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Posts com a Tag Aberto de Roma

segunda-feira, 16 de maio de 2016 Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Masculino | 13:56

Faltou tesão

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Diz o ditado, e até mesmo o Eduardo Cunha quando se referindo às razões da queda da sua nemesis Dilma, nunca é só por uma única razão. É assim que vejo a vitória de Andy Murray sobre Djokovic, manchando um passado de 13 vitórias do servio nas então últimas 14 partidas entre ambos, um claro sinal de que Murray não progrediu o que poderia ter progredido, a partir de um certo momento recente na carreira de ambos – ambos tem uma semana de diferença de idade.

 

Até a data do aniversário de Murray no dia da final pode ter influenciado a motivação do escocês. O fato de ele ter virado saco de pancadas do servio também deve ter sido uma razão. Mas o que deve ter, de fato, feito uma diferença são dois fatores intimamente ligados.

 
Novak deve estar “cansado”. Não só fisica, como mentalmente. Sabem como é – de saco cheio, sem aquele tezão. E como dizia o escritor/psicólogo Roberto Freire; “Sem tezão na há solução”. Algo que é bem compreensível, considerando a temporada que o rapaz vem tendo.

 
A falta de tezão e cansaço foram ficando evidentes durante a semana de Roma, com vários jogos “engrossando” e três deles indo para o 3o set – algo que não é o padrão atual do #1.Resultado? Chegou à final “pregado”. E o que veio antes, o ovo ou a galinha? Pregou porque engrossou, ou engrossou porque “cansou”?

 

De qualquer jeito, a final foi sem nunca ter sido. Acabou antes de terminar. Nos primeiros games já se via que não iria rolar. Djoko até que tentou recorrer às suas antigas manhas, jogando raquete no chão, tentando interromper a partida e até se auto inflingindo uma raquetada no tornozelo! Mas não era dia.

 

Alias, sinais já tinham aparecido antes. Aquele de ele ir começar o ponto com a corda da raquete quebrada, contra o japa Nishikori, foi inusitada.

 
Murray, que adora uma choradeira, ainda teve a cara de pau de dizer que se sentiu pressionado porque sabia que o outro estava bem mais cansado e ele fresquinho. Talvez ele preferisse o contrário e não sentir pressão? Os caras adoram um drama!

 
No fim das contas foi isso mesmo. Murray aguentou o rojão, até porque logo viu que mesmo que fizesse uma de suas “murradas” poderia ir ganhar o jogo lá onde o judas perdeu as botas que é onde geralmente eles decidem seus jogos. Nem precisou.

 
Para os fãs foi positivo o resultado. Djoko, que terá só uma semana para recarregar as baterias, chega à Paris com sua bola um pouquinho mais baixa, dando um certo alento aos outros mortais – inclusive a Murray, que será o cabeça 2 do torneio. Não há males que não venham para algum bem.

 

PS: Agora perguntar não ofende. De onde tiraram aquela idiota que veio à quadra entrevistar o Murray? A mulher não deixou ele pegar no microfone e não deixou ele fazer o seu discurso – só falou ela – nada com coisa nenhuma. Logo no dia que ele ganha do Djoko jogam aquela assombração na frente dele??!

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domingo, 18 de maio de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 16:44

Recursos

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Rafael Nadal vai ter que fazer das tripas coraçao para vencer o Aberto da França que se aproxima. Apesar de ser um verdadeiro mágico, um guerreiro inigualável, eu tenho minhas dúvidas se ele conseguirá ficar com aquele título. Se conseguir será o seu mais respeitado título em Paris por conta das atuais circuntâncias.

Ele vem vencendo jogos na bacia das almas, mais por conta de seu espirito indômito do que qualquer outra de suas qualidades. Mas fazer isso em sete partidas consecutivas de cinco sets em uma quinzena nao será tarefa fácil, mesmo para quem conhece o caminho das pedras como ele.

O maior favorito será mesmo Novak Djokovic, que para ficar com o título terá de assumir a responsabilidade de vencer um evento onde Nadal reinou toda sua carreira e onde cada vez mais tenistas querem meter a mao. Só que le, Novak, é o que ainda tem mais condiçoes de realizar a tarefa. Se tem cabeça para isso é o que resta se descobrir.

Fica cada vez mais claro que, atualmente, Novak é um tenista mais completo do que Nadal – só nao é ainda mais jogador. Mas está cheio de caras mais tenistas do que Nadal, só que nenhum mais jogador. O que está, cada dia mais, perto desse perfil é El Djoko. Já esteve mais perto, dois anos atrás, mas nao conseguiu manter o padrao. O título que sempre lhe escapou, ou que Rafa nunca lhe permitiu por a mao, pode ser o seu próximo grande passo na carreira. Se vencer em Paris vai se consolidar como #1.

A final de Roma deixou duas coisas claras. Novak tem mais recursos que Rafa, mas o espanhol tem mais raça e ainda consegue ser mais estável. Hoje Novak harmonizou melhor as forças.

Na parte técnica tem um fundamento que é um enorme diferencial – a devoluçao. A devoluçao de Novak é mais consistentemente agressiva do que a de Nadal. A única vantagem que o espanhol leva é que ele, e o mundo, sabem que o 1o saque adversário vai sempre no seu revés, bem mais frágil. Já Novak tem ambos os lados tao bons que os caras sao obrigados a variarem o serviço. O resultado é que o sérvio consegue muito rapidamente neutralizar a vantagem do sacador, enquanto Nadal tem que se castigar durante algumas bolas para “entrar” no ponto.

A estatística espelha o raciocínio. Nadal venceu somente 55% dos pontos em seu 1o saque, enquanto que Novak venceu 71%. Ou seja, Rafa nao tem nenhuma vantagem quando saca, até porque com o 2o serviço venceu 43% dos pontos. Já o sérvio, venceu 55% dos pontos no seu 2o serviço, até mais do que Rafa ganhou com o 1o serviço. Desse jeito a conta nao fecha para o espanhol.

Olhando para trás, o jogo nao foi mais fácil para o sérvio porque o espanhol ainda tem mais moral do que ele e começou se impondo. Os caras já jogaram mais de 40 vezes o sérvio ainda entra nessa roubada. A partir do momento – início do 2o set – em que Djokovic começou a fazer o seu jogo, tomando a quadra e tirando o tempo e o espaço do adversário, teve a partida sob seu controle. E ela só saia de seu controle quando ele permitia e Nadal partia para o risco total, algo que ele começa a ter dificuldades onde nao tinha um ano atrás.

Mas foi um lapso mental, tao nao Nadal, que selou o destino da partida, quando o espanhol, perdendo por 3×4, se permitiu perder nove de dez pontos ( Novak teve muito a ver com isso, indo para suas bolas sem entrar em alta faixa de risco, uma arte dificílima) para deixar o adversário a duas bolas de vencer a partida. Novak nao se fez de rogado.

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quarta-feira, 16 de maio de 2012 História, Light, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:36

Cidade Eterna

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O Torneio de Roma sempre teve um bônus para seus participantes – a Cidade Eterna. Aqueles que já tiveram a oportunidade de passar uns dias passeando pela cidade tem uma dimensão do que escrevo. Os que não tiveram deveriam realizar um esforço em fazê-lo.

No fim da semana passada, um conhecido me ligou perguntando sobre ingressos para o torneio, já que iria a Roma a trabalho e não queria perder a oportunidade de ver um bom tênis. Muito tarde para comprar pelo site, eu disse que a melhor aposta seria, por conforto, pedir ao concierge de seu hotel. Poderia tentar algo no local, tanto na bilheteria, mais barato e mais difícil de encontrar, e nas mãos dos inevitáveis cambistas. A velha estória de sempre.

Além dos passeios, infindáveis, e a ótima comida, Roma oferece a história, algo que encanta, ou deveria encantar, os brasileiros, tanto pela falta de antiguidade do nosso país, como da ausência de manutenção de história do país. Especialmente no que diz respeito à arquitetura. Aqui se destrói com voracidade construções de menos de um século, lá se luta, e se consegue, para preservar construções milenares que caracterizam a cidade.

Além disso, Maio é uma época linda na Europa como um todo, muito semelhante ao nosso Maio de céu azul, sol e um frio gostoso que aparece no fim do dia, aumentando o apetite por uma boa comida regada a um bem escolhido Chianti.

Os jogadores reconhecem essas qualidades e tiram vantagem delas, dentro de suas possibilidades. Hoje em dia até mais do que antes, já que agora bem menos singlistas jogam duplas e vice versa. As duplas obrigam o singlista passar mais tempo no clube. Agora, mesmo ainda competindo, o atleta consegue escapar para umas compras e, especialmente, para uma bela refeição. Aqueles que perdem prematuramente não tem aquela ansiedade em abandonar uma cidade como Roma.

O turismo per si é mais raro – nem todos têm a curiosidade. Além disso, em Roma, o trajeto do hotel-clube-restaurante já leva o tenista, sempre levado por motoristas, por tantas belezas que ele já sente que fez seu turismo. O evento também realiza, quase que diariamente, suas festas e assim o tenista é também “arrastado” para conhecer um pouco da vida noturna da cidade. É bom lembrar que a maioria deles frequenta a cidade desde os tempos de juvenis e já fizeram suas incursões pelas escadarias da Piazza de Spagna e vizinhança.

As compras italianas geralmente se resumem a roupas e sapatos lá pelos lados da Via Condotti. Duvido que muitos se aventurem às maravilhas da Via dei Coronari, vizinha à esplendida Piazza Navona, para conhecer as lojas de antiguidade, a não ser que arrastados por mulheres com um pouco mais de informação do que a de as melhores bolsas a serem compradas – o que também é raro.

A comida é a massa – muita pasta. Quando tenista senta à mesa pra comer, podem estar certos que a refeição será longa e com muito carboidrato. Para isso não faltam opções para todos os bolsos, providos pelos prêmios de diferentes rodadas, das trattorias em Trastevere aos restaurantes de Testaccio.

O turismo primário e inevitável é o Colosseo, até porque deve mexer com as emoções de alguém habituado a se apresentar à frente de milhares de torcedores. Fica para cada um dos leitores o que deve passar pela mente dos atletas ao adentrar um lugar onde a derrota era penalizada com a morte – isso é o que se pode chamar de pressão. Tudo isso sem falar do Foro Itálico, o diferenciado local do torneio – mas isso é outra história.

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Federer passeando em Roma, em um double decker, com o Colosseum atrás.

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