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terça-feira, 19 de março de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:32

Coelho maluco

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De vez em quando dá um desanimo! O Blog parece virar uma página perdida do falecido Orkut – pouca coisa que se aproveite, discussões e acusações repetitivas me fazem pensar escrever sobre ballet ou talvez comida tailandesa. Sei lá, será que não conseguem ir adiante de “Nadal é dopado” e “Federer está acabado”?! Impera o raciocínio gangorra – é preciso colocar um pra baixo para levantar o outro. Coelhos malucos que não percebem que o engrandecer de um engrandece o outro.

Nada contra esses dois tenistas, protagonistas da maior rivalidade do esporte branco e atletas que ficariam horrorizados se lessem as bobagens que escrevem por sua conta. São tão importantes para o tênis que o Torneio de Miami já acusou o golpe da ausência de ambos este ano – as vendas de ingressos caíram. É uma das consequências do mundo imperfeito em que vivemos, onde gerentes de carreira são também donos de eventos, para mim um claro conflito de interesses, para a ATP um mero detalhe. Como os donos de Miami arrumaram encrenca com Federer, o suíço fica longe da Flórida. Já Nadal preferiu ir apertar a mão de Larry Ellison e se deu bem.

Na mesma conta dessa ausência de bom senso e ética, leio que o prefeito de São Paulo, que em campanha prometeu acabar com a mamata da “inspeção veicular” mudou o enredo quando chegou ao poder. Quer acabar com mamata de um e criar a mamata de muitos. Ao invés de uma única empresa fazendo a inspeção, quer cerca de 450 oficinas de automóveis as fazendo. Já posso imaginar o cenário: “o seu carro não foi aprovado por conta daquele probleminha ali. Mas aqui mesmo nós arrumamos!” Sei.

Aliás, o calendário do tênis profissional parece trabalho do coelho maluco após tomar uma pílula que makes you big ou talvez a que makes you small. Dois eventos da grandeza de Indian Wells e Miami colados não é um bom cenário. Só não é pior do que Paris e Wimbledon separados por somente duas semanas.

Nenhum brasileiro na chave principal de Miami além de Thomaz Bellucci. Os outros pareceram no qualy, ou mesmo antes dele. Será que algum dos brasileiros que nestas duas semanas jogam os principais torneios juvenis do país – Banana Bowl e Copa Gerdau – mudarão esse cenário? No Banana são mais de 30 anos que um brasileiro não vence a categoria principal – a dos 18 anos. O último foi Eduardo Oncins e adivinhem quem era o técnico dele?

Estive no Clube Paineiras a semana passada acompanhando um jogo do Banana. Quase enlouqueci. A quadra onde acompanhei um jogo de mais de 2h, decidido na bacia das almas do 3º set, foi disputado ao lado de um dos principais caminhos da clube. Ao lado, uma britadeira esmerilhava o chão de cimento e pirava os jogadores. Os caras não pararam um minuto enquanto lá estive. No caminho todos os personagens possíveis trafegavam e conversavam. Eram mães, filhos, babás, pedreiros, carrinhos de obra, porteiros, bombeiros, açougueiros, caras ao telefone berrando com alguém, o diabo. Pior, parte desses desrespeitadores eram tenistas juvenis que lá estavam para competir, mostrando que o mundo está mesmo de cabeça para baixo. Dois tenistas em quadra tentando manter a concentração e um bando deles do lado de fora, conversando, caminhando, indo, voltando, zoando. Algumas dessas meninas foram e voltaram no mínimo umas 15 vezes nessas duas horas sabe Deus pra onde. Arrehh; pelo o que se propõe a ser, são piores do que o coelho maluco!

E, de repente, um adendo enviado pelo leitor Dumont:

“Loucos como uma lebre de Março” – já dizia a velha expressão inglesa que originou o personagem “Lebre de Março” de Lewis Carroll no fantástico “Alice no país das maravilhas”. Interessante, que coincidentemente estamos em Março. Neste período, na Europa, a chegada da primavera celebra o período de acasalamento das lebres. Daí a loucura, no caso, a tara. Estamos no Equinócio. A propósito, li o livro recentemente, diante de uma desafiadora palestra sobre liderança que tive que fazer em minha empresa. Gostei muitíssimo, do livro e do resultado da palestra. Do livro, daquilo que guardei, ficou muito marcada em minha memória o diálogo entre Alice e o Gato de Cheshire – o gato risonho – mais precisamente no capítulo 6. Desde criança, sempre fui levado pelos desenhos, pela fantasia da imagem, e quase nunca ao livro. Só que, quando descobri o livro, passei a preferi-lo antes da imagem, dos filmes. Hoje, o livro vem primeiro na ordem. Me faz viajar muito mais, pois a imaginação não está pronta, como no filme…pois quem faz a imagem sou eu – do meu jeito e de diversas formas. Esse é o barato da leitura.

Quem não lembra do Gato? Creio que todos lembram. O Gato surge só pela metade, só a cabeça, desaparece aos poucos em cima da árvore…estas são as lembranças. Até que some todo e finalmente temos só o sorriso, a imagem clássica! No livro, de repente, Alice se vê em um dilema e encontra-se com o Gato. É iniciado um diálogo. Ela pergunta: “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”. Responde o Gato: “Isso depende bastante de onde você quer chegar”. E Alice: “O lugar não importa muito…”. Finaliza o Gato de Cheshire: “Então, não importa que caminho você vai tomar”.

O diálogo conta de forma bem elegante o fosso que existe entre o “deixa a vida me levar” e o “determinar aonde se quer chegar”. E o reflexo disso, está em nossa sociedade, em nossos ambientes, no nosso dia-a-dia. Somos nós no espelho. O que nos dizem, aceitamos. Até porque não sabemos onde queremos chegar. “Vou com a massa, tô nem aí, seja o que deus quiser…”, passam a ser os ditames das nossas consciências. Que triste.

O esporte e os seus círculos, refletem a sociedade em que estão inseridos. O esporte não mudou, quem mudou foram os homens, sobretudo suas concupiscências. Honestidade, respeito, educação, passaram a ser exceção; quando deveriam ser regra. Que absurdo! Mas estamos aqui, e temos que conviver com tudo isso que nos cerca. Para a massa, o lugar onde se quer chegar não importa muito. Quem está do lado, não importa. À massa, importa se travestir de alguma “persona” e mudar de nome, e, se possível, importunar os outros, escondido por detrás de uma máscara, ou de um “nick”.

Quão desafiador é viver nos dias de hoje. E ter um blog, ainda mais. Mas recomendo ao nobre Cleto um chá, lembrando do Chapeleiro Maluco e da Lebre de Março. Finalizo com o resultado do diálogo entre Alice e o Gato. O Gato diz: “Nesta direção, mora um chapeleiro. E nesta outra, uma lebre de Março. Visite quem você quiser, são ambos loucos”. Alice responde: “Mais eu não ando com loucos”. O Gato diz: “Oh, você não tem como evitar, somos todos loucos, inclusive você”. “Como é que você sabe que eu sou louca?, disse Alice. O Gato finaliza: “Você deve ser, senão não teria vindo para cá”.

Esse Gato vive nos dias de hoje, e entre nós.

abraços

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domingo, 17 de março de 2013 Tênis Masculino | 22:38

Feliz

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Nunca vi Rafael Nadal tão feliz e à vontade após uma conquista de título como hoje na Califórnia. Nem após um Grand Slam. Era uma felicidade diferente, um à vontade mais confortável, como se o tirar de um peso fosse mais importante do que a vitória em si.

Com um braço apoiado sobre o troféu enquanto discursava, deixou isso tão claro quanto o seu longo e “fora da caixa” discurso. Tenho certeza que não foi inspiração no patrocinador-mor, um francês que também saiu fora da caixa em seu discurso. Também duvido que o fato de ter passado Federer no numero de títulos em Masters 1000 (ele agora tem 22) ou mesmo o fato de ter terminado com a ausência de um título em duras desde Outubro 2010 tenham sido a causa. Foi algo mais, uma felicidade que só quem viveu tempos difíceis, frustrações mil e duvidas atrozes e os deixou todos para trás conhece.

Apesar de ser o maior Animal que já vi em quadra, hoje ele teve suas derrapadas, muito provável pelas expectativas que trouxe para a final. Vencer no saibro era quase uma obrigação que ele cumpriu. Vencer na dura, com todos os cachorrões presentes, enquanto ainda havia muitas duvidas no ar sobre as condições de seu joelho – provavelmente mesmo em seu time – é algo sem preço. Imagino que nas contas dele, vencer em Indian Wells estava computada a possibilidade da saída do Torneio de Miami, o que se confirmou logo após a partida ( eu já havia cantado antes e fiquei imaginando se ele teria coragem de fazer e acho que fez o certo) e dá mais uma esvaziada na bola do evento.

Adorei ver o Delpo jogar bem. O cara já recuperou seu melhor tênis e agora, como quando ganhou o US Open, é uma questão de confiança, um predicado vital no seu estilo. Deve ser pesado na cabeça do hermano ter o tênis que tem e nunca ter ganho um Master 1000 – algo que fala alto sobre a dominância de seus contemporâneos. Imagino que isso ainda o pressione e o frustre, como o choro após a derrota entregou.

Indian Well é um torneio que cresce a cada ano – este ano 380 mil na quinzena, números de Grand Slam – e fico a imaginar se o fã brasileiro um dia o irá invadir como fez com Miami. Duvido, somente por razões geográficas. Hoje é mais evento do que Miami, algo que este evento vai correr atrás com seus anunciados investimentos. Para terminar, com uma nota que só acrescenta, Maria Sharapova bateu na final cruzadinha Wozniacki que, ouço, está tentando dar um upgrade em seu tênis. Lembrando, as irmãs Willians tem o evento de Indian Wells na sua lista negra e não colocam os pés por lá. As adversárias agradecem.

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sexta-feira, 15 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:40

Eu não

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Normalmente, trago para os Posts um Comentário diferenciado de alguma forma; na maneira que se apresenta e se expressa, no ineditismo da idéia, no lirismo, que acrescente ou inicie um debate. Pretendo fazer isso com mais frequencia, sempre dependendo do que é apresentado. Alias, ontem, tive tremenda surpresa agradável, quando no meio de uma conversa importante no Clube Pinheiros, foi brevemente interrompido por alguem que se apresentou como o Becker, nosso arquiteto preferido, e que, como ele mesmo confessou, está afastado dos comentários do Blog. Eu havia saído da quadra e ele estava indo para uma – quase cai de surpresa e espero vê-lo novamente por lá.

Voltando ao assunto inicial. Hoje escolhi este texto do Bet@  porque é um texto que se resume a reportar o que aconteceu ontem à noite na partida Nadal x Federer (acho que a primeira vez que inverto a ordem dos dois). Isso, porque simplesmente eu me recuso a escrever sobre um confronto que não aconteceu e que beirou o desrespeito. O mínimo que se espera em um espetáculo pago e envolvendo prêmios em dinheiro é que os participantes se entreguem de corpo e alma ao confronto, algo que ontem simplesmente não aconteceu por parte do Sr. Federer.

Bastaram dois games para se saber o que iria rolar no jogo da dupla dinâmica. No primeiro, serviço do suíço, dificuldade para cacifar e só fechou porque o saque entrou bem várias vezes. No segundo, serviço do espanhol, as devoluções mal voltavam para sua quadra, fechou sem a menor dificuldade. Daí pra frente, era questão de apostas:

– Em qual game Federer será quebrado?
– Quantos games ele conseguirá fazer na partida?

A primeira pergunta escapou por pouco no quinto game, mas no sétimo não teve jeito. Isso ainda porque o suíço sacou bem no começo desse game e fez 40×15. Dali pra frente, tudo errado e quebra. Fazer 4 games no primeiro set foi lucro, como escreveu o Querubim lá pra cima.

A segunda, pelo início do segundo set, apontava para chance de um pneu ou algo próximo. Porém, durante dois games, o quarto e o quinto, Federer jogou um pouco mais de tênis e Nadal um pouco menos. Foram as últimas oportunidades de se ver algo de bom saindo da raquete do Federico. Final: 6/4 e 6/2.

Não há dúvidas que Nadal tem a receita básica para derrotar o suíço, mas há algumas condições mínimas para isso ocorrer. Ontem, parecia que Nadal jogava em Cincinatti e Federer em Monte Carlo, tal a diferença de velocidade da bola de cada um.

O radar do placar mostrava que a velocidade dos saques do suíço eram bem inferiores a sua média, confirmando em números o que se via na quadra. Nas trocas, enquanto Nadal fazia a bolinha voar, Roger parecia estar empurrando as bolas. E quando vinha alta então, parecia um jogador com reumatismo, tamanha a dificuldade em bater de forma decente na peluda.

Nadal tem um revés muito potente e que sempre andou muito, desde que ele chegue inteiro na bola e se posicione bem. Aí, gera uma potência significativa. Quando ele não consegue chegar nessas condições, seu revés é bem mais comum e deixa de ser incisivo. Ontem, com a bola do Federico andando em terceira marcha, foi um prato cheio para o espanhol, que fez aquela festa toda.

Outra coisa que finalmente o Rafa resolveu fazer (e nunca entendi porque levou tantos anos para isso) é usar aquele seu monstruoso forehand como arma de ataque e não só de contra-ataque. Além dessa batida poder variar facilmente entre uma veloz e uma cheia de spin estratosférico, encurta os pontos e mostra quem manda no jogo.

Federer teve um mérito ontem a ser reconhecido: mesmo estando visivelmente torto, foi lá, apanhou calado e permaneceu em quadra mesmo sabendo que ia ser feio. Não houve nenhum c’mon, não vibrou em nenhum ponto e aceitou passivamente sua condição de inferioridade. Morte anunciada. A Mirka até que acreditou um pouco no começo, mas depois relaxou e ficou lá brincando no seu celular, esperando o apito final.

A dificuldade que ele estava em se movimentar lateralmente era evidente, tanto que ele não chegava em algumas bolas que até um manco chegaria sem problemas. Comparando com sua movimentação no AO, por exemplo, a diferença era gritante. Não havia movimentação de pés, mal conseguia fugir da esquerda para bater de direita (tática que usou e resultou em vitória nesse mesmo IW ano passado) e as suas batidas de esquerda nunca completavam o movimento, parava o braço no meio do caminho.

Junto à rede estava duro, não conseguia se posicionar corretamente, não vergava o tronco, tudo que não se deve fazer para um voleio. Fora que as subidas eram quase todas com aproaches curtos, sem velocidade e mal colocados. Seus melhores voleios vieram em cima das poucas bolas que voltaram flutuando e altas, sendo que seu último voleio foi algo patético de se ver.

O único momento em que conseguiu fazer algo decente foi nos dois games que cacifou no segundo set, pois os do primeiro set foram ganhos principalmente por ter conseguido fazer bons saques. Nos games do segundo set que ele ganhou, uma quebra e um serviço seu, jogou dentro da quadra, conseguiu pegar as bolas na subida (só nessas ocasiões sua bola andou um pouco) e devolvê-las fundas, baixas e no pé do espanhol, tanto que foram os dois únicos games em que Nadal errou bastante.

O resto do jogo foi um disparate a favor do espanhol, que foi disciplinado taticamente (como sempre) e não tinha nada a ver com os problemas de movimentação do seu oponente. Jogou muito bem, fora aqueles dois games já citados, atacou muito, sacou bem e fez o seu.

Nas devoluções, Nadal ficou lá atrás, como de costume, e contou ainda a falta de velocidade de muitos serviços do suíço, principalmente o aberto no iguais. A bola vinha tão lenta que, mesmo angulada, dava todo o tempo do mundo para o espanhol chegar nela, se posicionar e meter aquele revés com spin alto lá no fundo, complicando a segunda batida do suíço.

O forehand do espanhol está andando muito e, aproveitando a espantosa velocidade de braço que ele tem, tá conseguindo jogar mais dentro da quadra. A mistura de antecipação na batida com a velocidade gerada está fazendo estragos em cima dos adversários. A movimentação ruim que foi vista no Chile e no Brasil desapareceu e, se não é exatamente a mesma dos bons tempos, está muito próxima disso.

Resumindo: ganhou quem já vinha fazendo um torneio melhor e está jogando bem. O outro, apesar de alguns problemas físicos evidentes, perdeu porque está jogando pior e isso é incontestável.

Derrota da semi do ano passado devolvida, Nadal segue firme para a final, pois é mais fácil o Federer ganhar dele no saibro do que o Berdych fazer isso em qualquer ocasião. Agora, do outro lado da chave, vai sair faísca hoje …

Não foi só eu que não gostei…….

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quinta-feira, 14 de março de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 10:17

Game, set e match

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Assisti a mais um derretimento mental de Wawrinka, na hora da onça beber água, frente a seu algoz e parceiro El Roger, acompanhado da minha querida mulher, enteado, trancinhas de mel e um pote de sorvete La Basque.

Patricia passou o jogo torcendo pelo suíço errado e falando sobre seu sentimento ambíguo com Federer – coisas de amor e ódio femininos. É lógico que, sempre propenso em ver o circo pegar fogo, eu também torcia pelo Wawrinka. Primeiro porque existe o tema de torcer pelo mais fraco, segundo variações são bem vindas, depois há a minha quase incondicional parceria com a parceira, aliás atenta leitora deste Blog.

Wawrinka jogou como quase nunca e perdeu como quase sempre frente a Federer. O pior é que durante uma boa parte da partida foi disciplinado táticamente, colocando seu maravilhoso revés no revés adversário – literalmente fugindo da direita alheia. Não todo o tempo, e quando não o foi eu aproveitava para apontar o deslize mental à tenista ao meu lado.

O ultimo game foi uma piada – antes disso tenho que dizer que a qualidade do jogo foi altíssima, com dois tenistas de muito talento encantando os admiradores do tênis-arte, algo valioso em dias de Conans armados de raquetes.

Depois de muita briga e bolas maravilhosas (veja o 1o video abaixo), Federer não conseguiu fechar a partida sacando em 5×4 no 2º set. Após uma série de mágicas e vencer o 2º set no TB, Wawrinka tinha que fazer seu serviço, o que vinha fazendo com certa facilidade, e levar a partida para o TB do 3º set. Começou com 0x30 e flertando com erros táticos. No 13×30 deu uma encolhida no braço que me constrangeu a milhares de quilômetros do estádio. No 15×40 pirou. Espera aí, não acabou o jogo e você tá sacando – lute! O rapaz deu uma bola no meio da quadra, quase no centro e na direita do topetudo e foi à rede – imagino que para apertar a mão do Roger! Este ficou tão surpreso com que devolveu na mão, só para Wawrinka volear de volta na direita do bonitão – aí dançou mesmo. Crau, game, set e match!

Mas foi um ponto solto no início do 3º set que causou a polêmica e a irritação do melhor do mundo. Federer sacou aberto no iguais e, raridade, foi à rede, quando foi assaltado pela duvida se o serviço havia sido bom, apesar de nada ter sido chamado.

Com certa displicência voleou a bola na rede, virou para o juiz de cadeira e pediu o desafio de seu próprio saque, algo permitido – desde que dentro dos parâmetros do Desafio. O juizão negou, alegando que ele não interrompera o ponto, fazendo o voleio. Federer alegou que foi tudo muito rápido e o voleio instintivo. O juiz insistiu que fora um golpe a mais do que o permitido. Federer pediu o Supervisor, que só pode regular sobre regras, nunca sobre fatos.

Federer ainda tentou pegar o Supervisor em um contra pé verbal (veja o 20 video abaixo). Ao ser informado que a decisão era de fato e não de regra. Roger disse: quer dizer que você concorda com a decisão?

O Supervisor, com tremenda categoria, respondeu seco que ele não havia dito aquilo que o tenista insinuava, virou as costas e partiu, já que nada mais tinha a fazer por ali e não fica bem em atrasar o jogo. Ponto e jogo para os dois oficiais e quem não entendeu se perdeu.

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segunda-feira, 11 de março de 2013 História, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:52

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Gustavo Kuerten radicalizou. Cansado das eternas dores que o afligem desde quando foi obrigado a abandonar a carreira, este fim de semana ele encarou mais uma cirurgia – só que foi para as cabeças. Colocou uma prótese de titânio com as superfícies de atrito feitas em cerâmica. Não tenho os títulos de Roland Garros, mas tenho 30 anos a mais e o mesmo problema que ele, com o desgaste da cartilagem no joelho no meu caso – é o inferno!

A cirurgia é radical, mas, a cada ano mais segura e menos traumática. Ele a fez em Floripa – desta vez não achou necessário ir aos EUA para tal – com um especialista local. Imagino que deva ter total confiança no Dr. Richard Canella.

Kuerten foi um dos primeiros e ter esse tipo de contusão que vem atacando os tenistas, inclusive os mais jovens. O primeiro que chamou a atenção foi o Magnus Norman. Imagino que por conta de suas realidades, os tenistas atuais estão tomando as precauções necessárias para que não desgastem seus quadris – na área da cabeça do fêmur – como seus colegas.

Ficará sempre em nossas memórias a dúvida do quanto Kuerten conseguiu acertar nas decisões feitas antes e depois de sua primeira cirurgia. De qualquer maneira, os resultados estão aí. O importante é que esta cirurgia tenha o sucesso esperado para o tenista de somente 36 anos – se tudo tivesse ido bem na sua carreira, poderia ter estendido seu sucesso por vários anos e nos dado inúmeras outras alegrias.

Deixando de lado esse nosso compreensível egoísmo, o importante – para ele e todos nós que gostamos da pessoa ainda mais do que do tenista – é que ele merece ter uma qualidade de vida que fez mais do que por merecer. E isso passa por, óbvio, poder se locomover sem dificuldades e sem dor.

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sexta-feira, 8 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:36

Osmose

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Alguem fugir de suas características é algo que não se pode classificar como fácil ou mesmo normal. Exige uma motivação maior, um despreendimento libertador, uma dose de audácia pessoal, uma consciência das vantagens da humildade construtiva e uma generosa pitada de disciplina.

Por isso, me chamou a atenção o meu leitor e nosso personagem Flávio Bet@, o popular Barão, figura consagrada por aqui, sair um tantinho da sua característica para comentar sobre Thomaz Bellucci – confesso que só não entendi aquele drill, espero que inexistente, já que todas as bolas vão para o mesmo lugar e o tenista-batedor se move!?

Mas, especialmente por deixar claro nas entrelinhas a necessidade de mudanças, porque não dizer providencial fuga de suas características não tão positivas, para uma mudança de rumo na carreira do tenista, algo que ele mesmo se propos dois ou três anos atrás, sonhando com glórias maiores e alegrias enormes a seus fãs que, na verdade, são todos os brasileiros. E, of course, não estou a falar de mudanças na terceirizada área de gerencia de sua carreira.

Abaixo o texto do Bet@:

Eu fico triste de ter acertado (assim como vários aqui) meu pitaco que o Bello não decolaria. Falta a ele os demais ingredientes para transformar seus golpes em um bolo chamado jogador. A tristeza é porque, mais do que o prazer em acertar pitacos, bom mesmo seria ter um brazuka brigando lá na linha de frente.

A questão da contusão preocupa porque, no meio desse dilema se para e vai pra faca ou continua e fica no chazinho milagroso, a carreira não deslancha, seja pra que lado for.

Tenho lido muitos colegas escreverem sobre o Thomaz começar de novo, como o fez o Dumont, ou procurar focar somente no saibro, que é o seu piso preferido. O problema é que ele não ganha quase nada seja onde for.

Alguém aí queria um cenário melhor do que um saibro rápido como o do BR Open para ele cacifar? Pois é, só que ele não usou as vantagens da quadra e bolinha para angariar pontos com seu saque e drive e ainda se enrolou todo na hora de devoluções e rebatidas.

Há algo meio estranho no jogo desse garoto, porque parece que do nada ele desaprende o que já sabia. O guri faz uma partida daquelas contra o Isner (ainda que o Isner não tivesse no seu melhor dia) e depois sofre feito um condenado na gira latina de saibro.

A dificuldade em lidar com a responsabilidade de ser o protagonista quando enfrenta adversários mais fracos já beira o absurdo, pois ele não tem mais 20 anos de idade. Porém, o que sempre me chamou mais a atenção no Bello é a aparente incapacidade de aprender a jogar tênis e não ser apenas um golpeador de peludas.

Pelo tempo de estrada, já era para ele ter absorvido, nem que fose por osmose, diversos conceitos que compõem uma partida de tênis e vão além do famoso drill “duas cruzadas de forehand e uma paralela de esquerda”!

Esse pra mim sempre foi o ponto principal de entrave na carreira do menino e fica escancarado quando se vê o rapaz ao vivo, estampado na expressão dele: não lê o jogo, não escolhe os melhores golpes na hora certa e inventa moda sempre na hora errada.

Com um bom drive e o serviço que sabe fazer ele poderia ir bem mais longe do que vai, tanto que já ganhou seus canecos. Mas como o resto joga contra, a conta de créditos e débitos normalmente fecha no preju.

Trabalhar, pelo que dizem, ele trabalha até mais do que se espera. Porém, para certas atividades, só suor não resolve. O duro é saber se um dia ele vai se libertar das amarras que ele próprio se impõe para poder jogar, como disse o Aviador, leve e sem culpa.

Em todo caso, quando entrar em quadra, estarei por aqui torcendo pelo seu sucesso. É o nosso melhor brazuka e, ainda que menos do que se deseja, consegue um caneco vez ou outra. Então, na falta de tu, vai tu mesmo …

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quinta-feira, 7 de março de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 22:29

Pandora?

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Enquanto alguns gastam seu tempo, e o nosso, tentando parecer mais inteligentes do que são por conta da velha e batida ironia (um pouco colore, muita entedia), o caro Dumont aterrisa e apresenta uma perspectiva sobre a nova crise de nosso atual melhor tenista que na pior das hipoteses acrescenta à discussão. Isso, enquanto aumentam os rumores pelo grapevine que Bellucci estaria abrindo a atual parceria com a Koch Tavares, empresa que há anos gerencia sua carreira. A confirmar.

Abaixo o texto do Dumont:

Enviado em 07/03/2013 às 20:20

Boa noite.

Thomas Bellucci perdeu mais uma vez. E isso – sem a mínima ironia ou brincadeira – me parece grave. A despeito do desejo futebolistico brasileiro em torná-lo Guga – que exige que alguém com personalidade tão introspectiva transforme-se em um leão que bate no peito e chama a torcida para jogar consigo – entendo que algo sério está acontecendo. O folclore que criou-se pelo sua falta de carisma e por suas constantes derrotas deve ser revisto, pois nenhum tenista, qualquer que seja, se mantém por tanto tempo no top 50 se não tivesse flechas na sua aljava. E Bellucci tem.

Bellucci sofre pela falta de confiança e esta tem origem em muitos lugares. No final do ano passado, foi revelado pelo seu técnico, o argentino Daniel Orsanic, que Bellucci sofre com uma lesão no ombro esquerdo – lesão esta que o motivou a abandonar o Challenger Finals no ano passado. A lesão é crônica, e já foi motivo até possibilidade cirúrgica. O trabalho fisioterápico que vem sendo desenvolvido neste último ano é de aliviar a sobrecarga, sobretudo na mecânica e na intensidade dos treinos, e corrigir a postura de Thomaz, para fugir da cirurgia. Vale lembrar que Bellucci, como um grande sacador, sempre imprimiu uma grande sobrecarga no ombro pela mecânica do golpe e também por ter aquela empunhadura radical. Lembro-me de algo que foi muito batido por Larri Passos, que, durante a parceria, pedia encarecidamente que Bellucci “penteasse” mais a bola, já que era tendência certa de ele sempre querer ir para aces. Penteando a bola, ele conseguiria jogar mais com o primeiro serviço, reduziria a sobrecarga no ombro, e teria uma maior possibilidade de ter o domínio do ponto e um controle melhor da bola no retorno.

Eu pergunto: Como pode render um tenista sem confiança, tendo uma lesão crônica? Pergunto mais: Onde ele irá adquirir confiança? Ora, se alguém tem uma lesão, e se ele está fugindo de uma possível cirurgia, então que faça como Nadal fez. Não diria pelo afastamento, até porque já está realizando uma reeducação postural, mas voltar a mesclar seu calendário de top 40, no piso que gosta, e no lugar onde poderia ter uma possibilidade maior de uma sequência de vitórias, no caso os Challengers. Porque não? Ele já fez isso e teve bom êxito! O problema é manter o ranking? E a longevidade da carreira? Será que Bellucci confiante, sem culpas e remorsos, não poderia chegar ainda mais longe? Claro que o trabalho psicológico que está sendo feito com ele passa por essa alegria, que se define pela leveza, pela ausência de cobrança, exatamente o que acontece e faz o jogo dele crescer quando diante de um top figurão: Joga leve, sem culpa, faz bons jogos.

Aqui é uma opinião. Não sou eu que define o funcionamento da caixa de Pandora de ninguém. Mas não existe tenista confiante estando lesionado, perdendo a confiança do seu jogo no lugar onde não deveria jogar e se auto-cobrando por aquilo que não pode conseguir no momento. É hora de redefinir a carreira e de se posicionar.

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terça-feira, 5 de março de 2013 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:15

Cinco no Hall da Fama

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O Hall da Fama aproveitou a Dia Internacional do Tênis, celebrado pela primeira vez ontem, para anunciar novos nomes para sua galeria – no ano passado Gustavo Kuerten foi um deles.

É vendo alguns desses nomes que se separa sofasistas do pessoal que conhece a história do esporte branco. Assim sendo, vocês podem testar seus conhecimentos lendo o nome dos cinco indicados e depois dar uma olhada na curta história que publico de cada um deles.

Thelma Coyne Long é uma australiana, de 94 anos de idade!, que venceu o Grand Slam de casa em duas oportunidades nas simples, além de 13 títulos nas duplas femininas, mais quatro mistas sempre em casa, e uma dupla feminina em Roland Garros. Dá para ver que a moça sabia volear, o que sempre ajuda nas duplas, uma raridade atualmente, pela foto abaixo. A moça foi também uma heroína na 2ª guerra mundial.

Ion Tiriac, 73 anos, também vai para o Hall da Fama. Mais pelo o que fez após encerrar a carreira de tenista do que nela. Ion era um tenista sem nenhuma habilidade e um estilo bizarro – mas um verdadeiro casca de ferida. Fora as intimidações. Esteve aqui no Brasil em mais de uma ocasião, jogando Davis e um circuito internacional no meio dos anos 70. É um amigo desde aquela época. Foi técnico de Borg, por curto tempo, Guillermo Vilas e Boris Becker, o que o levou a agenciar jogadores, realizar eventos, abrir uma rede de academias e um banco, o que o deixou multimilionário. Atualmente é o dono do polêmico Torneio de Madrid, que se lhe der na telha tira de lá.

Cliff Drysdale é um sul africano de 71 anos que também esteve aqui no Brasil no mesmo evento do Tiriac – jogou no estádio de A Hebraica em São Paulo, onde nunca mais vi outro evento. Lembro-me de uma partida dele ali com o Manolo Santana como se fosse ontem. Tinha excelente esquerda com as duas mãos – em uma época que eu arriscaria dizer que era o único homem com tal golpe. Não foi o primeiro, mas foi marcante ali nos anos sessenta e setenta. No ápice foi um top 15, talvez 10, na época não existia o ranking. Foi um dos fundadores da ATP e um dos originais Handsome Eight – alguem aí sabe o que foi? É comentarista de tênis da ESPN, desde o início do canal, sempre com aquele estranho sotaque sul-africano.

Charlie Passarell, 69 anos, é um porto-riquenho que sempre preferiu ser americano. Jogou bem, sempre saque e voleio – do fundo era cego. Tem uma partida histórica dele, com o Pancho Gonzalez, que os ingleses da BBC sempre colocam no ar quando chove, durante Wimbledon. Ficou famosa porque Gonzalez, na época com 41 anos, o bateu na partida mais longa de então: 112 games em 5hrs e 20 em dois dias. 22/24 1/6 16/14 6/3 11/9. O placar diz, mais alto do que quaisquer palavras, quem era Pancho Gonzalez. Passarell foi o fundador do Torneio de Indian Wells com Ray Moore e continua dando as cartas no torneio.

A ultima é Martina Hingis, 32 anos, uma certa surpresa, pela personalidade, pisadas na bola e idade, mas imensamente merecido se analisado somente pelo aspecto técnico. A moça foi a melhor tenista intuitiva que vi jogar. Sempre vou poder dizer que vi a menina ser campeã juvenil de Roland Garros aos 12 anos, algo de outra dimensão! No máximo tinha um outro brasileiro lá naquele dia. Martina venceu 5 títulos de GS e deixou escapar o “Grand Slam” – vencer todos os GS na mesma temporada, em 1997, aos 16 anos – seria algo inédito então e, provavelmente, para sempre. Por pura máscara. Perdeu na final de Paris para a croata Iva Majoli, algo que não aconteceria novamente em 100 tentativas. Ganhou também nove duplas femininas e uma mista nos GSs. Foi #1 do mundo 209 semanas consecutivas – mais de 4 anos. Pirou quando as irmãs Williams chegaram e abandonou as quadras com 22 anos. Fez um comeback, voltou ao top 10, mas naufragou no doping de Wimbledon por cocaína. Mas era uma maravilha vê-la mexer a bola como poucas, sempre intuindo com perfeição onde ir e onde colocar as bolinhas.

Thelma voleando

Drysdale e o backhand com duas mãos.

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O leitor escreve, Tênis Masculino | 09:11

O tempo

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Não é de hoje que a leitora LuA nos brinda com seus textos. Este uma reverberação do meu texto anterior. Divirtam-se

Boa Noite!
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Tenho um tiquinho de embaraço ao tentar entender esta relação tatuada entre pai e filho. Uma conjunção entre Catavento e Girassol. Quando há.
Ao justo, melhor mesmo separar o coração: o pisar lento do piso rápido e mortal. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Isto eu não sei. Só sei que estes dois aí são dois lugares num raio só. Não caem.
Se raio, lembrança. Rememorada como outras, mas não como as outras. Veio.
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O televisionamento dos principais torneios foi, realmente, uma lenha na alma dos fãs do Tênis e no coração dos Fedalmaníacos. Estes ardem de modo diferente daqueles, todavia com enlevo igual. Também no tempero a internet, o marketing, a beleza física (a outra é subjetiva e deixo para os fãs) e o carisma de ambos, com a marca de O Melhor de Todos os Tempos (já vistos) e o Rei do Saibro (até então).
Impossível mais!
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O velhinho tem mesmo que arriscar se preservando. A manhã será triste quando Mirka resolver que o pai precisa levar as filhas para a escola e sossegar o facho em casa. Quando chegar o anoitecer dele, meu choro de gratidão e saudade escorrerá, tem jeito não, é assim. Sempre foi.
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O novinho, dizem, sempre conviveu com a dor. O mal de todo atleta. E a terra vermelha com o pó beirando a rótula sempre foram um santo remédio. Não duvido que o novinho fique mais por aí. Mais na terra que no ar. Há muito mistério ainda nesta volta . Ele já mostrou outras vezes uma capacidade enorme de se reinventar.
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Nunca tive medo do novo que virá. Que já veio! Ortodoxo e fazendo o sinal da cruz para espantar os maus olhados. Como se dissesse “está repreendido” para os olhares cansados que se miram contra ele. Sinal da direita para a esquerda. Tanto faz! Vou com ele. O moreno queixudo me atrai e “pra mim não é qualquer notícia que abala o coração”. Se o Tênis não fosse também um constante Renoir, digo, Renovar, não teria o mesmo charme. Negócio seguinte. É entrar no barco e descobrir outras paisagens.
Levo também o mala com a mala tentando tirar uma roupa diferente da bagagem. Não resisto a uma novidade e não dispenso roupas com estações e formas diferentes. Fico sempre na esperança de sair de lá uma combinação boa que fuja do cotidiano. Chega de “me sorri um sorriso pontual “. Déjà vu com gosto de hortelã é bom, mas todo dia e toda hora enjoa.
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Fazer o que? Novos tempos. Aliás, o Tempo. O Tênis – a girar e a pulsar como a vida de quem está sempre entrando na quadra.
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domingo, 3 de março de 2013 Tênis Masculino | 20:39

Juras e promessas

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Os dois protagonistas da maior rivalidade tenistica da década vivem momentos delicados e distintos. Por conta disso, o tênis profissional masculino caminha por um fio da navalha que pode fazer com que a temporada 2013 apresente mudanças radicais no topo do ranking e nos corações dos fãs. Especialmente aqueles, em enorme número, que aprenderam a acompanhar e apreciar o tênis através do televisionamento dos melhores torneios profissionais, realidade que se instalou quase que concomitante na realidade brasileira com o surgimento desses dois protagonistas.

Como escrevi anteriormente, com a idade Roger Federer adquiriu certos direitos no circuito ATP. Um deles é sobre a obrigação de participação nos Masters 1000. Agora joga só o que quer, sem se preocupar com multas e pontos. Por conta disso, avisou que jogará Indian Wells, que caminha para ser o “O Torneio”, e dá uma esvaziada no Torneio de Miami e uma cutucada na IMG, dona do evento. Independente de cutucadas federinas, o torneio continua o favorito dos brasileiros. E vai ficar ainda melhor com os investimentos que farão, agora que a prefeitura estendeu o contrato.

Após Indian Wells, Federer só volta a jogar em Madrid e Roma, para treinar para Paris, e Halle para treinar para Londres. Com a petulância que lhe é costumas, ainda deve pensar em vencer um Grand Slam, mas o fato é que, a cada um deles, a tarefa fica mais difícil. Jogar bem uma quinzena de cinco sets é diferente de jogar bem uma semana em três sets. Por isso elegeu o blefe e o andar na corda bamba. Chegará a Paris sem ritmo, porém totalmente fresh, que é sua aposta. Como não poderia deixar de ser, acredita que o talento fará a diferença. A checar.

Para nós fãs é lucro. Quanto mais tempo Federer achar que dá para ficar competitivo – e a nos encantar – melhor. E, em um evento como Wimbledon, ele ainda pode surpreender sues adversários. É só os ingleses cortarem um pouquinho mais a grama e, nos dias certos, o tempo estar úmido que o bicho pode pegar. Mas com o MalaMurray por perto eu duvido que o façam.

Rafael Nadal também vai segurar as rédeas daqui para frente. O quanto, talvez nem ele saiba. Será interessante ver como o Animal irá se domar. O fato é que a sua carreira dificilmente será mesma daqui para frente. Aquela entrega que surpreendeu o mundo dificilmente será a mesma. Além disso, terá que administrar a carreira – e aí me refiro a pontos, ranking, pisos e torneios. Não dá para ficar no topo só jogando no saibro – por isso sua insistência em tentar intimidar, e dobrar, a ATP em aumentar o número de eventos na terra. Bom para ele, não necessariamente para o tênis, os fãs e o resto dos tenistas.

Sua vitória em São Paulo e Acapulco mostrou que o cara é fera e fora de série – como se ninguém soubesse! É só ver como uma mortal como a Venus, que teve problemas de saúde e ficou longe das quadras, encontra dificuldades em pegar o ritmo de vitórias, bem diferente de ritmo de jogos.

Esta 2ª feira Rafa vai a New York judiar de seu joelho por um saco de dinheiro. Será uma maneira de ver como o bichado reage nas quadras duras. Lá mesmo deve dizer se vai ou não à Califórnia. Eu apostaria um cachorro quente e uma coca que sim. E não duvido que o tal do Ellisson, dono do evento, não lhe de uma telefonada encorajadora. Vai lá e vê como funciona. Se não machucar muito, vai a Miami também. Mas depois não vá reclamar! Ou então joga no seguro, pega um voo da Ibéria de volta para casa, vai gastar o saibro europeu e dar graças a Deus que ainda joga na terra. Mas, como todo mundo que já teve problemas com contusão sabe, uma coisa é quando dói; a gente faz juras e promessas, outra é quando a dor some e a euforia toma conta. Aí voltamos a acreditar que somos inquebrantáveis e invencíveis. Doce ilusão.

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