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quarta-feira, 27 de maio de 2015 Sem categoria | 09:17

Bellucci x Nishikori

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Belo começa jogo confiante e soltando braço dos dois lados.

A grande pergunta é se a melhor bola do japa, sua direita cruzada, irá incomodar, especialmente na horas importantes.

Bellucci tem o saque. O japa nao. Mas este é mais rápido e cobre melhor a quadra.

Para Belo é importante virar cedo para agredir de forehand. Para o japa é importante achar o revés do Belo e aluga–lo. A briga maior é essa.

até agora o Belo nao usou um slice, um golpe q pode arrefecer os ataque do japa quando este está sacando. Por outro lado Nishikori abre as perninhas com seu saque.

o jogo está sendo jogado tres passos atrás da linha de fundo. Quem irá tirar proveito disso?

Belo escapa de 4 break points no 4×4. O sak falando alto.

apos sair jogando mal pela segunda vez consecutiva em seu sak, Belo é quebrado. É um jogo no começo do set e outro na hora da onça beber água. Mas o japa precisa fechar… fechou!

com duas duplas faltas, thomas é quebrado de cara. Assim fica didicil o que já nao era fácil. Os ultimos tres games q sacou Belo jogou abaixo.

a história nao mudou muito. Nem a de hoje, nem a que conhecemos há mais tempo.

Belo tem bola para jogar com todos, especialmente na terra. O que ainda nao tem é a constância emocional que o tenis exige. Alias, exige mais do que isso, se vc quiser ser um cachorrao. Nao basta continuar a jogar bem nas horas importantes. Tem q jogar ainda melhor.

O JAPA “quebrou” o Belo emocionalmente. Os golpes, as trocas de bola, a olho nu, seguem iguais. kei acabou por tomar conta da quadra, qdo percebeu q Belo nao variaria, nem o efeito, nem a altura da bola. Ele veio vindo e se impondo. Os erros do brasileiro foram ficando mais frequentes e agora está perto de perder. Talvez um ultimo suspiro, um ultimo absndono para se soltar e ir pras cabeças. Vejamos.

como disse, com o jogo praticamente decidido, Belo se solta, se empolga e consegue sua 1a quebra de serviço na partida 3-5. Ainda dá??

agora o japa saca no 5-4 pra fechar. E como é mandigueiro, chamou o fisioterapeuta. cada uma…

O ultimo game seguiu o roteiro. Nishikori 7/5 6/4 6/4.

agora vou assistir o clássico checo Berdich x Stepanek. Isso é divertimento!

 

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terça-feira, 26 de maio de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Masculino | 21:13

Justo?

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O mundo está de ponta cabeça e nao é de hoje. Por isso nem chego a me espantar com que vejo, ouço e leio. As pessoas falam cada coisa e, o pior, é que o resto nao diz nada como se fosse natural. Como o blog é de tênis, fico restrito ao assunto, mas o problema é universal e o tênis é só um micro do que acontece por aí.

E aí perguntaram ao Nadal se ele tinha mesmo pedido o afastamento do brasileiro Carlos Bernardes de seus jogos. Em entrevista ele confirmou que pediu a ATP. Nao bastasse o cara fazer um pedido desses, como o orgao responsável pelo circuito e pelos tenistas vai lá e obedece.

O caso de Nadal e Bernardes nao é de hoje, mas ficou pior no Rio de Janeiro. Para quem nao lembra, teve aquele incidente bizarro quando Nadal saiu da quadra para ir ao banheiro e, aproveitou, trocar de uniforme. Pois nao é que o maluco voltou para a quadra com o shorts de trás para a frente?! Jogou uns pontos quando viu que a coisa nao iria progredir – especialmente na hora de pegar a bola do bolso ou puxar as cuecas. Pois o cara pediu para voltar ao banheiro. Bernardes disse que se saísse levaria uma advertência. Nem sei mais se era o caso de deixar o cara trocar o shorts ou nao. Regras existem e devem ser cumpridas. Mas nao é todos os dias que neguinho veste shorts ao contrário.

Também nao é de hoje que Nadal força a barra com os juízes. Ele dentro da quadra e o tio fora delas, com os organizadores. Estão sempre a reclamar se as coisas nao sao do jeito que querem. Parece político brasileiro, que se acham acima do bem e do mal – uma regra para todos e outra para mim, que sou melhor do que o resto. Sei nao. O pior é que o cara ainda se faz de indignado, como se estivesse certo. Pior ainda. Confessa. Pior ainda, o que a ATP tem a dizer para se defender? Mas o rapaz acha que fica tudo bem se disser que nao é pessoal e que até gosta do Bernardes. Mas atrapalha (cumprindo as regras, especialmente a do tempo entre pontos, que Rafa insiste em quebrar e pressionar qualquer um que tente enquadra-lo)).

Como jornalista nao pede oportunidades, hoje levantaram a questão para Novak Djokovic, que saiu smashando, mesmo sem dizer nomes. Perguntaram o que ele acha de um tenista vetar um juiz. Sem pestanejar, disse que nao é justo tenista vetar juiz. Algo que nao foi dito em referencia a Nadal, mas que teve repercussão imediata e endereço conhecido.

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segunda-feira, 25 de maio de 2015 Roland Garros | 20:30

Nem com açúcar.

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Já faz tempo que Maria Sharapova e o publico de Roland Garros nao se bicam. É bem possível que os franceses tenham visto através da máscara da moça desde o início e nao compram, nem com uma colher de açúcar, a marketagem da russa. Anos atrás a situação esteve mais negra, quando ela foi vaiada severamente na quadra central, agarrou a raquete pelo meio e mandou um certo gesto fálico para as arquibancadas e quem estava perto da quadra pode ouvir a moça respondendo com alguns impropérios de fazer corar qualquer mocinha de sainha mais longa.

Mesmo sendo seu Grand Slam menos favorito, do que ela nao fazia nenhum segredo, até porque, supostamente, nao encaixava com seu estilo de “balde na cabeça”, Maria venceu em Paris em 2012, na maior surpresa de sua vida, sendo a primeira conquista após sua mais severa contusão. Depois disso começou um caso de amor, pelo menos da parte dela, já que agora é onde se dá melhor. Quanto aos franceses, respeitam uma campea, mas nao morrem de amores pela moça. O affair nao deve melhorar após o jogo de estréia de 2015.

Sharapova entrou em quadra cuidando de uma gripe e, sendo a competidora que é, tratou de ganhar rapidinho e ficar pouco tempo em quadra. Mas o fato é que a tradição por aqui, e já bem antiga, é do vencedor do jogo na Quadra Central dar uma breve entrevista ainda dentro da quadra. Maria sempre adorou esse marketing, assim como aquela pirueta no fim da partida. Por isso o ex-tenista Cedric Pioline, que entrou em quadra empunhando seu microfone, nao entendeu nada quando chegou na russa e levou a maior “tábua” de sua carreira de entrevistador. A russa lhe disse, na cara dura, que nao conversaria com ele. Recolheu suas coisas e se mandou rapidinho para o vestiário. Saiu debaixo de vaias, pelo menos por parte do publico que percebeu o que aconteceu. Bem na cara de pau ainda mandou um ciozinhos, mas levou ainda mais vaias. Quanto a Pioline saiu com um sorriso amarelo e totalmente constrangido.

Na entrevista após o jogo cortou a conversa sobre o assunto, dizendo que “entendo, mas que tenho que fazer o que tenho que fazer”. Nao deu pra entender, já que o que tinha que fazer era a entrevista e nao a fez. Talvez achou que se falasse dois minutos iria piorar a gripe. Talvez pudesse exatamente falar sobre a gripe e se desculpar rapidinho – tipo 15 segundos. Talvez esteja “chateada” porque pediu pra jogar na 3a feira e nao conseguiu. Talvez seja só mal educada. Sei lá.

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domingo, 24 de maio de 2015 Juvenis, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 19:51

Rendez-Vous a Roland Garros

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Vir a Paris e cobrir Roland Garros começa pela boa surpresa de encontrar um bom tempo com sol brilhando. É quase uma tradição que a 1a semana é de tempo ainda incerto e um Q de frio e a segunda o sol já abrindo desavergonhadamente. Mas este domingo o sol bombou. No entanto, nao fui a Porte de Auteuil e sim à Champs de Mars, ao lado da Torre Eiffel. Lá aconteceu as finais do “Roland Garros around the World”, evento organizado pela FFT que começou em Sao Paulo, Xangai e Nova Deli. Em cada uma dessas cidades foi escolhido um garoto e uma garota através de um torneio para tenistas até 18 anos. Os vencedores vieram à Paris para um round robin com seus dois adversários. Os vencedores receberam um convite na chave juvenil de RG.

Para a alegria dos brasileiros, Gabriel Decamps passou como um trator pelos oponentes. Perdeu só 8 games nos dois jogos e agora vai pra chave principal juvenil. Como o torneio só começa no fim de semana que vem, vai se juntar à outros brasileiros já na chave que estao treinando em um dos centros de treinamento da FFT. O acerto faz parte de uma das várias parcerias que a CBT fez, e está fazendo, com a FFT.

Decamps, tem 15 anos e 1.90m de altura, porte de tenista atual. É treinado desde os 7 anos de idade por William Kiryakos, um ex tenista que treinei quando juvenil, deve estar todo feliz com as vitórias em Sao Paulo e Paris. Um detalhe interessante é que os pais de Gabriel sao franceses e assim ele e a família, que compareceu em peso, nao se sentiu nem um pouco fora de casa.

A carioca Maria Clara Silva nao teve a mesma sorte e foi eliminada no saldo de sets, já que perdeu para a chinesa e bateu a hindu.

Ao lado da quadra montada no Champs de Mars, a FFT montou um enorme telao, com a torre ao fundo, onde as pessoas pode deitar no gramado, tomar um vinho local, um lanchinho básico e acompanhar os jogos. Fora o cenário.

 

TENNIS - INTERNATIONAUX DE FRANCE 2015

 

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sexta-feira, 22 de maio de 2015 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 18:34

Belo e Teliana em Paris

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Bellucci chega a Roland Garros nas pontas dos cascos e confiante por conta de seus feitos recentes. O mais recente ir à final em Genebra – o cara gosta mesmo da Suíça – onde vocês saberão o resultado antes de mim que estarei em um avião rumo a Paris.

O quanto isso é bom? É uma faca de dois gumes. O cara vai chegar acreditando ser o rei da cocada preta, o que é ótimo para a confiança e melhor ainda em um Grand Slam. Por outro lado, é uma tradição que nenhum finalista de torneio jogado na semana anterior a RG vai longe neste evento. O cara joga cinco partidas nessa semana e chega um pouco chumbado para jogar cinco sets dia sim, dia nao. Mas duvido que os plano de Bellucci dizem respeito à 2a semana de Paris, quando começam as 4as de finais. Se ele ganhar três rodadas estará em um bom lucro. Mas, como o Belo é um cara imprevisível dentro de sua previsibilidade, nós vamos ficar na torcida para desta vez ele quebrar barreiras e limites em Paris.

Teliana entrou no evento pela próprias pernas, passando pelo qualy, e como bonus pegou uma baba de moça no 1o jogo. Uma francesinha, de 18 aninhos, #326 do ranking que só entrou na chave por convite da FFT. Nao poderia pedir estréia melhor. É só nao se embananar com o fato de jogar contra uma juvenil, que pode fazer qualquer coisa e pressionar alguem que acha que tem mais uma obrigação de ganhar além do fato da estréia. Mas a brasileira anda bem confiante, também por conta de seus recentes resultado, motivada e nunca precisou de ninguém lhe dizer que precisa brigar por cada ponto.

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terça-feira, 19 de maio de 2015 Copa Davis, Roland Garros, Tênis Brasileiro | 21:20

That’s life

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Os números nao mentem, mas, de vez em quando, surpreendem. Thomaz Bellucci venceu 13 e perdeu 7 partidas desde sua participação, aquém das expectativas, na Copa Davis em Buenos Aires. Já o quase herói entao, Joao Feijao Souza, caminhou na direção oposta a de Bellucci e a esperada por muitos. Nao ganhou nenhum jogo desde entao.

Logo após a derrota em BA as conversas nos clubes giravam em torno de que o Belo nao tinha jeito e o Feijao tinha tomado jeito. Minha mae já dizia que as expectativas matam. E se nao matam machucam.

E porque essas surpresas? Isso eu nao sei dizer. Talvez a Copa Davis mexa mesmo com a cabeça dos tenistas de maneiras que nao podemos sequer imaginar.Talvez possamos imaginar que Feijao goste e se encaixe bem na Davis. Talvez o mesmo nao seja verdade quanto ao Thomas. Se é para adivinhar, os leitores fiquem à vontade e devem ser melhores do que eu.

O que fica claro, mais uma vez, pelo menos pra mim, é o quanto Thomaz Bellucci tem de jogo. Mesmo nao sendo um grande “jogador”, aquele que “sabe” ganhar, tem muitos golpes e poderio para intimidar oponentes. Ele ganha jogo porque dá mais na bolinha do que muito cachorrao por aí. Se tem “deficiências”, elas sao mais emocionais e mentais do que técnicas. Quando está à vontade emocionalmente em uma partida faz os adversários comerem o pao que o diabo amassou.

Feijao, e nao me perguntem porque, tem tido mais dificuldades ainda com seu emocional e mental do que o Belo. Seu jogo é perigoso, saca bem, nao tanto quanto o Belo(tem mais força e menos alternativas, que Belo sub usa). Tem uma direita pesada, nao tanto quanto a do Belo ( e erra mais), e um revés talvez mais vulnerável do que seu colega (que erra bolas inimagináveis desse lado para alguem de seu padrao). Mas a verdade é que continua, no geral, em um patamar inferior a Thomaz. E inferior o bastante o bastante para as tais vitórias de Bellucci e as tais derrotas de Feijao.

Por isso, afirmo: existe muito mais que faz um tenista do que está na frente de nossos olhos. Por mais que o Belo nos faça sofrer, por mais que gostaríamos que fizesse as coisas diferentes quando o vemos na TV, continua sendo nosso melhor tenista, fazendo uma bela carreira, ganhando de muito cara bom, fazendo outros ainda melhores suarem e faturando alto. E fazendo besteiras incompreensíveis. Thats life!

Penso que Joao Szwetsch está fazendo bem ao nosso tenista. Aliás, penso que o Thomaz nunca deveria ter dispensado o rapaz. Mas o tempo passou e pode ser que recuperem pelo menos uma parte do tempo perdido. A partir da semana que vem veremos o que ele, e Feijao, farao em Roland Garros, seu Grand Slam favorito

Quanto ao Feijao, algo poderia/deveria ser feito quanto ao seu mental. E talvez a respeito dos detalhes (nao sao mais do que detalhes-mas é ai que deus e o diabo vivem) de suas carências técnicas. Suas qualidades, e deficiências, técnicas nao mudaram desde a Davis, mas algo nessa competição o inspirou a encontrar o seu melhor. A chave de seu futuro talvez esteja nessa inspiração.

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segunda-feira, 18 de maio de 2015 Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 16:17

O cara pra Paris

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Após Roma, a pergunta que nao quer calar: tem alguém que possa tirar o título de Roland Garros de Novak Djokovic?

Rafael Nadal terá que fazer sua maior mágica para ganhar mais uma vez. Acho difícil. Além de estar mais vulnerável, perdeu um pouco o respeito dos adversários, que começam a vê-lo como uma boa oportunidade de saírem bem nos jornais. Ele teve algumas oportunidades nos torneios preparatórios, mas nao conseguiu levantar para o patamar necessário.

O Boniton Federer é uma boa maneira de se ganhar uma graninha de um amigo mais desavisado. Federer está naquele ponto em sua carreira que vence muito tenista bom, mas nao ganha a grande final. O cara é #2 do mundo, mas nao vai levar Roland Garros. Sao jogos no saibro e 5 sets, onde o tenista tem que estar disposto a comer o pao que o diabo amassou. Algo que saiu do radar do Boniton. Sua final em Roma foi lastimável. Primeiro falou que o Djoko nao é o Nadal no saibro. Falou pra que??? Lutou o primeiro set e perdeu. Quando nao levou, largou. Feio.

Bem, tem o Ferrer. O cara é encardido, mas empaca quando enfrenta os manjados cachorroes. Pode até chegar à final, mas….

Teve um dia, na semana retrasada, que eu pensei: vou ganhar uma grana apostando no Nacional Kid. Isso pelo perigoso tenis que vinha jogando. Mas aí se encolheu total contra o Murray em Madrid (aquilo foi horrível) e o Novak em Roma. O cara ainda nao tem “nome” pra ganhar dos caras.

E ia falar do Berdich, mas aí achei que iria perder a moral com meus leitores.

Tem o Murray. Mas quem aposta $100,00 no Bibi? Bem, eu aposto. O cara é maluco mesmo, vai que leva. Porque jogo ele tem. Mas a cabecinha…

Tudo isso pra dizer que, após Roma, fica claro que o cara é mesmo o sérvio. Está jogando muito, sólido, confiante e nas pontas dos cascos. Exatamente como deve ser para vencer um torneio complicado como Roland Garros.

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domingo, 10 de maio de 2015 Masters 1000, Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Masculino | 19:37

Fora da caixa

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É domingo, dia das maes, e nao vou tentar explicar a vitória de Andy Murray sobre Rafa Nadal no Masters de Madrid, na terra, a primeira após seis derrotas nesse piso – ainda mais na casa do espanhol. O jogo de tênis per se é complicado, acrescentando de um lado da quadra um bibi como o Murray, capaz de resmungar entre todos os pontos, ganhos ou perdidos, de uma partida, e um obsessivo em crise de confiança como Nadal é uma tarefa fora da minha disposição neste dia.

Mas, alguns amigos imediatamente me colocam suas conclusões a respeito. Uma amiga terapeuta jura que em cinco seções acabava com os agora prejudiciais toques do espanhol que, segundo ela, nem tao severos sao. Ela afirma que desde seu ultimo retorno o rapaz perdeu o ritmo em quadra, por conta de sua cada vez mais agravado TOC. Lembro, em algum canto de minha mente, que a ATP e seus juízes por vezes parecem estar a fim de acabar com a insistente quebra da regra dos 25 segundos entre pontos por parte de Nadal e outros. Tao decididos estao que treinam bastante com outros tenistas de menor estatura – infelizmente ainda se acovardam na hora de penalizar Nadal todas as vezes que ele estoura o tempo. Fora que o espanhol age como se ele estivesse sendo roubado à luz do dia quando aplicam a regra. Mas, como o rapaz tem um sério transtorno, quando em competição, porque em treino nao apresenta as mesmas características, suponho que a simples idéia que alguém irá interrompe-lo e penaliza-lo por conta do tempo, a paranóia de tal pensamento é o bastante para tirá-lo de seu prumo. Talvez seja isso que minha amiga esteja enxergando. Teoricamente isso se agravaria em Grand Slams, onde o limite oficial é de 20´- mas cadê a coragem dos juízes?

Talvez isso tenha algo a ver com a perda da confiança de Rafa, que é de fato seu mal problema atualmente. Talvez sejam 1001 outras razoes, já que o diferencial de Nadal sobre seus oponentes sempre foi muito mais sua obsessão, no caso positiva, em ganhar cada ponto disputado. Por isso digo que seu mental como um todo, um universo em si, seja mais importante do que a estupenda força física e atleticismo, e muuuito mais do que sua técnica.

É fácil ver o resultado do desvio de padrão; sua bolas estão curtas, erros acontecem em bolas fáceis que nunca existiram, a ausência do poder de defender seu fraco serviço a todo e qualquer ataque e por aí vai. Talvez, como disse um outro amigo, sua mente nao está mais no tênis com a mesma intensidade e singularidade de antes. Afinal, este ano o cara foi até à avenida pular carnaval dias antes de um torneio. Saiu da caixa!

Quanto a Murray o cara segue sendo o maior mistério do tênis. Nem tento decifra-lo. Amigos me asseguram que o casamento fez dele um novo homem. Talvez, mas duvido que vejamos o resultado em quadra. Ele já viaja com a namorada há anos. E desde que casou nao viaja mais e sim com a técnica, Amelie Mauresmo, a outra mulher em sua vida atualmente. Outras me asseguram que a mudança é por conta de Mauresmo, que já tem data marcada para abandonar o barco: logo após Wimbledon. Isso porque ela vai ser mae pela primeira vez, só mais um dos mistérios que rondam Murray e seu time.

Correndo por fora, entre as conjecturas, o fato que desta vez Murray nao quer passar meses sem um técnico, como aconteceu da ultima vez. Por isso, já em Munique, duas semanas atrás, onde venceu seu primeiro título na terra, começou a treinar de leve com Jonas Bjorkman, um sueco que jogou muitas duplas e teve uma decente carreira nas simples e pode já ter lhe cochichado algum mistério. O fato é que ele está fazendo a bola girar mais com a direita e nao esperando que o sagrado Jesus Cristo faça nova descensão para ajuda-lo a ganhar um ponto. Isso sim tem feito ele ganhar partidas na terra.

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quarta-feira, 6 de maio de 2015 Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino, Wimbledon | 20:45

Circunstâncias

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Seria petulante escrever que Roger Federer perder do sacador Nick Kirgyos é fim de carreira? As circunstâncias, sempre elas. Para Roger perder de um cara quase cego sobre a terra é ruim, bem ruim. No fundo da quadra o australiano é quase um 2a classe. Por outro lado, Roger foi à final de Istambul na semana passada, onde venceu, mesmo sem bater nenhum cachorrao, o que deve ter encostado na cota dele para as 2 semanas. Afinal, ele tem 33 anos, apesar de ainda nao pensar em ir para a cruz.

Outro detalhe a se considerar é que, desta vez, o caçador virou a presa. Madrid sempre foi um lugar que O Boniton gostou de jogar por conta das facilidades que a pequena altitude lhe traz. Madrid tem meros 650 metros, semelhante a Sao Paulo. Em comparação, o resto do circuito europeu é quase todo jogado abaixo de 100 metros. Ali o saque anda mais e o jogador agressivo lava vantagem. Quase sempre isso funciona a favor do suíço, mas quando tem que enfrentar um dos maiores sacadores do circuito o buraco é mais embaixo. Mesmo que ele seja cegueta, é também jovem, carudo e veloz.

Sim, passar por uma primeira rodada – mesmo sendo uma baba – dessas nao é assim tao simples. Mas seria tudo que o Boniton gostaria. Ele vinha de Istambul, na altura do mar e a algumas horas de voo. Precisava pegar o ritmo de Madrid e caiu contra o Kirgyos, que é um tremendo corta-físico. Se fosse até um cara mais sólido no saibro, que colocasse mais bolas em quadra, seria melhor. As circunstâncias!

Além disso, Roger deu, mais uma vez uma de Federer. Tinha o jogo nas maos, quando resolveu balançar o topete e deixar a cobra fumar. Pode isso, Arnaldo? Bem, Roger pode quase tudo, ou pelo menos passou boa parte de sua carreira podendo. Hoje o mundo mudou, os adversários nao sao mais os mesmos, nem as perninhas do Boniton. Por isso há que priorizar para nao dançar.

Mas, Federer resolveu ir a Istambul. Certo ele – eu também iria. Especialmente se me pagassem U$ 2 milhões pra bater umas bolinhas à beira do Bósforo; e sem chamar nenhum daqueles malas que gostam de ganhar de mim. O que vocês prefeririam? Ir lá e agarrar os U$2 milhoes de garantia ou priorizar o torneio em Madrid, onde Tiriac nao abre a mao para dar bom dia?

A esta altura, Roger pegou seu jatinho e foi dormir em casa pensando nas baklavas que comeu em Istambul. Descansa uns dias e vai a Roma, antes de Roland Garros. Tudo isso, na verdade, pensando em Wimbledon, onde ele sabe ter uma das ultimas chances de faturar um Grand Slam. É isso, em termos de grandes conquistas a que ficou acostumado. Lhe resta também fazer uma canjas mundo afora, como foi em Istambul, aonde nunca fora, mostrando aos fas do tênis o que eles vao perder quando ele finalmente aposentar as raquetes. Aí nao haverá circunstâncias que preencham nosso vazio.

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domingo, 3 de maio de 2015 Tênis Brasileiro | 14:53

Oswaldo

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Durante meus anos de treinador existia uma característica que ao mesmo tempo que me intrigava me dava uma disfarçada ponta de orgulho. Eu sempre tive um bom relacionamento com os pais dos atletas com quem eu trabalhava. Especialmente considerando que pai de atleta é personagem difícil; nao por características de suas personalidades e sim pelo simples fato de serem “pais de tenistas”. De qualquer maneira, me entendia bem com todos eles, sem exceção – uns mais outros menos – a maioria mais. E quase todos – e isso acho importante, para encontrar detalhes em comum entre os caras que conseguem se distinguir em uma carreira, e a carreira do tenista é muito mais difícil e complicada do que imagina a vã filosofia – eram pessoas inteligentes, cativantes, cada um a sua maneira.

Todos eles, sem exceção, tinham uma pauta muito clara o quanto queriam ajudar os filhos. E quase todos sabiam o que podiam ou nao fazer para ajudar, inclusive na árdua decisão de deixar assuntos tenisticos nas maos dos técnicos e nao quererem ter a palavra final aí também.

Nunca treinei Fernando Meligeni. Nosso relacionamento de treinador/jogador se resumiram ao trabalho em competições de Copa Davis e uma Olimpíada, Atlanta, justamente a que ele teve seu melhor resultado, ficando a um set de uma medalha. Se, o início desse relacionamento foi bom, logo desandou e ficou de ruim para pior.

Mas este nao é o assunto aqui. Durante todo esse tempo desenvolvemos, seu pai, Oswaldo, e eu, um relacionamento interessante e cativante. Conversávamos bastante. Mais sobre filosofia de vida do que sobre tênis. Aliás, nossas conversas sobre tênis, no fundo sobre seu filho, eram breves.  Nunca me censurou. Até porque em grande parte concordava; só me pedia paciência. Mas, enquanto eu tinha que administrar um relacionamento de “técnico de Davis/jogador”, ele tinha que administrar o de pai/filho; muito mais importante, prazeiroso e difícil. Mas, como já disse, essas conversas eram breves. Nosso prazer eram em conversar sobre a vida, onde víamos tantas coisas pelo mesmo prisma.

Era uma viagem conversar com ele. Além de ser interessado na vida, era interessado nela pelas coisas que valem a pena, pelo menos em nosso mutuo ponto de vista. Eu achava seus valores afinados com os meus e isso facilitava o dialogo. Oswaldo foi um fotografo de renome e a profissão ao Brasil, em um daqueles momentos de depressão na economia argentina. E por aqui ele ficou. Era um cara com os pés no chão, apesar de ser um apaixonado pelo mar. Ainda cedo na carreira profissional decidiu abandonar a vida-loca de Sao Paulo e mudou-se de mala e cuia para um condomínio próximo a Angra dos Reis. Lá levava a vida tranquilamente, acompanhado de sua mulher Concepcion. Adorava pegar seu veleiro e sair, às vezes por dias, pelo mar protegido e fascinante da baia de Angra. Levava seus livros e ficava no mar com seus pensamentos e leituras. Sempre me pareceu estar em harmonia consigo mesmo.

Infelizmente, com o tempo, minhas diferenças com Fernando minaram as possibilidades de nossa contínua amizade. Pouco tempo atrás encontrei com ele em Sao Paulo e conversamos durante um tempinho como se tivéssemos nos visto na semana anterior.

Ontem foi uma tarde gostosa, com céu azul e sol delícia. Eu havia jogado tênis com dois amigos, dois dos melhores tenistas que o Brasil já teve – ou seja, eu estava no paraíso emocional. Um deles me contou, “en passant”, que Oswaldo havia falecido na semana anterior. A notícia me abateu. Na hora foi uma violência que abala por instantes e do qual logo nos recompomos. À noite os pensamentos assentaram e fiquei mais circunspecto por conta. Hoje de manha, bateu de vez e o bicho pegou.

A demora de minha infeliz descoberta demonstra o meu afastamento da família Meligeni. Fiquei entre ligar, enviar uma mensagem e escrever. Mas já faz mais de uma semana e ficar ligando ou enviando mensagem sobre uma morte, que com certeza abala e precisa de tempo para ser digerida, nao me pareceu boa idéia. Nao costumo escrever sobre a morte por aqui. Entao escolhi escrever sobre a vida e a falta.

Acima escrevi sobre a paixão de Oswaldo pela vida e seu impacto em mim. Agora nao me resta nada a fazer além de derramar estas palavras por aqui. Ele foi uma daquelas pessoas que eu nao mudaria uma virgula, uma ruga. E após anos de afastamento sou relembrado, da pior maneira, da falta que ele me fez. Ficam aqui meus sentimentos à toda sua família, que ele amava com cada fibra de seu corpo e alma, até porque um homem como o Oswaldo nao se acha a cada esquina.

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