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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015 Aberto da Austrália | 18:29

Doeu?

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Recebi uma provocação do Andre Sá via twitter. O rapaz quer saber o que acho sobre as “milongadas” do sérvio Djokovic na final. Nao escrevi ainda sobre a final e aproveito o cutucao para me mexer.

Vou escrever sobre as milongas sérvias, mas deixou claro que nao acredito que seja por isso que o servio venceu. Quando muito foi por isso que o MalaMurray perdeu; mas aí sao outros quinhentos.

Os dois primeiros sets fizeram promessas que o jogo nao pode cumprir. Até porque entraríamos em uma possível final de sete horas, algo sem precedentes. Os dois tenistas jogaram o fino do tênis, em nível de competitividade, atleticismo e técnica raramente visto. Digno de uma final e de nossas expectativas. Pensei em dar um pulo na piscina após o TB para dar aquele “bom dia”, mas conheço o meu gado. Esperei os primeiros games do 3o set para ver para onde a coisa iria.

Nenhuma surpresa Djoko perder um pouco a concentraçao por instantes, após deixar escapar um 2o set disputadíssimo onde teve suas chances, e junto perder o seu serviço. O estranho foi o que aconteceu em seguida. Todo mundo, menos aquela fanática torcedora do Djoko, sabe que o rapaz adooora dar umas milongadas. Muito antes de nós sabe o Murray, que o conhece desde os 12 anos. Por isso a surpresa do escocês cair no velho truque “ops, senti alguma coisa e quase caí no chão como um aleijado, mas daqui a dois games vou sair correndo, dar porrada para todos os lados e te pegar desprevinido para virar o jogo”. O pior é que ele faz essa encenaçao tao mal que chega a ser ridículo hilário. Só continua por que alguns ainda caem.

De verdade o Murray se distraiu com as macaquices do rapaz, segundo declarou, mais de uma vez, na entrevista após ser perguntado de várias maneiras pela imprensa. Sempre sem ser agressivo ou incriminatório. Nao que ele achasse que o cara estava contundido ou morrendo. Simplesmente deve ter pensado; esse cara vai tentar novamente essa baixaria? É, o cara tentou, você piscou, se distraiu, perdeu a vantagem, se enfureceu em ser tao patinho e nao conseguiu voltar ao mesmo nível de concentração. Adios título em Melbourne.

A imprensa pegou no pé do rapaz que, como sempre, se fez de morto e surpreso: quem eu?? Passei mal, essas coisas acontecem etc.

Convenhamos. A atitude é tao pueril – esse truque se faz no infantil ou na 4a classe e aquele pessoal já nao está mais caindo. Atrapalha? Sim, mas também nao é nada assimmmm. Até Kuerten pedia atendimentos a fisioterapeutas em momentos cruciais de Roland Garros ( e nao me refiro após ele ter tido a contusao que, com certeza, doia muito), mas sem apelar para “mancadas” e cara de quase desmaio. As baixarias que McEnroe, Connors e outros eram bem piores e cafajestes. Insisto, o Murray perdeu o jogo porque se enfureceu por ter caído como patinho, perdido a concentraçao e a vantagem de 2×0 no início do 3o set.

A partir daquele momento Djoko nao “sentiu” mais nada, e nem precisou. O outro se auto flagelou até o fim da partida como se tivesse 12 anos e ele jogou como o melhor do mundo. Isso nao quer dizer que Djoko nao chamasse o fisioterapeuta se a coisa nao funcionasse logo de cara e entao fizesse cara de quem iriam morrer em dois minutos enquanto ficasse deitado na quadra. Ou pedido para ir ao vestiário “se alongar”, ou retocar a maquiagem como as garotas cansam de fazer.

É isso aí Andre. Ja ví, já vimos, isso antes, por parte do Djoko e de outros, e outras, também. Nao é, nem de perto, das piores coisas que alguém pode aprontar em quadra. É idiota e assim deveria ser tratado. Ignora e aproveita para fazer mais uns games em cima do cara, ou pergunta, bem alto e com um sorriso cínico no rosto, se o cara vai morrer agora ou mais tarde. O resto é uma bobagem que um verdadeiro campeao nao se permitiria cair em uma final de GS, e, quiçá, segundo o padrao ético da pessoa, algo que um campeao também nao recorreria para vencer.

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domingo, 18 de maio de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 16:44

Recursos

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Rafael Nadal vai ter que fazer das tripas coraçao para vencer o Aberto da França que se aproxima. Apesar de ser um verdadeiro mágico, um guerreiro inigualável, eu tenho minhas dúvidas se ele conseguirá ficar com aquele título. Se conseguir será o seu mais respeitado título em Paris por conta das atuais circuntâncias.

Ele vem vencendo jogos na bacia das almas, mais por conta de seu espirito indômito do que qualquer outra de suas qualidades. Mas fazer isso em sete partidas consecutivas de cinco sets em uma quinzena nao será tarefa fácil, mesmo para quem conhece o caminho das pedras como ele.

O maior favorito será mesmo Novak Djokovic, que para ficar com o título terá de assumir a responsabilidade de vencer um evento onde Nadal reinou toda sua carreira e onde cada vez mais tenistas querem meter a mao. Só que le, Novak, é o que ainda tem mais condiçoes de realizar a tarefa. Se tem cabeça para isso é o que resta se descobrir.

Fica cada vez mais claro que, atualmente, Novak é um tenista mais completo do que Nadal – só nao é ainda mais jogador. Mas está cheio de caras mais tenistas do que Nadal, só que nenhum mais jogador. O que está, cada dia mais, perto desse perfil é El Djoko. Já esteve mais perto, dois anos atrás, mas nao conseguiu manter o padrao. O título que sempre lhe escapou, ou que Rafa nunca lhe permitiu por a mao, pode ser o seu próximo grande passo na carreira. Se vencer em Paris vai se consolidar como #1.

A final de Roma deixou duas coisas claras. Novak tem mais recursos que Rafa, mas o espanhol tem mais raça e ainda consegue ser mais estável. Hoje Novak harmonizou melhor as forças.

Na parte técnica tem um fundamento que é um enorme diferencial – a devoluçao. A devoluçao de Novak é mais consistentemente agressiva do que a de Nadal. A única vantagem que o espanhol leva é que ele, e o mundo, sabem que o 1o saque adversário vai sempre no seu revés, bem mais frágil. Já Novak tem ambos os lados tao bons que os caras sao obrigados a variarem o serviço. O resultado é que o sérvio consegue muito rapidamente neutralizar a vantagem do sacador, enquanto Nadal tem que se castigar durante algumas bolas para “entrar” no ponto.

A estatística espelha o raciocínio. Nadal venceu somente 55% dos pontos em seu 1o saque, enquanto que Novak venceu 71%. Ou seja, Rafa nao tem nenhuma vantagem quando saca, até porque com o 2o serviço venceu 43% dos pontos. Já o sérvio, venceu 55% dos pontos no seu 2o serviço, até mais do que Rafa ganhou com o 1o serviço. Desse jeito a conta nao fecha para o espanhol.

Olhando para trás, o jogo nao foi mais fácil para o sérvio porque o espanhol ainda tem mais moral do que ele e começou se impondo. Os caras já jogaram mais de 40 vezes o sérvio ainda entra nessa roubada. A partir do momento – início do 2o set – em que Djokovic começou a fazer o seu jogo, tomando a quadra e tirando o tempo e o espaço do adversário, teve a partida sob seu controle. E ela só saia de seu controle quando ele permitia e Nadal partia para o risco total, algo que ele começa a ter dificuldades onde nao tinha um ano atrás.

Mas foi um lapso mental, tao nao Nadal, que selou o destino da partida, quando o espanhol, perdendo por 3×4, se permitiu perder nove de dez pontos ( Novak teve muito a ver com isso, indo para suas bolas sem entrar em alta faixa de risco, uma arte dificílima) para deixar o adversário a duas bolas de vencer a partida. Novak nao se fez de rogado.

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segunda-feira, 31 de março de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 13:36

Pra dançar

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No final do primeiro game da final entre Djokovic e Nadal em Miami, enquanto Maria Esther nos brindava com comentários sobre os bonés distribuídos no estádio, a geradora de imagens da SporTV nos premiava com uma tabela de informaçoes sobre o saque de Rafa Nadal. Rafa tinha tido entao sua única chance de quebrar o serviço de Djoko, oportunidade que nao conseguiria reeditar pela resto da partida, detalhe que mostra a dominância do sérvio sobre o espanhol na partida definida em 6/3 6/3.

O que a tabela informava, trocando em miúdos, era que contra outros oponentes Nadal insistia em saques contra o revés, mesmo na vantagem. Contra Djoko, no Canadá (nao me perguntem porque esse torneio), onde Rafa vencera, este sacara basicamente fechado, nos dois lados. Além disso, com um pouco mais de atençao do fa do tênis, ele perceberia que recentemente, após aquela série de derrotas, Rafa passara a jogar mais “fechado”, tirando o angulo do sérvio. Ontem, pelo menos no início e em boa parte do jogo, a estratégia foi a mesma. O resultado foi uma das maiores tundas que Djoko aplicou no espanhol.

Aliás, a coisa está, momentaneamente, feia para Rafa. Sao três derrotas seguidas para Djoko sem fazer um set. Vale lembrar dois detalhes. Todas em quadras duras e nenhuma em Grand Slam. Anterior a estas derrotas, a vitória de Rafa aconteceu exatamente no US Open, também em duras. Mas isso é outra história.

Um fato me chamou a atençao ontem. Mas já volto a isso. O que me surpreendeu, e a Rafa também, foi como a estratégia do “fechado” nao funcionou. Alias, pelo contrário, facilitou a vida do Djoko.

Nao vou entrar nos detalhes, porque seria cansativo. O fato é que Djoko sabia de antemao e se preparou para a situaçao. Como? Aí que nao vou entrar. Mas volto ao que me chamou a atençao, que talvez abrevie a esplanaçao.

Novak parecia Federer. Como? Cool! Tranquilo, sem pressa, como se soubesse que estava por cima da carne seca e que teria respostas para tudo. No primeiro game, quando teve o BP contra, parecia que estava doente de tao parado. Nao! Ele tinha mudado a postura, a sintonia interior. A mensagem que ele enviava ao espanhol era: você quer tirar os meus angulos para que eu faça erros nao forçados? Esqueça!

Djoko colocou o espanhol para dançar. Só faltou ligarem os altofalantes e tocarem algum flamenco balear. Se passarem o replay, prestem atençao em um detalhe: enquanto Nadal fazia um estardalhaço com sua movimentaçao, com seus sapatos-tênis bramindo mais do que ratos no telhado, do lado do sérvio vinha aquela sonora placidez bucólica. Nadal era um desesperado atrás da bolinha, o outro lhe servia drills tal qual um técnico desalmado.

Sim, a estratégia foi por água abaixo, para nao usar metáfora mais agressiva, até por uma segunda razao, que explica ainda mais o campeao. Todas as vezes que Nadal tentou abandona-la, indo para seu golpe favorito, com sua direita cruzada agressiva, o contra ataque com aquele revés magnifico (que tal me emprestar?) era venenoso e impiedoso e a mensagem clara: “Bonitao, fica no meio mesmo porque se for aberto só piora”. Isso sem contar que quando o ataque era no forehand, Djoko imediatamente “achava” o revés do ibérico, conta que nao fecha para o espanhol.

No fim das contas foi uma aula que mexeu com a confiança do animal. No fim ele nem mais tentava, o que é totalmente fora de suas caracteristicas.

Agora vem a temporada de saibro. Como ficarao as estratégias nos próximos encontros – no caso finais? Será que a de Nadal voltará a funcionar – afinal no saibro a bola nao vem lhe “morder” com a mesma velocidade como na dura, o que é uma graaande diferença. Djoko manterá essa interessante postura cool? Com isso, no saibro, os pontos seriam intermináveis, a nao ser por um detalhe crucial; no saibro Nadal teria tempo de fugir para usar sua arma letal – o forehand – e ele colocaria o outro para correr. A ver. Djoko, ontem dormiu em paz. Rafa, nao vai pregar os olhos tao cedo. E o Tio Toni que comece a queimar os neurônios.

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#1 e #2 do mundo. Rivais por um bom tempo.

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quinta-feira, 27 de março de 2014 Masters 1000, Tênis Masculino | 12:34

Invasao

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Bem, vamos lá. Sobre a barbaridade que aconteceu na partida Djokovic x Murray ontem.  A invasao houve, foi clara e na cara do juiz de cadeira, que é mais um bundao com medo de tomar decisoes, algo que sempre foi, nao sei se ainda é, prioridade na hora de escolher esses caras.

Nao pode encostar na rede, nem com a raquete nem qualquer parte do corpo que perde o ponto. Se pode passar a raquete do outro lado da rede, para bater uma bola, se ela tiver tocado na sua quadra antes e por conta de um efeito tiver passado para o outro lado da rede. Aí se pode esticar o braço e golpear a bola.

O que o Djokovic fez é totalmente ilegal – tocar na bola do outro lado da linha imaginária da rede, antes de ela cruzar a mesma. O juiz viu e se borrou e, nao sei se pior, o Djoko sabe – foi quase que a extensao toda da raquete do outro lado, e deu uma de miguelao, o que caracteriza uma garfada monumental no adversário, no caso um “amigo” dele.

Pior foi o juiz tentando, e fracassando, explicar a idiotice que fez para o Murray que nao sei nao foi à loucura pelas bobagens que ouviu de quem deveria saber o que fala.

Pior mesmo foi o Djoko tentar “convencer” o mundo em entrevista, ainda dentro da quadra, que ele nao tem certeza de como é a regra. O que, profissional, #2 do mundo e nao sabe a regra – especialmente depois de perder aquela semifinal de Roland Garros exatamente por ter tocado a rede?? Nao sabe a regra – brincalhao!

Qualquer panga sabe essa regra no tênis, mas um profissional se engasgar todo na explicação pega muito mal para sua reputaçao. Isso, dois dias depois de “dar” um ponto para Robredo e fazer o maior comercial que “isso é fair play e, pra mim, parte do jogo” no estilo eu sou muito legal. Sei – só que alí, um ponto nada importante – o desafio mostraria em segundos que o juiz estava errado. No jogo com Murray nao podia haver desafio e era o primeiro ponto do 5×5, saque Murray, do 1o set equilibradissimo – após a discussáo Murray perdeu rapidinho os pontos seguintes e o set.

Veja no link abaixo todo o incidente, começando com a entrevista de Djoko, onde ele se complica todo, e veja o quanto ele atravessou para bater na bola e como tentou convencer seu amigo Murray que nao tinha feito nada errado, mesmo com o telao do estádio mostrando a barbaridade.

http://espn.go.com/tennis/story/_/id/10680024/sony-open-tennis-did-novak-djokovic-racket-cross-plane-net-andy-murray

 

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terça-feira, 12 de novembro de 2013 Copa Davis, Masters, Tênis Masculino | 15:31

A diferença

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Pelo andar da carruagem Rafael Nadal corre o risco de um dia encerrar a carreira sem vencer o Masters. O evento nao tem o peso de um Slam, nem de longe, mas tem sua importância. A pegadinha é que ele é sempre jogado indoors e em quadra razoavelmente rápida. Alguns anos atrás, o Tio Toni já falava cobras e lagartos a respeito da escolha do piso, quando o evento ainda era na China. Agora, com Rafa já crescidinho, é o tenista que acusa a ATP de “nao deixá-lo ganhar o Masters”. Isso porque os caras nao colocam o evento em algum piso mais lento, o que ficaria mais a seu feitio.

É um pouco de cara de pau do espanhol. No saibro é que nao vai rolar, nao nessa hora da temporada. Após mais uma choradeira iberiana Federer afirmou que do jeito que está, está de bom tamanho, nao deixando a conversa se alongar. Fora que o evento em Londres é fantastico. E o Rio queria traze-lo para cá. Com a quebradeira do Eike ficou ainda mais impossível. O evento está definido que fica em Londres pelo menos até 2015, meses antes da nossa Olimpíada. É mais uma chance que perdemos.

O espanhol anda sem sorte, pelo menos nesse assunto. Se antes era Federer que nao lhe permitia ganhar, agora ele tem novo carrasco nas maos de El Djoko. Quando a quadra é rápida o espanhol ainda faz milagres, mas sempre fica faltando um.

Se antes era difícil bater o suíço, agora o sérvio tem o edge a seu favor. Nadal reclamou que o saque foi a diferença na final. Foi uma das. A diferença mesmo todos sabem, mas o espanhol nao vai ficar falando publicamente. Aquele revés com as duas maos, pegando o “ganchao” na subida e distribuindo para os dois lados da quadra é o que desequilibra a partida e a correria do espanhol. Ele deve ficar louco da vida com aquele antídoto ao seu melhor golpe. É mané, todos temos nosso algoz.

Desta maneira ficou bom para Djoko e Nadal, que deve ser, mais uma vez, a grande rivalidade de 2014. Nadal teve uma temporada inesquecível, especialmente após a contusao do ano passado, e Djoko conseguiu ter uma ótimo segundo semestre, coroando-o em Londres. Os dois vao chegar à Austrália hiper confiantes. E o sérvio ainda tem a final da Copa Davis, o que deve lhe dar ainda mais alegrias e confiança. A Sérvia é a favorita contra a Rep Checa, inclusive por jogar em casa.

 

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:47

E a pimenta?

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O assunto já foi tema de mais de um dos meus Posts. Nos comentários na TV eram ainda mais frequentes. Imagino que qualquer pessoa que acompanhou o tênis nas ultimas décadas deve pensar da mesma forma.

O tema virou assunto novamente por conta de recente artigo escrito por Pat Cash para um jornal. Cash, australiano que venceu Wimbledom era um tenista quase que exclusivamente de saque/voleio. Sempre flertou com a contra mão – dentro e fora das quadras, durante e após a carreira. Sempre foi visto como um crítico. Às vezes sem razão, às vezes com.

Com todo o tato que os anos lhe concederam, ele agora critica a homogeneização do tênis, salientando que jogadores como Nadal e Djokovic têm, no entanto, inúmeros méritos – físicos, técnicos e mentais. Porém, apresentam um tênis unidimensional, sem nuances, colado no fundo da quadra.

Não sei mais onde as palavras de Cash terminam e onde começam as minhas, já que vemos a mesma coisa, sem que o assunto me incomode tanto quanto a ele.

O tênis mudou muito nos últimos anos. Essa mudança maior começou, como já escrevi e falei inúmeras vezes, com a parceria de Mark Miles, como presidente executivo da ATP e o tenista Alex Corretja, como presidente da ATP.

Na época, o tênis beirava o precipício do ponto decidido em uma ou duas bolas. O saque era o grande diferencial e o Tênis era um jogo de muito saque, muitas devoluções, certas ou erradas, poucos voleios e quase nada mais, durante boa parte da temporada, com exceção da temporada sobre o saibro. Era a dominância da cultura tenistica americana. Corretja foi o primeiro presidente fora da área de influencia dos americanos e o pessoal de fora tinha suas próprias ideias sobre o circuito há anos.

A partir dessa parceria o tênis toma outra forma. Os pisos são equalizados para serem mais lentos. As quadras de carpete começam a sumir do circuito. São substituídas, quando no circuito indoors, que ia de Setembro a Abril na Europa e EUA, por pisos semelhantes aos já mais lentos pisos duros. Isso foi minando o reinado dos sacadores/voleadores e homogeneizando o tênis.

Ao mesmo tempo, os tenistas ficam mais fortes e, principalmente, mais rápidos, cobrindo melhor o fundo da quadra. Os golpes de fundo vão ficando mais técnicos e muito melhores, a esquerda com as duas mãos vira quase que padrão, dá qualidade ao contra ataque, dificultando a vida do voleador.  As raquetes e os encordoamentos facilitam a vida dos tenistas desse estilo. Isso faz com os tenistas que estão sendo formados foquem seus arsenais no jogo de fundo, sacrificando o de rede. Tornam-se “cegos” junto à rede. Os singlistas jogam menos e menos duplas e tem cada vez menos contato com a rede e os voleios. E, quando jogam, vários, como, por exemplo, Nadal, sacam e ficam atrás. Em pouco mais que uma década o tênis mudou radicalmente.

Hoje o padrão são Nadal, Djokovic, Murray etc. Federer, por outro lado, era um verdadeiro “all around”, sem dúvida a razão maior de ser tão querido por quem acompanha o tênis a mais tempo. No entanto, para sobreviver, teve que se adaptar. É só entrar no You Tube e assistir a vitória dele sobre Sampras em Wimbledon, o canto do cisne do Tênis multifacetado. Nadal, Djoko etc nem em sonhos podem ter uma vitória como aquela.

Ficou chato? Eu não diria isso. Ficou menos interessante? Não necessáriamente. Ficou menos emocionante. Não.

Mas, eu digo, sem pestanejar, falta algo. Falta alma. Falta variação, a pimenta.  Falta a essência do tênis, que é o que o voleio sempre foi, até porque foi criado para jogar na grama, onde o quique é péssimo. O melhor cenário seria a volta da cultura do voleio, sem perder o que se melhorou e se ganhou no fundo da quadra. Um tenista mais completo, que pudesse ir à rede com mais frequência e sem temores. Até porque seria melhor voleador do que se vê por aí. Imaginem os confrontos de estilos dentro de uma mesma partida.

Tenistas que investissem e, consequentemente, melhorassem o jogo de rede, para chegar aos padrões atuais do fundo de quadra. Tenistas que desenvolvessem o instinto de para aonde vai a passada e desenvolvessem a “mão” para acariciar uma bola junto à rede, com um Stepanek, um dos últimos moicanos, sabe fazer – talvez a razão de seu sucesso com as tenistas(atualmente está namorando a Kvitova).

Hoje os caras deixam passar bolas que a minha avó não deixaria passar, simplesmente porque não acreditam que possam colocar a raquete. Talvez pior; tenham receio de colocar e não saber o que fazer. Ao primeiro erro se acovardam e só voltam naquela direção para trocar de lado.  Aquele Isner é um aborto da natureza; tem mais de 2m, não sabe volear e as bolas passam por ele como se não tivesse envergadura ou reflexo junto à rede. Imaginem se soubesse.

Deixo aqui a mensagem. O tenista do futuro, se Deus for benevolente com os fãs do esporte dos reis, será rápido, veloz e ágil junto à rede, como hoje o são no fundo da quadra. Poderá até ser alto, mas não um poste. Terá voleios na mesma qualidade dos atuais golpes de fundo – e eles nunca foram tão bons na história do tênis. Saberá equilibrar o uso de ambas as qualidades para formar um atleta mais denso, rico, empolgante, surpreendente, emocionante. Eu mereço ser feliz.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013 Tênis Masculino, US Open | 22:51

Houdini e o Mágico

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Deixei de ir jogar tênis, algo perene marcado para as 2as feiras, para ver a final. Nenhuma novidade. Só jogo foi bom enquanto durou, só que só durou até o 4×4 no terceiro set. O fatídico game, pelo menos para Novak Djokovic.

O sérvio teve entao 0x40 no saque de Rafa Nadal, para quebrar e sacar pelo set no 5×4, após em momento tenso quando Nadal, no 0x15, tropeçou e se estatelou no chao sem conseguir bater na bola. Levantou como um relampago, ao contrário de outros que fariam um dramalhao. Perdeu próximo ponto e, como um super campeao, encarou o momento mais dramático e decisivo da final.

El Djoko deixou escapar. E essas marcadas custam caro. Mais caro do que no placar é o custo no emocional e no mental dali para a frente, se nao se estiver preparado para o perdao e para a luta. Quando o game igualou, os dois sabiam que ali as fichas, de repente, ficaram beeeem altas. O sérvio deu aquela encolhidinha e o espanhol deu aquela crescida – e como esse cara é ESPETACULAR. É assim que se escrevem as páginas da história do tênis; nos detalhes, naquele extra que um consegue impor ao outro. No Tênis nao tem conversa. Nao tem empate. Um vence, o outro perde. Ao vencedor as batatas.

Depois daquele fatídico game El Djoko deu uma de Houdini e desapareceu da quadra. Dos nove games seguintes ele só fez um. É muita piraçao para uma final. Nem se pode dizer que Nadal viajou na confiança. Na verdade, no 4o set jogou mais para o feijao com arroz do que para o padrao que vinha jogando. Mas se o adversário tomou Pirol, reza o  bom senso que nao é hora de ficar arriscando cobras e lagartos e sim levar o cavalo à faixa de chegada e correr para o abraço. E foi isso que o Animal fez. Levou o jogo nas pontas dos dedos.

Djoko já esteve mais forte mentalmente. Uma de suas características, assim como do rapaz que estava do outro lado da rede, é administrar como muitos poucos na história frustraçoes e decepçoes. Assim, com a final de hoje, quem se decepciona também é o fa do sérvio, que nao está habituado com essas entregas da rapadura por parte do Novak.

Insisto, pela qualidade apresentada por ambos até o fatídico nono game do 3o set o jogo prometia como mais um dos fantáticos jogos que ambos já realizaram. E nao tem tititi de cansaço físico – o escorregao foi mental, algo que, isto sim, vai demorar um tempo do sérvio se perdoar – mas agora o feijao está no chao e a grana em Maillorca. E o Animal, mais uma vez, mostrou como se faz um banquete com feijao com arroz – é um campeao. É O Magico!

 

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terça-feira, 30 de julho de 2013 Sem categoria | 13:45

No trambone

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Novak Djokovic pode estar lançando o livro biográfico no fim de Agosto, mas quem está fazendo o marketing do livro, e do filho, é o Sr. Srdjan, pai do tenista. Ele não tem mais acompanhado o filho em tempo integral, até porque teve problemas de saúde sérios e o filho deve ter pedido mais espaço, mas esta semana deu extensa entrevista para um jornal sérvio quando, entre outras coisas, meteu a boca em dois dos três maiores rivais de seu filho.

Sobre Nadal ele diz que enquanto o espanhol enchia seu filho de bola eles eram bons amigos. Mas que a amizade não sobreviveu a reviravolta de quando Novak colocou Rafa na sua caderneta. No mesmo dia, após perguntado, Nadal respondeu que a amizade segue sólida e que o pai deveria restringir seus comentários ao filho.

Me lembrou de uma história contada pelo grande Ken Rosewall, sobre quando entrou no circuito profissional, com o americano/mexicano Pancho Gonzales, um dos mais difíceis caráter que apareceu no circuito. Enquanto Pancho enchia Rosewall de bola, até pela diferença de idade, o americano nunca olhou na cara do australiano e nem lhe deu bom dia. Quando Rosewall ganhou a primeira vez, no dia seguinte, no café da manhã no hotel, Pancho sentou à sua mesa, lhe deu bom dia e ficou conversando. Na próxima vitória do americano, este voltou a ignorar o australiano, e na próxima derrota voltou à tática de “amaciar” o adversário.

Sobre Federer o buraco é ainda mais embaixo. Srdjan diz que o suíço pode ser o melhor tenista do mundo, mas como pessoa é a antítese. Reclama que em 2006 o suíço deu péssimas declarações sobre seu filho após um confronto de Copa Davis. Federer declarou que “ Eu não acredito em suas contusões. Eu acho uma piada quando o assunto é ele e suas contusões”. Na época, Djokovic tinha o péssimo hábito de sair da quadra, alegando contusão, quando estava perdendo certos jogos. Não foi nem uma nem duas vezes.

Além disso, tivemos dois incidentes famosos. O da mãe de Djoko declarando aos jornais que “o rei morreu, salve o novo rei”, após Novak vencer o Aberto da Austrália em 2008, muito antes de Novak se colocar como #1 do tênis, e a grosseria de Federer para os pais de Novak durante as semis de Monte Carlo do mesmo ano, quando os pais de Novak ficavam gritando em sua orelha, o que também não é nada legal, e o suíço simplesmente os mandou calar a boca, o que foi captado pela TV.

Para não ficar tão mal na parada, Srjdan falou bem de Murray. Diz que os dois se conhecem desde garotos – eles têm cerca de uma semana de diferença de idade – e “sempre se trataram bem e são ótimos companheiros, apesar de que agora, como #1 e #2 do mundo não são mais tão próximos como antes, o que é compreensível”. Quem prestou atenção viu como a mãe de Novak foi dar um beijo carinhoso na mãe de Andy após a partida final de Wimbledon este ano. Algo que dificilmente vamos ver com os pais de Federer, menos ainda com o pai deste, que é de uma rudeza impar.

No fundo são só coisas do vestiário que o Sr Srdjam decidiu trazer à tona seu ponto de vista e que não vai fazer a vida de seu filho nem um pouco mais fácil no locar de trabalho. O que não quer dizer que não sejam verdades, nem fatos.

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quarta-feira, 24 de julho de 2013 Sem categoria | 12:18

A dieta do Djoko

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Sempre atento ao marketing pessoal, Novak Djokovic vai lançar um livro em New York, no dia 20 de agosto, imediatamente antes do início do US Open. Não está claro se é uma biografia precoce, mas promete contar sobre sua infância na Sérvia, como escapou dessa situação etc. Mas, pelo menos para mim, o mais importante é que afirma que irá revelar os detalhes de sua famosa dieta, sem glutem etc – que o levou de um tenista choramingão e que por vezes sequer terminava uma partida – mas somente quando estava perdendo – a ser o tenista mais bem preparado fisicamente no circuito.

El Djoko diz que a dieta mudou a sua vida e a de pessoas próximas a ele. Seu intuito, afirma, ao divulgar o que até hoje fez questão de esconder, nunca entrando em detalhes, é “dividir algo para que outros realizar seus sonhos”. Como seu excelente preparo não é fruto só da dieta, ele realmente poderá ajudar toda uma geração divulgando detalhes de sua preparação física, algo que também nunca quis se divulgar – o que é compreensível. Geralmente divulgam, quando divulgam, após a aposentadoria. De qualquer maneira é algo se ver, e se de fato as promessas se cumprirem em sua plenitude, a se aplaudir. Se for o prometido serei um leitor atento.

novak croacia

Enquanto isso Novak passeia pela Modra Spilja, na costa da Croácia.

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terça-feira, 9 de julho de 2013 Wimbledon | 18:30

O escocês britânico

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Wimbledon nunca mais será o mesmo. Nem Andy Murray. Durante os últimos 77 anos o torneio foi uma festa onde os organizadores – o All England Club e a Federação Inglesa – sempre fizeram questão de deixar claro nas entrelinhas, condenscendiam em permitir que os estrangeiros comparecerem e, para seu eterno desgosto e frustração, retribuíssem a suposta hospitalidade vencendo o torneio. A imprensa local deitou e rolou nas ultimas décadas em ataques de auto miseração, e tirando sarro do fato dos locais nunca estarem presentes na segunda semana do evento. Para os ingleses – não sei bem se o fato de um escocês, que no ano que vem votam em um referendo se tormam uma nação independente – é melhor ou pior. De qualquer jeito, hoje toda a Grã Bretanha celebra e apadrinha o campeão. A história do até pouco tempo conturbado tenista também será diferente. Uma antes, outra depois de Wimbledon 2013.

 

Lembro que sempre achei que era uma questão de tempo para Murray ganhar Wimbledon e outros GS. Uma pancada de sofasistas, que hoje se escondem debaixo do tapete, se indignavam, já que só enxergam o óbvio e esse óbvio se resume a dois ou três tenistas que veneram, amam ou detestam. Os que acreditavam, como muito bem bolou nosso amigo Flávio Bet@, cabiam na tal Romi Isetta.

 

Andy Murray é um tenista difícil de gostar. Seu carisma é zero. Seu tênis, brilhante, não se encaixa no padrão atual estilo de mãos pesadas ou mesmo de jogadores mais clássicos. Tenistas como Jimmy Connors e John McEnroe lhe esnobaram no início da carreira, se recusando a treiná-lo. Seu estilo é baseado no contra ataque, no preparo físico espetacular construído com muito trabalho e competência, cujo verdadeiro diferencial é a sua habilidade física, especialmente as “mãos”. Além disso é um jogador tático que pensa, as vezes demais, para jogar.

 

Desde cedo ele procurou seu caminho, independente do que os outros achassem. Abandonar a ilha do norte e procuram Barcelona foi ideia da mãe, que pensava, com um bocado de razão, que os conterrâneos não tinha na alma o necessário para serem campeões – foi pastar no saibro espanhol para aprender a lutar. Seu temperamento se adaptou ao estilo espanhol de trabalho duro. Quando chegou a hora voltou para a ilha, já com o estilo e o comprometimento definidos.

 

Uma de suas qualidades foi ter se cercado de pessoas que pudessem fazer um impacto positivo em sua carreira/vida. Fugiu do pessoal e das baboseiras da federeção inglesa, procurando ajuda em profissionais que tinham experiência de trabalho com outros esportes e do centro de excelência de esportes inglês. Ele tem um preparador físico, um fisiocultor, um fisioterapeuta que estão no time há anos. O rebatedor, um venezuelano que conheceu na academia de tênis em Barcelona. Ivan Lendl, desde o início de 2012 e uma psicóloga que Lendl, que utilisava um nos tempos de juvenil, o convenceu a contratar. O checo sabia que precisava de alguem para afinar o hardware do bipolar escocês.

 

Todos falam sobre a influência de Ivan Lendl na sua vitória. Com certeza existiu, mas, à distância, não sei se é tão grande como se preconiza. O rapaz caminhava, no seu torturante ritmo, e progredia na sua técnica há anos – só não vencia os grandes eventos. Faltava-lhe quebrar o jejum de um título de Slam, o que veio no ano passado em Nova York. Era inevitável e Lendl que também teve dificuldade semelhante, veio ajudar no processo. As diferenças táticas são poucas e as mudanças eram gritadas até pelos meus leitores mais sofasistas. Faltava alguem que o convecesse a ser mais agressivo do que era. Mas a maior diferença foi a mental, e aí é uma salada de influencias e confluências.

 

Desde o primeiro Slam veio a final na Austrália onde perdeu para Djoko, pulou fora de Paris (pra mim para se preparar para Wimbledon) e agora o maior título de sua carreira, independente do que faça pelo resto dela. O trem embalou.

 

Com 26 anos de idade, só seis dias o separam de Novak Djokovic, com quem deve fazer a próxima grande rivalidade do tênis, com Nadal, um ano mais velho, correndo por fora nas quadras mais ráidas e no saibro deixando os outros por fora. Federer deve jogar sua ultima cartada no U.S. Open, depois disso ficará cada vez mais difícil, mas não impossível.

 

As características que fazem com que Murray seja um produto não tão agradável mercadologicamente pela falta de sinergia com o público, são as mesmas que fazem com que seja um obstinado com sua carreira e o tênis. O seu intenso foco no trabalho é uma consequência. Como a sua maior conquista afetará a carreira, para o bem e o mal, é algo que começaremos a enxergar já a partir da temporada americana de quadras duras. Ele pode tanto se encher de confiança e auto-estima, algo que sempre lhe faltou um dedinho, e se tornar ainda mais audaz e perigoso, como, mais uma vez se atrapalhar emocionalmente. A minha aposta é pela primeira opção. E a outra consequência é que sai a Roli Isetta e entra, pelo menos, uma van.

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