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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 Copa Davis | 21:53

Esvaziando a Davis

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Será que os novos ídolos do tênis estão com a intenção deliberada de esvaziar a Copa Davis? Muito se tem falado sobre um novo formato, algo que já escrevi aqui e uma furada, pelo o que a Davis representa para o tênis como um todo.

A verdade é que cada vez mais os tenistas querem jogar cada vez menos. Ou pelo menos preferem se dedicar àquilo que lhes interessa. Quem já disse que tenista é um símbolo do individualismo que beira o egoísmo?

Só para se ter uma idéia a quanto anda essa “participação”, nos próximos confrontos – 5 a 7 de Março, faltam ainda três semanas – cinco dos top 7 tenistas do ranking mundial elegeram deixar seus times na mão, por uma razão ou outra: Federer, Nadal, Murray, Del Potro e Roddick.

Destes, não dá para criticar severamente o americano e o espanhol, sempre disponíveis para seus capitães. O argentino também não parece ser um que vá ficar escapando com frequência, mas está com o pulso machucado. A Argentina enfrenta a Suécia fora de casa e também duvido que Nalbandian compareça.

Já Roddick cansou de carregar o Blake e nem quis ouvir falar da fria de ir a Belgrado enfrentar Djokovic na terra, uma semana antes de Indian Wells e Miami, estes nas duras. Vai sobrar feio para os grandalhões coadjuvantes Isner e Querrey, porque o Blake continua com alergia ao saibro.

Já Murray deve estar cansado de carregar um bando de pernas de pau nas costas, inclusive o irmão. Do jeito que ele aparenta ser, não será a única vez que vai deixar os britânicos falando sozinhos.

Nadal, que precisa economizar o corpo, deve ter pensado; “bem, se o outro (Federer) não vai, eu também posso ficar de fora”, se referindo à indesculpável decisão de Federer de não participar do confronto contra a Espanha. Uma pena, pois o confronto seria histórico. Isso sim é uma esvaziada.

descontentamentoEsvaziando…

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:34

Definindo

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Conversei com Thomaz Bellucci poucos dias antes do tenista embarcar para a Austrália. Ele falou sobre suas ambições e metas para a temporada e sobre alguns detalhes técnicos que buscaria inserir em seu tênis.

Assisti e comentei na ESPN boa parte de sua derrota para Andy Roddick na 2ª rodada do Aberto da Austrália. Cada partida tem sua realidade e um tenista pode, de acordo com o adversário, jogar melhor ou pior, assim ou assado. Particularmente um adversário como o americano, um dos mais experientes do circuito, entre os 10 melhores a mais tempo do que qualquer outro na ativa.

Thomaz vem melhorando a cada partida sua que assisto. Talvez, pela ansiedade de torcedor, podemos pensar que esse progresso poderia ser mais rápido. Porém tem sido constante e levou o tenista, aos 22 anos, a estar entre os 40 melhores do mundo.

Thomaz e seu técnico, João Swetch, reconheceram que seria necessário melhorar a regularidade do revés, onde cometia muitos erros não forçados. Definitivamente o quesito melhorou e o golpe como um todo também progrediu. Mas ainda não é um golpe que domine com confiança.

O que mais me chamou a atenção foi a insistência de como Thomaz cruzava seu revés, no golpe forte e consistente do adversário, e não procurando o seu golpe frágil, o que forçaria Roddick naturalmente cruzar no golpe forte de Bellucci ou então ao incomodo de mudar a direção da bola. Esse detalhe técnico deixou o americano em uma zona de conforto durante a maior parte das trocas de bola, assim como dificultou a vida de Thomaz.

A razão disso, creio, seria um desconforto técnico de Thomas em ir para a paralela com seu revés, já que até a maioria dos meus leitores sabem a gritante diferença de qualidade dos golpes do americano, como se vê pelos “comentários”.

Até mesmo se tivesse sido extremamente conservador e trocasse a direção das bolas com um slice ou bolas mais altas seguras e longas, do que fortes e penetrantes, teria mais sucesso do que cruzando e colocando mel na sopa americana. De qualquer maneira, o revés de Bellucci melhorou barbaridades, ele não bate mais só na cara da bola, colocando um razoável spin nas bolinhas, o que cria uma margem de segurança e ângulos.

Sei que uma de suas mudanças, que já apareceu na temporada passada, foi aumentar a porcentagem de 1º serviço em quadra e não só tentar aces. Hoje ele enfrentou um adversário que aprendeu isso depois de anos de carreira, graças a uma exigência do atual técnico. Assim, Roddick, que é um sacador, e por isso vivia em zona de alto risco, conseguiu a incrível, e bota incrível nisso, marca de sacar 80% de 1º serviço em quadra. Isso colocou muita pressão no brasileiro que não tinha espaço para jogar nos games do saque adversário.

Mas me pergunto se essa porcentagem se manteria se o jogo ficasse mais apertado e se Thomaz também aumentasse a sua porcentagem, que foi de 61%, ou se, alternativamente, fosse mais incisivo. Além disso, importante, Andy venceu 78% dos pontos com os 1ºs serviços enquanto que Thomaz ficou com 65%.

Outro projeto de Bellucci para a temporada é ir mais à rede para definir os pontos, já que sabe volear, tem uma ótima envergadura e não gosta de pontos longos. Mostrando disciplina tática, o que é uma forte qualidade no tenista, Thomaz foi à rede 28 vezes, o mesmo número de Roddick, e teve sucesso em 17 delas, uma a mais do que o americano.

Olhando de fora, sempre mais confortável, vejo uma enorme margem de possível progresso para o brasileiro. Técnico, emocional e físico. Achei que ele mostrou cansaço no terceiro set, o que seria fatal se o jogo estivesse parelho. Talvez fosse físico, talvez um desconforto com a eminente derrota.

Por vezes fica a impressão que Thomaz poderia “morder mais a raquete”, o que o tornaria mais perigoso do que provavelmente imagina. Por outro lado, segue uma característica de sua personalidade que o possibilitou ser o tenista brasileiro de maior sucesso desde Gustavo Kuerten.

Resta a ele a possibilidade de tentar modificar e acertar, dentro do possível e de sua vontade, suas características, limites e possibilidades para que a definição do seu sucesso na carreira seja escrito por suas mãos e não pela mão do Divino.

TENNIS-OPEN/

Bellucci e seu novo revés, quase lá.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009 História, Tênis Masculino | 14:00

U$29,99

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Os jornais começam a publicar as reações dos tenistas sobre a declaração de Andre Agassi e suas “bolinhas” da alegria.

Federer diz estar surpreso e decepcionado e que espera que casos como esse não se repitam. Fiquei na dúvida se não quer que neguinho fique doidão ou se neguinho conte a verdade muito tempo depois. Federer prefere dar ênfase em tudo que Agassi fez de positivo para o tênis, o que é um fato incontestável.

Nadal foi mais claro. Que história é essa de cuspir no prato? Não falou então e agora vem falar e danificar o esporte/tênis? E coloca o dedo na ferida ao apontar que a ATP pisou na bola total acobertando para o americano e que isso é um desrespeito com o resto dos esportistas. Aquelas conversas do Agassi ficar cutucando o espanhol teve volta.

Roddick insiste em dizer que Andre é seu maior ídolo e nada muda isso. Ele diz que só o julga por como ele sempre o tratou e como Agassi mudou o mundo para melhor. Gosto da transparência do Andy.

Boris Becker, que está ali com o Caetano, que tem uma opinião sobre tudo, diz que ainda está tentando descobrir qual a razão por detrás das revelações do rival. Atente que a dúvida não é sobre a razão do cara tomar drogas. Ele concorda que ajudará o americano vender livros. Mas pergunta por que, já que Andre é um homem rico.

Serena diz que sequer sabe o que é “crystal meth” e não tem nada a declarar, a não ser que ela também está lançando um livro. Será que ela vai contar sobre o relacionamento familiar, questões com racismo e o que ela disse para juíza de linha, ou vai falar sobre moda?

Martina Navratilova, a rainha do politicamente correto – ela andava pelo circuito e nas entrevistas com um cachorro de três pernas, coitadinho, para deixar isso bem claro – diz que Agassi é um mentiroso que se livrou da punição. Ele bateu alguns tenistas enquanto deveria estar suspenso – como fica isso? Arrancam os títulos dele? A senhora não alisou.

Até agora não há repercussões de Pete Sampras, o seu maior rival e sempre low profile, e de John McEnroe, o homem que tem a boca do tamanho do mundo. Os dois devem estar pensando bem o que falar.

O comentário mais crú veio de um jornalista; aprecia a honestidade, mesmo que tardia, mas preferia que ela não viesse com a etiqueta de U$29,99, o preço do livro.

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terça-feira, 30 de junho de 2009 Tênis Masculino | 14:40

As quartas-de-final masculinas

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Estar entre os oito últimos tenistas de um GS, onde jogam 128, é um feito na carreira de qualquer um, independente do que alguns fãs – que só se distinguem por levantar do sofá para pegar uma cerveja e descer a lenha naqueles que estão na telinha – podem achar.

Nesta quarta-feira se joga as quartas masculinas e temos todo o direito em esperar bons confrontos. Os tenistas já estão ambientados na grama, estão confiantes pelas vitórias conquistadas e ainda não é uma semifinal ou final, sempre momentos mais tensos.

Lleyton Hewitt e Andy Roddick voltam a jogar bem no seu melhor piso, até porque sabem que a grama é a hora para mostrarem serviço. Hewitt é um ótimo contra-atacador e devolvedor, enquanto seu adversário é um excelente sacador. Como a idade deve valer para algo mais do que dores constantes, ambos vem acrescentando outros valores a seus estilos. Hewitt vem melhorando seus voleios, e Roddick sua movimentação e aquela esquerdinha marruda. O ultimo confronto entre eles aconteceu em Queen’s, com a vitória do americano em dois tie-breakers. Se for para arriscar, fico com o americano, pelo momento.

Murray volta à quadra para enfrentar o convidado de luxo de sua federação, o espanhol Ferrero, que abandona as quadras no fim desta temporada e por isso o convite. Apesar da determinação ibérica e de sua direitaça, duvido que Ferrero vá cometer a desfaçatez de cuspir no prato que o alimentou. Murray está cada vez mais à vontade com seu estilo na grama, mas continua sendo uma mala sem alça para os seus fãs, que estão prontos para engolir qualquer abacaxi para acabar com os 73 anos de jejum. Após a vibrante vitória sobre Wawrinka, o cara que o entrevistou em quadra, para o publico presente e a TV, tentou duas vezes levantar a bola para ele agradecer a participação do público em sua vitória. Nas duas o escocês se fez de rogado. Mas é o favorito.

Tommy Hass e Djokovic é a partida. Os dois fizeram a final de Halle, com vitória do primeiro, logo antes de Wimbledon, e vem dali a recém adquirida, apesar de suspeitamente tênue, confiança do alemão. Haas é mais tenista, pelo menos na grama, mas Djoko é mais forte mentalmente. Resta saber qual das duas qualidades vai falar mais alto. Vai ser interessante também acompanhar as mudanças táticas que ambos trarãoapós tão recente confronto. Não acredito em favorito aqui.

A última partida é entre Federer e Karlovic. Pelo menos aqui, todos estão cientes da força e da qualidade de Federer. Além disso, faz algum tempo que não vejo o suíço tão bem em quadra. Está confiante, e por isso indo para suas bolas, inclusive aquelas mais bonitas, que sempre atingem a confiança do oponente. Além disso, não vem dando aquelas viajadas que o marcaram no ultimo ano.

Seu adversário, pode-se até chamar de freguês, já que está 8×1, é o sacador e novo homem Ivo Karlovic. Tive a oportunidade de acompanhar a vitória do croata sobre o então campeão, Hewitt, na 1ª rodada de 2003. Logo após a partida, assisti o croata na sala de entrevista; o rapaz , de tão tímido, não conseguia sequer falar. Ele gaguejava, colocava a mão em cima da boca e ninguém ouvia ou entendia o que ele falava. Foi uma das cenas mais constrangedoras que presenciei. Atualmente, quando vence, fica ali, no meio da quadra, soltinho, sorridente e fazendo uma manivela com seu braço em direção a seu camarote. Não sei o quanto sua nova personalidade vai mudar o retrospecto com Federer, mas como tem uma capacidade única de levar as partidas para o tie-breaker, é bom o suíço ficar esperto.

Ivo e sua manivela e Andy e sua bola.

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sábado, 21 de março de 2009 Tênis Masculino | 10:30

Semis táticas

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Sempre acho que será difícil para o Andy Roddick bater Rafael Nadal. Mas não é impossível. Já venceu duas de sete partidas. A ultima vez foi em Dubai, em piso semelhante ao de Indian Wells. Agregue o fato de que poucas vezes vi o americano jogando tão bem do fundo da quadra como atualmente e que ele não é um cego junto à rede. Para se bater Nadal é preciso mexer com a cabeça dele e tirá-lo da zona de conforto. Vamos ver o que o técnico Stefanky armou para o pupilo tentar o feito.

Federer x Murray é o jogo. Os dois são habilidosos e donos de arsenais extensos nos mais diversos quesitos tenisticos. O chato, pelo menos para o suíço, é que as estatísticas são horríveis para seu lado: duas vitórias, cinco derrotas. E em especial por ter dito, um dia, que o inglês estava fadado a não melhorar o seu jogo pelo estilo empregado. Estilo que incomoda Federer.

Perdeu uma ótima oportunidade para ficar calado, assim como uma ótima oportunidade para buscar um técnico que pudesse lhe explicar uma ou duas coisas sobre o lado tático do tênis. Afinal, o nosso esporte aceita muito bem o lado instintivo do jogo, algo que Federer é magistral, mas recebe também muito bem alternâncias de estratégias e táticas, algo que o encardido escocês é muito bom.

Vale conferir se Roddick sob Stefanky tem o que é preciso para bater Nadal, e se Federer – ainda sem um técnico – já admite que, contra um tenista que o venceu cinco dos últimos seis confrontos, uma alternância tática pode conseguir o feito que só o talento natural não vem possibilitando. 

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quarta-feira, 18 de março de 2009 Tênis Masculino | 14:57

Sem saudades.

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Os tempos de Connors, McEnroe e outras figuras que acreditavam em odiar e intimidar adversários ficaram para trás. Mas de vez em quando as coisas ainda esquentam em quadra. Em Indian Wells, as altercações ficaram por conta de figurinhas conhecidas pelo seu comportamento.

Na partida entre Andy Roddick e o encardido austríaco Daniel Kollerer, o americano mandou um “fuck you” para o adversário durante o tie-break do segundo set.

Não é nenhuma novidade o austríaco arrumar confusão. Ele já foi suspenso do circuito pelo o que aprontou em quadra. Como a fama dele deve ter chagado aos ouvidos do americano, quando o caldo engrossou Roddick partiu para a intimidação. Pelo o que deu para ver na transmissão o austríaco, desta vez, só estava lutando como um leão, e fazendo algumas artes menores, tipo dar muitas curtinhas no americano, para tirar pelo menos um set do adversário, até pelo joguinho que tem, muito mais para o nível “challengers”.

Outro que tentou irritar o adversário – só para variar – foi o bocudo Stepanek. Ele vive provocando adversários. Com Sam Querrey não foi diferente. Os dois chegaram a travar ombros em uma das viradas e a coisa ficou um pouco feia. Querrey disse que o adversário gritou na sua cara, tentou acertá-lo com uma bolada, mas não ficou com muito receio porque nas arquibancadas tinha vários amigos prontos para o que der e vier. Foi lá e ganhou o jogo.

Com a maior rivalidade do tênis atual acontecendo entre dois tenistas que se respeitam, dentro e fora das quadras, assim como respeitam outros jogadores, são poucos os que encontram espaço para crescer com suas palhaçadas.

A não ser que conte os torneios de veteranos, onde McEnroe continua intimidando adversários e juízes sempre com o intuito de levar vantagem. Não é a toa que Jaime Oncins explodiu após o confronto entre ambos, dizendo que se sentiu um “bosta em quadra” por ter sido obrigado a ficar de coadjuvante enquanto McEnroe ofendia o juiz com palavrões, sem ser punido, para que as coisas fossem de sua maneira. Está ai algo do que o tênis atual não tem saudades.

Andy e Crazy Danny não se entenderam muito bem.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 Tênis Masculino | 15:50

Teimosura

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No relacionamento técnico-jogador nem sempre o técnico ganha as discussões. Infelizmente, ou felizmente? Tenista é um bicho cabeça-dura e alguns só são piores do que outros. Vocês acham que o Federer não quer um técnico por que? Primeiro porque não quer dividir as glórias, mas principalmente porque não quer ouvir o que não quer. Por isso sua ultima tentativa foi Tony Roche, um técnico que não vai forçar nada, nem discutir coisa alguma. Com o barco vazando água talvez aceite um Cahill na sua vida, que é um longo caminho de um técnico mais assertivo.

Digamos, ao contrário de um Brad Gilbert ou mesmo um Jimmy Connors, que trabalharam com Andy Roddick e que o americano mandou embora por conta das divergências até suaves. Sabem por que o Connors foi despedido? Na volta de uma das viagens ao Oriente, Andy queria parar e treinar em Nova York, onde, por acaso, estava sua nova namorada e hoje noiva, a modelo Brooklyn Decker, uma figura de parar o trânsito ou, na pior das hipóteses, fazer um homem perder o caminho de casa.

Connors, o técnico que casou com uma coelhinho da Playboy e devia conhecer melhor o poder das entranhas, bateu o pé e disse para o pupilo vir para a Califórnia, onde ele mora. Os dois colocaram seus pontos de vista, nenhum quis ceder e a discussão ficou pessoal, o pior cenário para uma desavença profissional. Roddick deve ter feito as contas de quanto era o salário semanal, quem estava no lado pagador e quem estava no lado recebedor, e acabou despedindo o técnico que nunca foi homem de abaixar a cabeça para ninguém nem precisa de dinheiro para viver muito bem. Esse negócio de democracia em um relacionamento técnico/jogador é um tanto difícil de acontecer como de administrar. Um sempre acaba cedendo mais do que o outro ou há uma alternância ou a vara quebra.

Com certeza o tenista mais inflexível dos que treinei, ou pelo menos o que não fazia muita cerimônia em ser inflexível, foi Luiz Mattar. Nosso relacionamento nas quadras durou 10 anos, praticamente toda sua carreira. Uma de suas principais qualidades, e uma das razões para ter se dado bem em um circuito tão competitivo, foi essa sua característica, que pode ser também uma razão para dificultar o crescimento e ampliar os horizontes. Algumas de nossas divergências foram marcantes, umas divertidas outras nem tanto, não raras curiosas e muitas incontáveis.

Em 1987 Mattar venceu a semifinal do Torneio de Itaparica, batendo Sergio Casals, atual sócio de Emilio Sanchez em suas academias, nas semifinais. A partida foi uma batalha, com Nico se impondo no terceiro set, debaixo daquele sol baiano que tantas vezes mandou tenistas “animais” de físico, como Muster e Courier, precocemente para casa.

Após horas de uma luta excruciante, debaixo de sol escaldante ,Mattar queria dormir no ar condicionado ligado no máximo, algo que eu não aprovava nem gosto. Uma coisa é o ar condicionado para refrescar, outra é deixá-lo no máximo como se fosse o Alasca, para contrastar com o calor dos infernos dentro de uma quadra. Lembro que naquela noite discutimos por conta disso. Como o cara havia vencido a semifinal e no dia seguinte teria que voltar à quadra para jogar a final, foi de sua maneira.

A final era contra Andre Agassi, então com 18 anos e sem nenhuma responsabilidade de vencer. Mattar deve ter dormido como um anjo no seu adorado friozinho. Eu, da minha parte, tinha que me enrolar em cobertores nessas horas e, convenhamos, é um paradoxo passar a noite debaixo de um cobertor na Bahia.

Na manhã seguinte Nico acordou totalmente entupido e febril, tanto pelas horas debaixo do sol como pelo contraste da noite dormida no ambiente polar. Não que ele admita isso até os dias de hoje, mas Deus os fez teimosos e então tenistas.

O primeiro set, novamente debaixo de um calor dos infernos – vale lembrar que Agassi cresceu no deserto do Nevada e treinava na Florida – ainda foi equilibrado, sendo decidido no 7×5. No segundo set, a saúde do brasileiro, que também era um “animal”, arriou de vez e o americano partiu para o primeiro título de sua ilustre carreira; os dois ainda jogariam uma outra final, desta vez em Scottsdale, no deserto do Novo México, com outra vitória de Agassi.

Se desta vez a teimosia do tenista pode ter lhe custado um título, que eu totalmente acreditava ser possível nas circunstâncias de então, a mesma teimosia lhe abriu a porta de outro título, assim como me abriu uma porta para qual lhe serei grato até o fim dos meus dias. Mas isso é para outro dia, outro post. Um dia é da caça e outro do caçador. Hoje é da caça.

 Mattar, bravo dentro das quadras.

 

 Inaugurando mais um call center.

 

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sábado, 21 de fevereiro de 2009 Tênis Masculino | 14:31

Diplomacia e tanques.

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Depois das contusões, e conseqüentes abandonos, de Federer e Nadal no Torneio de Dubai, o americano Andy Roddick chutou o pau da barraca disse que não vai aos Emirados Árabes defender seu titulo conquistado em 2008, o que terá grande conseqüência em seu ranking.

O americano, que está nas semifinais de Memphis, não procurou meias palavras nem subterfugios para explicar seu abandono do evento. “Não acredito que se deva fazer política através de esporte.” Não sei se foi a melhor maneira de explicar sua atitude, já que dá para pensar que a decisão dele também é política. Não deixa de ser estranha a postura do americano, após o evento, e o governo, terem voltado atrás com a postura e o fato ter sido revertido de uma maneira positiva para o esporte em geral. Assim como não deixa de ser corajosa e transparente.

Paralelo a isso, o evento feminino foi multado em U$300 mil e parte disso irá para Pe’er, que recebera U$44.250, 00 e sua parceira de duplas, Anna Groenenfeld, U$7.950,00. A israelense terá garantido um convite, mesmo que não se classifique, para o Torneio de 2010. Ou seja, a WTA já digeriu o sapão do deserto com a ajuda de U$300 mil e promessas de bom comportamento futuro. Um bom exemplo de que diplomacia e uma boa conversa resolvem melhor que ameaças, porradas e tanques.

Andy – transparente.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009 Tênis Masculino | 18:34

Rápidas.

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Alguns não acham que isso seja determinante, mas insisto, Roger Federer motivado e confiante é um animal distinto de outro sem esses adjetivos. O que ele fez com o argentino é coisa que poucos tenistas são capazes. E não há nenhum desmerecimento para Del Potro. Como o hermano mesmo disse, após a partida: “eu é que não sei explicar o que aconteceu. Perguntem a ele. O cara jogou muito.” Falou pouco, mas falou muito.

Roddick adorou o que aconteceu em quadra ontem – ou foi hoje? Só faltou pular no chão e fazer algumas paradas de braço enquanto Djokovic caia pelas tabelas e pedia ajuda médica. Rivalidade é bom e ele gosta. O americano está mais rápido, perdeu peso e investiu no preparo físico por conta da insistência do novo técnico. Continua sacando muito e voleando pouco, mas a esquerdinha deu uma melhorada, o que já faz uma diferença. Mas, receio, não para o bonitão de Basel.

Rafael Nadal segue no “Padrão Nadal”. Nunca o vi jogar em outro padrão. Nunca vi ninguém tão intenso, talvez com a exceção do Borg. Além disso, melhorou detalhes técnicos e está cada dia mais agressivo com seus golpes. Um tanque.

É interessante lembrar que Simon derrotou Nadal em piso parecido, em Madrid, numa semifinal. O francês se alimenta da força alheia e Nadal não joga de outra maneira. O jogo é de quem errar menos e ali ninguém erra de bobeira. Ainda bem que jogam na sessão noturna, senão alguém sairia da maca.

Verdasco melhorou muito seu jogo. E não foi só após a final da Davis. Um ano atrás o espanhol era mais um “paparra” do que qualquer outra coisa. Agora está rápido e forte fisicamente, e agressivo com os golpes. Um ano atrás seu revés era um golpe unicamente defensivo, hoje ele consegue contra atacar com firmeza e segurança. Gera velocidade com a direita e está sacando como homem – ele que foi o tenista que mais colocou o 1º saque em quadra no circuito em 2008, sinal de quem não gosta de arriscar.

Tsonga é um caso à parte. Deveria mudar para a Austrália – tudo dá certo em Merlbourne. Este ano quase não joga, por conta de uma dor nas costas, que pode reaparecer a qualquer momento. É sacador, gosta de agredir, adora ir à rede acabar com o ponto e cativa o público. Esta noite será a primeira vez, neste torneio, que faço um jogo seu inteiro. Nunca enfrentou Verdasco e seus estilos são bem diversos. Mas as diferenças asseguram um belo confronto.

Na ESPN, esta noite: Dementieva x Navarro, Kusnetsova x William e Tsonga x Verdasco. Aamnhã, às 6:30h, Nadal x Simon.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 Tênis Masculino | 16:51

Para os fãs do Federer

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E para os fãs do bom e emocionante tênis tambem. Esta noite a ESPN mostrará um compacto do jogaço entre Federer x Berdich, que aconteceu no fundo da madrugada de sábado para domingo e, por isso, não pode ser acompanhado por todos.

O compacto começa às 22h e terá 1 1/2 de duração. Logo após entraremos ao vivo com Bartoli x Zvonareva e Roddick x Djokovic. Surpresas quase sempre acontecem.

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