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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Masters, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:41

O Ibirapuera

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Eu sou um que detesto pagar por um serviço e ser mal atendido. Reclamo e acho que é direito de quem paga se manifestar. E não sou de mandar mensagem, reclamo ao vivo e a cores. Assim sendo, entendo a revolta de alguns e reclamações de outros.

Vários pontos foram levantados e criticados no Brasil Open, que de muitas formas foi um sucesso. Não vou ficar defendendo a promotora do evento, como alguns leitores sugeriram que faço, até porque não tenho procuração, nem recebo, para isso; aliás não recebo para nada.

No entanto, os meus leitores comparecem para ler o que penso e escrevo. Vamos lá.

O fato de ter faltado assentos e as pessoas com ingressos nas mãos terminarem nas escadarias é algo que não devia acontecer. Na pior das hipóteses, deveriam ter um sistema que prevenisse o fato e o impedisse de acontecer. Na melhor, concordo com aqueles que afirmam que assentos numerados evitariam muitas dores de cabeça – talvez agora aprendam. No entanto, sugerir que a organizadora vendeu a mais, eu acredito ser bobagem – os que assim querem acreditar, que o façam. Esses “trocados” não farão uma diferença para o Sr. Tavares. Atentem que o problema focou-se no anel inferior, área de convidados e de utilização de pulserinhas. Para quem quer mais detalhes, leiam o relato, ou confissão, de um leitor nos comentários do Post anterior sobre a sua “entrada” no estádio de maneira irregular.

Outro leitor, acredito que o Giulianno, apontou que existem dois fatos distintos; erros de organização e carência de infraestrutura. Pelos primeiros a organizadora responde, pelo segundo o Estado de São Paulo, que no início do século XXI nos mantém no XIX em termos de locais públicos de entretenimento. O Ibirapuera é uma piada de mau gosto. Pior, não há planos de construir outro local na cidade. Uma caminhada do ginásio até as sofríveis quadras secundárias deixava a impressão de estarmos em um país pobre na África e em um paraíso de funcionários públicos sem função. O estacionamento do local é uma extorsão e o entorno do estádio é domínio de bandidos que nos extorquem como guardadores de carros, sob os olhos de guardas que só tem olhos para a caderneta de multas – somos roubados de todos os lados e com a conivência de, e pelo, poder público.

O piso poderia e deveria ser melhor. Mas quadras de saibro cobertas são problemáticas em qualquer lugar. Especialmente as temporárias. Quem lembrar dos confrontos de Copa Davis que a Espanha hospedou vai lembrar da reação dos adversários sob a qualidade do piso. Até a Suíça pecou contra os EUA. Ouvi dizer que desta vez o Estado exigiu uma proteção para o piso de cimento. Colocaram então, de lado a lado, a extensão do carpete que rodeava a quadra central e, por cima, um toque de gênio, um plástico preto daqueles de construção. Por fim, 5cm de saibro compactado. Talvez devessem ter posto mais saibro, dando mais peso e consistência à quadra, e talvez não devessem ter usado o plástico. Com um impacto de algumas deslizadas dos tenistas, o plástico por vezes escorregava, ouvi dizer, especialmente no início da semana, antes de assentar. As quadras secundárias estavam bem ruins – mas que fique claro; já vi piores até nos EUA. Mas o local é ainda mais triste do que o Ginásio.

No assunto das bolas foi falado muita bobagem. Teve gente que, se achando inteligente, reproduziu aqui a “acusação” do técnico espanhol Jose Perlas dizendo que são bolas de “supermercado”. É o mesmo tipo de asneira que afirmar que a bola da Copa na África do Sul era de mentirinha, ou uma droga, porque mais leve. A bola usada no Brasil Open foi a Wilson Championship Extra Duty, a mais vendida no país há 20 anos. Não há nada de errado com a bola, pelo contrário, a Wilson é líder de mercado mundo afora. No entanto, a Championship tem características de ser uma bola mais “esperta”, mais leve, o que está totalmente nos conformes. Em tempos de pasteurização do jogo (em pisos e bolas) pode ser um alento para o público pelas opções que apresenta ou uma dificuldade para o tenista que prefere a padronização. Aliado ao fato de se jogar a 600m de altitude, contra o fato de a esmagadora maioria dos eventos em terra ser jogado na altura do mar, é uma boa diferença na hora de controlar a bolinha. Foi sugerido que Thomaz Bellucci escolheu a bola, já que “cresceu” treinando com ela, além de que a tal aliança de peso, altitude e uso, teoricamente, o ajudaria bastante pelo estilo. Ele negou – de qualquer maneira não soube aproveitar a vantagem. Porém que fique muuuito claro, é condizente com as regras, com o que se faz mundo afora e a bola é opção dos organizadores.

Os espanhóis aprenderam que o negócio é bater forte, especialmente quando não têm razão, para forçar as coisas a serem do seu jeito. A chiadeira de Nadal por mais torneios no saibro e menos de duras, e contra a regra dos 25 segundos, seguem a mesma linha. Quanto ao Sr. Perlas, o fato de seu jogador ter eliminado Bellucci e Feijão nas duplas, e no dia seguinte pular fora do evento alegando contusão, e ir para Buenos Aires fala bem de sua ética. É um fanfarrão.

Quanto à infraestrutura, o Ibirapuera é carente para receber um público desse porte em um evento de quase 12h por dia, durante 10 dias. Não há banheiros dignos. A oferta de alimentação é uma piada. A área de hospitalidade e o conforto inexistentes. Em qualquer arena moderna são inúmeras as opções de oferta de alimentação; aliás, uma maneira de se faturar mais, além de acabar com aquela coisa ridícula e antiquada de vendedores passando com pipocas e água – não vi um bebedouro no local, o que é um absurdo. A organização também pecou – não sei ou entendo porque não há lugares onde se pudesse comer um bom lanche, tomar umas cervejas, conversar, a não ser os três lounges particulares. A não ser que seja até proibido ou proibitivo, pelas imposições, restrições e burocracia do Estado. Não vou nem mencionar a falta de ar condicionado. Na África tem coisa melhor, para não falar no Rio de Janeiro que tem, que eu saiba, dois, inclusive com ar condicionado.

Mais de 10 anos atrás, em 2000, perdemos a chance de hospedar o Masters, que foi para Lisboa e Kuerten ganhou, por conta da ausência de um local publico digno para recebermos eventos; esportivos e artísticos. Nem Prefeitura, nem Estado, nem Governo Federal mexem uma folha para mudar essa realidade, por ignorância, despreparo e desleixo. Uma bela arena em São Paulo, a maior cidade do país e do continente, estaria lotada o ano inteiro e traria milhões para a economia local, afora de ser uma excelente opção de laser e cultura que poderia receber mais de 3 milhões de pessoas/ano. Não escrevo nenhuma novidade, só o óbvio.

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