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segunda-feira, 28 de março de 2016 Masters 1000, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:03

Administrando

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Cheguei na quadra 2 o jogo estava começando. Dei uma panorama na quadra e me surpreendi. De um lado a dupla do brasileiro Marcelo Melo e seu parceiro croata Ivan Dodig. Do outro “A Besta” Mirny e seu parceiro Treat Huey, um baixinho filipino-americano que tem mais pinta de ser um boleiro mais velho do que um tenista profissional. O jeito dele simplesmente não bate com o resto dos tenistas, especialmente tendo a “Besta” Mirny de 1.96cm como parceiro.

 
Mas foi só o cara começar a jogar para meu queixo ir caindo. Mãos rápidas, pulso forte, pancadas dos dois lados e um estilingue para sacar. Ele deve ter dado mais de 10 aces no Dodig no centro da quadra. Isso porque o croata já sabia que iria lá e assim mesmo a bola passava por ele como um F1.

 
Nas devoluções o cara acelera dos dois lados e sabe bem onde meter as bolas. Na rede é um abílio. Esteve alguns patamares acima de seus colegas de quadra no quesito. E quem se atreveu a desafia-lo no quadradinho se deu mal. Bem mal.

 
Além disso, tem ótimo posicionamento, cruzando como saci junto à rede. Ali, novamente, levou Dodig à loucura. Cruzava muito, esticando seu braço para um voleio de forehand. Ali também o Dodig sabia que o cara iria e não conseguiu fazer muito – essa bola acabou sendo crucial no resultado final.

 
A “Besta” já tem 38 anos, nao tem mais o mesmo vigor físico de quando fez a memorável partida contra Gustavo Kuerten em 2001, no US Open, onde liderava por 2×0 e o catarina “encontrou” uma maneira de virar o jogo que levou os brasileiros presentes ao delírio. Mesmo assim, ainda se vira nas duplas, apesar que era o elo frágil da dupla, que não conseguiu ser explorado pelos adversários.

 
Talvez porque Dodig não estava 100% fisicamente, com a perna direita enrijecida na altura da coxa. Talvez porque a dupla de Melo não conseguiu tirar proveito dos melhores resultados que têm dentro do bolso. Talvez porque, em momento crucial no 2o set, Dodig acertou uma bolada na nuca do parceiro que o nocauteou. Talvez porque o tal de Huey estava em dia inspirado e foi, de longe, o melhor em quadra, dando um verdadeiro show de habilidades e de como se joga uma dupla bem jogada no estilo antigo.

 
De qualquer jeito, o felipino e o bielorusso estão na 3a rodada e Marcelo, que esteve focado e compenetrado, sabendo da importância da partida, já que agora não é mais o 1o do mundo – perde a posição para o parceiro de Bruno Soares, Jamie Murray, que também já estão fora do torneio, por meros 5 pontos, algo que evitaria com a vitória ontem.

 
No fim do jogo fiquei pensando porque não ouço falar mais do tal filipino/americano. Descobri que já ganhou sete títulos nas duplas, com quatro parceiros diferentes. É daqueles que muda bastante de parceiro. O porque não sei.

 
Mas, com certeza, se soubesse administrar melhor a carreira poderia ter ainda melhor resultados. Poderia perguntar umas dicas no assunto para Marcelo e Bruno, que têm sido ótimos no quesito. Isso prova que o circuito de duplas é extremamente competitivo e é necessário saber administrar fora das quadras também – a escolha, e manutenção, do parceiro um quesito fundamental!

 
Huey desistiu das simples ainda jovem – foi tenista universitário – porque achou que seria medíocre como singlista e poderia se dar melhor como duplista; um denominador comum nas carreiras dos duplistas.

 
De qualquer maneira fica a lembrança. Se algum dia os leitores tiverem a oportunidade de assistir o rapaz jogar vão ver como se joga bem duplas sem ter a pinta de quem o faz. Um tenista muito rápido, com ótimas mãos, muita habilidade, que sabe tanto bater como tratar uma bolinha carinhosamente. Uma avis rara que merece ser vista porque é um animal em extinção.

 
Ontem tivemos dois jogos ótimos. A vitória de Gilles Simon sobre Marin Cilic, onde a paciência e regularidade mais uma vez se sobrepôs sobre o ataque, em um conflito sempre interessante de assistir, e a surpreendente vitória do francês de 22 anos, Lucas Pouille, tenista talentoso, com bons golpes de ambos os lados, voleios melhores do que o padrão atual, em um saque que incomoda sobre o operário David Ferrer. Um all around que está crescendo no circuito e que ainda vai dar o que falar. Talvez não seja um Federer, mas, aos poucos vai conseguir vitórias como a de ontem, melhorar seu ranking e, se souber administrar, deixar de ser uma surpresa e passar a ser um dos cachorrões.

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sábado, 30 de maio de 2015 Porque o Tênis., Roland Garros, Sem categoria | 10:54

O manézinho de Paris

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Gustavo Kuerten está em Paris, para variar, sempre voltamos aonde nos tratam bem, para celebrar, oficialmente, os 15 anos de quando se tornou o primeiro do ranking mundial. No fundo criou uma boa oportunidade de lançar seu livro no mercado francês. E nenhum lugar melhor para fazê-lo do que em Roland Garros. E como se deve aproveitar as oportunidades, Gustavo vai entregar o prêmio para o campeão do torneio, enquanto Martina Navratilova entregará às mulheres finalistas.

Ontem à noite a FFT fez uma pequena e concorrida recepção à Guga no Le Club, um local onde o presidente da FFT recebe seus convidados. Teve imprensa brasileira, tenistas e ex tenistas, dirigentes, tudo em pequena e escolhida dose. Teve até quatro rapazes de branco cantando uns gostosos sambinhas. E alguns exemplares do livro do tenista colocados sobre as mesas.

Assim que entrou Gustavo, em ótimos espíritos, parou para conversar. Tivemos alguns minutos a sós antes de ele se entregar aos abraços de todos que o aguardavam. a conversa, depois de algumas amenidades e bobagens, caiu sobre o assunto do porquê da empatia entre ele e o público francês. O assunto surgiu após falarmos sobre a incrível vitória de Monfils sobre Cuevas, quando este teve 4-1 no quinto set e o francês, incentivado fortemente pela torcida, virou o jogo.

Gustavo estava um tanto filosofo a respeito. Disse que não tinha uma razão definitiva sobre o assunto, apesar de que tinha certeza que ela existia. Conjeturou hipóteses, sem se comprometer com uma. O que tinha claro é que chegou a um ponto da história que sabia que essa empatia lhe dava forças em quadra e isso fazia uma diferenç. Sem dizer que fazia isso consciente, disse que sabia que algumas coisas que fazia estreitava essa relação, o que acabou sendo crucial em sua carreira e história pessoal, algo que sua presença em Paris confirma.

perguntei se ele tinha em mente quando foi que sentiu que “ganhou” o público de vez. Ele hesitou e disse não ter certeza, abrindo a porta para minha sugestão. Para mim, e muitos, ele ganhou o coração dos franceses quando, como uma jovem zebra, com uniforme que mais parecia uma bandeira, e que lhe foi “sugerido” pela organização que o trocasse para a final, o que foi ignorado, ele, ao ser chamado para receber seu prêmio, das mãos de Björn Borg e Guilhermos Villas, ele subiu alguns degraus do podium, onde era esperado, e fez a famosa flexão com a cabeça e torso, como os súditos faziam aos reis. Ali os franceses descobriram que aquele campeão trazia para a quadra, ao mesmo tempo, uma ferrenha determinação de vencer, aliada a uma humilde simpatia, características um tanto raras dentro das quadras de tênis. Sua ações em Roland Garros só foram, com o tempo, confirmando ambas, até então talvez contrastantes, e a partir de Kuerten uma tradição. Os dividendos de tal relação pingam até hoje e, com certeza, por tempos que virã.

 

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quinta-feira, 6 de junho de 2013 Roland Garros | 16:19

Bolt na final

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Todos os anos os franceses escolhem personalidades, a maioria das vezes ex tenistas, mas nem sempre, para entregar os troféus dos finalistas das simples. Já tivemos desde Pelé, em 1998, a Borg, em 1997, premiando Gustavo Kuerten, entre muitos outros. Os escolhidos sentam na Tribuna Presidencial, ao lado do presidente da FFT.

Hoje divulgaram que os troféus na final feminina, entre Sharapova e Williams, será entregue pela baixinha varejeira Arantxa Sanchez, que recentemente jogou tudo no ventilador com a publicação de seu livro, acusando seus pais de roubarem quase todo o seu dinheiro.

A grande surpresa será o convidado para a premiação da final masculina. O homem mais rápido do mundo, o jamaicano Usain Bolt. Eu não duvido que o rapaz, que é chegado à aparecer, não dê uma de Pelé, que fez de tudo, até embaixadinhas com a cabeça, para aparecer, e apareceu, mais do que os espanhóis Carlos Moya e Alex Corretja. De qq jeito o jamaicano vai fazer brilhar ainda mais a apresentação.

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domingo, 2 de junho de 2013 Roland Garros, Tênis Masculino | 19:57

Coroas.

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O jogo Federer x Simon saiu bem melhor do que a encomenda. Tanto pela reação e o despreendimento do francês perante a inevitabilidade, como pelo despertar de Rogeur perante a adversidade. O cara vai acabar a carreira e eu ainda ficarei abismado em como ele se permite sair de jogo e, na hora da onça, voltar. Sei, só nao faz isso com o Rafa, que não perdoa mesmo;

A chave masculina está repleta de veteranos. Que já atingiram a casa dos 30, ou mais, temos Federer, Youzhny, Haas, Ferrer, Robredo e o Kohlschreiber que este ano tbm completa trintão. De uma certa maneira é a experiencia fazendo frente à juventude.

Considerando que tanto Nadal como Kuerten, Borg e Wilander, entre outros, já tinham um título de Roland Garros aos 20 aninhos, é interessante saber que não tem nenhum dessa idade vivo na chave.

Na verdade, o mais novinho de todos, de longe, é o japones Nishikori com 23 anos. O que nos faz pensar; quem vai substituir essa maravilhosa geração que acompanhamos atualmente e deu uma tremenda injeção de adrenalina no tênis profissional? No padrão desses Fab4 eu não vejo, por enquanto, ninguem. A sorte está lançada e o campo está aberto e há a possibilidade de um hiato no futuro breve.

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terça-feira, 28 de maio de 2013 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:10

Zebrinha solta

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A respeito de confrontos de primeira rodada que acabam sendo mais complicados do que a conta, achei um dos meus artigos do JT lá nas antigas. No caminho para o tri campeonato, ainda em 2001, Gustavo Kuerten enfrentou, logo na 1a rodada, um dos maiores talentos recentes do tênis sul americano, o baixinho Coria. O rapaz, então com 19 anos, mas ainda seu um bom ranking, já estava colocando as manguinhas de fora e três anos depois estaria na final do torneio, em uma das finais mais bizarras da história. Seu estilo, técnica e talento já eram conhecidos, falavam alto e vinha tendo ótimos resultados no saibro. Uma zebra na lista da 1a rodada. Veja um pedaço do artigo:

Uma das principais marcas do campeão? A de conseguir elevar seu jogo de acordo com a situação. Uma variável desta qualidade é a do campeão adaptar seu padrão de acordo com o adversário. Por isso não chega a ser uma surpresa a maneira de como Gustavo Kuerten começou a partida que deu início à sua caminhada rumo ao tri-campeonato.
Ele sabia que tinha uma encrenca pela frente e que não poderia se dar ao luxo, ao qual por vezes se permite, de começar sua participação de maneira morna. Chegou a afirmar, após a partida, que gostaria o jogo fosse a final pela qualidade do que apresentou. Desde o primeiro game, quando quebrou o saque adversário, jogou sério, compenetrado e se impondo. O adversário, o argentino Guillermo Coria, tinha o terceiro melhor recorde(20-7) de 2001 sobre quadras de saibro. Somente Juan Carlos Ferrero entre ele e Guga. Isso diz algo sobre o sistema de cabeças de chave usados nos torneios, especialmente os de Grand Slam. Coria é o decimo terceiro na Corrida dos Campeões, mas o vigésimo quinto no Ranking de Entradas. Por isso não foi colocado como cabeça de chave em Paris, o que pelo seu recorde de 2001, é injusto, para ele e seus adversários. (kuerten venceu a partida 6/1 7/5 6/4)
Sobre o assunto de escolhas de cabeças de chave, cujas declarações de Kuerten  sobre Wimbledon geraram polemica no Brasil e mundo afora, Guga foi mais claro. Insistiu que quer descansar após Roland Garros, especialmente se for bem, o que para ele quer dizer no mínimo uma semifinal. Sendo assim não vai mesmo a Wimbledon. A razão, insiste, é cuidar do corpo e não qualquer birra com a o sistema de escolha dos cabeças de chave, a organização ou o piso (grama). Após Paris, o brasileiro fica mais de um mês longe dos torneios e só volta a competir em Los Angeles, já em quadras duras. (Na época Kuerten estava revoltado com Wimbledon que lhe “derrubava” o ranking de cabeça de chave, por conta de ele não ser um “bom” tenista na grama).

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domingo, 26 de maio de 2013 Roland Garros | 09:59

À la santè

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Desta vez uma coluna do O Estadão de sete anos atrás, provando que algumas coisas mudaram nestes sete anos e outras nem tanto. Um detalhe interessante dela é o contexto da menção do nome de Novak Djokovic, então um desconhecido do público, até de seu mais ferrenho fã atual.

À la santè

Há dez anos espero para tomar o champagne prometido pelo ex-técnico de Gustavo Kuerten, Larri Passos. Na verdade, desisti faz tempo, porém tenho em mente excelentes alternativas enológicas para a semana. A promessa foi feita em um sábado como este, às vésperas do início de Roland Garros, após Gustavo Kuerten vencer a última rodada do qualifying, garantindo a estréia na chave principal do torneio que marcaria sua carreira, algo sempre válido para uma celebração.

A alegria de Kuerten durou pouco, eliminado na primeira rodada por Wayne Ferreira, então 11º do ranking. A partida aconteceu em um fim de tarde encoberto e teve como testemunhas alguns gatos pingados na quadra 11. Kuerten, então com 19 anos, jogou bem para as circunstâncias, mas foi derrotado em três sets. Porém, pegou gosto pelo cenário que o deixaria famoso e onde reescreveria a história do tênis brasileiro. No ano seguinte, tornou-se uma das maiores surpresas da história ao vencer como 62º do ranking. Algo como se Novak Djokovic, promissor sérvio de 19 anos, 63º no ranking e de quem a maioria dos fãs nunca ouviu falar, vencesse este ano. Este é o primeiro Roland Garros sem Kuerten desde então. Sua ausência torna o evento um pouco mais vazio para os fãs brasileiros. Quem viu, viu, quem não viu não acredito que vá ver algo igual.

O torneio é o mais atraente do circuito pelas características técnicas excepcionais e por ser realizado em uma das cidades mais charmosas do planeta. Esse casamento o torna único e imperdível, com ou sem Gustavo Kuerten. Nestes dez anos teve um sabor especial para os brasileiros, especialmente os que fizeram questão de acompanhar in loco. Mas o Aberto da França, jogado desde 1891, em Roland Garros desde 1928, segue sendo um sucesso de público e objeto de desejo de fãs e tenistas do mundo inteiro. Não há tenista que não cresça sonhando em levantar a taça na Quadra Philippe Chatrier – taça que não leva para casa e sim uma pequeníssima réplica. Assim como não há real fã do esporte dos reis que não tenha acompanhado o torneio pelo menos em uma ocasião, ou sonhe em fazê-lo. Os franceses abraçam o evento apaixonadamente e fizeram dele o must do início da primavera. A capa das principais revistas, das de moda às de atualidade, homenageiam o evento. A cobertura local da imprensa escrita e da TV é da proporção de uma Copa do Mundo no Brasil. O estádio recebe cerca de 400 mil pessoas na quinzena e a esta altura ingressos só nas mãos de cambistas.

O evento masculino terá como atração à parte a rivalidade entre Roger Federer e Rafael Nadal. O suíço tentará provar que é um campeão em qualquer piso, dos Grand Slams só falta vencer no saibro, enquanto Nadal, atual campeão, é o homem a ser batido.

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sábado, 25 de maio de 2013 Roland Garros, Tênis Masculino | 15:56

Um rapaz de qualidades

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Logo após Gustavo Kuerten vencer a sua primeira semifinal em Roland Garros, em oito de junho de 2007, sentei para escrever uma coluna para o Jornal da Tarde. Como a maioria dos brasileiros, eu estava abismado e sob o encanto de poder acompanhar um brasileiro jogar uma final de Roland Garros. O clima em Paris, entre aqueles poucos que acompanharam a trajetória da quinzena e aqueles que começaram a despencar na cidade com a possibilidade de ver um conterrâneo barbarizar no principal palco da Europa era esfuziante e, de certa maneira, de assombro. Ainda no estádio, sentei em minha mesa e escrevi o artigo abaixo, antes de sair pra o jantar de celebração com amigos.

Um rapaz de qualidades.

Quando o Brasil enfrentou a Bahamas pela Taça Davis, no início de 1995, convoquei três juvenis para treinarem e conviverem com o time. Um deles, Gustavo Kuerten, então com 18 anos, impressionou de maneira favorável a mim e seus companheiros de equipe. A figura do juvenil que vem aprender com os profissionais na Taça Davis é algo tradicional nas equipes que treinei. Como cada um deles lida com a oportunidade é o diferencial.

Os profissionais testam a personalidade, a boa vontade, o tênis e, às vezes, a paciência dos garotos. Guga tinha ali dois “carrascos” nas pessoas de Fernando Roese e Luiz Mattar. Os dois fazem os mais corajosos tremerem com suas brincadeiras. Alguns lidam mal com isso, chegando a se revoltar e perder esportiva. Guga tinha como companheiros o mineiro André Sá e o também catarinense Márcio Carlson, este um pouco mais velho. Gustavo, como sempre, procurava o lado positivo da situação, cumprindo as exigências da dupla de capetas com um sorriso, enquanto os outros dois discutiam ou confrontavam, tornando suas situações piores. Ele parava a um inteligente passo de ser um mero puxa-saco,  mostrando sua habilidade natural de lidar com pessoas e controlar situações.

Apesar de não estar escalado para jogar, estava ali só para treinar e aprender, Gustavo estava sempre disponível. Já tinha um saque fortíssimo e passava horas sacando para Mattar e Meligeni, que precisavam do treino. O braço doía, mas o garoto não reclamava e aproveitava para aprimorar o golpe. Um dia, o chamei de lado, como chamei aos outros, dentro da piscina aquecida do Clube Tijuca nos vestiários, para conversarmos sobre tênis e sua carreira. Sempre atento, Guga pontuava o quase monólogo com perguntas e colocações que mostravam seu interesse e inteligência. Passamos ali uma hora e meia.

Aos poucos eu descobria o prazer de conviver com o sorridente “Catarina”. Grande contador de histórias, Guga era capaz de contar piadas por um jantar inteiro, para surpresa e divertimento de todos. Soube por sua mãe, D. Alice, que Gustavo trazia para a Taça Davis revistas de piadas, que ele lia e estudava à noite e antes das refeições, para poder entreter a todos. Sabia de nossas expectativas e se preparava para melhor cumprir seu papel.

Quando foi para a equipe principal pela primeira vez, em Santiago do Chile, no início de 1995, Guga jogou somente as duplas. Eu já tinha planos para o “surfista dourado”, porém queria ir com calma em sua escalação. Passou a semana treinando duplas e voleios, ao que não estava acostumado. Às vezes eu percebia seu aborrecimento, ouvia seus resmungos, mas ele era incapaz de pedir para o treino parar. Através dos anos ouvi tudo quanto é desculpa de tenista, para interromper ou abreviar treinos. O talento que mostram nesse quesito quase que ultrapassa o talento que têm para jogar. Gustavo, por seu lado, não sofre numa quadra de tênis. Aliás, não sofre em lugar algum. É capaz de passar horas treinando e sempre tem algo mais a dar, não importa quanto o técnico já exigir.

Foi nas inumeras conversas sobre tênis foi quando Kuerten me convenceu de que seria um bom jogador. Como técnico, sempre procuro apresentar soluções para problemas, alternativas para certezas, não só da parte técnica, como nos detalhes da vida e na carreira do jogador. Em qualquer área Guga é um interessado e tem suas posições. Na parte técnica é o melhor tipo de jogador a ser treinado. Não tem problemas em ouvir e obedecer a ordens, conselhos e opiniões. Sabe lidar com a figura do técnico, alguém que está ali para ajudar – não sofrendo, como muitos jogadores, que se sentem menores, quando se tenta fazer deles pessoas-tenistas melhores. Consegue assimilar imediatamente uma colocação e, aí o diferencial – vai além – colocando sua posição sem criar o conflito. Se você lhe der um-dois, ele capta e lhe dá de volta três-quatro. A cada treino seu existe um progresso, pois essa é sua ânsia e objetivo.

Um campeão, e uma história de sucesso, são feitos com uma série de detalhes, sempre difíceis de definir. Mas, determinadas qualidades estão sempre presentes. Aqueles que conviveram comigo nos últimos dois anos sempre souberam que eu acreditava no sucesso do “surfista dourado”. A questão era quando isso aconteceria. É óbvio que os resultados desta quinzena ninguém esperava, mas é com felicidade que assisto a essa incrível aventura em Paris. O melhor é que não poderia acontecer a melhor pessoa. A paixão que carrego pelo tênis só é maior pela paixão que anseio nas pessoas. Gustavo me conquistou desde os primeiros instantes pela pessoa que é.

Extremamente positivo, aprendeu no seu núcleo familiar como lidar com adversidades. Sua mãe, Alice, conseguiu, através de uma série de reveses na vida, unir a família e fazer de Guga uma pessoa positiva e feliz. Seu sucesso vai ser assimilado, como foram as dificuldades, e servir de trampolim para maiores saltos no futuro. Com certeza, não lhe serve ser um grande tenista, rico ou famoso, e ser uma pessoa menor. Guga cativa porque dá mais do que pede. Aliado a isso, possui uma série de talentos que não tem vergonha de exibir. Da mesma maneira que pode jogar uma final de Paris, contar uma estória ou cantar uma música, sem querer Guga nos conquista. Seremos sempre seus fãs, esperando pela próxima maneira em que nos encantará com seus talentos.

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segunda-feira, 11 de março de 2013 História, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:52

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Gustavo Kuerten radicalizou. Cansado das eternas dores que o afligem desde quando foi obrigado a abandonar a carreira, este fim de semana ele encarou mais uma cirurgia – só que foi para as cabeças. Colocou uma prótese de titânio com as superfícies de atrito feitas em cerâmica. Não tenho os títulos de Roland Garros, mas tenho 30 anos a mais e o mesmo problema que ele, com o desgaste da cartilagem no joelho no meu caso – é o inferno!

A cirurgia é radical, mas, a cada ano mais segura e menos traumática. Ele a fez em Floripa – desta vez não achou necessário ir aos EUA para tal – com um especialista local. Imagino que deva ter total confiança no Dr. Richard Canella.

Kuerten foi um dos primeiros e ter esse tipo de contusão que vem atacando os tenistas, inclusive os mais jovens. O primeiro que chamou a atenção foi o Magnus Norman. Imagino que por conta de suas realidades, os tenistas atuais estão tomando as precauções necessárias para que não desgastem seus quadris – na área da cabeça do fêmur – como seus colegas.

Ficará sempre em nossas memórias a dúvida do quanto Kuerten conseguiu acertar nas decisões feitas antes e depois de sua primeira cirurgia. De qualquer maneira, os resultados estão aí. O importante é que esta cirurgia tenha o sucesso esperado para o tenista de somente 36 anos – se tudo tivesse ido bem na sua carreira, poderia ter estendido seu sucesso por vários anos e nos dado inúmeras outras alegrias.

Deixando de lado esse nosso compreensível egoísmo, o importante – para ele e todos nós que gostamos da pessoa ainda mais do que do tenista – é que ele merece ter uma qualidade de vida que fez mais do que por merecer. E isso passa por, óbvio, poder se locomover sem dificuldades e sem dor.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012 Copa Davis, História, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:15

Brasil x EUA na Davis

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Sorteio é sorte, óbvio ululante, diria o Nelson, algo que o Brasil não teve no esta manhã em Londres. No sorteio saiu EUA. Por conta da alternância de local, o confronto acontecerá na terra do Tio Sam, de 1 a 3 de fevereiro. Para quem não lembra ou não era nascido, o último confronto entre os dois países foi em 1997, três meses antes de Gustavo Kuerten conquistar seu primeiro Roland Garros.

O sorteio é um balde de água fria em duas esperanças que o time brasileiro tinha. Jogar em casa e contra um time mais frágil. Não precisava ser as duas – uma das alternativas já estava bom. Não veio nenhuma.

O EUA é o país com mais títulos na Copa Davis, mas está longe de ser a força que um dia foi. Seu principal jogador na última década, Andy Roddick, largou a raquete no último U.S. Open. Ainda assim é um time de respeito e jogando em casa. Eles têm tenistas como Isner, Fish, Harrisson, Querrey e os irmãos Bryan. Posso garantir que eles não irão escolher a terra como piso.

Os dois países se enfrentaram em quatro oportunidades. Em 1932 na grama de Forest Hills, quando o time brasileiro tinha Nelson Cruz, Ricardo Pernambuco e Último Simone, e os EUA tinham, entre outros Frank Shields que, para quem não sabe, foi o avô de Brooks Shields.

Em 1957 aconteceu em Boston, na grama do tradicional Longwood Club. O Brasil tinha o clássico Carlos Fernandes que, até onde sei, segue dando aulas no Clube Paulistano em São Paulo. Armando Vieira, excelente tenista que nos deixou há pouco tempo, e era membro do Last 8 em Wimbledon. Jose Aguero, filho do icônico Jose Aguero, professor no tradicional Country Club do Rio de Janeiro por mais de 60 anos e formador de uma geração de tenistas cariocas.

Em 1966, enfrentamos os gringos em casa pela 1ª vez. O jogo foi em Porto Alegre e foi uma das grandes vitórias do Brasil na Davis. Um confronto que fez história no tênis nacional. Os jogos foram no Clube Leopoldina e o time brasileiro foi liderado por Edson Mandarino, o herói do confronto, e Thomas Koch, então com 21 anos. Mandarino venceu as duas simples.

Em 1997 jogamos em Ribeirão Preto. Gustavo Kuerten, 20 anos, tinha recém passado a titular, Meligeni na outra simples e Jaime Oncins nas duplas. Os americanos tinham Courier, atual capitão americano e bi-campeã de Roland Garros, MaliVay Washington e a dupla O’Brian/Renemberg. Foi um dos grandes eventos da Davis no Brasil. Kuerten ganhou o 1º set contra Washington, perdeu dois TB seguidos e o 4º set. Meligeni perdeu em 5 sets para Courier. Oncins/Kueten mataram a dupla em três sets. Mas Kuerten perdeu em 4 sets para Courier no 4º jogo. Faltou-lhe um pouco de experiência. Mas, deu-lhe a confiança de saber que podia enfrentar cachorrões de igual para igual – até então jogava os torneios menores – e vencer Roland Garros três meses depois.

E essa tradição e história que o Brasil enfrentará e continuará a escrever na 1ª rodada da Copa Davis em 2013.

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domingo, 15 de julho de 2012 História, Light, Tênis Brasileiro | 00:43

No Hall of Fame

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Enquanto Thomaz Bellucci fazia seus esforços na Alemanha para chegar a mais uma final de um ATP Tour, esforços que infelizmente se provaram infrutíferos, ao ser derrotado na semifinal pelo sérvio Tipsarevic no 3º set, Gustavo Kuerten, apesar da quase década longe das conquistas, foi receber os louros da imortalidade em um país que sabe respeitar e homenagear as glórias do passado.

Homenageado pelo Hall of Fame do Tênis, instituição que segue a ampla tradição dos americanos de homenagearam os melhores, de roqueiros a atletas, Kuerten só ouviu falar do local e da homenagem quando foi sondado sobre esta. Como nunca quis saber de colocar os pés no tradicional evento de Newport – em um maravilhoso e tradicional clube, e local da instituição, na costa leste americana, por ser um torneio menor e jogado sobre a grama – para ele bastava ter que jogar Wimbledon sobre esse piso – Gustavo desconhecia o peso da homenagem, mas foi facilmente convencido e seduzido quando informado da tradição envolvida.

Aliás, nada mais justo, já que foi numero 1 do mundo, com três títulos de Grand Slam, o que pode parecer pouco em dias em que os melhores ganham muitos, mas merecido também pela personalidade e carisma. A homenagem também faz, de alguma forma, reparos a maneira como o público americano tratava Kuerten durante sua carreira, com uma certa ausência de respeito pelo o que ele conquistou.

Kuerten aproveitou a homenagem para bater umas bolinhas na grama de Newport, onde neste Domingo Isner e Hewitt fazem a final do ATP Tour local.

Veja mais fotos na página do Blog no Facebook: https://www.facebook.com/BlogDoPauloCletoTenisnet

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