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Posts com a Tag milos raonic

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 Aberto da Austrália, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer | 12:54

Com licença.

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O esperado confronto entre Federer vs Djokovic não fugiu do esperado, e aqui adiantado, cenário, nem ofereceu muito em termos de drama. Na verdade, o melhor do jogo foi a excelência que Djoko mostrou nos dois primeiros sets, considerando um oponente do gabarito de Roger Federer.
Este ainda tentou ficar no jogo, vencendo o 3o set, após leve tirada de pé por parte de Djoko, algo até esperado em partida de 5 sets, o que mostra que basta leves detalhes para um jogo entre esses cachorrões mudar de cenário. No 4o set Djoko ficou esperto novamente e Federer teve que se dobrar ao melhor momento do oponente.
A cada dia que passa fica, e ficará, mais difícil defender o subjetivo titulo de GOAT para Roger Federer. O tenista agora tem desempenho negativo com dois de seus contemporâneos – Nadal e Djokovic – e dificilmente conseguirá reverter isso até o final de sua carreira. Contra Djoko a idade corre contra, contra Nadal uma diferença muito grande (11×23) para ser virada.
A outra semi, entre Raonic e Murray deve, espera-se, oferecer mais dramaticidade, a cor que realmente entretêm o público. Mas considerando o perfil psicológico de ambos eu nao colocaria dinheiro nisso. Mas só pelo conflito de estilos técnicos já vale a pena assistir.
Mesmo às 6.30. Ligo a TV sem sair da cama, deixo com o som bem baixo, o bastante para ouvir o placar, se assim quiser, e os aplausos mais altos, quando merecidos, e assim redobrar minha atenção. Abraço minha mulher, tomo goles de água gasificada e fico brincando com minha consciência, ou a falta dela, alternando Tênis com Sonhos, até sentir que já faz sentido sair da cama e ir tomar meu café da manhã. E logo estarei na quadra para testar minha inspiração. É verão cá, como lá, o dia está lindo e adoro o esporte. Com licença.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016 Aberto da Austrália, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer | 13:44

Patatipatatá

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Então o Milos Raonic furou a chave dos semifinalistas no AO. Não sei o que Wawrinka, Nadal e companhia têm a dizer a respeito. Pelo menos não é como a chave feminina, onde em um lado da chave deu o esperado, Serena(1) e Radwanska(4) e do outro a zebra correu solta com Kerber (7) e Konta (47).

Raonic está no radar dos GS há pelo menos um ano, sem conseguir materializar-se. Andou procurando ajuda fora das quadras para encontrar o diferencial. Fora aquela manga que usa no braço direito – supostamente para manter o braço aquecido?! tás brincando? – agora decidiu usar uma proteção bucal 24hs por dia. Diz que isso está ajudando na tensão mental, no pescoço, ombros e costas. Está tão feliz com o resultado que imagina que será algo para sempre. Bem, para sempre não sei, pelo menos enquanto o cara estiver com o tezão de vencer, imprenscindível para quem se dispõe a usar aquilo, só tirando, diz ele, para comer (e beijar??). O cara confessa que está tendo que aprender a falar e por enquanto fica no inevitável patatipatatá, o que deve ser um tormento, pelo menos para quem ouve.

Como tenista não faz minha cabeça; nunca admirei jogadores dependentes de um grande saque. Mas ele está na semifinal e com certeza deve estar fazendo outras coisas bem também. Diz que está investindo bastante tempo de seus treinos junto à rede para melhorar o voleio, instintos e colocação junto à rede. Pelo menos é algo de quem tem visão, e isso credito ao ex Ljubicic que fez a pré temporada com ele, e nao Carlos Moya, seu novo coach desde janeiro. Qualquer cara com um saque daqueles e dificuldades de movimentação tem que chegar rápido à rede e, vital, saber o que fazer por lá. Talvez devesse contratar o Carlos Kirmayr, que sabe do metier muuuuito mais do que o Moya.

Agora Raonic enfrenta Murray, que ainda não está na sua melhor forma mental (será que um dia estará?), mas adora devolver saque e que lhe ofereçam um alvo junto à rede. É o típico e interessante confronto de estilos. Eles jogam só na 6a feira.

Do outro lado da chave, o esperado confronto Djoko vs Federer. Quem não quer vê-lo? O jogo será 5a feira às 19.30h lá, 6.30h quinta feira aqui, o que quer dizer que jogam sem o calor do sol, o que quer dizer uma boa vantagem para Djokovic, ou mais preciso, uma desvantagem para Federer.

É um jogo para ser decidido nos dois primeiros sets. Se Djoko começar bem deve levar. Se Federer começar se impondo terá que prestar atenção até o fim, porque o outro tem tênis, cabeça, coração e físico para virar.
Em quem o caro leitor faz sua aposta? Tudo indica para uma vitória do servio. Mas todos vão torcer pelo suíço.

C´ést la vie.

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quarta-feira, 18 de março de 2015 Rafael Nadal, Roger Federer | 14:54

Paixao pela vitória

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O horário, após o jantar, é conveniente para se relaxar frente à TV, escoltado pela parceira de vida, para acompanhar os jogos de tênis, uma das paixoes divididas. Por conta disso, tenho acompanhado Indian Wells com certa frequencia e vibrado com a qualidade das partidas. Nao só a qualidade técnica, que algo que quase que tomo como fato consumado no tênis atual, mas o equilíbrio e, consequentemente, a diferença que a combatividade projeta no resultado.

Para mim, o fascínio do tênis competitivo reside, acima de tudo, na administração do tenista dos aspectos emocionais e mentais que a competiçao apresenta. É lógico que é uma maravilha curtir a técnica domada, a limpeza do golpe bem executado, o atleticismo e o talento natural, assim como o adquirido, algo claro para os olhos treinados, a velocidade das pernas e os jogos de pés, o instinto para o desenho da jogada, assim como o plano pensado. Tudo isso sao facetas interessantes do jogo, mas ainda, pelo menos pra mim, submissas ao “jogar”, aquela qualidade para alguns subjetiva, pelo menos aos olhos dos desavisados e sofasistas, que faz do tenista que a possui um verdadeiro jogador de tênis e nao um mero executador de golpes que fez do tênis uma carreira, mesmo que praticada com empenho e disciplina, mas sem a entrega suprema, regida pela paixao pela vitória e o horror pela derrota.

Dessa maneira, curti a vitória do operário Ferrer, um dos ícones do estilo “jogador”, qualidade sem a qual seria um tenista mediano, sobre o parceiro Dodig. Mas, mesmo essa qualidade nao foi o bastante para derrotar ManoTomic, que começa, finalmente, a entender o que é o Tenis, afinando seu enorme talento (que bela esquerda, tanto a reta como o slice), com o fator “jogo”, algo que salta aos olhos quando se considera, por exemplo, o coitado do Gulbis.

Nishikori é outro tenista que encaixa no quesito. Com golpes redondos e bem trabalhados, mas com pouca estatura, está entre os melhores do mundo porque sabe arrancar a vitória do adversário. O Robredo é outro para quem tiro o chapéu cada vez que o assisto. Com golpes nao mais do que padrao, sabe incomodar e vencer – um belissimo jogador. Será interessante ele enfrentar o “freak” Topetinho Raonic – alias o cara melhorou muito no fundo da quadra, era quase cego – dono do saque mais perigoso do circuito, um golpe que ele aprimora o tempo todo e o executa com maestria. Aiii se eu tivesse 2m de altura.

Nao vou nem falar do Nadal, o ícone máximo no assunto. Mas temos muitos excelentes jogos pelas oitavas de Indian Wells para acompanhar esta noite. E, lógico, vou até curtir o Federer, antes que se aposente, que voltou a ficar “esperto” em ganhar jogos sem se complicar, por conta da necessidade imperativa da idade e numero de jogos para vencer um evento, algo que ele tem feito raramente. Mesmo que para assistir o “mascara” Jack “Meias”, um tenista que se jogasse metade do que ele acha que joga varreria o Federer da quadra. Mas a realidade é cruel.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 18:28

Um passo de cada vez.

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Os canadenses realizam um dos mais significativos Masters1000 do circuito, espelhado por um tal qual evento feminino. Sao realizados em duas cidades – Toronto e Montreal – apaziguando assim “franceses” e “ingleses”. Para melhorar ainda mais a dinâmica, homens e mulheres alternam as cidades a cada temporada.

Este ano, o masculino acontece em Toronto e os fas locais estao correndo às bilheterias com disposição ímpar. Isso porque, pela primeira vez na história, dois canadenses se enfrentaram em uma final de torneio da ATP – em Washington e exatamente na semana passada. Melhor timing nao haveria.

Milos Raonic vem batendo pelas traves do circuito a pouco mais de uma temporada – acho que tudo tem seu tempo. Agora o rapaz, de origem iugoslava, já é o #6 do ranking. Para vocês verem o que um grande serviço pode oferecer a uma carreira.

Seu oponente foi Vasek Pospsil (#27), um grande talento de origem tcheca, ainda em busca do eterno fugidio equilíbrio. Os dois nasceram no mesmo ano (1990), sendo Vasek poucos meses mais velho. Algo que a personalidade em quadra nao espelha.

Raonic está um bom passo à frente – emocionalmente, estratégicamente e, consequentemente, técnicamente de seu conterrâneio.

Um sinal disso, à parte do ranking e a vitória na final, foi sua declaraçao, consciente, de quem sabe que no circuito é necessário assumir riscos calculados e, o principal, fazerem eles funcionarem.

Milos declarou que enquanto jogava e focava em vencer o Torneio de Washington, evento que teve Berdish, Nishokori, Gasquet, Isner entre outros, ele mantinha um olho bem aberto na semana seguinte. Nao só porque seria um Masters1000, mas por ser em casa. E tenista que vale seus calçoes sabe da importância de jogar muuuito bem em casa. E sabe, melhor ainda, ama, a pressao que isso traz.

Por isso tentou minimizar o dispêndio de energia, conseguindo vencer o evento sem perder um set. Ele venceu 52 dos 53 games de serviço e salvou 7 dos 8 break pointos que teve que encarar. Isso é ter consciência estratégica e saber coloca-la em prática. Tênis é bem mais do que dar na bolinha.

Agora vamos ver como ele lida com o fator “jogar em casa”, em torneio que todos os cachorroes – menos El Rafa que ainda esá contundido e é duvida até para o US Open – estarao presentes. Um passo de cada vez.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013 Sem categoria | 12:50

Encantos

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O Tênis ainda tem uma ou duas cartas na manga para nos encantar. E, com certeza, não estou me referindo ao óbvio, aquilo que excita e encanta o fã deste ou daquele tenista. Mas isso é conceito que foge a boa parte dos fãs do tênis – eu me excito muito mais com o jogo do que com o tenista. Apreciar sim, respeito também, encanto, pelo jogo.

Nos últimos dias tivemos alguns confrontos bem interessantes, desde Robredo e Federer, pela excepcionalidade de ambos; Youzhny e Hewitt, um espetáculo de raça expondo o melhor da competitividade do tênis, tendo como protagonistas dois tenistas que já passaram de seus ápices tenisticos, e as vitórias do francês Richard Gasquet, sobre Raonic e Ferrer, ambas em cinco sets, ambas mostrando, depois de muita espera, um perfil que não mais esperávamos desse talentoso tenista.

Não seria arriscado dizer que Hewitt dá suas últimas respiradas no circuito, apesar de que sua excepcional exibição em Nova York deve ter sido somente um preâmbulo do que pretende para o Aberto da Austrália. Logo após esse evento ele completa 33 anos e alguém tem que me dizer como é que esse cara, que já passou por cinco cirurgias, pretende continuar correndo atrás das bolas da maneira que faz e seu estilo exige. Pouca surpresa seria se anunciasse a aposentadoria após o evento da casa. Mas o que vai um competidor como esse fazer sem uma raquete nas mãos achando que ainda há um lugar nas quadras para sua espécie?

Mais interessante ainda tem sido o caminho de Gasquet no U.S. Open. Mesmo sendo o atual #9 do mundo, a expectativa sobre o francês sempre foi maior do que ele entregou em quadra. Com uma esquerda daquelas o cara faz a gente sonhar alto. Ele é um dos raros tenistas que encanta pela esquerda com uma mão e dos raros que ganham jogo por conta desse golpe – o outro é o Wawrinka.

No entanto, ele nunca nos encantou pelo seu emocional nem pelo mental, deixando com que ambos ficassem entre ele e a grandeza. Quantas vezes pensávamos – agora vai – assistindo ele fazer misérias em quadra por conta de seus talentos, só para ver o rapaz naufragar nas suas fraquezas e carências? Até o jogo em que bateu Raonic, 7/5 no 5º set, ele, em 11 oportunidades, havia fracassado em cada vez que chegara à quarta rodada de um Grand Slam. Era uma estatística que devia tanto lhe atordoar como lhe afundar na cova rasa dos que nunca chegam à grandeza – afinal é GRAND Slam por alguma razão.

A vitória sobre o canadense deve ter aberto uma porta em seu coração que sua mente não mais acreditava estar lá. Ganhar um jogo desses, às portas do tie-break do 5º set, quando seria ainda mais confortável para o oponente, um grande sacador, exige força mental. Com certeza foi para o hotel acreditando que um novo Richard havia nascido.
A prova desse milagre veio logo em seguida. Sua retrospectiva contra Ferrer era de 1 vitória em 9 jogos – e agora seria em uma quartas de final de GS – não muito promissor. Mas havia um novo Richard por aí e o que ele fez em quadra nos dois primeiros sets foi o bastante para qualquer exigente fã do tênis aplaudir, pedir licença, levantar, ir pra casa, pegar a raquete e se inspirar para suas próprias raquetadas. Não é todo dia que somos brindados com tais encantos em uma quadra.

A esquerda dele segue sendo uma das coisas mais bonitas em quadra, e aí também estou considerando até maravilhas como o rosto da Aninha e as pernas da Flavinha, entre outras cositas também técnicas. Como ele mesmo disse “quando estou sacando bem e a minha esquerda está afiada, eu me sinto confiante para qualquer vitória”. E a direita, esquisita, para pouco dizer, também pegou carona e fez barbaridades. Isso sem dizer dos voleios – ahh, como eu sonho para que os voleios voltem a ser um golpe de desequilíbrio novamente. O rapaz deu até uma zigzira de voleio de esquerda esticado, que voltou à rede antes do segundo quique, e o cara de pau do Ferrer ainda tentou devolver.

Tenho minhas dúvidas sobre seu confronto com Nadal. A começar que suas pernas não estarão como precisariam após Raonic e Ferrer. Não dá para ignorar também o fato de que em 10 vezes que se enfrentaram, adivinhem quantas o francês venceu? É isso mesmo que você pensou. Alias, desde 2008, nos últimos cinco jogos, adivinhem quantos sets ele venceu? Mas o mundo dá volta e dizem que tudo volta ao início. Eu não aposto nisso, mas deixo aqui um vídeo que será, no mínimo, interessante.

http://www.youtube.com/watch?v=KzKuv4j67aw

 

 

 

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013 Sem categoria | 13:56

Tanto com tão pouco

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Foi-se o tempo em que me surpreendia com Rafael Nadal. Atualmente eu mais me maravilho do que qualquer coisa. Afirmar quem é o maior tenista da história é um risco a acaba-se por ficar com o tenista com mais títulos significantes, o que não nos deixa nem um pouco mal servidos com Roger Federer. Mas o espanhol se encaixa com certa facilidade na minha denominação de o maior competidor/vencedor que eu já vi em uma quadra de tênis e, após mais de cinco décadas, posso dizer que já vi bastante deles.

É um mágico. Insisto em dizer que seu arsenal técnico é limitado, mesmo se comparado somente com o de muitos que ainda estão por aí. E insisto que ele melhorou bastante em vários quesitos técnicos através de sua carreira, novamente por conta de sua postura e determinação. Mas ele traz para a quadra algo tanto subjetivo e abstrato quanto real e tangível. É o rei do paradoxo.

Ninguém consegue ganhar tanto com tão pouco. E olhem que temos atualmente exemplos como o de Ferrer e Hewitt, que já foi #1. Não é à toa que Ferrer é um tremendo freguês de Rafa. O rapaz sabe que tem pela frente um adversário que lhe é superior exatamente naquilo que ele, Ferrer, é superior a todos os outros tenistas.

Eu assisto as partidas de Nadal e logo no primeiro ou segundo game estou rindo sozinho. O cara faz coisas inexplicáveis, vencendo pontos não se sabe como, sempre pronto para tirar mais um coelho da cartola quando ninguém mais acredita que outro pernalonga irá aparecer. Não creio que precise me alongar – todos que gostam de Tênis sabem a que me refiro. Há algo em seu interior que faz com que saia por cima nas situações mais bicudas.

Esse evento em Montreal foi só mais um exemplo. O espanhol foi mais cedo do que o normal para as Américas, uma semana antes de sua primeira partida, procurando um pouco mais de ritmo, treinando com seus adversários, buscando um bom início de temporada nas quadras duras. Como dizem, “a vitória ama a preparação”.

Dois detalhes sobre sua conquista do 25º título de Masters 1000. Da semifinal contra El Djoko ressalto um momento. O tie break do set final. Na primeira bola Rafa já foi pro pau e não parou mais. Enquanto o sérvio tentou administrar o TB, o espanhol assumiu o risco e foi para as bolas. Típica atitude de tenista audaz, confiante e com tática definida. Ele sabia exatamente o que tinha que fazer naquela altura da partida. A sua técnica e confiança fizeram o resto. Djoko só foi mudar sua postura no match point. Tarde demais. Rafa na final.

Milo Raonic deve ter se sentido satisfeito, culpado e intimidado na final. É muita emoção ruim em quadra para quem tem Nadal do outro lado da rede. Sabendo como essas coisas funcionam, o espanhol foi agressivo desde o início, especialmente com as devoluções, sabendo que se controlasse o serviço do “garfo” canadense pouco restaria para o incomodar. Aquilo que o publico local esperava que fosse um verdadeiro duelo, acabou sendo mais um capítulo na carreira do tenista que mais sabe surpreender adversários e público.

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013 Sem categoria | 15:35

Mais menos ética

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Não sei se fiquei feliz, ou não, em saber que os problemas com a ética não se restringem ao Brasil e afligem o Canadá também. Ontem Milos Raonic bateu Del Potro em dois sets apertados, mas ficou no ar aquele gosto que o argentino foi garfado pelo juiz e pelo adversário.

Foi um exemplo clássico e raro de ética deturpada. Raro porque existe uma regra não escrita, quase um consenso, que a quadra é uma terra de ninguém no que diz respeito às marcações do juiz no que concerne às linhas. Talvez seja por conta da cultura de que é difícil cantar as linhas com exatidão o tempo todo – o foco deve ser em bater na bola – e isso fica sob a responsabilidade dos juízes e ponto final.

No entanto, mesmo em tempos atuais, sempre existiu certa expectativa que toque em rede ou na bolinha por parte do tenista estas seriam acusadas, por conta do cavalheirismo que deve existir mesmo no tênis profissional. Algo na linha do passar o pé na marca e dar o ponto ao adversário quando a bola é boa. Nada disso está no livro das regras, mas sempre esteve nos livros dos gentlemen que praticam o tênis em qualquer nível. Mas sabe-se lá, se não por todos os cantos do planeta, ganhar está acima de todas as coisas. Inclusive da ética.

Lembro de dois casos – que estão longe de ser isolados mas foram marcantes na história. Na primeira vez que ganhou Roland Garros 1982, aos 17 anos, Mats Wilander acusou uma bola de Clerc como boa, em match point a seu favor, na semifinal contra o argentino Jose L. Clerc. Só por curiosidade; Wilander havia perdido para o brasileiro João Soares dois torneios antes de Roland Garros, em Munique. Na verdade perdia para muita gente, já que foi uma zebra ainda maior do que Kuerten em 97.

O outro ficou também muito famoso porque dois dos envolvidos não engoliram o fato e botaram a boca no trombone sempre que puderam. Na final de dupla de 1985 do U.S. Open, entre os franceses Noah e Leconte x os americanos Flach e Seguso a coisa ficou feia. Empatados em um set, e com os franceses com set point (6/4) no TB do terceiro, Leconte bateu uma bola que tocou a rede, resvalou na cabeça do Flach e saiu. O juiz não cantou nada e Flach se fez de morto (depois do jogo disse que o juiz que teria que cantar o toque).

Os franceses foram à loucura, perderam o set e a partida – praticamente não saiu mais jogo após o incidente. Se ficaram com o troféu, os americanos, na ocasião uma das melhores duplas do mundo e titulares do time da Davis, foram dignamente vaiados a não mais poder pelo publico americano na quadra central. Vão sempre poder mostrar o troféu, mas nas suas almas nunca mais vão esquecer a vaia que levaram de seus compatriotas no seu maior torneio. Algo que os canadenses não brindaram Raonic.

Explicando o vídeo. O Raonic toca a rede com os pés, o que é proibido. Ela sabe que tocou. O juizão complicou ainda mais porque: primeiro diz que não houve toque – nesses casos, sendo bom mesmo, o juiz fica de olho no tenista que está preste a “tocar”, já que as linhas tem seus juízes. Ele não faz isso e dança. Mas aí um desavisado coloca o replay no telão, porque na verdade, nem o Delpo viu. O juizão, na maior cara de pau, diz que mostrar o replay foi um erro, ao que o Delpo retruca, o erro foi seu, o que o juiz concorda. Agora o incompreensível, por conta da regra idiota, que não permite desafio ou correção nesses casos, é que mesmo sabendo que houve o toque ele, juiz, não corrige. Mas o ponto do Post é que Raonic “O Ético” se faz de morto e ganha o jogo, muito por por conta dessa bola. Infelizmente o problema com a ética é mesmo universal e, infelizmente, como disse o senador-tampão do Maranhão, ao que muitos julgam, um conceito abstrato e subjetivo.

Veja o vídeo no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=O9b8HhoJpV8

 

 

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terça-feira, 31 de julho de 2012 Olimpíadas, Tênis Masculino | 15:06

Sacadores

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Isso que dá colocar em quadra dois mega sacadores e não tão megas devolvedores. Eles são capazes de ficar por ali horas. No caso de Tsonga e Raonic, quatro horas para decidir que vai para a próxima rodada.

No fim das contas se deu bem, mais uma vez, aquele que sacou primeiro e dançou quem teve que aguentar o rojão de sacar atrás. O francês bateu o canadense por 6/3 3/6 25/23.

Agora o francês vai celebrar com os amigos, que aguentaram o rojão com ele, e se preparar para a próxima rodada, contra o vencedor de Lopez e Monaco.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012 Tênis Masculino | 19:24

Mestre Jedi

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Que belíssimo jogo de tênis entre Roger Jedi Federer e o Milos Smurf Raonic. A partida teve de quase tudo um pouco. De mais inusitado tivemos Roger Federer sacando e voleando como se tivesse entrado na máquina do tempo.

O Raonic que tem um canhão na mão e quase 2m de altura não ia à rede atrás do saque – só atrás de alguma bola curta do adversário. A teimosia de Federer em sacar e volear quase coloca o adversário na próxima rodada. Milos teve oito break-points na partida e só conseguiu cacifar um único. Perdeu nessa estatística. A maior parte desses BP nem o suíço sabe como escapou.

Mas o que valeu foi o espetáculo que a quadra de terra azul proporcionou. Não é saibro, não é dura e muito menos grama. É terra, é azul, escorregadia e joga rápido, até pela altitude de Madrid.

E essa a grande curiosidade. É uma dureza esse circuito de saibro europeu – mais por conta da altura das cidades do que pelo piso. Vejamos; Madrid é considerado um torneio aparte, por conta da altitude, que também não é lá essas coisas. São 655 m, menos do que São Paulo. Já os outros principais torneios, Monte Carlo, Roma, Hamburgo, Lisboa são todos jogados na altura do mar, o que é uma dureza enorme para o estilo Federer. Paris está a menos de 100m, o que dá quase igual ao mar. Ou seja, além de ser jogado na terra, é jogado a uma altura que impede muita outra arte a não ser dos mestres do fundo de quadra.

Por isso o jogo de hoje foi um espetáculo à parte. Dois tenistas extremamente agressivos brigando em uma rodada inicial em um cenário diferente. Raonic jogou muito e o bastante para confirmar que chegou para ficar e ainda dará muito que falar. Perdeu o medo de dar na bola no fundo da quadra, o backhand melhorou muito, inclusive mudando de direção como se fosse ele um cachorrão. Em breve vai aprontar uma cachorrada daquelas.

Federer mostrou, mais uma vez, que a força está ao seu lado. Escapou de situações que só um Jedi conhece os caminhos. E ainda chegou na hora da onça, ajeitou as mechas e enfiou a mão sem perdão, sem contar o show junto à rede, uma arte cada vez mais rara entre os empurradores de bola. É lógico que Milos vai perder umas noites de sono por conta daquela bola que errou no 4×5 do TB. Mas essas coisas acontecem – perguntem ao Bellucci – e o canadense chegará a Wimbledon jogando barbaridades, se não se contundir. Quem viver lembrará minhas palavras.

“Curtam” e acompanhem o Blog no Facebook: https://www.facebook.com/BlogDoPauloCletoTenisnet?ref=tn_tnmn

Roger voleando e trocando a direção da bola. Olhem bem, o golpe está mais raro do que  uma balzaquiana virgem.

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sexta-feira, 4 de maio de 2012 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:09

Saibro Smurf

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Receio que a quadra azul do Aberto de Madrid, que começa este fim de semana, está se tornando mais importante do que o evento em si. Não duvido que isso seja bem vindo pelo dono do torneio, o romeno Ion “o Ogro” Tiriac, que, entre outras novidades, trouxe modelos para pegarem bolas, algo que muitos também reclamaram no início e para o que alguns ainda fazem cara feia. A única duvida que tenho a respeito é se algum tenista já perdeu a concentração durante o jogo com aqueles excessos femininos lhes dando bola. Mas, lembro que a maioria também achou um absurdo quando começaram a usar camisas coloridas em quadra e mais ainda quando Andre Agassi começou a usar as camisas espalhafatosas com desenhos horríveis que a Nike fazia para encaixar a sua personalidade.

Não deixa de ser interessante o fato de que a cor azul, em um tom bem semelhante, é a cor do principal patrocinador do evento, o que fica difícil de ignorar na questão. Os organizadores lembram que vários torneios usam cores diferentes durante a temporada e Slams como o U.S. Open o fez no passado e recentemente o Aberto da Austrália, também mudaram a cor do piso. Quanto à questão do contraste do amarelo da bola com o azul da quadra, a razão alegada para a mudança, nós vamos ver o quanto Tiriac tem razão assim que o televisionamento começar.

Rafa Nadal lidera o bloco dos que odeiam mesmo sem experimentar, algo que crianças fazem quando se veem à frente de um prato de miúdos. Em um malabarismo lógico, Nadal diz que entende e não culpa os organizadores e sim a ATP por permitir – algo na linha de não culpar o bandido que o assalta e recriminar a polícia que permitiu. Com isso, ele quer, como se fosse possível, preservar o evento espanhol e ao mesmo tempo seguir na sua cruzada de criticar a ATP por tudo e mais um pouco por não fazer as coisas exatamente como ele quer. A postura não é de hoje, piorou quando não conseguiu que as coisas fossem como queria, quando vice-presidente do Conselho da ATP, e a única coisa que mudou de anos atrás é que antes seu tio era o porta-voz de todas as reclamações. Em suas declarações Nadal diz que não há vantagens para os tenistas e para mais ninguém – só para o dono do torneio, se referindo a Tiriac, sem mencionar seu nome.

Deve ser um pouco constrangedor para ambos que um dos que defende a quadra azul é seu amigo, vizinho e mentor Carlos Moya. Este diz que não há nada errado com a quadra e que acha tudo muito bom com ela. Não sei se seria exatamente essa sua posição se ainda competisse no circuito profissional, mas não acredito que dissesse se não acreditasse. Além dele, o ex-número 1 do mundo e maior ícone do tênis espanhol, Manuel Santana, é o diretor do torneio, avalista do piso e tem recebido os principais tenistas na Quadra Central.

Novak Djokovic não gostou que mudassem a quadra sem o aval dos tenistas, uma questão atualmente nos vestiários. Ele diz que uma decisão como essa não pode ficar nas mãos de um executivo, no caso o presidente da ATP, e não passar pelos tenistas. Após seu primeiro bate bola, disse o quique da bola é um pouco diferente, especialmente no slice.

Andy Murray, antes de abandonar o torneio por conta de uma contusão nas costas, afirmou não ter maiores restrições à quadra azul, antes de jogar nela, do que o fato de o evento ser tão próximo a Roland Garros. Ele concorda que às vezes é difícil assistir jogos no saibro na TV e que entende a mudança.

A posição do diplomata Federer é expressa em poucas palavras. “É uma história bem longa, mas acho triste que o evento seja disputado em uma quadra que os tenistas não aceitam e que Nadal seja obrigado a jogar em uma quadra que não aceita em seu próprio país.”

Fernando Verdasco disse que gostou da quadra, o “deslizar” e que permite ótima movimentação. As marcas deixadas pelas bolas são bem claras Ele salienta que Madrid é sempre complicada pela altitude.

Milos Raonic deixou a coisa mais simples e cômica ao chamar a quadra de “saibro smurf”, lembrando os personagens azuis das histórias em quadrinhos e filmes.

O atual presidente da ATP, no cargo desde Novembro último, não foi o que aprovou o piso, mas decidiu manter a decisão, pelo menos para este evento. Após o torneio a ATP fará uma revisão do assunto e decidirá se a quadra continua azul ou voltará à cor laranja/vermelho, o que deixará a questão em aberto mesmo após o torneio.

Lembrando que o evento reúne homens e mulheres na mesma semana e estas tiveram ainda menos input sobre o assunto do que os homens. No entanto as moças tem mantido um “low profile” sobre o assunto.

Serena segiu na sua linha rebeldo declarando ser ridiculo o saibro azul e que o seu veto à cor foi simplesmente ignorado. Maria Sharapova treinou, achou interessante e “diferente”, sem passar qualquer julgamento negativo. Cirstea, romena como Tiriac, adorou a novidade, que diz ser boa para o tênis. Venus Williams diz que a quadra é uma declaração fashionista, o que faz bem o seu gênero e com o que Maria concorda, ao dizer que “é bem legal para o espetáculo e o entretenimento, dois fatores importantes no esporte”. Pelo menos por enquanto as mulheres parecem ter um olhar mais feminino e de menos conflito sobre o assunto. Mas acredito que muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte nos próximos dias.

Quadra azul e bola amerela – visual melhor?

Saibro Smurf ?



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