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domingo, 5 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Porque o Tênis. | 20:31

Midiaticos

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O mundo do entretenimento, do qual o esporte faz parte, virou um espetáculo mediático. E nesse espetáculo nao basta ser bom, talentoso, dedicado, é necessário também cultivar a imagem; mesmo que ela seja uma farsa. Isso porque as pessoas nao estao interessadas em enxergar farsas, nem as pequenas, nem as grandes, a nao ser que elas sejam jogadas em seus colos; na maioria das vezes sendo necessário jogar na cara mesmo. Desse ultimo exemplo, temos o cara de pau Lance Armstrong que, antes de ser exposto pelo o que realmente é, faturou títulos e milhoes e tornou-se um ícone do esporte apresentando a imagem de um super-homem, dedicado, diferenciado e charmoso. Sei! No tênis, essa tendência, a da “imagem” publica, foi inaugurada, de maneira mais óbvia, até porque o perfil sempre existiu, embora atenuado, por Andre Agassi e seu lema “imagem é tudo”. Esse nao teve ninguém a desmascará-lo, ele mesmo se incumbiu do fato em sua autobiografia, típico exemplo de tal espetáculo mediático.

O “pacote” tem que ser amplo para saciar o ego da estrela e a demanda dos ávidos. Nesse tsunami de “imagens ideais” nem tudo é negativo, pelo contrário. De mais de uma maneira, o esporte tornou-se mais interessante, transparente, correto. Os tenistas, nosso foco, desenvolveram outros talentos e fizeram a vida do fa mais interessante. Sao atletas mais profissionais, inclusive na maneira de se portarem, na quadra e fora delas, do que seus antecessores – e nisso, lembre-se, Gustavo Kuerten teve influência positiva.

Federer tem mais de 13 milhoes de seguidores no Facebook. Nadal pouco mais de 12m. Djoko mais de 3m e Murray de 2m – detalhe que dá uma boa foto da realidade da paixão dos fas perante os Fab4 e do impacto que causam quando mencionam o que seja na internet ou à midia. O comportamento desses, e outros, tenistas é, de algumas maneiras mais positivo do que, por exemplo, malas do passado como McEnroe e Connors, Nastase, Pancho Gonzales, entre outros, personalidades que fizeram o Tênis trafegar por caminhos que ficaria bem melhor se longe deles, apesar de terem sido um sucesso pelo talento indiscutível, a força interior e, nao menos, pelo caráter dúbio em quadra.

Mas, nao esqueçamos que no passado tivemos abundância de tenistas com perfil distinto deles, e ainda com toneladas de carisma, como Laver, Borg, Ashe, Von Cramm, Edberg, Hoad, Ivanisevic, Kramer, Becker, Lacoste, Larsen, Noah, Pietrangeli, Santana, Segura Cano, Vilas. Todos esses teriam um impacto ainda maior, e mais positivo, do que tiveram se existissem as ferramentas disponíveis na atualidade – das transmissoes televisivas mundiais, internet, redes sociais, press agents, e os milhoes em premiaçoes que os tornaram personalidades milionárias. Convenhamos, Nadal, Djoko (nao me arrisco a dizer o mesmo do MalaMurray) sao esportistas carismáticos, mas nao chegam aos pés dos acima mencionados.

Delirando por essa avenida acompanhei a ultima tendência dos Fab4. Contratar superstars como técnico. A tendência começou com Murray que, alias, teria muito mais sucesso no quesito do Post se tivesse a personalidade da mae, alguem que nao foi generosa na distribuiçao de bom humor e charme para seus descendentes. No entanto, tenho a certeza que a escolha nao passou pelo quesito “imagem” e sim extrema necessidade. Para aguentar um mala só um outro mala, e um mala em necessidade. Ou alguém acredita que Edberg aceitaria um convite de Murray – ou, por outro lado, McEnroe, um cara que nao precisa da grana e muito menos de aparecer e faturar como técnico de alguém. Lembrando, Lendl ganhou muito dinheiro em quadra, mas zero fora delas. O cara tinha zero de carisma e zero de contratos de imagem.

Já a decisao de Djoko é mais um movimento do sérvio em chamar a atençao. O que dúvido vá funcionar a seu favor. Ali quem vai chamar a atençao é Boris Becker, que sempre soube manipular a midia, é um charmant nato e com poucas papas na língua. O quanto vai acrescentar à carreira de Djoko é algo discutível, já que seu estilo era totalmente distinto do pupilo na técnica e seu forte o instinto natural para o jogo e a personalidade mercurial, que sabia usar a seu favor em quadra. Quero ver o quanto disso é possível passar à frente. De qualquer maneira vai, definitivamente, e aí o tema do Post, acrescentar no quesito espetáculo.

A escolha de Roger Federer surpreendeu por acontecer, apesar de nao surpreender pelo nome. Dos ídolos anteriores era dos poucos com perfil para trabalhar com o topetudo. Além de Sampras, que, nao duvido, foi sondado. Mas se eu fosse seu agente teria sugerido outro nome; Patrick Rafter. Um tenista mais cerebral, com estilo algo semelhante, pelo menos ao de Edberg, e com a personalidade mais light que o sueco. Os jantares de Federer e Edberg serao bem mais borings do que se Rafter estivesse à mesa. Fora que o australiano teria mais a dizer e a acrescentar. Porém, mais uma vez, Federer priorizou a imagem. Nao quis ficar atrás no assunto.

Dessas jogadas marketeiras ficou fora o espanhol Nadal. Óbvio. Até porque seu técnico é o Tio Toni e Rafa nao tem nada de mediático. Puro sal da terra. Alias, semana passada, ótimo timing, Toni deu entrevista sobre tenistas e técnicos. Disse que, mesmo que nas entrelinhas, os jogadores atuais sao uns folgados e mau educados e que os técnicos aceitam humilhaçoes de seus pupilos por conta do $$. Conta histórias de tenistas que fazem seus técnicos carregarem suas raquetes e malas – algo que o Tio nao faz. Toni diz que quando o sobrinho perde é culpa dele, Rafa. E quando ganha também. E que os tenistas mudam demais de técnicos porque, provavelmente, se cansam de ouvir a mesma coisa da mesma pessoa – já que é para isso que, teoricamente, contratam. Faz voces pensarem em alguém? Conta que atualmente os tenistas jogam bem, mas erram demais. Rafa, que garante nao irá acompanhar seus colegas na troca de técnicos, diz que conversou no aviao com o tio a respeito – “Nao é um problema de técnico, é um problema meu. Eu vou tentar melhorar – essa é a minha responsabilidade”. Esse cara nao entende nada de marketing e imagem.

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013 Sem categoria | 14:06

Novidades

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Aproveito o momento para desejar Boas Festas para todos os leitores.

Peço a atençao de vocês que fiquem sempre atentos a minha página no Facebook: Tenisnet-blog do paulo cleto ou na minha página pessoal do Face: – paulo cleto – para novidades sobre o Blog.

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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Feminino | 14:08

Na final.

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O handball pouco tem a ver com o tênis. Talvez em outras partes, mas no Brasil, no meu ponto de vista, tem algo sim e que me é bem claro.

O time brasileiro está em Belgrado disputando o Mundial e nesta última quarta-feira passou, pela primeira vez na história, para as semifinais do evento, ao bater a Hungria após duas prorrogaçoes. Sao sete vitórias em sete jogos. Hoje elas jogam a semifinal contra a Dinamarca – uma potência que inclusive nos fornece o técnico da equipe, aliás uma figura. O jogo acontece às 17.45h e será mostrado pelo canal Esporte Interativo, do qual sei pouco, porque tanto a NET como a Sky nao reproduzem o sinal, o que é uma pena. (se alguém tiver notícia diferente a respeito me informe).

Os jogos sao eletrizantes e tremendamente emocionais. O handball é um jogo ágil e rápido, exige bastante de destreza, atleticismo e força – fora a coletividade. Para quem gosta de assistir esporte é um prato cheio e de qualidade. Com o Brasil em quadra fica ainda mais emocionante. Com os nossas meninas fica ainda mais tocante.

E é isso que o handball tem, ou deveria ter, em comum com o tênis – especialmente para o Brasil. Nao conheço a história das meninas a fundo, mas dá para supor que a maioria nao saiu de classes mais abastadas, teve contato com o esporte nas escolas, tem o necessário porte físico, ralaram bastante para subir no esporte, tem comprometimento total com o esporte, a ponto de todas, menos uma, que foram às Olimpíadas de 2012 jogarem no exterior. Entre elas Alexandra Nascimento, uma linda e diabólica canhoteira eleita a melhor do mundo em 2012.

Com isso, volto à tecla que o tênis feminino brasileiro deveria buscar seus talentos na periferia das cidades, em áreas mais carentes, assim como acontece com o futebol e volei feminino. Lá está um universo de talentos e material humano com o necessário requisitos físico e temperamento, esperando ser descoberto, ofertado uma oportunidade, trabalhado, incentivado. O handball, como o volei, detectou isso, trabalhou e investiu, vem conquistando resultados, algo que o Mundial está espelhando. Nao é só uma coincidência que a nossa atual #1, Teliana Pereira, tenha bastante dos requisitos mencionados.

E se o leitor tiver a oportunidade nao deixe de acompanhar o jogo das meninas no Mundial – nao vai se arrepender.

O Brasil bateu a Dinamarca na semifinal e joga a final contra dona da casa, a Sérvia, no Domingo às 14.30h.

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 História, Tênis Masculino | 09:57

Servio, croata, eslovaco e alemao.

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O final do ano está mais agitado do que o normal no que diz respeito a mudanças de técnicos pelos tenistas. Fui tomando conhecimento aos poucos da dança das cadeiras. O agito foi desde Thomas Bellucci – e aí nao há muita surpresa – a Maria Sharapova, quem nao se pode afirmar que nos ultimos tempos nao tem sido muito fiel – deve ser seu o recorde de despedir o técnico após uma única partida. Aliás, a moça fez um mea culpa, ao divulgar o novo técnico, quando falou que “impossível”, para nao usar outra palavra, e em crise na época em que despediu Jimmy Connors, uma cara que foi bem mais tenista do que ela, e também um mala ainda maior, e que passou por uma tremenda humilhaçao no episódio.

Outros tenistas, até Gasquet, (um pouco de sarcasmo aqui) mudaram de técnico, isso sem mencionar Federer, que mandou o seu andar pouco antes do término da temporada e, dizem, vem aí com novidades a respeito – fico pensando a que altura anda o amor próprio do amigao Severine. Mas a de maior impacto apareceu nesta quarta, quando El Djoko anunciou que Marian Vajda sai de títular da posiçao e entra, e este uma supresa e um achado, Boris Becker.

Vajda, um tenista eslovaco, sai, mas nao de vez. Ainda vai acompanhar el Djoko em quatro torneios ?? – Indian Wells, Madrid, Toronto e Pequim – quase que um em cada continente e época do ano, quando Becker nao estará presente. Confesso que peco em nao ver nenhum tipo de lógica na escolha a nao ser “de vez em quando, bem esparso, você vem”. O alemao estará no camarote do servio em 12 eventos, incluindo os 4 Slams, o que deve acrescentar ainda mais à adrenalina do local. Apesar de que Becker, mercurial em quadra, fora dela gosta de aparentar seu lado mais “cara de poker”, há tempos seu esporte favorito – voce nunca viu Becker se confratenizando e jogando exibiçoes com seus antigos colegas de profissao. O alemao tem sérias encrencas com a ATP, algo que deve tê-lo aproximado de Novak, outro que anda metendo a boca na ATP por conta do affair Troicky – e aí vocês podem apostar que foi uma decisao bem politica da FIT – Djoko também criticara a FIT na final da Davis – ao anunciar o título de “tenista do ano” ao sérvio esta semana, deixando Nadal em segundo.

Nao sei bem qual o raciocínio em ter um técnico em quatro torneios e outro em doze. Mas fica claro que o cara agora é Becker – pelo menos até segunda ordem. No passado Djoko já havia trazido Todd Martin para mudanças, algo que no curto prazo foi um fracasso – fica difícil de afirmar se seu sucesso posterior teve a ver com mudanças propostas pelo americano. Becker nunca trabalhou como técnico e resta ver como será o relacionamento com o time e o próprio Djoko. O alemao é um cara extremamente charmoso, inteligente e do tipo que faz só o que sua cabeça manda; mas nao o vejo tendo o mesmo espírito de “time fechado” do resto do pessoal de Novak, algo que sempre creditei como uma das forças do Djokovic. Além disso, passa longe do perfil encolhido de Vajda, que deixava todas os holofotes sobre Novak, algo que nao será, nem de muito longe, o perfil de Becker, que vai adorar o banho de mídia.

Vajda foi obrigado a dizer que “Novak precisava de um novo técnico para continuar a melhorar certas áreas de seu jogo” ao mesmo tempo que ele, Vajda, terá mais tempo com a família. Sao oito anos de trabalho da dupla. Nao custa lembrar que ambos se conheceram na Alemanha, para onde Djoko foi quando começaram as cair as bombas em Belgrado. Lá Novak foi treinar na academia de Nicki Pilic (aonde trabalhava Vajda), um croata que liderou o time servio quando do título da Copa Davis e que foi capitao do time da Alemanha na época de Becker, inclusive quando da vitória do Brasil sobre eles no Rio de Janeiro. Pilic tem a distinçao de vencer a Copa Davis como capitao por três países: Alemanha (3 vezes) Croácia (2005) e Sérvia (2010), para quem serve como conselheiro na Davis desde 2007. E nao duvido nada que a contrataçao de Becker tenha seu dedo, assim como ele deve ter sido o primeiro a ser procurado para o emprego – mas aos 74 anos e com a academia em Munique nao deve nem querer ouvir falar do assunto.

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domingo, 15 de dezembro de 2013 Tênis Brasileiro | 15:43

André Silva

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A notícia me foi dada em confidencia e por isso me abstive de escrever a respeito. Coloquei uma nota nos “coments” para ver se alguém chutava pra gol. Como sempre, com os leitores que tenho, alguém logo centrou e outro emendou pras redes.

O brasileiro Andre Silva, dirigente da ATP que vinha comandando o Masters de Londres, foi convidado por Roger Federer e seu manager/sócio Tony Godsick para ser o homem da campo da empresa -a Team8 – que ambos estao montando para administrar carreiras. O único outro contratado é um neto de Mark McCormick, fundador da IMG. Os rumores dizem que tambem Del Potro e BabyFederer Dimitrov vao se unir à Team8.  As conversas já aconteciam há tempos, mas só agora foram finalizadas. O último empecilho, que seria o salário fixo de Andre, foi solucionado com uma canetada do tenista que fez a oferta que se tornou irrecusável.

Se a parceria acontece é porque tem que ser considerada um progresso na carreira do brasileiro. Ele já tinha uma boa posiçao na ATP – Diretor de Players Services – algo bem amplo a ponto de levá-lo a ser o diretor do Masters de Londres por dois anos consecutivos.

Os rumores também dizem que Andre nao estava totalmente feliz na ATP – mas podem ser só rumores, já que era uma estrela em ascêndencia. Rumores também dizem que ele chegou a ser sondado para o cargo de Presidente da ATP e que teria recusado. Também podem ser só rumores. Paralelo a isso, nao deixa de ser interessante que sua decisao final de se juntar a Godsick e Federer, que gosta muito do brasileiro, aconteceu logo após a vaga da presidência da ATP ser preenchida por um colega seu, o inglês Cris Kermode, diretor do torneio de Queens e também um dos diretores do Masters de Londres. De qualquer maneira, a vida e carreira de Andre Silva tem sido um sucesso dentro do tênis -ele foi tenista universitário nos EUA, começou por baixo na ATP e virar parceiro de Federer, o tenista que mais faturou na carreira tenistica, só deve levá-lo mais â frente. Sucesso!

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 11:24

A dor da derrota

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Se você já viu um tenista de bom humor depois de perder, o que você viu não foi um tenista. Tal animal não existe. Após uma derrota, o tenista, não importa em qual categoria, do mais frio profissional ao mais apaixonado e delirante panga, todos odeiam perder. Aquele que tem um olhar mais zen à derrota não passa, na melhor das hipóteses, de um cara que se diverte com uma raquete na mão e com um certo gosto pérfido pela chibata no lombo.

Uma derrota em quadra é algo cruel. É uma das piores experiências que se pode ter. É obvio que aí não estão incluídas doenças (as mais aflitantes), dor de corno (algumas), perda de dinheiro (muito) e outras que não me vem à memória; mas que as há, há.

Eu perco o sono. E não sou só eu. Outro dia, em mesa de tenistas, praticamente todos admitiram que não dormem direito, quando dormem, após uma derrota – lógico que sempre há um machão por perto, em quem fingimos acreditar para não dar briga. Lógico que não é qualquer derrota. Ir ao clube e jogar com um de seus velhos rivais e levar uma chacoalhada não vai tirar o sono de ninguém – a não ser que o fulano seja um freguês de carteirinha e você veja nessa derrota uma possível e dolorida tendência. Aí o bicho pega.

Estou falando de derrotas em campeonatos, com algum tipo de oficialidade. Essa oficialidade é que é o veneno. Porque torneio entre amigos e no condomínio não conta – a não ser que seja para aquele mala sem alça que vive contando vantagem ou garfando desavergonhadamente, e que você preferiria, se pudesse escolher, pegar sua mulher na cama com o Faustão do que perder pra ele. Notem que não escolhi o Ricardão.

Eu não só perco o sono, como meu HD dá uma pane total. Fico horas no limbo, sonhando acordado (ou pensando em meu sonhos!?) sobre os pontos jogados, os absurdos cometidos, oportunidades desperdiçadas, erros idiotas. É a seção terror na madrugada.

Como será que os tenistas profissionais reagem nessas horas? Sempre os ouvi reclamar que passaram a noite vendo o vídeo tape das derrotas. O cara corre horas na quadra, acaba com o físico, precisa do sono para se restabelecer e ele não vem.  É o inferno.

O Dácio Campos sempre está lembrando que o tenista precisa se perdoar para vencer. Precisa, e consegue, quando consegue, ali na quadra. Se perde, o raciocínio vai para o saco – junto com a paz de espírito, o sono, a grana, a confiança, a auto estima e tudo mais de bom na vida. É só coisa ruim.

No circuito, o tenista tem uns dias para se recuperar – mental e fisicamente. Se perde na 1ª rodada tem mais tempo para tal. Se perde na final, e joga na semana seguinte, tem menos. Tem tenista que diz preferir perder na 1ª do que na final – acho que é só para estressar um ponto. Doe mais na final, mas é melhor do que perder na 1ª rodada.

Agora, imaginem na Copa Davis. O evento é, de longe, o mais emocional que um tenista pode jogar. Jogos de cinco sets, extenuantes, mental e físicamente. O cara perde, se remoe a noite toda e no dia seguinte tem que encarar novamente. Não existe derrota mais dolorida do que a na Copa Davis. Algumas acabam com as semanas seguintes do envolvido. Algumas têm resquícios para o resto da carreira.

Logo após perder para Djokovic no Masters deste ano, pela segunda vez em cinco dias, Federer foi perguntado se sentia encorajado por ter ganho um set em cada partida para o campeão. A resposta do suíço foi: É, com certeza! Legal! Foi ótimo vencer dois sets e perder quatro. Perder o jogo. Realmente duca!” O mau humor e a ironia ali foram só a pontinha do iceberg.

fed bico

Federer – bico pós derrota.

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013 Curtinhas, Light | 20:11

Lavando a égua

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Inúmeros blogs tem noticiado que Rafael Nadal faturou U$10 milhoes na semana que jogou na América do Sul. Isso foi o que noticiou a agência suíça Blick. Nao compro nada dos suíços de olhos fechados. Mas fica a dúvida: será que chegou a isso os números do espanhol?

Antes que alguém grite que Rafa passa a temporada gritando sobre o calendário cheio e que os tenistas sao obrigados a jogar demais, e que na hora do descanso o rapaz vem para cá atrás mucha plata, o que é um pouco conflitante, é bom fazer uma continha.

Nadal ganhou tudo e mais um pouco em 2013. Foram 10 títulos, 82 jogos e isso somou U$14.5 milhoes em prêmios. E em uma semaninha e quatro jogos pra lá de sem vergonhas ele lavou a égua e faturou esse numero redondo e maravilhoso, o bastante para qualquer mortal se aposentar em uma ótima. Como dizer nao a esses numeros?

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013 Light, Porque o Tênis. | 16:08

Gazirada

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Vocês sabem o que é uma “gazirada”? Talvez saibam o que é uma “madeirada”, denominaçao que caiu em desuso por conta do material, mas nao o fato. Pifada lembra alguma coisa? Geralmente vem acompanhado de exclamaçoes do tipo; “que tremenda sorte” – na verdade é mais para palavras de baixo calao. O fato é um dos mais irritantes em uma quadra de tênis, especialmente para a vítima, mesmo porque o culpado geralmente fica, ou deveria, com uma vergonha danada do crime, ao mesmo tempo que, em silencio, agradece aos céus.

Nao é nenhum segredo que o tênis é um esporte de grande precisao. Nao é fácil bater uma bolinha que vem na sua direçao a mais de 100km por hora, devolver na mesma moeda, tentando colocá-la o mais longe possível do adversário, de preferencia o mais próximo, ou em cima, de uma linha que tem 5cm de largura e está a uns bons 20m de distância. As açoes neurológicas envolvidas e necessárias para tal sao bem além dos meus conhecimentos da área. Mas, posso garantir de expêriencia própria, nao se trata de feito fácil, nao importa quanto tempo a gente tenha investido na técnica envolvida.

Além da técnica, usamos para isso raquetes encordoadas com diversos tipos de cordas, que obedecem a também diversos tramas e padroes, de acordo com o tamanho da cabeça da raquete e, posso afirmar, da cabeça de quem desenhou a raquete.

Existem raquetes com 20 cordas na horizontal e 18 na vertical, que sao as tramas mais “fechadas”, oferecem mais controle e um pouco menos de “conforto”, spin e velocidade em quase sempre uma menor área de impacto. É uma raquete de cachorroes.

O outro lado do espectro sao raquetes com tramas maiores e menos cordas (até 16×19), normalmente em uma área de maior impacto, oferecendo menos controle e mais “conforto”, spin e velocidade à bola. É claro que essas características podem ser alteradas pelo peso da raquete, especialmente aonde esse peso é colocado – se na cabeça, no centro ou no cabo – pelas cordas usadas e pela tensao nelas colocadas. Mas aí já estou ficando mais técnico do que gostaria e a idéia aqui é outra.

O fato é que se é difícil colocar a bola na linha é um pouco mais fácil, nao muito, acertar o tal do sweet spot, designaçao dada ao local ideal de impacto da bola na raquete. Aliás, esse tal de sweet spot é um tanto efêmero e variável. Variável porque nao em todas raquetes ele fica no mesmo exato local – varia. É só o leitor pegar uma bola, segurar a bola pelo cabo com a face na horizontal e bater a bolinha a uns 15cm que, com um pouco de sensibilidade, dá para perceber o sweet spot de sua raquete.

Eu acho o Tênis um dos esportes mais justo que existe. É impossível sair da quadra nao tendo sido melhor do que o oponente. Talvez se possa dizer que um jogo foi parelho e decidido nos detalhes, o que só prova a afirmaçao. Mas nada daquelas papagaiadas que o pessoal do futebol adora, dizendo que um time jogou melhor mas perdeu, ou “verdades” como “campeao moral” após uma derrota.

Mas com toda essa justiça ainda há um breve componente de injustiça, e por isso irritante. Sendo que o mais colérico, de longe, quando o oponente erra, mas acerta. Uma contradiçao horrível. E é exatamente isso a gazirada, ou pifada.

E o que vem a ser isso?

Sabe quando o adversário abre o braçao, mira na paralela, pega na quina da raquete e acerta uma bola indefensável na cruzada? Ou quando a gente está na rede, pronto para matar o ponto, o cara de pau vai para aquela passada sem vergonha, você se adianta, cobre a paralela, ele pega errado na raquete e sai aquele lob perfeito? Você fica P da vida e o adversário, dependendo da intimidade, levanta maozinha, pede desculpa, e morre de rir por dentro, já sobre apupos de todos na quadra e arredores.

Pois é, lá no clube temos um mestre nesse anti-golpe. E pela denominaçao “Gazirada” dá para se ter uma idéia do nome da fera. O rapaz tem pegadas radicais, tanto para a direita como pelo revés, e vem com a raquete um tanto mais inclinada do que seria o certo, o que faz com que volta e meia atinja a bolinha com a quina da raquete. Quando vai direto nas arquibancadas, nada mais justo, quando cai em cima da linha que é de chorar

Hoje, meu companheiro de quadra nao tem mais nenhum constrangimento, mas continua sendo “homenageado” a cada uma dessas bolas leprosas. A ultima “homenagem” foi a entrega do troféu “Gazirada” ao elemento, que nao teve nenhuma hesitaçao e dar uma de Nadal e meter os dentes no dito cujo. Pelo menos lá no clube é o homem que mais ganha pontos indevidamente, sempre com um sorriso no rosto. Mas o mundo está cheio deles e precisamos sempre estar atentos. E nao deixar passar uma injustiça sequer sem uma vaia, um comentário, algo que os faça entender que tal abominaçao nao é bem vinda em um local onde a perfeiçao é uma meta, nao um desdenho.

gaziri

 

 

 

 

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013 Tênis Brasileiro | 14:27

Piso e bolinhas

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Leio na internet uma discussão sobre artigo em blog brasileiro que afirma, baseado em dados de um blog americano (heavytopspin.com), que a quadra do Brasil Open é a mais rápida do circuito ATP.

O tal blog americano mostrava, com razoável lucidez, números e raciocínio baseados unicamente em aces – serviços onde o recebedor sequer tocou na bola. Baseados em tais números, o blog americano afirma que o torneio de São Paulo é o mais rápido do circuito ATP, algo muuuito diferente de alguns leitores que a quadra do torneio de São Paulo é a mais rápida do circuito, um non sense sofazista.

Devemos lembrar que o evento de São Paulo é organizado pela empresa que então administrava a carreira de Thomaz Bellucci. O tenista teve seus melhores resultados em quadras de saibro em cidades de altitude (ex; Gstaad), onde o evento fica bem mais rápido do que os jogados à altura do mar.  Na ocasião, e nada de errado nisso eticamente, eles tentaram deixar o evento bem ao feitio do tenista.

Só que a coisa não foi bem administrada e o tiro se não saiu pela culatra não foi ao alvo. Primeiro que o piso não ficou, nem de longe, como eles gostariam e pagaram para tê-lo. Com o erro de colocar um plástico por debaixo do saibro ficou mais instável do que deveria. Mas nada que impedisse Rafael Nadal de vencer. Quem é bom não chora, mama.

O que realmente deixou o evento “rápido” foi a bolinha usada. E, novamente, não necessariamente a bola era ruim. Em outros tempos, de sacadores e voleadores, seria considerada ótima. Em tempos de tenistas que só vão à rede para trocar de lado ficou uma choradeira danada, liderada por um técnico espanhol, que são ótimos em quererem as coisas só como eles querem, técnico do italiano Fabio Fognini, o rei dos chorões.

E foi a bolinha, junto com a altitude, mais o crucial fato de ser indoors, que deixou o torneio rápido, não a quadra. Lembrando, São Paulo fica a 600m de altura, enquanto boa parte dos torneios da ATP acontece à altura do mar, ou bem próximos disso.

Em 2014 Bellucci não mais escolherá a bolinha e duvido que usem a mesma. O erro da quadra não mais se repetirá. Quanto à altitude da cidade e o fato de indoors não haverá mudanças, óbvio. Mas com uma boa escolha de bolinha eu duvido que São Paulo manterá o recorde, além de poder deixar o torneio mais semelhantes aos outros do circuito sul americano, se assim quiserem. Mas o pior mesmo é que Bellucci não aproveitou a oportunidade.

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terça-feira, 19 de novembro de 2013 Copa Davis | 13:51

Dinâmica

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Nenhuma surpresa com a vitória da Rep. Checa sobre a Sérvia. Pelo contrário, correu tudo conforme o script. O estranho é que os perdedores nao tenham apresentado nenhuma surpresa para mudá-lo.

A coisa foi tao o esperado que todas as partidas foram decididas em três sets. Sem emoçoes.

O primeiro dia nao aconteceu nada. E o assunto foi mesmo decidido nas duplas, no sábado.

A maior pergunta do confronto foi porque Novak Djokovic nao jogou a dupla no sábado. Aí temos duas versoes, vocês escolham a sua.

Os checos Berdich/Stepanek formam uma grande dupla, que estaria entre as melhores do mundo se jogassem juntos o circuito. Stepanek é um dos melhores, senao o melhor duplista da atualidade. Berdich tem a mao pesadissima nas devolouçoes e é um grande sacador. Nao é um grande voleador, mas quebra o galho. Os dois tem um impressionante recorde de 15 vitórias e uma única derrota na Davis. Uma de suas vítimas sendo a dupla Djoko e Zimonjich – isso deve ter ficado na cabeça do capitao sérvio.

Nao sei qual a dinâmica do time servio, mas acho muuuito difícil que Djoko tenha ficado de fora de duplas sem avalizar a decisao, senao que ele mesmo a tenha feito. O capitao afirmou que a decisao final foi dele. A dupla Zimonjic/Bozoljiac havia batido os irmaos Bryan esta temporada, na Davis, algo que deve ter falado alto na decisao. Mas jogar fora como zebra e jogar em casa em uma situaçao de vitória obrigatória sao duas coisas muuuito diferentes. Daria para Djoko/Zimonyic ganharem? Duvido, mas nunca saberemos, até porque Djoko nao é grande duplista e o Zimonjic que aos 37 anos vem atuando mais como coveiro do que como o grande duplista que foi.

Entao talvez os servios tenham levantado as maos aos céus e entregado pra Deus, esperando uma vitória da dupla fantasma. Stepanek levantou o dedinho e disse: “nananinhanao!! Nao comigo em quadra”.

Talvez Djoko tenha consultado uma das ciganas de Belgrado e descobriu o óbvio: que sem Tipsarevic e Troicki a coisa nao iria rolar. E decidiu proteger o seu patrimônio: ganho as duas simples e me consagro na vitória sobre Berdich, se for o caso, ou ganho as duas simples e alguém que se exploda no quinto jogo- mas nas duplas estou fora!

Nao sei qual o raciocínio que definiu a decisao, mas no time sérvio todos sabiam que com a derrota nas duplas acabara o sonho. E o garotao Lajovic foi para o sacrifício.

Stepanek, que é um tremendo malaco, foi a estrela do começo ao fim. Ele é o terceiro jogador da história a vencer a quinta partida na final – os outros foram os titânicos Cochet e Perry. Até se deu ao luxo de jogar contra Djoko, sabendo que nao era essa a partida que faria a diferença. Em todos os jogos deixou uma persona ser o protagonista, bancando o bonzinho e nao aprontando, nem de longe, algo que pudesse levantar a torcida, que aliás foi triste. Os caras só torcem na certa? Os checos fizeram muito mais barulho do que os milhares de servios, que se conformaram com a derrota, especialmente durante e depois das duplas. Aplaudiram seu ultra-campeao, mas nao entraram no confronto, até porque nao houve chance.

Djokovic nao foi o melhor dos esportistas, ao dar um default no jantar de encerramento, uma afronta raramente vista na Copa Davis. Nos meus 18 anos de Davis o meu time nunca teve a ausência de nenhum tenista, na vitória ou na derrota, até porque antigamente o jantar era na quarta-feira e nao depois. Já tive uruguaio dando baixaria, bêbado como um gambá e falando bobagem após tomarem um chocolate na Academia de Tênis em Brasilia. Mas nao aparecer, Djoko foi um dos poucos que sei. Que conste que resto do time servio compareceu. A ausência nao passou desapercebida e a limpo por Berdich, que tirou uma com a cara do sérvio, dizendo que estava “louco para dançar com Novak”, e se dizendo “triste” com a ausência. Logo depois achou melhor apagar um dos tuites.

Enfim, a Copa Davis sempre mexe com as mais distintas emoçoes e o servios vao ter uma enorme dificuldade em aceitar a perda da chance de vencerem novamente, e em casa, uma competiçao que fala tao alto com a alma de um país com um orgulho e história tao ricos. Até eu fiquei triste por eles.

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