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Posts com a Tag jurgen melzer

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 Tênis Masculino | 12:41

Aproveitadores e Petrodólares

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Não foi só os espanhóis que se aproveitaram da ausência dos cachorrões. O canadense Raonic volta a jogar bem exatamente na mesma época que começou a colocar as manguinhas de fora na temporada passada. Venceu  Não por acaso a temporada de quadras cobertas, cenário ideal para seu estilo sacador. Cenário ideal para seu estilo sacador. Nas 5 finais que jogou, ele disputou 12 sets, 11 desses foram longos e 9 no tie-break, o que dá uma dimensão exata do estilo que compartilha com Isner e Karlovic.

Mas seu saque não foi o bastante para derrotar o MalaMelzer, um dos meus tenistas favoritos de se assistir. Ele é totalmente “out of the box”, um alívio nos dias de hoje. O austríaco, que já havia se metido entre os Top10 teve um ano conturbado e horrível em 2011, mesmo aos 30 anos encontrou forças, já que o talento e habilidade não o abandonaram, para ir dentro da casa dos gringos – o Torneio de Memphis é um típico evento americano – e levar a taça.

Del Potro fez a lição de casa. Colocou 73% de seus 1ºs serviços em quadra, e se você não sabe a importância disso contra um tenista como Michael Llodra é melhor levantar do sofá, e venceu o evento realizado na sempre densa Marseille. É o primeiro título indoors do argentino, algo que me remete àquela final da Davis na Argentina. Mesmo assim, os franceses fizeram bom uso da semana. Llodra, que só joga com empenho quando lhe dá na telha, fez um belo torneio, sendo derrotado na final. Até lá nos lembrou do quanto emocionante e plástico é o estilo saque/voleio. Tsonga, mesmo derrotado por Delpo na semifinal, melhorou seu ranking para colocá-lo como o 5º do mundo, o seu melhor, nada mal em tempos de Fab4.

Uma semaninha bem democrática, que ajudou muita gente. Só não ajudou quem não quis ou não precisa. Mas esta semana, os petrodólares tiram todos os cachorrões, menos Nadal, da toca e os colocam no Dubai.

Delpo – levou a taça em Marselha.

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terça-feira, 19 de abril de 2011 Tênis Masculino | 13:46

Fechando Monte Carlo

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Só para encerrar o capitulo Monte Carlo, que já se foi tragado pelo Mediterrâneo, fecho algumas pendências.

Começando sobre a tática utilizada pelo Jurgen Melzer, que fez uma diferença na sua vitória sobre o suíço Federer, e sobre a qual deixei aqui um ponto de interrogação. Vários leitores colocaram suas observações, a maioria com bons fundamentos, o que mostra o pessoal atento e entendendo do babado. No entanto, a tática a que me referi não foi mencionada por ninguém. Foi o fato de o austríaco ficar tão insistentemente jogando bolas no centro e fundo da quadra, tirando os ângulos do suíço, que adora tanto as paralelas e ângulos para seus ataques.

Não sei o quanto o fato de ventar bastante naquele dia influenciou a decisão. O fato é que jogando no centro ele obrigou Federer a jogar de volta ao centro, e o obrigou a esperar para efetuar seus ataques ou correr o risco de errar ao tentar criar os ângulos. Eu até me surpreendi com a insistência no início, além do fato de ser a primeira vez que vi alguém fazer isso com Federer, mas ninguém pode dizer que não deu certo.

Outro assunto é a insistência com que alguns leitores diferenciaram o quesito “respeito” do assunto “mental” na derrota de Ferrer para Nadal. O “respeito” em quadra é algo que um tenista adquire, e nutre, por conta de sua postura e conquistas – algo mais para o “tenista” do que o “sofasista” entender, rsrsrs. Ferrer respeita sim o conterrâneo, a ponto de ter dificuldades em jogar seu melhor na hora da onça beber água, que é quando uma partida é definida – vejam o placar da final.

Por fim, percebi o embrião de “discussão”, no bom sentido, sobre Tática e Estratégia. Pena que não evoluiu. Seria muito mais interessante e benéfica que essa discussão tola e que não leva a nada sobre sofasistas.

Eu mesmo me pergunto sobre os limites de uma e outra e tenho cá minhas idéias a respeito. O assunto desperta inúmeras colocações, nas mais variadas áreas e pelas mais variadas pessoas. Complexo, interessante e sobre o qual pretendo me debruçar. Enquanto isso, gosto de pensar que alguns reconhecidos estrategistas e criativos dissertadores do nosso pedaço poderiam contribuir de maneira retumbante. O desafio está lançado a quem se motive.

Aníbal e seus elefantes atravessando os alpes.

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sexta-feira, 15 de abril de 2011 Tênis Masculino | 10:13

Nas nuvens de Monte Carlo

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Estou nas nuvens. Um dia, uma exibição do Murray. No outro, um espetáculo com dois dos mais talentosos tenistas que já acompanhei: Roger Federer e Jurgen Melzer. Praticamente tudo que escrevi no Post anterior sobre o escocês Murray vale para o austríaco Melzer. Talvez eu pudesse carregar ainda mais na tinta das habilidades neste caso.

Sempre me abismou o fato de Melzer não ser melhor classificado do que era. Nos últimos anos frequentou a faixa entre #30 e #60 do mundo, o que não espelhava seu potencial, já que sempre teve talento de sobra – o título juvenil de Wimbledon de 1999 é prova disso.

Em 2007, aos 25 anos, despencou para #60 e contratou o suecozen Joachim Nystrom que, para quem não sabe, jogou muito tênis, no estilo paparrão. O Chela me lembra ele. Imagino que o estilo monge do Tibet de Nystrom ajudou Melzer se encontrar, já que era mascarado demais, uma constante em atletas super dotados, e tenista de menos.

Aos poucos Melzer progrediu, o bastante para entrar entre os 10 melhores do mundo no ano passado – hoje ele é #9 do mundo. Parou de largar jogos, outra constante dos abílios, a brigar mais e melhor utilizar seu extenso arsenal. O cara faz de tudo no fundo da quadra e, junto à rede, faz a esmagadora maioria de seus colegas de profissão passar vergonha – vale lembrar que é top 10 também nas duplas.

Ele executou um voleio-deixada, no break-point do 4×3 do 2º set, que fez o estomago do suíço revirar. Fora uma curtinha, executada também ali pelo fim do jogo, vinda do nada, que o suíço nem tentou sair do lugar para não passar vergonha. Aliás, talvez após levar tanta winner de curtinha, Federer, que sempre convida o canhoto Melzer para treinar, por conta da rivalidade com Nadal, possa, finalmente, trazer esse veneno para os confrontos com o espanhol.

O começo da temporada é algo que Melzer provavelmente gostaria de apagar – não fez nada para se orgulhar. Mas agora volta ao Velho Mundo e suas quadras de terra vermelha, onde pode usar e abusar de suas habilidades, que são um verdadeiro bálsamo em tempos de tantas porradas e ausência de sutilezas. Só posso dizer que quem não gosta do tênis do Melzer não gosta de tênis.

Só por curiosidade, deixo uma pergunta. Qual foi uma tática aplicada pelo austríaco, importante na sua vitória sobre Roger Federer hoje em Monte Carlo? Não se apressem em escrever que foi a curtinha, a melhor do circuito, pela maneira como esconde o golpe, como controla a bolinha, como é extremamente regular. Essa é muito óbvia.

O abílio jurgen.

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sexta-feira, 4 de março de 2011 Tênis Masculino | 14:53

O tal espírito.

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Acontecem os primeiros resultados deste fim de semana de Copa Davis. Olho para eles e lá me vem o pensamento sobre o tal espírito de Copa Davis – que uns tem, outros não.

Exemplos?

A primeira partida do confronto Índia e Sérvia.

Um leitor colocou que Djoko se afastou da competição porque, teoricamente, é um confronto sem problemas para a Sérvia. Viktor Troicky, franco favorito, venceu sua partida no quinto set contra Bopanna, aquele mesmo que muitos se abismaram de levar Bellucci ao quinto set e bater Ricardo Melo. Uma partida entre dois tenistas com um bom espírito de Davis. Troicky já o provou fechando a final contra a França, Bopanna, um especialista em duplas, dificultando a vida de adversários bem melhores rankeados.

O outro lado da moeda aconteceu em Viena. Jurgen Melzer, #10 do mundo, líder de seu time, jogando em casa, contra uma França fragilizada, vai lá e perde para o Jeremy Chardy, #55 do mundo, acabando com toda e qualquer chance de seu país surpreender a atual vice-campeã.

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010 Tênis Masculino | 11:43

O Abílio

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É uma daquelas ambiguidades que quem gosta do esporte é obrigado a aceitar e conviver. Você gosta do atleta como pessoa, mas não como exatamente atleta. Ou o inverso; o cara tem uma excelente personalidade, mas nem tanto tecnicamente. Estou liberalizando e generalizando, mas dá para entender a mensagem.

Sempre fui fã do tênis do austríaco Jurgen Melzer, mas o cara tem as características de uma mala sem alça. Como hoje estou de bom humor, uma frequência, vou deixar o mala de lado e me concentrar no estiloso tenista.

Sou fã porque Melzer traz para a quadra um estilo distinto, elegante, técnico, imaginativo, sutil, habilidoso e interessante de assistir. Um prato da cozinha francesa dos mais refinados que preenche as mais severas expectativas de um connoisseur.

O austríaco está com 29 anos e chega a sua plenitude como tenista, algo sempre interessante de assistir e acompanhar. Não são todos os tenistas que conseguem maturar nos seus primeiros anos no circuito.

O caso de Melzer é clássico. Tenista extremamente habilidoso, com ótimos resultados como juvenil – venceu o torneio juvenil em Wimbledon em 1999, quando o conheci – e que tem dificuldades em preencher as expectativas no início carreira, o que acarreta em perda de confiança e um inevitável atraso, quando não coisa pior, na carreira.

Jurgen sempre teve problemas emocionais nos momentos importantes, de um game, jogo e torneio, que é o que define um campeão. Um exemplo claro disso é seu recorde em finais na ATP Tour. Foram nove finais e sete derrotas. Um grande campeão tem o recorde inverso.

Melzer sobreviveu aos seus demônios e um bom dia sempre foi um dos tenistas mais interessantes de assistir. Desde o ano passado conseguiu alinhar as estrelas e subir de padrão. A semifinal em Roland Garros em 2010 deixou isso evidente, além da dose cavalar de Confiatrix. Duas semanas depois venceu o torneio de duplas em Wimbledon, um prêmio para o mais sutil voleador do circuito.

Sua vitória hoje sobre Rafael Nadal foi incontestável. Impôs o seu estilo, inclusive nos momentos mais tensos. Não deixou o espanhol jogar, o que por si fala alto, deu um show de tática e habilidade, tornando a partida uma festa para os olhos. São exibições que o amante do tênis fica feliz de presenciar.

Melzer – habilidade e talento em amaducerimento.

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