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Posts com a Tag Rafael Nadal

terça-feira, 19 de janeiro de 2016 Aberto da Austrália, Porque o Tênis., Rafael Nadal, Tênis Masculino | 19:19

Findáveis mágicas

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Porque El Rafa nao ganha mais os jogos que antes ganhava? A derrota, na 1a rodada, para Verdasco não podia ser mais exemplar. Em 2009, os dois se enfrentaram na semifinal do AO, em uma das mais partidas mais emocionantes que já assisti, com vitória do Animal, na bacia das almas, no 5o set. Para Rafa, foi mais uma de suas infindáveis mágicas vitórias – em seguida bateu Federer na final, em outra partidaça de 5 sets, levando o suíço às lágrimas. Quanto a Verdasco, tenho certeza que o cara nunca mais dormiu em paz – até esta madrugada.

Desta vez a história foi diferente. Na hora da onça beber água quem cresceu foi Verdasco e nao Nadal. E essa é a grande questão. Porque Rafa nao ganha mais essas partidas?

Desaprender não é o caso. Contusões também não acredito. O cara sempre jogou com dores e agora não está pior do que muitas vezes já esteve. Os outros melhoraram? Alguns sim, outros não, mas ninguém, a não ser Djokovic, o bastante para ser essa a diferença.

Ainda no 1o set, minha mulher, que é fã do rapaz, amuou e profetizou – ele vai perder. Não pus fé. Não vai não, eu disse. Bem, em breve ela deve começar escrever no Blog.

A derrota foi mais uma daquelas que, apesar de mais de 4hs de jogo, muita correria, pontos incríveis e golpes fantásticos teve um ponto onde tudo foi decidido. São aqueles pontos que quem conhece sabe, na hora, vai marcar na carne e tirar o sono de alguém. Quinto set, Nadal já liderando 2×0, e ainda com um break point no saque do Verdasco. Esse fica insano e começa a cuspir aces – três nos quatro pontos seguintes. Busca o game e mantêm o seu jogando como um possesso. Nao, desta vez não, pensou, não vou perder outra vez desse cara no 5o set na Austrália. No way, Jose. E assim foi.

E porque Rafa agora perde, não só seis games seguidos no 5o set, como esses jogos? Porque ele perde esses pontos, esses games? Antes, esses eram sua marca registrada. Na hora da decisão ele sempre encontrava a solução, sempre conseguia levantar o padrão, bombar a Confiatrix como nenhum outro. No more, Rafito.

Tenho em casa um livro do Gustavo Kuerten, assinado e com dedicatória. Nesta, ele fala sobre algo que eu disse a ele, quando ainda começando sua carreira profissional, que foi catar lá em sua memória, sobre o bem mais precioso que o tenista tem – sua confiança. Como uma flor, deve ser regada todo dia, cuida-la e, assim mesmo, se corre o risco de perde-la. Ele diz que sempre regou sua flor. Em algum lugar, em alguma quebrada da vida, numa esquina das dificuldades, Rafael Nadal se descuidou da sua. Ela ainda é viçosa, linda e exuberante como poucas no esporte, mas não é mais aquela que nos fascinava por sua exclusividade, raridade, algo nunca dantes vista por este que lhes escreve. Nesta vida nada é permanente, nem a confiança do cara mais forte mentalmente que já tive o prazer de assistir.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open | 14:09

Sansao.

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Eu havia lido que Rafa Nadal fora convidado para desfilar em uma escola de samba – a Viradouro. Enquanto dava minhas braçadas na piscina comecei a pensar como teria sido a negociaçao dos organizadores, com ele e com a escola, e como seria essa participaçao. Será que os nadadores ficam meio xarapos de tanto dialogo interno e contar ladrilho? Ou será que o ruim mesmo, emocionalmente, é ter break points e nao conseguir cacifar, sem contar as bolas que saem menos de um dedo, como poderiam ter entrado e nos feito feliz?

Quanto ao Nadal, será que iriam coloca-lo como destaque e engaiola-lo no topo de um carro, ou deixariam ele solto no asfalto? Será que tinha sido difícil convence-lo a encarar o samba no pé, naquela que é uma das maiores zonas organizadas do planeta, ou ele mesmo tinha tomado a iniciativa sem saber direito aonde estava se metendo? Afinal, o cara é um cú-de-ferro e tem um tio que é uma fera que odeia qualquer coisa que tire o foco de seu sobrinho do caminho da vitória. Convenhamos, sambar na avenida, ficar horas em pé, fora o dreno emocional, nao iria acrescentar nada ao seu tênis.

Quando vi Domingo que a chuva caia na avenida pensei com minhas raquetes se o espanhol iria encarar a avenida ou se ficaria no conforto maluco do camarote. Será que a possibilidade ficou combinada antes?

Por isso, quando abri a internet, porque desfile de escola de samba eu nao assisto, fiquei maravilhado e surpreso com a foto do Animal e um de seus patos favoritos, o laborioso operário David Ferrer com sorrisos do tamanho da Baia da Guanabara e os cabelos ensopados da chuva – e dane-se! Eu mesmo deve ter sorrido em ver tamanha alegria. Os rostos de ambos reluzia e explodia, transparecendo o entusiasmo que tao raramente sentimos, e demonstramos, em nossas vidas. Nunca vi o Nadal com tamanha felicidade estampada no rosto. Achei o máximo.

Nao assisti, nem sei como foi a farra de ambos; aliás, Gustavo Kuerten também entrou no cordao. Só sei que algumas de minhas dúvidas foram respondidas mais tarde quando li a coluna do meu amigo Sylvio Bastos –
http://www.foxsports.com.br/blogs/view/189271-um-nadal-diferente. Sylvio divaga e elabora se o espanhol nao está em nova fase – mais light – da carreira, aonde até uma farra no asfalto carioca tem espaço. Sylvio pergunta se Nadal está agora se dando ao luxo de se afastar, mesmo que pouco, de seus métodos, rituais e, digo eu, das amarras mentais e emocionais que possibilitaram que ele se transformasse no tenista mais forte emocionalmente da história. E, lembremos, Rafael Nadal sem essas amarras estará tao exposto e fragilizado como Sansao seus suas mechas.

Será? Nao sei. O tempo próximo irá dizer. Mas se existe lugar para isso começar, seguramente a Avenida Sapucaí é um deles.

Rio Open 2015 - Nadal no desfila das escolas de Samba

 

 

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segunda-feira, 31 de março de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 13:36

Pra dançar

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No final do primeiro game da final entre Djokovic e Nadal em Miami, enquanto Maria Esther nos brindava com comentários sobre os bonés distribuídos no estádio, a geradora de imagens da SporTV nos premiava com uma tabela de informaçoes sobre o saque de Rafa Nadal. Rafa tinha tido entao sua única chance de quebrar o serviço de Djoko, oportunidade que nao conseguiria reeditar pela resto da partida, detalhe que mostra a dominância do sérvio sobre o espanhol na partida definida em 6/3 6/3.

O que a tabela informava, trocando em miúdos, era que contra outros oponentes Nadal insistia em saques contra o revés, mesmo na vantagem. Contra Djoko, no Canadá (nao me perguntem porque esse torneio), onde Rafa vencera, este sacara basicamente fechado, nos dois lados. Além disso, com um pouco mais de atençao do fa do tênis, ele perceberia que recentemente, após aquela série de derrotas, Rafa passara a jogar mais “fechado”, tirando o angulo do sérvio. Ontem, pelo menos no início e em boa parte do jogo, a estratégia foi a mesma. O resultado foi uma das maiores tundas que Djoko aplicou no espanhol.

Aliás, a coisa está, momentaneamente, feia para Rafa. Sao três derrotas seguidas para Djoko sem fazer um set. Vale lembrar dois detalhes. Todas em quadras duras e nenhuma em Grand Slam. Anterior a estas derrotas, a vitória de Rafa aconteceu exatamente no US Open, também em duras. Mas isso é outra história.

Um fato me chamou a atençao ontem. Mas já volto a isso. O que me surpreendeu, e a Rafa também, foi como a estratégia do “fechado” nao funcionou. Alias, pelo contrário, facilitou a vida do Djoko.

Nao vou entrar nos detalhes, porque seria cansativo. O fato é que Djoko sabia de antemao e se preparou para a situaçao. Como? Aí que nao vou entrar. Mas volto ao que me chamou a atençao, que talvez abrevie a esplanaçao.

Novak parecia Federer. Como? Cool! Tranquilo, sem pressa, como se soubesse que estava por cima da carne seca e que teria respostas para tudo. No primeiro game, quando teve o BP contra, parecia que estava doente de tao parado. Nao! Ele tinha mudado a postura, a sintonia interior. A mensagem que ele enviava ao espanhol era: você quer tirar os meus angulos para que eu faça erros nao forçados? Esqueça!

Djoko colocou o espanhol para dançar. Só faltou ligarem os altofalantes e tocarem algum flamenco balear. Se passarem o replay, prestem atençao em um detalhe: enquanto Nadal fazia um estardalhaço com sua movimentaçao, com seus sapatos-tênis bramindo mais do que ratos no telhado, do lado do sérvio vinha aquela sonora placidez bucólica. Nadal era um desesperado atrás da bolinha, o outro lhe servia drills tal qual um técnico desalmado.

Sim, a estratégia foi por água abaixo, para nao usar metáfora mais agressiva, até por uma segunda razao, que explica ainda mais o campeao. Todas as vezes que Nadal tentou abandona-la, indo para seu golpe favorito, com sua direita cruzada agressiva, o contra ataque com aquele revés magnifico (que tal me emprestar?) era venenoso e impiedoso e a mensagem clara: “Bonitao, fica no meio mesmo porque se for aberto só piora”. Isso sem contar que quando o ataque era no forehand, Djoko imediatamente “achava” o revés do ibérico, conta que nao fecha para o espanhol.

No fim das contas foi uma aula que mexeu com a confiança do animal. No fim ele nem mais tentava, o que é totalmente fora de suas caracteristicas.

Agora vem a temporada de saibro. Como ficarao as estratégias nos próximos encontros – no caso finais? Será que a de Nadal voltará a funcionar – afinal no saibro a bola nao vem lhe “morder” com a mesma velocidade como na dura, o que é uma graaande diferença. Djoko manterá essa interessante postura cool? Com isso, no saibro, os pontos seriam intermináveis, a nao ser por um detalhe crucial; no saibro Nadal teria tempo de fugir para usar sua arma letal – o forehand – e ele colocaria o outro para correr. A ver. Djoko, ontem dormiu em paz. Rafa, nao vai pregar os olhos tao cedo. E o Tio Toni que comece a queimar os neurônios.

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#1 e #2 do mundo. Rivais por um bom tempo.

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terça-feira, 12 de novembro de 2013 Copa Davis, Masters, Tênis Masculino | 15:31

A diferença

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Pelo andar da carruagem Rafael Nadal corre o risco de um dia encerrar a carreira sem vencer o Masters. O evento nao tem o peso de um Slam, nem de longe, mas tem sua importância. A pegadinha é que ele é sempre jogado indoors e em quadra razoavelmente rápida. Alguns anos atrás, o Tio Toni já falava cobras e lagartos a respeito da escolha do piso, quando o evento ainda era na China. Agora, com Rafa já crescidinho, é o tenista que acusa a ATP de “nao deixá-lo ganhar o Masters”. Isso porque os caras nao colocam o evento em algum piso mais lento, o que ficaria mais a seu feitio.

É um pouco de cara de pau do espanhol. No saibro é que nao vai rolar, nao nessa hora da temporada. Após mais uma choradeira iberiana Federer afirmou que do jeito que está, está de bom tamanho, nao deixando a conversa se alongar. Fora que o evento em Londres é fantastico. E o Rio queria traze-lo para cá. Com a quebradeira do Eike ficou ainda mais impossível. O evento está definido que fica em Londres pelo menos até 2015, meses antes da nossa Olimpíada. É mais uma chance que perdemos.

O espanhol anda sem sorte, pelo menos nesse assunto. Se antes era Federer que nao lhe permitia ganhar, agora ele tem novo carrasco nas maos de El Djoko. Quando a quadra é rápida o espanhol ainda faz milagres, mas sempre fica faltando um.

Se antes era difícil bater o suíço, agora o sérvio tem o edge a seu favor. Nadal reclamou que o saque foi a diferença na final. Foi uma das. A diferença mesmo todos sabem, mas o espanhol nao vai ficar falando publicamente. Aquele revés com as duas maos, pegando o “ganchao” na subida e distribuindo para os dois lados da quadra é o que desequilibra a partida e a correria do espanhol. Ele deve ficar louco da vida com aquele antídoto ao seu melhor golpe. É mané, todos temos nosso algoz.

Desta maneira ficou bom para Djoko e Nadal, que deve ser, mais uma vez, a grande rivalidade de 2014. Nadal teve uma temporada inesquecível, especialmente após a contusao do ano passado, e Djoko conseguiu ter uma ótimo segundo semestre, coroando-o em Londres. Os dois vao chegar à Austrália hiper confiantes. E o sérvio ainda tem a final da Copa Davis, o que deve lhe dar ainda mais alegrias e confiança. A Sérvia é a favorita contra a Rep Checa, inclusive por jogar em casa.

 

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segunda-feira, 11 de novembro de 2013 Tênis Masculino | 00:28

Bom de análise

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Sao 22 derrotas e 10 vitórias de Roger Federer contra Rafael Nadal. Entao alguém ainda vai ter que me explicar, e convencer, de como fica a história de melhor da história. Mas isso é uma outra história e também nao tira os inúmeros méritos de Roger Federer, o maior deles sendo que o rapaz conquistou tudo que conquistou jogando um tênis elegante e de uma maneira que nos “engana” a todos nós tenistas – ele nos faz crer que é fácil jogar tênis.

Mas ele foi derrotado em dois sets e assim nao dá para escrever um Post só de elogios para esse fenomenal tenista que vive o crepúsculo de sua carreira de forma brilhante, como pudemos ver novamente na partidaça em que eliminou o assanhado argentino Delpo que, pelo tênis que vinha jogando, deve ter pelo menos sonhado em levantar o troféu em Londres.

E qual a crítica que tenho para fazer a Federer? Pensando bem é um pouco de cara de pau fazer crítica a Federer. Mas tenho que escrever um Post e o que me veio a cabeça é repetir o comentário que fiz à minha mulher durante a partida e que repeti à noite comendo uma japa com a família após pegar o maior sol durante a tarde. Deixo claro que é uma família de tenistas e sofasistas por alí nao há.

A crítica, e já tive a oportunidade, mais de uma vez, de fazê-la, é de Federer ser um tenista de muito pouca disciplina tática para um jogador de sua estatura. Às vezes chega a ser inacreditável o quanto.
Primeiro set, jogo parelho, Rafa tendo sua conhecidas dificuldades com as quadras mais rápidas e, por isso, errando mais do que seu normal. Mesmo assim ele chega ao ponto de sacar para o set no 5×4. O que Federer faz? Esquece o negócio de ficar retocando o topete, se concentra na tática e joga exatamente como um bom técnico desenharia na prancheta para ele vencer o espanhol. Nao deu outra – quebrou o Rafa, deixando tudo igual.

E o que faz o Boniton no game seguinte? Volta à sua galhardia que tange a galhardia que tange a soberba, joga fora a tática e passa a jogar como se tivesse do outro lado da quadra algum tenista de Futures. A coisa foi tao ridícula que chegou a ser bisonha no 15×15 quando o Boniton teve uma bolinha no meio da quadra, com Rafa caído para o lado esquerdo da quadra, e Federer decidiu jogar a bola mais juvenil da partida; um slice bem do sem vergonha, que picou no meio da quadra e na direita! do espanhol. A única possibilidade de ganhar o ponto ali era se o Rafa decidisse parar a bola com a mao, tamanha a surpresa pelo golpe. Como o espanhol nao é dado a cortesia tais em quadra, meteu-lhe uma passada na cruzada que deve ter deixado Roger sem saber de que lado passou. Dois pontos depois estavam ambos sentados em suas cadeiras onde Rafa teve tempo de repensar o valor do primeiro saque na quadra e acabar com o set. Porque a partida acabou naquele 15×15.

Após a partida Federer deu, pra variar, a sua manjada chorada de quando perde – especialmente para o Animal. Ele menciona o quanto fica surpreso e ver “o quanto Nadal joga bem, mesmo jogando tao atrás da linha de fundo. Mas esse é o tênis de hoje e parabéns a ele”. Aí vem a choradeira. “O fato de Nadal ser canhoto e ser tao consistente muda o padrao de meu jogo. Se você olhar a minha partida contra Delpo é um jogo totalmente diferente e tenho que fazer muitos ajustes para enfrentar Nadal. Nao é desculpa, mas o que acontece. Já ele joga igual, independente do adversário. Eu tenho que me adaptar”.

Ótima análise. Podia até escrever um Blog. Mas o fato é que ele é um jogador, e segundo ele mesmo deve mesmo acreditar, o melhor da história. Sua análise praticamente é uma confissao que nao é bem assim.

Das duas uma. Ou ele tem o tênis para vencer qualquer um com o tênis que joga, como diz que faz Nadal, ou teria que ter a humildade de se adaptar para enfrentar o maior rival. O que ele nao faz, e por isso seu blog já nao seria tao bom, é dar o devido crédito ao espanhol, que faz sim ajustes necessários, além de manter uma rigidez tática de deixar qualquer técnico sonhando acordado, tanto quando exigido pelo piso como pelos adversários. Só que ele faz mesmo, sem a menor cerimônia e sem o menor sinal de orgulho ferido. Ele faz para ganhar e ganhar ele faz.

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sábado, 2 de novembro de 2013 Sem categoria, Tênis Masculino | 20:03

Boquinha

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Alguém tem que me dizer como é que o operário Ferrer vai dormir esta noite e ter a clareza emocional para defender o título de Paris. A lista de ambições nao realizadas que o espanhol tem para sua carreira nao deve ser muita extensa após tantas celebraçoes. Com certeza, após ganhar Paris no ano passado, seu primeiro Masters 1000, era uma delas. Estar entre os top10 e ajudar seu país a vencer a Copa Davis sao metas conquistadas. Chegar ao topo do ranking acredito que nao seja algo que julgue possível, apesar do abnegado ser o atual #3 do mundo, algo que já pode ser classificado como uma tremenda conquista para um tenista com suas limitaçoes técnicas, o que nunca lhe serviu de restriçao mental. Ficamos com conquistar um Grand Slam, difícil, bem difícil, até mesmo em sua cabeça, mas, o conhecendo, nao impossível. Duro mesmo era mesmo seu histórico contra seu amigo e arquirival Rafa, o que lhe impossibilitava de sonhar mais alto, especialmente nos grandes cenários.

Os dois se enfrentaram, antes da semifinal de hoje, 28 vezes, com 24 vitórias de Rafa. Sendo que três vitórias do operário vieram no início da carreira de Rafa e ultima, em 2011, nas quadras rápidas do Aberto da Austrália com Rafa um tanto baleado. Interessante que após essa partida se enfrentaram nove vezes consecutivas em quadras de saibro, todas com vitórias de El Rafa. Se tinha alguma coisa que o operário queria na vida era pegar seu “amigao do peito” em uma quadra rápida, e duvido que tenha alguma mais rápida do que a de Bercy, e lhe enfiar dois sets goela abaixo. Isso ficou, para quem quis ver, claro durante a preleção do juiz de cadeira durante o sorteio, quando ambos tenistas ficaram pulando, um de cada lado da rede e cara a cara, em uma cena que mais parecia uma dança bem ensaiada com promessas melhor nao verbalizadas. Pela intensidade com que pulou por ali Ferrer mostrou que estava com o saco cheio da freguesia. Naquele momento, minha mulher, que é “vamos rafa” até debaixo dágua virou pra mim e sentenciou – “hoje vai dar Ferrer! E vou torcer pra ele”. Êta boquinha linda.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013 História, Tênis Masculino | 20:02

Prioridades

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A maior novidade da semana é Rafael Nadal voltar ao topo do ranking mundial, de onde saiu em Julho 2011. Já era esperado e era uma das prioridades do espanhol. O outro lado da moeda é que existe uma chance, não tão remota, de que Roger Federer fique fora do Masters de Londres.

Esta semana Nadal joga em Xangai e tenta ser o 1º tenista, a vencer seis Masters1000 em uma temporada. É bom lembrar que esse negócio de Masters 1000 já mudou mais de nome e de torneios do que eu de canal com o controle na mão. Este ano ele está com 29 vitórias e uma única derrota nos Masters1000. Não dá para colocar um adjetivo nisso, mas explica porque de ele voltar ao topo do ranking. Além disso, venceu dois de quatro Grand Slams. Ainda acho que os cinco títulos de seis nos Masters 1000 são mais impressivos. Em Julho, o falastrão Ivan Lendl dizia, para quem quisesse ouvir, que o pupilo MalaMurray era o melhor da temporada. Sei.

Federer, com 3055 pontos, caiu para 7# do ranking. Seu companheiro Wawkinka (2970), os franceses Gasquet(2950) e Tsonga(2650) e Raonic ( (2680) estão em seu cangote. O suíço se classificou pata todos os Masters Cup (outro evento que muda de nome adoidado) desde 2002. Imagino que ficar de fora deste ano estragaria as férias do Bonitão. Eu sei que o rapaz não deve mais ter grandes sonhos de voltar a ser #1 do mundo – se perguntarem ele dirá que sim – mas também não deve fazer parte, ainda, de seus planos de sair da matilha dos cachorrões.

Ontem ele declarou que está voltando à forma. Não duvido que jogue bem em Xangai – os chineses o adoram e a quadra por lá é sempre rápida, o que lhe ajuda bastante. Mas o fato de aceitar jogar duplas com o chinês Ze Zhang, atual #271 em simples e #438 em duplas, diz claramente que as prioridades do topetão estão mudando. Ao mesmo tempo em que não é difícil pensar que os chinas podem ter-lhe dado um pato de Xangai estufado de verdinhas para tal condescendência, Roger pode simplesmente estar abraçando com mais fervor a causa de embaixador do tênis mundo afora. E esse tipo de ação pode fazer maravilhas pelo esporte e os tenistas quando estão priorizando os resultados tendem a ficar longe delas. Vamos ver o que mais virá pela frente.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:47

E a pimenta?

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O assunto já foi tema de mais de um dos meus Posts. Nos comentários na TV eram ainda mais frequentes. Imagino que qualquer pessoa que acompanhou o tênis nas ultimas décadas deve pensar da mesma forma.

O tema virou assunto novamente por conta de recente artigo escrito por Pat Cash para um jornal. Cash, australiano que venceu Wimbledom era um tenista quase que exclusivamente de saque/voleio. Sempre flertou com a contra mão – dentro e fora das quadras, durante e após a carreira. Sempre foi visto como um crítico. Às vezes sem razão, às vezes com.

Com todo o tato que os anos lhe concederam, ele agora critica a homogeneização do tênis, salientando que jogadores como Nadal e Djokovic têm, no entanto, inúmeros méritos – físicos, técnicos e mentais. Porém, apresentam um tênis unidimensional, sem nuances, colado no fundo da quadra.

Não sei mais onde as palavras de Cash terminam e onde começam as minhas, já que vemos a mesma coisa, sem que o assunto me incomode tanto quanto a ele.

O tênis mudou muito nos últimos anos. Essa mudança maior começou, como já escrevi e falei inúmeras vezes, com a parceria de Mark Miles, como presidente executivo da ATP e o tenista Alex Corretja, como presidente da ATP.

Na época, o tênis beirava o precipício do ponto decidido em uma ou duas bolas. O saque era o grande diferencial e o Tênis era um jogo de muito saque, muitas devoluções, certas ou erradas, poucos voleios e quase nada mais, durante boa parte da temporada, com exceção da temporada sobre o saibro. Era a dominância da cultura tenistica americana. Corretja foi o primeiro presidente fora da área de influencia dos americanos e o pessoal de fora tinha suas próprias ideias sobre o circuito há anos.

A partir dessa parceria o tênis toma outra forma. Os pisos são equalizados para serem mais lentos. As quadras de carpete começam a sumir do circuito. São substituídas, quando no circuito indoors, que ia de Setembro a Abril na Europa e EUA, por pisos semelhantes aos já mais lentos pisos duros. Isso foi minando o reinado dos sacadores/voleadores e homogeneizando o tênis.

Ao mesmo tempo, os tenistas ficam mais fortes e, principalmente, mais rápidos, cobrindo melhor o fundo da quadra. Os golpes de fundo vão ficando mais técnicos e muito melhores, a esquerda com as duas mãos vira quase que padrão, dá qualidade ao contra ataque, dificultando a vida do voleador.  As raquetes e os encordoamentos facilitam a vida dos tenistas desse estilo. Isso faz com os tenistas que estão sendo formados foquem seus arsenais no jogo de fundo, sacrificando o de rede. Tornam-se “cegos” junto à rede. Os singlistas jogam menos e menos duplas e tem cada vez menos contato com a rede e os voleios. E, quando jogam, vários, como, por exemplo, Nadal, sacam e ficam atrás. Em pouco mais que uma década o tênis mudou radicalmente.

Hoje o padrão são Nadal, Djokovic, Murray etc. Federer, por outro lado, era um verdadeiro “all around”, sem dúvida a razão maior de ser tão querido por quem acompanha o tênis a mais tempo. No entanto, para sobreviver, teve que se adaptar. É só entrar no You Tube e assistir a vitória dele sobre Sampras em Wimbledon, o canto do cisne do Tênis multifacetado. Nadal, Djoko etc nem em sonhos podem ter uma vitória como aquela.

Ficou chato? Eu não diria isso. Ficou menos interessante? Não necessáriamente. Ficou menos emocionante. Não.

Mas, eu digo, sem pestanejar, falta algo. Falta alma. Falta variação, a pimenta.  Falta a essência do tênis, que é o que o voleio sempre foi, até porque foi criado para jogar na grama, onde o quique é péssimo. O melhor cenário seria a volta da cultura do voleio, sem perder o que se melhorou e se ganhou no fundo da quadra. Um tenista mais completo, que pudesse ir à rede com mais frequência e sem temores. Até porque seria melhor voleador do que se vê por aí. Imaginem os confrontos de estilos dentro de uma mesma partida.

Tenistas que investissem e, consequentemente, melhorassem o jogo de rede, para chegar aos padrões atuais do fundo de quadra. Tenistas que desenvolvessem o instinto de para aonde vai a passada e desenvolvessem a “mão” para acariciar uma bola junto à rede, com um Stepanek, um dos últimos moicanos, sabe fazer – talvez a razão de seu sucesso com as tenistas(atualmente está namorando a Kvitova).

Hoje os caras deixam passar bolas que a minha avó não deixaria passar, simplesmente porque não acreditam que possam colocar a raquete. Talvez pior; tenham receio de colocar e não saber o que fazer. Ao primeiro erro se acovardam e só voltam naquela direção para trocar de lado.  Aquele Isner é um aborto da natureza; tem mais de 2m, não sabe volear e as bolas passam por ele como se não tivesse envergadura ou reflexo junto à rede. Imaginem se soubesse.

Deixo aqui a mensagem. O tenista do futuro, se Deus for benevolente com os fãs do esporte dos reis, será rápido, veloz e ágil junto à rede, como hoje o são no fundo da quadra. Poderá até ser alto, mas não um poste. Terá voleios na mesma qualidade dos atuais golpes de fundo – e eles nunca foram tão bons na história do tênis. Saberá equilibrar o uso de ambas as qualidades para formar um atleta mais denso, rico, empolgante, surpreendente, emocionante. Eu mereço ser feliz.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013 Tênis Masculino, US Open | 22:51

Houdini e o Mágico

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Deixei de ir jogar tênis, algo perene marcado para as 2as feiras, para ver a final. Nenhuma novidade. Só jogo foi bom enquanto durou, só que só durou até o 4×4 no terceiro set. O fatídico game, pelo menos para Novak Djokovic.

O sérvio teve entao 0x40 no saque de Rafa Nadal, para quebrar e sacar pelo set no 5×4, após em momento tenso quando Nadal, no 0x15, tropeçou e se estatelou no chao sem conseguir bater na bola. Levantou como um relampago, ao contrário de outros que fariam um dramalhao. Perdeu próximo ponto e, como um super campeao, encarou o momento mais dramático e decisivo da final.

El Djoko deixou escapar. E essas marcadas custam caro. Mais caro do que no placar é o custo no emocional e no mental dali para a frente, se nao se estiver preparado para o perdao e para a luta. Quando o game igualou, os dois sabiam que ali as fichas, de repente, ficaram beeeem altas. O sérvio deu aquela encolhidinha e o espanhol deu aquela crescida – e como esse cara é ESPETACULAR. É assim que se escrevem as páginas da história do tênis; nos detalhes, naquele extra que um consegue impor ao outro. No Tênis nao tem conversa. Nao tem empate. Um vence, o outro perde. Ao vencedor as batatas.

Depois daquele fatídico game El Djoko deu uma de Houdini e desapareceu da quadra. Dos nove games seguintes ele só fez um. É muita piraçao para uma final. Nem se pode dizer que Nadal viajou na confiança. Na verdade, no 4o set jogou mais para o feijao com arroz do que para o padrao que vinha jogando. Mas se o adversário tomou Pirol, reza o  bom senso que nao é hora de ficar arriscando cobras e lagartos e sim levar o cavalo à faixa de chegada e correr para o abraço. E foi isso que o Animal fez. Levou o jogo nas pontas dos dedos.

Djoko já esteve mais forte mentalmente. Uma de suas características, assim como do rapaz que estava do outro lado da rede, é administrar como muitos poucos na história frustraçoes e decepçoes. Assim, com a final de hoje, quem se decepciona também é o fa do sérvio, que nao está habituado com essas entregas da rapadura por parte do Novak.

Insisto, pela qualidade apresentada por ambos até o fatídico nono game do 3o set o jogo prometia como mais um dos fantáticos jogos que ambos já realizaram. E nao tem tititi de cansaço físico – o escorregao foi mental, algo que, isto sim, vai demorar um tempo do sérvio se perdoar – mas agora o feijao está no chao e a grana em Maillorca. E o Animal, mais uma vez, mostrou como se faz um banquete com feijao com arroz – é um campeao. É O Magico!

 

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013 Sem categoria | 12:50

Encantos

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O Tênis ainda tem uma ou duas cartas na manga para nos encantar. E, com certeza, não estou me referindo ao óbvio, aquilo que excita e encanta o fã deste ou daquele tenista. Mas isso é conceito que foge a boa parte dos fãs do tênis – eu me excito muito mais com o jogo do que com o tenista. Apreciar sim, respeito também, encanto, pelo jogo.

Nos últimos dias tivemos alguns confrontos bem interessantes, desde Robredo e Federer, pela excepcionalidade de ambos; Youzhny e Hewitt, um espetáculo de raça expondo o melhor da competitividade do tênis, tendo como protagonistas dois tenistas que já passaram de seus ápices tenisticos, e as vitórias do francês Richard Gasquet, sobre Raonic e Ferrer, ambas em cinco sets, ambas mostrando, depois de muita espera, um perfil que não mais esperávamos desse talentoso tenista.

Não seria arriscado dizer que Hewitt dá suas últimas respiradas no circuito, apesar de que sua excepcional exibição em Nova York deve ter sido somente um preâmbulo do que pretende para o Aberto da Austrália. Logo após esse evento ele completa 33 anos e alguém tem que me dizer como é que esse cara, que já passou por cinco cirurgias, pretende continuar correndo atrás das bolas da maneira que faz e seu estilo exige. Pouca surpresa seria se anunciasse a aposentadoria após o evento da casa. Mas o que vai um competidor como esse fazer sem uma raquete nas mãos achando que ainda há um lugar nas quadras para sua espécie?

Mais interessante ainda tem sido o caminho de Gasquet no U.S. Open. Mesmo sendo o atual #9 do mundo, a expectativa sobre o francês sempre foi maior do que ele entregou em quadra. Com uma esquerda daquelas o cara faz a gente sonhar alto. Ele é um dos raros tenistas que encanta pela esquerda com uma mão e dos raros que ganham jogo por conta desse golpe – o outro é o Wawrinka.

No entanto, ele nunca nos encantou pelo seu emocional nem pelo mental, deixando com que ambos ficassem entre ele e a grandeza. Quantas vezes pensávamos – agora vai – assistindo ele fazer misérias em quadra por conta de seus talentos, só para ver o rapaz naufragar nas suas fraquezas e carências? Até o jogo em que bateu Raonic, 7/5 no 5º set, ele, em 11 oportunidades, havia fracassado em cada vez que chegara à quarta rodada de um Grand Slam. Era uma estatística que devia tanto lhe atordoar como lhe afundar na cova rasa dos que nunca chegam à grandeza – afinal é GRAND Slam por alguma razão.

A vitória sobre o canadense deve ter aberto uma porta em seu coração que sua mente não mais acreditava estar lá. Ganhar um jogo desses, às portas do tie-break do 5º set, quando seria ainda mais confortável para o oponente, um grande sacador, exige força mental. Com certeza foi para o hotel acreditando que um novo Richard havia nascido.
A prova desse milagre veio logo em seguida. Sua retrospectiva contra Ferrer era de 1 vitória em 9 jogos – e agora seria em uma quartas de final de GS – não muito promissor. Mas havia um novo Richard por aí e o que ele fez em quadra nos dois primeiros sets foi o bastante para qualquer exigente fã do tênis aplaudir, pedir licença, levantar, ir pra casa, pegar a raquete e se inspirar para suas próprias raquetadas. Não é todo dia que somos brindados com tais encantos em uma quadra.

A esquerda dele segue sendo uma das coisas mais bonitas em quadra, e aí também estou considerando até maravilhas como o rosto da Aninha e as pernas da Flavinha, entre outras cositas também técnicas. Como ele mesmo disse “quando estou sacando bem e a minha esquerda está afiada, eu me sinto confiante para qualquer vitória”. E a direita, esquisita, para pouco dizer, também pegou carona e fez barbaridades. Isso sem dizer dos voleios – ahh, como eu sonho para que os voleios voltem a ser um golpe de desequilíbrio novamente. O rapaz deu até uma zigzira de voleio de esquerda esticado, que voltou à rede antes do segundo quique, e o cara de pau do Ferrer ainda tentou devolver.

Tenho minhas dúvidas sobre seu confronto com Nadal. A começar que suas pernas não estarão como precisariam após Raonic e Ferrer. Não dá para ignorar também o fato de que em 10 vezes que se enfrentaram, adivinhem quantas o francês venceu? É isso mesmo que você pensou. Alias, desde 2008, nos últimos cinco jogos, adivinhem quantos sets ele venceu? Mas o mundo dá volta e dizem que tudo volta ao início. Eu não aposto nisso, mas deixo aqui um vídeo que será, no mínimo, interessante.

http://www.youtube.com/watch?v=KzKuv4j67aw

 

 

 

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