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domingo, 14 de julho de 2013 Tênis Feminino | 19:03

Agenda russa

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Há supresas e surpresas. Maria Sharapova e Jimmy Connors não é exatamente um casal – nem dentro nem fora das quadras. Bem. Podemos pensar asssim, mas a russa não. Como eu escrevi aqui, a Maria deu um pé nos fundilhos do low profile Hogstead e já tinha outro no quarto ao lado. Ontem, ela anuciou Jimmy Connors, uma legenda do tênis americano e nunca uma flor que se cheire sem perigos.

Os dois já haviam trabalhado juntos, brevemente, na pré-temporada de 2008, quando a russa venceu o Aberto da Austrália – ultimo Grand Slam conquistado antes de sua contusão no ombro.

Ela, e seu pai, o Yuri, gostaram do trabalho de Connors, mas não se acertaram nos detalhes com o tenista; mais precisamente na grana e semanas de compromisso. Como a loira ganha um dinheirão fora das quadras, mais do que qualquer outra e só comparável com Federer, imagino que desta vez se acertaram sem maiores delongas. A realidade é que um ano de trabalho de um bom técnico é pago com uma boa semana de trabalho de uma pupila da envergadura de Sharapova. O problema é que tenista é mão de vaca.

O vexame de Wimbledon – a derrota para a baixinha gemedora portuguesa – sobrou para o sueco. Essa é a zona de conforto do tenista: perdi, a culpa é do técnico. Sei lá, talvez ele não tenha feito um scouting sério sobre a rapariga e deixado a pupila em um voo cego; mas isso é só um chute. O que eu não acredito é que o sueco deixou de “poder viajar” logo após Wimbledon. Eu até diria que há uma boa chance que ele em breve embarque em uma viagem sobre a deslumbrante ponte de Oresung, entre Malmo e Copenhagen.

Enquanto isso, Connors chega com uma única agenda ao reino de Sharapova. Ensinar a moça como bater seu impiedoso algoz Serena Williams. As outras tenistas ela vem dominando e acidentes como Wimbledon só comprovam a regra. Mas a americana ganha dela no seu próprio estilo da pancadaria, cara feia e grunhidos quando necessários. Como Connors era um mestre da intimidação, seus conselhos vão soar como árias bachianas aos ouvidos da musa thaicovskiana.

connors

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009 História, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:52

O casal 20.

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Um leitor pergunta qual a melhor esquerda da história do tênis. Outro menciona que comentaristas devem ser capazes de determinar momentos-chaves do esporte, lembrando um comentário televisivo meu, sobre a semifinal de RG 2000 entre Kuerten x Ferrero, um dos melhores combates que já vi, e que anunciou uma nova era no tênis. Às vezes fico surpreso com a lembrança por parte de meus leitores/ouvintes de algo que escrevi/falei.

Mencionam que a esquerda de Ken Rosewall foi eleita a melhor da história em alguma eleição em algum lugar. Cresci sob a impressão geral que o australiano tinha a melhor esquerda do mundo. Era batida com uma única mão, como a maioria então. Eram raríssimas as esquerdas com duas mãos. Nessa época, a mais conhecida, quase única, era a do sul-africano Clif Drysdale, hoje o principal comentarista da ESPN americana. Era boa, mas não tão boa como a maioria das de hoje.

O mesmo pode ser dito sobre a esquerda de Rosewall. Era muito boa, mas não tão boa como várias que estão por aí. Ken batia na bola flat e quando necessário envenenava com um leve slice – mas nunca usava top spin. Tinha absoluto controle do golpe, sua maior qualidade. Trocava a direção da bola como quem troca de canal no controle remoto. Batia de qualquer canto para qualquer canto da quadra. Quando atacado, dava tanto no pé do voleador, a maioria então, como acelerava. Ali, ninguém fazia festa, pelo contrário. Como era baixinho, tinha o centro de gravidade baixo e se movia muito bem. Além disso, era forte para a época, seu apelido no circuito era “Músculos”, e muito ligeiro. Como qualquer tenista, mesmo o de fim de semana, pode atestar, uma coisa é bater na bola quando bem posicionado, outra é estar, mesmo que levemente, atrasado.

Ken teve seus algozes – Gonzalez e Laver entre outros, mas ninguém que fizesse festa para cima dele. Seu pior pesadelo foi enfrentar, aos 40 anos, o jovem Jimmy Connors nas finais do U.S Open e Wimbledon, quando tomou um chocolate que talvez o tenha feito se arrepender, por um segundo, de alongar tanto sua carreira – um feito e tanto, nunca mais imitado por ninguém e, duvido, um dia igualado.

O revés com as duas mãos de Connors, junto com o de sua namoradinha de juventude Chris Evert, veio para mudar o “status quo” do jogo, Os dois colocaram a segunda mão na raquete e o esporte nunca mais foi o mesmo. Dali para frente virou padrão entre as mulheres e, com um pouco mais de tempo, se estabeleceu de tal maneira no tênis masculino, que criou uma dúvida na cabeça de todos os responsáveis pela formação de jovens tenistas. Hoje, dá para se dizer que as melhores esquerdas – numa visão mais ampla – são as batidas com duas maõs.

Isso tudo só foi possível por conta do enorme e estrondoso sucesso que tanto Evert como Connors atingiram em suas respectivas carreiras, graças tanto às suas personalidades e instintos vencedores, como por suas principais armas. Ambos eram excelentes contra-atacadores com seus reveses. Chris era maravilhosamente cirúrgica com seu revés, assim como seu namoradinho.

Porém, ao contrário do que acontece hoje, Connors, que era extremamente agressivo, de temperamento e jogo, usava a esquerda para atacar também. Com qualquer bola mais curta, o americano movia os pés como um caranguejo, pegava a bola na subida, tirava o tempo do adversário e ia para o ataque sem pudores. Depois de Chris e Jimbo, o tênis nunca mais foi o mesmo. 

evert conors

Connors e Evert, duas esquerdas e duas personalidades que marcaram o tênis.

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quarta-feira, 22 de julho de 2009 História | 01:08

Brainstorm

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No post de ontem contei um pouco da história de Jimmy Connors. Fechando o assunto, hoje conto sobre uma das mais importantes partidas da história do tênis por todas as circunstâncias que cercavam o confronto.

Como esclareci no post anterior, Connors era um tenista extremamente controvertido, encrenqueiro e egoísta. Não que fosse o único. No entanto, na final de Wimbledon de 1975 ele defendia seu título contra Arthur Ashe, um tenista que era o contraponto de Connors. Um achava que o outro era a encarnação de tudo que odiava. Os dois tiveram questões seriíssimas, desde Copa Davis até em um confronto na final na África do Sul, onde Ashe jogara desafiando o apartheid, em uma das maiores ações políticas/esportivas da história – mas isso é outra estória.  

Para fazer a rivalidade mais gritante, Connors entrara com uma ação altíssima na justiça – a americana, onde as coisas andam e acontecem – contra Ashe pessoalmente e a ATP. Connors estava sendo proibido de jogar alguns torneios da ATP porque jogava um circuito alternativo organizado por seu manager, com ele por detrás. A proibição de ele jogar Roland Garros era uma conseqüência disso, até porque que o presidente da FFT, Philippe Chatrier, era muito amigo de Ashe.

Nos três confrontos anteriores, todos em finais, Connors, 23 anos, batera Ashe, nove anos mais velho. Arthur era um sacador/voleador, sempre atacando, com um grande saque reto, linda é ótima esquerda flat e bons voleios. Connors era o protótipo do contra-atacador. Gigantesca esquerda com as duas mãos, talvez a melhor devolução da história, excelente movimentação e sempre agredindo a bola na subida. Nesse confronto de estilo Connors prevalecia.

Mas o grupo de Ashe, a patota americana por detrás da ATP e com serissimas intenções de mandar e desmandar no tênis mundial, como de fato acabou acontecendo, sabia que existia muita coisa em jogo naquela final.

Por conta disso, no dia anterior, Ashe e os tenistas Charly Passarell (atual dono de Indian Wells), Eric Van Dillen (bom duplista), Dennis Ralston (conhecido tenista encrenqueiro) se reuniram no quarto de Donald Dell, tenista que foi capitão da Davis na época e depois dono da Pro Serve, uma das três maiores agencias de gerencia de carreira e dona de inúmeros torneios mundo afora. A agenda: derrotar Connors.

O grupo organizou um brainstorm e bolou uma tática que – exigindo uma mudança radical no estilo de Ashe e uma tremenda disciplina tática e mental deste – surpreendeu o furacão Connors.

Ashe, ao invés de sacar reto no lado do iguais, sacou aberto, com slice, sem peso, e foi à rede. No lado da vantagem variava, tanto o lado como a velocidade. No saque de Connors, que mais sacava e ficava do que vinha, Ashe abandonou sua famosa esquerda flat e jogou slices sem peso e baixos no forehand do adversário.  Quando este subia, Ashe usou toquinhos e lobs.

O estilo surpreendeu o então imbatível Connors, que perdeu os dois primeiros sets 6/1 6/1, venceu o terceiro após estar perdendo por 1/3 e perdeu o quarto por 6/4. A vitória de Ashe teve profundas repercussões.

Coincidência ou não, logo após essa final, Connors retirou a ação da justiça e, mesmo sem entrar como sócio na ATP, deixou seu circuito de lado e passou a se concentrar no circuito de seus “amigos”.

Além disso, a derrota mexeu com a então intocável confiança de Connors – que no ano anterior vencera três Grand Slams seguidos, em pisos distintos – o bastante para abrir a porta para a vitória de Manolo Orantes, dois meses depois no U.S Open, usando a mesma tática e, como escreveu Ashe em sua biografia, alterar a confiança e o ritmo de vitórias de Connors em GS, o bastante para permitir as cinco vitórias consecutivas de Borg em Wimbledon, além das seis em Paris.

 

A Final – no match-point Ashe saca aberto e, já na rede, vira para seus amigos antes de cumprimentar Connors.
 

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segunda-feira, 20 de julho de 2009 História, Tênis Masculino | 16:08

O mano.

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Quem deixaram fora dessa conversa sobre o melhor da história é o mano Jimmy Connors, um tenista com o perfil guerreiro beirando o malandro de morro. Foi um lutador inigualável, encarava o tênis como briga de rua, devolvia saque como ninguem, mexia os pés como poucos e atacava a bola como se estivesse morrendo de fome. Quando comecei a ouvir sobre Connors eu ainda estudava nos EUA.

Aos 17 anos sua mãe, a maior influencia em sua carreira e sua primeira técnica, o havia tirado de East St. Louis e o levado para Los Angeles para treinar com Pancho Segura Cano para começar a enfrentar os cachorros grandes que viviam na cidade, então o maior pólo tenistico do mundo. A escolha de Pancho Segura se deveu ao fato do equatoriano ter sido o melhor do mundo em sua época e um dos raros tenistas então a usar as duas mãos – no caso de Pancho, nos dois lados.

Pancho tinha o mesmo perfil bagaceiro. Fora pegador de bola e criado em Guayaquil, não era exatamente um filhinho de mamãe, e tornara-se profissional prematuramente, o que foi o bastante para colocar alguns calos emocionais em qualquer tenista admitido naquele clube super restrito da época – anos 50.

A mãe de Jimmy também não era nenhuma flor que se cheire e, dizem, lhe acertava boladas quando garoto para ele ficar esperto e não confiasse em ninguém. O garoto aprendeu. Tudo isso com o consentimento da avó, que era quem mandava de fato no pedaço. Não me perguntem sobre o pai, pois nunca ouvi uma palavra sobre ele.

Assim como toda a elite do tênis de então, Connors entrou na universidade, no seu caso a UCLA. Não durou muito. Venceu o campeonato universitário em 71 e quis ir para o circuito profissional.

Desde o início entrou em conflito com o status quo, não quis fazer parte da ATP, jogou um circuito paralelo por um tempo, foi proibido de jogar Roland Garros, brigou com a FIT, a federação americana, xingava juízes, afrontava o publico e arrumou inimigos por todas as partes. As histórias são inúmeras, mas não vai ser hoje que vou contá-las.

Venceu o AA, Wimbledon e US Open em 74, um ano em que venceu 14 outros torneios, e aposto que teria vencido RG também, fechando o “Grand Slam”, se não fosse proibido de jogar por conta de estar jogando torneios de um circuito paralelo. Ficou com ódio dos franceses para sempre, ficando ausente de Paris 10 anos de sua carreira, incluindo nos seus melhores anos.

Venceu Wimbledon também em 82 e o U.S. Open em 76, 78, 82 e 83, para o martírio de Borg. Também foi campeão de duplas, com Nastase, em Wimbledon e US Open. Vale lembra que em 76 o US Open era jogado na terra, o que faz de Connors um dos pouco a ter vencido os GS em todos os pisos. No U.S. Open ganhou na grama, na terra e na dura. Se construíssem no gelo ganhava também.

Foi outro que desprezava o AA, onde só voltou uma vez, em 75, quando foi vice, perdendo para Newcombe. Por conta de disso e da briga com os franceses teve seu número de conquistas em GS (8) reduzido. Dá para imaginar se tivesse jogado esses.

É o maior vencedor de torneios da ATP de todos os tempos. Venceu 109 torneios da ATP, fora os que boicotou no início da carreira, e foi vice em outros 51. Apostos todos meus peixinhos-voadores que nunca, ninguém igualará tal marca. No total, contando torneios em formatos inexistentes nos dias de hoje, venceu 148, só ficando atrás de Laver, com 199.

Foi numero 1 do mundo 5 anos consecutivos, tendo como oponentes Borg, Vilas, Nastase, Ashe, Laver, Newcombe, Rosewall, Tanner, Stan Smith, Gerulatis, Orantes Panatta etc. Venceu também 15 títulos em duplas.

Teve uma das carreiras mais longas da história, jogando até os 40 anos, em cujo aniversário bateu Jaime Oncins na Quadra Central do U.S. Open. No ano anterior, aos 39 anos, chegara à semifinal, batendo Courier nas quartas. Foi “top ten” durante 16 anos, outro recorde inatingível. Apesar disso, Connors teve um recorde negativo com alguns de seus grandes rivais como Mc Enroe, Lendl e Borg.

Talvez por conta de sua personalidade e inimizades Connors sequer é lembrado como um dos grandes. Se os números acima não o colocam no topo dessa discussão, servem para nos lembrar, se analisados em seus detalhes e circunstâncias, o quanto é imprecisa e inatingível a afirmação.

Connors – pegava a bola na subida e vontade inigualável.

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