elegante que já vi em uma quadra de tênis. Postura digna de um lord. Um dandi de shorts e camisa brancas com uma coroa de louros no peito. Os cabelos lisos eram penteados para trás, seguros por alguma brilhantina da época, final dos anos cinquenta e início dos sessenta. Seu andar era marcante e diferente de qualquer outro que conheci. No final de seus passos, ao ir para trás, os pés se levantavam mais do que o normal, dando um ritmo e uma cadência distintos. Já vi outros tenistas do Country, tradicional clube de Ipanema, imitando-o, mas nunca igual ao original. A elegância não se restringia à sua figura.

O seu tênis era gracioso, nobre. Mais elegante do que qualquer outro que já tive oportunidade de ver e, seguramente, mais bonito. Atualmente, o suíço Roger Federer me lembra seu estilo. A raquete Dunlop Maxply de madeira parecia uma batuta em suas mãos regida por um maestro sabedor de sua capacidade. Vovô era um talento impar que fazia o tênis parecer tão fácil quanto andar para frente.

Não era muito alto, devia ter algo em torno de 1.76m, mas na quadra se agigantava. Bateu, sem exceção, os melhores de sua época. Era temido, em quadra, por todos, conhecedores de seu talento. A primeira vez, eu era ainda bem menino, que vi sua esquerda, pirei. Batida “flat”, com uma leve cobertura de “top spin”, era poesia pura. Seus voleios eram de uma estirpe não mais vistas em quadras de tênis. A direita não era a melhor do mundo, nem tão agressiva quanto as atuais – mas aquela esquerda.. Mais de uma vez me ofereci para ser juiz de linha em seus jogos só para vê-la de perto. Imagino os erros que cometi enquanto me concentrava nela.

Barnes, que aprendeu seu esporte nas quadras de saibro de Ipanema, mostrou seu enorme talento bem jovem, vencendo o Orange Bowl em Miami Beach, então o equivalente ao campeonato mundial juvenil. Como adulto chegou às semifinais do Aberto dos EUA, então jogado nas quadras de grama de Forest Hills, próximo a N. York. Teve outros excelentes resultados em sua carreira e defendeu o Brasil na Taça Davis em diversas ocasiões. Se não jogou mais vezes foi por suas constantes desavenças com Paulo da Silva Costa, então manda-chuva do tênis nacional e internacional, que não admitia seu espírito rebelde.

Como muitas vezes acontece, o talento era acompanhado de um gênio forte e irascível, especialmente com autoridades. Especialmente autoridades egocêntricas. Vovô sempre foi chegado em uns drinks e pouco chegado a treinos. Fazia totalmente parte da época do tênis-romantico-boêmio. Algo que com certeza impediu que sua carreira atingisse sua potencialidade.

Após ter se aposentado, teve problemas ainda maiores com o álcool. Barnes, que se casou com uma venezuelana, escolheu viver nos EUA. Por lá ensinou tênis aos gringos, mas duvido que conseguiu passar à frente aquela elegância que me emocionou quando garoto. Na sexta à noite, enquanto embalava meus sonhos com sua figura aqui no Brasil, Ronald Barnes faleceu em Nova York. Eu que sempre acreditei na beleza e na elegância, pela primeira vez acreditei em minhas conexões com o além.

Barnes – assim como Roger de relógio e assim como Federer faz parecer fácil. Saudades

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segunda-feira, 29 de junho de 2009 Light | 20:10

O primeiro telefonema

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Em Wimbledon existe uma evidente separação entre a primeira e a segunda semana do torneio. Para deixá-la mais óbvia, o Domingo é um dia sem jogos. Não que essa seja a razão, já que nenhuma razão é oferecida. O Domingo é o dia em que os perdedores almoçam em casa e os sobreviventes treinam sonhando até onde chegarão.

Na cabeça dos jogadores é bem claro o conceito de chegar, ou não, à segunda semana. Estar nela é uma conquista em si. Essa divisão é a única razão, na minha cabeça, para não se jogar no Domingo, algo só feito em Wimbledon. Acho o fato horrível, já que coloca uma pressão a mais no “schedule” dos jogos, que já é estressante pelas chuvas. Fora que é um belo dia para o público, tanto o de lá quanto o do resto do mundo que acompanha pela TV.

Outro fato vêm à mente sobre as duas semanas de Wimbledon. A primeira semana sempre foi a minha favorita em Roland Garros, onde se pode assistir partidas de altíssima qualidade. Em Londres é o oposto. As melhores partidas acontecem na segunda semana quando os favoritos começam a se encontrar. O saibro é um piso mais democrático em termos da qualidade do tênis jogado do que a grama. Esta exige um “know-how” mais específico. Se o tenista não sabe jogar na grama, acaba fazendo o papel de bobo e se sentindo como tal.

Na segunda semana de Wimbledon, as partidas concentram-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos eventos de duplas, juvenis e veteranos.

O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites e é mais uma exibição . Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes, o brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete, em 1959. O estilo de Federer lembra o do Barnes. Para fazer uma média familiar, lembro que minha irmã,Vera Lúcia Cleto, foi a ultima brasileira a chegar à semifinal entre as juvenis, em 1967, aos 17 anos, perdendo para a eventual campeã.

Os eventos dos veteranos, todos eles de duplas, assombram as quadras na segunda semana e são divididos em acima de 35 e 45 anos para os homens e acima de 35 para as mulheres. Nos acima de 45 dos homens vale qualquer idade e é uma ótima oportunidade de ver legendas do passado.

Um charmoso evento que deixou de ser disputado na segunda semana é o “Plate”. Esse eu aposto que vocês não conhecem. É uma daquelas relíquias que só pode existir enquanto o esporte era puro e quase “amador”. O “Plate” aceitava os perdedores das três primeiras rodadas das simples em um novo evento. Também oferecia um pequeno prêmio em dinheiro e era uma boa opção para os tenistas que queriam um pouco mais de competição e “know-how” da grama, ao invés de sair correndo para casa, como acontece hoje.

Foi extinto em 1981 entre os homens e 1989 entre as mulheres. O tênis chegara a uma geração que não jogava mais o esporte simplesmente por amor. Atualmente, o primeiro telefonema dos tenistas, após uma derrota é para a companhia aérea. A idéia é cair fora o mais rápido possível.

Entre os brasileiros, foram finalistas do “Plate” os paulistas Armando Vieira, que chegou às quartas de final da chave principal, em 1954, e a paulista Claudia Monteiro, que atualmente vive nos EUA, em 1982. O gaúcho Thomas Koch venceu o “Plate” em 1969 e 1975, provando que tinha um estilo que se adaptava bem à grama.

Vera e Thomaz sacando.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 00:59

Orange Bowl -1

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Este post especial vai ser na linha do Star Wars – será que os meus leitores conhecem a saga? Nela, George Lucas contou a história começando pelo meio e depois indo para trás, ou será que foi para frente? Não muito linear, talvez um pouco confuso, porém um bom entretenimento.

Esta segunda-feira começou o Orange Bowl, sempre jogado em Miami, antes nas quadras de terra do Flamingo Park em Miami Beach, onde foi jogado por 51 anos, e desde 1998 nas quadras duras de Crandon Park em Key Biscayne. O torneio tem tradição e história, algo que os donos do Aberto de Miami tentaram importar ao trazer o torneio para seu território. Como os tempos são outros, a tradição e a importância do evento não foram, infelizmente, mantidas.

Durante décadas, desde 1947, não havia um torneio juvenil no planeta que chegasse aos seus pés em importância, aí incluído os eventos dos Grand Slams, assim como não havia tenista que sonhasse em ser bom, que não viesse testar suas habilidades nas quadras do Flamingo Park. Por lá passaram todos que escreveram a história do tênis durante cinco décadas.

Entre os vencedores dos 16 anos – quando os tenistas já mostram do que são feitos – estão tenistas do calibre de; Buchholtz (54 e 55 e 1º presidente da ATP e fundador do Aberto de Miami), Vilas (68), Borg (71, vice Victor Pecci, mesma final de RG em 79), Lendl (76 e vice Cássio Motta), Tulasne (78 e atual técnico do Simon), Wilander (79), Edberg (82), Courier (86), Santoro (88), Corretja (90), Coria em 97. Nesses 60 anos, só um brasileiro ficou com a taça: Carlos Chabalgoity. Entre os vices: Celso Sacomandi (75), Cássio Motta (76), Fernando Roese (82) e Jose Pereira (07).

Nos 18 anos a lista de campeões nacionais é maior: Carlos Fernandes (56 e até onde sei ainda dando aulas no Clube Paulistano em S.P), Ronald Barnes (58 e uma lenda do nosso tênis), Thomaz Koch (63 e ainda jogando alguns eventos Masters) e Nicolas Santos (06). Entre os finalistas: Renato Joaquim (82), Gustavo Kuerten (92) e Bruno Soares (00).

A lista de campeões internacionais dos 18 anos inclui; Tony Roche (62, último técnico de Federer), Orantes (66), Borg (72), McEnroe (76), Lendl (77 Noah vice), Nystroem (80), Forget (80), Kent Carlsson (82 e uma figura ímpar do tênis), Courier (87), Medvedev (90), Federer (98), Roddick (99). Lembrando Fernando Meligeni (89, só que defendendo a Argentina).

Entre as meninas, nos 16 anos nenhuma brasileira nas finais. Nos 18 anos, Maria E. Bueno venceu em 1957. A cearense Maureen Schwartz foi vice em 62 e o orgulho da família, Vera Cleto, foi a última brasileira a chegar à final, em 67.

Entre as campeãs dos 16 anos: Chris Evert (68), Hana Mandlikova (70), M.J. Fernandez (82), Dechy (94), Dementieva (96) e Bartoli (00). Entre as vencedoras dos 18 anos: Chris Evert (69 e 70), Jausovec (73), Andrea Jagger (78), Sabatini (84), M.J. Fernandez (85), Zvereva (87 e precursora do “estilo” Kournikova), Likhovtseva (91), Kournikova (95), Dementieva (98), Zvonareva (00 e 01) e Vaidisova (03).

Como minha história tenistica também está ligada ao evento, de mais de uma maneira, decidi escrever um pouco sobre o assunto. Para alguns, talvez história para boi dormir, para outros um merecido e bem-vindo descanso da realidade Nadal/Federer. Aguardem.

Maria Esther Bueno na época em que ganhou o Orange Bowl

Ronald Barnes mostrando seu talento.

 

Vera Cleto, última juvenil brasileira na final do Orange Bowl. 

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