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Posts com a Tag Jo Tsonga

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 01:01

Sorte?

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Se buscarmos a palavra “oportunidade” no google, aparecerão inúmeras frases interessantes que preencheriam um capitulo de um livro de auto ajuda. Talvez por ter se revelado pela primeira vez pra mim quando ainda estudava nos Estados Unidos, a seguinte tenha se tornado uma de minhas favoritas: “a sorte surge quando a oportunidade encontra a preparação”.

 

Pensando bem, a frase define com razoável precisão a surpreendente vitória de Thiago Monteiro sobre o francês, e # 9 do mundo, o Jo Tsonga.

 

Convenhamos, Tsonga deveria ter um mínimo de vergonha em se apresentar como o fez por aqui na América do Sul. Em Buenos Aires perdeu na 2a rodada, no Rio dançou na primeira, sendo que, como cabeça de chave #3, a expectativa é que chegasse, no mínimo, à semifinal.

 

Na partida contra Monteiro, Tsonga esteve bem abaixo de seu padrão. Pode-se imaginar que tenha subestimado o jovem brasileiro, #338 do mundo. Convenhamos, teoricamente o nosso tenista não seria páreo para o top 10. Teoricamente.

 

Na verdade, o que se viu foi um tenista que ou achou que o jogo estava ganho antes de entrar em quadra, ou não fez o esforço necessário para se preparar para a partida, o mínimo que se espera de um profissional como ele. Considerando Buenos Aires, parece que não fez uma preparação adequada para vir jogar no saibro da América do Sul. Seja lá o que for, o primeiro set do favorito foi quase ridículo. No 2o set melhorou, enquanto Thiago perdeu o foco, e no 3o ficou claro que quando quis ganhar não tinha na sua caixa de ferramentas o que era necessário.

 

E o que Thiago tem a ver com isso tudo? Tem, como diz a frase lá em cima, que ele se preparou para o que desse e viesse, fazendo jus à escolha do convite da organização e a responsabilidade atachada a ela.

 

Thiago chegou ao Rio para defender sua carreira, aproveitar a oportunidade e se apresentar, com orgulho e respeito, perante um público pagante que sai de casa para assistir tenistas profissionais, se enfrentando em uma arena que exigiu grandes investimentos e muito trabalho de todos envolvidos.

 

Será que Tsonga leva tudo isso em consideração quando exige e aceita, o que imagino, um grande valor somente para aparecer e jogar? Aparentemente não.

 

Por outro lado, Monteiro teve seu encontro com a sorte quando o destino lhe deu a oportunidade de estarr do outro lado da quadra de um adversário que não se deu ao respeito na 1a rodada de um grande torneio. Como estava preparado, pode realizar algo, e isso ninguém lhe tira, que em nenhuma hipótese é fácil de realizar: bater um tenista top 10.

 

 

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Thiago explica sua vitória a Dacio Campos.

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quarta-feira, 18 de junho de 2014 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Wimbledon | 20:38

Os cabeças em Wimbledon

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Os ingleses anunciaram hoje os cabeças de chave em Wimbledon. Eles continuam se auto autorizando a fazer essa escolha conforme seus próprios parâmetros. Sao os únicos a fazê-lo, já que os americanos arquivaram o assunto após muitos protestos.

E qual esse critério dos ingleses? Seguinte:

1-Pegam os pontos do ranking ATP de 16 de junho
2-Acrescentam 100% dos pontos ganhos em todos os torneios sobre grama nos últimos 12 meses.
3-Acrescentam 75% ganhos no melhor resultado sobre grama nos últimos 12 meses anteriores aos 12 meses acima.

O interessante é que essa fórmula só vale para a chave masculina. A feminina obedece o ranking da WTA.

É justo? Sobre justo sabedoria popular tem um ditado grosseiro. É injusto? Nao – nem tanto, a nao ser por aquele último quesito. Mas é como é.

Vejam como sao os top13 da ATP:
1-Nadal
2-Djoko
3-Wawrinka
4-Federer
5-Murray
6-Berdich
7-Ferrer
8-Del Potro
9-Raonic
10-Gulbis
11-Isner
12-Nihokori
13-Dimitrov
14-Gasquet
15-Fognini
16-Youzhny

Vejam como ficou em Wimbledon:
1-Djoko
2-Nadal
3-Murray
4-Federer
5-Wawrinka
6-Berdich
7-Ferrer
8-Raonic
9-Isner
10-Nishikori
11-Dimitrov
12-Gulbis
13-Gasquet
14-Tsonga
15-Janowicz
16-Fognini

E quais as consequências disso? Esse ano até que muita. Andy Murray, o atual #5 do ranking da ATP, é o mais favorecido – nao esquecer que é o atual campeao. Em Wimbledon será #3. Poderia, pelo ranking ATP, cair contra um dos quatro primeiros ainda nas 4as de final. Agora só pegará um dos top dois nas semifinais. Ajuda.

Wawrinka o que leva a pior. Vai cair na rede.

Para Nadal e Djoko nao importa – é mais uma questao de status.

Bom também para Tsonga e Janowicz que estao entre os 16 cabeças. Ruim para Youzhny, único que dançou nessa.

As mulheres nao entram nessa história, provavelmente porque os organizadores acreditam que nao faz nenhuma diferença os estilos femininos de jogar na terra ou na grama. Aliás, no tênis feminino só tem praticamente um estilo, onde, entre outras coisas, o saque, cam rarissimas exceçoes, nao é um diferencial. Mas nenhuma delas vai ganhar a vida sacando e voleando.

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segunda-feira, 3 de junho de 2013 Roland Garros | 19:08

Imperdível

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Nesta 3a feira os mineiros Bruno Soares e Marcelo Melo entram em quadra para decidir, juntos com seus respectivos parceiros, quem irá para as quartas de final de Paris. A dupla de Andre Sá e Feliciano Lopez foi eliminada pelos epsanhois Marrero/Verdasco.

Bia Maia também estará em quadra, logo na 1a hora, 11h, enfrentando a #2 da chave, a suíça Belinda Bencic.

Isso sem contar que teremos na QC, talvez a partida mais aguardada pelo publico francês. O combate entre Rodgeur Federer e Jo Tsonga. Amanhã o publico terá que decidir com quem fica. Se com o tênis clássico do suíço ou vão ficar onde o passaporte e o coração mandam. Independente da torcida, que será um espetáculo à parte, a partida seá um belísimo confrontos, reuninado dois tenista que gostam de ir para as bolas, pressionar o adversário e jogar com audácia. É jogo para assistir na beira do assento. Imperdível.

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terça-feira, 28 de maio de 2013 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 06:07

Para melhorar o humor

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Ontem foi um anormal para um dia de primeira semana de Slam. Geralmente fico longe da Quadra Central, porque pouco de interessante acontece por lá nestes primeiros dias. Lá colocam os cachorrões e normalmente eles têm poucos problemas antão. Quem podia contar com Nadal tendo tantos problemas com um fantasmaço logo de cara? E quem podia contar que dois big dogos como Berdich e Monfils se enfrentariam logo de cara – aquilo é jogo para as quartas, mínimo. Valeu o dia. E também impediu que o pessoal da QC se espalhasse pelo estádio, dando certa folga para o publico com ingresso geral.

Minha ultima visita havia sido em 2005. Houve poucs mudanças físicas e algumas na sistematização do evento. Uma ligada à outra. Como não conseguiram crescer, tiveram que colocar mais restrições, mais jovens orientando, mais seguranças fazendo o que seguranças fazem.

Ontem no final do dia os jogos da Suzanne Lenglen acabaram mais cedo do que de outras quadras. Uma parte do publico, que provavelmente não tinha ingressos para a quadra, subiram as escadas e ficaram ali, do meio das arquibancadas, olhando e tirando fotos. Um segurança, com todo o estilo de seguranças, os enxotou dizendo que não tinha jogo e estava acabado. Um dia alguem precisa me dizer que mal havia.

O placar da QC mudou, e para melhor. Usa bem os recursos technológicos. Durante os pontos mostra somente o placar. Entre os pontos mostra breves flashs (redundância) do ponto anterior – não necessariamente lineares e o ponto inteiro. Durante intervalos de games se estende nos pontos dos games anteriores.

O presidente da FFT declarou que o sonho dele é entregar o troféu de campeão a um francês, acompanhado de Yannick Noah. Os franceses acreditam que o Tsonga pode fazê-lo. Jo tem ímpeto mental para fazê-lo, mas não sei se tem a técnica necessária para ganhar um GS na terra desses três que estão aí. Eu acho que o Monfils tem mais condições técnicas, mas não sei se o mano tem a cabeça para tal feito. O Gasquet é o menos capaz, em ambos os quesitos. Vai ser interessante acompanhar. Até porque o humor e a auto estima dos franceses fica melhor quando os jogadores ganham. Quando perdem vem aqueles muxoxos e auto depreciação de sempre e que o brasileiro também conhece.

Após a partida conversei brevemente com Rogerio Silva. Perguntei se os pais dele não viriam um dia a Roland Garros. Joguei com o pai dele toda minha infância, somos da mesma idade e crescemos no mesmo Clube Pinheiros. Ele começou como pegador de bola e tornou-se um dos melhores tenistas brasileiro da época – era rapidíssimo e tinha ótima esquerda. Extremamente educado e introvertido passou a educação para o filho. O filho afirma que o pai odeia viajar e que não entra em avião nem por decreto. Para ir assistir a Davis em Rio Preto só foi de onibus. Confesso que para eu entrar em avião atualmente é o mesmo esforço. Rogério é o filho repetindo uma história de sucesso na sua vida. Ontem um leitor mencionou que a vitória de Gulbis era mais do que esperada. Não devia saber que Rogério havia batido e letão no ano passado no Torneio de Kitzbuhl.

Rogério, assim como eu, acha que melhorou na ultima temporada. Está mais sólido dos dois lados e por isso não precisa fugir tanto do revés e pode usar sua energia para ser mais agressivo. Vai jogar os torneios da grama e depois volta ao saibro por mais quatro eventos. Sua meta e luta é por se instalar entre os 100, de preferência abaixo de 80, para poder entrar nos torneios maiores. E sair desse limbo também dá muito mais espaço para a confiança crescer e a carreira deslanchar. É uma estresse dos diabos no dia a dia e a cada vez que entra em um jogo ter que conquistar esses pontos. Se entrar entre os 70/80 fica um pouco, eu disse pouco, mais sossegado.

Olho para cima e não sei se vamos ter tênis o dia inteiro. O dia está feio e não vejo um tantinho de azul para alegrar o coração. Isso após o glorioso dia de ontem.

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domingo, 13 de janeiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:34

A chave do Aberto da Austrália

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Começa hoje o mais improvável dos Grand Slams, aquele que subsistiu a todo tipo de adversidade, especialmente à distância dos centros do universo e uma data que maior mico não poderia ser. Sobreviveu graças à tradição do tênis local e uma mudança radical no evento, realizada pela federação local nos anos oitenta. Hoje é o GS mais gostado pelos tenistas, apesar dos senões.

Com a ausência de Rafa Nadal e presença de todos os outros, o evento, por ser o primeiro da temporada, é sujeito a pequenas zebras. É uma oportunidade para os tenistas que correm por fora conseguir bons resultados. Detalhe; as notícias que chegam afirmam que as quadras estão mais rápidas este ano, o que ajuda alguns e prejudica outros – inclusive no tête à tetê, sempre bom para las zebritas. Vejamos como ficou a chave masculina.

El Djoko começa contra Mathieu, que sempre ameaça, mas nunca cumpre. Pode pegar o jovem Harrison em seguida, se este passar pelo Giraldo. Por ali Troicki enfrenta Stepanek – nossa!

Wawrinka enfrenta Steebe, que ainda é uma incógnita, mas um talento. Monaco pode pegar Anderson na 2ª rodada, o que não é uma boa para o argentino.

Fechando o quadrante, Berdych, sem ninguém que o ameace por perto. Se ninguém estragar a festa, o checo deve encontrar o sérvio nas quartas.

No próximo quadrante, Ferrer deve enfrentar Karlovic na 2ª rodada. Dois metros de altura, em quadra rápida, não legal! O outro cabeça desse quadrante é o sérvio Tipsarevic, que enfrenta o malaHewitt de cara – duvido que passe. Tem que ser um dos quadrantes mais babas que já vi em GSs.

A chave de baixo começa com El Federer jogando com o francês Paire na 1ª rodada e, talvez, Davydenko na 2ª – interessante! Logo acima, Tomic, que acaba de vencer Sidney, enfrenta o argentino Mayer e pode, na 3ª rodada, enfrentar Federer, que já mandou uma mensagem para o australiano, quando perguntado a respeito – vai com calma, mané, que ainda tem muito feijão para comer.

Raonic, #13, está por ali – lembrem-se da quadra rápida! E pode enfrentar o fantasmaço Rasol na 2ª. Por ali também Bellucci, que encara o esloveno Kavcic, #93 do ranking. Nesse quadrante um presentinho para os fãs e uma sinuca para os amigos Tsonga e Llodra, que se enfrentam de cara. O Tsonga quando chegou na Austrália afirmou que chegou a hora de vencer um GS. Bellucci, que enfrentaria um australiano na 2ª, caminha em direção aos franceses.

No ultimo quadrante, Murray de um lado e Delpo do outro. O escocês deve ter olhado a chave e pensado que só complica se for sozinho nas 1as rodadas. Joginho encardido será Monfils e Dolgopolov – dois lixeiros. Simon x Volandri vão decidir quem empurra mais a bola – se for na madruga ninguém merece. Delpo também sem maiores problemas no início, a não ser que vocês considerem Chardy ou Granollers problemas.

Dessa maneira, sem lãs zebritas, as 4as de final ficariam assim: Federer x Tsonga e Murray x Delpo. Os vencedores vão para a semifinal. Na chave de cima, Djoko x Berdych e Ferrer x ??? (escolham aí entre Tipsarevic, Hewitt, Almagro e outros), na chave mais barbada do torneio.

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012 História, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:53

Memórias de um privilégio

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Tivemos outros grandes eventos de tênis em São Paulo que, infelizmente, se dispersaram na memória e na história, sempre mal mantida de nosso esporte. Nos anos setenta, o mesmo Ibirapuera foi invadido pelo circuito WCT que arregimentava a nata do tênis clássico de então, bancado por um milionário texano. O evento, oficial, não uma exibição, trouxe a São Paulo nomes como Rod Laver, Roy Emerson, Arthur Ashe, Bjorn Borg e muitos outros.

Já nos anos oitenta, novamente no Ibira, tivemos uma super exibição/competição com nomes como Ivan Lendl, Jan Kodes, Ilie Nastase, Gene Mayer entre outros, e os brasileiros Kock e Kirmayr jogando um evento que reuniu na final Lendl e Nastase, dois megas campeões. Através dos tempos, torneios como o Grand Smash Cup, um outro com a presença de Maria Esther Bueno, exibições com Gustavo Kuerten, apesar de lotar o mesmo inevitável local não tiveram o mesmo impacto.

Nada disso se compara com esta semana de Roger Federer. São outros tempos, o tênis está nas TVs e na internet, e os grandes ídolos atuais não são só de tenistas, mas da enorme legião de sofasistas. O cara conseguiu ofuscar a presença de Maria Sharapova, Serena Williams, Azarenka e Tsonga. É muito brilho. Lógico que as cartas foram dadas para o jogo ser assim. Mas o suíço fez sua parte, e muito bem, atuando como uma verdadeira mega estrela, esbanjando carisma, qualidade primordial para quem quer brilhar nos dias de TV e internet, disponibilizando simpatia para um povo que enxerga nisso uma inquestionável qualidade. Porém, mais importante, na hora da onça beber água matou a cobra e mostrou o pau. Ou seja, o que ele fez na quadra do Ibirapuera nunca mais será esquecido, nem repetido.

O meu massagista, que nunca jogou nem acompanha, assistiu um pouco pela TV, como muitos o fizeram em um domingão que só assiste o Faustão quem não tem mais nada para fazer na vida. Sabe o que mais o impressionou? “O cara faz aquilo parecer muito fácil enquanto o outro se matava em quadra”. Essa a mística de Roger – ele faz esse dificílimo esporte parecer fácil. Tanto na parte técnica, no executar dos golpes, plásticos e virtuosos, como no aspecto físico, fazendo com que oponentes pareçam transformers se movimentando pela quadra, enquanto ele lembra um Nureiev dançando no espaço.

Eu venho batendo há tempos na tecla que temos que aproveitar Federer enquanto está por aí, jogando seu melhor tênis. Felizmente foi o que aconteceu. Imaginou se o cara só aparece por aqui capengando, sem fôlego, errando tudo, total fim de carreira?

Federer apareceu por aqui jogando muito e mais um pouco. E aí mostrou mais uma vez seu enorme talento. Como outros, e outras, está no meio das férias, dias antes postou uma foto sua enterrado nas areias de uma praia, fora de ritmo e, consequenteente, sem a mesma força. Você notou? É só lembrar das dificuldades que Serena e Azarenka mostraram em quadra em um joguinho de dar dó. Federer parecia um cavalo árabe nas pontas dos cascos.

Pior, ou melhor, ainda, se deu ao luxo de mesclar o bom de uma exibição com o bom da competição. Não fez corpo mole, pois sabe que todos perceberiam. Se jogou mal em algum momento foi no início do 3º set com Bellucci – e aí deixo em aberto sobre a magnanimidade do rapaz. Mas jogou com um desprendimento que, infelizmente, as competições não permitem, o que fez com se atrevesse a coisas em situações de jogo que simplesmente não se faz. E um Federer desprendido e ao mesmo tempo com vontade de impressionar é algo que os deuses só permitem em ocasiões raras. Sim fomos privilegiadíssimos nesse sentido – duvido que se viu, ou se virá, Roger nas mesmas circunstâncias e com o mesmo resultado.

Todos que assistiram – in loco muito melhor – terão momentos inesquecíveis para contar a seus netinhos. Alguns serão unanimes. Vários inundam minha memória. A minha já elegeu a sua e para isso terei que descartar uma passada de direita na corrida contra Tsonga que abalou as estruturas do estádio e fez o Mestre flexeonar os músculos como Hulk.

Fico com Tsonga sacando, e não é qualquer sacador, e Roger aproveitando três segundos saques, no lado da vantagem, para fugir para o corredor, se arremessar no ar como se tivesse molas nos pés, indo em duas ocasiões para uma direita na diagonal e outra na paralela, com toda a velocidade permitida para uma bolinha de tênis, utilizando a munheca como se fosse uma catapulta romana, se arremessando sobre o golpe com um desprendimento que liberou em nós os nossos medos de errar, inspirando o mais cru dos pangas, e nos fazendo sonhar que tudo é possível, esta a verdadeira missão do artista. Só espero que Deus seja magnânimo e nunca apague da minha memória todas essas imagens pelas quais esperei uma vida de tenista. E se alguém encontrar as imagens acima na internet que seja generoso e divida conosco.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:48

Imperdível

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A sempre polêmica sem perder a candura e a elegância leitora Maysa, ocupa seu espaço nos comentários para declarar sua ojeriza às chamadas “exibições”. Não é a primeira que me passa essa mensagem, ao mesmo tempo em que outros declaram seu amor pelas mesmas. O que separa as duas vertentes?

Exibição foi algo criado sabe-se lá quando, só posso dizer que há muito tempo, para trazer algo para o qual havia uma demanda. No caso, a presença de estrelas, das mais variadas grandezas, para próximo de seus fãs, em um cenário que não abrigava pelas mais diferentes razões, da tradição à falta de estrutura, torneios compatíveis com a presença de tais tenistas.

Isso são um fato e uma realidade mundo afora, não somente no Brasil. Na verdade, hoje se joga bem menos exibições do que no passado. A demanda do circuito e consequente esgotamento dos atletas, o televisionamento de tudo quanto é torneio tenistico que coloca os ídolos na frente de sofás mundo afora, e, principalmente, o quase obsceno, pelo menos comparado com poucas décadas atrás, dinheiro distribuído em prêmios de torneios oficiais, o que deixa seus bolsos e mentes tranquilos quando não acomodados, são razões pela diminuição da presença das estrelas em exibições.

Por conta disso, as aparições, pelo menos das estrelas, são raras e bem caras – lembrem-se que há demanda no mundo todo. Até mesmo uma cidade como New York, que tem um Grand Slam, demanda e recebe exibições com Federer. Mas imaginem quantas cidades não demandam e aguardam pela oportunidade que provavelmente nunca chegará. Na Europa e na América há a demanda e a oferta por outro tipo de exibições – são os Masters, que atraem o público com seus nomes, mas oferecem pouco mais do que brincadeiras e seções saudades de volta. Não é por menos que a maior estrela dessa troupe é um iraniano naturalizado francês, Mansour Barahmi, que encanta o publico europeu com seus marabalismos em quadra.

A exibição em si é uma arte, muito distinta da competição em si. A personalidade dos envolvidos conta muito para que ela seja um sucesso. Ninguém joga uma exibição como se a vitória fosse a meta. Pelo contrário. É bem mais do que provável que quando dois tenistas se enfrentam, em um treino, longe dos olhos do público, vão procurar a vitória com mais determinação e entrega do que em uma exibição. Por isso, nestas ocasiões é de muito bom tom colocar em quadra somente tenistas que se deem bem – e especialmente se a estrela maior aceita bem o sparring.

Existem algumas regras não escritas, que quase sempre são respeitadas, ainda que por vezes não. Fica “feio” um dos tenistas mostrar que está a fim de ganhar. Tem que saber aliar bons golpes, com uma dose correta de intensidade e um pouco, não muito, de relax e até humor. Se errar a mão em qualquer dos quesitos fica horrível – e, acreditem, poucos dominam essa arte.

O jogador da casa sempre ganha. E aí eu pergunto, com Federer e Bellucci que será o jogador da casa? Afinal, a grande estrela que o publico quer ver e aplaudir é o suíço. Será que Federer obedecerá a regra e fará a gentileza? Ou será que Bellucci esticará o tapete vermelho? Nosso tenista dá suas esticadinhas de tapete, mas raramente contra tenistas mais fortes e as tais estrelas, a quem gosta de fazer sentir sua mão pesada, pelo menos por um tempo. Será interessante ver como se desenvolve essa apresentação que deve ser o ponto alto do espetáculo, até pelo envolvimento do publico. Lembrando, essa será a primeira partida do suíço, do total de três, que jogará em São Paulo. Eu teria colocado como a última. Ele enchia o Tsonga e o Haas de bola nas primeiras, para delírio do público, e o Bellucci ficava para quando a festa já estava assegurada.

Comentando o comentário da Maysa, é preciso entender que na próxima semana não teremos em São Paulo nem um torneio, nem uma exibição. Teremos um espetáculo, uma festa. Uma festa do Tênis. Uma festa exclusiva, já que os ingressos são caros e em boa parte corporativos. Uma festa que todos gostariam de participar. Uma festa para tenistas, sofasistas e até mesmo estrangeiros do tênis, aquele que irão não por conta do Tênis e sim do ser visto.

Vamos ter o creme de la creme do tênis como poucas vezes reunido, em qualquer lugar que seja – o mundo vai babar de inveja. O foco ainda está no Federer, até porque o patrocinador que pagou a conta principal é seu, as chamadas são dele e o cara é adorado. Mas teremos Tsonga e Haas, dois belíssimos tenistas, com estilos distintos e propícios para a festa, até mais do que Ferrer, que é mais “engessado” e que saiu. Os espetaculares irmãos Bryan enfrentando os mineiros Melo/Soares, o que deve vir a ser um espetáculo à parte, em especial para os fãs tenistas.

E as mulheres! Até as Olimpíadas, agradeçam por ela, não vamos ver tal constelação por aqui: Sharapova, Serena, Azarenka, Wozniacki! As meninas mereciam uma festa só para elas e iriam sobrar. Isso sem falar no Roger. Não será um Grand Slam, mas será um espetáculo que lotaria o Madison Square Garden, um local que já acolheu os melhores de todas as áreas, numa cidade onde if you make it there you make it anywhere. Agora é em São Paulo. Esta, Maysa, é imperdível.

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:04

Descanso

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Pode ser a mudança de uma semana para a outra do piso, pode ser a mudança de continente e o consequente fuso horário, pode ser o corpo acusando o cansaço. Todas essas possibilidades, em um cenário onde a competitividade é tão grande que detalhes fazem a diferença, podem explicar as surpresas no primeiro Masters Series da temporada de quadras duras na América do Norte.

As derrotas precoces de Del Potro, para Stepanek, Tsonga, para Chardy são claros exemplos de tenistas que não conseguiram “entrar” no torneio, perdendo logo na primeira partida, após a temporada na grama. Aliás, não foi muito diferente que Sharapova saiu de Montreal.

Por outro lado, Murray administrou bem a euforia dourada e passou com facilidade pelo Cipolla, que não é tão perigoso, mas vamos ver contra Raonic e daqui para frente se o emocional e o físico se sustentam.

Djokovic deve estar tão contente de estar de volta ao seu piso favorito que não acusou nenhuma das dificuldades listadas na vitória sobre Tomic, um tenista mais perigoso do que Cipolla. Deu uma vacilada no início, mas logo encurralou o australiano que ainda não conseguiu cumprir as expectativas. Ainda não se ouviu maiores detalhes sobre a inconfidência do ex-técnico do sérvio, que disse que o tenista vem passando por dificuldades pessoais que explicariam seus recentes fracassos e uma certa dose de apatia para quem chegou ao topo sendo extremamente combativo.

Já Federer, que completou 31 anos ontem, decidiu que o descanso lhe faria muito bem ficou em casa curtindo a família e que pouco teria a ganhar em Toronto. Porém é certo que estará em Cincinnati. Quanto a Nadal, que não esteve nas Olimpíadas, também não esteve presente no Canadá e, oficialmente, não se sabe quando o espanhol volta ao circuito.

Delpo – sem pernas e esquerda com uma mão.

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terça-feira, 31 de julho de 2012 Olimpíadas, Tênis Masculino | 15:06

Sacadores

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Isso que dá colocar em quadra dois mega sacadores e não tão megas devolvedores. Eles são capazes de ficar por ali horas. No caso de Tsonga e Raonic, quatro horas para decidir que vai para a próxima rodada.

No fim das contas se deu bem, mais uma vez, aquele que sacou primeiro e dançou quem teve que aguentar o rojão de sacar atrás. O francês bateu o canadense por 6/3 3/6 25/23.

Agora o francês vai celebrar com os amigos, que aguentaram o rojão com ele, e se preparar para a próxima rodada, contra o vencedor de Lopez e Monaco.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011 Masters, Tênis Masculino | 00:34

100 e 70.

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Huumm! Estava pensando e, como escrevia Fernando, o Pessoa, isso nunca tem bom fim. Algumas poucas verdades se impõem neste fim de temporada. Primeira, Roger Federer apresentou uma confiança e, consequentemente, um tênis que há tempos não mostrava.

Segunda, seus principais adversários – Djokovic, Nadal e Murray – acabaram com a gasolina antes de cruzarem a linha de chegada. Enquanto ele sobrou, em Basel, Paris e Londres. Só espero que os idiotas de plantão entendam o que escrevo e não façam suas errôneas deduções – mas é um fato.

Federer é um tenista intuitivo e que joga na confiança. Quando está com a auto estima em alta é um perigo, um verdadeiro corta-físico, praticamente invencível. Mas um ou outro tem mexido com sua cabeça nas ultimas temporadas. Como eles não mantiveram o padrão e a janela de oportunidade surgiu, o homem cresceu barbaridades

A falha de Djoko é compreensível e perdoável. Nadal, de repente, tornou-se uma incógnita. A final da Copa Davis, esta semana, poderá se tornar um mau sonho e, duvido, mas não impossível, um pesadelo. Quanto a Murray, o cara, mais uma vez errou a mão – é muita instabilidade para quem é contemporâneo dos outros três.

Federer sempre gostou de jogar nas quadras cobertas – é quase uma unanimidade como o melhor nessa quadra na atualidade. Mas nunca havia vencido Paris-Bercy!? Talvez porque se poupasse para o Masters, que este ano ganhou pela sexta vez; sorry! Mais um recorde para a coleção.

Foi a 100º final e o 70 título – um ratio maravilhoso, para se dizer o mínimo, típico de um mega campeão. Como dizem, o verdadeiro campeão não morre na praia. E para quem teve que dividir espaço com Rafa Nadal a porcentagem fala alto.

Eu ia comentar o final do segundo set, quando Roger sacou para vencer o torneio e foi quebrado. Viagem? Tremeu? Tsonga jogou muito? Bem, sei lá. A SporTv, em uma marcada enorme, já mostrando a partida em video, horas após a realização desta, simplesmente interrompeu o jogo no 5×4 para Federer e não mostrou a quebra, nem o tie-break do set, vencido pelo Tsonga – tudo o que deve ter sido o momento mais emocionante do confronto! Mas tivemos a chance e o privilégio de assistir o game que em que o suíço teve sua segunda oportunidade de ganhar e o fez como campeão: sacou bem, pressionou, foi à rede, não cometeu erros e não deu espaço nem esperança ao adversário. Ciao e benção.

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