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Posts com a Tag jo-wilfried tsonga

segunda-feira, 2 de maio de 2016 Juvenis, Masters 1000, Porque o Tênis. | 00:20

Bavárias e turcas

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Algumas coisas bem interessantes acontecem nesses semanas de torneios 250, quando boa parte dos cachorrões se escondem e descansam, já que o foco deles são os Masters 1000, os Grand Slam, e o torneios menores que tenham uma caminhão de dinheiro para pagar suas garantias que, muitas vezes, é dinheiro jogado fora – ou já esqueceram do papelão do Tsonga no Rio?

 
Mas as finais de Munique e Istambul colocaram algo a mais na mesa para o verdadeiro fã do tênis, que não precisa de estrelas, que às vezes nem brilham tanto, para apreciarem um bom jogo. E foi isso que o entendido público bavário teve. Uma final não fica muito melhor do que quando o tenista da casa faz o possível e o impossível para ganhar na frente dos seus – que saudades dos tempos de Luiz Mattar, Carlos Kirmayr, Jaime Oncins e Gustavo Kuerten.

 
O alemão Kohlschreiber, um veterano de 32 anos, dono de um tênis clássico, uma das esquerdas mais doces do circuito, bons voleios e um bom entendimento da arquitetura do jogo, conseguiu se impor, inclusive na hora da onça beber água, sobre uma das maiores promessas do tênis atual, o seu vizinho da Austria, Dominic Thiem, um verdadeiro “animal” em quadra, dono de uma força física privilegiada, pela qual trabalhou, e segue trabalhando, complementado por um dos melhores golpes do tênis – o seu forehand, que, arrisco escrever, ainda vai melhorar.

 
Quem não viu dançou, quem assistiu sabe que foi um privilégio, não só pela qualidades técnica, mas pela emoção, dramaticidade e competitividade, componentes que não podem faltar em um grande jogo – 7/6 4/6 7/6.

 
Em Istambul eu estava feliz antes mesmo do jogo, com a final do baixinho argentino Diego Schwartzman, um cara pelo qual tiro o chapéu cada vez que o vejo em quadra – um exemplo para muito juvenil por aí afora.

 

O búlgaro venceu o primeiro set no TB e tinha 5×2 no 2o set. Aí o creme desandou. Ele diz que começou a sentir caibras. Eu lembro que o talentoso rapaz tem mais a fama de não ter o controle dos nervos nos grandes momentos, do que a de não ter pernas para jogar dois sets.

 
De qualquer jeito, deixou escapar o set em outro TB. Aí a vaca cavalgou para o brejo. Ele, já claramente sem condições físicas, começou a destruir raquetes. Foram advertências, pontos etc. No 0x5 ele aproveitou para fazer o esculacho final; acabou com mais uma raquete, e quando o boa praça Lahyani ia tascar mais uma, ele foi à sua raqueteira, pegou outra e destruiu mais uma em cima de outra. Acabou o trabalho e já cumprimentou o juizão, que não ficou nem um pouco feliz, virou e foi abraçar o argentino, deixando claro que sua frustração começava e terminava com ele.

 
Durante a premiação ficou com uma cara de bezerro desmamado de dar dó. Mas, na hora de receber a premiação veio a redenção. Dimitrov pegou o microfone e ofereceu um dos mais sinceros pedidos de desculpas públicas que já ouvi: “acima de tudo eu desapontei minha família, meu time, meus fãs com esse tipo de atitude que tive em quadra. Peço desculpas”.

 
Errar, todos erramos. Reconhecer e oferecer desculpas sinceras, minutos depois, curto e grosso, sem embromação, raros fazem. Em um dia que poderia ser criticado e crucificado, da minha parte, Grigor Dimitrov saiu maior de quadra.

Veja o “show” de Dimitrov na minha página do facebook.

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sábado, 20 de abril de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 12:07

Natureza humana

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Sob extrema pressão o ser humano volta a sua zona de conforto – o tenista não é diferente.

O Mascara Fognini quando descobriu que ainda não tem cacife para enfrentar o Djoko simplesmente abandonou a luta, o que deve ter deixado seu técnico espanhol irado e a sua torcida italiana decepcionada. O cara ainda não descobriu que para ganhar de jogadores como Nadal e Djokovic o tenista tem que estar pronto para colocar a alma no jogo e o sangue pela quadra. E o tal do Fognini, com suas habilidades e facilidade de bater na bola, ainda prefere, nessas ocasiões, se refugiar naquele andar displicente, no ar de enfado e na aparência de quem não está assim tão a fim. Essa fuga emocional e camuflada é mais velha do que andar pra frente nas quadras de tênis, pelo menos para quem já empunhou a raquete em cenário competitivo, mas ainda convence o emocional do italiano.

Não é algo tããão distinto, mesmo sendo diferente, com o Tsonga. O cenário da semifinal de hoje em Monte Carlo me lembrou o de Miami 2012 quando ele também enfrentou Rafa Nadal. Naquela ocasião, o espanhol tinha 6/1 5/2 quando eu decidi sair à francesa para evitar o caótico transito de fim de jornada. Só para descobrir que o francês começou a arriscar tudo, o espanhol vacilou e quando cheguei ao hotel a partida estava no início do 3º set. Minha mulher, fã do “tão fofo” chegou a pedir o divórcio.

Hoje, o touro de Majorca enfiou 6/3 5/1, até Tsonga decidir que era a hora de botar fogo no principado, indo para o tudo ou nada, tática mais velha do que o Simca Chambord quando o tenista percebe que a vaca foi pro brejo e que mais nada tem a perder. Como o francês tem golpes para incomodar qualquer um, desde que entrem, como o saque e a direita, conseguiu quase virar o jogo. Êta “quase” maldito. Levou para o tie-break.

Mas aí, como também é da natureza humana, Tsonga viu que tinha um pássaro nas mãos e queria outro. Esse outro era ir para o 3º set e ter a possibilidade de vencer a partida. Para tal, abriu mão da tática suicida, só para, mais uma vez, ver o espanhol ir para a final de Monte Carlo. Sei.

Amanhã os dois tarados decidem que é o rei da cocada monegasca.

Tsonga e o bicão…

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terça-feira, 6 de novembro de 2012 Tênis Masculino | 15:57

0x30 e nada…

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O que mais me chamou a atenção nas partidas de ontem foi um detalhe da partida Tsonga x Djoko. No game do 4×4, 1o set, saque do sérvio, o francês abre ox30 atacando todas as bolas, inclusive na devolução, mexendo com a confiança do sérvio. No 0x3o Tsonga permitiu o oponente entrar na disputa do ponto, que foi um dos mais longos, exatamente o paraíso do Djoko. Acabou errando, sem nunca arriscar. Perdeu aquele e os três pontos seguidos. Perdeu tambem o TB e o jogo. Será que ele ficou encafifando sobre a ausencia de audácia naquele ponto? Eu fiquei, e não perdi nada com isso…

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quinta-feira, 3 de maio de 2012 Tênis Masculino | 14:26

No win

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O leitor Rodrigo P questiona se o convite do torneio de Munique para Tommy Hass foi um “bom” ou “mau” convite, já que o convidado derrotou o principal tenista da chave Jo Tsonga.

É aquilo que em inglês se caracteriza como uma “no win situation” para os organizadores. Pagaram uma nota preta para o francês jogar o evento e convidaram Hass, um belissimo tenista que encara uma aposentadoria precoce por conta de inumeras contusões. Além do fato que Hass é alemão. Até aí tudo certo. Não custa lembrar que o alemão tem 34 anos, chegou a ser #2 do mundo em 2000, foi uma enorme promessa e nunca conseguiu ser o que poderia ter sido tanto por uma certa fraqueza psicológica como por uma série de contusões e um acidente com seu pai que o tirou do circuito por quase uma temporada.

Pois no sorteio, e alguém ali tem uma maozinha venenosa, coloca os dois fernte a frente na 1a rodada. Os organizadores devem ter tido um treco na hora e soltado uma scheiße atrás da outra.

Até algumas décadas atrás, os donos do torneio teriam melado o sorteio na hora. Nos dias de hoje é obrigado a presença do Supervisor e do Representante da ATP para que macaquisses não aconteçam nos torneios. Eu praticamente coloco a mão no fogo que assim é. A única vez que achei que tinha mico no circo foi em uma Copa Davis no exterior, mas isso é outro caso. Sendo assim, os organizadores tiveram que engolir o prejuizo e afogar a mágoa em alguma bierhouse da vizinhança só de ver o sorteio.

Se eles ficaram mais contentes com a vitória de Hass do que da possível, e esperada, vitória do francês já não sei dizer. Só posso garantir que o Angst vai cair como uma nuvem negra na Diretoria se o Haas tomar um cascudo do Baghdatis na próxima rodada.

Quem quiser olhar o quanto plástico é o tênis do alemão, assim para onde o Tênis poderia ter ido e, infelizmente não foi, é só olhar o video abaixo de seu confronto com Federer no AO 2006.

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 Tênis Masculino | 12:41

Aproveitadores e Petrodólares

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Não foi só os espanhóis que se aproveitaram da ausência dos cachorrões. O canadense Raonic volta a jogar bem exatamente na mesma época que começou a colocar as manguinhas de fora na temporada passada. Venceu  Não por acaso a temporada de quadras cobertas, cenário ideal para seu estilo sacador. Cenário ideal para seu estilo sacador. Nas 5 finais que jogou, ele disputou 12 sets, 11 desses foram longos e 9 no tie-break, o que dá uma dimensão exata do estilo que compartilha com Isner e Karlovic.

Mas seu saque não foi o bastante para derrotar o MalaMelzer, um dos meus tenistas favoritos de se assistir. Ele é totalmente “out of the box”, um alívio nos dias de hoje. O austríaco, que já havia se metido entre os Top10 teve um ano conturbado e horrível em 2011, mesmo aos 30 anos encontrou forças, já que o talento e habilidade não o abandonaram, para ir dentro da casa dos gringos – o Torneio de Memphis é um típico evento americano – e levar a taça.

Del Potro fez a lição de casa. Colocou 73% de seus 1ºs serviços em quadra, e se você não sabe a importância disso contra um tenista como Michael Llodra é melhor levantar do sofá, e venceu o evento realizado na sempre densa Marseille. É o primeiro título indoors do argentino, algo que me remete àquela final da Davis na Argentina. Mesmo assim, os franceses fizeram bom uso da semana. Llodra, que só joga com empenho quando lhe dá na telha, fez um belo torneio, sendo derrotado na final. Até lá nos lembrou do quanto emocionante e plástico é o estilo saque/voleio. Tsonga, mesmo derrotado por Delpo na semifinal, melhorou seu ranking para colocá-lo como o 5º do mundo, o seu melhor, nada mal em tempos de Fab4.

Uma semaninha bem democrática, que ajudou muita gente. Só não ajudou quem não quis ou não precisa. Mas esta semana, os petrodólares tiram todos os cachorrões, menos Nadal, da toca e os colocam no Dubai.

Delpo – levou a taça em Marselha.

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quarta-feira, 29 de junho de 2011 Tênis Masculino | 13:36

Milho para bode

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Não é de hoje que Roger Federer está dando milho para bode. Hoje, mais uma vez, ele priorizou o topete e dançou nas mãos gulosas de Jo-Wilfrid Tsonga.

A partida, decidida em 5 sets – uma das raras vezes que o suíço permitiu uma virada quando vencia por 2×0, a única em Grand Slams, após 178 partidas consecutivas quando fez 2×0 – poderia ter ido para vários lados. Tsonga teve um péssimo inicio de jogo, perdendo seu saque logo de cara, após uma pixotada junto à rede, algo do que ele só foi se recuperar quando o suíço viajou no início do 3º set e ele quebrou com uma bola que pegou uma casquinha da linha.

Após vencer o terceiro set, o francês se encheu de confiança e começou a acreditar que era o seu dia ou, na pior das hipóteses, não tinha nada a perder e que o suíço poderia tropeçar no cadarço.

Tsonga começou a sacar como sabe e a bater umas direitas as quais imitiam um som no impacto que eu nunca ouvi. A bola andava barbaridades. E, como é quase sempre o caso, depois que se começa a dar milho para o bode, este quer sempre mais.

No quinto set, Federer, mais uma vez, foi quebrado no início o que decretou sua derrota. Até porque se ele segura o chapéu e leva a partida para a hora da onça beber água – termo qual o comentarista de Dácio Campos usou pela primeira vez, que eu ouvi, e se não deu crédito nominal, pelo menos disse que é frase de quem entende das coisas, o que elejo acreditar que foi simpático da parte dele – o suíço poderia ter ganho a partida porque tem mais sangue frio nessas horas do que o francês. Como deu essa colher de chá, Tsonga se encheu de moral, foi agressivo até o fim e sacou muito para fechar a partida.

Surpresa? Sim, porque Federer era o grande favorito na grama sagrada. Não porque o francês foi à final de Queen’s, mostrando que seu jogo é perigoso sobre a grama e ele está cheio de amor para dar após tantas contusões. Falando em amor, adorei ver no final o sorriso no rosto da sua super-interessante namorada que, nos primeiros sets, demonstrava uma tristeza de doer.

                                                                                                                                                              Tsonga – Bodão!

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