Publicidade

Posts com a Tag Brasil Open

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:15

Super quinzena

Compartilhe: Twitter

Este ano será, de longe, o mais interessante para os fãs de tênis brasileiros. Desde os anos 80 e 90, quando o país chegou a ser o 2o a ter mais torneios, após os EUA, que não temos algo nesse padrão. E, atenção, me refiro somente ao quesito eventos, e não às conquistas do jogadores, algo que em 2016 também não começou nada mal.

 

Mas nunca houve um igual e será difícil igualar 2016, já que teremos os Jogos Olímpicos no Rio, o que nos deve oferecer o mais próximo que teremos de um Grand Slam no país.

 

Além desse mega evento teremos, em uma memorável quinzena, o Rio Open e o Brasil Open, em São Paulo. É tênis para ninguém botar defeito. E três semanas depois teremos o Miami Open, que se não fica no Brasil nunca fez muita diferença para muitos fãs brasileiros. É tênis na veia.

 

Já estou com a cabeça no Rio. Estou, de longe, seguindo o que acontece em Buenos Aires esta semana para ter uma idéia do que pode acontecer no Rio. Fica melhor de escolher os jogos quando o Rio vier. Dá para ver quem está embalado ou se embalando, quem está zicado (e agora esse verbo ficou com conotações ainda piores), quais jogos equilibrados que aconteceram lá que se repete por aqui (o que sempre é sinal de “vamos tirar isso a limpo), quem está com vontade e quem parece que só veio passear e pegar a garantia. Emfim….

 

À parte disso, teremos nas quadras do Jockey Club um diferencial não presente em BA que separa os meninos do homens. O extremo e úmido calor!

 

Estava xeretando a previsão do tempo no Jardim Botânico e, até onde se enxerga, fala em 40o ao redor do horário do almoço. Aliás, não me sinto nada confortável com “hora do almoço”, já que essa varia conforme a vontade do freguês. Prefiro “noon” ou “le midi”. Preciso de uma palavra mais bem descritiva. E meio-dia não vale. Ou vale?

 

De qualquer maneira, os organizadores só vão colocar jogos em quadra após as 14.30h. Ajuda, mas não anula o mencionado diferencial. Ali pra ganhar tem que estar bem preparado e querer muuuito. Em um teórico jogo entre Ferrer x Isner eu sou capaz de quebrar a banca!

 

Pelo andar da carruagem, o Brasil Open não ficará tão atrás – este Carnaval ferveu em Sao Paulo. Não é Rio 40o, mas o bicho pega. Correr atrás da peludinha nessas condições, durante umas 3 hs, não é para qualquer um.

 

Mas para nós espectadores será uma quinzena impar. E se não se programarem e acertarem seus ingressos de antemão, depois não adianta choramingar.

Autor: Tags: , , , , , , , ,

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Masters, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:41

O Ibirapuera

Compartilhe: Twitter

Eu sou um que detesto pagar por um serviço e ser mal atendido. Reclamo e acho que é direito de quem paga se manifestar. E não sou de mandar mensagem, reclamo ao vivo e a cores. Assim sendo, entendo a revolta de alguns e reclamações de outros.

Vários pontos foram levantados e criticados no Brasil Open, que de muitas formas foi um sucesso. Não vou ficar defendendo a promotora do evento, como alguns leitores sugeriram que faço, até porque não tenho procuração, nem recebo, para isso; aliás não recebo para nada.

No entanto, os meus leitores comparecem para ler o que penso e escrevo. Vamos lá.

O fato de ter faltado assentos e as pessoas com ingressos nas mãos terminarem nas escadarias é algo que não devia acontecer. Na pior das hipóteses, deveriam ter um sistema que prevenisse o fato e o impedisse de acontecer. Na melhor, concordo com aqueles que afirmam que assentos numerados evitariam muitas dores de cabeça – talvez agora aprendam. No entanto, sugerir que a organizadora vendeu a mais, eu acredito ser bobagem – os que assim querem acreditar, que o façam. Esses “trocados” não farão uma diferença para o Sr. Tavares. Atentem que o problema focou-se no anel inferior, área de convidados e de utilização de pulserinhas. Para quem quer mais detalhes, leiam o relato, ou confissão, de um leitor nos comentários do Post anterior sobre a sua “entrada” no estádio de maneira irregular.

Outro leitor, acredito que o Giulianno, apontou que existem dois fatos distintos; erros de organização e carência de infraestrutura. Pelos primeiros a organizadora responde, pelo segundo o Estado de São Paulo, que no início do século XXI nos mantém no XIX em termos de locais públicos de entretenimento. O Ibirapuera é uma piada de mau gosto. Pior, não há planos de construir outro local na cidade. Uma caminhada do ginásio até as sofríveis quadras secundárias deixava a impressão de estarmos em um país pobre na África e em um paraíso de funcionários públicos sem função. O estacionamento do local é uma extorsão e o entorno do estádio é domínio de bandidos que nos extorquem como guardadores de carros, sob os olhos de guardas que só tem olhos para a caderneta de multas – somos roubados de todos os lados e com a conivência de, e pelo, poder público.

O piso poderia e deveria ser melhor. Mas quadras de saibro cobertas são problemáticas em qualquer lugar. Especialmente as temporárias. Quem lembrar dos confrontos de Copa Davis que a Espanha hospedou vai lembrar da reação dos adversários sob a qualidade do piso. Até a Suíça pecou contra os EUA. Ouvi dizer que desta vez o Estado exigiu uma proteção para o piso de cimento. Colocaram então, de lado a lado, a extensão do carpete que rodeava a quadra central e, por cima, um toque de gênio, um plástico preto daqueles de construção. Por fim, 5cm de saibro compactado. Talvez devessem ter posto mais saibro, dando mais peso e consistência à quadra, e talvez não devessem ter usado o plástico. Com um impacto de algumas deslizadas dos tenistas, o plástico por vezes escorregava, ouvi dizer, especialmente no início da semana, antes de assentar. As quadras secundárias estavam bem ruins – mas que fique claro; já vi piores até nos EUA. Mas o local é ainda mais triste do que o Ginásio.

No assunto das bolas foi falado muita bobagem. Teve gente que, se achando inteligente, reproduziu aqui a “acusação” do técnico espanhol Jose Perlas dizendo que são bolas de “supermercado”. É o mesmo tipo de asneira que afirmar que a bola da Copa na África do Sul era de mentirinha, ou uma droga, porque mais leve. A bola usada no Brasil Open foi a Wilson Championship Extra Duty, a mais vendida no país há 20 anos. Não há nada de errado com a bola, pelo contrário, a Wilson é líder de mercado mundo afora. No entanto, a Championship tem características de ser uma bola mais “esperta”, mais leve, o que está totalmente nos conformes. Em tempos de pasteurização do jogo (em pisos e bolas) pode ser um alento para o público pelas opções que apresenta ou uma dificuldade para o tenista que prefere a padronização. Aliado ao fato de se jogar a 600m de altitude, contra o fato de a esmagadora maioria dos eventos em terra ser jogado na altura do mar, é uma boa diferença na hora de controlar a bolinha. Foi sugerido que Thomaz Bellucci escolheu a bola, já que “cresceu” treinando com ela, além de que a tal aliança de peso, altitude e uso, teoricamente, o ajudaria bastante pelo estilo. Ele negou – de qualquer maneira não soube aproveitar a vantagem. Porém que fique muuuito claro, é condizente com as regras, com o que se faz mundo afora e a bola é opção dos organizadores.

Os espanhóis aprenderam que o negócio é bater forte, especialmente quando não têm razão, para forçar as coisas a serem do seu jeito. A chiadeira de Nadal por mais torneios no saibro e menos de duras, e contra a regra dos 25 segundos, seguem a mesma linha. Quanto ao Sr. Perlas, o fato de seu jogador ter eliminado Bellucci e Feijão nas duplas, e no dia seguinte pular fora do evento alegando contusão, e ir para Buenos Aires fala bem de sua ética. É um fanfarrão.

Quanto à infraestrutura, o Ibirapuera é carente para receber um público desse porte em um evento de quase 12h por dia, durante 10 dias. Não há banheiros dignos. A oferta de alimentação é uma piada. A área de hospitalidade e o conforto inexistentes. Em qualquer arena moderna são inúmeras as opções de oferta de alimentação; aliás, uma maneira de se faturar mais, além de acabar com aquela coisa ridícula e antiquada de vendedores passando com pipocas e água – não vi um bebedouro no local, o que é um absurdo. A organização também pecou – não sei ou entendo porque não há lugares onde se pudesse comer um bom lanche, tomar umas cervejas, conversar, a não ser os três lounges particulares. A não ser que seja até proibido ou proibitivo, pelas imposições, restrições e burocracia do Estado. Não vou nem mencionar a falta de ar condicionado. Na África tem coisa melhor, para não falar no Rio de Janeiro que tem, que eu saiba, dois, inclusive com ar condicionado.

Mais de 10 anos atrás, em 2000, perdemos a chance de hospedar o Masters, que foi para Lisboa e Kuerten ganhou, por conta da ausência de um local publico digno para recebermos eventos; esportivos e artísticos. Nem Prefeitura, nem Estado, nem Governo Federal mexem uma folha para mudar essa realidade, por ignorância, despreparo e desleixo. Uma bela arena em São Paulo, a maior cidade do país e do continente, estaria lotada o ano inteiro e traria milhões para a economia local, afora de ser uma excelente opção de laser e cultura que poderia receber mais de 3 milhões de pessoas/ano. Não escrevo nenhuma novidade, só o óbvio.

Autor: Tags: ,

sábado, 16 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 22:22

Sabadão

Compartilhe: Twitter

A imprensa é privilegiada. Enquanto o público paga uma bela grana para assistir Nadal e companhia, somos convidados, teoricamente, para ajudarmos a trazer mais publico. Suspeito que no prisma dos jornalistas o prisma de suas presenças deve ser de crítica. Aí fico pensando se o ético não seria o jornalista (ou seu patrão) pagar para entrar e aí ser crítico à vontade. Mas estou delirando, afinal passei algumas horas no mesmo recinto com 10 mil pessoas e não havia ar condicionado para amenizar – lá vem crítica e fui convidado.

Tenho assistido às partidas na companhia de alguns jornalistas. Entre eles o Dalcim, que pelos anos de estrada têm sempre histórias para contar, fora quando mergulha no seu computador e me faz pensar o que tanto escreve. O Sylvio Bastos, que conheço desde que era garoto, há tempos técnico no Rio, e mais recente como comentarista da Fox é outro que troco mil figurinhas com direito a telefonemas a amigos em comum, como o grande Carlos Chabalgoity, e fotos das antigas no seu computador – tinha até uma quando o Larri ainda tinha cabelo.

Quem também vem dividir seus conhecimentos esportivos, assim como sua gentileza e tranquilidade, é o Bruno Sassi, experiente jornalista, editor do site da FIFA em português e bissexto comentarista de tênis na ESPN. Não o conhecia pessoalmente e só fui suspeitar quem era quando prestei atenção à sua voz durante um ponto.

Hoje apareceu o Osvaldinho Maraucci, que veio de Serra Negra para comentar o Torneio de San Jose, que a ESPN mostra enquanto acontece o nosso maior evento. Ali a conversa vai longe, mas ele tinha que vazar. Ao meu lado hoje também o Alexandre Cossenza, do Blog Saque e Voleio. Ele que já é meio calado calou todo o jogo. Por quê? Inventou de fazer a estatística dos toques nadalinos. Acho que entrou pelo cano; o espanhol tem muito mais toque do que aparenta. Uma loucura! A estatística foi tomando forma durante a partida e mostrou ser algo divertido de se acompanhar, pelo menos por quem não ficou com a responsa do trabalho que exigia atenção integral. Acho que ele ainda a posta hoje.

A final do torneio é aquela que todos pediram como segunda alternativa – a primeira seria Belo x Nadal, algo que o sorteio descartou e Belo carimbou. Será uma partidaça. Os dois querem a vitória por razões diversas. El Pança dá seus últimos suspiros no circuito e quer eles sejam relevantes. Nadal tenta fazer que os meses seguintes sejam do nível que ele se acostumou e há de se começar em algum lugar. Como já perdeu no Chile na final não vai querer perder novamente por aqui. Divirtam-se!

O milongueiro Nalba estará na final.

Autor: Tags: ,

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:22

Um bom dia

Compartilhe: Twitter

Esta quinta-feira promete ser um prato cheio para o fã do tênis brasileiro. Quem tem ingresso verá ao vivo e a cores. O resto pode assistir pela TV e tanto a SporTV como BandSports estão presentes.

A rodada de hoje completará a rodada das oitavas de final e tem jogo para todos os gostos. Apesar de a maioria sofasista restringir o gosto pelo óbvio, e o óbvio deste evento é, óbvio, Rafa Nadal. Ele entrará no Ginásio do Ibirapuera não antes das 20h.para enfrentar o paulista João “Feijão” Souza.

Antes teremos, às 12h, Monaco X Bolelli, que deve ser um jogo interessante; o italiano é imprevisível e Monaco começou o ano da mesma maneira.

Almagro deve bater Capdville com facilidade, mas é sempre interessante ver jogo plástico e vistoso desse espanhol.

Não antes das 17h, Bellucci encara o mão mole Volandri, reedição de confronto do ano passado. Bellucci, pressionado, quer a vingança para ter a chance de jogar contra o AnimalNadal em casa. Chance que dificilmente acontecerá novamente, a não ser nas Olimpíadas.

Rafa abandonou as duplas ontem e o publico chiou quando descobriu. O anuncio oficial aconteceu após o jogo do Chardi, l´pelas 22.30h. Nos tempos atuais de redes sociais e celulares, boa parte do publico descobriu durante o jogo do Chardi. Teve um gaiato que começou a berrar lá no ultimo anel que a organização deveria informar da desistência. Tem cada um. Ele queria que interrompessem a partida para fazer o anuncio? Com seus berros ele interrompeu – os tenistas ficaram olhando com aquela cara de “quem é o mala” – mas poucos entendiam o que ele tanto berrava.

O joelho do Nadal parece não estar novinho em folha – às vezes parece que lhe dói. Hoje vamos ver melhor. Mas não deve ter sido só isso a razão do abandono das duplas.

Primeiro que o Nalbandian estava espumando e reclamando das quadras e bolas. Até aí nenhuma novidade. Pode reclamar das quadras, que não estão boas, mas não das bolas, que são oficiais. Além disso, descobriu, depois que quase perdeu para o qualy Aguiar, que lhe colocaram para jogar na Quadra 2, a pior delas. O cara deve ter xingado todas.

Não deve ter sido difícil ele e Nadal chegar à mesma decisão. Rafa entraria em quadra ontem quase 23h. Para jogar duplas? Ia dormir que horas? Não seria ele que convenceria Nalba de jogar as duplas.

A ATP não protege mais os torneios e o publico como fazia. Antes se um jogador saísse das duplas alegando contusão teria que sair também das simples. Hoje as estrelas mandam e as duplas valem cada vez menos. Mas, o que vale; temos uma bela quinta-feira de jogos!

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 Tênis Brasileiro | 17:56

Paralelos

Compartilhe: Twitter

Enquanto o Aberto da Austrália bomba, duas outras notícias movimentam o tênis. Uma lá fora, outra aqui. Aqui, a organização do Aberto do Brasil anuncia oficialmente, algo que eu já anunciara como bem provável, que teremos Rafael Nadal fazendo sua reentrada no circuito internacional em São Paulo, o que deve deixar os fãs locais do espanhol bem feliz, especialmente após a glamorosa passagem de seu arquirrival pela cidade.

Quem conhece Luis Felipe Tavares, o líder da empresa Koch-Tavares, sabia que não deixaria escapar a oportunidade. Ele é o mais antigo realizador de eventos tenisticos do país, e, após trazer Federer, sabia o impacto que tal presença terá no seu evento e no tênis nacional. Deve ter se armado com seu melhor estoque de charme para ir atrás do respaldo financeiro com seus patrocinadores, já que a pedida do espanhol não foi pouca. Mas, quem o conhece sabe que Tavares é bom de negociação. A pedida, dizem, foi de 1 milhão de Euros, o numero fechado ainda uma incógnita.

Lá de fora chega a notícia que Brad Drewet, presidente da ATP há um único ano – após uma longa busca e cuja indicação causou rusgas até entre Nadal e Federer – anunciou que está se afastando do cargo para se tratar de uma daquelas doenças  malditas – a chamada Doença de Gehrig, assim batizada por ter afligido um dos maiores jogadores de baseball dos EUA. A ATP anunciou que iniciará de imediato a procura pelo substituto, o que deverá movimentar o mundo do tênis masculino, que atravessa um momento delicado por conta das diferenças com a FIT – Federação Internacional de Tênis.

Enquanto isso na Austrália, entre outros, Thomaz Bellucci não se adaptou, mais uma vez, às quadras duras, e quiçá rápidas e, o que é pior, especialmente para ele, deixou de progredir além das primeiras rodadas de um Grand Slams, algo que já foi declaradamente  seu principal objetivo, mas que segue sendo tão fugidio quanto sempre foi.

Autor: Tags: , , ,

sábado, 8 de outubro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:20

Brasil Open em São Paulo

Compartilhe: Twitter

Nos início dos anos noventa o Brasil chegou a competir com os Estados Unidos em número de torneios do ATP Tour e ser o segundo país no mundo em torneios de tênis. Chegamos a ter cinco em um ano. Já nos anos oitenta tivéramos eventos que hoje seriam o equivalente ao Masters 1000, o que seguramente vem a ser uma surpresa para boa parte dos atuais fãs do tênis. Eu, junto com meu parceiro Paulo Ferreira, fizéramos o primeiro desses eventos em 1982, no antigo Centro Paulista de Tênis, complexo de 12 quadras cobertas e seis descobertas na Marginal do Pinheiros.

Mas os anos de equilíbrio e estabilidade econômica ainda estavam longe no horizonte e por isso estávamos sempre sofrendo nas incertas mãos de patrocinadores que viviam na corda bamba da economia de então. Ninguém fechava um patrocínio por duas temporadas, o que deixava o reguladores da ATP abismados com a garra brasileira em fazer eventos, já que lá fora os contratos mínimos eram de três anos, quando não mais, o que oferece uma tranquilidade enorme para se trabalhar. Lá fora as TVs pagavam pelo evento, aqui os patrocinadores tinham que pagar as TVs. Lá fora se cobrva bem do público, aqui quando não era de graça o publico reclamava dos preços ou não comparecia.

O Aberto do Sauípe nasceu pela comunhão de vários fatores. Luis Felipe Tavares, o empresário com mais expertise e tradição no tênis, conseguiu a parceria com o Banco do Brasil, parceiro do tênis e sócio do complexo turístico. A garra e a parceria fizeram o evento acontecer e sobreviver, apesar das dificuldades inerentes e desconhecidas do grande público que pensa que torneio de tênis é só colocar tenistas em quadra.

O grande charme do evento, o local, sempre foi também seu calcanhar de Aquiles. Uma situação amor e ódio. Os tenistas amavam as facilidades e a tranquilidade. Não gostavam tanto do calor nem da ausência de um público maior. O publico que lá chegava curtia o espaço e o evento, mas para isso era obrigado fazer um compromisso – de se locomover à Bahia – que nem sempre é possível ou ideal. O baiano só comparecia mesmo nas finais.
Os organizadores sempre viveram, com grande habilidade, entre a cruz e a espada. Flertavam com a idéia de levar o evento para o Rio ou São Paulo, mas enfrentavam as dificuldades de nenhuma das cidades oferecer um local condizente ou disponível. Havia a realidade da data, sempre nos arredores do Carnaval, o que é uma dificuldade a mais no Brasil. Faziam o melhor do cenário de então, aproveitando a parceria com o complexo, mas conviviam com as limitações impostas pelo local.

Como bem escreveu nos Comentários o meu amigo Ruy Viotti Filho, o ideal seria termos um torneio lá e outro cá. Sendo o cá um no Rio e outro em São Paulo. E até mesmo um em Porto Alegre. Convenhamos, São Paulo é a maior cidade do país e o maior centro tenistico. O Rio além de ser a bola da vez é a cidade mais conhecida lá fora. Porto Alegre é uma potencia tenistica com grande tradição. E ainda existe o cenário canadense, com a alternância entre Toronto e Montreal. Mas o mundo não é perfeito, já que a tendência do circuito é o enxugamento do calendário, não a expansão.

Por uma razão ou por outra o evento veio mesmo para São Paulo para ser jogado no complexo do Ibirapuera. Será mais uma mágica da Koch-Tavares, organizadora do evento. Não o vejo como ideal nem para eles, nem para os tenistas nem para o público. Nem o vejo como lugar permanente do torneio. Mas que fique claro, para mim e para o tênis como um todo será bem melhor do que no Sauípe e será uma alegria termos um evento desse porte por aqui.

Vejo dificuldades para o organizador porque é obrigado, pela ATP, a realizá-lo sobre o saibro. E, no caso, em ginásios cobertos, que é uma acomodo do local e não uma vontade da ATP. As quadras terão que ser construídas e destruídas. Não é simples nem rápido construir uma quadra de saibro – muito diferente de colocar um carpete ou mesmo um tablado com piso acrílico como é feito na Europa e USA. Três locais distintos – dois ginásios separados, apesar de próximos e as quadras de treino no Clube Circulo Militar só complicam. São enormes dificuldades de logística que não amedrontaram o organizador. Já vi, muito, a ATP aprovar torneios em condições bem mais precárias. Não serão usadas as três quadras de saibro descobertas do Complexo que eram da Federação Paulista e que são bem mais próximas?

De qualquer maneira, São Paulo volta a ter um evento de porte, que será mais que bem vindo, e espero, bem atendido pelos fãs locais. Um torneio desses é uma dificuldade enorme de se conseguir, trazer, realizar e manter. Esse negócio que sempre ouço, de alguns reclamarem disso e daquilo é história para boi dormir. Cada público tem o evento que merece e pelo qual briga e paga. E se o público brasileiro, especialmente o paulistano, quiser ver o torneio crescer e vingar terá que prestigiá-lo. Só assim ele sobreviverá, só assim ele progredirá.

Autor: Tags: ,

terça-feira, 12 de abril de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:47

Da cocheira

Compartilhe: Twitter

Como escrevi a cerca de 20 dias atrás, e ao contrário do que andaram divulgando uns três dias atrás, e algum leitor mais afoito correu para colocar nos Comentários, como se tivesse descobrindo a pólvora, apesar de meus fiéis leitores não darem muita bola, os torneios da América Latina permanecem no saibro e não têm data para mudar. É óbvio que o Aberto do Brasil, por enquanto ainda no Sauípe, é um deles e segue na terra vermelha.

As razões estão todas no meu post de então: http://paulocleto.ig.com.br//2011/03/24/no-saibro/

A notícia que dei foi das cocheiras. O resto é noticia de ouvir falar ou de alguém mandar, o que é sempre delicado e perigoso.

Notícias da fonte e sem desvios.

Autor: Tags:

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:36

Adaptação e alternativas

Compartilhe: Twitter

Todo ano o assunto inicial é o mesmo. Por que e até quando o Brasil Open será jogado na Costa do Sauípe?

O local e o cenário seriam ideais se nossa tradição fosse outra. Afinal, em outros torneios é uma cultura os tenistas da área, que pode ser mais ou menos abrangente, se deslocarem para acompanhar o evento durante boa parte da semana.

Convenhamos, para que gosta de tênis é um prato cheio. Pode-se acompanhar tenistas de primeira linha como em nenhum outro momento no país – e não me venham falar em exibições! – jogar tênis, já que há quadras disponíveis, ir à praia, que são várias e bonitas, passeios aos arredores, comer bem, conversar com pessoas com o mesmo interesse, o que faz do evento uma excelente alternativa para férias.

Mas o brasileiro quer mesmo ir a Miami. Especialmente o abonado, que ou é convidado ou prefere ir a um grande torneio no exterior. O fato é que o programa é de bom tamanho, mas o pessoal aqui de baixo do país prefere mesmo é reclamar, porque suspeito que se fosse aqui não lotariam as arquibancadas. Quanto a esperar que os habitantes locais lotem o evento diariamente é esperar demais, até porque Salvador está a uma hora de carro e é jogo duro ir e voltar diariamente.

Com isso temos dois eventos. Um que vai do início do qualy até a quinta feira, que é quando os convidados chegam do sul maravilha. Outro, nos dias seguintes e, dependendo da presença de um brasileiro na final, o Sábado tem um clima diferenciado.

Os organizadores não falam, mas não deixam de pensar no assunto. Gostariam de realizar o torneio em outro local entre São Paulo e Rio. Só não o fazem porque o complexo do Sauípe continua ajudando a pagar a conta e, mais importante, porque não encontram um local alternativo.

Talvez com as mudanças de infra-estrutura por conta das Olimpíadas o Rio apresente um local. Afinal é propagado que a cidade atrai eventos e atletas – isso se lidar com seu problema criminal. Talvez com os investimentos em sua infra-estrutura, que começam ainda este mês, o Clube Pinheiros em São Paulo venha ser uma opção, algo que os organizadores vêem com bons olhos.

Pela primeira vez, os organizadores adotaram como “local” para a divulgação do evento, a Bahia de Salvador e não a Bahia do Sauípe. No Domingo, levaram Thomaz Bellucci, que preferia estar em Santiago àquela hora, e Nicolas Almagro para baterem uma bolinha no Pelourinho ao som do Olodum – algo que os outros torneios fazem há anos. Alguém ali acordou ao fato que Salvador encanta mais do que a Costa do Sauípe.

O certo é que há algum tempo o torneio periga na Bahia, mas ainda não se encontrou uma alternativa viável. Eu diria que, cedo ou tarde, o evento virá para o sul pelas razões óbvias. Afinal, até mesmo o Estado de São Paulo, um jornal parceiro do evento, na edição de hoje chuta o pau da barraca e critica as arquibancadas vazias, afirmando que os organizadores abrem mão do público pelo “marketing de relacionamento”. Não é fato – é só uma adaptação a realidade.

Autor: Tags:

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009 Tênis Brasileiro | 16:29

Chave e chuva.

Compartilhe: Twitter

Aquele pessoal que se encontrou em Copenhagen é melhor começar a se entender. Qualquer pessoa que não saiba, e assimile, o fato de que o clima está mudando drasticamente ou é cego ou não está por aqui há tempo o bastante para enxergar as diferenças. Eu, como milhares de outras pessoas, desci a serra em direção ao mar em procura do sol neste fim de ano e estou há horas ouvindo o barulho da chuva nas árvores. E não estou em Ubachuva.

Nem tudo muda. Uma que não mudou muito foi a lista de inscrição para a chave do Aberto do Brasil que acontecerá, novamente, na Bahia. Imagino que os organizadores flertem com a idéia de trazê-lo para o sul-maravilha há algum tempo, o que daria uma outra tonalidade ao evento.

Pensei que isso talvez acontecesse com a saída do Banco do Brasil como patrocinador, já que o banco era o maior interessado em mantê-lo por lá. Mas, mesmo com a saída do patrocinador, o evento permaneceu na Costa do Sauípe e para tal razões devem ter havido. Talvez com a vitória do Rio de Janeiro nas Olimpíadas a enredo se ajuste.

O torneio encontrou seu nicho, os tenistas são mesmo esses que se escrevem e não há nenhuma novidade especial. Quanto a outros tenistas com ranking melhores – um dos leitores mencionou a presença de Haas em Santiago – tenho certeza que os organizadores adorariam fazê-lo se alguém desse o dinheiro que esses tenistas exigem para aparecer. Foi-se o tempo em que se podia pagar U$300 mil para um tenista comparecer.

A lista é liderada pelo espanhol Ferrero, que disse no meio da temporada, após um série de derrotas prematuras, que encerraria a temporada no fim do ano. Mas foi só tirar a pressão de cima de si que voltou a ganhar. Se ele para eu não sei, mas está inscrito. Além disso, tem uma casa em condomínio vizinho ao Sauípe. Talvez já fique por lá.

Almagro é outro que tem uma quedinha pela Bahia. Talvez aquele jeito baiano lhe fale alto. O francês Mathieu também está inscrito. Se vem é outra estória. O rapaz é aquilo que se pode chamar de instável.

O russo Andreev adora vir por aqui, o que é uma certa incógnita. Já cheguei a escrever que ele poderia se dar bem no Sauípe, só para vê-lo perder na 1ª rodada. O romeno Hanescu é um que se alguns planetas se alinharem pode surpreender. Bota planeta nisso.

Pablo Cuevas pode ser uma surpresa – até para ele mesmo. O uruguaio vem melhorando e vencendo alguns jogos difíceis, ainda sem estourar. Como joga perto de casa pode se inspirar.

Um nome bem interessante, que deve despertar o interesse da imprensa, é o francês Richard Gasquet. É desnecessário elogiar seu talento e sua habilidade, mas a cabecinha.. No entanto ele tem algo a provar após ser inocentado por conta daquele beijo da mulher aranha. Mas toda vez que ele se sentiu pressionado, miou.

O italiano Fabio Fogini é outro que tem nome e jogo, mas os italianos, por alguma razão, nunca conquistaram nada por aqui. Finalmente, teremos Nicolas Lapentti, outro que havia dito que abandonaria o circuito no fim de 2009 e que o feito comandado pelo Chico deu-lhe uma sobrevida, conforme ele mesmo admitiu e agradece.

Direto na chave teremos dois brasileiros: Thomas Bellucci e Marcos Daniel. A lista deve aumentar com os quatro convites dos organizadores, que serão divulgados aos poucos. Devem guardar uns dois até o ultimo instante para os Haas da vida. Além das quatro posições que serão preenchidas pelo qualyfing.

A torcida, porque não deve ser uma expectativa, é que Bellucci consiga vencer em casa. Não é tarefa fácil, mas é um dever de casa. E depois de 23 horas ininterruptas de chuvas vou tentar postar este texto. Arrfff!!..

E amanhã conto aquela historinha do Federer que prometi há tempos.

Abaixo a lista completa divulgada pela ATP:

Juan Carlos Ferrero (ESP) – 23
Nicolas Almagro (ESP) – 26
Albert Montañes (ESP) – 31
Paul-Henri Mathieu (FRA) – 33
Igor Andreev (RUS) – 35
Thomaz Bellucci (BRA) – 36
Horacio Zeballos (ARG) – 45
Victor Hanescu (ROM) – 48
Pablo Cuevas (URU) – 50
Jose Acasuso (ARG) – 51
Richard Gasquet (FRA) – 52
Fabio Fognini (ITA) – 54
Simon Greul (ALE) – 59
Potito Starace (ITA) – 62
Frederico Gil (POR) – 69
Oscar Hernandez (ESP) – 70
Daniel Gimeno-Traver (ESP) – 72
Juan Ignacio Chela (ARG) – 73
Peter Luczak (AUS) – 77
Paolo Lorenzi (ITA) – 84
Marcos Daniel (BRA) – 87
Marcel Granollers (ESP) – 91
Nicolas Lapentti (EQU) – 97

Autor: Tags: , , ,

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009 Tênis Brasileiro | 11:41

Cenário

Compartilhe: Twitter

Infelizmente ainda não mudou muito nossa situação. Terminada a 1ª rodada do Aberto do Brasil temos só um tenista vivo na chave – Thomaz Bellucci. Desta vez chegamos a ter seis na chave, entre WC e qualis, mas não foi o bastante para traduzir em um sucesso maior. Até os portugueses, que nas ultimas décadas não tiveram praticamente nenhum jogador de ponta, têm dois tenistas na 2ª rodada.

A responsabilidade fica para cima do Thomaz, o que não é muito confortável, mas é algo que o tenista tem que saber lidar. Ele passou bem na 1ª rodada pelo italiano Potito Starace, que não é nenhuma moleza e já está acostumado a jogar na Bahia. Sua 2ª rodada, contra o quali polonês Kubot é, na teoria, mais fácil do que o cabeça de chave Potito. Uma vitória, que não deve ser considerada como já conquistada, abriria a porta para um eventual confronto com J.C. Ferrero, um tenista experiente porem decadente, já que foi o 1º do mundo e atualmente é #101, mas sempre perigoso, ainda mais por estar acostumado a jogar no Sauípe, onde tem casa por perto.

A quantidade na chave não traduziu-se em qualidade necessária para vitórias em um ATP Tour – assunto já abordado anteriormente aqui. É preciso investir mais na ambição e nas armas necessárias para nossos tenistas não acomodarem seus padrões a torneios e adversários menores. Uma coisa é se preparar e investir em Futures e Challengers. Outra é botar a cara para bater e pagar o preço de querer crescer no circuito profissional. O único realmente fazendo isso por aqui atualmente é Bellucci.

Entre os que estiveram na chave, pelo menos Hocevar, Zampieri e Daniel Silva são jovens o bastante para aproveitarem a oportunidade e direcionarem suas carreiras na direção de objetivos mais altos. Essa é uma das razões do Aberto do Brasil existir – servir como cenário para nossos tenistas fazerem e acontecerem.

Autor: Tags: ,