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domingo, 16 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro | 11:10

De olhos abertos

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O passeio até o Recreio dos Bandeirantes é longe. Passo pelo Sheraton, onde estao os tenistas do Rio Open, onde já fiquei algumas vezes, onde já se realizaram alguns torneios, inclusive uma Copa Davis, contra o Uruguai, em suas quadras com vista deslumbrante de toda orla de Ipanema. Depois passa-se por Miami, a chamada Barra, onde vi o Barrashopping, onde tivemos uma das vitórias de Copa Davis mais emocionantes, batendo Boris Becker e amigos – o local está irreconhecível, confesso que para melhor. Passei tambem por um mastodonte de concreto, que meu cicerone explica ser alguma coisa da musica, algo que foi usado só quatro ou cinco vezes e onde, diz ele, foi despejado montanhas de dinheiro como outros lugares por aqui que ninguem sabe explicar.

O clube onde Walter “Gringo” Priedkman construiu sua academia de tênis, aproveitando um local que estava abandonado, é em frente a uma praia de surfistas. O gaúcho Marcos Daniel, que estava no carro conosco, fica surpreso. Achava que nao conhecia o Recreio, mas tem certeza que já veio surfar naquela praia anos atrás.

Somos todos convidados para conhecer o projeto. Vários tenistas estao envolvidos, entre eles Fabiano de Paula e Marcelo Demoliner e muitos jovens em crescimento. O atual capitao da Davis, Joao Zwetsch, também veio para lá recentemente. O projeto é bancado pela Unimed e pela Estácio, cujo presidente Rogerio Melzi ajuda a anos o projeto de Gringo. Eles trabalham para que o know-how de gestao do mundo empresarial chegue ao mundo do ensinamento do tênis competitivo.

O evento foi para mostrar o projeto a alguns e reunir outros que já o conhecem. Marcos Daniel, amigo de longa data, me contou bastante de sua nova fase de vida. Bruno Soares, seu parceiro Peya e respectivas famílias estavam acompanhados de amigos mineirinhos que também jogam. Bruno foi treinar no Country, já que as quadras do Jockey estao disputadas, e chegou no fim da tarde. Joao Zwetsch chegou para o jantar. Bruno Rosa, que passou anos em universidade nos EUA e trabalhando na Faria Lima agora está na Estácio, levado por Melzi, entrou na quadra e segue dando legal na bolinha. Edu Faria, preparador físico do time da Davis, e que vejo sempre no Pinheiros, também presente.

Outros empresários, tenistas, professores ajudaram a fazer do churrasco a céu aberto um belo programa do meu primeiro dia de Rio Open. Tudo ornamentado pelo som de um exímio guitarrista e os vocais do impagável Domingo “Stewart” Venancio, que vocês conhecem porque de vez em quando comenta na SporTv, e eu conheço de 35 anos atrás. Na volta, no carro, quase dormi o sono dos justos, dos contentes. Só faltou fechar os olhos.

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sábado, 15 de fevereiro de 2014 Tênis Brasileiro | 14:56

Cheguei

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Ontem fui à festa de 80 anos do sograo, que está inteiraço, comi, de leve, bebi, bem de leve, dancei de levinho, dormi quase cedo, acordei e fui para o aeroporto. Ri de Janeiro. Rio Open!

Vôo tranquilo, apesar de eu nunca estar tranquilo em vôos. Trinta e cinco minutos eu levo para ir perto de carro em Sao Paulo. Quando vou – procuro nao ir e fazer tudo a pé ou de moto.

O tempo mudou. Nao vejo uma janela de azul, mas o mormaço está aqui. Minha amigo disse que antes de sair da casa que feche as janelas porque vai chover forte.

No caminho passo por algumas obras, que sao muitas. O carioca está sofrendo e vai sofrer nos próximos anos. Mas a cidade vai ficar bem melhor a partir de 2016 – ano olímpico.

A Banda de Ipanema se reune às 16h na Praça Osório. Fiquei tentado. Tenho uma festa no Recreio dos Bandeirantes, na casa do Walter “Gringo” Preidikman. Lá é quase outra cidade. Ele vai reunir um pessoal do tênis por lá. Banda de Ipanema, que nunca vi, ou Bandeirantes?

O Nadal chegou, tá treinando e amanha vai ao Maraca – como cantei antes. Flamengo x Vasco. Um docinho de coco para quem adivinhar para qual time ele vai “torcer”.

Fui. Nao sei onde.

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:15

Ele vem.

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As sombras da dúvida se afastaram do coraçao dos faz brasileiros que esperam ver Rafa no Rio Open. Rafa Nadal publicou em sua página no Face que voltou a treinar – colocou até um video – e declarou a um radialista que já está com as passagens para o Rio. Se nao acontecer nenhuma tragédia o rapaz estará por aqui em breve – eu diria que possivelmente já na quinta feira.

Rafa nao foi ao Torneio de Buenos Aires, que levou entao David Ferrer, excelente tenista, mas sem o poder de imagem do conterrâneo. Bem, azar deles e sorte nossa. Além disso, o que dizem, de fontes dignas, é que em Buenos Aires o negócio era por “amor” e nao incluía grana, sempre um risco. No Rio de Janeiro, o negócio é totalmente profissional e envolve um grande valor em Euros. Além disso, convenhamos, é Rio de Janeiro. Quem quer apostar que o Rafa dará um pulo no Maraca?

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:47

Vou invadir

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Acabei de olhar na internet e na semana que vem ainda nao chove uma gota. Caos! O meu jardim está morrendo, nao tem águas nos canos e bebo nao sei quantos litros de liquido por dia – quase tudo coca-cola ou limonada de limao caipira – e, ainda mais, a minha mulher fica olhando pra mim com cara de cachorrinho perdido querendo saber quando vou liberar o ar condicionado – que odeio. No próximo olhar, já sei, vai-se o caozinho perdido e vem o doberman!

Se na semana que vem nao chove, e nao chove faz tempo, além de um calor dos infernos, como é que vamos ficar? É o apocalipse?

Como o assunto é tênis, a questao é a seguinte: se na semana que vem nao chove – e estamos às portas do inferno de tanto calor, fora estarmos à beira de falta dágua – será que vai chover na outra semana, exatamente a do Rio Open, disputado em quadras de saibro descobertas? Aí é sacanagem. Nao choveu o ano todo e vai chover na hora de assistirmos Rafa Nadal ao vivo, em cores e pegando fogo?

Aí é que está! O perigo nao é só esse! Estou pronto para invadir as praias cariocas, mas ontem fiquei tenso. Rafa Nadal divulgou que nao vem o torneio de Buenos Aires, jogado na semana que vem e uma semana antes do Rio, que começa dia 17. Nao me cheira bem.

Nadal já deu aquela patinada na final da Austrália e agora deixará os hermanos na vontade. Ele alega que na semana passada nao pode treinar por conta das dores nas costas que sentiu na final e que nesta semana teve um vírus estomacal e cólicas. Deve ser algum pescado Balear. Sendo assim, Rafa nao pode treinar desde a final australiana e nao quer vir a BA fazer o nome de algum argentino, como fez no ano passado no Chile. Tá certo ele, quem sou eu para escrever diferente.

O que eu, e a torcida do Flamengo, queremos saber é se ele vem para o Rio Open. Dor de estomago se resolve logo. O pessoal do Rio Open está armando um tremendo evento e a maior festa e tem fa despencando no Rio de Janeiro de tudo quanto é quadra do Brasil. Tudo isso para Nadal e companheiros e companheiras – nao esqueçamos que o evento é de homens e mulheres. Mas o homem é a estrela.

A Vera Zvonareva, que está voltando às quadras, já tinha avisado que nao viria por conta de dores no ombro. Mas, ainda temos, entre as mulheres a campea de Roland Garros Francesca Schiavone, que apesar de nao estar em boa fase deve ser uma das favoritas do público, a Secretária Zvedova, a Zakopalova e muitas outras bonitinhas. Entre os homens, teremos também o Ferrer – os juizes de linha que fiquem espertos – Tommy Robredo, Fabio “Mascara” Fognini, Almagro e muchos outros. Tudo isso entre a Lagoa e o Jardim Botânico, à sombra das montanhas e poucos minutos da praia. Mas uma coisa é certa; o torneio será um com a presença de Rafael Nadal e outro sem o Animal.

Como adoro tênis, a fé é grande e o Cristo está de braços abertos, eu estou me preparando emocionalmente para uma semana de Rio de Janeiro. Quero tênis, Nadal, sanduíche de atum e suco na Visconde de Pirajá, passear na praia bem cedinho, ir nas livrarias do Leblon, visitar Santa Tereza, rever amigos e jogar um tenis em um clube na Lagoa. Um evento desses em um local como aquele é tudo de bom. Vou torcer para as variáveis ajudarem.

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domingo, 2 de fevereiro de 2014 Aberto da Austrália, Copa Davis | 19:42

Mudaram as cadeiras

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Por que Roger Federer apareceu em Novi Sad, cidade natal de Monica Seles, para jogar na 1a rodada da Copa Davis no último minuto? Nao tentem adivinhar, porque essas coisas de bastidores sao sempre mais complexas do que aparentam e desconfiamos.

Federer jogou somente uma a 1a rodada da Davis desde 2004, contra os EUA, em casa, em 2012, quando perdeu para John Isner no saibro, e Wawrinka do Fish, e a Suíça tomou 5×0!, Nao jogava na competiçao desde a repescagem de 2012. Esses anos todos ele passou dizendo que a Davis é importante para ele, mas, pelo jeito, nem tanto. Isso já motivou até um breve desabafo de Wawrinka, com quem ganhou ouro nas Olimpíadas, que ele nao fazia exatamente o que dizia – bem, acontece nos melhores países. Em todas as aparências os dois sao amigos e Wawrinka deixou isso ainda mais claro após o título, quando insistiu que Roger sempre o incentivou e que foi um dos primeiros telefonemas que recebeu após a final. Mas sao suíços.

E porque agora? Só dá mesmo para especular. Inegável o fato de Wawrinka ter desencatado, vencido um Grand Slam e ter se tornado o melhor suíço no ranking, fatos, especialmente o último, que devem ter mexido com a psique do bonitao. Como Wawrinka pegou o aviao e foi para Novi Sad defender o país, ficou mais difícil para Federer continuar a vender o seu paeixe que já faz muito pela Suíça, o que é fato, e nao precisa de Copa Davis para prová-lo.

Imagino que muitos francos suíços foram gastos com telefonemas para se chegar a um acordo final. Inicialmente, insisto, Federer nao ia à Sérvia. Só confirmou, oficialmente, na 4a feira, dois dias antes dos primeiro jogo.

Com certeza o fato de Novak Djokovic, Tipsarevic e Troicki nao jogarem – só sobrou pangas no time – também teve influencia. Nao sei como ficaria a cabeça, e a decisao, do Roger se, como #2 do time, tivesse que enfrentar Novak no 1o dia. Sei nao.

Como disse, só conjeturando. Para ir mais além, cada vez mais fica claro para Roger a dificuldade que terá em vencer outro Grand Slam. É difícil vencer sete jogos em duas semanas com todos cachorroes por perto. E até o Wawrinka anda ganhando.

A única conta que fecha pra ele é a da Copa Davis. Os dois juntos formam um belíssimo time que pode, eventualmente, até abrir mao das duplas – ou nao.

Com os resultados desta semana, a Espanha e a Sérvia fora, assim como o Canadá, que está montando um perigoso time com Pospsil e Raonic, a Argentina que perdeu em casa para a Itália, liderada pelo mala Fognini nao vejo nenhum time que possa conter a Suíca este ano, a nao ser, mais à distância, a França e a Rep Theca, que estao na mesma chave: A Gra Bretanha de Murray, que depende muito do Malao, terá que passar pela Itália para enfrentar a Suíça, que pega o Kazaquistao em casa agora.

Olhando a chave e o momento, este é o ano que a Suíça pode, finalmente, vencer a Copa Davis, título que Federer nao tem e lhe faz mais falta do que admite. E, estejam certos, até hoje ele sempre priorizou sua carreira solo, além de, provavelmente, achar que nao tinha um companheiro a altura do objetivo. Os cadeiras mudaram e as pessoas, como quase sempre, mudam juntas.

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:55

Açao e Festa

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Sempre tive minhas dúvidas com as chamadas açoes de marketing que geralmente nao passam de eventos para encher linguiça, uma maneira de gastar uma verba disponível e uma oportunidade para se mostrar falta de criatividade. Há exceçoes, que confirmam a regra.

Esta ultima quarta-feira a Asics, empresa de material esportivo, marcou um golaçao e serviu um ace no match point. Como tem entre seus contratado Bruno Soares, além de Teliana Pererira, o Joao Feijao e o Tom Fasano, entre outros, resolveram, para celebrar o patrocínio do Rio Open, homenagear Carlos Kirmayr e Cassio Motta, Dadá Vieira e, de lambuja, o técnico Marcelo Meyer e este escriba, na funçao de ex técnico.

Eu pensava que seria um cerimônia simples, realizada na loja da marca na principal rua de moda de Sao Paulo. Cai do cavalo. Os caras convidaram, e trouxeram, um verdadeiro time de tenistas da velha guarda que ajudou a escrever a história do nosso tênis, assim como da atual que irá escrever, em numero e qualidade surpreendentes.

Sei que corro o periclitante risco de deixar nomes de fora, mas o esforço deles vale o meu. Além dos homenageados, Patricia Medrado, líder do tênis social, Roberta Buzagli, tecnica de juvenis, a recem mae Vanessa Menga, Carla Tiene, capita da Fed Cup, Teliana Pereira, Dácio Campos, comentarista da SporTV, Ricardo Acioly, técnico do Feijao, Joao Soares, dono de academia em Campinas, Marcelo Saliola, professor  em Sao Paulo, Fabio Sibelberg, que leva milhares de pessoas para acompanhar os grandes torneios, Nelson Aertz, que realiza inumeros eventos, Fernando Roese, pro em Sao Jose dos Campos (todos eles tenistas que estiveram um time de Copa Davis por mim comandados), Bruno Soares, sempre simpático, Flavio Saretta, que foi o mestre de cerimônia (acompanhando por sua simpática esposa Suzana Alves), Joao Feijao, forte como sempre, Lui Carvalho (diretor do torneio do Rio) e seus pais (ela filha do glorioso Alcides Procopio, ele campeao brasileiro juvenil de duplas comigo), Bia Maia, com o sorriso no rosto de quem voltou às quadras, Paulinha Gonçalves, além de inúmeros profissionais do tênis, de pros, jornalistas, dirigentes etc.

O gancho e tema para a homenagem a Kirmayr e Cássio foi o fato de terem sido, antes de Bruno Soares, os dois grandes duplistas do país. Cássio chegou a ser #4 do ranking mundial e Kirmayr #7, sendo que os dois tinham as simples como prioridade. Cassio esteve entre os 50 melhores por 10 anos e Kirmayr ainda mais do que isso. Em 1983 foram os primeiros brasileiros a chegarem ao Masters de duplas, feito que Bruno Soares e Marcelo Melo repetiram 30 anos depois. Dadá Vieira foi lembrada por ter sido a ultima brasileira a disputar um Grand Slam (1993), antes da Teliana.

Discursos foram feitos, entrevistas dadas, fotos tiradas e no final quem sabia foi bater uma bolinha no meio da Oscar Freire em uma mini rede e tapete de grama por lá colocados. A vitrine com bolinhas da loja tinha um display de fotos da velha guarda que trouxe inevitáveis sorrisos ao rosto dos presentes. No final, foi bem mais do que uma homenagem, uma açao de marketing. Foi uma festa do Tênis brasileiro celebrando e celebrada por quem ajudou a escrever a história do nosso tênis.

 

Abaixo, Kirmayr, Cássio, Bruno, Giovani, presidente da Asics, Teliana, Dadá, Marcelo e Cleto.

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:48

Calote

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Novak Djokovic nao deve aparecer pelo Brasil tao cedo para jogar uma exibiçao. A nao ser que receba, como às vezes é exigido, dinheiro adiantado. Geralmente o adiantado é pedido quando o contratante nao tem crédito na praça, ou por ser desconhecido ou por ter manchas no passado. Como aos olhos de Djoko nem seu amigo Petkovic, que lhe apresentou o negócio, nem o Governo do Rio de Janeiro, o pagador, pertenciam a essas condiçoes, o rapaz veio de boa fé – até certo ponto, 60% – bater uma bolinha com Gustavo Kuerten na cidade maravilhosa. Na verdade veio depois de receber cerca de 40% do combinado – nao me perguntem quanto porque ninguém diz, só imagino que nao era pouco. O resto nao viu até hoje.

Bater uma bolinha é o máximo que se pode dizer da exibiçao com o nosso melhor tenista que padecia de contusao dolorida e suas consequentes limitaçoes. Mas como os dois dominam a comunicaçao e transbordam no charme, o público adorou. Teve também passeios pela Rocinha e fotos em áreas carentes. Agora chega a público, através da coluna do Ancelmo Goes, e nada acontece por acaso, que o sérvio tomou um calote de cerca de 60% do combinado.

Quem puxar pela memória lembrará que o Governo do Rio, através de sua Secretaria de Esporte e Lazer, também tinha assinado um contrato com a ATP para colocar o nome do Rio na rede do Masters Finals por três anos. Fazia parte das intençoes do Rio em trazer o Finals para o Rio. Depois de um ano a marca sumiu da rede e a ATP andou chiando pelos corredores pela quebra do compromisso. As chances do Finals no Rio foram para o brejo, a segunda vez que isso acontece (a primeira quando no ultimo instante foram para Lisboa após negociaçoes fracassadas com o Governo de Sao Paulo).

Gustavo Kuerten publicou no twitter sua indignaçao com o calote e a “falta de ética” por parte do Governo do Rio de Janeiro; mas nao nos informou se também levou o cano, ou nao, no negócio.

Quanto ao Governo do Rio de Janeiro, diz que deve, nao nega e paga nao diz quando.

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domingo, 26 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Masculino | 20:48

Tenta outra vez

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Quem nao tem cao caça com gato. Ou com Stan. Especialmente se a caça for Rafa Nadal.

Os fas de Roger Federer tiveram que procurar conforto na plasticidade, e nova combatividade do, quem diria, conterrâneo Stanislaw Wawrinka. O quase perene #2 da Suíça, quem diria, é agora #1 da Suíça e #3 do planeta – uma grata e inesperada reviravolta. E para deixar a vingança ainda mais doce como um chocolate ao leite – êta coisa enjoativa – a vitória na final do Aberto da Austrália, impediu que o espanhol Nadal se aproximasse do recorde de Pompadour Federer. Imagino que o Mr Federer, que Stan diz ser um grande amigo, vá enviar algumas caixas se deliciosos chocolates suíços meio amargo ou, na pior da hipóteses, um autentico e vintage Daytona – apesar do rapz ser um Piguet man.

A final foi um case tenístico. Por algum tempo as conversas tenisticas terao múltiplos assuntos. A reviravolta na carreira de Wawrinka, a “decadência” – quisera eu ter essa decadence avec elegance de Roger, a esquerda maravilhosa do novo suíço e, acima de todos assuntos, a dramáticidade, e inúmeros outros adjetivos que serao colados ao tema, da final.

Wawrinka é um novo tenista desde o início de 2013, quando perdeu uma partida que foi um separador de águas em sua carreira para Djoko no AO. Em Abril, acreditando que poderia sonhar mais alto, convenceu Magnus Norman a acompanhá-lo. De lá para cá seus resultados ficaram mais sólidos, assim como seu jogo e, especialmente, seu mental. A presença no ATP Finals pela primeira vez, e aos 28 anos, atesta a nova fase.

2014 começou com a conquista de Chennai, na Índia. Aproveitou o embalo e confiança para vencer o AO. Sao 12 partidas invicto este ano. Nao se enganem: ele sempre foi um grande tenista – venceu Roland Garros juniors em 2003 – e tem seis títulos profissionais para atestar. Mas nunca tinha estado entre os Big Dogs. O ano passado entrou entre os Top10 e agora é o 3o do mundo.

Ele sempre fez parte do imaginário dos tenistas de fim de semana pelo simples fato de ter o golpe mais plástico e bonito do tênis – sua esquerda com uma mao. A melhor entre as poucas que estao por aí. O cara faz o que quer com a bola e deixa todo mundo que já empunhou uma raquete babando de inveja. Sua direita sempre apitou antes da hora, até por conta do mental que vergava como bambu na hora da turbulência. Só com Rafa seu recorde era 0x12. E na mudança, para melhor, de ambas, deve ter o dedinho de Magnus Norman.

Na Austrália teve que passar por, entre outros, Robredo e El Djoko, sua grande partida no evento. Após perder por 7/5 no 5o em 2013, este ano bateu o servio por 9/7 no 5o. Ali ganhou o invisível pó de perlimpinpin chamado Confiatrix. Despachou Berdich de camiseta listrada e loira gelada na arquibancada e foi-se para a final. Mal sabia o que lhe esperava.

Começou dando um chocolate que a muito tempo o espanhol nao recebia – e isso tem que ter algo a ver com o resto da história. O pau corria solto na Rod Laver Arena – Stan só batia e Rafa só apanhava. Vai ter lombo grosso assim lá nas Baleares. E foi exatamente na lombar que começou a doer.

E aí vem a história de que veio primeiro, o ovo ou a galinha. Nas três derrotas mais marcantes e inesperadas de Rafa em Slams, vieram manchadas por contusoes e dores: Soderling, Rosol e Wawrinka (nao esqueçamos que o suíço era freguês de carteirinha). Rafa se contunde porque vai ser derrotado ou é derrotado porque se contunde. Ele diz que sentia dores desde o aquecimento. Porque? Logo na final? E após um passeio na semifinal, ele o mais perfeito físico do tênis? Talvez tensao da derrota prendeu as costas. De qualquer maneira, só deu para perceber após o sacode que tomou na 1o set e ter seu serviço quebrado no 2o, o que, de certa maneira, sacramentaria o que viria pela frente. O que de fato passou nao sabemos e só serviu para manchar a final, nao a conquista de Wawrinka. Temos que aceitar as palavras do espanhol, até porque ele tem muuuito crédito. O resto deixo com vocês.

Muito mais interessantes sao as palavras de Samuel Beckett que Wawrinka, logo ele, escolheu para marcar seu corpo e braço de tenista – palavras que ele diz definem bem a vida de um tenista: Ever tried, ever failed. No matter, try again, fail again. Fail better. (Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor). Hoje ele quebrou a corrente, mas nao a verdade escrita.

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Masculino | 12:03

Sonhou

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A minha mae sonhou, vários amigos sonharem, comentaristas sonharam, internautas sonharam, fas do mundo inteiro sonharam, até eu, confesso, sonhei. Quem nao sonhou com uma final suíça no grand slam da Austrália, reunindo nao só dois tenistas do país do relógio cuco mas, principalmente dois tenistas com uma esquerda de uma mao e um tênis extremamente plástico, provavelmente a ultima chance na história de tal coisa acontecer? Bem, um cara eu garanto nao sonhou, nem cogitou tal hipótese; Rafael Nadal.

Pode arrumar o topete, comer chocolate da Lindt, ter a torcida do Laver, usar Rolex no pulso, voar em seu private jet e até mesmo contratar o Edberg que a coisa nao vai rolar. O espanhol é mais competidor do que o Federer, que começa a passar mal assim que descobre que na próxima rodada vai enfrentar o rival do qual, para sua maior frustraçao, virou freguês.

Federer jogou bem e de igual para igual o 1o set, provando que jogo para tal ele tem – o buraco é mais embaixo. Quando perdeu, fácil, o TB, deixou, mais uma vez, a depressao bater. E deprê ninguém vai ganhar sequer set do Animal. Parece brincadeira o bloqueio que o suíço tem com o espanhol. Assim como é incrível a confiança que Rafa tem contra Federer.

O assunto já fica claro desde o início. Mais uma vez o topetudo ficou de pé na rede batendo papo com o juiz de cadeira enquanto Rafa chupava saquinho, tomava aguinha e suquinho e depois ficava girando a garrafinha. O cara faz tudo isso de caso pensado. E o Fed fica lá passando pelo mesmo ritual otário. Aí o Animal vai pulando como touro bravo na direçao do oponente e fica alí encarando – e o Fed com tremenda cara de paisagem como se nao fosse com ele enquanto outra viaja na intimidaçao.

Para me deixar mais aflito, Federer entrou naquele joguinho ridículo no sorteio. O juiz pergunta a Rafa, o melhor rankeado, o se ele quer escolher o lado da moeda. Rafa, miguelao, passa a bola para Federer. Que escolhe o lado posto de onde está?! (Tá de brincadeira, por causa do sol noturno??) Aí o espanhol emenda com aquilo que era sua vontade desde o início: saca aí você pra ver se eu quebro de cara.

Os dois tenistas tem estilos, físicos e idades distintas. Os dois tem vantagens e desvantagens quando se enfrentam. Mas, no final, sao os tais quesitos nadalisticos que fazem a diferença. O espanhol quer mais, briga mais, foca mais, está mais disposto a sofrer. Eu só pergunto uma coisa aos meus leitores: alguém aí já jogou tenis com uma bolha daquele tamanho na mao??!! E 99.99999% das pessoas – incluindo aí a minha mae, vários amigos, comentaristas, internautas, fas do mundo inteiro – que já pegaram em uma raquete de tênis usariam a tal cratera na mao para construir a maior desculpa que já se usou para perder um jogo de tênis. Nao o Animal Nadal.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:02

Volto?

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Volto, será que volto?, no meio do Aberto da Austrália. Férias, crises, de terceiros e bloguisticas, e outras cositas fizeram que eu ficasse longe. A volta, mais definitiva, será decidida em breve – assim peço que fiquem atentos à minha página do Facebook e à conta do Twitter.

Volto após ver a Aninha derrotar sua algoz, Serena Williams, a mulher que se acostumou em dar uma encarada e fazer cara feia para fazer a Aninha tremer dentro de suas sapatilhas cor de rosa. Mudou Serena? – se mudou foi pra melhor, já que a vi jogando bem na Austrália. Com certeza mudou a Aninha, que finalmente tem na sua equipe seu novo técnico, o também sérvio Nemanja Kontic. Foi-se Nigel Sears, uma verdadeira nulidade – aquilo é um atraso, para nao dizer brincadeira de mau gosto.

Aninha nao largou o osso em momento algum, inclusive após perder o 1o set. A vitória, também de virada, sobre Stosur, na rodada anterior ajudou. Como talento e golpes a moça sempre teve, era uma questao de afinar o emocional – e o serviço, que desmoronava junto com o emocional. O toss continua uma tristeza, mas pelo menos agora ela nao segura a mao, nem entra em panico. Ainda há salvaçao neste mundo. Convenhamos, é uma prazer inominável assistir a abundância e diversidade de talentos da Aninha.

Só fica melhor se acompanharmos seu próximo jogo, contra a canadense e novo cocada branca do circuito, a jovem Eugenie Bouchard, uma moça com personalidade, golpes e o resto necessário para uma estrela. Ela vem subindo como um foguete no circuito profissional – ainda em 2012 jogava o circuito juvenil. Essa partida acontece esta noite, logo após a super-fêmea Penetta enfrentar a chinesa Na “transparencia verbal crônica” Li.

Entre os homens, amanha cedinho Djoko enfrenta Wawrinka. Será que o suíço quer tanto assim? Ele está jogando cada vez melhor, talvez mais golpes do que o sérvio, com certeza mais plasticidade e habilidades, mas nao tem mais coraçao e velocidade. A conferir. Quem nao tiver o que fazer também pode assistir, na madrugada, Ferrer enfrentar o Berdich. Talvez a esta altura descubram que o uniforme do checo nao é uma questao de mau gosto fashionista e sim de amor à pátria. Com a listras azuis e brancas, o checo está a lembrar a todos que ele e seus companheiros sao os campeoes da Copa Davis. É uma questao de orgulho,, de statement, nao de moda.

Federer jogou muito tênis contra Tsonga. Fazia tempo que nao o via assim. A maior mudança? A de “ficar” no jogo e nao dar chance de o caldo engrossar. Já passou da hora de ele entender que já passou da idade de ficar mais tempo do que necessário em quadra e dar milho à bode. Quanto a ser mais agressivo, era uma tática óbvia, como ele mesmo confessou. Se ele nao vai pra cima, vem o Tsonga. Quanto a este, voltou a ser “francês” demais, com frescuras desnecessárias e viajadas imperdoáveis para quem quer o que ele diz que quer. Quando quer é um perigo. Quando viaja…

Fiquem de olho na Simona Halep, agora de seios reduzidos. A moça era uma revelaçao como juvenil, fez a cirurgia e vem jogando bem a alguns meses.

Quanto a ESPN, ficou esperta depois da comoçao por conta de só terem colocado o jogo do Bruno Soares após ter começado, priorizando os jogos que estavam no ar, o que nao chega a ser nenhuma afronta, pelo contrário. Mas talvez fosse sim bom senso. O presidente da CBT, sempre um trator, meteu a boca pelo twitter. E a polêmica se instalou na internet. A surpresa fica por conta dos espectadores se manifestarem a favor da interrupçao de jogos dos #2 e #3 do mundo para se colocar um jogo de duplas de um brasileiro. Como o tênis mudou, – pelo menos o brasileiro e telespectador brasileiro. Como resultado, hoje a ESPN estava a mostrar o jogo do Marcelo Melo, que perdeu, e nao encontrava, quando olhei, está difícil achar todos os canais da ESPN na NET, a iminente derrota de Sharapova para a sapeca baixinha Cibulkova. E quem disse que precisa ser gigante para ser tenista?

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