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terça-feira, 1 de janeiro de 2008 Tênis Masculino | 16:06

critérios e realidade

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Aqui de longe dei uma olhada nas chaves do Aberto de São Paulo. Especialmente nas escolhas dos Wild Cards, os convidados do torneio. O critério de escolha desse torneio é dos mais democráticos e talvez por isso transparente. Eles adoram torneios pré-qualificatórios, algo que a maioria dos eventos abomina. Uma pena, porque é uma boa maneira de determinar os convidados.

Mas não se pode ficar engessado nesse formato, porque pode/deve haver outras considerações. Um tenista pode estar tendo uma ótima temporada e fracassar em um pré. Pode haver também um interesse visando o público, e até mesmo um interesse financeiro não escuso. Afinal, custa uma grana realizar um evento e, às vezes, é preciso, como em tudo na vida, negociar. No fim do dia é necessário avaliar tudo e fazer as escolhas satisfazendo, especialmente, a própria consciência.

O Aberto de São Paulo, até por utilizar um espaço público, deve algumas satisfações nas suas escolhas. Realizar os pré é uma boa ótima decisão. Definir que esses torneios determinem dois dos convidados para a chave principal e que os outros dois sejam escolhas próprias é juntar o útil ao agradável. Eric Gomes, um tenista de 23 anos, #712 do ranking e cujo melhor resultado em 2007 foi uma semifinal em um Future, garantiu sua presença na chave principal vencendo um dos pré. Ricardo Grilli, 28 anos, #568, 4 semis em Futures e um segundo semestre melhor do que o primeiro, venceu o outro pré e foi para a chave. Por critérios pessoais, ambos só seriam escolhidos por alguém da própria família.

Já Daniel Silva, 19 anos #712, e 5 semis em Futures desde o mês de Setembro, o que mostra o seu bom momento, ganhou o WC também pela promessa que sua idade oferece. O mesmo com Nicolas Santos, 19 anos, #736, muito badalado como promessa. Em 2007 foi a duas semifinais em Maio e após essas não fez mais nada de especial. Ambos são tenistas de classes sociais menos favorecidas, o que dá uma conotação politicamente correta ao torneio, algo que seus organizadores precisam.

Enquanto isso, um tenista como Thiago Alves, 25 anos, #383, que já foi #95, foi desprezado na escolha de um WC. Com certeza os organizadores tiveram suas razões para deixá-lo de fora. Mas ele encarou o qualy, passou por apertos – bateu o inglês Delgado 7/6 no terceiro set – e já passou a primeira rodada da chave principal. Mas antes que alguém tenha peninha do rapaz, posso garantir que, no momento atual de sua carreira, Alves precisa muito mais de algumas duchas de realidade do que de um Wild Card.

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Tênis Masculino | 16:06

critérios e realidade

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Aqui de longe dei uma olhada nas chaves do Aberto de São Paulo. Especialmente nas escolhas dos Wild Cards, os convidados do torneio. O critério de escolha desse torneio é dos mais democráticos e talvez por isso transparente. Eles adoram torneios pré-qualificatórios, algo que a maioria dos eventos abomina. Uma pena, porque é uma boa maneira de determinar os convidados.

Mas não se pode ficar engessado nesse formato, porque pode/deve haver outras considerações. Um tenista pode estar tendo uma ótima temporada e fracassar em um pré. Pode haver também um interesse visando o público, e até mesmo um interesse financeiro não escuso. Afinal, custa uma grana realizar um evento e, às vezes, é preciso, como em tudo na vida, negociar. No fim do dia é necessário avaliar tudo e fazer as escolhas satisfazendo, especialmente, a própria consciência.

O Aberto de São Paulo, até por utilizar um espaço público, deve algumas satisfações nas suas escolhas. Realizar os pré é uma boa ótima decisão. Definir que esses torneios determinem dois dos convidados para a chave principal e que os outros dois sejam escolhas próprias é juntar o útil ao agradável. Eric Gomes, um tenista de 23 anos, #712 do ranking e cujo melhor resultado em 2007 foi uma semifinal em um Future, garantiu sua presença na chave principal vencendo um dos pré. Ricardo Grilli, 28 anos, #568, 4 semis em Futures e um segundo semestre melhor do que o primeiro, venceu o outro pré e foi para a chave. Por critérios pessoais, ambos só seriam escolhidos por alguém da própria família.

Já Daniel Silva, 19 anos #712, e 5 semis em Futures desde o mês de Setembro, o que mostra o seu bom momento, ganhou o WC também pela promessa que sua idade oferece. O mesmo com Nicolas Santos, 19 anos, #736, muito badalado como promessa. Em 2007 foi a duas semifinais em Maio e após essas não fez mais nada de especial. Ambos são tenistas de classes sociais menos favorecidas, o que dá uma conotação politicamente correta ao torneio, algo que seus organizadores precisam.

Enquanto isso, um tenista como Thiago Alves, 25 anos, #383, que já foi #95, foi desprezado na escolha de um WC. Com certeza os organizadores tiveram suas razões para deixá-lo de fora. Mas ele encarou o qualy, passou por apertos – bateu o inglês Delgado 7/6 no terceiro set – e já passou a primeira rodada da chave principal. Mas antes que alguém tenha peninha do rapaz, posso garantir que, no momento atual de sua carreira, Alves precisa muito mais de algumas duchas de realidade do que de um Wild Card.

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domingo, 30 de dezembro de 2007 Tênis Masculino | 16:15

tenistas, gandaieiros e bussinesmen.

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Todo mundo sabe que a Copa Hopman, o torneio de abertura da temporada, é um evento diferenciado, cujo formato acontece uma única vez por ano. Alguns países, com expoentes tanto no tênis feminino como no masculino, são convidados. Os confrontos reúnem uma simples feminina, uma masculina e uma dupla mista para o desempate. O torneio acontece em Perth, cidade de 1.5 milhões de habitantes e no lado oposto de Melbourne na Austrália, usando o mesmo piso de todos os torneios de preparação para esse Grand Slam – Sidney, Adelaide e Auckland.

Oficialmente o pessoal comparece pela premissa que é um bom preparatório para a AU. Na verdade, o evento paga uma grana preta para os/as tenistas aparecerem. O que o leitor provavelmente desconhece é a sua origem e como ele pode, com um pouco de informação, imaginação e uma pitada de sarcasmo, expor diferenças entre um país como a Austrália e o nosso Brasil.

Nos anos oitenta andava por aqui, jogando a Copa Itaú, um australiano, Charlie Fancutt, dono de uma belíssima direita, uma esquerda mentirosa e uma queda pela gandaia. Na mesma época, outro australiano, Paul McNamee, que chegou a morar em Nova York com uma conhecida modelo brasileira, e também chegado a uma festinha, testava sua carreira nas duplas, o que o levou a alguns títulos nos Grand Slam. Os dois amigos se juntaram uma noite com um terceiro gandaieiro de primeira linha, Pat Cash, que se casou com uma brasileira, garçonete em Londres, para, na ausência de coisa melhor, derrubar umas cervejas e jogar conversa fora.

Fancutt, provavelmente sentindo a falta que a presença feminina pode fazer na vida de um rapaz, colocou que não havia um torneio no mundo onde mulheres e homens jogassem juntos. Os outros dois brindaram à idéia, com McNamee prometendo testá-la após sua já próxima aposentadoria, e Cash, que começava sua promissora carreira – que culminou com um título em Wimbledon, onde inaugurou o costume, para o assombramento dos sisudos ingleses, de subir em direção ao camarote após conquistar o título – precocemente interrompida por uma séria contusão nas costas, se comprometendo a jogar.

No início de 1988, McNamee havia decidido que o Aberto da Austrália seria seu último torneio. Para seu azar, ou sorte, caiu de cara com o amigo Pat Cash, que não teve a menor cerimônia em encerrar sua carreira. Como todo esportista, Paul enfrentou então por momentos de “o que eu faço agora??”. Foi quando a lembrança da noite com os amigos voltou à sua mente. Alugou um pequena sala comercial e foi à luta.

O resto, inclusive as diferenças com o Brasil, eu conto em outro post. Afinal, este não é o país das novelas?


McNamee encerrando a carreira com cash

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Tênis Masculino | 16:15

tenistas, gandaieiros e bussinesmen.

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Todo mundo sabe que a Copa Hopman, o torneio de abertura da temporada, é um evento diferenciado, cujo formato acontece uma única vez por ano. Alguns países, com expoentes tanto no tênis feminino como no masculino, são convidados. Os confrontos reúnem uma simples feminina, uma masculina e uma dupla mista para o desempate. O torneio acontece em Perth, cidade de 1.5 milhões de habitantes e no lado oposto de Melbourne na Austrália, usando o mesmo piso de todos os torneios de preparação para esse Grand Slam – Sidney, Adelaide e Auckland.

Oficialmente o pessoal comparece pela premissa que é um bom preparatório para a AU. Na verdade, o evento paga uma grana preta para os/as tenistas aparecerem. O que o leitor provavelmente desconhece é a sua origem e como ele pode, com um pouco de informação, imaginação e uma pitada de sarcasmo, expor diferenças entre um país como a Austrália e o nosso Brasil.

Nos anos oitenta andava por aqui, jogando a Copa Itaú, um australiano, Charlie Fancutt, dono de uma belíssima direita, uma esquerda mentirosa e uma queda pela gandaia. Na mesma época, outro australiano, Paul McNamee, que chegou a morar em Nova York com uma conhecida modelo brasileira, e também chegado a uma festinha, testava sua carreira nas duplas, o que o levou a alguns títulos nos Grand Slam. Os dois amigos se juntaram uma noite com um terceiro gandaieiro de primeira linha, Pat Cash, que se casou com uma brasileira, garçonete em Londres, para, na ausência de coisa melhor, derrubar umas cervejas e jogar conversa fora.

Fancutt, provavelmente sentindo a falta que a presença feminina pode fazer na vida de um rapaz, colocou que não havia um torneio no mundo onde mulheres e homens jogassem juntos. Os outros dois brindaram à idéia, com McNamee prometendo testá-la após sua já próxima aposentadoria, e Cash, que começava sua promissora carreira – que culminou com um título em Wimbledon, onde inaugurou o costume, para o assombramento dos sisudos ingleses, de subir em direção ao camarote após conquistar o título – precocemente interrompida por uma séria contusão nas costas, se comprometendo a jogar.

No início de 1988, McNamee havia decidido que o Aberto da Austrália seria seu último torneio. Para seu azar, ou sorte, caiu de cara com o amigo Pat Cash, que não teve a menor cerimônia em encerrar sua carreira. Como todo esportista, Paul enfrentou então por momentos de “o que eu faço agora??”. Foi quando a lembrança da noite com os amigos voltou à sua mente. Alugou um pequena sala comercial e foi à luta.

O resto, inclusive as diferenças com o Brasil, eu conto em outro post. Afinal, este não é o país das novelas?



McNamee encerrando a carreira com cash

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007 Tênis Masculino | 16:36

fidelidade

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Fui fiel durante vinte anos. Lá pela metade dos anos oitenta eu treinava o Luiz Mattar e, às vezes, o José A. Daher. Apesar de talentoso — talvez o maior deles nas últimas décadas — Daher era um tanto instável emocionalmente. Assim como Safin e Ivanisevic, era um destruidor de raquetes. Em um de seus ataques de fúria, quando as coitadas das raquetes eram culpadas por todos os pecados, recolhi uma delas e fui bater bola, talvez só para provar que a culpa não era dela. Não era mesmo. Gostei tanto que passei duas décadas jogando com a raquete.

Quando digo a mesma, não estou me referindo à marca e sim àquela mesma raquete — uma Wimbledon Boron usada. A cabeça era mais pesada do que o normal e a primeira coisa que os amigos criticavam quando a seguravam. O “grip”, ou o cabo, era mais grosso do que eu escolheria normalmente. A cabeça era avariada, com uma pequena lascada, fruto dos arremessos do Zé Amin. Mas com ela na mão, eu tinha a certeza que cada bola que batesse entraria. Pode parecer certa presunção — e o é — mas pelo menos essa a confiança que ela me passava.

O probleminha é que a minha raquete ficou velha. Alguns insistiam que havia caducado há muito. Durante duas décadas, diferentes amigos tentaram me iluminar com as qualidades e vantagens de outras. Eu até caia em tentação, cada coisinha mais novinha e reluzente, tentava, experimentava, insistia e nada. Só encaixava com a minha Wimbledon. Tentei comprar novas Wimbledon Boron, o Zé já tinha desistido delas, não sem antes as destruí-las. Não encontrei. Deixava os amigos em alerta, ao mesmo tempo que ouvia todo tipo de brincadeira a respeito. Cheguei a falar com o representante das raquetes em Londres, que ficou de olho arregalado com a minha busca, mais interessado em pegar a minha, para colocar no museu, do qualquer outra coisa. Mas não havia nenhuma em estoque. E aí chego ao cerne da questão: a mania das fábricas em acabarem com as boas raquetes e as substituírem por novas. Até entendo, mas não aceito.

Após vinte anos, venho tentando novas raquetes. Umas expelem muito a bola, outras pouco. Algumas são flexíveis demais, outras duras como um pau. Às vezes o grip é uma droga. Quando encontro uma que parece que vai dar certo, a minha mão dói cada vez que jogo. Cada vez que volto da quadra, coloca a danada na estante, bem em cima da minha querida. Confesso que agora a tentação é a inversa. Pego a minha querida, ajusto a mão, troco a pegada — é como uma luva. Encaixe perfeito. Bato as cordas na minha mão esquerda, vacilo e a guardo de volta.

Logo antes de embarcar para os States, lá no Clube Pinheiros aconteceu um daqueles eventos onde podemos testar várias raquetes. Bati com uma amarelinha, uma vermelha, brancas e prateadas. Teve uma delas que achei que talvez. Anotei o nome, porque hoje em dia não dá para depender da memória com nome de raquete. Antigamente eu chegava na loja e pedia: uma Dunlop! Tava na mão. Ou então: uma Wilson Jack Kramer ou uma T2000. Moleza. Hoje as bichinas têm três a quatro nomes indecifráveis, fora os números. E se você tentar: — quero a raquete do Guga! Qual? — responderá o vendedor

Com o papel na mão fui para a “Sport Authority”, uma das maiores redes de artigos esportivos na Florida. Na seção das raquetes, dezenas delas. Talvez uma centena. Todos os tipos, larguras, cores e formatos. Mas não achava a do papel. Talvez fosse a ansiedade. Depois de muita procurar, encontro o “expert” local. Mostro o papel e pergunto — tem? Ele olha as prateleiras, mexe, levanta, cheira e por fim pega uma bem colorida. — A do papel não tem, mas está é igual! Como aqui sou visita, não falei o que ele podia fazer com a dita cuja.

a raquete!

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Tênis Masculino | 16:36

fidelidade

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Fui fiel durante vinte anos. Lá pela metade dos anos oitenta eu treinava o Luiz Mattar e, às vezes, o José A. Daher. Apesar de talentoso — talvez o maior deles nas últimas décadas — Daher era um tanto instável emocionalmente. Assim como Safin e Ivanisevic, era um destruidor de raquetes. Em um de seus ataques de fúria, quando as coitadas das raquetes eram culpadas por todos os pecados, recolhi uma delas e fui bater bola, talvez só para provar que a culpa não era dela. Não era mesmo. Gostei tanto que passei duas décadas jogando com a raquete.

Quando digo a mesma, não estou me referindo à marca e sim àquela mesma raquete — uma Wimbledon Boron usada. A cabeça era mais pesada do que o normal e a primeira coisa que os amigos criticavam quando a seguravam. O “grip”, ou o cabo, era mais grosso do que eu escolheria normalmente. A cabeça era avariada, com uma pequena lascada, fruto dos arremessos do Zé Amin. Mas com ela na mão, eu tinha a certeza que cada bola que batesse entraria. Pode parecer certa presunção — e o é — mas pelo menos essa a confiança que ela me passava.

O probleminha é que a minha raquete ficou velha. Alguns insistiam que havia caducado há muito. Durante duas décadas, diferentes amigos tentaram me iluminar com as qualidades e vantagens de outras. Eu até caia em tentação, cada coisinha mais novinha e reluzente, tentava, experimentava, insistia e nada. Só encaixava com a minha Wimbledon. Tentei comprar novas Wimbledon Boron, o Zé já tinha desistido delas, não sem antes as destruí-las. Não encontrei. Deixava os amigos em alerta, ao mesmo tempo que ouvia todo tipo de brincadeira a respeito. Cheguei a falar com o representante das raquetes em Londres, que ficou de olho arregalado com a minha busca, mais interessado em pegar a minha, para colocar no museu, do qualquer outra coisa. Mas não havia nenhuma em estoque. E aí chego ao cerne da questão: a mania das fábricas em acabarem com as boas raquetes e as substituírem por novas. Até entendo, mas não aceito.

Após vinte anos, venho tentando novas raquetes. Umas expelem muito a bola, outras pouco. Algumas são flexíveis demais, outras duras como um pau. Às vezes o grip é uma droga. Quando encontro uma que parece que vai dar certo, a minha mão dói cada vez que jogo. Cada vez que volto da quadra, coloca a danada na estante, bem em cima da minha querida. Confesso que agora a tentação é a inversa. Pego a minha querida, ajusto a mão, troco a pegada — é como uma luva. Encaixe perfeito. Bato as cordas na minha mão esquerda, vacilo e a guardo de volta.

Logo antes de embarcar para os States, lá no Clube Pinheiros aconteceu um daqueles eventos onde podemos testar várias raquetes. Bati com uma amarelinha, uma vermelha, brancas e prateadas. Teve uma delas que achei que talvez. Anotei o nome, porque hoje em dia não dá para depender da memória com nome de raquete. Antigamente eu chegava na loja e pedia: uma Dunlop! Tava na mão. Ou então: uma Wilson Jack Kramer ou uma T2000. Moleza. Hoje as bichinas têm três a quatro nomes indecifráveis, fora os números. E se você tentar: — quero a raquete do Guga! Qual? — responderá o vendedor

Com o papel na mão fui para a “Sport Authority”, uma das maiores redes de artigos esportivos na Florida. Na seção das raquetes, dezenas delas. Talvez uma centena. Todos os tipos, larguras, cores e formatos. Mas não achava a do papel. Talvez fosse a ansiedade. Depois de muita procurar, encontro o “expert” local. Mostro o papel e pergunto — tem? Ele olha as prateleiras, mexe, levanta, cheira e por fim pega uma bem colorida. — A do papel não tem, mas está é igual! Como aqui sou visita, não falei o que ele podia fazer com a dita cuja.



a raquete!

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terça-feira, 25 de dezembro de 2007 Tênis Masculino | 21:23

batatas fritas e ketchup

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Natal longe de casa é sempre um pouco estranho. Apesar de ter passado pelo menos um quarto dos meus Natais em algum outro lugar além daquele que eu devia estar, ainda não me acostumei. A comida estava uma beleza, muita fartura e carinho na feitura. Apesar de um argentino ter sido o responsável pelo peru, o sabor não foi prejudicado e o coitado foi devorado como il faut. A sobremesa, um bolo-mousse de chocolate da Godiva, estava de comer de joelhos. Pena que a dieta não permita excessos.

Por estar na Flórida, não foi difícil lembrar de um Natal cerca de 40 anos atrás. Estava no país estudando e aproveitei para descer e visitar amigos, e minha irmã Vera, que estavam em Miami jogando o Orange Bowl. Sem me alongar nos detalhes, o fato é que na noite de Natal sobramos, eu e o Carlos Kirmayr, amigo de infância, para procurarmos um local para nossa ceia longe de casa. Depois de muito rodar, a pé, acabamos na US1, quase em frente a Universidade de Miami, comendo em uma espelunca, que só devia estar aberta para que os sem-tetos locais e as prostitutas sem plantão pudessem ter um teto para esquecerem a possibilidade do suicídio.

O hambúrguer era uma droga e sempre odiei ketchup, os bêbados insistiam em pedir para que pagássemos uma cerveja e as prostitutas insistiam em algo que fugia totalmente do espírito natalino, sem considerarem que estávamos mais duros do que todos eles. Como em quase tudo se pode encontrar algo de positivo, naquela noite, entre uma virulenta batata frita e outra, eu e meu amigo passamos horas esquecendo nossas poucas tristezas e falando de nossos muitos sonhos. Naquele balcão sedimentamos uma amizade que persiste intocável até hoje.

Como em quase todas as festas de fim de ano desde então encontramos uma maneira de nos falarmos. Após os bons natais e felizes passagens de praxe, Carlos mencionou nosso jantar de 40 anos atrás. Disse que sempre que passa pelo local, bem central, especialmente para quem encarou algumas décadas passando por Miami, lembra daquela noite. Afirmou que a tal lanchonete foi derrubada há alguns anos e que agora é uma revenda de autos – a mesma sina das academias de tênis de São Paulo. Como meu editor me disse que as visitas ao portal são mais esparsas nestes dias festas e o circuito ainda não começou, resolvi contar uma historinha dos efeitos paralelos da paixão pelo tênis na vida dos jovens.

nighthawks, meu quadro favorito de edward hopper

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Tênis Masculino | 21:23

batatas fritas e ketchup

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Natal longe de casa é sempre um pouco estranho. Apesar de ter passado pelo menos um quarto dos meus Natais em algum outro lugar além daquele que eu devia estar, ainda não me acostumei. A comida estava uma beleza, muita fartura e carinho na feitura. Apesar de um argentino ter sido o responsável pelo peru, o sabor não foi prejudicado e o coitado foi devorado como il faut. A sobremesa, um bolo-mousse de chocolate da Godiva, estava de comer de joelhos. Pena que a dieta não permita excessos.

Por estar na Flórida, não foi difícil lembrar de um Natal cerca de 40 anos atrás. Estava no país estudando e aproveitei para descer e visitar amigos, e minha irmã Vera, que estavam em Miami jogando o Orange Bowl. Sem me alongar nos detalhes, o fato é que na noite de Natal sobramos, eu e o Carlos Kirmayr, amigo de infância, para procurarmos um local para nossa ceia longe de casa. Depois de muito rodar, a pé, acabamos na US1, quase em frente a Universidade de Miami, comendo em uma espelunca, que só devia estar aberta para que os sem-tetos locais e as prostitutas sem plantão pudessem ter um teto para esquecerem a possibilidade do suicídio.

O hambúrguer era uma droga e sempre odiei ketchup, os bêbados insistiam em pedir para que pagássemos uma cerveja e as prostitutas insistiam em algo que fugia totalmente do espírito natalino, sem considerarem que estávamos mais duros do que todos eles. Como em quase tudo se pode encontrar algo de positivo, naquela noite, entre uma virulenta batata frita e outra, eu e meu amigo passamos horas esquecendo nossas poucas tristezas e falando de nossos muitos sonhos. Naquele balcão sedimentamos uma amizade que persiste intocável até hoje.

Como em quase todas as festas de fim de ano desde então encontramos uma maneira de nos falarmos. Após os bons natais e felizes passagens de praxe, Carlos mencionou nosso jantar de 40 anos atrás. Disse que sempre que passa pelo local, bem central, especialmente para quem encarou algumas décadas passando por Miami, lembra daquela noite. Afirmou que a tal lanchonete foi derrubada há alguns anos e que agora é uma revenda de autos – a mesma sina das academias de tênis de São Paulo. Como meu editor me disse que as visitas ao portal são mais esparsas nestes dias festas e o circuito ainda não começou, resolvi contar uma historinha dos efeitos paralelos da paixão pelo tênis na vida dos jovens.



nighthawks, meu quadro favorito de edward hopper

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007 Tênis Masculino | 19:43

brancaleones

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Já não é de hoje que quando há a expectativa da ATP agir e tomar posições firmes, sobre assuntos importantes para o esporte, ela vacila ou dá para trás. Se eu fosse fazer uma lista de todas as vezes que isso acontece este parágrafo ficaria longo. Agora, em uma atitude que deve fazer tremer os alicerces de todos os vestiários, a ATP anuncia que suspendeu dois tenistas por fazerem apostas na internet. Eles estavam apostando em jogos deles mesmos? Não! Fortunas foram investidas, onde poderia se levantar a suspeita deles tentarem influenciar seus camaradas de raquetes ou qualquer outro tipo de má fé? Não! Os dois ragazzos apostavam a perigosa quantia de cerca de R$10,00 por jogo.

Está certo que um deles, Potito Starace, o fez por cinco vezes, enquanto que Daniele Bracciali apostou cerca de 50 vezes – isso lá pelos idos de 2004 e 5. Demora um pouquinho a tal da ATP para descobrir, não? Ou será que a demora é para agir? Porque, até agora, não temos notícia, nem de um jeito ou de outro, sobre o affair Davydenko, que é onde bicho pega. Os italianos, assim como a federação italiana, estão acusando a ATP de terem sido convertidos em bodes expiatórios. Concordo que apostar não pode, nem no seu próprio jogo ou mesmo de qualquer outro tenista. Agora, entregar jogo, para manipular resultados e ajudar apostadores, e para isso receber uma grana bem alta por fora (lembram dos valores mencionados por Saretta e Daniel?), esse sim é o câncer a ser combatido. E a ATP, nada.

Ahh, antes que me esqueça. Starace terá que pagar U$30 mil de multa e ficar fora dos torneios por seis semanas. Disse que vai aproveitar e fazer uma cirurgia. Bracciali paga U$20 mil e pega um gancho de três meses. Porque um paga mais e o outro fica mais tempo suspenso é pra você e eu adivinharmos, porque a ATP não conta.

starace pensa na vida

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Tênis Masculino | 19:43

brancaleones

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Já não é de hoje que quando há a expectativa da ATP agir e tomar posições firmes, sobre assuntos importantes para o esporte, ela vacila ou dá para trás. Se eu fosse fazer uma lista de todas as vezes que isso acontece este parágrafo ficaria longo. Agora, em uma atitude que deve fazer tremer os alicerces de todos os vestiários, a ATP anuncia que suspendeu dois tenistas por fazerem apostas na internet. Eles estavam apostando em jogos deles mesmos? Não! Fortunas foram investidas, onde poderia se levantar a suspeita deles tentarem influenciar seus camaradas de raquetes ou qualquer outro tipo de má fé? Não! Os dois ragazzos apostavam a perigosa quantia de cerca de R$10,00 por jogo.

Está certo que um deles, Potito Starace, o fez por cinco vezes, enquanto que Daniele Bracciali apostou cerca de 50 vezes – isso lá pelos idos de 2004 e 5. Demora um pouquinho a tal da ATP para descobrir, não? Ou será que a demora é para agir? Porque, até agora, não temos notícia, nem de um jeito ou de outro, sobre o affair Davydenko, que é onde bicho pega. Os italianos, assim como a federação italiana, estão acusando a ATP de terem sido convertidos em bodes expiatórios. Concordo que apostar não pode, nem no seu próprio jogo ou mesmo de qualquer outro tenista. Agora, entregar jogo, para manipular resultados e ajudar apostadores, e para isso receber uma grana bem alta por fora (lembram dos valores mencionados por Saretta e Daniel?), esse sim é o câncer a ser combatido. E a ATP, nada.

Ahh, antes que me esqueça. Starace terá que pagar U$30 mil de multa e ficar fora dos torneios por seis semanas. Disse que vai aproveitar e fazer uma cirurgia. Bracciali paga U$20 mil e pega um gancho de três meses. Porque um paga mais e o outro fica mais tempo suspenso é pra você e eu adivinharmos, porque a ATP não conta.



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