Publicidade

sábado, 6 de julho de 2013 Tênis Feminino, Wimbledon | 16:53

ESTOJO

Compartilhe: Twitter

“Se você puder encarar triunfo e desastre e tratar esses dois impostores igualmente” são os versos do escritor inglês Rudyard Kipling que aguardam os tenistas conforme eles entram na quadra central de Wimbledon. Desde jovem, quando descobri sobre a placa, os versos me intrigam e inspiram. Me inspiram pela verdade, um tanto difícil de compreender em certas épocas da vida, e intrigam por me perguntar quantos tenistas foram realmente tocados pela frase conforme adentravam o templo sagrado do Tênis.

A vida me mostrou, às vezes de maneira cruel, as verdades do poema de Kipling, que é mais extenso do que a frase acima, mas nunca soube de um tenista que confessasse a inspiração, apesar de muitos a mencionarem.

Quando Sabine Lisicki saiu da quadra após perder seis games seguidos, para supostamente ir ao banheiro, numa clara tática de interromper a partida e tirar o ritmo da adversária, tática cada vez mais usada no circuito, em particular no feminino, me irritei. O fato de ficar somente dois minutos – já ví mulher ficar 10 minutos por lá – mostrou que não estava muito à vontade com a pobre decisão.

A alemã não conseguiu dominar os nervos em toda a partida, a não ser quando já perdia por 6/1 5/1 e o inevitável se agigantava. Como é natural, entregou para Deus e a partir dessa decisão se acalmou e começou a jogar tênis, o que explica para quem quiser entender o valor das religiões. Enquanto isso, Marion começou a sentir a pressão de fechar para vencer o torneio, algo que já é difícil per si, ainda mais com a adversária começando a colocar as bolas em jogo após tanto desperdício.

Mas a nossa querida e exdruxula crente estava preparada para o que desse e viesse. Com as duas palmas das mãos indicava o foco que devia seguir – mais uma de suas ótimas involuntárias tiradas – e ia para o jogo. A moça foi uma rocha mental, até ajudada pela ausencia de infortúnios enviados pela adversária.

No fim do dia, a francesa se impôs e, como confessou, nada mais gostoso do que terminar com um ace, até pelo tanto que ela disse treinar o fundamento. Falem o que quiser da moça, mas ninguém tira o título de Wimbledon dela. Aqui com meus botões, lembro que a um ano atrás a federação francesa estava em guerra com a moça e não a indicava para as Olimpíadas, enquanto uma leva de cabeças de bagres que se vergavam às orientações das FFT conseguiam a indicação. Foi no apagar das luzes que a indicaram, após muita briga publica e sobre a qual aqui escrevi.

Mas, na verdade, foi algo mais que me emocionou e me levou às lágrimas. Não sei se na telinha do computador consigo passar o que foi. Sabine jogou boa parte do segundo set quase às lágrimas. Seus olhos marejados e o rosto contraído entregavam o estresse. Só foi sorrir no 3×5 quando já não acreditava mais na vitória. Tarde demais.

Mas voltemos ao poema de Kipling. Quando Sue Baker chamou a alemã para entrevista dentro da quadra, a moça devia estar no auge de sua vulnerabilidade. Já perdera, já chorara, já frustrara os seus maiores anseios e de todos so seu redor. Alí estava o cenário para emergir a real Sabine Lisicki. E foi ali que conseguiu o que nunca havia conseguido, mesmo após seus diferentes feitos tenisticos – ganhar meu coração. Baker levantou a bola e ela podia ter jogado para qualquer lugar. Ao invés de se refugiar na auto-piedade, jogou-a para a vencedora, enaltecendo-a e congratulando-a. Quando falou de si, falou com esperança e ainda encontrou a alegria para agradecer a todos que a apoiam. Mas tudo com muita elegância, sinceridade, altivez e simpatia. Os campeões no esporte são feitos de diferentes qualidades; os vencedores nesta vida repleta de fustigações de muitas outras – algumas que não necessáriamente fazem parte do estojo dos “campeões”.

Autor: Tags: , , ,

quinta-feira, 4 de julho de 2013 Tênis Masculino | 13:47

Nooossa!

Compartilhe: Twitter

Adoro assistir a frantica crente Marion Bartoli jogar. Essa realmente é fora da caixa. Além de bater com as duas mãos de ambos os lados, a moça é maluquete total. A coreagrafia que arma entre os pontos é nunca dantes vista. Dos agachamentos aos treinos dos golpes antes dos pontos. Mais incrível é assistir suas entrevistas – a moça é pura meiguice. Hoje ela passou por cima da belga Flipkens em uma das surpreendentes semifinais. Lembrando, já esteve na final de Wimbledon em 2007, perdendo para Venus Williams.

Na segunda semifinal a “cara de quem não gostou” Radwanska usou de toda sua inteligência tenistica para realizar uma bela batalha contra a alemã Sabine Lisicki, que no fim conseguiu vencer por 9/7 no set final. A Radwanska tem mais habilidades, é uma tenista pensante, mas falta-lhe um saque para se impor. A falta desse golpe é a diferença entre ficar na semi, mais uma vez, e vencer um Grand Slam. Aliás, tremanda falta de classe a maneira como cumprimentou a adversária ao final do jogo. Já a alemã assume que o negócio dela é porrada, ao risco de fazer algumas bizarrices em quadra. Mas o jogo dela se encaixa na grama e por ter um bom saque consegue enfrentar, e bater, qualquer uma.

A final é um jogo aberto. As duas gostasm de agredir. A francesa já esteve lá e agora deixou o pai em casa e ficou com a direção de Mauresmo, uma mulher inteligente que deve conseguir falar bem com o emocional de Marion. Quanto a alemã, ela oscila um pouco mais emocionalmente, mas tem a mão pesada para incomodar e atrasar a Bartoli, que não tem tanta movimentação. Um bom confronto que, suspeito, vence quem trouxer a melhor estratégica para a quadra. E, como toda final, quem controlar as emoções melhor.

Antes de terminar, as felicitações e alegria pela vitória de Marcelo Melo e o seu eficientíssimo parceiro Dodig sobre a dupla malamór Stepanek/Paes. Nooossa, chegar à final de Wimbledon, batendo esses dois, e enfrentar então os Bros Bryan é tudo de bom. O mineiro vai dormir como um anjo esta noite.

A alemão Sabine

A francesa Marion

Autor: Tags: , , ,

Wimbledon | 12:57

Epopéia

Compartilhe: Twitter

Este post era para ter aparecido ontem.

Este, e todo Wimbledon, será uma epopeia na carreira de Andy Murray. Com o peso sobre os ombros, da nação que inventou o Tênis como é conhecido atualmente, o escocês, que é complexo e denso emocionalmente, não terá tarefa fácil para chegar ao título que a Grã Bretanha dele espera. Australian Open, U.S. Open e Roland Garros são todos bem vindos, mas o que importa mesmo é Wimbledon.

O peso da expectativa travou o rapaz nos dois primeiros sets contra o surpreendente Fernado Verdasco. Conseguiu encontrar dentro de si a fibra necessária para virar um jogo que nem seu publico mais acreditava. E, na hora da onça beber água, nos submundos do quinto set, jogou para ganhar melhor do que o oponente, que jogou sem pressão. A próxima rodada, na semifinal, enfrenta o fantasmaço polonês Jerzi Janowicz, talvez o mais perigoso sacador do circuito, agressivo, bom voleador, carismático e que, dependendo desta semana, pode estourar no circuito. Murray é, junto com Djoko, o melhor devolvedor do circuito e extremamente eficiente no contra ataque. O confronto de estilos é sempre espetacular e emocionante.

A surpresa maior é por conta de ver Juan Del Potro na semifinal – contra Djokovic. O argentino passou tranquilamente pelo operário Ferrer, o que não chega a ser uma surpresa, na grama. Espero que a contusão no joelho não se agrave depois de esfriar. Contra o sérvio vai precisar de tudo e mais um pouco que puder tirar da cartola. Não custa lembrar que o argentino bateu o sérvio aí nessa quadra na decisão do 3o lugar das Olimpiadas em 2012. Mas, ainda acho que Djoko é o favorito.

Autor: Tags: , , , ,

quarta-feira, 3 de julho de 2013 Tênis Masculino | 11:17

Problemas

Compartilhe: Twitter

Como os leitores devem ter percebido, o navegador Chrome não está abrindo o site, mas o Firefox e Internet Explores estão. O pessoal da tech do IG me assegura que os esforços para sanar o problema estão sendo feitos e que em breve os problemas serão corrigidos. Esses problemas estavam dificultando as minhas postagens e os comentários.

Ainda hoje estarei postando novamente.

Autor: Tags:

segunda-feira, 1 de julho de 2013 Wimbledon | 15:10

Surpresas

Compartilhe: Twitter

Surpresas é o que não falta em Wimbledon. Não sei se fico mais surpreso com a derrota de Serena Williams para a alemã Lisicki, não por esta, mas pela primeira, ou com o fato de Verdasco estar vivo e progredindo nas quartas de final.

Pela temporada que vinha tendo, Serena era a favorita, disparado, especialmente na grama. Mas hoje contra a alemã ela jogou sem sangue nos olhos, sua mais marcante característica.

Qualquer dia desses eu iria escrever que a provável razão de sua ótima temporada é o amor. A moça está no maior affair com seu técnico o francês Patrick Mouratoglu e está de bem com a vida, o que ajuda nos mais diferentes aspectos da vida. Faz o maior sentido.

Pela sua atuação tranquilamente apática de hoje, sem buscar pelas as profundezas de seu dark emocional, eu também posso tirar o amor da manga e usar mesmo argumento. Afinal, briga-se menos quando se está amando. Dois lados da mesma moeda.

O que me incomoda um pouco é o fato de que onde quer que a moça vá a torcida é contra. Será que ela é tão chata assim? Ela já foi bem mais arrogante e marrenta, está mais light; mas não é nenhuma Aninha, em quadra ou fora.

Para mim parece que existe certo preconceito com a moça. Como ela nunca ajudou, dá nisso. Afinal, Arthur Ashe, era tudo menos um Uncle Tom, ou Pai Thomaz. Era bem verbal sobre os direitos dos negros, em uma ápoca eles eram desrespeitados descaradamente, especialmente em seu país, o que marginalisava certos fãs do tênis americanos. Mas ele sempre fez questão de se comportar como um gentleman, dentro e fora da quadra, até para não perder a razão e o direito de sua postura. O que não impedia de representar, e bem, sua raça entre os afro-descendentes. Para quem não sabe, Mike Tyson tem o nome do tenista tatuado no corpo. Ashe sempre foi extremamente respeitado em qualquer lugar que fosse, tirando a Africa do Sul de então, e nunca lhe faltou o respeito, a simpatia e a torcida do público.

Verdasco vem sendo uma carta fora do baralho há algum tempo, parecendo desmotivado e sem a vontade que identifica os espanhóis. Seu último título foi em 2010. Já foi top10 e hoje é #54., ao mesmo tempo que tem o melhor ranking de duplas da carreira, o que o ajudou a voltar ao foco. Agora, aos 29 anos, dá uma revigorada na carreira, chegando às quartas de final de um Grand Slam na grama, seu piso menos favorito. O espanhol está de volta.

Autor: Tags: ,

domingo, 30 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 13:07

Domingo do meio 2013

Compartilhe: Twitter

Domingão chuvoso e preguiçoso. Não vou poder jogar como planejado, o que me deixa frustrado, senão irritado. Futebol na TV só à noite, quando vou torcer a favor do Brasil e contra a Espanha – percebam que não é simplesmente uma redundância. Enquanto isso pesquei o artigo abaixo, escrito em Londres, tambem em um domingo sem jogos em Wimbledon. O ano é de 2003, poucas coisas sobrevivem no tênis desde então – entre elas Federer e o fato de não ter jogos no domingão. Divirtam-se:

No “domingo do meio”, como o chamam os ingleses, não tem tênis em Wimbledon. O porque nem perguntando a eles. Se você o faz, eles te dão aquele olhar 48 e não respondem. A verdade é que não sabem. Simplesmente é, como muita coisa é por aqui, incluindo guiar do lado errado da rua. E por isso continuam sendo. Soa como uma lógica um tanto feminina, mas eles a chamam de tradição.

Aproveito o domingão para fazer o meu passeio. Vejo uma das centenas das lojas da Ladbrokes, a maior cadeia de casas de apostas da ilha. Lá dentro o esperado bando de vagabundos acompanhando uma corrida de cavalo na TV. Cada figura mais gosmenta do que a outra. A loja também recebe muitas pessoas que entram e fazem rapidamente suas fézinhas. Perguntar no o que eles não apostam é mais o caso do que perguntar no o que apostam.

Olhando em um quadro descubro que o atual favorito ao título de Wimbledon é o americano Andy “psicho kid” Roddick, o tenista com o olhar mais demente no circuito. Se alguém de branco prestar um pouco mais de atenção em seu olhar o manda trancar na hora. Mas, como diz o seu novo técnico Brad Gilbert, outro que não pode passar muito perto do Juqueri sem correr perigo, o segredo é focar suas frustrações. Gilbert, ex-técnico de Agassi, afirma, e com toda a razão, que não adianta ser um idiota como Rusedski – ficar gastando saliva xingando o juiz, levar uma multa e ainda perder os contratos de patrocínio. Além de perder a partida. O negócio é focar a raiva onde ela funciona. Ou seja, no adversário. Gilbert afirma que vivia odiando seus adversários desde o dia anterior à partida e, às vezes, no dia seguinte. Com tanta raiva no sistema não é à toa que seus pinos estejam batendo há tempos. Nos EUA é considerado um gênio. Mas no EUA o Bush é o presidente.

O garotão Roddick paga 7/4, enquanto que o segundo colocado, André Agassi, paga 3/1. Amanhã vou descobrir como estão as apostas de um contra o outro, caso aconteça. Mas partida só aconteceria em uma final e Roddick teria que passar antes por Roger Federer, entre outros. Federer é o meu favorito. Muito mais por razões emocionais e estéticas. Um campeão como Federer seria o melhor de todos os mundos. O rapaz é um gentleman. Sua educação, dentro e fora das quadras, é de lord inglês. Daqueles dos romances, porque os de verdade eu não sei não. Além disso, assisti-lo jogar é um prazer. Qualquer individuo que já tentou bater uma esquerda aprecia a arte do suíço. Federer tem um jogo que cobre todas as áreas da quadra. Saca bem, uma forte direita de ataque, bons voleios ( o de esquerda é uma tijolada) e faz absolutamente o que quer com a esquerda. E para ser um campeão na grama é preciso uma boa esquerda. Limpa, breve e precisa. Não é por acaso então que Federer é o terceiro na lista da Ladbrokes, pagando 4/1.

O quarto da lista é o inglês Tim Henman, que empenhou a palavra publicamente que um dia venceria Wimbledon. Graças à palavra empenhada, e a algumas semifinais, é o esportista mais bem pago do país. Com certeza, atrás de David Beckeham, que afinal de contas, como confessou Ronaldo, cheira bem até após uma partida de futebol. Até hoje não decidi se seu atual companheiro de time escorregou ou foi muito macho ao fazer tal afirmação. Atrás dos quatro vem o resto. E, por enquanto, é o que são.

Só por curiosidade, para quem não sabe. 2003 foi o ano em que Federer conquistou seu primeiro título em Wimbledon. E eu ganhei uma graninha a mais….

Autor: Tags: ,

quinta-feira, 27 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 12:08

A fila anda

Compartilhe: Twitter

Não sei se na Inglaterra tudo acaba em pizza or fish and chips, mas o fato é que eu acho que o jardineiro responsável pela grama do All England Club está com seus dias contados. Ontem o diretor de Wimbledon teve que fazer um comunicado dizendo que o clube não acha que a grama mudou um tiquinho sequer em comparação ao que era.  Sei. Reagia às massivas reclamações dos tenistas sobre a grama escorregadia e perigosa e consequente tombos e contusões dos atletas. Bem, se teve que explicar é porque tem algo ali.

Para agravar, o dia teve dez abandonos e WO por contusões, um recorde, sendo que pelo menos algumas por conta de escorregões. Como esse tipo de coisa não estoura na mão de diretores, suponho que o recém promovido fulano que toma conta das quadras seja rebaixado ao chatíssimo serviço de arrancar ervas daninhas. Para quem não sabe, o atual jardineiro-mór de Wimbledon assumiu a responsabilidade logo após Wimbledon 2012 – este é seu primeiro Wimbledon e parece que o trabalho não agradou aos tenistas.

O que não explica as outras contusões, como a de Darcis, o que eliminou Nadal na 1ª rodada, sentiu o ombro e não apareceu para o jogo. Isso é assunto para outro dia.

Wimbledon sempre foi terreno fértil para zebras nas primeiras rodadas. Faz parte da tradição e das circuntâncias, abordadas em meu recente post Escorregou na Grama.

A maioria faz sentido, considerando estilo dos envolvidos, outras nem tanto, como a derrota de Sharapova para a atrevida portuguesinha Brito, que teve que jogar o Qualy. A moça era para ser uma grande tenista quando juvenil, ambição que bateu no fato de ser pequena. Mas sempre teve uma direitaça e foi insolente, como quando levou advertência de uma juíza por gemer muito alto e chiou de volta “se fosse a Sharapova vc não fazia essa advertência”. Pois é, ontem as duas berraram como bezerras desmamadas e ninguem disse nada. No final, a portuguesinha com sua direita manteve a russa sob pressão e se movendo, o que causou tres quedas ao chão da patachoca, que não deve ter gostado também do espelho auditivo. Pode-se dizer que Brito ganhou no grito.

A vitória de Stakhovsky e suas contigencias também foram abordadas precocemente no ultimo post. É a vitória do compromisso e da boa execução com o saque/voleio na grama. O ucraniano fez a decisão no dia anterior e ficou com ela até o fim. Foi bonito de ver – Federer costumava fazer isso. Mas o Bonitão não é mais o mesmo – nem no estilo nem na cabeça. Ainda dá para curtir muito quando ele está em quadra, mas me parece claro que ele não tem mais o que exige para ser o campeão que um dia foi. O que, convenhamos, é normal aos 31 anos.

Até por isso, há que se fazer mais acertos do que erros, dentro e fora das quadras. Federer sempre se deu ao luxo de fazer incompreensíveis erros em quadra, só para se impor graças ao imenso talento. Na imensa maioria das vezes funcionou. Hoje funciona menos.

Lembro-me que um ou dois anos atrás grande polêmica houve no Blog por conta do calendário de Thomaz Bellucci. Para quem nunca conseguiu entender, ele arriscou e não deu certo, algo que acontece na vida de quem opta pela audácia de querer mais do que tem, algo que vejo com bons olhos. Federer errou em seu calendário este ano, algo que dá para ver agora, mas quando o fez fazia seu sentido. Jogar menos e focar onde teria mais chances, considerando a idade e adversários que tem. Com isso chegou a Wimbledon, seu grande momento na temporada, junto com o US Open, sem o devido ritmo e a devida confiança. Quando pegou um fantasmaço jogando muito e abafando junto à rede não soube/conseguiu contra atacar o tsunami adversário. Teve uma época que lidaria com isso só com seus instintos. Hoje ele está fora. A fila anda.

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 26 de junho de 2013 Porque o Tênis., Wimbledon | 13:14

Gasparzão(ões)

Compartilhe: Twitter

Hoje deve dar certinho; quando terminar os jogos de Wimbledon começa a semifinal Brasil x Uruguai.

Fiquei pensando sobre a vitória do Gasparzão Dustin Brown pra cima do MalaHewitt. Pontos interessantes a se avaliar. Hewitt bate Wawrinka, que virou top 10 e está na sua melhor fase, sem dó nem piedade. Mas leva um tranco do rastabrown que é #189 do ranking.

O Gasparzão tem um estilo, hoje peculiar, que se encaixa como uma luva na grama. Tanto que o mano sofre em outros pisos – o cara não deve gostar de sujar os tênis de barro.

Alto, 1.96, é sacador e sabe usar o saque slice, uma arma esquecida nas épocas atuais, como poucos. Além disso, tem muita mão junto à rede. Entre os top10 só Federer tem habilidades semelhantes no quesito. No fundo da quadra é outro cenário – é ruim mesmo e arrisca para não se alongar. O que, per si, não explica seu ranking de #189. Credito isso mais à personalidade viajandona do rapaz. Mas, hoje na Quadra 2 de Wimbledon, mais conhecida como Cemitério dos Campeões, o rapaz se inspirou e enfiou a mão. Saiu chorando de emoção da quadra e nem autógrafos distribuiu – vai ter tempo para isso.

Mas, o que essa vitória me desperta é a ideia de que o tênis de saque e voleio ainda tem chances neste mundo. Afinal, Hewitt é um mestre jedi do contra-ataque, mesmo aos 31 anos. O Gasparzão simplesmente foi pra cima, com excelentes serviços, devoluções chip and charge e muita tranquilidade e habilidade dentro do retângulo, abafando o australiano que chegou a ter sonhos maiores para a semana.

Sim, o mundo precisa de um grandalhão habilidoso, atlético e que domine os fundamentos, tanto os da rede como os do fundo de quadra. Se um dia o circuito pertenceu aos sacadores e voleadores, especialmente nas quadras mais rápidas e nas cobertas, a maioria durante décadas, hoje, época de quadras mais lentas, pertence aos sólidos tenistas de fundo de quadra. O fato vem fazendo que os atuais, e a geração que vem por aí, se pelem de medo de ir à rede e passar vergonha.

Por isso, fica lançada a ideia para técnicos e jovens. Que se aprenda o tênis em todo o seu espectro e que venha, em um futuro breve, tenistas mais completos, que voltem a nos encantar com todas as possibilidades e habilidades. Roger Federer, aos 31 anos e 1.85m de altura não é exatamante o que tenho em mente. Mas o Bonitão Federer, um talento que sempre soube volear e abandonou a tática quase que de vez.  Talvez não tão engessado – sacando e voleando a toda hora. Mas, variando, saque e subidas, surpreendendo com chip and charges, slices de esquerda, enfim, que use o repertório que Deus lhe deu. Bem que podia se lembrar de sua maravilhosa vitória sobre Pete Sampras, quando os dois fizeram o ultimo confronto digno de nota sacando e voleando em 2001, doze anos atrás. O fantasmão mostrou que é possível.

Bem, aí está também o Stakhovsky que não me deixa mentir! Afinal, ele mostrou ao Bonitão como faz.

Gasparzão Brown sacou e voleou eliminando Hewitt.

E falando em Gaspar……

Autor: Tags: ,

terça-feira, 25 de junho de 2013 História, Porque o Tênis., Wimbledon | 18:11

Rus

Compartilhe: Twitter

Logo após sua derrota em Wimbledon, Nadal disse que o tênis é um esporte de vitórias, não de derrotas. Fácil para ele falar. A imensa maioria dos profissionais passa a carreira pedendo toda semana, a não ser que ganhe torneios. Não é o lado mais agradável da profisssão.

Mas se Nadal é uma exceção e a regra é do tenista que boa parte do tempo vence algum jogo, mas perde toda semana, existe uma outra exceção à regra – esta bem negativa e de chorar.

Qualquer sofasista que conseguiu desviar seus olhos um pouco além FedererNadal conhece a saga do malamór Spadea. Se não conhece, é porque além de sofasista não conhece muito do tênis profissional.

Agora uma tenista, a gracinha magrelinha holandesa Rus, vive seu inferno astral e caminha a largos passos atrás do recorde do malamór Spadea. A moça, derrotada hoje em Londres, atingiu a vergonhosa marca de 17 derrotas seguidas no circuito. A moça não sabe o que é celebrar desde 19 de Agosto 2012.

Rus, atual #156 – já foi #61 – foi a #1 do mundo como juvenil em 2008, o que nos lembra o que pode acontecer com a confiança de uma hora para a outra. No ano passado ela foi à 4ª rodada de Roland Garros, eliminando Clijsters no caminho.

Nesses meses ela chegou a jogar torneios menores e conseguiu três vitórias, o que, pelo jeito, não ajudou muito. Só uma outra tenista teve tantas derrotas consecutivas; Sandy Collins, nos anos oitenta. Não, você não é um sofasita se nunca ouviu falar dela.

Aliás, o malamór Spadea perdeu 21 partidas consecutivas na AP Tour e não desistiu. Só de curiosidade; o cara que perdeu para ele, imaginem a vergonha, foi outro conhecido malaman, o canadense-britanico Rusedski, jogando na quadra central de Wimbledon com todo mundo vendo. Por 9/7 no 5º set. Se vocês querem saber o que é gozação, e celebração, deveriam ter estado no vestiário aquele dia.

Rus, 17 vezes consecutivas de joelhos. Dói.

Autor: Tags: ,

segunda-feira, 24 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 17:02

Escorregou na grama

Compartilhe: Twitter

Sendo primeira rodada já é bicudo. Sendo grama, mais ainda. Ainda mais para um tenista como Rafa Nadal, para quem jogar na grama não vem naturalmente. O estilo do rapaz não é exatamente condizente com o piso. A grama começou a semana bem escorregadia por conta do clima. O fato de ter elegido descansar os joelhos após Roland Garros e não jogar nenhum preparatório na grama agravou tudo acima.

Steve Darcis não é nenhuma Brastemp, mas também não é nenhum panga. Ele sabia que Nadal teria dificuldades na primeira rodada e decidiu ir pro pau. E seu estilo se adapta legal à grama, especialmente contra o estilo de Nadal – talvez contra outro nem tanto. O belga tem bom slice de esquerda, que usou e abusou nos dois lados da quadra. A direita, que é meio cega, tende a ir para a cruzada, o que ajuda a achar o revés espanhol com mais facilidade. E por aí vai. Isso sem mencionar que o cara usou e abusou de jogar bem emocionalmente nos pontos decisivos. Afinal, independente de tudo aquilo que está no primeiro parágrafo, o espanhol levou os dois primeiros sets para o tie break e não conseguiu vencer nenhum dos dois. Ou melhor colocado, Darcis venceu ambos. Falar que o espanhol perdeu totalmente a confiança durante a partida é ser óbvio.

Federer passeou na quadra central contra o triste Hanescu – normal. O cara, que é um de seus parceiros de treino, nem tenta. O Murray esbanjou catega na primeira rodada contra o alemão Becker (o genérico).

Comprovando que as quadras estão escorregadia, Azarenka quase deixou o joelho na quadra. No final foi mais susto do que qualquer outra coisa. Essa francesa, Mladenovic, que perdeu para a Maria, é uma tenista très interessante.

Os ingleses são uns brincalhões. Colocaram uma tal de Keothavong, de 30 anos, na Quadra Central, só porque é inglesa, e a mulher tomou uma tunda da espanhola #59 do mundo. Que daibo de jogo é esse para a Central?!

Enquanto isso, lá na quadra 6, que é lá atrás, um joguinho feminino que deve ter sido uma batalha e tanto. A portuguesa de Brito, que era para ter sido a melhor coisa que saiu de Portugal desde as tres caravelas mas esqueceu de crescer, bateu a americana Oudin, que era para ter sido a melhor das americanas desde a Chris Evert segundo os gringos. Ganhou a portuga.

Rogérinho Dutra caiu na 1ª rodada contra o ucraniano Sthakovski. Seu estilo não ajuda na grama. Em compensação, se é que compensa, Marcelo Melo ganhou a 1ª rodada de duplas com o Dodig contra o Giraldo e o Russel. Eu nem sabia que jogavam duplas no 1o dia do torneio.

Sempre foi e sempre será divertido ver o Hewitt jogando. Especialmente quando está inspirado. Ele era outro que sabia que a 1a rodada seria cruel para o Wawrinka na grama. E hoje o suíço, que andava meio espanhol, voltou a ser suíço.

O Rosol? O Rosol já era.

Darcis – o autor do crime.

Autor: Tags: ,

  1. Primeira
  2. 10
  3. 20
  4. 26
  5. 27
  6. 28
  7. 29
  8. 30
  9. 40
  10. 50
  11. 60
  12. Última