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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Roger Federer | 14:40

Desculpas

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Apesar de tantos anos corridos, ainda me surpreendo com as entrevistas pós jogos de alguns tenistas, em especial os cachorroes. Para eles sempre há uma desculpa para a derrota a se tirar do bolso. Eles adoram se colocar na posiçao que sao invencíveis, os absolutos melhores. De fato sao melhores, como títulos e ranking mostram. Só que têm uma terrível dificuldade em admitir que simplesmente alguém os bateu porque jogou melhor naquele dia – uma marcante característica do esporte. Se nao, qual a graça? Os outros sao palhaços para eles socarem a cada rodada até que possam no fim do torneio decidirem quem é o King of the Black Coconut Candy?

Nao sou totalmente a favor da obrigaçao dos tenistas em dar entrevistas pós jogos – em especial o derrotado. O que os caras vao falar? Na verdade poderiam falar muito e ótimas coisas – mas forget margarete. Ninguém vai alí para lavar a alma ou esclarecer o jogo de tênis. Poucos, bem poucos o fazem.

Entendo que o esporte é profissional e a mídia quer ter acesso às notícias pessoais dos atletas. Mas o fato é que os atletas aprendem, desde cedo, a se esquivar dessas. Como a maioria nao tem nem a personalidade, o traquejo, a tranquilidade ou simplesmente os neurônios para responderem perguntas mias densas de jornalistas bem intencionados, assim como as dos malacos, respondem com absolutos absurdos. Assim, os jornalistas também entregam para Deus e só oferecem papinha na boquinha. O fato é que raramente sai algo de bom daquelas conversas e para os tenistas virou uma ocasiao para dar desculpas ou falar obviedades. Saudades do Ivanisevic em um mau dia ou de um Agassi em um bom dia.

Se Nadal já dá mil e uma desculpas quando quase perde, Federer nao se faz de rogado quando de fato perde. Na sua entrevista, após tomar um vareio do italiano Seppi, que no ano passado jogou muito tênis por alguns meses, mostrando que vem se tornando um tenista perigoso, já que fora do radar e dono de golpes sólidos. Aliás, uma curiosidade sobre o italiano. Quando juvenil sua esquerda era péssima. Desde entao carrega uma foto do russo Kafelnikov batendo o revés para lhe servir de inspiração – aliás, uma ótima inspiração.

Federer conta como tem dias que já no aquecimento descobre se está no ritmo ou nao, algo bem normal entre tenistas. Tem dia que você sabe logo cedo se vai entrar tudo. Tem dia que você sente que vai ser um inferno. C´ést la vie. Ele afirma que nao dá muita importância a isso e já descobriu que muitas vezes acontece exatamente o inverso do esperado; o que também acontece com os outros. Até aí Cabral descobriu o Brasil.

Nao me entendam mal. O que quero dizer é que isso, e muito mais, acontece com eles e os outros. Todos tem problemas, maus dias, dificuldades, contusões e dores, estresses, noites mau dormidas, incertezas e crises de confiança no jogo como todo ou em meros e cruciais detalhes etc. O irritante é a velha ladainha dos cachorroes; “eu tive um mal dia e por isso perdi” (Se nao, óbvio, eu teria ganho). O máximo que Federer conseguiu dar de crédito a Seppi foi, ao insistir que nao conseguiu jogar hoje o seu melhor tênis, parcialmente foi por conta do italiano. Bem, entao ficamos sabendo que ele, como todos os mortais, tem dias ruins. Mas, e isso é fato, consegue mesmo nesses dias vencer suas partidas, até porque os outros também tem suas questoes. A nao ser que o adversário tenha um bom dia e aí ele, parcialmente, leva o crédito pela a vitória. Sei.

Na verdade eu poderia ouvir toda análise que ele se dispõe a oferecer, mas ficaria mais elegante e condizente com o esporte, além de mais sincera e verdadeira, se com a análise viesse a aquiescência de que o outro simplesmente jogou melhor e venceu. No que me diz respeito, só por isso continuo a assistir o Tênis – estou há muitos anos de distância de assistir a um jogo só para ver alguém para quem torço ganhar. A nao ser que seja alguém da família ou amigo. Se nao, sou espectador, exigente e cético quanto a qualquer competidor que tenha sempre uma desculpa na ponta da língua para derrotas.

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