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quarta-feira, 27 de novembro de 2013 Tênis Brasileiro | 14:27

Piso e bolinhas

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Leio na internet uma discussão sobre artigo em blog brasileiro que afirma, baseado em dados de um blog americano (heavytopspin.com), que a quadra do Brasil Open é a mais rápida do circuito ATP.

O tal blog americano mostrava, com razoável lucidez, números e raciocínio baseados unicamente em aces – serviços onde o recebedor sequer tocou na bola. Baseados em tais números, o blog americano afirma que o torneio de São Paulo é o mais rápido do circuito ATP, algo muuuito diferente de alguns leitores que a quadra do torneio de São Paulo é a mais rápida do circuito, um non sense sofazista.

Devemos lembrar que o evento de São Paulo é organizado pela empresa que então administrava a carreira de Thomaz Bellucci. O tenista teve seus melhores resultados em quadras de saibro em cidades de altitude (ex; Gstaad), onde o evento fica bem mais rápido do que os jogados à altura do mar.  Na ocasião, e nada de errado nisso eticamente, eles tentaram deixar o evento bem ao feitio do tenista.

Só que a coisa não foi bem administrada e o tiro se não saiu pela culatra não foi ao alvo. Primeiro que o piso não ficou, nem de longe, como eles gostariam e pagaram para tê-lo. Com o erro de colocar um plástico por debaixo do saibro ficou mais instável do que deveria. Mas nada que impedisse Rafael Nadal de vencer. Quem é bom não chora, mama.

O que realmente deixou o evento “rápido” foi a bolinha usada. E, novamente, não necessariamente a bola era ruim. Em outros tempos, de sacadores e voleadores, seria considerada ótima. Em tempos de tenistas que só vão à rede para trocar de lado ficou uma choradeira danada, liderada por um técnico espanhol, que são ótimos em quererem as coisas só como eles querem, técnico do italiano Fabio Fognini, o rei dos chorões.

E foi a bolinha, junto com a altitude, mais o crucial fato de ser indoors, que deixou o torneio rápido, não a quadra. Lembrando, São Paulo fica a 600m de altura, enquanto boa parte dos torneios da ATP acontece à altura do mar, ou bem próximos disso.

Em 2014 Bellucci não mais escolherá a bolinha e duvido que usem a mesma. O erro da quadra não mais se repetirá. Quanto à altitude da cidade e o fato de indoors não haverá mudanças, óbvio. Mas com uma boa escolha de bolinha eu duvido que São Paulo manterá o recorde, além de poder deixar o torneio mais semelhantes aos outros do circuito sul americano, se assim quiserem. Mas o pior mesmo é que Bellucci não aproveitou a oportunidade.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:22

Um bom dia

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Esta quinta-feira promete ser um prato cheio para o fã do tênis brasileiro. Quem tem ingresso verá ao vivo e a cores. O resto pode assistir pela TV e tanto a SporTV como BandSports estão presentes.

A rodada de hoje completará a rodada das oitavas de final e tem jogo para todos os gostos. Apesar de a maioria sofasista restringir o gosto pelo óbvio, e o óbvio deste evento é, óbvio, Rafa Nadal. Ele entrará no Ginásio do Ibirapuera não antes das 20h.para enfrentar o paulista João “Feijão” Souza.

Antes teremos, às 12h, Monaco X Bolelli, que deve ser um jogo interessante; o italiano é imprevisível e Monaco começou o ano da mesma maneira.

Almagro deve bater Capdville com facilidade, mas é sempre interessante ver jogo plástico e vistoso desse espanhol.

Não antes das 17h, Bellucci encara o mão mole Volandri, reedição de confronto do ano passado. Bellucci, pressionado, quer a vingança para ter a chance de jogar contra o AnimalNadal em casa. Chance que dificilmente acontecerá novamente, a não ser nas Olimpíadas.

Rafa abandonou as duplas ontem e o publico chiou quando descobriu. O anuncio oficial aconteceu após o jogo do Chardi, l´pelas 22.30h. Nos tempos atuais de redes sociais e celulares, boa parte do publico descobriu durante o jogo do Chardi. Teve um gaiato que começou a berrar lá no ultimo anel que a organização deveria informar da desistência. Tem cada um. Ele queria que interrompessem a partida para fazer o anuncio? Com seus berros ele interrompeu – os tenistas ficaram olhando com aquela cara de “quem é o mala” – mas poucos entendiam o que ele tanto berrava.

O joelho do Nadal parece não estar novinho em folha – às vezes parece que lhe dói. Hoje vamos ver melhor. Mas não deve ter sido só isso a razão do abandono das duplas.

Primeiro que o Nalbandian estava espumando e reclamando das quadras e bolas. Até aí nenhuma novidade. Pode reclamar das quadras, que não estão boas, mas não das bolas, que são oficiais. Além disso, descobriu, depois que quase perdeu para o qualy Aguiar, que lhe colocaram para jogar na Quadra 2, a pior delas. O cara deve ter xingado todas.

Não deve ter sido difícil ele e Nadal chegar à mesma decisão. Rafa entraria em quadra ontem quase 23h. Para jogar duplas? Ia dormir que horas? Não seria ele que convenceria Nalba de jogar as duplas.

A ATP não protege mais os torneios e o publico como fazia. Antes se um jogador saísse das duplas alegando contusão teria que sair também das simples. Hoje as estrelas mandam e as duplas valem cada vez menos. Mas, o que vale; temos uma bela quinta-feira de jogos!

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013 História, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:47

Regras e exceções

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Nunca se sabe com certeza ao que o leitor vai se apegar em um Post. No ultimo, um detalhe que agarrou a atenção foi a óbvia discrepância na soma publicada dos tenistas que estarão na chave do Aberto do Brasil – lá ia eu novamente escrever Aberto de São Paulo…

São 19 tenistas inscritos e confirmados na chave principal, quatro jogadores que ganharão seus lugares na chave principal passando pelo torneio de qualificação, onde geralmente são obrigados a vencer três partidas em três dias, e três convidados do torneio que podem, teoricamente, ser o rei dos pangas se o diretor do evento quiser – não existem parâmetros escritos para estes e sim parâmetros do bom senso. Faltam dois, alertaram os mais atentos, já que a chave principal do evento é de 28 e não de 32, 48, 64 ou 128 tenistas como estamos habituados a ver.

Antes de atacarmos os dois que faltam, falemos sobre o fato de ser 28 e não 32, como durante anos foi o padrão e uma das trincheiras inegociáveis da ATP. Chaves de 28 só são permitidas, a opção é do dono do evento, em ATP Tours 250. A razão mais óbvia é que há menos tenistas para se distribuir o dinheiro, sobrando mais para quem está dentro, o que torna o evento, o menor do circuito ATP, mais interessante. Outra razão é que dá uma colher de chá aos quatro cabeças de chave principais. Assim eles podem chegar mais tarde e jogar uma partida a menos – um incentivo aos cachorrões em participar de um evento menor. Não chega a ser uma razão, mas um efeito colateral agradável, a diminuição dos custos para o organizador com quartos de hotéis, alimentação e transporte local.

Quanto aos dois lugares que falta na soma de 19+4+3 (26) são os chamados Special Exempts (Exceções Especiais). Isso foi algo que a experiência do circuito mostrou ser uma necessidade para se criar uma exceção. A ATP guarda dois lugares para o caso, raro, mas não tão raro, de um tenista inscrito, que esteja fora da lista dos diretos na chave principal, consequentemente ainda na lista do torneio de qualificação, e para isso sejam obrigados, pela regra, a estar presente no local na 6ª feira à noite.

No entanto, se ele estiver jogando um evento na semana anterior e estiver ainda na chave de simples (nas duplas não vale) no sábado, ele segue jogando esta semana e ganha o acesso à chave principal através de um dos special exempts (Podemos dizer que nesses casos, um tenista que esteja nas 4as de final e no qualy da semana seguinte, tem dupla vitória se consegue vencer a partida – uma pressão a mais para o coitado.) Detalhe: o tenista só pode requisitar um SE para um torneio igual ou de menor premiação ao que está jogando.

Se não houver o acontecimento de nenhum SE, como geralmente não há, esses dois lugares são dados aos dois próximos tenistas a entrarem direto na chave, e que, teoricamente, teriam que jogar o qualy. Assim sendo, na verdade são 21 lugares para tenistas que entram direto, 04 que passam pelo qualy e 03 convidados. Mais uma exceção; são dois SE somente para ATP250 e Challengers, para os outros torneio há somente lugar para SE. Se tiver mais de elegível, entra o com o melhor ranking.

As regras e exceções são sempre inúmeras e não são só os leitores que as desconhecem. Muitas vezes o próprio profissional arruma confusão sem saber as regras e os detalhes, até mesmo dentro da quadra. Mas isso já são outras histórias.

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro | 12:13

O ginásio

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Com a presença de um ATP Tour em São Paulo, a maior cidade do país, e o sucesso que ele acabou por se tornar, algumas considerações podem ser feitas nos próximos dias por mim e os leitores.

Existem mais fãs do tênis do que se dá o crédito por aí. O que talvez exija um mea-culpa geral, inclusive dos organizadores do evento, que demoraram em trazer o torneio para aonde ele sempre deveria ter estado.

Na mesma linha, poucos dão crédito ao esforço, o arrojo e o sucesso da organização do Aberto do Brasil. O evento foi de competência ímpar e mostrou que a cidade está pronta para eventos ainda maiores. Isso não quer dizer que não possa melhorar. Pelo contrário. Os organizadores sabem disso e já tem em seu radar várias mudanças para 2013.

Espero que o governo, responsável pelo Ibirapuera, também entenda a sua responsabilidade. Não é possível que uma cidade como São Paulo viva no tempo do onça em termos de hospedar esporte e entretenimento, por conta de uma infraestrutura do quarto mundo há muito defasado, em uma época onde a nossa principal cidade rival em eventos no país recebe bilhões para colocá-la no patamar do que existe lá fora.

Em termos crus e realistas, o Ibirapuera, mesmo após a maquiagem que recebeu, se compara, por exemplo, com uma Arena O2, local do Masters em Londres e inúmeros outros eventos, como uma birosca de beira de estrada se compara com um hotel 5 estrelas de Londres ou mesmo São Paulo.

Se o governo, tanto do Estado como da Prefeitura, não tiver a sensibilidade e a perspicácia de entender a situação, a cidade de São Paulo pode ser relevada a coadjuvante nos próximos muitos anos, em um cenário que atrasará tanto nosso Esporte como a Cultura e, principalmente, a economia, já que, como vimos, se um esporte dito de elite consegue lotar três dias seguidos um local para 10.000 pessoas, imagine um local digno, com instalações adequadas, restaurantes e lanchonetes condizentes, ar condicionado central, estacionamento para todos sem ser um roubo e sem bandidos “tomando” conta dos carros nas ruas próximas enquanto a polícia fecha os olhos, bilheterias em numero correto e com pessoas preparadas para atender pagantes, infraestrutura para receber eventos paralelos durante os eventos principais, acústica para os mais distintos eventos, assentos condizentes com preços que podem ser cobrados e todo o resto que se espera do principal ginásio de uma das maiores cidades do mundo.

E para quem acha que isso é impossível, é só lembrar o que aconteceu com os restaurantes da cidade nos últimos anos e, principalmente, com os cinemas, que hoje recebem um ticket médio mais de 10 vezes do que recebiam quando insistiam em oferecer pocilgas ao invés de cinemas.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 O Leitor no Torneio, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:57

Pipocas

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Cheguei mais cedo ontem no Ibirapuera. Aproveitei que o dia foi interrompido por um almoço com o amigo Carlos Kirmayr para enforcar o resto da tarde. Em São Paulo o público diurno ainda é menor do que o noturno. Sempre me questionei em como os franceses enchiam as arquibancadas de Roland Garros às 3h da tarde. Os meus primeiros pensamentos eram que é um povo rico, e pode se dar ao luxo, acrescentado ao fato que sabem colocar suas prioridades em ordem. É incrível como as pessoas permitem que o trabalho atrapalhe o seu tênis.

Aproveitei para dar uma volta nos stands externos, onde vi o pessoal deixando o braço para ver quem saca mais rápido – parece que cada um dos patrocinadores colocou uma dessas gaiolas com um radar para o pessoal se comparar ao Karlovic. A falta de imaginação continua assolando o planeta. Vários deles uniformizados, o que me faz pensar que são tenistas fanáticos, algo que o Ibira está cheio, o que é ótimo para o evento – “more power to tennis players end less to sofasistas!”

Orientado pelo inconfundível cheiro de pipoca entrei no stand do Banco do Brasil, onde, dentro de uma gaiola de vidro, vi uma moça, uma mesa e as pipocas. Enquanto marchava para lá, outra moça, atrás de um balcão, se desesperava me perguntando “posso ajudar, posso ajudar?” Eu sabia o que ela queria e ela não tinha nada do que eu precisava. Perguntei para a de dentro se podia pegar um saquinho, enquanto esticava a mão cheia de dedos e desejo, ao que ela me respondeu que a pipoca era para quem se habilitava para um cartão de crédito. Enquanto saboreava as primeiras, que nem tão quentinhas estavam, instiguei a nissei que me questionava a falar sobre a oferta. Ela começou a me dar aquele malho treinado, enquanto eu fazia comentários interesados e divagava o meu olhar para fora em busca de novos interesses. Com toda a simpatia, perguntei se poderia ir lá fora dar uns saques, enquanto engolia mais alguns milhos explodidos e deixava a claustrofóbica salinha. Já desarmada e provavelmente contemplando a iminente possibilidade de se encontrar mais uma vez a sós na gaiola, ainda tentou me lançar com o pedido de uma doação ao Instituto Kuerten, o que achei generoso da parte dela, para com ele, mas a minha atenção já fora desviada pela curiosidade do preço de um saquinho de pipoca e os esforços necessários por consegui-lo.

Logo depois encontrei o leitor Flávio “Barão”, acompanhando de sua fraunlein, que me avisa que no sábado será o proprietário de um camarote junto com a musa Maysa. Conversamos um pouco enquanto eu aguardava o Pedra, pai de Andre Sá para rápida conversa, que me contou sobre as vantagens e desvantagens de morar em uma fazendo sem internet. Em seguida fiz rápida visita à área reservada da organização e dos tenistas. A conversa mais longa foi com Dani Orsanic, treinador argentino de Thomaz Bellucci. Conversamos sobre o jogo maluco do dia anterior e sobre o que vem pela frente no seu trabalho. Na devida hora falarei mais sobre o assunto.

Ainda eram quase 5 da tarde e David Nalbandian estava sentado, uniformizado, comendo uma manga, conversando com amigos argentinos – mal sabia ele que ainda teria que esperar mais de 6h para entrar em quadra. Não foi à toa que poucas vezes vi o ex-pança – ele me pareceu bem mais magro, inclusive no rosto, o que ressalta a sua riqueza nasal – tão focado em partida. Ele acabou com o francês Simon, cujo técnico, o ex-top 10 Tulasne foi um dos meus interlocutores no local, antes que entrássemos irremediavelmente pela madrugada, que era o que se temia. Mesmo assim, um bom público ficou acordado para ver o talentoso Hermano eliminar o cabeça #2 por 6/2 6/3 fora o baile.

Fui questionado pela ordem dos jogos por algumas pessoas, que assumem que o Diretor do Torneio é algum idiota. Conversei com ele, Luiz Felipe Tavares, e lembramos que 40 anos atrás realizamos os primeiros grandes torneios de tênis no Brasil, o WCT, naquele mesmo ginásio, onde estiveram, entre muitos outros, Laver, Emerson, Borg, Ashe.

O organizador me contou que a feitura da ordem dos jogos é um cabo de guerra diário. Desde sempre, a ATP cede para alguns diretores de torneios que tem força e influencia nas Américas e Europa e desconta para cima dos outros. Para cá a força da lei, para lá o olhar condescendente dos pares geográficos. Só para se ter uma ideia, a realização da ordem de hoje exigiu toda a habilidade de negociação por parte do diretor do torneio, para podermos ter Bellucci no horário nobre, o segundo jogo da noite. Mesmo assim, corre-se o risco de termos o cenário de ontem, quando o horário nobre foi dominado pelo sonolento confronto entre Chardi e Mayer após o Verdasco alongar seu jogo ao extremo. Mas, pelo menos, amanhã é sabadão e o publico não tem que acordar cedo.

Tavares também me contou que para ontem alugou containers para amenizar o problema das bilheterias, algo que os leitores aqui no Blog alertaram e que foi levado a ele. A infraestrutura do Ibirapuera é extremamente carente e precária em vários pontos, a maioria longe dos olhos do público. Mas um deles, o das bilheterias, atinge o publico pagante em cheio. É mesmo desagradável, e desrespeitoso, ficar um tempão para se comprar o direito de se acompanhar um espetáculo. Ele me assegurou que isso já foi amenizado. É algo também que o governo do Estado, dono do complexo e parceiro do evento, deve ser priorizar em eventos que buscam acolher um público numeroso e bem pagante.

Nalba – correndo para não entrar na madrugada.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:46

WC

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Ronda uma certa polêmica em torno das escolhas dos convidados do Aberto do Brasil que começa este fim de semana. Alguns sites levantam a questão – do porque Rogério Silva não foi convidado – assim como alguns dos meus leitores pedem um Post a respeito. Bem, nada como uma pauta sugerida e oportuna.

Os “wild cards” foram “inventados” para “proteger” e “ajudar” os eventos nas contingências do circuito. Uma, que nem todos os tenistas “obedecem” a regra da ATP de se comprometer com o evento 42 dias antes do início. 95% deles o fazem, mas tem sempre uma mala que gosta de maltratar.

Um dos convites do Brasil Open vai para o atual campeão do torneio, Nicolas Almagro, que não se inscreveu na data. Por que? Só perguntando para o rapaz. Pode ter sido porque esqueceu, porque estava em duvida se viria ao Brasil, onde conquistou dois de seus dez títulos, o que explicaria a dúvida, ou, talvez, porque essa é uma maneira de blefar e conseguir uma “garantia” mais polpuda dos organizadores, que não gostam de ficar sem seu campeão.

Outra contingência é trazer tenistas que realmente não estavam decididos jogar o evento e que podem mudar de ideia com um agrado e um WC. Outra ainda é poder convidar um tenista de nome que esteja fora da lista final – o caso do chileno Fernando Gonzalez, que viu seu ranking despencar por conta das contusões que o afastaram da quadra. Ex-top 10 e finalista de Grand Slam, e um dos grandes nomes do tênis sul-americano da década, Fernando e sua direitaça farão uma diferença para o espetáculo.

Não podemos esquecer que a preocupação maior dos organizadores é com o publico que ajuda a pagar o evento. Com a saída do torneio do Sauípe não precisa ser um gênio para entender que a bilheteria passar a ser um fator importante para pagar as contas e satisfazer os patrocinadores, além de agradar os fãs. As vendas dos ingressos provam isso – talvez até para a surpresa dos organizadores que, talvez, se perguntem por que não o fizeram antes. Já imaginaram esse evento em São Paulo com Gustavo Kuerten?

Uma outra preocupação dos eventos é com a nova geração de tenistas, que sempre pode fazer bom uso de convites para tais eventos. Não que sempre o façam quando os recebem e jogam. Tiago Fernandes foi oferecido um convite logo após vencer na Austrália e assim mesmo seu técnico recusou, preferindo que ele fosse para o qualy. Talvez uma oportunidade mais lógica.

Mais um critério dos organizadores é com os seus inúmeros compromissos para com o sucesso do torneio. Para se realizar tal evento, que custa muitos milhões, é necessário muito mais do que a inocência e desinformação da maioria imagina e muitos acordos devem ser feitos pelo caminho.

Não sei quem receberá o terceiro e ultimo convite do Aberto do Brasil. Devem segurar até o ultimo instante para ver se aparece um daqueles casos acima mencionado. Se não, vão para seu próximo critério de escolha.

Quanto a Rogério, um tenista de 28 anos, dificilmente se encaixa no critério de novos valores. Se encaixa como o primeiro brasileiro fora da chave, cuja presença também seria interessante para a torcida, assim como a de outros brasileiros. Mas os organizadores devem ter a sua ordem de prioridades e critérios e, é bom lembrar, o qualy do torneio não é nenhum bicho de 7 cabeças – mas a melhor oportunidade para os tenistas locais medirem suas forças com adversários, por um lugar ao sol, e com a ajuda de sua torcida. E, pelo que sei, Rogério está acostumado a dificuldades e não é de fugir da luta.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:02

Cobras no Ibirapuera

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A organização do Aberto do Brasil, que este ano será realizado em quadras de saibro construídas no complexo Ibirapuera em São Paulo, para a alegria de muitos e a tristeza de alguns, divulgou a lista do inscritos no evento.

Essa lista fecha 42 dias antes do início dos jogos. São os tenistas que fazem a inscrição – a maioria usa seus agentes para realizá-la. A ATP coleciona as inscrições e divulga a lista. Ela deixa espaço para convidados do evento e para os tenistas que veem da qualificação, que é um evento per si.

A vinda do evento coloca de volta a cidade de São Paulo no mapa do tênis oficial mundial, e que frequentou com galhardia nos anos setenta, com o WCT, no mesmo Ibirapuera, nos anos oitenta, com o evento na CPT (o qual fui o promotor junto com meu sócio Paulo Ferreira) e nos anos 90 com eventos nos jardins do Parque do Ibirapuera, no Hotel Transamérica e no Clube Pinheiros. Fico imaginando quantos dos meus leitores frequentaram parte ou todos esses?

A lista é a mais forte do evento desde os tempos áureos de Gustavo Kuerten. Têm Nalbandian, sempre uma força e um talento, Simon, o “king paparra” e o melhor rankeado (#12), Verdasco, que viu seu ranking despencar para #24 em dois meses, a farra deve estar grossa, o elegante dorminhoco Chela, o operático e por vezes quase aposentado Tommy Robredo, o ex- #1 e melhor direita do circuito, e eterno quase aposentado JC Ferreiro, e outros não tão estrelas como Potito Starace, Montanes, o interessante Giraldo e outros. Isso sem mencionar os dois brasileiros direto na chave, Ricardo Mello e Thomaz Bellucci, que alguns já afirmam ser o favorito. Até poderia ser, se imbuído do espírito correto e necessário para se vencer em casa. Tênis para tal ele tem, veremos o resto. Torcida ele terá, inclusive a minha, para o desespero de alguns que frequentam este Blog.

A presença dessas estrelas deve ter custado alguma$ coisas para os organizadores. Só espero que com a proximidade do torneio não aconteçam desistências. Os convites (4) devem ser distribuídos entre tenistas brasileiros – mas a organização deverá esperar para anunciar os últimos na bacia das almas, na esperança de que algum não inscrito arrependido peça um convite, e que poderá ser atendido, desde que seja um nome relevante.

Conhecendo a organização da Koch-Tavares, o torneio deverá ter um bom padrão no quesito de organização e atendimento ao público, até porque, com Copa do Mundo e Olimpíadas, o padrão dos nossos eventos deverá ser de acordo com o que já acontece nos melhores eventos internacionais.

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011 Copa Davis, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro | 19:10

Paixões

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Antonio Torello era um italiano de Genova mais paulistano do que a maioria dos nascidos em São Paulo. Mais do que uma coisa ou outra era um apaixonado. Apaixonado por tênis, por motos, por gadgets, por golfe, por negócios. Mais do que por qualquer dessas coisas, era apaixonado por pessoas. E por isso era apaixonado pela vida.

Leio o parágrafo acima e a única coisa errada que encontro é o tempo do primeiro verbo.

Meu relacionamento com ele não tem mais data. O Torello sempre esteve presente. Tivemos inúmeras aventuras juntos. Negócios que rolaram, negócios que não rolaram. Almoços e jantares regados a muita conversa, muita conversa sem jantares e muitos jantares e conversas que não aconteceram e deveriam ter acontecido.

Lembro do Torello na cadeira de juiz, e eu na de técnico, no Clube Sírio, em 1978, no confronto Brasil x Argentina pela Copa Davis, assim como no confronto Brasil x Chile no mesmo local e ano. Ele tinha uma ótima foto, que eu também tenho, do fim deste confronto, onde ele está do alto da cadeira de juiz, atento, enquanto um pegador de bola celebra nossa vitoria dando um pulo como se tivesse molas nos pés.

Ele gostava da Davis. Fez questão de ser o homem da CBT na nossa histórica vitória contra o Uruguai, em Montevidéu, em 1987, quando derrotamos os adversários por 3×2. Pela primeira vez tivemos um “cartola” que era, acima de tudo, nosso companheiro.

Como gostava também de carros, lembro dele jogando tênis com o Airton Senna na quadra central do Harmonia. Lembro dele andando com aquelas motos enormes, sua grande paixão – que eu sempre brincava do porque elas tinham que ser tão grandes?

Estive também no Chile e na Argentina com ele. À Ilhabela, que ele tanto gostava, e à Praia Preta. No Harmonia e no Sauípe. Vi o filho dele, o Rodolfo, crescer, mesmo à distância. Tornou-se um homem e o Torello vivia babando ao contar as histórias e os feitos dele, assim como da filha Isabel.

O Torello vendeu bolinhas de tênis, a PZM, e raquetes de tênis – a Kneissel, que eu arrumei na Áustria, junto com o amigo Kirmayr, para ele fabricar aqui. Vendeu gadgets e brindes também e sabe Deus o que mais. Não aguentou e voltou a trabalhar com o tênis, na Koch-Tavares, onde estava há alguns anos, fazendo algo que adorava. Usando seu charme e conhecimentos para tornar negócios e sonhos realidade.

Antonio Torello se foi. Se pudesse escolher acho que teria escolhido como foi. Vivendo uma paixão. Um dia após o anuncio da transferência do Brasil Open para São Paulo subiu em cima de uma moto e, junto com o irmão e amigos, invadiu a Argentina. A chuva, uma estrada ruim, um buraco sorrateiro e em um instante o Torello se foi.  Paixões podem ser perigosas. Mas ele sempre acreditou que há que vivê-las.

Antonio Torello, terceiro à esquerda, e amigos invadindo a Argentina.

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quinta-feira, 24 de março de 2011 Tênis Masculino | 00:55

No saibro

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Após o jantar à beira mar, onde a vista e a temperatura estavam ainda melhor do que a minha pasta, caminho em direção ao som da música vindo do outro lado da marina, quando ouço o chamado de um velho amigo. Alvaro Fillol jogou tênis na época do Carlos Kirmayr, esteve em São Paulo jogando duplas pelo Chile em 1980, em um célebre confronto de Copa Davis realizado no estádio do Clube Sírio com vitória brasileira e time liderado por Thomas Koch e Kirmayr.

Atualmente Alvaro, e seu irmão Jaime, que foi top 10 durante anos e um dos primeiros presidentes da ATP, são donos do ATP Tour do Chile, realizado em Santiago e vencido pelo Thomaz Bellucci em 2010.

Alvaro está em Miami para uma das reuniões anuais de donos de torneio, onde são conversado os mais diversos assuntos referentes ao circuito. Segundo o chileno, a ATP vetou qualquer mudança de piso no circuito da América Latina, conforme era o desejo da vários deles, inclusive Brasil e Chile.

O espanhol Rafael Nadal, vice-presidente da ATP, veta qualquer conversa de mudança de piso no circuito, pelo menos de saibro para qualquer outro piso. Apesar de não jogar o circuito, Nadal usa de sua musculatura, com certeza ouvindo conterrâneos, para conter o progresso de qualquer conversa sobre o assunto.

É bom lembrar dois episódios de alguma maneira coligados a este tema.

No fim dos anos setenta, tenistas americanos usaram de sua influencia para acabar com o circuito de saibro dos Estados Unidos. Eles queriam, e conseguiram, que o eventos do verão americano se transformassem em quadras rápidas, o que culminou com a construção do novo complexo em New York, já que as quadras do complexo anterior, em Forest Hills, haviam sido trocadas para saibro. Os americanos se rebelaram porque tenistas como o argentino Vilas e o espanhol Orantes começavam a fazer a festa em solo americano.

Quinze anos atrás os europeus, liderados pelo então presidente da ATP e um dos melhores tenistas do mundo, Alex Corretja, conseguiram, após muita dificuldades, se reunir, se rebelaram e começaram a acabar com as quadras rápidas, especialmente os carpetes indoors. O saibro e, principalmente, as quadras duras lentas, tomaram conta do circuito.

Por toda a luta envolvida – ela foi enorme e na base do mano a mano nos vestiários mundo afora – para se realizar as mudanças, há uma enorme pressão em não se abrir mão do território conquistado.

Por isso, agora é oficial. O circuito da América Latina continuará no saibro. Pelo menos nos próximos dois anos. Depois disso, só Deus sabe.

Alvaro Fillol, ao centro, com Ricardo Cano e Jaime Fillol em uma quadra de saibro.

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:35

Gregos e troianos

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Os torneios da América Latina estão, mais uma vez, em crise de identidade. É duro viver fora do eixo das coisas do mundo.

O circuito latino-americano inclui torneios em Buenos Aires, Santiago, Sauípe e Acapulco, todos realizados sobre quadras de terra. Terra porque é a tradição local e por isso a ATP aprovou o circuito. A idéia original era os tenistas do saibro terem uma alternativa ao circuito indoors, sempre de quadras rápidas.

O duro tem sido convencer os caras virem para cá. Vêm um ou outro, que querem focar no saibro. Na maioria das vezes são os mesmos.

A real razão para não virem mais tenistas é outra. O circuito mudou. Mudaram os pisos, especialmente os pisos indoors que competem com o nosso saibro. Antigamente as quadras indoors eram, na esmagadora maioria, de carpete, de várias marcas e velocidades, mas sempre rapidísssimas, o que causava ojeriza aos surfistas do saibro, quase todos latinos e europeus.

Nos últimos anos essa realidade caducou. Agora as quadras indoors são quase padronizadas. E se ainda não o são, ficaram mais democráticas, ou seja, mais lentas. O que não causa mais arrepios para os tenistas europeus. Pior, as estrelas latinos-americanas – tipo Del Potro e Nalbandian – também não fazem lá muita questão de jogarem o circuito.

Agora os organizadores conversam nos corredores de seus eventos sobre a vontade de trocar seus pisos para quadras duras. Em seu raciocínio, os tenistas não querem vir jogar no saibro porque, após o circuito latino, ainda tem Indian Wells e, especialmente, Miami, com status de quase Grand Slam. Só depois começa o saibro europeu. E cerca de 65% dos torneios são sobre quadras duras.

O que vai fazer com que compitam com torneios nos EUA, na Europa e até na África, sem assegurar que os tenistas saiam do eixo Europa/EUA para virem jogar por aqui. Além de irem contra a cultura local.

É uma decisão delicada. Se realizarem a mudança, quiçá fruto de um diagnóstico errôneo, o custo e o dano podem ser ainda maiores. Quem abrirá mão de jogar em seus respectivos continentes me quadras semelhantes? Quem serão os tenistas que pegarão o avião por 12 hs para jogar em outro continente que não é exatamente o favorito da maioria? Por conta de uma natural frustração, os organizadores podem vir a não conquistar gregos e troianos.

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