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domingo, 17 de fevereiro de 2013 Tênis Masculino | 23:13

A diferença

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Durante uma semana de tênis em São Paulo ouvi tudo quanto é tipo de rumores e teorias de conspiração sobre Rafael Nadal, todos eles muito bem fundamentados, segundo quem repetia a história. Estas iam desde a afirmação, de fontes seguras, diretas da Espanha, de que Nadal havia se afastado do circuito porque havia sido pego no antidoping, a afirmações que jogaria somente até Roland Garros, ou Wimbledon, conforme a versão, recheadas com comentário de que não é mais o mesmo e por aí afora. É a cultura sofasista do futebol. O pessoal tem dificuldades em curtir o tênis pelo o que é; um magnífico confronto entre dois indivíduos, com filigranas sutis de diferenças de personalidades, técnicas, físicos e mentalidades. Tem que trazer a cultura de conversa de bar para temperar a conversa e não tem acordo. Temperada com uma cerveja gelada e um calor sufocante não vejo problemas.

Aos poucos, Nadal vai adquirindo o seu match play e afiando a faca. Hoje ele mostrou a Nalbandian que o argentino continua, e sempre será, um competidor de menos qualidade que ele. Ganhou porque quis mais, o que sempre foi seu lema. E o argentino, para variar, levaria a taça se esta caísse no seu colo, caso contrário… Bem longe do jogador que bateu Almagro, na que foi a melhor partida do torneio. Porém não lhe exijam continuidade.

Das pessoas com quem falei que tinham algum acesso aos vestiários, ninguém arriscou um prognóstico sobre o futuro nadalino. O máximo que se permitiam era um discreto aceno de cabeça indicando que a coisa não estava nada bem, a comentários que ele trabalha bastante com o fisioterapeuta.

Jogo por jogo a final foi uma decepção. O confronto nunca engrenou, muito mais por conta de Nalbandian que, pelo jeito, perdeu ainda no vestiário, e no fato de que sua esquerdinha cruzadinha não entrou e acabou com sua estratégia.

Uma característica define ambos. Quando Nalbandian se chateou e reclamou da quadra, perdeu o foco, entrou em um terço de erros e se resignou com a derrota. Quando Rafa se zangou, quando levou uma advertência do juiz Carlos Bernardes, por atrasar o jogo, se irritou, fez cara feia, reclamou falou para todos os lados. Porém usou a contrariedade para ficor mais intenso, subir seu padrão, fugindo do revés para ser agressivo e enfiar a mão na bola, e quebrar o oponente. Eis aí a diferença entre ser campeão e vice.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012 Tênis Masculino | 00:13

Chute fora

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O Domingo sobre a grama até que não prometia tantas emoções, mas nunca podemos apostar nas certezas do destino.

Os alemães assistiram o conterrâneo Tommy Haas, aos 34 anos, ressurgir das cinzas e bater Roger Federer na final, dentro de um estádio maravilhoso, e na grama onde o suíço conquistou tantos títulos, lhes caiu tão bem como currywurst à beira de uma calçada berlinense.

Lá no fundo dele, acho que Federer não se importou tanto com a vitória, assim como com a derrota – não foi uma partida daquelas onde o tenista vai ao fundo do baú atrás da vitória. Já para Haas, a conquista valeu ouro, tanto por jogar em casa e ainda mais pelo momento da carreira. Ele que até pouco tempo só que iria jogar até o meio do ano, já fala em jogar também o ano que vem, quando completa 35 anos. O doce sabor da vitória.

Esse é um gosto que nenhum dos finalistas em Queen saboreou. Um deles, Marin Cilic, o que levou o título e o prêmio de campeão, porque não ganho a partida de fato. O outro, David Nalbandian, porque liderava o jogo quando, em um gesto intempestivo e de pura ignorância, jogou no lixo tudo aquilo pelo o que lutou e conquistou durante a semana.

O vídeo abaixo mostrará tudo em melhores detalhes do que eu poderia escrever. Basta dizer que Nalbandian deu um chute no chiqueirinho de madeira que cerca o juiz de linha, o destruindo e mandando um pedaço da madeira na canela, onde dói barbaridades, do juiz que começou a sangrar.

O momento era tenso – Nalbandian vencera o 1º set, ficara 1×3 abaixo no 2º set, igualou, só para ter seu serviço quebrado mais uma vez em 15×40. Nesse momento aproveitou o embalo da corrida atrás da bola que errou, para dar uma bica que vai lhe custar os olhos da cara, além de muitos aborrecimentos nos próximos dias. Posso imaginar os jornais ingleses de amanhã. E os argentinos.

A regra não deixa espaço para o supervisor, que determinou o default imediato do argentino. Esse tipo de incidente já aconteceu em outras ocasiões com outros tenistas. Fernando Meligeni foi desclassificado após em um ataque de braveza acertar um espectador em Lisboa com uma bolada. O mesmo Fernando foi desclassificado mais uma vez quando seu parceiro Gustavo Kuerten arremessado uma raquete, que eu acredito foi mirada na direção de sua mala, mas voou e foi parar na arquibancada. Tim Henman deu uma bolada que pegou em uma pegadora de bolas em Wimbledon, após um ataquezinho ainda no início da carreira. Malisse aprontou uma baixaria em Miami anos atrás, sem falar no que McEnroe Nastase aprontavam, porem sem machucar ningu-em. Esse alguns que me lembro de bate pronto. A partir daí é chuveiro sem perdão.

O público inglês vaiou a decisão, provavelmente porque não percebeu que o juiz de linha foi atingido e machucado. O público parecia estar com Nalbandian até o argentino, em uma falta de tato total, usar do microfone para meter o pau na ATP. Ai também foi vaiado.

Se ele tem ou não razão sobre as reclamações sobre a ATP, que é seu sindicato, é um assunto para ser discutido em outro lugar e não uma cerimônia de uma final de torneio, onde ele acabou de ser desclassificado por uma clara e evidente “conduta anti esportiva”. A melhor coisa que ele tinha a fazer era pegar seu prêmio de vice, pedir mil desculpas, abaixar a cabeça e sair de fininho.

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terça-feira, 15 de maio de 2012 Tênis Masculino | 16:59

Duas boas partidas

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Duas grandes partidas em Roma para quem ligou a TV. A vitória de Del Potro sobre Llodra – 7/5 3/6 6/4 – com o francês indo à rede no seu saque e no do outro tambem. Alguns pontos maravilhosos para nos lembrar de como é legal pelo menos um dos tenistas indo à rede. Até o fim não dava para saber quem levaria. O argentino teve até que se estrebuchar no chão para vencer – e não era a quadra escorregadia!

O confronto entre Murray e Nalbandian parecia que seria rapidinho após o escocês vencer o primeiro set sem esforço, graças aos mutos erros do hermando, por 6/1.

Mas Nalbandian encontrou uma forma de jogar, sem errar e assim mesmo forçando, e levou a partida para a negra. E esta também não dava para saber que levaria. No 5×5 Nalbandian ficou em 0x40 no seu saque, salvou dois BP, mas Murray mandou uma paralela na fita da rede que choramingou para o outro lado. O ultima game também foi uma correria, mas o escocês não deixou escapar – 6/1 4/6 7/5.

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sexta-feira, 16 de março de 2012 Tênis Masculino | 15:36

As quartas masculinas

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As quartas de final masculinas de hoje nos apresentam realidades distintas. O confronto Federer e Del Potro poderia ser um samba de um nota só, mas tornou-se um clássico pela vitória do argentino na final do Aberto dos EUA. Federer deve acordar à noite até hoje por conta daquela final – perdeu porque deixou a soberba falar mais alto. Está 10×2 para o suíço no H2H. Fica a pergunta; o suíço vai dar slice hoje ou vai na moral mesmo? Ou o argentino vai acabar com a freguesia?

Nadal e Nalbandian é um jogo parelho. Nalbandian venceu duas partidas quando espanhol era um garoto, em 2007, e depois venceu tres seguidas, todas em duras, uma delas aí mesmo, em 2019.

Os dois vivem momentos peculiares. Nadal estava longe das quadras desde o AO, está nas finais de duplas porque está querendo jogo e está jogando de babador. Nalbandian vem levando a carreira com a pança já há algum tempo. Jogou os torneios de saibro na América Latina sem brilhar, já de olho em Indian Wells e Miami. E ele adora jogos como o de hoje, mas vai ter que fazer mágica para ganhar.

Na outra chave, já na semifinal, Djokovic enfrentará John Isner, que também está na semi de duplas, amanhã, o que deve favorecer o vencedor para a final de Domingo. Mas isso é amanhã.

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quinta-feira, 15 de março de 2012 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:37

Direto de IW

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Mais uma vez o Gabriel nos envia suas aventuras direto da sala de imprensa de Indian Wells. É bom lembrar que o rapaz escreve em computador sem a nossa acentuação. Divirtam-se.

Oi pessoal,

Estou eu aqui em Indian Wells mais uma vez. Estou em aula normal, mas resolvi tirar essa semana de férias por conta própria. Já falei com meus professores e ta tudo tranquilo para eu curti o resto dessa semana aqui em Palm Springs.

Hoje o dia comecou bem, acabei de ver o Djokovic ganhar do Andujar. O jogo foi ótimo, especialmente porque o Andujar ganhou no tiebreak o segundo set para colocar um pouco mais de adrenalina nos fãns e um ‘‘Será?’’ na mente do público. Longe disso, terceiro set o Djokovic despachou mais um para Miami.

Esta quarta-feira é bem diferente de sexta, sabado e domingo passados. Menos pessoas na grama, nos bares e lojinhas. No restaurante dos jogadores nem fila tem mais. Uma boa parte do pessoal do torneio ja foi embora. Mas nao pensem que o lugar ta vazio nao, tem gente que nao acaba mais aqui. So que comparando com o ultimo final de semana, é visivel o menor numero de pessoas que tem aqui em Indian Wells. Ate porque estamos no meio da semana e muitos trabalham. Porem, os organizadores esperam um aumento de publico significativo amanha e no resto do final de semana.

Nunca vi um grandslam ao vivo, mas a estrutura de Indian Wells é coisa de outro mundo para mim. A quadra central é enorme, 16 mil lugares. As suites sao bastante luxuosas, com banheiros, sala, bar, servico de suite e tudo mais. Os magnatas fazem a festa e estao praticamente em casa aqui, o servico é de primeira. Esse lugar é magico, parece ate um parque tematico de tenis. Um tempo muito bom, varios bares com teloes mostrando os jogos em todos os lugares, quiosques oferecendo bebidas e comidas em todas as partes tambem. E o mais legal e interessante que eu achei foi um telao em que fala o numero da quadra de tenis e quem esta treinando nela. E falando em quadras de treino, quem nao tem os tickets que sentam pertinho das quadras, vale a pena conferir para ver os jogadores de pertinho.

Na suite da imprensa outra estrutura de ficar impressionado. Dezenas de cabines com tomadas para carregar laptops, televisoes de plasma com imagens de todas as quadras individualmente, ou ate mesmo todas na mesma tela. Me impressionou tambem o fato dos jornalistas terem a sua disposicao as estatisticas de todos os jogos e muitas outras informacoes sobre o torneio. Tem tambem frutas, bebidas e os famosos donuts americanos a disposicao tambem.

Hoje o dia tem Nadal logo depois do jogo da Radwanska (minha preferida) contra Azarenka, que estao aquecendo enquanto escrevo para voces. Depois nosso Bellucci contra o recordista de grandslam Mr senhor o cara Federer. No jogo do bellucci é so proucurar uma bandeira do Brasil que la estarei torcendo para o brasileiro.

Outro jogo bom que acontece no Statium 2 é o Tsonga e Nalbandian, mas é no mesmo horario que o Nadal. Acho que fico com o Tsonga e Nalbandian. Ambos que ja estao no aquecimento.

Nas duplas, o melhor jogo vai ser os Bryan, que por sinal fizeram um show com sua banda aqui em indian wells no palco que tem perto dos restaurantes e bares contra os Poloneses duplistas.

Otima semana, bons jogos e lembrando que hoje é o dia da Corona. Ano passado nao pude participar, mas esse ano tenho 21 anos recentemente completados, quem sabe nao degusto de um copo de uma cervejinha gelada assistindo o Tsonga e Nalbandian nas primeiras fileiras. Acho que estou merecendo.

Bom, vou dar mais atencao no jogo da Radwanska com a Azarenka.

Abracos a voces que ficam pois o dia promete aqui para mim.

Gabriel Dias

Ele dentro e os outros fora.

Maria. Vista privilegiada.

Invadindo as malvinas.


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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 O Leitor no Torneio, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:57

Pipocas

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Cheguei mais cedo ontem no Ibirapuera. Aproveitei que o dia foi interrompido por um almoço com o amigo Carlos Kirmayr para enforcar o resto da tarde. Em São Paulo o público diurno ainda é menor do que o noturno. Sempre me questionei em como os franceses enchiam as arquibancadas de Roland Garros às 3h da tarde. Os meus primeiros pensamentos eram que é um povo rico, e pode se dar ao luxo, acrescentado ao fato que sabem colocar suas prioridades em ordem. É incrível como as pessoas permitem que o trabalho atrapalhe o seu tênis.

Aproveitei para dar uma volta nos stands externos, onde vi o pessoal deixando o braço para ver quem saca mais rápido – parece que cada um dos patrocinadores colocou uma dessas gaiolas com um radar para o pessoal se comparar ao Karlovic. A falta de imaginação continua assolando o planeta. Vários deles uniformizados, o que me faz pensar que são tenistas fanáticos, algo que o Ibira está cheio, o que é ótimo para o evento – “more power to tennis players end less to sofasistas!”

Orientado pelo inconfundível cheiro de pipoca entrei no stand do Banco do Brasil, onde, dentro de uma gaiola de vidro, vi uma moça, uma mesa e as pipocas. Enquanto marchava para lá, outra moça, atrás de um balcão, se desesperava me perguntando “posso ajudar, posso ajudar?” Eu sabia o que ela queria e ela não tinha nada do que eu precisava. Perguntei para a de dentro se podia pegar um saquinho, enquanto esticava a mão cheia de dedos e desejo, ao que ela me respondeu que a pipoca era para quem se habilitava para um cartão de crédito. Enquanto saboreava as primeiras, que nem tão quentinhas estavam, instiguei a nissei que me questionava a falar sobre a oferta. Ela começou a me dar aquele malho treinado, enquanto eu fazia comentários interesados e divagava o meu olhar para fora em busca de novos interesses. Com toda a simpatia, perguntei se poderia ir lá fora dar uns saques, enquanto engolia mais alguns milhos explodidos e deixava a claustrofóbica salinha. Já desarmada e provavelmente contemplando a iminente possibilidade de se encontrar mais uma vez a sós na gaiola, ainda tentou me lançar com o pedido de uma doação ao Instituto Kuerten, o que achei generoso da parte dela, para com ele, mas a minha atenção já fora desviada pela curiosidade do preço de um saquinho de pipoca e os esforços necessários por consegui-lo.

Logo depois encontrei o leitor Flávio “Barão”, acompanhando de sua fraunlein, que me avisa que no sábado será o proprietário de um camarote junto com a musa Maysa. Conversamos um pouco enquanto eu aguardava o Pedra, pai de Andre Sá para rápida conversa, que me contou sobre as vantagens e desvantagens de morar em uma fazendo sem internet. Em seguida fiz rápida visita à área reservada da organização e dos tenistas. A conversa mais longa foi com Dani Orsanic, treinador argentino de Thomaz Bellucci. Conversamos sobre o jogo maluco do dia anterior e sobre o que vem pela frente no seu trabalho. Na devida hora falarei mais sobre o assunto.

Ainda eram quase 5 da tarde e David Nalbandian estava sentado, uniformizado, comendo uma manga, conversando com amigos argentinos – mal sabia ele que ainda teria que esperar mais de 6h para entrar em quadra. Não foi à toa que poucas vezes vi o ex-pança – ele me pareceu bem mais magro, inclusive no rosto, o que ressalta a sua riqueza nasal – tão focado em partida. Ele acabou com o francês Simon, cujo técnico, o ex-top 10 Tulasne foi um dos meus interlocutores no local, antes que entrássemos irremediavelmente pela madrugada, que era o que se temia. Mesmo assim, um bom público ficou acordado para ver o talentoso Hermano eliminar o cabeça #2 por 6/2 6/3 fora o baile.

Fui questionado pela ordem dos jogos por algumas pessoas, que assumem que o Diretor do Torneio é algum idiota. Conversei com ele, Luiz Felipe Tavares, e lembramos que 40 anos atrás realizamos os primeiros grandes torneios de tênis no Brasil, o WCT, naquele mesmo ginásio, onde estiveram, entre muitos outros, Laver, Emerson, Borg, Ashe.

O organizador me contou que a feitura da ordem dos jogos é um cabo de guerra diário. Desde sempre, a ATP cede para alguns diretores de torneios que tem força e influencia nas Américas e Europa e desconta para cima dos outros. Para cá a força da lei, para lá o olhar condescendente dos pares geográficos. Só para se ter uma ideia, a realização da ordem de hoje exigiu toda a habilidade de negociação por parte do diretor do torneio, para podermos ter Bellucci no horário nobre, o segundo jogo da noite. Mesmo assim, corre-se o risco de termos o cenário de ontem, quando o horário nobre foi dominado pelo sonolento confronto entre Chardi e Mayer após o Verdasco alongar seu jogo ao extremo. Mas, pelo menos, amanhã é sabadão e o publico não tem que acordar cedo.

Tavares também me contou que para ontem alugou containers para amenizar o problema das bilheterias, algo que os leitores aqui no Blog alertaram e que foi levado a ele. A infraestrutura do Ibirapuera é extremamente carente e precária em vários pontos, a maioria longe dos olhos do público. Mas um deles, o das bilheterias, atinge o publico pagante em cheio. É mesmo desagradável, e desrespeitoso, ficar um tempão para se comprar o direito de se acompanhar um espetáculo. Ele me assegurou que isso já foi amenizado. É algo também que o governo do Estado, dono do complexo e parceiro do evento, deve ser priorizar em eventos que buscam acolher um público numeroso e bem pagante.

Nalba – correndo para não entrar na madrugada.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:20

Psique

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O MestreMalaMurray tem seus colegas de complexidades na profissão. Alguns até mais velhos que ele, como nosso velho conhecido David Nalbandian. Outros mais jovens, como o nosso também já velho conhecido Thomaz Bellucci. Todos eles adeptos do tênis-bipolar.

Ontem, com o congraçamento de um jogando em seguida do outro, ficou um tanto mais evidente do que se trata esse estilo que enlouquece as arquibancadas com suas emoções e, imagino, maltrata, pelo menos um pouquinho, a psique dos envolvidos.

Na verdade, acho que maltrata mais a do nosso caro Bellucci, que ainda tem poucos anos de estrada e um baú enorme de expectativas para carregar. Já o argentino é velho de guerra, sabe o que pode ou não fazer e não me parece que sofre muito com o que acontece ou não em uma quadra de tênis. Aliás, se sofresse mais e se importasse mais teria tido ainda mais bons resultados do que teve. Porém, lembremos, um homem deve saber seus limites e suas ambições na palma da mão para manter a paz e conquistar o sucesso pessoal que é a paz constante. O sucesso para os outros sempre será uma possível infinita fonte de frustrações.

Bellucci ainda é um tenista tentando se firmar e se afirmar nos corações de seus torcedores e conterrâneos. Apesar das dificuldades entre os envolvidos, ontem no Ibirapuera me pareceu que a torcida estava torcendo para ver o instável Bellucci conseguir desenvolver o seu melhor. Ao meu lado, um torcedor comentava como seria o tenista hibrido com a cabeça do Ricardo e o jogo do Thomaz. É um pensamento, mas se é para se imaginar híbridos… Mas a realidade é que tivemos azar em termos nossos dois tenistas se enfrentado tão cedo na chave.

Já no estacionamento, meu sobrinho e minha irmã, que não é sofasista, pois foi campeã sul-americana aos 15 anos, o que faz tempo que não acontece por aqui, teciam suas impressões e assombro sobre o peso de bola de Bellucci. Realmente, o cara pega pesado e faz a peludinha andar barbaridades. Talvez mais do que o Nadal?!

Os primeiros seis games de ambos os jogos foram de outra dimensão. Nalba enfiou 5×1 e quase perdeu o set, ganho só no tie-break. Mas naqueles primeiros games deu para ver do que é capaz esse talentoso e sólido argentino, quando quer.

Thomaz enfiou um 6/0 no 1º set em Melo que não sabia mais para que lado correr – e não dá para dizer que ele estava jogando mal. Aí veio aquele surto que já vimos antes. Perda de concentração e foco, erros não forçados e confiança abalada. No segundo set, brigou com seu tênis, mostrando o quanto pode ser instável técnicamente quando quer acertar.

O terceiro foi pau a pau até Thomaz voltar aos seus instintos e a soltar o braço, após alguns games de bolas com mais spin e mais seguras. Quando viu suas bolas de ataque entrarem, fez as pazes com a confiança e foi embora.

Ainda tivemos – mais uma vez – uma bola que poderia ter mudado o jogo e que, no entanto, acabou por sacramentar a vitória do rapaz de Tietê. No 4×2, 0x15, Ricardo colocou Thomaz para correr e esteve prestes a conseguir um 0x30, em um jogo que ainda estava tenso e indefinido. Quando a bola ficou curta, com o adversário pregado no fundo, Ricardo foi para a curtinha e não deve ter acreditado na recuperação daquele. Thomaz, que havia abandonado algumas curtinhas, sabendo da importância do ponto, ligou o turbo, chegou e fez um contra ataque cruzadinho, para a surpresa do campineiro, que esqueceu de sair do mata-burro e cobrir a rede. O publico urrou; olhei para minha mulher e decretei: acabou! Bellucci ganhou oito pontos seguidos até o fim do jogo.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 Tênis Masculino | 13:54

Desafio

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Polêmica é interessante, rende e vende. Especialmente quando envolve juiz, essa figura controversa e tão pouco querida nos esportes. Atenção, eu escrevi esportes.

O assunto do dia foi a bobagem protagonizada pelo árbitro do confronto entre Nalbandian e Isner. O jogo, que per si já tinha todo o drama que precisava, técnico e emocional, acabou contaminado. Com 8×8 no 5º set, Isner sacando e mal se segurando em pé, com as cãibras começando a tomar conta, o juizão decidiu que queria aumentar sua participação no jogo.

Isner saca no 30×40, quase sem condições de correr atrás de uma bola, e vai para o ace. O juiz de linha canta fora e o juizão pensou; é agora que vou entrar para a história. Anuncia que a bola foi boa. Mas vamos a um intervalo.

Quando o juiz de linha canta fora, o Isner levanta o dedo e desafia, quase ao mesmo tempo em que o da cadeira muda a chamada.

Nalbandian então deu a sua leve bobeada. Sem ter certeza da bola e com o cansaço falando em sua cabeça, vacila, talvez sem saber o que está acontecendo, e não chama o desafio de imediato, como dita a regra. Dá uma caminhada rumo à cadeira e pergunta se o juiz está mudando a chamada da juíza de linha. Caminha até a marca, dá uma olhadinha e aí decide desafiar. Intervalo.

O acima descrito não foi tão rápido e “normal”. O publico com seus grits e urros deixava o ambiente um pandemônio. Nalbandian não se entendia com o juiz e vice versa. O juiz diz a ele; “demorou muito, não vai desafiar”. Nalbandian, ainda sem entender, pergunta – “mas quantos desafios eu ainda tenho?” O juiz insiste que não vai desafiar. Nalbandian insiste no desafio. O Supervisor vem à beira da quadra e diz ao argentino que vale a percepção do juiz de cadeira. Nalbandian, se gostar nem um pouco, finalmente aceita – isso sem saber que a bola foi realmente fora. Perde os dois pontos seguintes e vai sentar com 8×9.

Atenção – nesta altura, nem ele nem ninguém na quadra sabe que a bola foi fora – como não teve desafio, não teve “replay”. Só que a TV mostrou, e a bola foi realmente fora e o mundo todo viu! ( Só quero ver se não vão proibir as TVs daqui para a frente de mostrar se não houver desafio!!!)

Nalbandian saca e faz 30×0. Tudo parece voltar ao normal. De repente, perde o foco e a concentração, dá duas curtinhas sem nenhum cabimento, perde quatro pontos seguidos e o jogo.

Ainda em quadra, Isner é perguntado sobre o fato por americanos e ao saber que “garfaram” o argentino se faz de bobo, o que só exigiu que ficasse no papel.

Quando chega ao vestiário Nalbandian descobre que foi roubado e pior, o juiz insistiu em não lhe conceder a apelação. Vai à loucura e detona o juizão na entrevista.

Detalhes: o juiz errou duas vezes, o que não é pouco para um único ponto e em momento crucial de uma partida longa, tensa e dramática. Nalbandian errou, pouco é bem verdade, também não seguindo, à risca, e coloca à risca nisso, a regra.

Mas a realidade é ainda mais tenebrosa. Quem é culpado de que todos esses erros deem no que deu são os panacas que escrevem e, teoricamente, devem enforcam as regras. Porque existem algumas regras no tênis que dependem da cara do freguês – tanto o com a raquete na mão como o sentado na cadeira de juiz. Uma é aquela do tempo que se pode ter entre um ponto e outro – 20 segundos segundo a regra. Só que é uma regra que não vale para Nadal, Djokovic e outros – e para os juízes que são coniventes, praticamente todos.

A outra regra é essa do desafio. Eles deixam a subjetividade imperar, e aí dá merda mesmo. A regra diz de imediato. Só que todos os tenistas se acostumaram a caminhar até a marca, olhar, pensar, e às vezes até perguntar ao juiz se deve, e então desafiar. Boa parte dos juízes permite essa demora, de vez em quando um deles decide que não. Que foi o que Nalbandian resaltou na entrevista. Só que hoje o Sr Kader Nouni decidiu que ia entrar para a história. Entrou e levou o Nalbandian com ele.

Só mais um detalhe. Na entrevista o Nalbandian vociferava contra a ATP, suas regras e juízes e falta de atitude. Quase em fim de carreira, chega a ser assustador que um tenista com sua bagagem não saiba que a ATP, que é o sindicato dos tenistas e organizadora do circuito da ATP, não tem absolutamente gerencia alguma em torneios do Grand Slam. Estes são geridos pela FIT (federação internacional de tênis) e neles a ATP não tem sequer seu pessoal presente e não manda patavina.

É como meu pai dizia. Um fazendo m… já dá problema. Quando vários fazem ao mesmo tempo aí é um problemão.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:02

Cobras no Ibirapuera

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A organização do Aberto do Brasil, que este ano será realizado em quadras de saibro construídas no complexo Ibirapuera em São Paulo, para a alegria de muitos e a tristeza de alguns, divulgou a lista do inscritos no evento.

Essa lista fecha 42 dias antes do início dos jogos. São os tenistas que fazem a inscrição – a maioria usa seus agentes para realizá-la. A ATP coleciona as inscrições e divulga a lista. Ela deixa espaço para convidados do evento e para os tenistas que veem da qualificação, que é um evento per si.

A vinda do evento coloca de volta a cidade de São Paulo no mapa do tênis oficial mundial, e que frequentou com galhardia nos anos setenta, com o WCT, no mesmo Ibirapuera, nos anos oitenta, com o evento na CPT (o qual fui o promotor junto com meu sócio Paulo Ferreira) e nos anos 90 com eventos nos jardins do Parque do Ibirapuera, no Hotel Transamérica e no Clube Pinheiros. Fico imaginando quantos dos meus leitores frequentaram parte ou todos esses?

A lista é a mais forte do evento desde os tempos áureos de Gustavo Kuerten. Têm Nalbandian, sempre uma força e um talento, Simon, o “king paparra” e o melhor rankeado (#12), Verdasco, que viu seu ranking despencar para #24 em dois meses, a farra deve estar grossa, o elegante dorminhoco Chela, o operático e por vezes quase aposentado Tommy Robredo, o ex- #1 e melhor direita do circuito, e eterno quase aposentado JC Ferreiro, e outros não tão estrelas como Potito Starace, Montanes, o interessante Giraldo e outros. Isso sem mencionar os dois brasileiros direto na chave, Ricardo Mello e Thomaz Bellucci, que alguns já afirmam ser o favorito. Até poderia ser, se imbuído do espírito correto e necessário para se vencer em casa. Tênis para tal ele tem, veremos o resto. Torcida ele terá, inclusive a minha, para o desespero de alguns que frequentam este Blog.

A presença dessas estrelas deve ter custado alguma$ coisas para os organizadores. Só espero que com a proximidade do torneio não aconteçam desistências. Os convites (4) devem ser distribuídos entre tenistas brasileiros – mas a organização deverá esperar para anunciar os últimos na bacia das almas, na esperança de que algum não inscrito arrependido peça um convite, e que poderá ser atendido, desde que seja um nome relevante.

Conhecendo a organização da Koch-Tavares, o torneio deverá ter um bom padrão no quesito de organização e atendimento ao público, até porque, com Copa do Mundo e Olimpíadas, o padrão dos nossos eventos deverá ser de acordo com o que já acontece nos melhores eventos internacionais.

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quinta-feira, 12 de maio de 2011 Curtinhas, Tênis Masculino | 10:26

Mala suerte

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Os argentinos continuam sem muita sorte no circuito. Só para se ter uma idéia, Thomaz Bellucci é hoje melhor classificado do que qualquer Hermano, o que fazia tempos que não acontecia – desde de Kuerten.

Nalbandian está no estaleiro, não joga Roland Garros, por conta de um problema muscular e outras cositas más que teve após seu breve retorno às quadras – não se sabe direito o que se passa, já que seu manager fala, genericamente, que ele “não está bem”. Dizem que volta para os eventos na grama.

Juan Del Potro também abandonou o torneio de Roma e não sabe se joga em Paris, por conta de uma nova contusão – ele ficou quase um ano longe das quadras por problemas no punho. Desta vez, o problema é um dos músculos da perna direita. Como já disse que seu foco é o segundo semestre e as quadras duras, vamos ver se vai bater a ansiedade de jogar o GS do saibro ou não.

Delpo vem jogando com o ranking protegido (#5, que não serve para ser usado na escolha de cabeças de chave) e é o terceiro tenista que mais partidas jogou na temporada, o que mostra sua vontade de adquirir ritmo e voltar a ser um dos cachorrões do circuito. Mas isso tambem teve seu preço em uma musculatura que perdeu algo da força, após tanto tempo sem competir, independente de toda a fisioterapia que deve ter realizado.

Como ninguém é de ferro, Delpo aproveitou a viagem a Buenos Aires para divulgar um novo e importante patrocínio, que deve lhe render os sempre bem-vindos dólares. 

Delpo sorrindo – sem jogar, mas faturando.

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