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quarta-feira, 26 de junho de 2013 Porque o Tênis., Wimbledon | 13:14

Gasparzão(ões)

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Hoje deve dar certinho; quando terminar os jogos de Wimbledon começa a semifinal Brasil x Uruguai.

Fiquei pensando sobre a vitória do Gasparzão Dustin Brown pra cima do MalaHewitt. Pontos interessantes a se avaliar. Hewitt bate Wawrinka, que virou top 10 e está na sua melhor fase, sem dó nem piedade. Mas leva um tranco do rastabrown que é #189 do ranking.

O Gasparzão tem um estilo, hoje peculiar, que se encaixa como uma luva na grama. Tanto que o mano sofre em outros pisos – o cara não deve gostar de sujar os tênis de barro.

Alto, 1.96, é sacador e sabe usar o saque slice, uma arma esquecida nas épocas atuais, como poucos. Além disso, tem muita mão junto à rede. Entre os top10 só Federer tem habilidades semelhantes no quesito. No fundo da quadra é outro cenário – é ruim mesmo e arrisca para não se alongar. O que, per si, não explica seu ranking de #189. Credito isso mais à personalidade viajandona do rapaz. Mas, hoje na Quadra 2 de Wimbledon, mais conhecida como Cemitério dos Campeões, o rapaz se inspirou e enfiou a mão. Saiu chorando de emoção da quadra e nem autógrafos distribuiu – vai ter tempo para isso.

Mas, o que essa vitória me desperta é a ideia de que o tênis de saque e voleio ainda tem chances neste mundo. Afinal, Hewitt é um mestre jedi do contra-ataque, mesmo aos 31 anos. O Gasparzão simplesmente foi pra cima, com excelentes serviços, devoluções chip and charge e muita tranquilidade e habilidade dentro do retângulo, abafando o australiano que chegou a ter sonhos maiores para a semana.

Sim, o mundo precisa de um grandalhão habilidoso, atlético e que domine os fundamentos, tanto os da rede como os do fundo de quadra. Se um dia o circuito pertenceu aos sacadores e voleadores, especialmente nas quadras mais rápidas e nas cobertas, a maioria durante décadas, hoje, época de quadras mais lentas, pertence aos sólidos tenistas de fundo de quadra. O fato vem fazendo que os atuais, e a geração que vem por aí, se pelem de medo de ir à rede e passar vergonha.

Por isso, fica lançada a ideia para técnicos e jovens. Que se aprenda o tênis em todo o seu espectro e que venha, em um futuro breve, tenistas mais completos, que voltem a nos encantar com todas as possibilidades e habilidades. Roger Federer, aos 31 anos e 1.85m de altura não é exatamante o que tenho em mente. Mas o Bonitão Federer, um talento que sempre soube volear e abandonou a tática quase que de vez.  Talvez não tão engessado – sacando e voleando a toda hora. Mas, variando, saque e subidas, surpreendendo com chip and charges, slices de esquerda, enfim, que use o repertório que Deus lhe deu. Bem que podia se lembrar de sua maravilhosa vitória sobre Pete Sampras, quando os dois fizeram o ultimo confronto digno de nota sacando e voleando em 2001, doze anos atrás. O fantasmão mostrou que é possível.

Bem, aí está também o Stakhovsky que não me deixa mentir! Afinal, ele mostrou ao Bonitão como faz.

Gasparzão Brown sacou e voleou eliminando Hewitt.

E falando em Gaspar……

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terça-feira, 25 de junho de 2013 História, Porque o Tênis., Wimbledon | 18:11

Rus

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Logo após sua derrota em Wimbledon, Nadal disse que o tênis é um esporte de vitórias, não de derrotas. Fácil para ele falar. A imensa maioria dos profissionais passa a carreira pedendo toda semana, a não ser que ganhe torneios. Não é o lado mais agradável da profisssão.

Mas se Nadal é uma exceção e a regra é do tenista que boa parte do tempo vence algum jogo, mas perde toda semana, existe uma outra exceção à regra – esta bem negativa e de chorar.

Qualquer sofasista que conseguiu desviar seus olhos um pouco além FedererNadal conhece a saga do malamór Spadea. Se não conhece, é porque além de sofasista não conhece muito do tênis profissional.

Agora uma tenista, a gracinha magrelinha holandesa Rus, vive seu inferno astral e caminha a largos passos atrás do recorde do malamór Spadea. A moça, derrotada hoje em Londres, atingiu a vergonhosa marca de 17 derrotas seguidas no circuito. A moça não sabe o que é celebrar desde 19 de Agosto 2012.

Rus, atual #156 – já foi #61 – foi a #1 do mundo como juvenil em 2008, o que nos lembra o que pode acontecer com a confiança de uma hora para a outra. No ano passado ela foi à 4ª rodada de Roland Garros, eliminando Clijsters no caminho.

Nesses meses ela chegou a jogar torneios menores e conseguiu três vitórias, o que, pelo jeito, não ajudou muito. Só uma outra tenista teve tantas derrotas consecutivas; Sandy Collins, nos anos oitenta. Não, você não é um sofasita se nunca ouviu falar dela.

Aliás, o malamór Spadea perdeu 21 partidas consecutivas na AP Tour e não desistiu. Só de curiosidade; o cara que perdeu para ele, imaginem a vergonha, foi outro conhecido malaman, o canadense-britanico Rusedski, jogando na quadra central de Wimbledon com todo mundo vendo. Por 9/7 no 5º set. Se vocês querem saber o que é gozação, e celebração, deveriam ter estado no vestiário aquele dia.

Rus, 17 vezes consecutivas de joelhos. Dói.

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segunda-feira, 24 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 17:02

Escorregou na grama

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Sendo primeira rodada já é bicudo. Sendo grama, mais ainda. Ainda mais para um tenista como Rafa Nadal, para quem jogar na grama não vem naturalmente. O estilo do rapaz não é exatamente condizente com o piso. A grama começou a semana bem escorregadia por conta do clima. O fato de ter elegido descansar os joelhos após Roland Garros e não jogar nenhum preparatório na grama agravou tudo acima.

Steve Darcis não é nenhuma Brastemp, mas também não é nenhum panga. Ele sabia que Nadal teria dificuldades na primeira rodada e decidiu ir pro pau. E seu estilo se adapta legal à grama, especialmente contra o estilo de Nadal – talvez contra outro nem tanto. O belga tem bom slice de esquerda, que usou e abusou nos dois lados da quadra. A direita, que é meio cega, tende a ir para a cruzada, o que ajuda a achar o revés espanhol com mais facilidade. E por aí vai. Isso sem mencionar que o cara usou e abusou de jogar bem emocionalmente nos pontos decisivos. Afinal, independente de tudo aquilo que está no primeiro parágrafo, o espanhol levou os dois primeiros sets para o tie break e não conseguiu vencer nenhum dos dois. Ou melhor colocado, Darcis venceu ambos. Falar que o espanhol perdeu totalmente a confiança durante a partida é ser óbvio.

Federer passeou na quadra central contra o triste Hanescu – normal. O cara, que é um de seus parceiros de treino, nem tenta. O Murray esbanjou catega na primeira rodada contra o alemão Becker (o genérico).

Comprovando que as quadras estão escorregadia, Azarenka quase deixou o joelho na quadra. No final foi mais susto do que qualquer outra coisa. Essa francesa, Mladenovic, que perdeu para a Maria, é uma tenista très interessante.

Os ingleses são uns brincalhões. Colocaram uma tal de Keothavong, de 30 anos, na Quadra Central, só porque é inglesa, e a mulher tomou uma tunda da espanhola #59 do mundo. Que daibo de jogo é esse para a Central?!

Enquanto isso, lá na quadra 6, que é lá atrás, um joguinho feminino que deve ter sido uma batalha e tanto. A portuguesa de Brito, que era para ter sido a melhor coisa que saiu de Portugal desde as tres caravelas mas esqueceu de crescer, bateu a americana Oudin, que era para ter sido a melhor das americanas desde a Chris Evert segundo os gringos. Ganhou a portuga.

Rogérinho Dutra caiu na 1ª rodada contra o ucraniano Sthakovski. Seu estilo não ajuda na grama. Em compensação, se é que compensa, Marcelo Melo ganhou a 1ª rodada de duplas com o Dodig contra o Giraldo e o Russel. Eu nem sabia que jogavam duplas no 1o dia do torneio.

Sempre foi e sempre será divertido ver o Hewitt jogando. Especialmente quando está inspirado. Ele era outro que sabia que a 1a rodada seria cruel para o Wawrinka na grama. E hoje o suíço, que andava meio espanhol, voltou a ser suíço.

O Rosol? O Rosol já era.

Darcis – o autor do crime.

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quarta-feira, 24 de abril de 2013 História, Wimbledon | 12:50

Aumento salarial

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Como em toda negociação que almeja o sucesso, a conversa entre tenistas e federações proprietárias de torneios do Grand Slam ficou, boa parte do tempo, restrita a quatro paredes. Como toda negociação que envolva algum tipo de sindicalismo, elas só começaram e foram adiante após um período de pressão, quando não de ameaças veladas. O que os tenistas aprenderam com o tempo foi usar a maior exposição que têm a seu favor.

Os tenistas boicotaram Wimbledon em 1973, o que, entre outras coisas, solidificou a recém criada ATP. Naquela época quase todos os melhores ficaram de fora (foram 81 boicotando), por conta da eterna briga entre jogadores e cartolas. A FIT suspendera um iugoslavo, Pilic, por não jogar a Copa Davis e os tenistas não queriam mais esse tipo de musculatura pra cima deles. Jogaram os tenistas da cortina de ferro, porque ou jogavam ou não poderiam mais sair de seus países. O tcheco Kodes bateu o russo Metreveli na final. Muitos outros jogaram porque viram uma oportunidade de se dar bem – sempre tem isso também. Foi também a primeira participação de Borg, então com 17 anos.

Na época, a repercussão perante o público foi totalmente negativa, já que a imprensa britânica ficou com os organizadores e taxava os tenistas de mimados. Consequentemente o público ficou contra os tenistas amotinados e abraçou os que compareceram. Mas a ATP segurou a onda e o tênis mudou para sempre. Não dá para comparar as duas épocas, do tênis e do mundo, assim como não se pode comparar tenistas de então e de hoje.

Os torneios, especialmente os GSs, continuam sendo mega eventos, mas em tempos atuais os tenistas tornaram-se também mega importantes e, acima de tudo, aprenderam a utilizar a mídia disponível a eles. Fica mais difícil Wimbledon proclamar que é mais importante que os jogadores, como foi sua postura por mais de um século.

Rod Laver não estava na sala das pessoas a cada evento através de imagens de TV, não tinha sítio na internet, nem todo o universo da internet levando suas imagens e declarações mundo afora, nunca ouviu falar de press manager, não tinha 10 milhões de fãs no facebook e uma multidão de fãs de todas as idades mundo afora. Tudo isso foi utilizado para “vazar” informações que sutilmente sugeriam que os vestiários estavam em indignada revolta, por conta da distribuição de prêmios e o valor de dinheiro que entravam para os cofres das federações, e uma ameaça de boicote contaminava ainda mais o odor de suor dos vestiários.

Muita conversa aconteceu entre os representantes dos GSs e tenistas e seus representantes. Os “donos” dos GS começaram a se mexer e individualmente começaram a apresentar suas propostas de aumento. Cada um que apresentava garantia a presença dos tenistas em suas quadras. Mas todos negando que cederam à pressões. Os aumentos, afirmam, foram de livre e espontânea vontade, mas quem assistiu Indian Wells viu, logo na primeira fileira, o diretor de Wimbledon, presente para conversas com tenistas.

Desde o primeiro momento, os tenistas bateram na tecla que eles procuravam aumento dos valores nas primeiras rodadas, o que garantia que a majoração atingisse a maioria, que é quem agita os vestiários. Um socialismo esportivo. Os cachorrões também gostam de dinheiro e quanto mais, melhor. Mas, no caso deles, já têm bastante e, a um certo ponto da carreira, se joga mais pela glória do que pelo cash.

Foi levando isso em consideração que o Torneio de Wimbledon divulgou esta semana um aumento de 40% no prêmio distribuído, o que dá para afirmar ser um senhor aumento e deve ter deixado os vestiários com o perfume de gardênia.

O total, para homens e mulheres (estas não pressionaram, mas receberam sua parte) passa a ser U$34.4 milhões, o maior de todos os GSs. Os vencedores receberão $2.4M cada. No ano passado receberam U$1.75. Mas a diferença é mesmo para aqueles que naufragam no evento qualicatório e nas três primeiras rodadas da chave principal. Os primeiros terão um aumento de 41% e os outros de 60%! O evento de duplas teve um aumento de 22%, o que deve ter deixado os mineirinhos felizes.

Provando que a grana não é um problema em Wimbledon, os ingleses anunciaram também que vão cobrir a Quadra 1 para o torneio de 2019, quando terão então duas quadras cobertas. Dizem que a decisão foi feita entre piadinhas a respeito da eterna falta de quadra coberta no U.S. Open.

Nic Pilic, pivô do boicote em 73′, mais do que acertou suas contas com a Copa Davis. Jogou pela Iugoslávia, foi capitão da campeã Croácia, técnico da Sérvia e capitão da Alemanha, derrotada pelo Brasil no Rio de Janeiro em 1991.

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