Publicidade

Posts com a Tag bjorn borg

quinta-feira, 6 de junho de 2013 Roland Garros | 16:19

Bolt na final

Compartilhe: Twitter

Todos os anos os franceses escolhem personalidades, a maioria das vezes ex tenistas, mas nem sempre, para entregar os troféus dos finalistas das simples. Já tivemos desde Pelé, em 1998, a Borg, em 1997, premiando Gustavo Kuerten, entre muitos outros. Os escolhidos sentam na Tribuna Presidencial, ao lado do presidente da FFT.

Hoje divulgaram que os troféus na final feminina, entre Sharapova e Williams, será entregue pela baixinha varejeira Arantxa Sanchez, que recentemente jogou tudo no ventilador com a publicação de seu livro, acusando seus pais de roubarem quase todo o seu dinheiro.

A grande surpresa será o convidado para a premiação da final masculina. O homem mais rápido do mundo, o jamaicano Usain Bolt. Eu não duvido que o rapaz, que é chegado à aparecer, não dê uma de Pelé, que fez de tudo, até embaixadinhas com a cabeça, para aparecer, e apareceu, mais do que os espanhóis Carlos Moya e Alex Corretja. De qq jeito o jamaicano vai fazer brilhar ainda mais a apresentação.

Autor: Tags: , ,

domingo, 12 de maio de 2013 História, Masters 1000, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Masculino | 19:33

Imaginação

Compartilhe: Twitter

É um privilégio. Entre tantos na minha vida, ter visto os dois maiores tenistas sobre a terra vermelha, distantes uns 30 anos à parte, é um dos privilégios tenisticos que me fazem sorrir. Assisti inúmeras vitórias borguianas em Roland Garros, assim como em outros cenários do tom vermelho, como assisti inúmeras peripécias naldanianas sobre o barro, ao vivo e pela telinha da TV, outro privilégio que os anos recentes nos ofereceram.

É difícil, se não impossível, comparar tenistas de épocas distintas. Tenho acompanhado no utube, outro privilégio, algumas partidas do passado. Uma delas a final de Wimbledon de 1960, quando o australiano Neale Fraser, que nem 1% dos meus leitores conhece, bateu na final um jovem Laver, já com 22 anos, em sua 2ª final de GS (a 1ª foi a vitória no AO do mesmo ano, sobre o mesmo Fraser). O jogo era muito diferente, impossível de comparar com a época atual. A cabeça da raquete era muito menor – aproximadamente 65 polegadas contra uma média de 100 polegadas atuais – além de feitas de madeira laminadas contra as de elementos compostos atualmente. Cordas eram de tripas de gato, que seguem sendo uma excelente, porém caríssima opção,  enquanto os encordoamentos atuais são sintéticos com muito mais alternativas – vocês tem alguma ideia de como são ou viram a corda de Rafael Nadal? Além disso, as bolas são mais leves, as quadras quase que pasteurizadas – e por conta disso vocês viram a reação do Nadal quando mudaram o saibro de Madrid – aliás hoje ele deu, em seu discurso, uma bela cutucada no Manolo Santana, na verdade direcionada ao Tiriac, por conta disso.

Do lado do tenista as mudanças são ainda mais radicais. Atualmente são mais fortes e bem preparados fisicamente, além de serem melhores preparados tecnicamente – os golpes de fundo de quadra são imensuravelmente melhores, quase ridiculamente melhores. Contanto que não falemos sobre os quase defuntos voleios, onde os tenistas de então eram, na mesma proporção, melhores do que os de hoje!

Assisti, pelo menos um pouco, todos os torneios de Rafael Nadal nesta temporada. Agradecemos aos deuses pela TV fechada e o fato de ter jogado em São Paulo. Acompanhei um pouco de Madrid e a contundente vitória na final sobre o Wawrinka, um tenista de encher os olhos de qualquer fã do tênis, aí não inclusos os simples sofasistas, que adoram criticar aquilo que não entendem e desconhecem, ao meter o pau no suíço por conta da contundente vitória espanhola. Entendo a crítica à final, não ao tenista. Os meus sais, por favor.

A partida de hoje não me inspira maiores análises do que a de que foi decidida ainda no primeiro game, quando Wawrinka, a pedido do espanhol, sacou e perdeu o game, após ter salvado 6 break points. Dalí para frente foi só pro forma.

O que me veio à mente foi uma comparação, algo que, como já disse, perigoso. Me fica cada vez mais claro que os dois tenistas mais fortes emocionalmente que já vi em quadra foram Bjorn Borg e Rafael Nadal e os dois maiores jogadores sobre o saibro na história. Ambos com arsenais excepcionais para suas épocas, grandes vencedores no saibro que conseguiram estender o mesmo sucesso para outros pisos. Borg é o único do passado que poderia fazer frente a Nadal com o arsenal que tinha só atualizando o equipamento. Excepcional velocidade, excelente revés com as duas mãos, que não seria incomodado pelo “ganchão”, como não o era pelo de Vilas, e um sangue frio de arrepiar. Se tem uma partida do túnel do tempo que não seria um massacre por conta das diferenças técnicas e físicas, pelo contrário, seria entre esses dois monstros do esporte. Mas é algo para ser visto unicamente na minha, e na de quem mais tiver, imaginação.

Nadal – alguma segunda interpretação com o Troféu Ion Tiriac?

Borg e sua maravilhosa esquerda com as duas mãos.

Os dois ícones com a mão no mesmo troféu de Roland Garros.

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 24 de abril de 2013 História, Wimbledon | 12:50

Aumento salarial

Compartilhe: Twitter

Como em toda negociação que almeja o sucesso, a conversa entre tenistas e federações proprietárias de torneios do Grand Slam ficou, boa parte do tempo, restrita a quatro paredes. Como toda negociação que envolva algum tipo de sindicalismo, elas só começaram e foram adiante após um período de pressão, quando não de ameaças veladas. O que os tenistas aprenderam com o tempo foi usar a maior exposição que têm a seu favor.

Os tenistas boicotaram Wimbledon em 1973, o que, entre outras coisas, solidificou a recém criada ATP. Naquela época quase todos os melhores ficaram de fora (foram 81 boicotando), por conta da eterna briga entre jogadores e cartolas. A FIT suspendera um iugoslavo, Pilic, por não jogar a Copa Davis e os tenistas não queriam mais esse tipo de musculatura pra cima deles. Jogaram os tenistas da cortina de ferro, porque ou jogavam ou não poderiam mais sair de seus países. O tcheco Kodes bateu o russo Metreveli na final. Muitos outros jogaram porque viram uma oportunidade de se dar bem – sempre tem isso também. Foi também a primeira participação de Borg, então com 17 anos.

Na época, a repercussão perante o público foi totalmente negativa, já que a imprensa britânica ficou com os organizadores e taxava os tenistas de mimados. Consequentemente o público ficou contra os tenistas amotinados e abraçou os que compareceram. Mas a ATP segurou a onda e o tênis mudou para sempre. Não dá para comparar as duas épocas, do tênis e do mundo, assim como não se pode comparar tenistas de então e de hoje.

Os torneios, especialmente os GSs, continuam sendo mega eventos, mas em tempos atuais os tenistas tornaram-se também mega importantes e, acima de tudo, aprenderam a utilizar a mídia disponível a eles. Fica mais difícil Wimbledon proclamar que é mais importante que os jogadores, como foi sua postura por mais de um século.

Rod Laver não estava na sala das pessoas a cada evento através de imagens de TV, não tinha sítio na internet, nem todo o universo da internet levando suas imagens e declarações mundo afora, nunca ouviu falar de press manager, não tinha 10 milhões de fãs no facebook e uma multidão de fãs de todas as idades mundo afora. Tudo isso foi utilizado para “vazar” informações que sutilmente sugeriam que os vestiários estavam em indignada revolta, por conta da distribuição de prêmios e o valor de dinheiro que entravam para os cofres das federações, e uma ameaça de boicote contaminava ainda mais o odor de suor dos vestiários.

Muita conversa aconteceu entre os representantes dos GSs e tenistas e seus representantes. Os “donos” dos GS começaram a se mexer e individualmente começaram a apresentar suas propostas de aumento. Cada um que apresentava garantia a presença dos tenistas em suas quadras. Mas todos negando que cederam à pressões. Os aumentos, afirmam, foram de livre e espontânea vontade, mas quem assistiu Indian Wells viu, logo na primeira fileira, o diretor de Wimbledon, presente para conversas com tenistas.

Desde o primeiro momento, os tenistas bateram na tecla que eles procuravam aumento dos valores nas primeiras rodadas, o que garantia que a majoração atingisse a maioria, que é quem agita os vestiários. Um socialismo esportivo. Os cachorrões também gostam de dinheiro e quanto mais, melhor. Mas, no caso deles, já têm bastante e, a um certo ponto da carreira, se joga mais pela glória do que pelo cash.

Foi levando isso em consideração que o Torneio de Wimbledon divulgou esta semana um aumento de 40% no prêmio distribuído, o que dá para afirmar ser um senhor aumento e deve ter deixado os vestiários com o perfume de gardênia.

O total, para homens e mulheres (estas não pressionaram, mas receberam sua parte) passa a ser U$34.4 milhões, o maior de todos os GSs. Os vencedores receberão $2.4M cada. No ano passado receberam U$1.75. Mas a diferença é mesmo para aqueles que naufragam no evento qualicatório e nas três primeiras rodadas da chave principal. Os primeiros terão um aumento de 41% e os outros de 60%! O evento de duplas teve um aumento de 22%, o que deve ter deixado os mineirinhos felizes.

Provando que a grana não é um problema em Wimbledon, os ingleses anunciaram também que vão cobrir a Quadra 1 para o torneio de 2019, quando terão então duas quadras cobertas. Dizem que a decisão foi feita entre piadinhas a respeito da eterna falta de quadra coberta no U.S. Open.

Nic Pilic, pivô do boicote em 73′, mais do que acertou suas contas com a Copa Davis. Jogou pela Iugoslávia, foi capitão da campeã Croácia, técnico da Sérvia e capitão da Alemanha, derrotada pelo Brasil no Rio de Janeiro em 1991.

Autor: Tags: , ,

segunda-feira, 30 de abril de 2012 História, Tênis Masculino | 21:38

Administrador

Compartilhe: Twitter

Vejo que alguns leitores gostam de levar a discussão sobre o tênis de Rafael Nadal para a altura de seus golpes, o incomodo de seus ganchos, a estética de seus golpes etc.

A cada vez que acompanho as partidas do Nadal a mesma percepção se evidencia. O diferencial do espanhol é o seu lado emocional, independente da consideração de seu arsenal técnico. Como eu já escrevi, e ele e seu técnico são os primeiros a admitir, esse arsenal é inferior ao de alguns tenistas do circuito; só que ganhar dele continua sendo o inferno na terra para os adversários.

O adversário da final de Barcelona foi o compadre David Ferrer, a quem Nadal, em declaração antes do jogo, disse que o cara mais do que merecia a vitória no confronto. Sim, merecia, mas isso não quer dizer que o Animal iria doá-la. Se quiser que a arranque. Ferrer jogou para ganhar, acreditando na possibilidade, talvez até mais do que em outras oportunidades, mas fracassou como sempre, batendo de frente na impressionante determinação do oponente.

Ferrer, que é um tenista que consegue tirar leite de pedra, considerando seu arsenal, traz para a quadra o fator luta como poucos. Só que ele sabe, porque descobriu há algum tempo, que do outro lado da quadra o adversário é mais, se é que isso é possível, casca de ferida do que ele. Dessa maneira, o que lhe resta?

Não é o caso de analisar o aspecto técnico da partida e de um ou do outro tenista, até porque já o fiz em outras ocasiões. O confronto teve alguns detalhes técnicos interessantes, mas foi o fator emocional, mais uma vez, que definiu o resultado final, claramente demonstrado pelo placar de 7/6 7/5. Nadal teve 5 sets points contra no 1º set, além de alguns break-points contra. Encontrou uma maneira de escapar e levar, pela sétima vez – mais um recorde em sua carreira.

Rafa é o melhor administrado de crises que já vi em quadra. Como já escrevi antes, no mesmo patamar só mesmo Borg. Uma partida entre os dois, em uma final de Roland Garros, seria a apoteose do tênis sobre o saibro. Mas isso só é possível no imaginário, onde, pelo menos no meu, não há um vencedor. Para quem não sabe, os dois tenistas têm 6 títulos no saibro de Paris, um recorde que pode ser desempatado esta temporada.

Rafa e o tradicional Trofeo Conde de Godó – ele sempre dá um jeito.

Autor: Tags: ,

segunda-feira, 18 de abril de 2011 Tênis Masculino | 00:10

Respeito

Compartilhe: Twitter

Algumas não tão distantes décadas atrás, o maior prêmio que o campeão do Torneio de Monte Carlo levava para casa era o convite para se juntar ao quadro de associados do Monte Carlo Country Club, finérrimo local do evento.

O clube é um dos mais tradicionais da Europa e um dos de mais difícil acesso. Ser convidado para dividir as quadras de saibro com o creme de la creme européia foi sempre um motivador maior para os tenistas de então. Imagino que nem por isso o clube agora ofereça um sétimo título de sócio à família Nadal e nem o espanhol imagine abrir mão dos Euros 438 mil a quem tem direito pela conquista.

Apesar de ter o título de Aberto de Monte Carlo, a família real ser patrona do torneio e do nome do clube, este não fica no Mônaco e sim já dentro do território francês. Essa é uma daquelas coisas difíceis de explicar na geografia européia, assim como Andorra, Liechetstein e San Marino.

O torneio é jogado há mais de 100 anos, sendo um dos mais tradicionais do circuito. Por lá já venceram Nicola Pietrangeli, italiano que a TV mostrava sentado atrás do Príncipe durante a final, Bjorn Borg, Ilie Nastase, todos por três vezes, entre tantos grandes nomes do tênis, não esquecendo que Gustavo Kuerten faturou duas vezes, em 1999 e 2001, o que deve dar uma saudade danada em Larri Passos e nos torcedores brasileiros.

Rafael Nadal atualmente se sente mais à vontade por lá do que Airton Senna em sua época. Vencer qualquer coisa sete vezes seguidas deve ser uma satisfação ímpar e mais uma razão para Nadal não gostar de Robin Soderling nem quando este deixa a sala.

A final de verdade em Monte Carlo foi a semi contra Andy Murray que, pelo menos, tinha pretensões de vencer. David Ferrer não tem essa pretensão há um bom tempo. Dá para ver o seu respeito pelo companheiro de time na Copa Davis e dá para sentir, mesmo pela TV, que Ferrer não tem a menor intenção de desafiar o ídolo maior da Espanha. Respeito ganha jogo, sim senhor, e ganha mesmo antes de se entrar na quadra.

Ferrer e Nadal, amizade de cartas marcadas.

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 6 de julho de 2010 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 00:39

João Gilberto, Borg e inovações

Compartilhe: Twitter
Venho a algum tempo pensando em oferecer um destaque a alguns comentários que meus leitores publicam no Blog. Não tinha certeza do formato, como ainda não tenho, mas penso que possa ser algo que acrescente ao Blog e, principalmente, motive meus leitores. 

Sendo assim, após repensar o assunto este fim de semana, decidi fazer uma tentativa temporária para ver como funciona. Em breve devo fazer algumas regras para ficar mais claro.

Este primeiro vai ser de surpresa, inclusive para o Comentarista. A escolha deste ficou por conta de dois quesitos que serão indispensáveis. O assunto deve ser pertinente a um post recente meu e deve também ter um padrão de qualidade. O Comentarista pode, ou não, concordar com minhas colocações, assim como eu não tenho que necessariamente concordar com a dele. Como é o caso em alguns pontos deste abaixo. Me reservo o direito de acrescentar, no final do texto, minhas colocações.

Além disso, e já fica valendo, o Comentarista para se qualificar deverá colocar um email válido e, após a validação, retornar certas informações. Outras regras podem ser divulgadas e adotadas.

Espero que vocês se divirtam, se motivem e acrescentem à idéia. Vamos ver como funciona.

Enviado por Mártin Haeberlin em 05/07/2010 às 11:24h:
 
Não raras vezes, em ocasiões as mais distintas, lembro-me daquela conhecida fábula intitulada “A Roupa Nova do Rei”, escrita pelo dinamarquês Hans Christian Andersen (o mesmo do “Patinho Feio”).
Quem não conhece, sugiro procurar a versão estendida.
 
Só para chegar ao ponto em que quero chegar, aí vai uma síntese: a fábula (ou conto infantil, se preferirem) conta a história de um rei que, cioso de sua (inexistente) inteligência, é enganado por dois mercenários, os quais são abastecidos de riquezas reais para lhe confeccionar uma roupa feita com um tecido invisível aos tolos e que somente os inteligentes podiam enxergar. Enquanto os falsos tecelões fingiam tecer as vestes, o rei e seus ministros acompanhavam o processo, elogiando o lindo tecido, ainda que não o vissem, mentindo para não passar por tolos. Até que a roupa é entregue, o rei diz que achou a roupa magnífica e é feita uma procissão, onde o rei desfilaria com a sua nova e já famosa roupa entre os súditos. Eis que, em meio à procissão, uma criança grita: “O rei está nu!”. O rei, embora desconfie da veracidade da afirmação, segue em sua procissão, com medo de ver sua tolice desmascarada.

Esta fábula permite um sem-número de lições e interpretações. A que mais gosto, e talvez a mais central delas, é aquela que nos ensina a questionar as verdades que os outros nos estabelecem, e que nos permite, com isso, não apenas o desenvolvimento de um olhar crítico sobre as coisas em nossa volta, mas de um olhar pessoal, próprio, autóctone.

De fato, quantas vezes não somos levados a repetir uma verdade com a qual nem sempre estamos de acordo – se resolvêssemos refletir a respeito dela – somente pelo fato de que esta é a verdade estabelecida no tempo e no espaço, verdade esta que comumente nos é trazida pelos “especialistas” na matéria (olha aí aparecendo a tal da “microfísica do poder” a que Foucault nos atentava)?
Usando a bossa nova, citada no texto anterior do Cleto, dou-lhes um exemplo do que quero dizer.

Como já afirmei aqui, sou um apaixonado pela música brasileira, notadamente da música popular, da bossa nova e do samba.
E algo que sempre me intrigou na bossa nova é esta idolatria dos músicos e dos meios de comunicação especializados em torno de João Gilberto. Muitos músicos falaram, e ainda falam, da influência que João Gilberto lhes forneceu. Já a imprensa especializada, ao tratar de João Gilberto, tem sempre os mesmos adjetivos: “as notas são exatas”; “a perfeição levada ao extremo”; “um violão que parece uma orquestra”, etc. Sequer é necessário ler a crítica de um disco novo (se bem que todos os discos novos dele são antigos) de João Gilberto para se saber o que será escrito nos jornais sobre este disco, e que passa por algumas das frases escritas entre aspas acima.

Pois eu nunca consegui enxergar isto tudo. Porém, já que todos os especialistas na matéria confirmavam a genialidade de João Gilberto, parecia certo que o erro estava em mim. E, desditoso em minha própria ignorância, passei a procurar, e ouvir, e ouvir atentamente todas as gravações de João Gilberto, querendo descobrir o que me escapava. Onde estava aquela genialidade que eu não entendia!?
E nunca encontrei ali nada além de acordes complexos tocados demoradamente em um violão bem afinado. Para mim, João Gilberto tinha para a bossa nova a mesma significação que Golçalves de Magalhães teve para o romantismo brasileiro, isto é, ele é importante pelo pioneirismo, mas não pela qualidade de sua obra.
Mas, claro, se me perguntassem, nunca diria isto. Nunca passaria meu atestado de tolice musical aos quatro ventos.

Até que numa noite de boemia, conversando com um amigo exímio violonista (desses que, por algo desconcerto do destino, veio a ser músico de barzinho recebendo couvert de bêbados, quando o seu lugar natural era o palco de um teatro estrangeiro), ele me disse, assim do nada, enquanto um parceiro dele executava uma música consagrada por João Gilberto: “Mártin, esse João Gilberto, nunca engoli o que dizem dele… esse cara é uma mentira. O que ele faz, qualquer um faz. Quero ver é repetir uma execução do Raphael Rabello).

Naquele dia, era como se este meu amigo violonista fosse aquela criança do conto, gritando para mim a verdade sobre a “roupa” de João Giberto: “O rei está nu!”.
.
Aí hão de me perguntar: mas qual é a relação disso com o tênis, já que estamos em um blog do tênis? No que eu respondo: Bjorn Borg, exatamente este sueco sobre o qual o Cleto está falando no post.

Da mesma forma que me ocorria em relação a João Gilberto, nunca consegui digerir bem esta opinião, presente entre vários – se não todos – os especialistas do tênis, consagrando Borg como um dos maiores tenistas da história, opinião esta que lhe permitiu posar ao lado de Laver, Sampras e Federer no ano passado, na conquista do 15º Grand Slam por este último, em Wimbledon. Essa massiva consagração em torno do nome Bjorn Borg sempre teve grandes ressalvas de minha parte.
Mais uma vez, meu senso crítico me informava que eu é que deveria estar errado, já que ali estava a condecoração feita pelos especialistas.

Lá fui eu a procurar todos os vídeos de Borg na internet, a comprar vídeos de suas partidas, sempre no intento de desvelar minha própria ignorância e, com olhos mais treinados, ver o que eu – no alto da minha tolice – não conseguia ver. Onde estava a roupa do rei?
E, mais uma vez, não consegui enxergar a “roupa” de Borg (por favor, tomem no sentido conotativo, evitando mal-entendidos pelo fato de, atualmente, o sueco ser detentor de uma marca de cuecas).

Sem querer tirar o mérito desta “revolução” citada pelo Cleto (e da capacidade de transformar o jogo de tênis em razão da modificação de empunhadura do continental para o western e da maximização do spin em razão desta mudança), para meus neófitos olhos, Borg era um grande devolvedor de bolas com uma capacidade mental incrível.

Só que, claro, sempre me contive nas palavras e nunca imaginava publicizar essa minha ignorância, que muitos tachariam blasfêmia.
Até que apareceu uma criança para me dizer: “O rei está nu!”.

E esta criança, no caso, foi Thomas Koch, quando vi numa entrevista dele, há alguns anos, ele respondendo algo assim ao ser perguntado sobre Bjorn Borg: “Sinceramente, o tênis de Borg nunca me encheu os olhos, nunca me seduziu. Eu gosto do tênis jogado mais ofensivo, procurando encerrar os pontos, e não continuar eles. Não consigo ver nele o mesmo talento que via em um Laver, em um McEnroe e no próprio Federer atualmente.” A resposta de Thomas Koch foi como que uma libertação para mim e para minha ignorância.

E mais: produzi mentalmente uma teoria, no sentido de que aqueles que viveram a “era Borg” ficaram tão extasiados com o frenesi desta era, com a magnitude daquele sueco que “modificou” o jogo e permitiu que os tenistas virassem pop stars, que passaram a ter alguma dificuldade em julgar o tênis de Borg para além deste mérito existente no pioneirismo em si, e só.
.
Do que escrevi acima, transporto uma das possíveis conclusões, que me vem facilitada por esta “desconstrução” do fenômeno Borg, qual seja a de que Rafael Nadal JÁ É (e quando digo “já é” quero dizer que não preciso esperar mais tempo para tomar esta conclusão) um tenista maior do que Bjorn Borg foi.

Por vezes, é preciso colocar de lado os números e pensar a partir de dados subjetivos. Foi fazendo assim que não precisei esperar os títulos de Grand Slam para apontar, já no final de 2006 e início de 2007, Roger Federer como o maior tenista de todos os tempos.
Hoje, me proponho o mesmo exercício, de esquecer o número de títulos, e não vejo temeridade alguma em colocar Rafael Nadal como maior que Bjorn Borg, já que, não obstante a paridade na força mental de ambos, o espanhol, ao contrário do sueco, conseguiu e vem conseguindo expandir todos os seus limites, melhorando cada fundamento de seu jogo até chegar a um tênis que, se não é exuberante, já vê no retrovisor aquele viés unicamente defensivo e contra-atacador (dos idos de 2005 e 2006) e encontrou um equilíbrio interessante entre a sua exímia capacidade defensiva e sua nova aptidão para agredir e matar os pontos com o forehand.

Essa conquista – de ultrapassar Borg – não é pouca coisa, e tem, na minha concepção, um quê emblemático: coloca o nome de Nadal na galeria dos grandes campeões apenas a um degrau abaixo da santíssima trindade do tênis, composta por Federer, Laver e Sampras (nesta ordem, no meu modesto ver).

Sob esse mesmo prisma de reflexão, isto é, colocando os números de lado e pensando a partir de dados subjetivos, não consigo ver, ainda, Rafael Nadal subindo este último degrau com o passar dos anos.
Mas, como o frenesi causado pelo espanhol – positiva e negativamente – é similar ao causado por Borg, talvez isto seja algo que eu deva repensar daqui a uns vinte anos. Uma revolução, afinal, só é revolução depois que saímos dela. E o Tribunal da História, no caso do tênis, fica logo ali.

 

Comentários do “patrão” Paulo Cleto:

Alguns leitores já se adiantaram em algumas boas colocações sobre os temas João Gilberto e Borg. Deixo o João para vocês.

Borg revolucionou o tênis em mais de uma forma, não só mediaticamente como menciona o Comentarista. Os tempos eram propícios, o tênis deslanchava no gosto do público, especialmente nos EUA, e a figura de Borg era extremamente carismática.

Mas o sueco revolucionou bem mais. Não só com sua magnífica esquerda com as duas mãos, que se não era novidade era extremamente rara e não ortodoxa, solidificando-se como um padrão que hoje é massivo.

Além disso, trouxe ao tênis o então chamado tênis-força, especialmente por conta do uso do extremo top-spin – graças a uma pegada radical e também totalmente não ortodoxa – da ancoragem no jogo de fundo de quadra, inclusive sobre a grama, algo inédito que mudou a arquitetura das estratégias do tênis, também inaugurando um padrão. A fugida da esquerda, para o ataque de direita também era algo que fazia.

O tênis de Rafael Nadal é de uma linhagem direta do tênis revolucionado por Borg. Talvez até por isso ele foi um dos primeiros a alertar que Nadal iria vencer também em Wimbledon. Do que se vê atualmente, Nadal nada acrescentou em termos técnicos – quem enxerga essa “novidade” é míope historicamente no tênis.

Borg também revolucionou em termos físicos, estando em um nível bem acima de todos seus adversários e predecessores – quem não se lembra do Nuno Cobra medindo seu batimento cardíaco e percentagem de gordura, caindo de costas com o resultado, antes de treinar Airton Senna? Seu preparo e sua velocidade – nas intermináveis trocas de bola seus adversários sempre se atrasavam antes dele – tornaram possíveis seus títulos tanto em Roland Garros como na grama de Londres. E foi exatamente nesse quesito que Nadal faria sua maior contribuíção à atual Revolução.

Além disso, Borg trouxe um clima e uma postura em quadra que estava longe dos padrões de então e cuja postura dos dois melhores tenistas da atualidade lembram bastante. Era extremamente contido e educado, não abrindo a boca em quadra para nada. Quando reclamou de juízes foi com os olhos e não com a boca. Seu apelido de Ice-Borg espelhava essa postura, que era um dos seus maiores charmes.

Lembrando o filosofo francês Giles Deleuze, existem dois tipos de campeões: os criadores e os não criadores. Deleuze, um fã do tênis, colocava Borg entre os primeiros, óbvio.

Borg e sua revolucionária esquerda em “open stance”.
 
Borg – até de joelhos ele jogou.
  
Autor: Tags: , ,

segunda-feira, 6 de julho de 2009 Tênis Masculino | 02:04

A gafe

Compartilhe: Twitter

Já passou da hora de dormir, mas eu acabei de chegar de uma rápida viagem de uma hora e preciso abaixar a adrenalina. Na viagem, sozinho na estrada com Pink Floyd no ipod, fiquei pensando na belíssima oportunidade que os ingleses desperdiçaram em provar que, como eles gostam de colocar, Wimbledon é maior do que seus personagens.

Hoje foi o dia perfeito para alguém chegar ao honorável Duque de Kent, manjado personagem e presidente do All England Lawn Tennis and Croquet Club, e lhe sugerir que o troféu fosse entregue, em conjunto, por aqueles três monstros sagrados presentes na Quadra Central: Rod Laver, Bjorn Borg e Pete Sampras.

Ficaria mais conveniente, digno, interessante e majestoso dessa maneira. O Duque até que poderia adentrar a quadra e cumprimentar os pegadores de bola, naquela batida e patética demonstração de condencêdencia real com os súditos, mas a entrega – que é de mentirinha, já que o troféu permanece no clube – seria realizada pelos tenistas. Teria mais significado e tal ato de grandeza só serviria para confirmar que tal exceção confirma a regra.

Para contrastar, publico abaixo a foto dos quatro campeões logo após a saída da Quadra Central e o vídeo da emocionante entrega de prêmios do Aberto da Austrália, quando os australianos tiveram o bom senso de convidar o campeão Rod Laver para entregar o prêmio a Roger Federer. Vejam e ouçam como Roger esteve inspirado e emocionado nesse dia com a presença do veterano campeão. A foto do Duque vocês não vão ver aqui.

Borg, Sampras, Federer e Laver. Cade o Duque?

Autor: Tags: , , ,