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domingo, 14 de outubro de 2012 Tênis Masculino | 20:41

"Mardito"

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Eu não sei onde isso vai parar. Fica até difícil fazer um prognóstico a respeito, na hora de ensinar os jovens que estão aprendendo o tênis nos dias de hoje. A final em Xangai foi mais um capítulo da história, capaz de nos deixar de bocas abertas, pensando como isso é possível. O que os tenistas estão se movimentando e batendo na bola é algo que vai além de nossos mais audazes exercícios de imaginação.

Não cabe avaliar se o estilo é algo que gosto ou aprecio. Mas sim algo que surpreende e emociona. É o esporte caminhando em uma direção que não cabe um retorno. É a comunhão da técnica, excelência física e nitidez mental levando o tênis a patamares nunca dantes navegados.

Os dois finalistas, Murray e Djokovic, são tenistas totalmente contemporâneos –nasceram com uma semana de diferença – e foram marcados pelas mesmas influencias que hoje começam a dominar o tênis. A determinação de trabalhar duro nas academias, o golpe de revés com as duas mão, o avanço tecnológico de raquetes e cordas, a uniformização de pisos e bolas, o crescimento astronômico dos prêmios no circuito profissional, a cultura de se investir em um time formado por treinadores, preparadores físicos, psicólogos,nutricionistas, agentes etc, e não mais só em um técnico.

O torneio de Xangai oferece um palco distinto e único para os tenistas. É o Masters Series mais distinto. A China é diferente. O público, as expectativas são diferentes. Até a quadra é diferente. Enquanto que na maioria das quadras centrais – eu ia escrever em todos, mas vou dar aí uma margem de erro – os camarotes ficam “em cima” da quadra, os chineses fazem os seus mais longe da ação. A área de escape da quadra é imensa, maior mesmo do que alguns, senão todos, os Grand Slams – o recuo de fundo tem quase uns 10 metros. O lateral é enorme e, além disso, ainda colocam um corredor que não tem absolutamente nenhuma razão – ninguém mais o usa – entre as placas da quadra e o começo dos camarotes. Minha mulher sugeriu que podia ser pela ameaça a Federer, mas acho que foi muito em cima da hora para a mudança. Elucubrei algumas razões sociológicas/políticas para tal desenho, mas acho mais divertido vocês fazerem as suas.

A partida foi mais uma daquelas onde um ponto fez a diferença. Não “A” diferença, mas que fez, fez. Murray estava viajando na Confiatrix e metendo bolas indescritíveis. Não que Novak não estivesse. Porém, Murray estava se mantendo um passo adiante, o bastante para abrir um set, um break e sacar para fechar. Ahhh, esta gamezinho mardito. Quem nunca jogou não conhece a experiência, desconhece o sentimento amargo de deixar escapar essa oportunidade de ganhar o set ou jogo, ou, e esta mais linda, a de quebrar o adversário nessa hora, estragar a sua festa e assistir a sua reação – é um orgasmo mental.

Pois nesse game sagrado, dizem os entendidos, é crucial fazer o 1º ponto. Se fizer o 2º também melhor ainda. Lógico que tem que fazer o último. Foi aí que o bicho pegou para o escocês – no 30×0. Porém, temos que dar o crédito onde é devido. Djoko jogou esse game no fod…., me desculpem o risco de ser chulo. Mas essa é a melhor expressão. Aliás, ele vem aperfeiçoando esse tema. Quando a vaca coloca a terceira patinha no brejo ele liga o fod… Naquela semifinal do US Open contra Federer foi assim. Hoje foi igual. Ele jogou o ponto como se não fizesse questão de vencê-lo – joga-o nas mãos do Divino. Foi à rede de qualquer jeito, voleou no contra pé como se tivesse jogando com seu irmão caçula, levou lob e correu para dar por baixo das pernas – lembrando, era bola para match point – e ainda matou o ponto com uma curtinha que ele guardou para aquele momento. E no fim do ponto deu aquele sorrisionho que o Jimmy Connors dizia que lhe dava ganas de atravessar a rede e acertar a cabeça do adversário com a raquete – ou então de ganhar o jogo de qualquer jeito.

A partir dali o jogo pegou fogo. Murray teve 5 match points no set e o outro não o deixou fechar. Quando foi para o terceiro já chegavam a quase três horas de jogo – para dois sets, e os caras não estavam varejando, era só biabas.

Se aquela foi uma diferença, a outra, e definitiva, foi a postura do Murray quando teve seu serviço quebrado no 3×3 do 3º. Ele também então ligou o fod…  Só que, ao contrário do Djoko, ao invés de ir para as bolas, que é o que o fod… implica, ele vai para o outro fod, aquele que não tem sorrisos, só amargura, aquele que se para de tentar jogar no melhor padrão. E aí, Miguel, não é assim que se segura um Djokovic.

No video abaixo, o ponto em questão é o último – ou seja o 1o dos dez mais de Xangai.

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terça-feira, 11 de setembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 12:12

O hímen

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Assim que acabou a final ontem fui ao computador para colocar a foto de uma Romi Isetta no ar. Frustração. A internet da NET não funcionava – e quantas vezes não têm funcionado recentemente.

Esse negócio de torcer realmente não é para mim. Todos sabem o quanto venho esperando pelo primeiro título de GS do MalaMurray. Cansei de ler por aqui os sofasistas descendo a lenha nele, afirmando que era um tenista menor, com um jogo sonolento. Sei. Mesmo assim, ontem houve alguns momentos que me peguei torcendo pelo Djoko. Poucos.

Desde que Roger Federer ganhou seu 2º Wimbledon em 2004, os títulos de GS, e foram 33 deles, ficaram nas mãos de somente três tenistas – Fed, Rafa e Djoko – com a honrosa exceção de Delpo em NY 2009 e Safin no AO 05. E, não tão coincidentemente, este ano foi o primeiro, desde 2003, que tivemos quatro diferentes tenistas vencendo os quatro GS. Aleluia!

Uma única semana separa o nascimento de Murray e Djokovic e vejam a diferença do que um conquistou e o outro. É uma questão de experiência, ou experiências, boas e ruins. O Murray teve experiências piores, imagino. Afinal, se Djoko conseguiu sair da Sérvia antes que as balas começassem a passar por perto de sua cabeça, Murray viu algumas estourando as cabeças de seus colegas de classe.

E a velha história do ovo e da galinha, o que vem antes? Murray não vencia um GS porque não estava preparado, mental e tecnicamente, ou porque não vencia não ficava pronto?

Esse hímen mental um dia tem que ser rompido para se atingir o clímax tenistico. Como cada um rompe essa barreira é uma história aparte. Murray, dava para ver pela sua criticada postura, não tinha lá muita confiança e autoestima. Isso ele deixou claro, mais de uma vez, na sua entrevista pós-título. Ele sempre duvidava ser capaz de vencer um GS. Até mesmo ontem duvidou.

Quando acabou o quarto set, as piores sombras devem ter invadido seu coração. Achou que era uma boa hora para ir fazer um pipi ou algo mais, nos vestiários. Diz que aproveitou para pensar no que havia mudado nos dois últimos sets para mudar novamente.

Dois momentos foram determinantes na partida. O tie-break do primeiro set, que Murray levou após deixar escapar umas seis oportunidades, momento que deve ter sido o mais angustiante da partida para ele. Ao vencer o TB, sentiu-se o rei da cocada preta e jogou o seu melhor tênis no 2º set. Mas, ainda era MalaMurray – deixou o outro igualar.

Não sei, porque ele não dividiu conosco, o que pensou enquanto olhava o fundo do urinol. Mas o segundo momento determinante aconteceu logo em seguida. Se no primeiro, foi por sua obra e graça que se deu bem, no segundo, foi pela bobeada do adversário, e uma mãozinha da sorte, que lhe concedeu um “net” em momento crítico no 1º game. Novak perder o serviço de cara, sabendo que o outro rastejava pelos últimos anéis do inferno após perder uma vantagem que o narrador da ESPN jurava ser irreversível, foi uma bobeira digna para se perder uma final. Perder dois saque seguidos então foi coisa para se auto flagelar com a convicção de um Opus Dei.

Novak ainda tentou reverter sua sorte dignamente no 2×3, quanto teve bola para quebrar de volta, o que teria mudado o jogo novamente, e não conseguiu, para em seguida perder seu saque. Não tão dignamente no 2×5, quando foi acometido por uma contusão não esclarecida, e por conta disso pediu um time out na hora do oponente sacar pelo título, algo que não caiu tão bem com o público que o vaiou sem piedade.

Enquanto isso Murray ficou dando voltinhas no fundo da quadra rezando ave marias e padre nossos para afugentar os fantasmas. Ele confessa que só pensava onde iria sacar o 1º saque. Escolheu um saque seguro e aberto, sem nenhuma mostarda ou imaginação, jogaram um ponto sem riscos, até Djoko ter a brilhante ideia de o atrair à rede com uma curta e tentar um lob contra o vento que Murray matou de voleio de revés alto. A partir daí, alea jacta est.

Foi um jogasso, digno de uma final, pelos quesitos emoção, entrega, variações táticas, luta, pujança física. Ficou devendo na parte técnica, unicamente pelas condições adversas de vento incessante – que martírio é jogar naquele cenário; é tudo contra a ideia original do tênis de ser um esporte de acuidade. Um lado da quadra se jogava a favor do vento, enquanto que o outro contra – fora as mudanças caóticas para as laterais. Aquele estádio é um túnel de vento, um dos piores, se não o pior deles todos, em vários quesitos. Os tenistas ainda conseguiram fazer dessa situação babélica algo inesquecível. A diferença foi que Murray tem mais arsenal para as circunstâncias. Novak era uma negação quando tinha o vento nas suas costas e seu slice de esquerda era de uma feiura impar. Lembrando, Novak jogou muito tênis até a final e, até então, se mostrara mais afiado do que Murray.

E assim MalaMurray tirou o cruzcredo das costas, o que, imagino, o deixará em condições de igualdade quando enfrentar seus grandes adversários nos grandes momentos daqui para frente. Tênis faz tempo que ele tem para tal. Não tinha o emocional afinado, que era o diferencial dos outros três, sobre ele e sobre os outros. Agora sim, infelizmente, imagino, por um curto espaço de tempo, teremos quatro tenistas de primeiríssima linha lutando por títulos ao mesmo tempo. Há que se agradecer aos céus.

PS: A partir do início de Outubro haverá sérias mudanças no Blog do Paulo Cleto, inclusive com a possível mudança de Portal e endereço. Para tal, fiquem atentos a mais notícias e, se necessário, recorram ao endereço: www. tenisnet.com. br  ou à página do Blog no Facebook: https://www.facebook.com/BlogDoPauloCletoTenisnet

Foi-se o tempo da Romi. Agora vai precisar de um trem para os fãs do escocês.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012 Tênis Masculino | 10:23

Contas e dogs

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Como dizem, não dá para ter o molho por baixo e por cima – há que se escolher. Os tenistas falaram desde o ano passado que o calendário deste ano seria complicado e que prioridades teriam que ser feitas. Além das prioridades há que se improvisar com as circunstâncias e a cartas que caem sobre a mesa.

Todo mundo sabia que com a Olimpíada encavalada em dois Grand Slams, o barco iria chacoalhar e alguns não ficariam de pé, enquanto outros poderiam se sentir on top of the world. Roland Garros, Wimbledon e Olimpíadas vieram e se foram, mas o turbilhão ainda não passou, as consequências ainda se fazem sentir e há que se aguardar se haverá mais resquícios.

Quem pagou o pato foram os canadenses que devem estar se perguntando o que eles tinham com a história. Bem, a data. Alguns sequer apareceram em Toronto, fazendo com que se pergunte o que vale aquela regra que diz que os tops são obrigados a jogar os Masters 1000 – bem deixe para lá. Outro vieram de corpo, mas não de alma, o que não é incompreensível. Afinal este meio de temporada foi um salamemingue danado: saibro, grama, saibro, grama, dura. É o circuito babel.

Novak Djokovic olhou o ranking, fez as contas, consultou seu guru e decidiu ir para as cabeças. Ele não tem tido grandes títulos, mas continua #2 do mundo, com chances de ser #1 em breve. Ele não faturou nada recentemente, mas esteve na final de Monte Carlo, Roma, Roland Garros e nas semis de Wimbledon e Olimpíadas. Ele não faturou nenhum título desde Miami – exatamente, em quadras duras.

Deve ter pensado – o que!!, aqueles dois malas sem alças se poupando, o outro em delírio olímpico e um título de Masters 1000 dando mole, é comigo mesmo. Não deu outra. Convenhamos, bater o freguesaço Tipsarevic nas semis e o rei das baladas Gasquet na final de um M1000 tem que ser o sonho de consumo de muita gente.

Esta semana, Federer volta para defender o topo do ranking porque não quer saber de perder o topete. Murray foi visto em um pet shop em Cincinnati com dois cachorrinhos portando medalhas olímpicas. Nadal, como escrevi, não se sabe quando e em que condições volta. O resto do pessoal está todo presente, afinal é verão por lá, o que é lindo, a grana é alta, o que compensa a ausência de maiores encantos de Cincinnati e a umidade que pode fazer qualquer tenista pensar que seria mais legal contar ladrilhos – o que não é verdade. Thomaz Bellucci joga Winston Salem na seman que vem e o US Open em seguida.

Djokovic – até debaixo de chuva ele quis jogo em Toronto.

Murray’s dogs. Sem comentários poodles, please.

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domingo, 5 de agosto de 2012 Tênis Masculino | 22:01

Ouro para Murray

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Já escrevi tanta coisa neste Blog, e em outras publicaçõe,s que já nem sei mais quando estou sendo repetitivo.

Já escrevi que no passado os tenistas demoravam mais anos para chegarem à sua melhor forma; se não física, com certeza mental e emocional. Murray tem 25 anos, bem mais do que outros precoces do tênis profissional ao conquistar seus primeiros grandes título, mas jovem o bastante para muito ainda conquistar.

Já escrevi, para a angústia de vários, que Andy Murray é um tenista diferenciado, repleto de talento e habilidades, capaz de se transformar em até o melhor do mundo, porque um dos melhores já é há algum tempo.

Já escrevi, para a indignação de alguns sofasistas, que o tênis pode, e muitas vezes o é, decidido em alguns poucos pontos.

A vitória de Andy Murray teve seus momentos cruciais, alguns já ressaltados por tenistas que frequentam o Blog, tal como o Santos Dumont. O primeiro game, quando Federer teve 2 break points e não cacifou, o que poderia ter levado a partida por outro caminho.

O game do 2×0 no 2º set acabou sendo o real divisor de águas. Para ambos. A partir dali, Murray soube que venceria e Federer duvidou que conquistaria o ouro. Dois sentimentos impares para ambos, quando se defrontam em um palco tão importante. Foi o game mais longo e emocionante da final, com uns oito BP para o suíço, que, para sua frustração, não conseguiu a quebra. Não existe pior sentimento que não poder quebrar o oponente nos games importantes após ter as chances de fazê-lo. Não custa lembrar que, em cenário quase idêntico, na última final de Wimbledon, o resultado do game, e da partida, foi o inverso.

Não vou discorrer, novamente, sobre os talentos e habilidades escocesas. Basta dizer que, à distância, o que transparecia era que seu tempo não chegara. Talvez Lendl tenha algo a ver com isso, mas, com certeza, não só. Até porque o técnico sequer estava presente no momento máximo do pupilo.

Em algum momento Murray decidiu que o seu velho jeito de ser não era bom o suficiente. Muito sofrimento e pouco arrojo em quadra não é uma simbiose para campeões. Não assisti todas suas partidas olímpicas, mas quase cai da cadeira quando acompanhei sua vitória sobre Djokovic. Confesso que me surpreendi também com a total ausência de comentários sobre a partida aqui no Blog, em especial das diferenças apresentadas no jogo do escocês.

Foi a primeira vez que vi Murray jogar, do início ao fim, com agressividade, se impondo nos pontos, indo para as bolas vencedoras de ambos os lados. Foi a primeira vez que o vi abandonar a tática conservadora de, ao trocar a direção da bola, ao invés de simplesmente mudar a direção. Ao invés, foi para ganhar os pontos, algo que fez com consciência e qualidade, com bolas retas e rápidas como se deve, inclusive causando inúmeros contrapés no adversário, o que muito raramente fazia. Tanto com a direita como com a esquerda.

Na final, Murray não jogou no mesmo padrão, algo compreensível por se tratar de uma final. Mas foi sólido, técnica e emocionalmente, o bastante para bater um tenista que já mostrou, inúmeras vezes, o quanto é perigoso na grama, o que diz muito sobre o padrão apresentado. Se Federer não jogou hoje no seu gabarito, foi porque o outro não deixou.

O que essa magnífica e importante vitória irá fazer pela carreira de Murray é para se esperar e ver. Pode ser o elo que lhe faltou até hoje para conseguir explorar e jogar no seu potencial. Talvez lhe traga a confiança necessária para jogar mais próximo do limite, e não somente naquela zona de conforto a que se impôs e se acostumou para desespero de seus fãs – algo que ele mesmo ressaltou após a conquista.

Dentro dessa nova linha, o escocês ainda tem muito que pode acrescentar a seu jogo; mais do que muitos tenistas – Djokovic, por exemplo – podem acrescentar a seus arsenais.

É uma porta que se abre, para a alegria e satisfação dos reais fãs do tênis, ao mesmo tempo em que, infelizmente, mesmo sendo ainda somente uma não tão certa possibilidade, a incerteza se avizinha das carreiras das duas maiores figuras da década. Federer pela idade e Nadal pelas contusões. Federer disse hoje que sua presença no Rio é uma possibilidade – aesar de dizer que pode aposentar e voltar. Nadal é um atleta que já mostrou que tem uma determinação ímpar. Mas, hoje, Murray acenou que pode deixar de ser coadjuvantes dessas estrelas.

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O leitor escreve, Olimpíadas, Tênis Masculino | 18:47

O leitor olímpico

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Bati os olhos e vi que esta seria mais um daqueles comentários fisgados para vir para a Home Page. O leitor, que não lembro de ter visto antes, é Inácio de Freitas, a quem agradeço pelo tempo e pela escrita.

ROGER FEDERER, AQUILES E SIEGFRIED.

Homero escreve a Ilíada para mostrar, principalmente , a mudança na alma de Aquiles, ao longo da Guerra de Tróia. É o motivo principal da obra.
A tradição germânica conta a lenda do tesouro dos Nibelungos, onde o principal motivo pode ser a ascendência e posterior decadência de Siegfried.
Os dois heróis são agraciados pelo destino, pelos deuses; o grego é filho de uma destes e o alemão recebe-lhes os vaticínios/conselhos, após apropriar-se do Anel dos Nibelungos e de todo o seu tesouro.
Ambos os personagens conhecem a dor e a morte, após aparentemente haverem conquistado praticamente tudo. Aquiles morre por seu calcanhar, o mesmo que sua mãe segurara, quando o banhou nas águas do Estige . Siegfried morre pelo único ponto de seu corpo que não foi banhado , quando mergulhou na poça formada pelo sangue do dragão que matou…
O herói grego e o herói germânico tinham seus defeitos, suas fraquezas. Lendo-lhes as estórias, quase desejamos que, em algum ponto, percam o que conquistaram, sofram, caiam, falhem. Com Roger Federer, dá-se o oposto. Tudo o que conquistou, foi através de uma ética e virtudes raramente vistas, no tênis, no esporte em geral, na vida pública, no mundo.
Até onde se pode saber, Federer é bom filho, bom pai, bom esposo, excelente amigo (este ano, abriu mão de ser, pela terceira vez em sequência, o porta-bandeira da Suíça, nas Olimpíadas de Londres 2012 e cedeu a vez para seu colega Stanislav Wawrinka , com quem joga em dupla e com quem foi campeão olímpico, em Pequim 2008). É insofismavelmente paciente com a imprensa, nunca rude, nunca destemperado, nunca descortês. Dos colegas de profissão, todos o admiram, alguns o idolatram; de tal modo que, seguidamente, é eleito e reeleito para compor (e, na maioria das vezes, presidir) o Conselho de Jogadores da ATP . Seus maiores rivais (destaque para Rafael Nadal, Novak Djokovic, os “Andys” Murray e Roddick, os argentinos Del Potro e Nalbandian, Nicolay Davydenko, J. Tsonga, Pete Sampras, Leyton Hewit, Marat Safin, Gustavo Kuerten …) costumam apontá-lo como o melhor de todos os tempos e, dos mais antigos, Bjorn Borg, Rod Laver, Martina Navratilova e Maria Ester Bueno (para citar só estes) seguem a mesma linha de pensamento (com pequenas variações ). Mesmo em outros esportes, os ícones o procuram e assistem . É difícil achar defeitos, menos ainda desvios de caráter em Roger Federer…
E é difícil não torcer por ele.
Mas os deuses, ah, os deuses… Têm suas peripécias, suas artimanhas, suas tramas e sua própria visão do mundo e da vida (talvez nada de errado, com isto: vida e mundo vieram deles, afinal…).
E assim, parece que, hoje, Roger Federer foi definitivamente alijado da conquista do ouro olímpico individual. Olímpico… Ouro dos deuses e apenas deles, talvez. Como os nibelungos avisaram a Siegfried: este ouro não te pertence. É nosso por direito. E colocaram, mais uma vez, Juan Martin Del Potro, no caminho de Roger Federer. Na semifinal, o platino lutou com o europeu, por quatro horas e tantos minutos… O suíço terminou por vencer (19-17, no set de desempate), mas os trinta, quase trinta e um anos cobraram sua alta tarifa e hoje, dois dias depois, na final de Olimpíada, quadra central do All England Club, Federer não teve energia física e teve pouca energia mental para enfrentar, mais uma vez, o herói local, Andy Murray, na mesma grama onde este último sofrera em suas mãos uma das mais tristes derrotas da vida.
Murray campeão, em três sets inatacáveis.
Um Federer desolado deixou a quadra, cabisbaixo, de olhos marejados, certamente. O metal dos deuses, nunca será somente seu…
Caso nos possa – aos que torcemos e sofremos por ele e com ele – servir de consolo: Pelé não teve o ouro olímpico; nem Lance Armstrong. E alguns outros semideuses ficaram separados desta singular conquista, até o fim de suas carreiras.
O tempo, contudo, ainda poderá nos surpreender e, quem sabe, gerar o que seria talvez o maior prodígio da história do tênis: o ouro olímpico individual de RF, aos trinta e quatro anos, numa Olimpíada no hemisfério sul, num país sem muita tradição no tênis, numa quadra que não seja de grama…

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segunda-feira, 23 de julho de 2012 Olimpíadas, Tênis Masculino | 15:54

Tocha Olimpica em Wimbledon

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A Tocha Olímpica chegou hoje ao All England, home of Wimbledon, e, óbvio, Andy Murray estava lá, todo alinhado e de branco, para recebe-la.

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domingo, 8 de julho de 2012 Tênis Masculino | 23:45

Com um toque de classe.

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Um toque de classe faz toda a diferença, seja nos inúmeros detalhes do estilo Federer ou nas pequenas coisas do nosso dia a dia. Convidada para acompanhar a final de Wimbledon aqui em casa, minha irmã chegou abraçando a uma caixa de morangos. Graúdos e vermelhos, um dos melhores que tive a oportunidade de comer, sendo eu um fã deles, tendo até os plantado em minha horta.

Para os novos fãs do tênis, ou os não tão ambientados com a história de Wimbledon, uma das tradições mais vinculada ao evento são os morangos com creme servidos no local. Ir ao All England e não sentar para comê-los é como ir Rio e não conhecer Ipanema.

Comemos nossos morangos, repetimos mais de uma vez durante a transmissão, e nos acomodamos para acompanhar a histórica partida. Como deve ter acontecido em diversas casas, tínhamos uma torcedora do Federer, Vera, minha irmã, que foi semifinalista do torneio juvenil na grama sagrada, uma torcedora do Murray, minha mulher, isso após considerar fatores culturais e tradicionais, e eu, que queria ver o circo pegar fogo, imaginando que, independente do vencedor, o Tênis estava bem servido.

A quebra de serviço que Murray conquistou logo no primeiro game deu ao escocês combustível para colocar fogo na partida. Por quase dois sets me fez pensar que, talvez, fosse a diferença na partida. Sem a pressão natural de quem carrega as expectativas de uma nação com seu orgulho ferido a mais de setenta anos, e jogando o seu melhor tênis, contra atacando com a conhecida qualidade e, aquiescendo o que todo fã do tênis pede encarecidamente, Murray atacou sempre que a situação se apresentou. Com essa perigosa combinação, ele deu esperanças a todos seus fãs e nos presenteou com uma apresentação de gala, obviamente, não vamos perder o foco, como mostrou o resultado final, sendo coadjuvante da estrela do dia, que, pelo menos no início, pareceu não querer estragar a festa dos anfitriões.

Hoje Federer não foi Federer. E com isso quero dizer que, tirando aquele primeiro game, que deve ter acendido todas as luzes amarelas na Suíça, o Mestre simplesmente não se permitiu à suas célebres viajadas. Tiveram até horas que pensei – será que agora vem? Não vieram, para a frustração local.

Como quase toda partida em cinco sets, a final teve mais de ato. O primeiro durou até o 2×2 do 2º set, quando Federer, após perder o 1º set, teve que defender dois break points, indo à rede e escapando do que foi seu momento mais delicado. Um set e um break acima dariam ao britânico a confiança para administrar a vantagem até o final, pelo o que apresentava até então.

O terceiro ato foi o mais eletrizante, até porque foi um dos definidores da partida. Teve seu ápice no 5×6, quando Murray errou uma direita fácil no 30×15, mostrando que a hora da onça beber água ainda separa os meninos dos homens. Os últimos dois pontos do set foram trocas de bolas incríveis, em ambas vezes Federer decidindo junto à rede, o que é um tanto impróprio para um recebedor na grama.

E aí foi a diferença. No 1º set Murray foi agressivo, de ambos os lados em todas as oportunidades que apareceram. Ele batia a direita caindo em cima dela, aproveitando a inércia para ir à rede no revés de Federer – parecia outro tenista do que nos acostumamos amaldiçoar. Fazia isso até com o revés, o que não é tão natural. A partir da metade do 2º set, o escocês começou a colocar mais uma bola do outro lado – vocês conhecem o cenário – ao invés de ir para o pescoço, algo aproveitado pelo suíço para deixar claro quem é quem.

Eu ia escrever que Roger só faltou fazer chover, mas nem isso faltou. O penúltimo ato da final foi o mais breve e começou logo após os tenistas voltarem à quadra, depois da partida ser interrompida, por mais de ½ hora, pela chuva no 1×1 do 3º set e o teto ser colocado. O momento crucial desse ato, e definidor de quem deixaria o palco como laureado do dia, foi o sexto game do set, com Murray sacando em 2×3. Esse será o game com que o britânico vai sonhar com nos próximos meses.

Murray abriu 40×0! No 40×30 Federer deu-lhe uma curtinha, que ele chegou, escorregou e se esborrachou na grama. Um momento tenso, que senti um certo clima, ou a ausência dele, na maneira com que Federer virou as costas sem esperar mais delongas de Murray. O caldo engrossou de vez, no que acabou sendo o game da partida, com BP (5) e vantagens (4) se alternado, até a quebra do serviço escocês se concretizar. Até o fim desse set Murray ainda tentou a quebra de volta, mas não era mais o mesmo tenista e Federer não estava disposto a lhe oferecer piedade alguma.

O quarto set foi Roger em seu melhor cenário. Com a vantagem, seguro e confiante, soube administrar as tentativas de voltar ao jogo de Murray, que, a essa altura, se esquecera de como jogara no início. Para piorar as coisas, quando Murray finalmente foi à rede, já na bacia das almas, em um BP, no 2×3, levou uma passada de esquerda cruzada, antecipada corretamente pelo Mestre, que vai lhe causar pesadelos.

Os dois continuaram nos proporcionado momentos mágicos, mas enquanto a intensidade emocional de Murray drenava irremediavelmente a confiança de Federer exalava. Com a classe que os deuses lhe deram, e sem as viagens que os mesmos lhe impuseram para propiciar um mundo mais justo, Federer venceu seu 7º Wimbledon e o 17º GS da carreira. O tênis tem, mais uma vez, um não tão novo #1 do mundo. E o Tênis não poderia estar mais bem servido, mesmo que ao custo da felicidade geral da nação que inventou tão magnífico esporte.

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sexta-feira, 6 de julho de 2012 Tênis Masculino | 19:42

A Grã Bretanha terá a sua final dos sonhos

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E o MalaMurray derrotou o francês Tsonga e está na final de Wimbledon. O primeiro a fazê-lo desde 1938 quando Bunny Austin bateu o alemão Henner Henkel. Domingo ele enfrenta Roger Federer, a princípio às 10h, para se tornar o primeiro britânico a vencer em Wimbledon desde Fred Perry em 1936 (ele venceu três anos seguidos).

O agito e interesse que essa partida causará na Grã Bretanha nos próximos dias é algo inimaginável para os fãs do tênis brasileiros e mesmo de outros países. Pensem no Brasil em uma final da Copa do Mundo, jogando em casa, sem vencer desde 1936. O Primeiro Ministro Cameron já avisou que vai assistir e a corrida por ingressos pelos meros mortais a partir desta noite vai ser frenética. Até a lista da Royal Box vai tirar o sono do pessoal do All England e da Federação.

Só para terem uma ideia, esta manhã, mesmo antes de Murray vencer, uma cadeira cativa dos donos de debêntures, um dos melhores lugares da quadra, com direito a estacionamento e lounge e que podem ser vendida legalmente, estava sendo negociada a 45.000 Libras – aproximadamente R$140.000,00 – é isso mesmo, não tem zero a mais! Essa será uma que até os pegadores de bolas contarão para seus netinhos.

Murray na época que usava as roupas da marca Fred Perry.

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domingo, 1 de julho de 2012 Tênis Masculino | 11:41

Pipocas

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Finalmente os ingleses chegam a um bom termo com seu teto na Quadra Central. Encostando no que antes era o limite do horário dos jogos, eles agora não tem receio de invadir a noite com sua programação. Resultado – ontem o jogo do Federer invadiu a hora do jantar e todo mundo adorou. O único senão, que também vai virar padrão na cabeça dos tenistas, é o fato de que, a um certo ponto da partida, o jogo será interrompido, por cerca de meia hora, para colocarem o teto. Zuzu bem!

Mas os ingleses não deixam de ser ingleses totalmente. O negócio todo tem uma pegadinha. Às 23h, dizem eles impreterivelmente,  o jogo para, independente do placar. A não ser que esteja em quadra o Murray, aí pode parar às 23.04h, como aconteceu hoje. Digo isso porque no jogo da Errani, no início da semana, os malucos suspenderam a partida no match point! As tenistas voltaram no dia seguinte, a adversária sacando, e acabou com uma dupla falta. Juro, um cara que faz uma decisão dessas tinha mais é que trabalhar vendendo pipocas no circo e olhem lá!

Para completar, hoje é o chamado Domingo do Meio – ou seja, não há jogos, conforme a tradição do torneio. O Blog trará algo diferente para vocês, mas jogo só na 2ª feira.

Murray caiu e levantou. Baghdatis caiu de vez.

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quinta-feira, 14 de junho de 2012 Olimpíadas, Tênis Masculino | 11:54

Ohh céus…

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É fato que a grama iguala o jogo, mas também não era para tanto. Os Andys serem derrotados na 1ª rodada de Queen’s foge um pouco demais ao esperado.

Roddick, derrotado por Roger Vasselin 6/4 4/6 7/5, vem flertando com o açoite já faz algum tempo. Daqui a pouco entrará em quadra com apetrechos de couro. Não tem mais a mesma pegada e na mesma proporção que sua técnica e resultados saltitam em direção ao brejo, afina o sarcasmo e as tiradas pseudos inteligentes quando confrontado com os resultados. Tenistas nunca gostaram de confrontos vindos de jornalistas. Quando perde então ficam mais sensíveis. Como não podia deixar de ser, a toda derrota, e elas se tornaram frequentes, Roddick é inquirido sobre a aposentadoria. Mais de uma vez foi rude. Na melhor das hipóteses sai pela tangente, o que deixa a questão em aberto e um campo fértil para a especulação. Na derrota de ontem o americano sacou 79% de 1º serviço em quadra, o que é excelente, especialmente na grama, onde o saque fala alto. Perdeu porque está fora de forma, algo que andou jurando de pés juntos em Miami resolveria até a temporada de grama, e porque não tem mais a mesma determinação, em quadra e fora dela, de antes. Um dia esse quesito terá o reconhecimento de sua importância na vida, no esporte e no tênis.

Esse mesmo quesito tem sua importância na derrota de Murray para Nicolas Mahut por 6/3 6/7 7/6. Mahut é um dos bons voleadores do circuito, o que ajuda na grama. Se bobear ele leva. Murray bobeou, para variar. Além disso, o escocês desce em Heathrow e começa ter ataque de ansiedade ao passar pela primeira banca de jornais – e como tem banca, e jornais, na Grã Bretanha. Não é segredo nenhum que sou fã do talento e habilidades de Murray. Mas ele rema com um vigor alucinante na direção contraria do que seria bom para ele, o que torna sua vida um inferno desnecessário. Talvez seja algo acima de suas forças, talvez seja os deuses sendo irônicos, talvez ele seja teimoso. Sei lá. O fato é que seus fãs tem que ser piratas de um olho só. Um olho aberto para seus talentos e habilidades e um bem tapado para suas lamurias, expressão corporal, negativismo. Um chato de raquete em punho, que ainda foi lá e contratou aquela “simpatia” em forma de técnico Ivan Lendl, que a esta altura deve estar se questionando em N formas, e que pouquíssimo, se em algo, acrescentou ao tênis do Hardy das quadras.

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