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domingo, 21 de agosto de 2011 Tênis Masculino | 20:50

Artista e sofredor

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As realidades mudam e todos, inclusive os fãs, tem que se adaptar. Gostem ou não. Até alguns anos atrás era muito difícil um tenista sair da quadra, a não ser que estivesse pela hora da morte e somente por conta de contusão inesperada. Hoje em dia, os caras não têm muito conflito interno em marchar até a rede, cumprimentar o adversário e mandar uma banana para o público. Tenho certeza que alguns “fanáticos” vão vestir a carapuça e chiar, mas é o pessoal que descobriu o tênis agora e está aprendendo dentro dessa nova realidade. Pragmática, porém contestável.

Após tirar benefício do mesmo raciocínio na semifinal, quando Berdich lhe apertou a mão, Djokovic deu sua entrevista dizendo que já sabia do problema de Berdich e que ele tinha algo semelhante. Perguntado o que, respondeu que era “exaustão”, o que é compreensível. Hoje, após cumprimentar Murray, disse que o problema era o ombro, que não podia sacar, nem bater de direita. Mas após um primeiro set bem disputado começou uma serie de encenações que anunciavam o que vinha pela frente. Até a Poliana lá em casa cantou a bola.

Eu já havia escrito que estava cheirando essa delícia. Perdendo, ele aliviou um pouco a panela, que iria – vai de qualquer jeito – chegar chiando em New York, onde a imprensa americana e mundial espera o sérvio de braços abertos. Lá o bicho pega.

Bom para o Murray que após jogar pedrinhas no Canadá venceu um Masters 1000 sem perder um set, o que não é brincadeira. Ainda acho que o melhor cenário para o tênis seria a conquista de um Grand Slam por parte do britânico, o que lhe daria a confiança necessária para se tornar o jogador que pode ser – e, diria mais, lhe abriria o caminho para ser #1 (Xiii, marquinho, lá vem a turba!!). Mas, enquanto não ganha, seguirá sendo esse tenista sofredor em quadra que pode tanto nos encantar como um  artista campeão como nos irritar como um mega desperdício.

Andy Hulk Murray – sofrendo e vencendo.

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sábado, 20 de agosto de 2011 Tênis Masculino | 21:31

Final de Cincinnati

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A vitória de Andy Murray sobre Mardy Fish na semifinal de Cincinnati teve um sabor de vingança para o escocês. No ano passado ele foi eliminado pelo americano, que iniciava a reviravolta em sua carreira, em uma partidaça, resolvida no TB do 3º set. Além disso, o americano tinha 4 vitórias em 7 confrontos, o que devia ser um certo incomodo para o #4 do mundo.

Murray vai enfrentar na final adivinhem quem?  Ficar dando detalhes da temporada de Novak Djokovic está se tornando redundante. Mas já que é uma final, aqui vai. Sua vitória sobre Thomaz Berdich foi a 57ª do ano. Ele vai tentar vencer o 6º Masters 1000 da temporada, mais um recorde para o sérvio, que corre atrás de um outro recorde que daria muito o que falar, principalmente nos EUA; bater o de John McEnroe que, em 1984, venceu 59 dos primeiros 60 jogos da temporada. Ele precisa bater Murray na final de amanhã e mais dois jogos em Nova York, onde seria a grande vedete da mídia.

Só que o talentoso escocês não é flor que se cheire. Além de adorar jogar sobre o piso duro rápido, como o de Cincinnati, onde venceu em 2009, Murray e Djoko formam uma das grandes rivalidades da nova geração – ambos têm a mesma idade. Já se enfrentaram nove vezes, com seis vitórias do sérvio, sendo uma delas na final de Cincinnati de 2009, que faz parte da série das três vitórias consecutivas de Murray, que na época indicava que daria seu grande pulo, enquanto Djoko tinha suas dificuldades com o serviço e a definição de seu estilo, algo que, aparentemente, resolveu, e que o britânico não. Mas, quanto mais Djoko se aproxima de McEnroe, mais aumenta a pressão sobre ele. Talvez, por um lado, até seria bom para ele perder amanhã e chegar ao US Open com menos tititi e mais à vontade para o 3o título d GS da temporada, que deve ser sua grande meta do que resta da temporada.

A razão oficial de Thomaz Berdich para abandonar a partida de hoje, imediatamente após perder 0 1º set, depois de sacar em 5×4, será por conta do ombro, que sentiu na partida anterior. Mas para mim, a razão é exatamente aquela que o separa de um jogador como Rafael Nadal, que nunca faria um papelão desses e que, não custa lembrar, foi uma das características de Djokovic que sumiram em sua nova e vencedora fase. Alguém sacar para vencer o set em uma semifinal, deixar escapar, perder 11 dos 12 pontos seguintes e ir á rede apertar a mão do adversário exige uma personalidade que não condiz com a de um grande campeão.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011 Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:22

Quadras de treino

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Rafael Nadal deu aquela chiadinha básica sobre as mulheres dividirem o espaço com os homens no torneio de Cincinnati, assim como outros, um padrão que vem tomando corpo.

O espanhol que é um fofo, segundo minha mulher, logo deixou claro que nada tem contra elas e nem fala em nome próprio. Como é que é?

Bem, lógico, o fofo nada tem contra as mulheres, e quem tem? Ele diz que deve ser bom para o público e o torneio. Para os tenistas nem tanto. Por que? Pela “briga” pelas quadras.

Existe uma “briga” surda, mas muito viva, pelas quadras de treino entre os jogadores. Com as mulheres por perto a demanda dobra. Além disso, as mulheres têm uma, diríamos, dinâmica diferente dos homens sobre o assunto. Eles são mais respeitosos, elas, diríamos, folgadas. Lembro uma vez em Nova York durante um treino de homens, entre eles um brasileiro, uma moça do leste europeu entrou dentro da quadra e começou a pular corda quase no corredor das duplas. O tenista lhe enviou um canudo que se pega, e foi quase, matava. O que saiu de ofensas não está escrito.

Mas o que me chamou a atenção nas suas declarações foi um detalhe. Segundo regras não escritas, todos os tenistas têm o mesmo direito ao tempo de quadra. O Nadal declarou que não falava em nome próprio porque ele recebe duas horas todos os dias, sem problemas do torneio. Mas que os outros tenistas devem estar com problemas de conseguir uma horinha que seja. Espera um pouco!! Isso não é legal.

Mas a verdade é que acontece, e muito, mesmo que debaixo do pano. Lembro que, como técnico, eu sofria essa descriminação lá fora quando tentava marcar quadras para meus tenistas, e quando tentava brigar pelos mesmos privilégios aqui, os caras-de-pau americanos da ATP diziam que isso não era permitido de jeito algum – e ainda tinha diretor de torneio brazuca que, mesmo sabendo das coisas, enfiava o rabo no meio das pernas e ainda nos chamava de arrogantes pelas costas. Tá aí o Nadal oficialmente colocando os pingos nos is.

Nadal – a vida em quadras de treino.

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terça-feira, 16 de agosto de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:15

Atire a primeira pedra

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Se valesse as palavras do Senhor, ninguém entre nós poderia criticar mais uma derrota da parceria Thomaz Bellucci e seu técnico Larri Passos. Mas como o local está repleto de pecadores…

O que posso escrever aqui sobre Bellucci que já não foi dito antes, tanto de positivo como negativo? O que eu ainda não entendo é essa postura de torcedor chato que o brasileiro insiste em adotar no esporte. Críticas construtivas e opiniões são o que o espaço de um blog oferece. Venenos e ofensas me falam muito mais sobre quem escreve do que sobre quem joga. Enfim…

Thomas tem arsenal para ser o jogador que promete ser, e às vezes é. Mas ainda não encontrou dentro de si o necessário para ser o grande jogador que fãs desejam, e que ele, mais do que todos, quer.

A tarefa de Larri Passos era, acima de tudo, trazer o know-how e a confiança necessária para o tenista brasileiro chegar ao Top 10, especialmente graças a resultados em Grand Slams. Dá para perceber certos detalhes técnicos – o Bellucci tentando “enroscar” um pouco mais o revés etc. Mas ainda não conseguimos ver, nem à distância, a necessária mudança de atitude em quadra. Hoje foi um pouco mais do de sempre.

Acredito que a aposta de ambos tem muito a ver com a temporada de quadras duras na America do Norte, que culmina com o U.S. Open, último GS da temporada, derradeira oportunidade da dupla fazer um “statement” nesta temporada. O que, a bem da verdade, ainda é possível.

Às vezes é um tanto enervante ver Thomaz tão apático nos momentos importantes da partida. Mas, para quem viu Borg jogar, não dá para dizer que essa frieza esteja longe de ser uma postura correta. Mas existe um universo em expansão no produto final dessas posturas similares. Borg era um “brigador” e um competidor ferrenho que odiava a derrota enquanto honrava o apelido de “Iceborg”. Thomas…

A surpresa, pelo menos para o grande público, ficou com a demonstração pública de irritação do técnico Larri Passos, que hoje não fez nenhuma questão de esconder seus sentimentos. Desde em momentos positivos, quando Thomaz conseguiu a primeira quebra, com Passos parecendo dizer que “é só não inventar” e “ufa, uma quebra”, até no momento em que Thomaz, com 4×1 acima no TB, comete um erro não forçado, em um momento em que não havia razão para correr risco, com Passos indo à loucura. Dali para frente o tenista “murchou”, assimilando negativamente a reação do técnico. A atitude mostra que as coisas não andam tão bem entre os dois, o que não seria uma total surpresa, dado o temperamento opostos de ambos.

Eu também tive meus destemperos nas arquibancadas como técnico, especialmente no começo da carreira, algo que aprendi a controlar com o passar do tempo; então não posso ficar atirando pedras. Como a maioria, compreendo melhor o que passa na cabeça de Passos do que na de Bellucci . Ao técnico resta reagir com destemperança ou frieza, algo que pode mudar por conta de inúmeros fatores, frente às frustrações, mas pouco pode fazer para mudar o curso da partida. Mas o tenista está lá dentro e pode, de fato, fazer a diferença. Só ficar bravo, querer quebrar a raquete, se contendo no último instante, e “largar” o jogo, por conta da frustração, é o pior cenário.

Thomas poderia, nessas horas de frustração – que são compreensíveis, porque o circuito é muito mais difícil e massacrante do que um sofasista pode sequer imaginar – aprender a ficar realmente bravo e querer, acima de tudo, derrotar o adversário e vencer a partida. Aí talvez, ao transformar um sentimento negativo em algo que pode vir a ser positivo, consiga dar o pulo do gato que tanto almeja.

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