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terça-feira, 28 de maio de 2013 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:10

Zebrinha solta

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A respeito de confrontos de primeira rodada que acabam sendo mais complicados do que a conta, achei um dos meus artigos do JT lá nas antigas. No caminho para o tri campeonato, ainda em 2001, Gustavo Kuerten enfrentou, logo na 1a rodada, um dos maiores talentos recentes do tênis sul americano, o baixinho Coria. O rapaz, então com 19 anos, mas ainda seu um bom ranking, já estava colocando as manguinhas de fora e três anos depois estaria na final do torneio, em uma das finais mais bizarras da história. Seu estilo, técnica e talento já eram conhecidos, falavam alto e vinha tendo ótimos resultados no saibro. Uma zebra na lista da 1a rodada. Veja um pedaço do artigo:

Uma das principais marcas do campeão? A de conseguir elevar seu jogo de acordo com a situação. Uma variável desta qualidade é a do campeão adaptar seu padrão de acordo com o adversário. Por isso não chega a ser uma surpresa a maneira de como Gustavo Kuerten começou a partida que deu início à sua caminhada rumo ao tri-campeonato.
Ele sabia que tinha uma encrenca pela frente e que não poderia se dar ao luxo, ao qual por vezes se permite, de começar sua participação de maneira morna. Chegou a afirmar, após a partida, que gostaria o jogo fosse a final pela qualidade do que apresentou. Desde o primeiro game, quando quebrou o saque adversário, jogou sério, compenetrado e se impondo. O adversário, o argentino Guillermo Coria, tinha o terceiro melhor recorde(20-7) de 2001 sobre quadras de saibro. Somente Juan Carlos Ferrero entre ele e Guga. Isso diz algo sobre o sistema de cabeças de chave usados nos torneios, especialmente os de Grand Slam. Coria é o decimo terceiro na Corrida dos Campeões, mas o vigésimo quinto no Ranking de Entradas. Por isso não foi colocado como cabeça de chave em Paris, o que pelo seu recorde de 2001, é injusto, para ele e seus adversários. (kuerten venceu a partida 6/1 7/5 6/4)
Sobre o assunto de escolhas de cabeças de chave, cujas declarações de Kuerten  sobre Wimbledon geraram polemica no Brasil e mundo afora, Guga foi mais claro. Insistiu que quer descansar após Roland Garros, especialmente se for bem, o que para ele quer dizer no mínimo uma semifinal. Sendo assim não vai mesmo a Wimbledon. A razão, insiste, é cuidar do corpo e não qualquer birra com a o sistema de escolha dos cabeças de chave, a organização ou o piso (grama). Após Paris, o brasileiro fica mais de um mês longe dos torneios e só volta a competir em Los Angeles, já em quadras duras. (Na época Kuerten estava revoltado com Wimbledon que lhe “derrubava” o ranking de cabeça de chave, por conta de ele não ser um “bom” tenista na grama).

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quarta-feira, 29 de abril de 2009 Tênis Masculino | 20:24

Jogou a toalha

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A primeira vez que vi Guillermo Coria foi no Clube Pinheiros em São Paulo, acompanhado do Gustavo Lusa, um tenista argentino então trabalhando para a federação argentina. O técnico estava empolgado com o talento e as habilidades do pupilo que, aos 16 anos, já era famoso pelo contrato com a Adidas que, me dizia, chegava ao milhão de dólares. Falava do garoto como se falasse de um gigante tenístico; não estava longe da verdade. Ou seja, desde cedo o minúsculo argentino já carregava muitas expectativas, o veneno que um dia iria corroer sua confiança e seu tênis.

Não preciso escrever sobre suas conquistas e talentos neste post. Ele é contemporâneo o bastante para ter seus resultados e méritos conhecidos. A notícia hoje é que o baixinho finalmente abandonou as competições depois de anos lutando contra a falta de confiança, contusões no ombro e um saque que se foi e nunca mais voltou.

Restam poucas dúvidas que a derrocada de sua carreira começou justamente, ironia das maiores, na melhor semana da história do tênis argentino, quando três deles estiveram nas semifinais de Roland Garros 2004 e dois nas finais. O maior favorito ao título dos três era Coria, que só não ganhou porque não quis e não soube, porque, seguramente, o maluco do Gaudio é que não fazia questão. Coria venceu os dois primeiros sets por 6/0 e 6/3, antes de encolher o braço. Até ali estava a 18 partidas invicto contra conterrâneos e perdido só uma partida em quarenta no saibro.

Dali foi escada abaixo. Ele, ao anunciar ontem que desistia da carreira, disse que um dia publicará sua biografia e contará as reais razões de sua queda. E disse que há uma grande razão, mas que não quer falar agora.

Houve também a cirurgia no ombro em Agosto de 2004, três meses após RG, o que interrompeu a melhor fase de sua carreira por três meses. No ano seguinte começaria a queda.

Houve outros boatos também, mas como são só como boatos, deixem para lá. Coria também tinha uma certa questão com a soberba. Os próprios compatriotas o caracterizavam como arrogante. Convenhamos, para passar por arrogante por lá, o indivíduo tem que estar caprichando. Isso sempre criou um acerto atrito dentro do circuito e ao seu redor e não havia tantos ombros amigos para as horas difíceis que começaram aparecer.

Anteriormente, em 2001, Coria teve o problema com o doping e suspensão, e sua conseqüente ação contra a empresa americana que vendia vitaminas que, segundo ele, continham o que não deveriam conter. Provavelmente estava certo, porque a empresa pediu para fazer um acordo no dia que ele prestaria seu depoimento nos EUA. Mas houve o desgaste, inclusive com tipinhos como Hewitt dizendo, na semana da Copa Davis, que os argentinos eram todos “sujos”.

O meu sentimento é que foi a pressão, as expectativas e a maneira como isso foi lidado por ele, e por aqueles que estavam próximos, que criaram o diferencial em encurtar carreira tão promissora.

No Brasil tinha um fã clube considerável. Nunca recebi tantos emails nas transmissões da ESPN perguntando sobre um tenista, como recebia perguntando dele. Era gostoso vê-lo jogar. Um daqueles que fazia o tênis ser mais fácil do que realmente é.

Não foi a primeira vez que um tenista teve sua carreira alterada severamente pela perda de um título – até hoje podemos ver isso acontecendo no circuito. Ser campeão de Roland Garros é muito grande para um argentino. Colocar a mão na taça e deixá-la escapar para um azarão como o Gaudio não é tarefa fácil de digerir. Mais umas derrotas aqui e ali, umas duplas faltas a mais, que sempre existiram acima da média, mas no auge da confiança eram facilmente descartadas, foram minando aquilo de mais importante que o tenista tem: sua confiança.

Nos últimos anos, desde 2005, quando venceu Umag, seu ultimo título, e foi às finais de Monte Carlo, Roma e Pequim, Coria vem caindo. Chegou a #3 do ranking em 2004. Em 2006 foi de #7 para #116. No final de 2007 sequer tinha ranking. Em 2008 voltou a jogar, mas nunca passou de #560. Tentou jogar challengers e tentou jogar qualys. Cansou de perder para tenistas que no seu intimo sabia ser presas fáceis para seu tênis. Não há ego que aguente essa afronta. Ontem jogou a toalha.

Coria o habilidoso

Guillermo e Carla Coria

O momento.

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