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quarta-feira, 11 de setembro de 2013 História, Sem categoria, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 12:52

A batalha dos sexos

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Caros leitores. Viajo hoje para celebrar o especial aniversário da amada e volto a Sao Paulo no início da próxima semana. Sem acesso à internet. Deixo aqui um texto pescado das antigas sobre a história da mulher que empresta seu nome ao complexo do U.S. Open e, talvez, o maior ícone do Tênis, entre homens e mulheres. Por que? Talvez o texto ajude a esclarecer. Ficarei muito contente em vê-los na volta, a partir  do dia 16 e mais ainda se colocarem comentários que acrescentem ao debate do nosso esporte. absss

A primeira coisa que ela faz a cada manhã é agradecer a Deus por estar viva e por ter vencido aquele jogo em 1973. Por estar vivo qualquer um agradece, mas pode uma partida de tênis ser assim importante? Se você for Billie Jean King e a partida a que mudou o rumo do esporte para sempre, além de ser o acontecimento que mais exposição positiva deu à luta das mulheres por direitos iguais, então vale. A partida aconteceu no Astrodome de Houston, na frente de 31 mil pessoas, o maior público da história do tênis. De um lado, Billie Jean, na época a segunda tenista do mundo, e a mais árdua defensora dos direitos femininos, dentro e fora das quadras. Do outro lado, o veterano Bobby Riggs, auto proclamado “o rei dos porcos chauvinistas”. Em linguagem atual, a Joana D’Arc dos politicamente corretos e o déspota dos politicamente incorretos.

Riggs vencera Wimbledon e o Aberto dos EUA em 1939 e, aos 55 anos, se especializara em tirar dinheiro de amadores delirantes nos luxuosos clubes da Califórnia. Ele começou a confusão ao declarar que o tênis feminino era tão medíocre que a melhor do mundo não poderia bater um veterano como ele. Desafiou a australiana Margareth Court para uma partida a ser realizada no Dia das Mães. Para o horror das mulheres, Margareth tremeu mais do que vara verde e foi destruída em um humilhante 6/2 6/1. A desonra colocou Riggs na capa da revista Time e abriu a porta para uma mudança de postura de King que, aos 29 anos e 11 títulos no Grand Slam, três no ano anterior e dois ainda por acontecer, declinara o primeiro desafio. Avaliara que uma derrota atrasaria o tênis feminino por 50 anos. A vitória é efêmera, a derrota permanente, diria. Mas, após a derrota de Court, a honra feminina estava em jogo. Billie era mais agressiva, decidida e confiante que a australiana, especialmente quando o assunto era direitos iguais. O bate boca entre os desafiantes ganhou proporções gigantescas pelas circunstâncias de então. O tênis era o esporte do momento, o movimento feminino ganhava ressonância e as mulheres ainda estavam a uma boa distância de terem seus direitos iguais. Os promotores surgiram e foi estipulado um prêmio de U$100 mil – 20 vezes o que ganhava a campeã de Wimbledon na época – indo totalmente para o vencedor.

O que veio a ser conhecido como a Batalha dos Sexos foi vencida por King em três sets seguidos – numa melhor de cinco sets – e televisionada para 37 países, com uma audiência de mais de 50 milhões. Mudou para sempre a vida de Billie Jean e de todos os esportes femininos. Até então, os pleitos igualitários da tenista eram vistos pelo establishment como meras aporrinhações. Uma a uma, suas demandas foram atendidas e estendidas a outros esportes e a diferentes áreas da sociedade. Fundou a WTA, sindicato e atual organizador do tênis feminino e, junto com outras mulheres da época, concretizou o primeiro circuito profissional das mulheres – o Virginia Slims. A menina que um dia foi excluída de uma seção de fotos por um dirigente arrogante, e não são poucos, por estar usando um calção de tênis e não um saiote, teve suas conquistas homenageadas em revistas, livros, filmes e músicas – Billie Jean de Michael Jackson e Philadelphia Freedom de Elton John.

Mas, assim como com Arthur Ashe, que teve seu nome dado ao maior estádio de tênis do mundo, Billie Jean teve seus feitos reconhecidos, ao ter, na semana passada, seu nome dado ao complexo onde é realizado o Aberto dos EUA, por aliar uma impressionante carteira de resultados em quadra, com uma ainda mais impressionante bagagem de conquistas fora delas. A primeira a caracterizou como uma campeã do tênis, a segunda como uma campeã na sociedade.

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012 História, Tênis Feminino | 00:22

Sainhas e shorts.

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O assunto é polêmico e delicado, por isso vou passar por ele pisando em ovos e guardando minhas opiniões pessoais. É um novo ano e uma das minhas metas prioritárias é ficar cada dia mais zen, o que venho conseguindo com razoável e surpreendente sucesso, para minha extrema alegria.

O assunto em questão é mais velho do que andar para frente, tanto na humanidade como nos esportes, inclusive no tênis. Não vou fazer um histórico porque não tenho paciência e nem acho necessário.

Bastam duas ou três colocações.

Sempre existiram homossexuais no tênis feminino. Pelo menos desde os anos cinquenta, já que antes eu não estava aí para ver e nunca me interessei em fazer um levantamento, além de não ser um assunto que se comente com muita naturalidade.

É um fato que sempre existiram, fortemente, duas tendências nos vestiários. As heteros e as homossexuais. As sainhas e os calções. E não vamos misturar, como já berrava o Tim Maia. As duas conviviam, mas não tão bem como todos queria levar a crer.

Como acontecia até os anos noventa – ou seria mais tarde, ou mais cedo?? – o assunto era mantido no armário. Além disso, o homossexualismo, feminino e masculino, eram mais visíveis em nichos da sociedade, o que sempre foi curioso. Era só andar de avião para entender o que digo. Pois o tênis feminino, assim como muitos esportes, era um dos mais férteis desses nichos. O que sempre me deixou curioso quanto aquele raciocínio; a natureza as fazia homossexuais e coincidentemente tenistas? Ou seria o inverso, o que quebraria o raciocínio? Sei lá, e esse não é o tema.

O fato é que até pouco tempo o tênis tinha quase que tantas homossexuais quanto heteros no circuito feminino. Pelo menos dentro das quadras, porque nos bastidores e organização o numero era ainda maior.

Algumas admitiam outras não. Outras, talvez porque não tinham a mesma expressão e nem tanto a perder, faziam questão de escancarar. Uma das primeiras a admitir e escancarar foi Martina Navratilova, o que fez dela um ícone homossexual, dentro e fora das quadras. Antes dela Billie Jean King veio para o circuito ainda no armário, chegou a casar, mas logo derrubou a fachada e admitiu o homossexualismo. As duas se tornaram ícones e expressivos porta vozes, dos direitos femininos e dos direitos gays.

Interessante que as duas tiveram durante suas carreiras grandes rivais e contrapontos em quadra. Martina com Chris Evert, que era extremamente feminina, e Billie Jean com Margareth Court, que era hetero e abominava “essas coisas”. A diferença é que Evert sempre lidou bem com a escolha da amiga/adversária, ou assim parecia (quem viu o documentário sobre as duas na ESPN – muuuito bom!) e Court e King nunca se entenderam. E aí o assunto – continuam não se bicando, inclusive pela imprensa.

Billie Jean se tornou uma das maiores ativistas feministas dos EUA e do mundo. O complexo do US Open leva seu nome. Margaret se tornou uma pastora no interior da Austrália e o segundo estádio do Aberto da Austrália tem o seu nome.

Billie Jean foi um tremendo nome no tênis – tremam sofasistas que não conhecem sua história! Tem 129 títulos de simples (tremam Federer e Nadal e mais ainda as meninas que andam por aí) 12 de GS em simples e 27 em duplas!!

Margaret não ficou atrás, muito pelo contrário. Tem 192 títulos, mais do que Federer, Nadal, Djoko juntos, e podem colocar muitos outros na conta também. Desses, são 24 de simples em GS! Contando os de duplas em GS ela faturou um total de 62!!! Ou seja, a moça falava alto e, ao contrário do que muitos dizem, antes mesmo de Navratilova, ela foi uma tenista que investiu no físico, o que lhe deu um diferencial.

Em quadra, as duas rivais se enfrentaram sete vezes, com cinco vitórias da australiana – sendo cinco dos confrontos foram em finais de GS, com quatro vitórias de Court.

A encrenca entre elas começou em 1990 quando Court disse publicamente que tenistas gays e bissexuais como King e Navratilova estavam “arruinando o tênis”. Agora em Dezembro, Court se manifestou contra o casamento gay, que é um assunto atual, aqui e lá, mas não em todo o lugar. Disse algo na linha; “mudar a definição de casamento e tentar legitimar o que Deus chama de práticas sexuais abomináveis, revela a nossa ignorância para com os malefícios que veem quando a sociedade é forçada aceitar leis que violem a nossa natureza humana criada por Deus dentro do que é certo e errado.”

Navratilova a contestou em uma entrevista no Tennis Channel, nos EUA. “Me parece que as pessoas se desenvolveram, assim como a Bíblia. A miopia de Margaret é alarmante, assim como danosa para milhares de crianças vivendo em família de pais gays”. ( Não entendi bem a parte de que a Bíblia se desenvolveu – sempre achei que era um livro fechado). E esse negócio de levar a discussão para o campo pessoal é coisa de quem não tem argumentos para argumentar.

Billie Jean também se manifestou. “Já tentei falar com Margaret a respeito, mas dizer que ela é totalmente impermeável é dizer pouco.” Com categoria, tino político e ficando na veia da questão ela completou; “Temos que seguir comprometidos com a eliminação da homofobia porque todos devem ter os mesmos direitos, oportunidades e proteção”.

Diante dos rumores que haverá protestos na Quadra Margaret Court durante o Aberto da Austrália, por gays e simpatizantes locais, Court se manifestou mais uma vez esta semana, ao ser entrevistada sobre o assunto no New York Times. “Acho que é triste que as pessoas tenham entendido errado o que eu disse. Eu faço o meu posicionamento, bíblico e pessoal. É uma escolha. Eu não tenho nada contra as pessoas envolvidas, só contra suas escolhas, e sempre disse isso”. Talvez um tanto em cima do muro.

Para quem não viveu a época áurea das homossexuais, das quais o ultimo grande nome foi a elegante tenista francesa Amelie Mauresmo, a mudança veio, radicalmente, com o surgimento de Anna Kournikova, que mostrou e evidenciou que o tênis feminino tinha muito mais a ganhar com a imagem “feminina”, que é a que impera totalmente atualmente. Sem nenhuma vergonha as moças decidiram usar e abusar de suas sainhas. . Como cantava o poeta – “times, they are a changing”. Pelo menos ficou muito mais agradável de ver.

Saiotes, calções e uma feliz combinação de ambos…

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010 Tênis Masculino | 12:42

Original 9

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Em 1970 o mundo mudava socialmente ainda mais rápido do que nestes tempos de internet. O tênis profissional como é hoje conhecido engatinhava – nascido que foi em 1968.

As mulheres conquistavam seus espaços nas mais variadas áreas, algo que as moças de hoje acreditam que sempre foi o padrão. Mas, como em tudo, algumas desbravadoras tiverem que ter uma visão crítica do passado e do presente para ter uma visão arrojada e sem limitações para o futuro. Para quem não sabe – que acredito ser uma maioria – o Complexo Bille Jean King, que abriga o U.S. Open, não recebeu esse nome só pelos títulos da moça, que foi a melhor do mundo de sua geração.

Em 23 de Setembro de 1970 Billie Jean reuniu, e liderou, mais oito tenistas, no chamado grupo “Original 9” para criar um circuto profissional de tênis feminino. Assinaram com a então mulher mais poderosa do tênis mundial, Gladys Heldman, editora/publisher da revista World Tennis, bíblia tenistica da época, como agente, e conseguiram o patrocínio da Philip Morris, que recém lançara os cigarros “Virginia Slims”, focado no nicho de jovens profissionais, com o tema “you’ve come a long way, baby”, que tornou-se o mote do feminismo americano.

A WTA foi fundada três anos depois, durante Wimbledon, no Gloucester Hotel, hotel e ponto de encontro dos tenistas em Londres há décadas. Billie Jean, nomeada presidente, tratou de unificar todo o circuito, que na época era um retalho de eventos, assim como fizera a ATP. O circuito consolidou-se em 1974, quando a WTA assinou um contrato com a rede de TV americana CBS, o primeiro realizado em todos os esportes femininos.

O projeto de King era o futuro, querendo assegurar que nele as mulheres – em todas as áreas – trabalhariam em igualdades de condições com os homens e que todas as moças que quisessem fazer do tênis uma profissão teriam uma oportunidade da fazê-lo. As dondocas de hoje, e não só as raqueteiras, tem que todas beijar a mão da moça cada vez que a encontram – ou assim deveriam. King escancarou, na conversa, nas negociações, muitas vezes na porrada e nas ameaças, as portas cerradas de uma cultura machista que imperava ao redor do mundo, sabendo que o poder e a força de metade da humanidade não poderia continuar sendo menosprezado. O alcance de suas ações, que aqui menciono bem por cima, foi bem muito profundo do que só no tênis.

Hoje, o circuito da WTA distribui U$86 milhões por temporada em 91 países e atinge cerca de 2250 atletas, ao mesmo tempo em que inspira milhares de outras. Tudo por conta da visão e determinação de uma atleta que queria mudar o tênis e terminou por ajudar a mudar o mundo.

Billie Jean e as oito companheiras. Vocês conhecem alguma?

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