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segunda-feira, 28 de março de 2016 Masters 1000, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:03

Administrando

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Cheguei na quadra 2 o jogo estava começando. Dei uma panorama na quadra e me surpreendi. De um lado a dupla do brasileiro Marcelo Melo e seu parceiro croata Ivan Dodig. Do outro “A Besta” Mirny e seu parceiro Treat Huey, um baixinho filipino-americano que tem mais pinta de ser um boleiro mais velho do que um tenista profissional. O jeito dele simplesmente não bate com o resto dos tenistas, especialmente tendo a “Besta” Mirny de 1.96cm como parceiro.

 
Mas foi só o cara começar a jogar para meu queixo ir caindo. Mãos rápidas, pulso forte, pancadas dos dois lados e um estilingue para sacar. Ele deve ter dado mais de 10 aces no Dodig no centro da quadra. Isso porque o croata já sabia que iria lá e assim mesmo a bola passava por ele como um F1.

 
Nas devoluções o cara acelera dos dois lados e sabe bem onde meter as bolas. Na rede é um abílio. Esteve alguns patamares acima de seus colegas de quadra no quesito. E quem se atreveu a desafia-lo no quadradinho se deu mal. Bem mal.

 
Além disso, tem ótimo posicionamento, cruzando como saci junto à rede. Ali, novamente, levou Dodig à loucura. Cruzava muito, esticando seu braço para um voleio de forehand. Ali também o Dodig sabia que o cara iria e não conseguiu fazer muito – essa bola acabou sendo crucial no resultado final.

 
A “Besta” já tem 38 anos, nao tem mais o mesmo vigor físico de quando fez a memorável partida contra Gustavo Kuerten em 2001, no US Open, onde liderava por 2×0 e o catarina “encontrou” uma maneira de virar o jogo que levou os brasileiros presentes ao delírio. Mesmo assim, ainda se vira nas duplas, apesar que era o elo frágil da dupla, que não conseguiu ser explorado pelos adversários.

 
Talvez porque Dodig não estava 100% fisicamente, com a perna direita enrijecida na altura da coxa. Talvez porque a dupla de Melo não conseguiu tirar proveito dos melhores resultados que têm dentro do bolso. Talvez porque, em momento crucial no 2o set, Dodig acertou uma bolada na nuca do parceiro que o nocauteou. Talvez porque o tal de Huey estava em dia inspirado e foi, de longe, o melhor em quadra, dando um verdadeiro show de habilidades e de como se joga uma dupla bem jogada no estilo antigo.

 
De qualquer jeito, o felipino e o bielorusso estão na 3a rodada e Marcelo, que esteve focado e compenetrado, sabendo da importância da partida, já que agora não é mais o 1o do mundo – perde a posição para o parceiro de Bruno Soares, Jamie Murray, que também já estão fora do torneio, por meros 5 pontos, algo que evitaria com a vitória ontem.

 
No fim do jogo fiquei pensando porque não ouço falar mais do tal filipino/americano. Descobri que já ganhou sete títulos nas duplas, com quatro parceiros diferentes. É daqueles que muda bastante de parceiro. O porque não sei.

 
Mas, com certeza, se soubesse administrar melhor a carreira poderia ter ainda melhor resultados. Poderia perguntar umas dicas no assunto para Marcelo e Bruno, que têm sido ótimos no quesito. Isso prova que o circuito de duplas é extremamente competitivo e é necessário saber administrar fora das quadras também – a escolha, e manutenção, do parceiro um quesito fundamental!

 
Huey desistiu das simples ainda jovem – foi tenista universitário – porque achou que seria medíocre como singlista e poderia se dar melhor como duplista; um denominador comum nas carreiras dos duplistas.

 
De qualquer maneira fica a lembrança. Se algum dia os leitores tiverem a oportunidade de assistir o rapaz jogar vão ver como se joga bem duplas sem ter a pinta de quem o faz. Um tenista muito rápido, com ótimas mãos, muita habilidade, que sabe tanto bater como tratar uma bolinha carinhosamente. Uma avis rara que merece ser vista porque é um animal em extinção.

 
Ontem tivemos dois jogos ótimos. A vitória de Gilles Simon sobre Marin Cilic, onde a paciência e regularidade mais uma vez se sobrepôs sobre o ataque, em um conflito sempre interessante de assistir, e a surpreendente vitória do francês de 22 anos, Lucas Pouille, tenista talentoso, com bons golpes de ambos os lados, voleios melhores do que o padrão atual, em um saque que incomoda sobre o operário David Ferrer. Um all around que está crescendo no circuito e que ainda vai dar o que falar. Talvez não seja um Federer, mas, aos poucos vai conseguir vitórias como a de ontem, melhorar seu ranking e, se souber administrar, deixar de ser uma surpresa e passar a ser um dos cachorrões.

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domingo, 27 de março de 2016 Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:06

Errando no processo

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A chamada diária dos jogos é um processo difícil e que exige muita experiência por parte dos responsáveis. Não vou entrar nos detalhes, mas acreditem, é um verdadeiro quebra cabeça, especialmente nos primeiros dias do evento, quando tenistas estão envolvidos em chaves de simples e duplas, uma das maiores dores de cabeça do trabalho.

 
Na verdade, deve ser a única hora que os organizadores dão graças a Deus pelo fato de existirem mais e mais os tais especialistas de duplas; os que nunca jogam simples. Sim, porque se existe um fulano que os organizadores não gostam são os “especialistas” de duplas – mas isso é uma outra história, porque na hora de se fazer a chamada eles ajudam.

 
Pelo simples fato de que não apresentam o conflito, como o singlista que joga as duplas. Já imaginaram um jogo de duplas com os quatro neguinhos ainda envolvidos nas simples? Imaginem uns míseros seis jogos desses em um dia e temos 24 tenistas atravancando a chamada. Lembrem que um tenista que está nas duas chaves só pode jogar duplas após jogar suas simples. Por isso, invariavelmente as duplas são no fim do dia, a não ser que envolva quatro tenistas que não jogam simples – pelo menos naquele dia.

 
O fato é que mesmo com a sistematização do trabalho das “chamadas”, o pessoal ainda come uma bolas que não estão no cenário mais óbvio. Um exemplo foi o caso de ontem, na partida de duplas que reuniu Bruno Soares e Jamie Murray x Ram e Klaasen. Nenhum dos quatro envolvidos nas simples (Ram perdeu por WO na 2a rodada das simples?!).

 
A partida envolvia a dupla cabeça de chave #3 e campeã do ultima Grand Slam, além de envolver um tenista brasileiro em um evento repleto de brasileiros ávidos por assistir um conterrâneo, além de envolver um americano (Ram) e um tenista brigando para se tornar #1 do mundo (Murray). Será que alguém do “Comitê das Chamadas” lembrou desses detalhes. Podem apostar que não!

 
O jogo foi colocado na quadra 9, a mais acanhada do local, com uma arquibancada modesta que não fez frente sequer aos brasileiros que lá apareceram. Logo no início do jogo estava formada a confusão, com boa parte dos fãs se frustrando e, eventualmente, desistindo de assistir a partida. Vários (eu entre eles) apelaram para subir nos últimos degraus da quadra 2, que é vizinha da quadra 9 (não me perguntem a lógica disso).

 

Pior ainda foi, após tanto esforço e frustraçao, ver o brasileiro perder. A dupla não jogos bem, não aproveitou o fato de ter ganho o 1o set e não aproveitou a torcida. Aliás, ninguém em quadra jogo muito bem. Foi um jogo estranho, onde nem Murray se salvou – o cara, que vinha sendo o melhor em quadra, deu uma boa tremida no apagar das luzes.

 
Para completar o negro dia para nossas cores, após a derrota de Thomaz Bellucci, que desistiu da partida contra Misha Kukushikin (que tem um torcedor que fica gritando o nome dele a partida inteira), após esta ir para o 3o set, ainda tivemos o mesmo Bellucci entrando em quadra, já à noite, perdendo as duplas em parceria com Andre Sá, contra o ex de Bruno, Alex Paya e outro. Thomas não mostrava nenhum sinal de problemas físicos, a razão pela qual abandonou a partida.

 
O mais bizarro dessa partida é que Thomaz e Andre entraram como lucky losers, com o abandono de Marco Baghdatis e Michael Venus, que desistiram de jogar – talvez pela surra que o primeiro tomou do MalaKirgyos.

 
Bizarro porque originalmente Andre Sá se inscreveu em Miami com seu parceiro Guccionni, com quem não conseguiu entrar na chave, por conta do ranking. Mas a regra permitiu que ele e Thomaz se inscrevessem diariamente como “alternativos” e assim fossem chamados para entrar em quadra na desistência da dupla original.

 
Não acompanhei, mas imagino que tal “chamada” criou uma situação. Bellucci tinha abandonado sua partida de simples horas antes e, normalmente, ele (e ninguém) não jogaria uma partida de duplas logo depois. Mas já era noite (o dia tinha sido de um sol terrível e a noite estava bem gostosa) e o parceiro um amigo e um dos tenistas mais gostados do circuito.

 
Thomaz foi para o sacrifício e, em nenhum momento, mostrou corpo mole ou falta de interesse. Na verdade, achei Andre, um excelente duplista, mais incomodado com a circunstância e jogando abaixo de seu padrão.

 
Mas o sábado já estava escrito como ruim para os fãs brasileiros. Ahh, antes que eu esqueça. Rafa Nadal também abandonou, no início do 3o set de sua partida de simples, por conta de ter, como Bellucci, passado mal, com tonturas e mal estar. Talvez Belo tenha, em companhia tão digna, se sentido menos mal de ter se sentido mal.

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sábado, 27 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:19

Yes, you can.

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Ontem, sexta feira, foi um dia lindo no Brasil Open. Exatamente o que se espera, quando se espera coisas boas, de um evento tenístico. Todos os ingressos vendidos, publico lotando as quadras, inclusive as de treino, que, ao meu ver, merecem uma mini arquibancada, já que o publico adora ver essa informalidade nos tenistas, as alamedas repletas com pessoas transitando e atendendo às lojas instaladas na alameda principal do evento e, vital, brasileiros em quadra.

 

 

Sim, aí um dos diferencias de um evento realizado no Brasil: a presença de um dos nossos em quadra. E como à noite teríamos os mineirinho e a nova sensação em quadra, à procura por ingressos era insana. Tive inúmeros conhecidos ligando para ver se eu arrumava ingressos. Eu, que nada tenho a ver com o evento? Imaginem os que têm. E assim sofrem os que não se programam.

 

 

O outro lado da moeda é que olhando a chamada de hoje não encontramos mais nenhum dos nossos nas quadras. Os mineiros tiveram uma derrota inesperada. Thiago, um esperada.

 

 

Mas Thiago chegou a passar os dedos pela vitória. E aí nós vemos a diferença que faz a experiência, a quilometragem. Ele venceu o 1o set jogando melhor do que Cuevas. Começou o 2o quebrando e abrindo 2×0 e o uruguaio dando sinais que apitaria. Foi então que Thiago jogou o game que vai lhe tirar o sono e render boas conversas com o técnico.

 

 

Fez algo gritante de errado? Nao. Mas também nao fez o que precisava, que era jogar a pá da cal no cadáver que se prostrava do outro lado da rede. Jogou o game esperando que o outro se enterrasse sozinho. O outro não é jogador de futures ou challengers. É argentino/uruguaio, tem brios por baixo daquela carinha de coitado. Ficou no jogo. Thiago não se perdoou pelo vacilo e não foi mais o mesmo. A partir daquele game virou presa fácil para o comedor de canhotos.

 

 

Tudo isso faz parte do aprendizado e esta semana Monteiro aprendeu mais, em quadra, do que em toda a carreira. A principal delas, aquilo que virou mote do Obama: “Yes, you can!” Especialmente porque, além de ter um jogo redondo, tem brios, coragem, vontade, determinação e atitude em quadra, qualidades que lhe servirão para progredir no circuito e, importante para nós, cativar seus fas em casa. Que siga o trabalho e ouvindo aqueles que são responsáveis por seu progresso.

 

 

O porque do fracasso dos mineiros Melo e Soares? Não sei lhes dizer. Ainda não estão à vontade em quadra. Digo ainda porque para todos os brasileiros o importante agora é a participação deles no Rio 2016. Sim, eles tem altas chances de medalha, independentes dos resultados das duas ultimas semanas. Quanto a parte técnica já escrevi o porque, acredito, eles nao conseguiram render o que se esperava por aqui. Mas faltou algo mais e por isso ainda acho que deveriam jogar juntos antes das Olimpíadas. O mote de Obama também vale, totalmente, para eles. A dupla é uma entidade maior do que a individualidade, no caso. Eles precisam ganhar juntos para adquirirem a confiança para vencerem juntos. Catch 22!

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016 Novak Djokovic, Olimpíadas, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:50

Novak, Angelique e Bruno

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Não é de hoje que Novak está um degrau acima, olhando pra baixo – seja quem for. Técnica, física e mentalmente. Um sucesso que é dividendo de uma das mais sensacionais histórias de estratégia de carreira, boas escolhas, determinação, entrega e compromisso total com a qualidade.

 
Um exemplo de ética de trabalho poucas vezes visto anteriormente, me lembrando Ivan Lendl pela dedicação e escolhas. Como Novak tem um perfil psicológico e social mais light do que o checo, vem – acredito que por isso também – tendo uma carreira de mais excelência do que este, que era um cara tenso e mau humorado, mas com uma dedicação à carreira que lembra o servio. Novak buscou, desde o início, ser melhor, do que todos e, mais importante, do que era. Um dia atrás do outro. Colhe os frutos.

 
Sem a mesma excelência, mas experimentando da mesma estratégia, Kerber deixou de ser uma moça habilidosa, top 10, um tanto pesadinha para correr atrás das bolas rápidas das cachorronas, para experimentar das delícias de ser uma campeã de Grand Slam. Sua vitória sobre, na bacia das almas e sob muita pressão, uma das maiores vencedoras da história do tênis mostra, mais uma vez, o que determinação, dedicação e confiança podem conquistar. Uma bela final, muito melhor do que a masculina, repleta de emoções, drama e tênis de qualidade – um prazer de assistir.

 
E o tênis brasileiro segue sendo bem representado pelos seus bons duplistas. Tirando o sucesso de Gustavo Kuerten, e Maria Esther, que foi boa nas duas, não deixa de ser interessante o fato de brasileiros se darem melhor nas duplas do que nas simples. Cassio Motta foi #3 do mundo, Carlos Kirmayr foi #7, em uma época em que ambos jogavam simples e duplas. Jaime Oncins também foi excelente e poderia ter tido o mesmo sucesso de Bruno e Marcelo tivesse feito melhores escolhas e abraçado com força a carreira de duplista.

 
Sempre acreditei que rivais tem, como função crucial, se motivar entre si. Bruno Soares e Marcelo Melo são ótimos exemplos. E não deveria ser necessário lembrar que aqui a palavra rival não carrega nenhum valor negativo.
Depois de jogarem juntos, se separaram, Bruno conquistou ótimos resultados até o fim de 2014, atingindo #3 do mundo, o que não é pouco. Mexeu com os brios do antigo parceiro que foi atrás de investimentos pessoais e melhores resultados. Chegou a #1 do mundo, o que o colocou em patamar impar na nossa história.
Bruno decidiu que tinha mais do que uma boa motivação para correr atrás de melhoras. Com novos parceiros conquistou um feito impar ao vencer ambas as duplas no AO.

 
Sabemos que quanto a Vesnina foi iniciativa sua o convite. E a moça aceitou com alegria. Até porque deve ser só alegria jogar com alguém como Bruno. Quanto a Murray o convite veio do parceiro. E aqui dou a mão à palmatória. A dupla deles funcionou maravilhas. Para tal Bruno teve que fazer seus ajustes. Uma de suas forças sempre foi a velocidade e uma de suas carências a devolução de esquerda. Vem aprimorando esta há algum tempo e hoje está bem mais a vontade com ela.

 
Com Murray encontrou um cara que, se não é mais rápido do que ele, é extremamente “móvel”, levando os oponentes ao desequilíbrio com seus movimentos junto à rede. O cara parece um dervixe dentro da caixa de serviço. E Bruno soube se transformar numa bela ancora, sem abrir mão de sua mobilidade. Os caras são um inferno de se enfrentar.

 
Além disso, com seu jeitinho mineiro, Bruno sabe e soube equilibrar seu parceiro com sua calma nas horas da onça beber água, algo crucial em uma dupla de dois. E hoje, para nossa alegria, graças à TV fechada, podemos acompanhar o torneio de duplas com quase tanta facilidade quanto o de simples – pelo menos de nossos jogadores.
Com Marcelo e Bruno estamos mais perto, pelo menos de antemão, de uma medalha olímpica do que em qualquer outra oportunidade, inclusive com Gustavo Kuerten – sem esquecer que tanto Oncins como Meligeni estiveram bem próximos de uma.

 
Mas, suspeito, que Marcelo e Bruno, até por jogar em casa, têm ainda mais consciência do que está a seu alcance. E isso, suspeito, envolve em alguma hora voltarem a jogar juntos antes das Olimpíadas.

 
Como as histórias de sucesso passam por escolhas, entregas, compromissos e abir mão de algo para conquistar um outro algo, o s rapazes devem estar avaliando com carinho como irão se preparar para a pressão que envolve o almejado sucesso no Rio.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Roger Federer, US Open | 12:53

Quinzena recheada

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Quinzena recheada de tênis, com dois grandes eventos, feminino e masculina, seguidos. Após a passagem pelo Canadá a festa segue para Cincinnati, local do torneio mais antigo dos EUA jogado em sua cidade original. Começou em 1899, quando as raquetes eram pouco mais do que um tacape, homens e mulheres usavam calças e vestidos longos e o golpe padrao, dos dois lados, era o slice salame. O piso original era uma derivaçao das quadras de terra e o local original hoje é uma universidade. O piso mudou algumas vezes e o local muitas; sempre na cidade. Chegou a ser propriedade da ATP, quando estava no perigo, e sobreviveu graças aos esforços de um abnegado, Paul Flory, falecido em 2013. Agora é propriedade da USTA, federaçao americana de tênis.

Três brasileiros já se deram bem por lá. Gustavo Kuerten ganhou as simples em 2001, batendo Rafter na final, em jogo estranhissimo, e Carlos Kirmayr e Cassio Motta foram vices de duplas em 1983, época em que os cachorroes jogavam simples e duplas.

Hoje, com os cachorroes ficando quase que só nas simples, os irmaos Bryan vao tentar vencer o 99o torneio de suas carreiras. E podem apostar que vao tentar ao máximo, o que pode ser mais um estorvo pela pressao, porque adorariam chegar a New York com a possibilidade de lá ganhar o 100o. Imaginem o que eles nao iriam agitar na Big Apple – esse pessoal das duplas sao marketeiros nas “úrtima”, até pela necessidade.

Mas serao os dois primeiros favoritos – Djoko e Federer – que estarao nos cabeçalhos da semana, por razoes bem compreensíveis. O servio nunca ganhou em Cincinnati – perdeu em quatro finais – e completaria o Slam dos Masters1000 com o título. Nao existe outro tenista no circuito com essa conquista – um feito e tanto.

O Boniton, que já ganhou cinco vezes vezes por lá, imaginem seu olhar de desprezo no vestiário, deve chegar à sua 300a vitória em Masters1000, já na 1a rodada, feito único também no circuito.

Murray, que já ganhou duas vezes é outro que deve ter bons sonhos com Cincinnati. Faz tempo que o escocês busca um bom resultado. Tsonga chega confiante após socar geral em Toronto – mas esperar duas conquistas seguidas do francês é esperar demais.

Tsonga passou por cima de todos no Canadá; Djoko, Murray, Dimitrov e Federer. Tá bom ou querem mais? Dois compadres; Vasselin na 1a e Chardy na 2a rodada! Na final abafou Federer que, aos 33 anos, está em ótima fase técnica e física, mas continua pecando no quesito tática. Precisando vencer o TB para ir à negra, o suíço saca no 3×3 e, na 1a bola, com sua direita, seu golpe de ataque, passou uma bolinha sem vergonha na direita do francês, de longe seu melhor golpe, só para levar um cascudo para deixar de ser indisciplinado. É muita bobagem na hora da onça. Nao fez mais nenhum ponto.

Os brasileiros lavaram a alma na final das duplas. Marcelo Melo continua entre a cruz e a espada com seu parceiro Ivan Dodig. O cara, um dos poucos duplistas full time que é singlista full time e excelente duplista quando está disposto, volta e meia joga uma partida bem meia boca. A final foi uma delas.

Em compensação, Bruno Soares e seu parceiro Peya estavam a 1000 por hora. Aliás, Bruno mudou seu saque e pra bem melhor. Está alavancando melhor. Com isso está mais agressivo e deixando menos espaço para ataques. Ainda mete umas duplas faltas ingratas, mas no médio e longo prazo a mudança é um grande avanço. O rapaz já tinha melhorado bem sua devoluçao de revés, uma das razoes de sua melhora técnica nos últimos dois anos. Os manos Bryans que se cuidem.

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013 Tênis Brasileiro | 11:21

No contrapé nao

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A conversa com Bruno Soares nao foi tao longa, mas deu para pegar algumas coisas importantes de sua carreira. Contusoes nunca sao bem vindas, mas a de seu parceiro, o austriaco Alexander Peya veio em boa hora, se é que isso existe. Bruno está com uma tendinite no pulso, o que quer dizer dores e, possíveis pioras com o esforço contínuo. Como todo atleta, ele prefere ver o melhor cenário a respeito e tem a certeza que o assunto está sob controle. O tempo que ficará afastado das competiçoes, por conta do parceiro, será usado, entre outras coisas, para curar o pulso – tendinite é uma contusao que o melhor remédio é o descanso do tendao.

Uma outra coisa que ele vai fazer é ficar em casa e curtir sua mulher que, quem diria, se chama Bruna. Assim como ele, ela é tranquila, suave, mineirinha. Ficar em casa é algo que o tenista tem no mais alto posto de sua lista de desejos. Para quem passa boa parte do ano dormindo em hotéis dormir em sua própria cama é uma bençao nada desprezada.

O prazo de cura de Peya sao seis semanas a partir do US Open. Assim, a princípio Bruno fica longe das competiçoes durante o circuito asiático e volta para o indoors europeu: teoricamete em Viena, na casa de Peya. Ele nem considerou ficar no circuito e jogar com outro parceiro nesse ínterim. Ele já garantiu a sua presença no Masters em Londres. Será a primeira vez dele e seguramente um marco em sua carreira. Vale lembrar que Carlos Kirmayr e Cassio Motta já estiveram no Masters de duplas nos anos 80. Mas, para Bruno, conquistar isso aos 31 anos é uma injeçao de animo impar para sua carreira.

Ele tem seus planos bem claros em sua mente. Quer jogar tênis profissional até as olimpíadas de 2020, que agora sabemos serao no Japao. Ele terá entao 38 anos. A inspiraçao de um tenista como Paes, que o bateu na final de New York, aos 40 anos de idade, nao deve estar longe de sua mente. Para isso, investe, e cada vez mais investirá, no preparo físico. Como ele mesmo diz, daqui para frente o preparo físico falará tanto ou mais alto do que o preparo técnico. Em suas épocas longe das competiçoes passa mais horas na academia do que na quadra, uma reversao que o tenis atual exigiu. Mas, a partir de agora é mais para a longevidade do que para qualquer outra coisa. O que eu mencionei a ele foi que a sua melhora técnica nos últimos dois anos foi enorme, essa, a meu ver, junto com a nova parceria, a diferença que possibilitou seu avanço no ranking e suas conquistas em Grand Slams.

Ele passou por uma cirurgia em 2005, ficou um ano longe das quadras e teve que começar de novo. No meio de 2008, aos 26 anos, quando casou, entrou entre os 100 melhores de duplas. Bem tarde, se olharmos a maioria dos tenistas. Mais uma vez, algo que deixa claro que o que valeu foi sua persistência e fé que poderia ter uma carreira no tênis. Nessa idade, muitos já desistiram se nao conseguiram chegar ao paraíso. Desde entao ficou entre os 20 e os 40 no ranking de duplas. Se a parceria com Marcelo Mello, quando este parou de jogar com Andre Sá, lhe deu uma direçao e lhe abriu portas, o “casamento” com Peya lhe mostrou que era possível sonhar ainda mais alto. Este ano passou a flertar com os Top10 e após Roland Garros transformou o sonho em realidade. Agora, quer levar a carreira na ponta dos dedos e chegar ao Japao com muitos títulos no curriculum. Diz que a parceria com Marcelo pode ressurgir – quem sabe – até pelos jogos de Copa Davis e, mais importante, o fato de que em 2016 os dois devem jogar juntos no Rio. Nao perguntei, mas imagino que os dois devam ter conversado, ou conversarao, sobre jogar juntos uma época anterior às Olimpíadas.

Nao seria nenhuma surpresa no curto prazo o casal de Bruno(a)s ter seu primeiro filho em breve. Como, se tudo caminhar como planejado, Bruno terá a carreira e as viagens de tenistas nos próximos sete anos, viajar com um baby nao está nem um pouco descartado – pelo contrário. Como a profissao pede e exige, os planejamentos sao necessários e a disciplina para cumprir metas e objetivos também.

Por fim, uma outra meta que Bruno está cumprindo, o que mais uma vez mostra seu perfil, é a de se formar por uma universidade utilizando o ensino à distância. Ele está utilizando os cursos de marketing da Estácio, acompanha as aulas pela internet, baixa as leituras, participa de chatings, encontra tempo em hotéis e vôos para estudar e nas suas vindas a BH aproveita para fazer os exames requisitados. Tudo faz parte de um planejamento, desta vez já olhando o futuro pós carreira. Mas, como ele mesmo diz, ainda tem lenha para queimar nas quadras, títulos a conquistar, crianças a criar, alegrias e tristeza para viver. Mas o futuro sempre chega e pensar nele com tranquilidade e planejamento nunca fez mal a ninguém. Nao será esse mineirinho que será pego no contrapé.

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terça-feira, 24 de setembro de 2013 Tênis Brasileiro | 22:47

Para encantar

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Todo mês de Setembro, o Esporte Clube Pinheiros, de Sao Paulo, celebra mais um aniversário – neste sao 114 anos. O clube é o maior do Brasil, quiçá da América Latina e um dos grandes do mundo. Até pela sua localizaçao, na área mais valorizado de Sao Paulo, ao lado do mais antigo e badalado shopping da cidade, fazendo dele um verdadeiro oásis, mas especialmente pela sua cultura esportiva, além de uma área social de fazer inveja. O seu programa olímpico é impar no país. Entre outras, temos 24 quadras de tênis, um dos maiores complexos tenisticos, se nao o maior, do país. No últimos meses, os tenistas vivem o estresse de conviver com 10 quadras a menos, por conta das obras de expansao do estacionamento, sabendo que é por uma boa causa. A partir deste mês elas começam a voltar, coroando, no início do ano, com um diferenciado ginásio com duas quadras cobertas. O problema do estacionamento, em área da cidade tao delicada como a do clube, vinha dificultando a ida ao clube – é simplesmente impossível estacionar nas cercanias por conta dos inúmeros prédios comerciais que invadem os céus em par com os residenciais, os mais caros da cidade e o estacionamento estava no limite.

Só a seçao do tênis arregimenta cerca de 2500 tenistas do tenis-jogar, 850 das aulas coletivas e 600 do infanto-juvenil. Este ano, a seçao decidiu celebrar o aniversário do clube convidando Bruno Soares, o maior ídolo do tênis brasileiro atual, para mostrar suas qualidades em nossas quadras. O ano passado trouxemos Jaime Oncins. O momento de sucesso de Bruno ajudou na decisao.

A negociaçao foi feita através de Fernando Von Oertzen e Marcio Torres, ambos da XYZ, o primeiro em Sao Paulo e o segundo em Miami. Ambos foram tenistas, Marcio até recentemente, contemporâneo e amigo pessoal de Bruno. Depois das danças normais deste tipo de negociaçao chegamos a um happy ending para ambas as partes. Ajudou o fato que Bruno voltava da Copa Davis para o casamento de outro amigo, do qual foi padrinho, no mesma noite do evento no Pinheiros. Durante a semana, aproveitou para visitar seus parceiros em Sao Paulo e ir ver o John Mayers.

Na 6a feira, noite anterior ao evento, Bruno jantou com o presidente e parte da diretoria do Clube. Levou sua esposa, Bruna!, e um amigo técnico, também Bruno – é brincadeira?! – além de Marcio, Von Oertzen com suas esposas e Andrea Longhi, diretora de marketing da Asics. Sempre perigosos, pelos backgrounds heterogêneos, o jantar foi um sucesso. Essa é uma das horas que a personalidade de Bruno transparece como uma das razoes de seu sucesso. Ao contrário da maioria dos atletas, ele nao fica nem um pouco intimidado com a situaçao, levando bem as conversas, com quer que seja. O jantar começou às 21h e terminou exatamente às 24h, pela minha intervençao, lembrando a todos que o rapaz, que estava alojado nas redondezas na residência de seu irmao, tinha compromissos no dia seguinte.

Tinhamos marcado o evento para uma janela das 10h às 12hs, ele deixando os planos a meu critério. Bruno surgiu às 9.15 para aquecer. Tom Fasano, jovem de 15 anos, um dos melhores do país, semifinalista do mundial de equipes e campeao sul americano por equipes em 2012, e que seria um de seus parceiros, aqueceu com Márcio Torres e ficou na quadra para, junto comigo, aquecer Bruno – de leve.

Antes do início do evento, Bruno bateu uma bolinha com o presidente do Pinheiros, coisa de 10 minutos, mais uma simpatia e cortesia do que qualquer outra coisa. Tinhamos separado 14 jovens de até 12 anos que fazem parte do treinamento para fazer uma série de drills, exercícios específicos para duplas, com Bruno. Muito ágeis e coordenados pelo Pro Eduardo Eche, foram 20 minutos de emoçao que motivaram vários aplausos das arquibancadas lotadas da Quadra 9. A garotada, muito motivada, se divertia horrores, mostrando o que a presença de um ídolo pode fazer. Um detalhe interessante: durante esses 20 minutos Bruno nao fez um erro sequer, o que mostrou seu comprometimento, motivaçao e concentraçao – tudo sem perder a simpatia e o charme. Fez vários comentários durante os rápidos drills, sempre motivando e incentivando a garotada, ciente de seu papel e responsabilidade.

Em seguida, Bruno foi emparceirado com Camila Bossi, uma menina de 10 anos e verdadeira herdeira do espirito nadalino. A menina é um azougue, diferenciada, especialmente no quesito emocional. Quando surgiu na escolinha, após as aulas ela caminhava para o paredao e lá ficava, com o pai ou a mae assistindo, tomando conta e esperando para levá-la para casa. Quando a noite caia e os pais exigiam a partida, a menina reclamava de ir embora. Sua dedicaçao em quadra é impar. Sua disposiçao para a competiçao idem – em especial após superar o estresse que ela mesmo de impunha. Chorava em todos os jogos, ganhando ou perdendo, tamanha a pressao que se colocava. Limitamos bastante as competiçoes e agora, bem aos poucos, começa a competir com seus pares. Este ano ganhou, em St Catarina, o Banana Bowl sem perder um único set. Aliás, em 2013 ainda nao perdeu um único set. A menina já é um parametro dentro da escolinha e nao por outra razao foi colocada em quadra como parceira do Bruno. Do outro lado da quadra três garotos fizeram um rodízio. Mais uma vez Soares levou as duplas com finesse e firmeza, entretendo o publico, sem descambar para o esculacho, algo que muito tenista extrapola e se confunde quando faz.

Após Bruno e Camila fazerem seu show e algumas fotos serem tiradas, entraram em quadra dois tenistas pratas da casa – Sergio D’Amorin e Rafael Fontes. Ambos fazem parte do time pinheirense que na semana anterior venceu o interclubes de 1a classe. Eu sabia que ambos, já entrados nos anos trinta, queriam fazer a melhor apresentaçao possível perante sua torcida e jogariam o seu melhor tênis. O parceiro de Soares seria o garoto Antonioni Fasano. Talentoso e dedicado, ele vem crescendo no tênis, sofrendo ainda com a realidade de vários de seus pares se dedicarem em tempo integral ao tênis enquanto ele frequenta uma das melhores escolas, sofre as consêquencias no que diz respeito aos conflitos com os treinamentos. Só para se ter uma idéia – e sabemos que isso está longe de ser correto ou ideal – muitas vezes ele sai da escola, come no carro para chegar ao clube e treinar. Nao sei como é possível. Deve ser ainda mais difícil vindo de uma família que se empenha em fazer das refeiçoes um prazer sublime.

O jogo foi uma delícia para os associados. Bruno levou a partida como um experiente jockey leva um cavalo de corridas. Quando preciso soltou as rédeas, quando quis segurou – tudo para assegurar o melhor espetáculo e o andar tranquilo do placar. No final ele e Fasano cenceram sem maiores complicaçoes um set até 8 games.

No final, Bruno recebeu os presentes, ainda em quadra, para autógrafos e fotos. Tínhamos reservado uns 15 minutos para isso. Foi tudo muito bem utilizado, com maes, pais e crianças invadindo a quadra com seus celulares, maquinas fotográficas, bolas etc. Fasano aproveitou para distribuir cinco raquetes entre os aprendizes do clube. Às 12h peguei Bruno e, como combinado, o levei para o vestiário. Após o banho foi para o aeroporto e BH, ciente de ter, mais uma vez, cumprido com o dever. Por entre as quadras o público comentava sobre sua simpatia, facilidade de comunicaçao, carisma e, nao menos importante, técnica em quadra. Como em todas as áreas da vida, há os que sabem fazer e os que fazem. Os apaixonados pelo que fazem e os burocratas. Bruno tem como profissao ser um atleta profissional – um tenista. Por sorte, dele e dos fas, entende que só bater bem na bolinha nao é o bastante. Para encantar é preciso mais. Ele oferece bem mais.

bruno criaçada

 

 

 

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domingo, 22 de setembro de 2013 Tênis Brasileiro | 16:54

Pitada

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Uma coisa mudou com certeza no circuito. Hoje em dia os tenistas entendem infinitamente melhor o conceito, a necessidade e os benefícios do marketing pessoal. Pouco tempo atrás era um tanto difícil, se nao impossível, convencer a maioria dessas vantagens para sua carreira. O foco era no que acontecia nas quadras e o resto, bem, era resto. Em épocas de multi comunicaçao e a força do marketing movimentando montanhas de dinheiro, de inúmeras maneiras, aos poucos os tenistas, e outros atletas, quase que alegremente, abraçaram o marketing pessoal e, como consequencia, o marketing como um todo – porque ele faz uma diferença no bolso e tenista profissional é, como diz o nome, um profissional atrás de um melhor e mais gordo cheque no fim de cada mês.

Na verdade, é um processo que só traz benefícios para todos os envolvidos. O atleta tem melhor exposiçao, os fas mais oportunidades de conhecer o seu ídolo e os patrocinadores mais ferramentas de vender seus produtos. É óbvio que, como tudo, o equilíbrio é ponto ideal. Se antes tinha gente que fazia de menos, existem outros agora os que fazem demais. E quando demais é que nem açucar, enjoa. Mas, quando bem feito, serve inclusive para distrair, no bom sentindo, e fazer a tensa vida do atleta menos estressante e mais interessante.

Os duplistas, aqueles que nunca jogam simples, sempre foram quase que marginalizados no circuito, por organizadores de torneios, seus ferrenhos adversários, como pelo público, que adora um dupla, mas nao prestigia como poderia. Outro dia um amigo, que nao segue o Tênis de tao perto, surpreendeu-se ao saber que um duplista ganha 10% da premiaçao de mesma rodada de um singlista. Agora que a TV brasileira, finalmente, começa a mostrar as finais de duplas, pelo sucesso de nossos duplistas, e a ESPN foi a primeira a fazê-lo, até pela minha insistência, conferimos, nas arquibancadas, o quanto menos público ela atrai, comparado com as de simples. Inúmeras vezes os organizadores tentaram acabar com os duplistas, por conta de suas regalias e prêmios, mas sempre foram barrados pela ATP – nao sem concessoes por parte desta – graças ao lobby e o marketing dos duplistas. Os caras sao bons, mas, como sabemos, a necessidade é a mae da criatividade.

O mineiro Bruno Soares, #4 do ranking mundial, é o nosso maior ídolo do tênis na atualidade. Nunca aconteceu antes, pelo menos por aqui, talvez na Índia, de um duplista ser mais ídolo do que nosso maior singlista – Cássio Motta foi #3 do mundo, apesar da ATP dizer que foi #4, mas ninguém dava muita bola em uma época sem internet, sem TV fechada e o televisionamento semanas de torneios. Na sua época os ídolos eram Carlos Kirmayr, que foi #7 do mundo. Mas, entre eles ele só uma final de GS (Cássio em RG) e Bruno já foi a quatro.

Com Thomaz Bellucci saindo fora dos top100 e Bruno chegando, consistentemente, à finais de Grand Slams, ficou um jogo cartas marcadas. Além disso, e aí está um detalhe muito importante, Bruno entende o conceito de marketing pessoal, que inclui uma boa pitada de charme pessoal, que se tem ou nao e que faz um mar de diferença. O mineiro é bem falante, sabe levar uma conversa adiante, tem conteúdo, personalidade e sabe bem o valor de encantar coletiva e individualmente. É difícil encontrar alguém que nao goste dele – eu nao conheço – e, pelo contrário, é uma das primeiras afirmaçoes que as pessoas fazem a seu respeito. Conquistando vitórias e obtendo resultados, em um esporte que atravessa uma crise de boas notícias em nosso país, ele começa a conquistar seu espaço. A nossa sorte, e dela estamos precisando, é que esse espaço é conquistado por alguém com seu perfil, o que nos leva, pelo menos nesse quesito, aos tempos de Gustavo Kuerten que saudades deixou.

Neste ultimo sábado, Bruno esteve no Esporte Clube Pinheiros, participando de um evento em comemoraçao dos 114 anos do clube. Foram duas horas na Quadra 9, a principal do Clube, em evento que encantou aos que estiveram presentes. Mais detalhes do que ali aconteceu eu vou contar no próximo Post, assim como em outro vou contar um pouco de nossa conversa no jantar na noite anterior quando o rapaz me contou alguns de seus planos, no curto e no longo prazo.

brunomulheres cópia

 

 

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quinta-feira, 6 de junho de 2013 Roland Garros, Tênis Masculino | 05:58

Duplas sul americanas

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Marcelo Melo não conseguiu passar à final das duplas mistas. Mas pelo menos, para ele, conseguiu “vingar” a derrota para o ex-parceiro Bruno Soares na duplas masculina, eliminando-o nas mistas.

Soares ainda está vivo na masculina – joga hj contra os irmãos Bryan a semifinal. Jogo tenso. Apesar de dividir a responsabilidade e o estresse com o parceiro – e isso é imensurável na tênis – as duplas são para quem gosta de viver perigosamente. O jogo muda muito de direção e comando, bem mais do que nas simples. Uma bobagem e o jogo se vai. E vc pode perder o 1o set como se fosse um panga e ganhar o jogo no 3o. É muito rápido, não só a velocidade das bolas, mas também o ritmo e a direção do jogo.

Nas 4as, Soares e Peya pareciam caminhar para o cadafalso – perderam 6/1, sem mais delongas e não conseguiam cacifar o break points que surgiam, o que é sempre um mal sinal. Dava para sentir a frustração no ar. Mas, a experiencia de ambos os manteve na partida, cavando, insistindo e conseguiram levar o jogo para o 3o set. Uma questão de um ou dois pontos que foram para o lado certo e quebraram no 4×4.

Talvez um dos poloneses tenha sentido as costas por alí, no final do 2o set. Talvez não, tenha sido no início do 3o set. De qq jeito, logo no início do 3o, no 2×1, vi que tinha algo estranho. Os poloneses não sentaram e ficaram conversando de pé, ainda dentro da quadra onde jogaram o ultimo game. Fica claro agora que estavam conferenciando sobre seguir ou não. Jogaram mais um game e desistiram.

Se Soares e Peya não tivessem conseguido aquela quebra no 4×4, quando tiveram várias outras, assim como os adversários tiveram oportunidades de fechar o game, o jogo poderia ter acabado e a contusão ter sido driblada ou mesmo não aparecer.

A dupla de franceses Mahut e Llodra tambem passaram por estresse logo na 2a rodada. Perderam o 1o set fácil para o Mirnyi e o Tecau. No 2o ainda não tinham chegado perto de um BP, com o Mahut enterrando legal, mas chegaram no TB e venceram. No 3o set os adversários sacaram no 5×4 e deixaram escapar. A essa altura a quadra 2, uma quadra fechadinha, charmosa, com um ambiente ótimo e com o publico quase “dentro” da quadra estava em ebulição. O publico levou os franceses à vitória. Agora estão na outra semi, enfrentando o Cuevas e o Zeballos, dupla uruguaia/argentina.

Seria legal que vencessem e enfrentassem Bruno e parceiro na final. Afinal, o tênis sul americano foi sofrível neste Roland Garros, o que levanta uma questão a ser comentada: porque os sul americanos, que sempre tiveram grandes saibristas não estão com ninguem no topo, pelo menos nesse piso?

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terça-feira, 4 de junho de 2013 Roland Garros | 10:38

Parceiros

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O jogo entre os mineiros nunca decolou de fato. Bruno Soares e seu parceiro Paya estavam focados e totalmente comprometidos com o match. Já os adversários, Melo e Dodig nao tanto. Dodig era o melhor tenista em quadra, nao necessariamente o melhor duplista, mas o que cansou mais rápido do jogo. Algo sutil, mas real.

Nas duplas o jogo muda muito rápido e qq desatenção, faça nao, pode custar o jogo. Talvez aquele fio de nao comprometimento mexesse com a cabeça de Melo, talvez até tirasse um pouco de sua confiança. Talvez fosse o inverso. O fato é que duas quebras decidiram a partida, enquanto os perdedores tiveram inúmeros break points e nao conseguiram cacifar.

nao conseguiram porque Soares e Peya fecharam as portas. Bruno melhorou muito seu tênis e Peya é um parceiro dedicado e comprometido. Os dois tem todos os fundamentos das duplas e jogam intensos o tempo todo, um diferencial. Além disso é claro que ambos estão confiantes e tem confiança em seus parceiros. Nao dá para dizer aonde podem ir.

Marcelo Melo acaba de entrar em quadra para jogar duplas mistas com a parceira Huber contra Jankovic e Pães. Se ganharem enfrentam, ainda hoje, Bruno e Raymond. Seria a terceira partida do dia de Melo e a segunda contra Bruno. Para quem jogavam juntos é dose…

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