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domingo, 18 de novembro de 2012 Copa Davis | 23:01

Herói caseiro

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Adoro Copa Davis. Ela tem o poder de florescer em alguns indivíduos algo que por si só não conseguem encontrar no fundo de sua alma, até porque a maioria esmagadora não tem ideia das profundezas possíveis. Felizes os que conseguem, e estes são os heróis verdadeiros, e infelizes, por vezes desgraçados, os que não conseguem.

Infelizes são os que vagam pelas quadras como almas penadas, cumprindo o que o destino traçou, conforme a dose generosa, ou não, que lhe foi cedida de talento e de espírito. Na categoria dos infelizes coloco os que têm um, ou o outro, componente, carecendo mais do segundo e tendo mais do primeiro.

Desgraçados são aqueles que têm o talento e carecem do espírito. E desses existem aqueles que têm a consciência dessa carência e sofrem por isso, assim como temos os que fazem tal esforço para camuflar essa carência, que acabam por acreditar nessa realidade paralela onde eles se colocam acima do bem e do mal e agem como se nada os tocasse. Passam as entrevistas, e por vezes a vida, mentido para si mesmo e para todos os que lhe cederem os ouvidos. Se forem carismáticos ou bons mentirosos, e alguns são ambos, muitas vezes tentando vender a imagem de heróis com pés de barros, enquanto a maioria crédula crê no conto do vigário.

A final desta histórica Copa Davis – a centésima – teve personagens para todos os gostos. David Ferrer foi o herói tombado. Jogou com coragem e determinação, ambos do sei feitio, honrou a responsabilidade colocada sobre seus ombros com a ausência de Rafa Nadal, mostrou aos companheiros como deve ser feito, não perdeu um set sequer e viu seus esforços morrerem na praia.

Nicolas Almagro foi Nicolas Almagro. Um tenista talentoso, com recursos e frio. Desde de que o vi se encolher e praticamente entregar uma partida para Nadal em Paris nunca acreditei em seu espírito. Tremeu, mas não tremeu tanto. O que lhe faltou foi determinação e vibração. Sua postura, a mensagem que enviava, era de que se der deu, se não der ..deu. Pois é.

O técnico Alex Corretja pagou o preço por ter apostado em Almagro. Tinha a opção de colocar Feliciano Lopes no time e tirar Almagro. Acreditou no ranking do rapaz e desconsiderou os fatos de que Feliciano já estivera em uma final na casa adversária, contra a Argentina, onde venceu as duplas e bateu Del Potro em quadra semelhante a de Praga. Alex não dorme esta noite.

Ainda entre os espanhóis, Marc Lopez vai continuar sorrindo como sorriu durante, e mesmo depois do jogo – sabe que a culpa da derrota nas duplas não será jogada sobre seus ombros. Granollers, que, e aí o mais inacreditável, simplesmente acabou com o jogo no primeiro set, entrou em parafuso a partir do segundo set, perdeu a confiança e enterrou o parceiro e o time.

Entre os checos, aos vencedores as batatas. Foi um time de dois tenistas do começo ao fim do torneio.

Thomaz Berdich vacilou, mas levou. Ganhou o que tinha que ganhar, contra Almagro, e foi apertado, ganhou as duplas que era um jogo aberto e onde dividiu a responsabilidade com Radek, o que é sempre bom, e perdeu o grande jogo do confronto – o pega dos cachorrões do 3º dia.

Particularmente pensei que Navratil poderia ter colocado o Rosol no 1º dia, contra Ferrer e o liberado para dar porradas, a torto e a direito, sem responsa e sem medo de ser feliz, assim como fez contra Nadal em Londres. Não quis ou o Stepanek não deixou. Fiquei com receio que o galã não tivesse pernas no terceiro dia, especialmente em um possível quinto set. Seria interessante guardar o Radek para as duplas e o jogo final. Isso poderia ter custado o sono do Navratil, mas o Almagro é um amigão.

Bem mais do que isso, Navratil apostou no seu jogador. Apostou nos quase 34 anos de Stepanek e a experiência em consequencia, apostou nas inúmeras vezes que Radek fechou um confronto de Davis, por conta de sempre jogar atrás do Berdich, apostou no estilo, na personalidade, no espírito do galã. Vai dormir como um anjo.

Quanto ao Galã de Praga, colocou seu nome do olimpo do tênis tcheco, o que não é pouco. Não fez nada que não sabe fazer, mas não deixou de fazer tudo o que sabe, ao contrário dos outros, menos Ferrer. Sabia que era o jogo de sua vida, de sua carreira, que deve, a qualquer momento, encerrar. Nas simples, se quiser, porque duplas pode continuar ganhando por anos, se quiser.

Fez o que todo tenista sonha. Jogar, e ganhar, uma final de Copa Davis na frente de seu público. E mais, oferecendo uma performance digna de um campeão, que sentiu medo, como todos sentem, o dominou, porque a determinação, a coragem e o espírito eram maior do que o temor, e, por conta disso, conseguiu jogar, do começo ao fim, o que é ainda mais difícil e a ser aplaudido, em um padrão e maneira que só os heróis conseguem.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012 Copa Davis, Tênis Masculino | 21:35

A final da Copa Davis – Rep. Theca x Espanha

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Nesta 6ª feira começa a 100ª final de Copa Davis, o que fala alto sobre a tradição e importância da competição. Será uma final histórica, pelo numero redondo, acrescentando à importância das grandes finais já jogadas, naquela que é a minha competição favorita no esporte – nada se compara a um confronto de Davis. Uma final só o faz ficar ainda mais interessante.

O confronto entre Rep. Checa e Espanha é uma reedição da final de 2009, quando os espanhóis usaram e abusaram, no bom sentido, da vantagem de jogar em casa e massacraram, pelo menos no placar de 5×0, os adversários. Os tchecos insistem publicamente em não falar sobre vingança, mas conhecendo os envolvidos e o espírito competitivo da Davis é isso mesmo que eles têm na mente e no coração. Os espanhóis tem know-how de sobra na competição, inclusive como visitante, mantendo os antigos capitães por perto para acrescentar à esse know-how.

Os espanhóis são liderados pelo capitão Corretja, que bateu Gustavo Kuerten em partida decisiva da Davis em 98, em Porto Alegre e, dentro de quadra, por David Ferrer, dois ótimos competidores para se ter ao seu lado. O segundo tenista será Almagro, que Corretja escolheu sobre Feliciano Lopez, que foi preterido nesta quinta-feira na hora do sorteio um decisão que, imagino, difícil, já que Feliciano tem experiência positiva de final com o seu na reta, enquanto Almagro é, diríamos, Almagro. A dupla será os surpreendentes Lopez/Granollers que, na semana passada, venceram o Masters, o que deve ter lhes dado imensa confiança. Aliás, mais uma vez, eu diria que as duplas, que deve ser um partidaço, pode definir o confronto.

Os tchecos são liderados pelo atual 6º do mundo, Thomaz Berdich, um tremendo tenista, de mão pesadíssima, não conhecido por ser um grande tenista em grandes momentos e que vem mudando, de alguma maneira, essa escrita nas ultimas duas temporadas. O 2º é o popular galã de Praga Stepanek, um tenista diferenciado pelo estilo, um dos últimos mestres do jogo de rede, uma delícia de assistir, apesar de ser uma mala-mór em quadra. A dupla é uma pseudo incógnita mantida pelos donos da casa. A dupla escalada pelo técnico Navratil é Minar e Rosol, mas aposto todos os meus chocolates que não entram juntos em quadra no sábado. Se tudo correr como esperado, no sábado jogam Berdich e Stepanek dois tenistas que se entendem dentro e fora das quadras.

Como perceberam, falta aí o animal Nadal, que mais uma vez fica fora de uma final da Davis, o que fala sobre as dificuldades do tenista com os fins de temporada.

Os espanhóis têm 5 títulos na competição enquanto os tchecos tem somente um. Dos 5 títulos, três foram nos últimos quatro anos e todos nos últimos doze. A Tchecoslováquia venceu em 1980, em casa, liderada por um Ivan Lendl de 20 anos, que estará presente nesta final dando uma força aos compatriotas.

Na 6ª feira, Ferrer enfrenta Stepanek, em uma partida que não pode perder. Logo depois, Berdich enfrenta Almagro, e também não pode perder, especialmente depois de declarar publicamente que Almagro é o elo fraco do time espanhol. No domingo os oponentes são trocados. Os espanhóis não tem lá um tenista muito confiável para entrar no domingo, a não ser que precisem, ou queiram surpreender com Granollers. Os tchecos também, a não ser queiram colocar um tremendo grilo na cabeça dos adversários, escalando o maluco do Rosol, que eliminou Nadal em Wimbledon, uma possibilidade mais viável, pelo estilo do rapaz, algo que, acredito, só acontecerá na 5ª partida, ao entrar no lugar de Stepanek, contra Almagro.

O confronto começa na 6a às 13h, na SporTV, que anunciou a transmissão. Na sábado as duplas às 10hs e no Domingo às 9hs

Os tchecos parecem confiantes…

os espanhóis também.

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sábado, 24 de março de 2012 Light, Minhas aventuras, Tênis Masculino | 14:18

Desolado

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Fui ontem para a Quarda 1 cheio de expectativas – nunca algo positivo, dizem os zen budistas, repletos de razão – para acompanhar a partida de Tommy Haas e o Galã de Praga Stepanek. E expectativa era de uma partida com um formato que não existe mais. Dois voleadores de mão cheia, habilidosos de primeira grandeza, talentos que não conseguiram brilhar como outros menos favorecidos nos primeiros quesitos.

A partida foi um deleite, especialmente no 1º set, decidido no TB. O jogo foi decidido nos dois primeiros games do 2º set. No primeiro Haas teve quatro chances de quebra sem conseguir cacifar – méritos do oponente. No segundo game, Haas teve 40×15, deixou o Galã voltar no game e, após várias vantagens de ambos os lados, ter o saque quebrado.

Após esses dois games o espírito do alemão foi aleijado. Mas, até ali, o que apresentaram foi para assistir de joelhos, especialmente no meu lugar, a um metro da quadra e ao lado do frustrado técnico do alemão. Foram voleios magníficos, bolas surpreendentes, inventivo uso do contra pé, a esquerda maravilhosa de Haas, a antecipação magistral de Stepanek e todo um repertório cada vez mais ausente das quadras, para minha completa desolação. Para completar, só faltou mesmo as respectivas esposas, que não estavam no reservado, mas duvido que estivesse longe.

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011 Tênis Masculino | 12:20

O mágico

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Radek “O Galã de Praga” Stepanek sempre foi um tenista diferente. Tanto pela aparência, como pela fama, entre as mulheres e seus adversários, que não o enxergam pelo mesmo prisma, e, o que mais importa, pelo estilo do tênis jogado.

Boa parte das vezes os comentários são sobre suas mulheres, inclusive a atual, Nicole Vaidisova, uma tenista que era uma das maiores promessas do tênis mundial, pelo menos na cabeça de muito “expert” por aí, como pelos resultados prematuros obtidos. Mas a moça era de uma obtusidade em quadra de dar pena – um dia a casa caiu.

Entre os adversários ele não é exatamente amado. É um daqueles tenistas provocadores, que fica tentando desestabilizar o adversário o tempo todo. A maior parte do tempo o público não nota, mas a enxurrada de quebras de regras éticas em quadra acaba por encher a paciência de qualquer um. Geralmente tenistas com características similares são os que mais têm questões entre si.

Como eu não gosto de homem, nem estou no circuito, não me faz muita diferença nem uma nem outra de suas características secundárias. Gosto de vê-lo jogar, por uma razão muito simples. É o melhor voleador do tênis atual – é o único capaz de me fazer sentir saudades dos voleios de Stefan Edberg. Sabe exatamente o que fazer e como executar os voleios. Muita graça, pouca força, ângulos na dose certa e a magia do reflexo junto a rede.

Há algum tempo deixou de ser o jogador perigoso que era e saiu dos top 50 pela primeira vez em oito anos, feito que não é para muitos. Talvez por conta da mononucleose que o afastou por dois meses, talvez pelas distrações do casamento, talvez o 32º aniversário, todos no ano passado. Talvez pela somatória.

Mas, na semana passada, em Washington, ele conquistou o quinto título de sua carreira quando seu voleios voltaram a funcionar e seu tênis voltou a ser agressivo e regular o bastante para bater o “mano” Monfils na final, por sonoros 6/4 6/4, um resultado que não deixa duvidas. O “galã” está de volta e ainda tem algumas mágicas para mostrar.

Radek – o mágico.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 Light, Tênis Masculino | 14:53

Pachorra

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Há alguns anos os dirigentes do tênis vêem diminuindo a velocidade do tênis, através das bolinhas e pisos, enquanto que os tenistas caminham na direção oposta, ficando cada vez mais fortes, rápidos e altos. Sem falar das novas tecnologias em raquetes, que tornam os petardos em quadras ainda mais fortes e controláveis.

Um dos exemplos dessa luta inglória dos dirigentes é o croata Ivo Karlovic que, de cima dos seus 2,08 m de altura, teve a pachorra de sacar 78 aces em partida de Copa Davis contra o Galã Stepanek, um recorde, e a pachorra ainda maior de perder a partida. Provando, acho, que deus não dá asa a cobra, ou algo assim.

Pachorra teve também um sujeito na internet que editou e postou o vídeo com os 78 aces, em seguida, do croata, que sacou exatamente metade em cada lado do adversário. Saque no corpo? Nenhum. Se você quer ver o quanto pode ser melancólico um jogo de aces de uma olhada no vídeo.

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