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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Copa Davis, História, Olimpíadas, Rio Open, Tênis Brasileiro | 17:52

Homenagem a um Gentleman

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Não sei porque, mas parece que em tempos de internet a “memória coletiva tenistica” vai ficando mais curta. Tenho quase certeza que seja um fato para todas as memórias coletivas.

 
Todo mundo sabe o que “tem” que saber, mas quase ninguém conhece, com o mínimo de profundidade, a história de nosso esporte que, ao contrário do que muitos acreditam, não começou com Gustavo Kuerten. Está aí a Maria Esther que não me deixa mentir; ídolo máximo do esporte, só caiu mesmo na boca do povo com sua presença nos comentários na SporTV, que não fazem jus ao tênis primoroso que ela jogava, e que a tirou de um injusto ostracismo que ela vivia no próprio país.

 
Se com ela acontece isso, imaginem personagens menos famosos. Volta e meia os eventos brasileiros homenageiam tenistas passados; mas na verdade acabam caindo no óbvio e no que dá mais ibope.

 
No Rio Open, no ano passado, foi homenageado Thomaz Koch, outro que mais do que merece. Gustavo Kuerten, que virou arroz de festa nessas ocasiões, não sem muita razão, também foi homenageado então. Este ano a Quadra Central receberá, como homenagem, o seu nome. Algo mais pro forma, já que a quadra deixa de existir ao término de cada edição. A Quadra Central das Olimpíadas, esta mais perene, também recebeu seu nome. No entanto, os torneios, um momento que arregimenta os fãs do esporte branco, poderiam sair um pouco da caixa, usar a história e a imaginação e ampliar essas “homenagens”.

 
Só de curiosidade, menciono os dois eventos por acontecer. O Rio Open e o Brasil Open. No Rio, o diretor do torneio é o Luiz Carvalho, neto de Alcides Procópio. No Brasil Open, Alcides Procópio Jr, filho do Procópio, é o diretor de marketing da Koch Tavares, empresa que organiza o evento.

 

Para quem não sabe, o que já me causaria enorme surpresa e uma certa indignação, Alcides Procópio é um ícone do tênis brasileiro. Um pioneiro, poderíamos descrever. Foi tenista, campeão brasileiro e sul americano e o 1o brasileiro a jogar em Wimbledon. Jogou Copa Davis e foi capitão da equipe. Foi presidente da Federação Paulista durante muitos anos, criou o Banana Bowl e fundou a primeira industria tenistica – fazia raquetes de madeira. Lembro de ir na sua loja quase 60 anos atrás. Com certeza já foi homenageado, mas nada que eu lembre recentemente. Imagino que seus familiares fiquem, talvez, constrangidos, de o homenagear. Não perguntei. Pois digo que faria muito mais sentido do que algumas outras que aconteceram ou ainda estarão por aí. O Tênis brasileiro é beeem maior do que um ou dois nomes.

 
E por que chego a tudo isso? Esta semana fui surpreendido com a morte de Roberto Cardoso, aos 88 anos. Roberto foi contemporâneo de Procópio e o tenista que iniciou a tradição do bom tênis em Bauru, e no interior de São Paulo, e que Claudio Sacomandi sacramentou com seus ensinamentos. Foi eneacampeão dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, campeão brasileiro e sul americano por equipes. Esteve no 1o Jogos Pan Americano de Tênis, em 1951, ano em que, aos 24 anos, também defendeu o Brasil na Copa Davis, em parceria com Alcides Procópio e disputou Roland Garros.

 
Por curiosidade, era canhoto e batia seu revés com duas mãos, o melhor golpe de nosso tênis na época (junto com a direita “flat” de Procópio). Não lembro ou conheço um brasileiro que o tenha feito antes dele. Além disso, era um gentleman, dentro e fora das quadras, o que não é pouco. Meu pai, que era ainda mais velho do que ele, era seu fã, assim como eu. Roberto nunca foi ou pensou no profissionalismo. Mas, pela paixão, “cansou” de ganhar torneios nacionais e internacionais de veteranos até alguns anos atrás. Foi-se o Roberto e eu pergunto. Se você não é de Bauru, ficou sabendo?

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