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Posts com a Tag David Ferrer

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 Juvenis, Minhas aventuras, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 11:51

Santas academias

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Logo que cheguei dei de cara com Carlos Kirmayr. Antes do torneio ele medisso que só ficaria no Rio enquanto a pupila Paula Gonçalves estivesse viva na chave. Hoje a moça é única brasileira(o) viva nas simples e ainda já ganhou uma rodada nas duplas. O Kiki segue firme no Rio.

 
Com ele esbarramos no Andre Sá, aos 38 anos, está nas chaves de duplas. Brinco com ele que ainda vou abrir a internet e ver que ele virou presidente da ATP. Nao tem tenista mais querido no circuito.

 
Assisti um pouco do jovem chileno Nicolas Jarry (20 anos) perder para David Ferrer. Se tivesse um pouco mais de maturidade levaria o jogo para o 3o set – teve três set points. Mas o cara é alto (1.98) saca bem, lógico, e tem ótimos golpes dos dois lados, o que nem sempre acontece com esses gigantes. É para ficar de olho.

 
Ontem só teve duplas femininas – os meninos começam hoje. Com esse calor e as tempestades vai ter tenista que ainda está na chave de simples saindo rapidinho das duplas.

 
Uma coisa me chamou a atenção nas duplas femininas. Elas não pensam duas vezes é colocar uma medalha na adversária. Bem no meio dos seios, quando não miram na cara. Meninas más. Os meninos só fazem isso quando querem partir pra ignorância de vez. O que é bem mais raro.

 
Se o tênis masculino mudou na última década, e mudou bem, o feminino mudou ainda mais. As meninas melhoraram demais. Da parte física, à técnica e a mental. Hoje há um prazer bem maior em assistir as garotos. Sem mencionar que, ao contrário de antigamente, são muitas as que são bem agradáveis de olhar. Santas academias.

 
Ouvi e li muita coisa sobre a “piscina” que a quadra central virou no 1o dia. Muita gente dizendo que era um absurdo o que aconteceu. A primeira coisa que o taxista me disse quando cheguei foi que ele iria pra casa depois da corrida por medo de outra tempestade. Ou seja choveu feio aquela noite. Da boca do diretor do torneio ouvi que a questão foi que com a chuva a rua alagou e a água que drenava pelos ralos da quadra retornava – não dava vazão.

 

 

Quem eu sempre encontro no Rio Open é o Bob Falkenburg III. Pra quem não sabe, e um dia escreverei mais a respeito, o avo dele venceu Wimbledon em 1947. Veio pro Rio jogar um torneio – sim, já tinha torneios por aqui – e se apaixonou por uma carioca. Casou e ficou por aqui. Viu uma oportunidade de negócios e abriu o Bob´s, primeira lanchonete como tal no Brasil, no início dos anos 50. O resto é história.

 

 

Escondidinha na arquibancada, se espremendo na única sombra por alí, a atual campeã do US Open, Flavia Penetta, torcia descaradamente pelo namorado Fognini. Os italianos não escondem a paixão.

 

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Flavia na torcida

 

 

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:15

Super quinzena

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Este ano será, de longe, o mais interessante para os fãs de tênis brasileiros. Desde os anos 80 e 90, quando o país chegou a ser o 2o a ter mais torneios, após os EUA, que não temos algo nesse padrão. E, atenção, me refiro somente ao quesito eventos, e não às conquistas do jogadores, algo que em 2016 também não começou nada mal.

 

Mas nunca houve um igual e será difícil igualar 2016, já que teremos os Jogos Olímpicos no Rio, o que nos deve oferecer o mais próximo que teremos de um Grand Slam no país.

 

Além desse mega evento teremos, em uma memorável quinzena, o Rio Open e o Brasil Open, em São Paulo. É tênis para ninguém botar defeito. E três semanas depois teremos o Miami Open, que se não fica no Brasil nunca fez muita diferença para muitos fãs brasileiros. É tênis na veia.

 

Já estou com a cabeça no Rio. Estou, de longe, seguindo o que acontece em Buenos Aires esta semana para ter uma idéia do que pode acontecer no Rio. Fica melhor de escolher os jogos quando o Rio vier. Dá para ver quem está embalado ou se embalando, quem está zicado (e agora esse verbo ficou com conotações ainda piores), quais jogos equilibrados que aconteceram lá que se repete por aqui (o que sempre é sinal de “vamos tirar isso a limpo), quem está com vontade e quem parece que só veio passear e pegar a garantia. Emfim….

 

À parte disso, teremos nas quadras do Jockey Club um diferencial não presente em BA que separa os meninos do homens. O extremo e úmido calor!

 

Estava xeretando a previsão do tempo no Jardim Botânico e, até onde se enxerga, fala em 40o ao redor do horário do almoço. Aliás, não me sinto nada confortável com “hora do almoço”, já que essa varia conforme a vontade do freguês. Prefiro “noon” ou “le midi”. Preciso de uma palavra mais bem descritiva. E meio-dia não vale. Ou vale?

 

De qualquer maneira, os organizadores só vão colocar jogos em quadra após as 14.30h. Ajuda, mas não anula o mencionado diferencial. Ali pra ganhar tem que estar bem preparado e querer muuuito. Em um teórico jogo entre Ferrer x Isner eu sou capaz de quebrar a banca!

 

Pelo andar da carruagem, o Brasil Open não ficará tão atrás – este Carnaval ferveu em Sao Paulo. Não é Rio 40o, mas o bicho pega. Correr atrás da peludinha nessas condições, durante umas 3 hs, não é para qualquer um.

 

Mas para nós espectadores será uma quinzena impar. E se não se programarem e acertarem seus ingressos de antemão, depois não adianta choramingar.

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sábado, 2 de novembro de 2013 Sem categoria, Tênis Masculino | 20:03

Boquinha

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Alguém tem que me dizer como é que o operário Ferrer vai dormir esta noite e ter a clareza emocional para defender o título de Paris. A lista de ambições nao realizadas que o espanhol tem para sua carreira nao deve ser muita extensa após tantas celebraçoes. Com certeza, após ganhar Paris no ano passado, seu primeiro Masters 1000, era uma delas. Estar entre os top10 e ajudar seu país a vencer a Copa Davis sao metas conquistadas. Chegar ao topo do ranking acredito que nao seja algo que julgue possível, apesar do abnegado ser o atual #3 do mundo, algo que já pode ser classificado como uma tremenda conquista para um tenista com suas limitaçoes técnicas, o que nunca lhe serviu de restriçao mental. Ficamos com conquistar um Grand Slam, difícil, bem difícil, até mesmo em sua cabeça, mas, o conhecendo, nao impossível. Duro mesmo era mesmo seu histórico contra seu amigo e arquirival Rafa, o que lhe impossibilitava de sonhar mais alto, especialmente nos grandes cenários.

Os dois se enfrentaram, antes da semifinal de hoje, 28 vezes, com 24 vitórias de Rafa. Sendo que três vitórias do operário vieram no início da carreira de Rafa e ultima, em 2011, nas quadras rápidas do Aberto da Austrália com Rafa um tanto baleado. Interessante que após essa partida se enfrentaram nove vezes consecutivas em quadras de saibro, todas com vitórias de El Rafa. Se tinha alguma coisa que o operário queria na vida era pegar seu “amigao do peito” em uma quadra rápida, e duvido que tenha alguma mais rápida do que a de Bercy, e lhe enfiar dois sets goela abaixo. Isso ficou, para quem quis ver, claro durante a preleção do juiz de cadeira durante o sorteio, quando ambos tenistas ficaram pulando, um de cada lado da rede e cara a cara, em uma cena que mais parecia uma dança bem ensaiada com promessas melhor nao verbalizadas. Pela intensidade com que pulou por ali Ferrer mostrou que estava com o saco cheio da freguesia. Naquele momento, minha mulher, que é “vamos rafa” até debaixo dágua virou pra mim e sentenciou – “hoje vai dar Ferrer! E vou torcer pra ele”. Êta boquinha linda.

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segunda-feira, 1 de abril de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 12:30

Espelho meu

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Desde jovem tenho essa coisa de torcer pelo mais fraco, algo que faz parte da natureza humana, pelo menos parte dela. Puxei dos meus pais, apesar de cada um ter contribuído de maneira distinta e opostas para a característica. É o meu lado sofasista.

Não por outra razão, abracei a causa operária na final de ontem em Miami. Afinal não existe fã do tênis, por mais duro que tenha o coração, que não reserve um cantinho para esse espanhol que nunca ganhou um GS e venceu só um Master Series (Paris 2012), e caracteriza tão bem o homem que enfrenta todas as dificuldades por um lugar ao sol.

Já tive o meu momento Romy Isetta, quando era o único por aqui que afirmava que Andy Murray ainda seria um dos melhores tenistas do mundo, enquanto hangares de sofasistas destilavam seus conhecimentos do Tênis afirmando que o rapaz jamais seria um tenista top – hoje fazem parte da síndrome de São Pedro não precisando de nenhum galo para renegar a crença – aliás, sequer mencionam o fato. O fato concreto é que o escocês é novamente o #2 do mundo, desta vez com um título de GS na bagagem.

Assim como muitos outros no passado, David Ferrer vai perder algumas noites de sono assistindo o vídeo tape mental do match point que teve contra Murray, quando decidiu, em fração de momento, que poderia ganhar um Master Series no “Olho de Gavião” – o popular desafio. Marditahora, resmunga o espanhol a cada menção do fato.

O que prova que o tal Desafio veio para ficar, já que agrega muito em termos de dramaticidade e justiça em uma partida de tênis. Dramas sempre tivemos, justiça até que faltou em inúmeras ocasiões. Imaginem o Gustavo Kuerten desafiando a torto e a direito na mesma quadra central de Miami, enquanto os americanos lhe surrupiaram várias bolas na dramática final contra Pete Sampras, quando três dos quatro sets foram decididos em TB e várias bolas foram cantadas “erradas”, sempre a favor do da casa. Por outro lado, imagino o sono dos justos do juizão de linha que NÃO cantou a bola fora, já que ela raspou a linha. O que prova também que os tenistas em ação não deveriam ter a ultima palavra sobre as mudanças nas regras do tênis, já que são contra todas elas. Lembram-se do Federer dizendo que o Desafio era um absurdo e que se recusaria a usar? Hoje usa, e erra, tanto quanto os outros.

Apesar de estar ganhando cada vez mais, não está ficando mais fácil torcer pelo Murray. Carisma zero. Fora a postura em quadra, algo que melhorou bastante, mas longe de ser a de alguém por quem se quer torcer. O cara é complicado. Ontem se arrastava em quadra e dava a impressão que iria morrer no próximo ponto, só para correr como sempre, uma característica sobre a qual Haas falou alto e grosso.

Aliás, neste Domingo, o jornal The Times tem uma matéria longa sobre o escocês, onde ele conta, entre outras confidências, sobre um momento privado na final do US Open que bateu El Djoko. Entre o 4º e o 5º set, Murray abandonou a quadra por nenhuma outra razão além de querer ter um momento particular longe dos olhos do mundo e se recompor emocionalmente. Ali, em um cubículo a poucos passos da quadra, o rapaz confessa ter tido uma séria conversa com um ser de cabelos e idéias emaranhadas que via no espelho. “Espelho, espelho meu, tem alguém mais maluco do que eu”, teria pensado, mas não confessa. O que diz ter pensado é porque chegava ali (era sua quarta final de GS e até então só vencera um set) e não ganhava o maldito título de Grand Slam? Chegara a liderar a partida por 2×0, só para deixar as minhocas invadirem sua cabeça e ver o Djoko crescer para cima dele.

“Eu andava pelo mundo com a cabeça enfiada nos ombros e olhando o chão e pensando que eu só seria um campeão se vencesse um GS”. Diz ter ficado tão negativo que tinha certeza que se voltasse à quadra da mesma maneira era derrota na certa. A solução que encontrou foi começar um dialogo com o espelho, em voz alta, algo que confessa saber que é o primeiro passo rumo ao hospício. Tudo por uma boa causa. Aos berros, começou a perguntar o que lhe faltava, como podia ter perdido uma vantagem de dois sets.

Decidiu que desta vez seria diferente. “Você não vai perder este jogo!” repetia. Este se tornou o mantra que deve ter levado os seguranças a se entreolharem do lado de fora. “Não vai deixar escapar!” “De tudo o que tem!” E assim, com este jactância de motivação o escocês confessa que de fato se sentiu melhor e mais confiante e voltou à quadra para fazer história.

Ontem não precisou do espelho. O espanhol deu o tiro no próprio pé. Após o tal desafio, no match point, Ferrer perdeu 10 dos 11 pontos jogados. Mas que não passe sem menção; no match point contra, Murray foi agressivo em cada bola que bateu, e foram várias, inclusive, a penúltima, quando teve a perspicácia de mudar a altura e o ritmo, “cavando” a bola curta que lhe possibilitou o ataque que limpou a linha e iludiu o operário.

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sexta-feira, 29 de março de 2013 Tênis Masculino | 20:37

Abílios

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Alguns dos meus queridos leitores creem que Haas perdeu o jogo para o Operário Ferrer, 6/3 no 3º set, por conta de cansaço. Daqui a pouco alguém vai aparecer por aqui afirmando que crê em Papai Noel. Cansou quando; depois de fazer 2×0 e perder o saque, jogando o pior game da partida até então, ou depois de fazer 3×1 e saque e aproveitar o embalo para perder cinco games seguidos.

Depois de nos encantar a semana quase inteira, nos fazendo acreditar que o mundo pode ser prático e lindo ao mesmo tempo, Haas deixou seu genoma falar mais alto, como se poderia ser diferente, e voltou a encolher na hora da onça beber água, algo que, para seu desespero, foi sempre sua marca registrada e o empecilho para maiores glórias.

Agora resta torcer pelo Gasquet, para ver se um dos “abílios” vai para a final, ou se será mesmo entre dois “corredores”.

Aliás, para nossos leitores, uma segunda opção de nos iluminar com as estratégias do Tênis, já que na primeira tentativa alguns tentaram, até vieram com boas opções e visões, mas nenhuma que cravasse a estratégia principal de Gasquet para bater o Berdich. Qual foi a estratégia principal do Ferrer na partida contra o alemão?

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:58

Expectativas

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Início de temporada é interessante para ver se alguém voltou ao circuito com uma motivação diferenciada, uma confiança exacerbada, um preparo físico mais pungente, um golpe menos atávico, algo que nos acene com maiores alegrias e possíveis delírios sofasisticos.

O Davydenko dar uma aula ao Ferrer no Quatar e ainda contar prosa não é exatamente o que eu esperava. Mas, o russo afirmar que o espanhol, #5 do ranking, nunca o incomodou, por mudar pouco o ritmo e a forma de jogar, nos oferece uma mensagem sublimar sobre a mesmice que por vezes o tênis atravessa em termos de criatividade e estilo – o que explica o sucesso Federer.

Quando vi o resultado do jovem Harrison, batendo facilmente o Isner, pensei das duas uma: o garoto aprendeu e vai deslanchar, ou o Isner, de quem tenho maiores expectativas que a maioria dos fãs do tênis (em 2012 já ficou uns 4 meses no Top10), vai esvaziar a minha bola. Logo em seguida o Harrison toma um cascudo do Benneteau e o Isner diz que vai se afastar das quadras por conta de uma contusão no joelho, uma má notícia para qualquer um, pior para um tenista de 2m. Tudo se explica, caí do horse e sorte de Bellucci e companheiros.

O tal do australiano Bernard Tomic, outro talento com um jeito Rios de ser – não sei alguns desses talentosos pensam que devem, ou podem, como padrão, serem grandes babacas – começou bem o ano. Ganhou do Djoko em uma exibição – uma exibição sim, mas é melhor do que perder – e agora está na semi em Sidney. O rapaz anda mais sujo que pau de galinheiro em seu país e vem perdendo o respeito no circuito. Levou uma chamada elegante do Federer sobre seu comprometimento, o que mostra que o suíço sabe que ele pode jogar, mas não está jogando.

Esta semana Patrick Rafter, capitão da Davis da Austrália, e sempre visto como bom moço, avisou que o rapaz Tomic está fora de seus planos no curto prazo, por conta das babaquices que vem aprontando, dentro e fora das quadras, inclusive “largando” jogos, na Davis e no circuito. O papelão de Tomic, que largou o jogo em Hamburgo, na Davis, contra Mayer, (se borrou total) jogou a Austrália fora do Grupo Mundial e originou uma grande briga entre ambos – aliás, conheço bem esse fime.

Ninguém se bica com o rapaz, lembram que uma vez ele se recusou a treinar com o malahewitt em Wimbledon, uma roupa suja que acabou sendo lavada em publico, teve problemas com a polícia australiana por conta de suas aventuras automobilísticas, vive em guerra com a federação local e em Miami 2012 pediu ao juiz que expulsasse seu pai, o mala-mór, das arquibancadas.

Levar porrada de tudo quanto é lado mexe com qualquer um. Um tenista pode abaixar a cabeça e entrar mais no buraco ou pode usar o fato para se motivar. Com o perfil de Tomic, a minha expectativa que ele enxergue o mundo todo como errado e habitado por gente da pior espécie e que ele, coitadinho, é um incompreendido e perseguido, e por isso vai assumir missão de provar que é o cara e o resto um bando de idiotas que se exploda. Pode dar certo, afinal o mundo não é politicamente correto e, como dizia o filosofo, o inferno são os outros.

Tomic – por enquanto,  talento sem comprometimento.

Tomic e Rafter – comunicação ruim.

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domingo, 18 de novembro de 2012 Copa Davis | 23:01

Herói caseiro

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Adoro Copa Davis. Ela tem o poder de florescer em alguns indivíduos algo que por si só não conseguem encontrar no fundo de sua alma, até porque a maioria esmagadora não tem ideia das profundezas possíveis. Felizes os que conseguem, e estes são os heróis verdadeiros, e infelizes, por vezes desgraçados, os que não conseguem.

Infelizes são os que vagam pelas quadras como almas penadas, cumprindo o que o destino traçou, conforme a dose generosa, ou não, que lhe foi cedida de talento e de espírito. Na categoria dos infelizes coloco os que têm um, ou o outro, componente, carecendo mais do segundo e tendo mais do primeiro.

Desgraçados são aqueles que têm o talento e carecem do espírito. E desses existem aqueles que têm a consciência dessa carência e sofrem por isso, assim como temos os que fazem tal esforço para camuflar essa carência, que acabam por acreditar nessa realidade paralela onde eles se colocam acima do bem e do mal e agem como se nada os tocasse. Passam as entrevistas, e por vezes a vida, mentido para si mesmo e para todos os que lhe cederem os ouvidos. Se forem carismáticos ou bons mentirosos, e alguns são ambos, muitas vezes tentando vender a imagem de heróis com pés de barros, enquanto a maioria crédula crê no conto do vigário.

A final desta histórica Copa Davis – a centésima – teve personagens para todos os gostos. David Ferrer foi o herói tombado. Jogou com coragem e determinação, ambos do sei feitio, honrou a responsabilidade colocada sobre seus ombros com a ausência de Rafa Nadal, mostrou aos companheiros como deve ser feito, não perdeu um set sequer e viu seus esforços morrerem na praia.

Nicolas Almagro foi Nicolas Almagro. Um tenista talentoso, com recursos e frio. Desde de que o vi se encolher e praticamente entregar uma partida para Nadal em Paris nunca acreditei em seu espírito. Tremeu, mas não tremeu tanto. O que lhe faltou foi determinação e vibração. Sua postura, a mensagem que enviava, era de que se der deu, se não der ..deu. Pois é.

O técnico Alex Corretja pagou o preço por ter apostado em Almagro. Tinha a opção de colocar Feliciano Lopes no time e tirar Almagro. Acreditou no ranking do rapaz e desconsiderou os fatos de que Feliciano já estivera em uma final na casa adversária, contra a Argentina, onde venceu as duplas e bateu Del Potro em quadra semelhante a de Praga. Alex não dorme esta noite.

Ainda entre os espanhóis, Marc Lopez vai continuar sorrindo como sorriu durante, e mesmo depois do jogo – sabe que a culpa da derrota nas duplas não será jogada sobre seus ombros. Granollers, que, e aí o mais inacreditável, simplesmente acabou com o jogo no primeiro set, entrou em parafuso a partir do segundo set, perdeu a confiança e enterrou o parceiro e o time.

Entre os checos, aos vencedores as batatas. Foi um time de dois tenistas do começo ao fim do torneio.

Thomaz Berdich vacilou, mas levou. Ganhou o que tinha que ganhar, contra Almagro, e foi apertado, ganhou as duplas que era um jogo aberto e onde dividiu a responsabilidade com Radek, o que é sempre bom, e perdeu o grande jogo do confronto – o pega dos cachorrões do 3º dia.

Particularmente pensei que Navratil poderia ter colocado o Rosol no 1º dia, contra Ferrer e o liberado para dar porradas, a torto e a direito, sem responsa e sem medo de ser feliz, assim como fez contra Nadal em Londres. Não quis ou o Stepanek não deixou. Fiquei com receio que o galã não tivesse pernas no terceiro dia, especialmente em um possível quinto set. Seria interessante guardar o Radek para as duplas e o jogo final. Isso poderia ter custado o sono do Navratil, mas o Almagro é um amigão.

Bem mais do que isso, Navratil apostou no seu jogador. Apostou nos quase 34 anos de Stepanek e a experiência em consequencia, apostou nas inúmeras vezes que Radek fechou um confronto de Davis, por conta de sempre jogar atrás do Berdich, apostou no estilo, na personalidade, no espírito do galã. Vai dormir como um anjo.

Quanto ao Galã de Praga, colocou seu nome do olimpo do tênis tcheco, o que não é pouco. Não fez nada que não sabe fazer, mas não deixou de fazer tudo o que sabe, ao contrário dos outros, menos Ferrer. Sabia que era o jogo de sua vida, de sua carreira, que deve, a qualquer momento, encerrar. Nas simples, se quiser, porque duplas pode continuar ganhando por anos, se quiser.

Fez o que todo tenista sonha. Jogar, e ganhar, uma final de Copa Davis na frente de seu público. E mais, oferecendo uma performance digna de um campeão, que sentiu medo, como todos sentem, o dominou, porque a determinação, a coragem e o espírito eram maior do que o temor, e, por conta disso, conseguiu jogar, do começo ao fim, o que é ainda mais difícil e a ser aplaudido, em um padrão e maneira que só os heróis conseguem.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012 Tênis Masculino | 13:12

David e Golias

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eu adoro quando os big dogs não estão na final ou não vencem o torneio. Toda mudança é bem vinda. Mais importante, é um possível sinal de que um novo tenista pode estar colocando suas manguinhas de fora.

O Torneio de Paris foi uma dose dupla de alegrias. Não só tivemos um tenista como David Ferrer vencendo seu primeiro Masters Series o que, pensando bem, é uma surpresa das grandes, como fomos oficialmente apresentados a Jerzy Janowicz, um tenista polonês para lá de interessante.

Ferrer bateu na trave inúmeras vezes. Ser contemporâneo dos Fab4 tem seu preço. O espanhol é um dos tenistas mais encardidos que colocou seus pés em uma quadra de tênis, mas tem suas limitações – não tem uma arma para varrer o adversário da quadra. Ele ganha todos os jogos que deve ganhar nunca oferecendo milho pra bode. Mas tem suas dificuldades com os tenistas claramente superiores. Seu recorde com Federer, Nadal, Djoko e Murray é frustrante. E para vencer um Masters Series tem que, normalmente, passar por dois deles, sem contar outros cachorrões soltos na chave. Como em Paris dois deles desistiram antes da primeira raquetada e dois foram eliminados surpreendentemente por outros adversários, Ferrer viu aí a sua oportunidade de ouro. Não se fez de rogado. Brigou como um danado para vencer o 1º set e colocar o grilo na cabeça do adversário que disputava sua primeira final. Funcionou.

Mas a Cinderela parisiense foi o polonês. Esse cara tem tudo para ser um grande jogador. Bem, quase tudo. Com aquele cabelinho ensebado não vai rolar, vai ter que pedir uns toques para o Mestre.

Para se ter uma ideia mais clara do talento do polaco é só compará-lo com John Isner ou, e aí é sacanagem, com o Karlovic. Os três têm mais de 2m de altura – o polaco, dizem, tem 2.03m. Mas os golpes do rapaz estão em outra categoria. O saque ainda não é tão bom quanto será, mas mais limpo, clássico, já é um estrago dos grandes. Tem uma ótima direita, uma esquerda que ele sabe mexer a bola, e ninguém faz ali uma festa como com os outros dois gigantes, apesar de não ser agressiva como poderia. Os voleios são precisos e delicados, especialmente os cruzados curtos, um golpe matador. Sem mencionar as curtinhas, atrevidas, surpreendentes e precisas. E, ao contrário da maioria, quase sempre cruzadas. Quando ele começa a distribuir seu arsenal sem medo de ser feliz é extremamente perigoso, não importa quem esteja do outro lado – perguntem ao Murray.

É uma pena que o polaco tenha explodido na ultima semana da temporada regular. Sua confiança foi à estratosfera esta semana; o quanto dela ficará em seu emocional até o início de janeiro é uma questão que só o Aberto da Austrália responderá. Ou se aparecer para jogar o Masters dos Challengers no Ibirapuera para o qual está classificado.

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:59

Mais um dia de Federer

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Nada como todos tirarem proveito de uma coisa boa e que é boa para todos. Foi pensando assim que a Koch Tavares, responsável pela organização do Gillete Federer Tour, que acontece a partir de 6 de dezembro, decidiu apertar mais um pouco esse limão e aumentar a limonada.

Após vender todos os ingressos em tranches, e em minutos cada um deles, como não dá para expandir o Ibirapuera, pegaram no telefone e foram à luta. Conversaram aqui, convenceram ali e conseguiram acrescentar um dia a mais no evento. O que era de quinta a sábado agora será de quinta a domingo. Por isso, preparem suas carteiras, se for de fora de São Paulo liguem para a agencia de turismo e aproveitem a fim de semana na maior cidade do país. Bom tênis, ótimos restaurantes e muitos outros programas não faltarão.

Para o domingão os organizadores escalaram Thomaz Bellucci para enfrentar o espanhol Tommy Robredo como apetizer e como prato principal Roger Federer enfrentando o operário David Ferrer – é mané, Ferrer no Ibira também. Quero ver como o encardido vai encarar uma exibição – será que sabe jogar a brinca?

Abaixo a programação atual do evento. Sim, porque todos rezamos para que nenhum deles enfrente algum tipo de problema para vir à nossa festa. Os novos ingressos serão colocados a venda nos próximos dias. Já vi muito cara grande choramingando que não tinha comprado ingresso. Agora têm mais uma chance.

Data: 6 a 9 de Dezembro

Local: Ginásio do Ibirapuera, São Paulo
Piso: Indoor Hard (quadra rápida coberta)

Programação:

6 de dezembro-Quinta-Feira
19h30 Bob/Mike Bryan vs Bruno Soares/Marcelo Melo
Não antes das 21h30 Roger Federer vs Thomaz Bellucci

7 de dezembro-Sexta-Feira
19h30 Maria Sharapova vs Caroline Wozniacki
Não antes das 21h30 Thomaz Bellucci vs Jo-Wilfried Tsonga

8 de Dezembro-Sábado
19h Serena Williams vs Victoria Azarenka
Não antes das 21h Roger Federer vs Jo-Wilfried Tsonga

9 de Dezembro-Domingão
16h Thomaz Bellucci vs Tommy Robredo
Não antes das 18h Roger Federer vs David Ferrer

Ferrer – “o que, a brinca!??!”

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domingo, 28 de outubro de 2012 Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:33

Basiléia, Istambul e Valencia

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Ninguém gosta de perder. Muito menos jogando em casa. Minha mulher fica com vontade de largar a raquete. Roger Federer desiste de ir a Paris. Minha mulher fica louca da vida com as japas baloneiras. Federer detesta encontrar pela frente alguém que dê mais pancada na bola do que ele. Ela começou a competir faz pouco e ainda tem que aprender a lidar com as viadas que fazem das quadras de tênis uma filial de Cabo Canaveral. O suíço deveria lembrar que o argentino não tem nenhuma consideração e adooora alguém que fique lhe dando pancadas à altura da cintura. Aliás, o hermano estava tão com vontade de machucar que quase acaba com a felicidade da Mirka – veja o vídeo abaixo.

A final entre Federer e Del Potro na Basiléia foi tudo o que o publico queria. Em termos de emoção, porque o resultado esperado, lógico, não era a vitória argentina. Mas uma partida decidida no TB da negra, após um TB no 2º, quando Federer escapou de perder em dois sets, teve um tênis de primeiríssima em um estádio que se não é novo, garanto que é de primeiríssima qualidade – padrão suíço.

Logo após a derrota, Federer, que é presidente da ATP, declarou que não jogaria o Masters 1000 de Paris, mesmo sabendo que a decisão vai lhe custar a liderança do ranking no fim da temporada para el djoko. “É a única alternativa para mim!”, alegando que quer preservar o físico para as finais de Londres, e também suas apresentações na América do Sul! Os franceses devem ter adorado a notícia.

Não tem contusão, nem nada que o impeça – simplesmente magoou. Roger já tem 600 partidas, mais de 12 anos de carreira, mas em Janeiro de 2012 ainda não tinha 31 anos, o que o isentaria totalmente das responsabilidades de jogar qualquer Masters 1000 – o que vale dizer que, teoricamente, a partir do ano que vem pode até cobrar para jogar os Masters 1000.

David Ferrer mostrou, mais uma vez, que é “o casca de ferida”. É na Espanha, é na quadra dura lenta, o Nadal não vem, é meu! É a 3ª vez que o casca vence por lá. E desta vez dedicou a vitória a Ferrero, que é um dos donos do evento e encerrou a carreira por lá esta semana.

Para nós, a boa notícia foi mais uma conquista de Bruno Soares, e seu parceiro Peya, batendo na final os ibéricos Verdasco/Marrero em três sets. É o terceiro título com Peya, o seu quinto esta temporada e o seu décimo na carreira. Eue temporada, e que parceria. Essa parceria deve dificultar a possível decisão voltar a jogar com Melo, com quem emparceirou na Davis e com quem ganhou Estocolmo. Com quem ele jogara em 2013?

Maria Sharapova chama Serena Williams de minha rainha do ébano. Não vou tentar adivinhar do que a gringa chama a russa/americana. Eu sei que suas cadelinhas ela chama de Jackie e Lorelei! São oito anos que Maria não vence Serena. Oito anos e nove partidas – uma média legal. O resultado de hoje, em Istambul, na final do Masters, 6/4 6/3, foi melhor do que o ultimo, nas Olimpíadas, 6/1 6/1. Pior do que isso a russa teria que sumir do circuito ou se trocar no carro; sua vida nos vestiários ficaria impossível. Para sempre vai se perguntar: Serena deixou ela fazer um??

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