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Arquivo da Categoria Wimbledon

sábado, 5 de julho de 2014 Novak Djokovic, Roger Federer, Wimbledon | 22:39

Final de Wimbledon imperdível.

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Para aqueles que amam o Tênis nao percam amanha, a partir das 10h da manha, a possível ultima chance de Roger, El Topete, Federer de conquistar um título de Grand Slam. Isso porque acho muito difícil que o suíço, que faz 33 anos em Agosto, consiga tal feito em torneios de quadras duras – nao vou nem falar do saibro. As duras sao bem mais exigentes no físico, algo que, como nao podia deixar de ser, o rapaz tem cada dia menos. Lá o bicho pega bem mais a cada partida, além de ser bem mais difícil de conseguir os resultados que conseguiu na grama de Wimbledon nesta ultima quinzena.

Na grama o desgaste nas duas semanas é bem menor, o que aumenta suas chances comparativamente. Eu até diria que se vencer em Londres suas chances aumentam em New York, mas acho beeem difícil. A maior preocupaçao física do rapaz sao as dores nas costas, que o tapete de grama ameniza barbaridades e as duras punem.

Pode-se comprovar esse raciocínio com a preocupaçao do rapaz em passar o tempo mínimo em quadra, evitando suas famosas “viajadas”. A única partida em que ficou mais de três sets em quadra foi contra seu colega Stan, onde jogou 4 sets. O resto foi rapidinho. Isso fez com que chegasse à final fresquinho e nas pontas dos cascos, uma exigencia para quem enfrenta Djokovic em finais de GS, já que o sérvio é sempre o melhor físico em quadra.

Só para completar, os números que importam. Roger tem a vantagem de 18 x16 vitórias. Em Wimbledon jogaram uma única vez!, nas semis de 2012, com vitória do suíço em 4 sets.

Nao que Roger Federer seja o favorito, a situaçao é equilibrada com ambos tendo vantagens e desvantagens, mas será muito interessante ver esse conflito, nesse palco, nessas circunstâncias. Aliás, imperdível.

 

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domingo, 22 de junho de 2014 Tênis Masculino, Wimbledon | 20:41

Começa na grama

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Nao é fácil escrever sobre tênis no meio da Copa do Mundo, especialmente esta sendo no Brasil. E nao será fácil escrever sobre Wimbledon durante a Copa, algo que já fiz em épocas de Jornal da Tarde e Estadao, algumas in loco. Aliás, é difícil fazer muitas outras coisas após as 13h durante a Copa.

Sao dois grandes eventos esportivos que disputam a atençao do fa dos esportes. Imagino que por aqui a SporTV manterá a tradiçao de mostrar o centenário torneio em dos seus canais, mesmo nos horários dos jogos. Mesmo no horário dos jogos do Brasil? É preciso ser fanático mesmo para ignorar a seleçao e assistir dois gringos na grama sagrada. A ver.

Os ingleses vao ter menos conflitos nessa área. Antes é preciso enfatizar que eles sao graaaandes fas do futebol, e do tênis, e a cobertura jornalística da Copa do Mundo é maciça e forte por lá – assim como Wimbledon. Se por um lado o interesse se arrefece por conta da saída prematura do time inglês no futebol, por outro perdem o maior gancho jornalistico de Wimbledon, que era o fato de um britânico nao vencer Wimbledon há décadas. Alias, conforme o resultado do referendo de setembro, quando a Escócia vota para decidir se se torna um estado independente ou nao, pode ressucitar a triste realidade que um súdito da rainha nao vence há muito tempo por lá.

Se por um lado os jornais ingleses perdem o gancho do derrotismo, ganham o gancho bem mais positivo que o atual campeao é um britânico. E isso está gastando muita tinta na Gra Bretenaha. Se Murray sentia, e acusava, a pressao antes do título, agora vai queimar as pestanas. Se o temperamento do rapaz fosse outro eu diria que agora ele sabe o caminho das pedras e um segundo título ficaria mais fácil. Nao fácil; mais fácil.

Nao podemos esquecer que o tênis sobre a grama, mesmo esta nao sendo mais o que era antes, quando tangia a loteria, especialmente nas primeiras rodadas, quando a relva ainda estava intacta e rápida, o que causava com que alguns favoritos, ainda nao acostumados com o piso, sofressem nas maos de alguns fantasmoes. Ainda acontece, porém com menos frequencia. Mesmo assim, em Wimbledon é sempre de bom tom redobrar as atençoes e dar menos milho à bode nas primeiras rodadas.

Tradicionalmente, e eles adoram as tradiçoes, quem abre o torneio é o atual campeao. Assim sendo, nesta 2a feira, às 13h locais, o talentoso escocês deve levantar o público quando entrar em quadra, em um mais do que devido respeito pelo conquistado pelo rapaz e, especialmente, por ter enterrado de vez aquela caveira de décadas. Seu adversário é um belga sem muita expressao, David Goffin, garoto que já fez Federer suar em frio em outra ocasiao.

Se Murray passar pelo belga, nao imagino o contrário, nao vejo quem possa incomodá-lo nas próximas rodadas, já que lhe daria tempo e quilometragem para “entrar” no torneio, amenizando assim a pressao. Pelo menos até as 8as, quando aparecem adversários mais encorpados como Ferrer, Thiem, Dimitrov. Mas, nao esqueçamos, estamos falando de Andy Murray – e com ele a torcida é sempre com emoçao.

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quarta-feira, 18 de junho de 2014 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Wimbledon | 20:38

Os cabeças em Wimbledon

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Os ingleses anunciaram hoje os cabeças de chave em Wimbledon. Eles continuam se auto autorizando a fazer essa escolha conforme seus próprios parâmetros. Sao os únicos a fazê-lo, já que os americanos arquivaram o assunto após muitos protestos.

E qual esse critério dos ingleses? Seguinte:

1-Pegam os pontos do ranking ATP de 16 de junho
2-Acrescentam 100% dos pontos ganhos em todos os torneios sobre grama nos últimos 12 meses.
3-Acrescentam 75% ganhos no melhor resultado sobre grama nos últimos 12 meses anteriores aos 12 meses acima.

O interessante é que essa fórmula só vale para a chave masculina. A feminina obedece o ranking da WTA.

É justo? Sobre justo sabedoria popular tem um ditado grosseiro. É injusto? Nao – nem tanto, a nao ser por aquele último quesito. Mas é como é.

Vejam como sao os top13 da ATP:
1-Nadal
2-Djoko
3-Wawrinka
4-Federer
5-Murray
6-Berdich
7-Ferrer
8-Del Potro
9-Raonic
10-Gulbis
11-Isner
12-Nihokori
13-Dimitrov
14-Gasquet
15-Fognini
16-Youzhny

Vejam como ficou em Wimbledon:
1-Djoko
2-Nadal
3-Murray
4-Federer
5-Wawrinka
6-Berdich
7-Ferrer
8-Raonic
9-Isner
10-Nishikori
11-Dimitrov
12-Gulbis
13-Gasquet
14-Tsonga
15-Janowicz
16-Fognini

E quais as consequências disso? Esse ano até que muita. Andy Murray, o atual #5 do ranking da ATP, é o mais favorecido – nao esquecer que é o atual campeao. Em Wimbledon será #3. Poderia, pelo ranking ATP, cair contra um dos quatro primeiros ainda nas 4as de final. Agora só pegará um dos top dois nas semifinais. Ajuda.

Wawrinka o que leva a pior. Vai cair na rede.

Para Nadal e Djoko nao importa – é mais uma questao de status.

Bom também para Tsonga e Janowicz que estao entre os 16 cabeças. Ruim para Youzhny, único que dançou nessa.

As mulheres nao entram nessa história, provavelmente porque os organizadores acreditam que nao faz nenhuma diferença os estilos femininos de jogar na terra ou na grama. Aliás, no tênis feminino só tem praticamente um estilo, onde, entre outras coisas, o saque, cam rarissimas exceçoes, nao é um diferencial. Mas nenhuma delas vai ganhar a vida sacando e voleando.

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terça-feira, 16 de julho de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino, Wimbledon | 11:33

Trocando a raquete

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Às vezes falho na percepção do que os meus leitores gotariam de ler no Blog. Na verdade, tenho pensado seriamente em mudar o direcionamento e as pautas, o que talvez tenha sido a razão inconsciente em passar em branco uma informção que recebi duas semanas atrás.

Estava em um preguiçoso bate papo, após um nada preguiçoso bate bola com um amigo ex-tenista com acesso direto ao suíço, quando este mencionou que o “bonitão” iria mudar de raquete. Não dei maior atenção ao fato, até porque tinha outras coisas mais importantes na cabeça, inclusive as referentes ao suíço. Para minha surpresa, todos os sites de tênis transformaram o assunto em notícia.

Federer não teve muitas raquetes na carreira. Geralmente quem troca de raquete é quem começa a perder. Quando o cara está ganhando ele troca de mulher, de técnico, de casa, de manager, mas não de raquete. Aí comecei a pensar naquele fatídico dia de Wimbledon quando as zebras invadiram a grama do local. Sharapova mandou o treinador embora. Federer decidiu que era a hora de trocar a raquete.

O rapaz não teve muitas raquetes na carreira profissional. De fato teve duas, o resto foi maquiagem e frescuritas. Entrou no circuito jogando com a Pro Staff 85 6.0, a mesma que Sampras nunca quis trocar e quando parou de jogar disse que deveria ter trocado antes por algo mais moderno. Em Roland Garros 2002 Roger jogou pela primeira vez com a Hyper Pro Staff 6.0, a primeira vez que usou o aro de 90 polegadas. A partir daí foi sempre razoavelmente a mesma coisa, com diferenças de maquiagem; 90 polegadas e peso entre 352 e 360gramas.

Como tudo, e ele próprio, a raquete ficou “velha” – uma raquete que não consegue gerar a mesma força/velocidade de outras que estão por aí. O que, de maneira alguma, significa “pior”. Tanto é que Roger relutou muito tempo com a mudança. O aumento da cabeca da raquete deve ajudá-lo a gerar mais força sem perder precisao. A tecnologia das raquetes tem mudado, assim como a dos encordoamentos, algo que Federer também está testando. O progresso dos encordoamentos tem sido até mais radical do que o das raquetes.

Roger considerou no passado fazer uma mudança mais radical, do tipo que está considerando agora. Chegou até testar alguns modelos. Mas sempre arquivou a ideia, culpando a falta de tempo para a transição – algo que pode levar semanas e mesmo assim não dar certo. Geralmente dá certo em um primeiro momento e depois dá uma encrencada, no jogo e na cabeça. É preciso calma e saber o que se busca – não se mexe com 20 anos de hábito sem consequências.

A derrota para Stakhovsky foi a gota dágua, especialmente após não conseguir fazer frente às bolas pesadas de Tsonga em Paris. Não é só a raquete, Federer também, não deve conseguir gerar a mesma força de antes, assim uma raquete e encordoamentos mais modernos podem deixá-lo mais competitivo – daqui para frente o tempo nunca será seu aliado.

Isso também explica a mudança de calendário – sendo que ele, e a Wilson, não falaram ainda sobre a mudança da raquete. Hamburgo e Gstaad não serão torneios para vencer e sim torneios para testar o equipamento e mudanças que deverá fazer em consequência, que podem ajudá-lo tecnicamente a recuperar a confiança chamuscada após Roland Garros e Wimbledon, visando as quadras duras da América do Norte e o que pode vir a ser a sua last chance em vencer um Grand Slam – U.S.Open 2013 em Agosto.

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Roger, a raquete pintada de preta, no AM Rothenbaum de Hamburgo. Há boatos que se trata da Wilson Blade 98 pol ou similar.

 

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terça-feira, 9 de julho de 2013 Wimbledon | 18:30

O escocês britânico

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Wimbledon nunca mais será o mesmo. Nem Andy Murray. Durante os últimos 77 anos o torneio foi uma festa onde os organizadores – o All England Club e a Federação Inglesa – sempre fizeram questão de deixar claro nas entrelinhas, condenscendiam em permitir que os estrangeiros comparecerem e, para seu eterno desgosto e frustração, retribuíssem a suposta hospitalidade vencendo o torneio. A imprensa local deitou e rolou nas ultimas décadas em ataques de auto miseração, e tirando sarro do fato dos locais nunca estarem presentes na segunda semana do evento. Para os ingleses – não sei bem se o fato de um escocês, que no ano que vem votam em um referendo se tormam uma nação independente – é melhor ou pior. De qualquer jeito, hoje toda a Grã Bretanha celebra e apadrinha o campeão. A história do até pouco tempo conturbado tenista também será diferente. Uma antes, outra depois de Wimbledon 2013.

 

Lembro que sempre achei que era uma questão de tempo para Murray ganhar Wimbledon e outros GS. Uma pancada de sofasistas, que hoje se escondem debaixo do tapete, se indignavam, já que só enxergam o óbvio e esse óbvio se resume a dois ou três tenistas que veneram, amam ou detestam. Os que acreditavam, como muito bem bolou nosso amigo Flávio Bet@, cabiam na tal Romi Isetta.

 

Andy Murray é um tenista difícil de gostar. Seu carisma é zero. Seu tênis, brilhante, não se encaixa no padrão atual estilo de mãos pesadas ou mesmo de jogadores mais clássicos. Tenistas como Jimmy Connors e John McEnroe lhe esnobaram no início da carreira, se recusando a treiná-lo. Seu estilo é baseado no contra ataque, no preparo físico espetacular construído com muito trabalho e competência, cujo verdadeiro diferencial é a sua habilidade física, especialmente as “mãos”. Além disso é um jogador tático que pensa, as vezes demais, para jogar.

 

Desde cedo ele procurou seu caminho, independente do que os outros achassem. Abandonar a ilha do norte e procuram Barcelona foi ideia da mãe, que pensava, com um bocado de razão, que os conterrâneos não tinha na alma o necessário para serem campeões – foi pastar no saibro espanhol para aprender a lutar. Seu temperamento se adaptou ao estilo espanhol de trabalho duro. Quando chegou a hora voltou para a ilha, já com o estilo e o comprometimento definidos.

 

Uma de suas qualidades foi ter se cercado de pessoas que pudessem fazer um impacto positivo em sua carreira/vida. Fugiu do pessoal e das baboseiras da federeção inglesa, procurando ajuda em profissionais que tinham experiência de trabalho com outros esportes e do centro de excelência de esportes inglês. Ele tem um preparador físico, um fisiocultor, um fisioterapeuta que estão no time há anos. O rebatedor, um venezuelano que conheceu na academia de tênis em Barcelona. Ivan Lendl, desde o início de 2012 e uma psicóloga que Lendl, que utilisava um nos tempos de juvenil, o convenceu a contratar. O checo sabia que precisava de alguem para afinar o hardware do bipolar escocês.

 

Todos falam sobre a influência de Ivan Lendl na sua vitória. Com certeza existiu, mas, à distância, não sei se é tão grande como se preconiza. O rapaz caminhava, no seu torturante ritmo, e progredia na sua técnica há anos – só não vencia os grandes eventos. Faltava-lhe quebrar o jejum de um título de Slam, o que veio no ano passado em Nova York. Era inevitável e Lendl que também teve dificuldade semelhante, veio ajudar no processo. As diferenças táticas são poucas e as mudanças eram gritadas até pelos meus leitores mais sofasistas. Faltava alguem que o convecesse a ser mais agressivo do que era. Mas a maior diferença foi a mental, e aí é uma salada de influencias e confluências.

 

Desde o primeiro Slam veio a final na Austrália onde perdeu para Djoko, pulou fora de Paris (pra mim para se preparar para Wimbledon) e agora o maior título de sua carreira, independente do que faça pelo resto dela. O trem embalou.

 

Com 26 anos de idade, só seis dias o separam de Novak Djokovic, com quem deve fazer a próxima grande rivalidade do tênis, com Nadal, um ano mais velho, correndo por fora nas quadras mais ráidas e no saibro deixando os outros por fora. Federer deve jogar sua ultima cartada no U.S. Open, depois disso ficará cada vez mais difícil, mas não impossível.

 

As características que fazem com que Murray seja um produto não tão agradável mercadologicamente pela falta de sinergia com o público, são as mesmas que fazem com que seja um obstinado com sua carreira e o tênis. O seu intenso foco no trabalho é uma consequência. Como a sua maior conquista afetará a carreira, para o bem e o mal, é algo que começaremos a enxergar já a partir da temporada americana de quadras duras. Ele pode tanto se encher de confiança e auto-estima, algo que sempre lhe faltou um dedinho, e se tornar ainda mais audaz e perigoso, como, mais uma vez se atrapalhar emocionalmente. A minha aposta é pela primeira opção. E a outra consequência é que sai a Roli Isetta e entra, pelo menos, uma van.

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sábado, 6 de julho de 2013 Tênis Feminino, Wimbledon | 16:53

ESTOJO

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“Se você puder encarar triunfo e desastre e tratar esses dois impostores igualmente” são os versos do escritor inglês Rudyard Kipling que aguardam os tenistas conforme eles entram na quadra central de Wimbledon. Desde jovem, quando descobri sobre a placa, os versos me intrigam e inspiram. Me inspiram pela verdade, um tanto difícil de compreender em certas épocas da vida, e intrigam por me perguntar quantos tenistas foram realmente tocados pela frase conforme adentravam o templo sagrado do Tênis.

A vida me mostrou, às vezes de maneira cruel, as verdades do poema de Kipling, que é mais extenso do que a frase acima, mas nunca soube de um tenista que confessasse a inspiração, apesar de muitos a mencionarem.

Quando Sabine Lisicki saiu da quadra após perder seis games seguidos, para supostamente ir ao banheiro, numa clara tática de interromper a partida e tirar o ritmo da adversária, tática cada vez mais usada no circuito, em particular no feminino, me irritei. O fato de ficar somente dois minutos – já ví mulher ficar 10 minutos por lá – mostrou que não estava muito à vontade com a pobre decisão.

A alemã não conseguiu dominar os nervos em toda a partida, a não ser quando já perdia por 6/1 5/1 e o inevitável se agigantava. Como é natural, entregou para Deus e a partir dessa decisão se acalmou e começou a jogar tênis, o que explica para quem quiser entender o valor das religiões. Enquanto isso, Marion começou a sentir a pressão de fechar para vencer o torneio, algo que já é difícil per si, ainda mais com a adversária começando a colocar as bolas em jogo após tanto desperdício.

Mas a nossa querida e exdruxula crente estava preparada para o que desse e viesse. Com as duas palmas das mãos indicava o foco que devia seguir – mais uma de suas ótimas involuntárias tiradas – e ia para o jogo. A moça foi uma rocha mental, até ajudada pela ausencia de infortúnios enviados pela adversária.

No fim do dia, a francesa se impôs e, como confessou, nada mais gostoso do que terminar com um ace, até pelo tanto que ela disse treinar o fundamento. Falem o que quiser da moça, mas ninguém tira o título de Wimbledon dela. Aqui com meus botões, lembro que a um ano atrás a federação francesa estava em guerra com a moça e não a indicava para as Olimpíadas, enquanto uma leva de cabeças de bagres que se vergavam às orientações das FFT conseguiam a indicação. Foi no apagar das luzes que a indicaram, após muita briga publica e sobre a qual aqui escrevi.

Mas, na verdade, foi algo mais que me emocionou e me levou às lágrimas. Não sei se na telinha do computador consigo passar o que foi. Sabine jogou boa parte do segundo set quase às lágrimas. Seus olhos marejados e o rosto contraído entregavam o estresse. Só foi sorrir no 3×5 quando já não acreditava mais na vitória. Tarde demais.

Mas voltemos ao poema de Kipling. Quando Sue Baker chamou a alemã para entrevista dentro da quadra, a moça devia estar no auge de sua vulnerabilidade. Já perdera, já chorara, já frustrara os seus maiores anseios e de todos so seu redor. Alí estava o cenário para emergir a real Sabine Lisicki. E foi ali que conseguiu o que nunca havia conseguido, mesmo após seus diferentes feitos tenisticos – ganhar meu coração. Baker levantou a bola e ela podia ter jogado para qualquer lugar. Ao invés de se refugiar na auto-piedade, jogou-a para a vencedora, enaltecendo-a e congratulando-a. Quando falou de si, falou com esperança e ainda encontrou a alegria para agradecer a todos que a apoiam. Mas tudo com muita elegância, sinceridade, altivez e simpatia. Os campeões no esporte são feitos de diferentes qualidades; os vencedores nesta vida repleta de fustigações de muitas outras – algumas que não necessáriamente fazem parte do estojo dos “campeões”.

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quinta-feira, 4 de julho de 2013 Wimbledon | 12:57

Epopéia

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Este post era para ter aparecido ontem.

Este, e todo Wimbledon, será uma epopeia na carreira de Andy Murray. Com o peso sobre os ombros, da nação que inventou o Tênis como é conhecido atualmente, o escocês, que é complexo e denso emocionalmente, não terá tarefa fácil para chegar ao título que a Grã Bretanha dele espera. Australian Open, U.S. Open e Roland Garros são todos bem vindos, mas o que importa mesmo é Wimbledon.

O peso da expectativa travou o rapaz nos dois primeiros sets contra o surpreendente Fernado Verdasco. Conseguiu encontrar dentro de si a fibra necessária para virar um jogo que nem seu publico mais acreditava. E, na hora da onça beber água, nos submundos do quinto set, jogou para ganhar melhor do que o oponente, que jogou sem pressão. A próxima rodada, na semifinal, enfrenta o fantasmaço polonês Jerzi Janowicz, talvez o mais perigoso sacador do circuito, agressivo, bom voleador, carismático e que, dependendo desta semana, pode estourar no circuito. Murray é, junto com Djoko, o melhor devolvedor do circuito e extremamente eficiente no contra ataque. O confronto de estilos é sempre espetacular e emocionante.

A surpresa maior é por conta de ver Juan Del Potro na semifinal – contra Djokovic. O argentino passou tranquilamente pelo operário Ferrer, o que não chega a ser uma surpresa, na grama. Espero que a contusão no joelho não se agrave depois de esfriar. Contra o sérvio vai precisar de tudo e mais um pouco que puder tirar da cartola. Não custa lembrar que o argentino bateu o sérvio aí nessa quadra na decisão do 3o lugar das Olimpiadas em 2012. Mas, ainda acho que Djoko é o favorito.

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segunda-feira, 1 de julho de 2013 Wimbledon | 15:10

Surpresas

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Surpresas é o que não falta em Wimbledon. Não sei se fico mais surpreso com a derrota de Serena Williams para a alemã Lisicki, não por esta, mas pela primeira, ou com o fato de Verdasco estar vivo e progredindo nas quartas de final.

Pela temporada que vinha tendo, Serena era a favorita, disparado, especialmente na grama. Mas hoje contra a alemã ela jogou sem sangue nos olhos, sua mais marcante característica.

Qualquer dia desses eu iria escrever que a provável razão de sua ótima temporada é o amor. A moça está no maior affair com seu técnico o francês Patrick Mouratoglu e está de bem com a vida, o que ajuda nos mais diferentes aspectos da vida. Faz o maior sentido.

Pela sua atuação tranquilamente apática de hoje, sem buscar pelas as profundezas de seu dark emocional, eu também posso tirar o amor da manga e usar mesmo argumento. Afinal, briga-se menos quando se está amando. Dois lados da mesma moeda.

O que me incomoda um pouco é o fato de que onde quer que a moça vá a torcida é contra. Será que ela é tão chata assim? Ela já foi bem mais arrogante e marrenta, está mais light; mas não é nenhuma Aninha, em quadra ou fora.

Para mim parece que existe certo preconceito com a moça. Como ela nunca ajudou, dá nisso. Afinal, Arthur Ashe, era tudo menos um Uncle Tom, ou Pai Thomaz. Era bem verbal sobre os direitos dos negros, em uma ápoca eles eram desrespeitados descaradamente, especialmente em seu país, o que marginalisava certos fãs do tênis americanos. Mas ele sempre fez questão de se comportar como um gentleman, dentro e fora da quadra, até para não perder a razão e o direito de sua postura. O que não impedia de representar, e bem, sua raça entre os afro-descendentes. Para quem não sabe, Mike Tyson tem o nome do tenista tatuado no corpo. Ashe sempre foi extremamente respeitado em qualquer lugar que fosse, tirando a Africa do Sul de então, e nunca lhe faltou o respeito, a simpatia e a torcida do público.

Verdasco vem sendo uma carta fora do baralho há algum tempo, parecendo desmotivado e sem a vontade que identifica os espanhóis. Seu último título foi em 2010. Já foi top10 e hoje é #54., ao mesmo tempo que tem o melhor ranking de duplas da carreira, o que o ajudou a voltar ao foco. Agora, aos 29 anos, dá uma revigorada na carreira, chegando às quartas de final de um Grand Slam na grama, seu piso menos favorito. O espanhol está de volta.

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domingo, 30 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 13:07

Domingo do meio 2013

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Domingão chuvoso e preguiçoso. Não vou poder jogar como planejado, o que me deixa frustrado, senão irritado. Futebol na TV só à noite, quando vou torcer a favor do Brasil e contra a Espanha – percebam que não é simplesmente uma redundância. Enquanto isso pesquei o artigo abaixo, escrito em Londres, tambem em um domingo sem jogos em Wimbledon. O ano é de 2003, poucas coisas sobrevivem no tênis desde então – entre elas Federer e o fato de não ter jogos no domingão. Divirtam-se:

No “domingo do meio”, como o chamam os ingleses, não tem tênis em Wimbledon. O porque nem perguntando a eles. Se você o faz, eles te dão aquele olhar 48 e não respondem. A verdade é que não sabem. Simplesmente é, como muita coisa é por aqui, incluindo guiar do lado errado da rua. E por isso continuam sendo. Soa como uma lógica um tanto feminina, mas eles a chamam de tradição.

Aproveito o domingão para fazer o meu passeio. Vejo uma das centenas das lojas da Ladbrokes, a maior cadeia de casas de apostas da ilha. Lá dentro o esperado bando de vagabundos acompanhando uma corrida de cavalo na TV. Cada figura mais gosmenta do que a outra. A loja também recebe muitas pessoas que entram e fazem rapidamente suas fézinhas. Perguntar no o que eles não apostam é mais o caso do que perguntar no o que apostam.

Olhando em um quadro descubro que o atual favorito ao título de Wimbledon é o americano Andy “psicho kid” Roddick, o tenista com o olhar mais demente no circuito. Se alguém de branco prestar um pouco mais de atenção em seu olhar o manda trancar na hora. Mas, como diz o seu novo técnico Brad Gilbert, outro que não pode passar muito perto do Juqueri sem correr perigo, o segredo é focar suas frustrações. Gilbert, ex-técnico de Agassi, afirma, e com toda a razão, que não adianta ser um idiota como Rusedski – ficar gastando saliva xingando o juiz, levar uma multa e ainda perder os contratos de patrocínio. Além de perder a partida. O negócio é focar a raiva onde ela funciona. Ou seja, no adversário. Gilbert afirma que vivia odiando seus adversários desde o dia anterior à partida e, às vezes, no dia seguinte. Com tanta raiva no sistema não é à toa que seus pinos estejam batendo há tempos. Nos EUA é considerado um gênio. Mas no EUA o Bush é o presidente.

O garotão Roddick paga 7/4, enquanto que o segundo colocado, André Agassi, paga 3/1. Amanhã vou descobrir como estão as apostas de um contra o outro, caso aconteça. Mas partida só aconteceria em uma final e Roddick teria que passar antes por Roger Federer, entre outros. Federer é o meu favorito. Muito mais por razões emocionais e estéticas. Um campeão como Federer seria o melhor de todos os mundos. O rapaz é um gentleman. Sua educação, dentro e fora das quadras, é de lord inglês. Daqueles dos romances, porque os de verdade eu não sei não. Além disso, assisti-lo jogar é um prazer. Qualquer individuo que já tentou bater uma esquerda aprecia a arte do suíço. Federer tem um jogo que cobre todas as áreas da quadra. Saca bem, uma forte direita de ataque, bons voleios ( o de esquerda é uma tijolada) e faz absolutamente o que quer com a esquerda. E para ser um campeão na grama é preciso uma boa esquerda. Limpa, breve e precisa. Não é por acaso então que Federer é o terceiro na lista da Ladbrokes, pagando 4/1.

O quarto da lista é o inglês Tim Henman, que empenhou a palavra publicamente que um dia venceria Wimbledon. Graças à palavra empenhada, e a algumas semifinais, é o esportista mais bem pago do país. Com certeza, atrás de David Beckeham, que afinal de contas, como confessou Ronaldo, cheira bem até após uma partida de futebol. Até hoje não decidi se seu atual companheiro de time escorregou ou foi muito macho ao fazer tal afirmação. Atrás dos quatro vem o resto. E, por enquanto, é o que são.

Só por curiosidade, para quem não sabe. 2003 foi o ano em que Federer conquistou seu primeiro título em Wimbledon. E eu ganhei uma graninha a mais….

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quinta-feira, 27 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 12:08

A fila anda

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Não sei se na Inglaterra tudo acaba em pizza or fish and chips, mas o fato é que eu acho que o jardineiro responsável pela grama do All England Club está com seus dias contados. Ontem o diretor de Wimbledon teve que fazer um comunicado dizendo que o clube não acha que a grama mudou um tiquinho sequer em comparação ao que era.  Sei. Reagia às massivas reclamações dos tenistas sobre a grama escorregadia e perigosa e consequente tombos e contusões dos atletas. Bem, se teve que explicar é porque tem algo ali.

Para agravar, o dia teve dez abandonos e WO por contusões, um recorde, sendo que pelo menos algumas por conta de escorregões. Como esse tipo de coisa não estoura na mão de diretores, suponho que o recém promovido fulano que toma conta das quadras seja rebaixado ao chatíssimo serviço de arrancar ervas daninhas. Para quem não sabe, o atual jardineiro-mór de Wimbledon assumiu a responsabilidade logo após Wimbledon 2012 – este é seu primeiro Wimbledon e parece que o trabalho não agradou aos tenistas.

O que não explica as outras contusões, como a de Darcis, o que eliminou Nadal na 1ª rodada, sentiu o ombro e não apareceu para o jogo. Isso é assunto para outro dia.

Wimbledon sempre foi terreno fértil para zebras nas primeiras rodadas. Faz parte da tradição e das circuntâncias, abordadas em meu recente post Escorregou na Grama.

A maioria faz sentido, considerando estilo dos envolvidos, outras nem tanto, como a derrota de Sharapova para a atrevida portuguesinha Brito, que teve que jogar o Qualy. A moça era para ser uma grande tenista quando juvenil, ambição que bateu no fato de ser pequena. Mas sempre teve uma direitaça e foi insolente, como quando levou advertência de uma juíza por gemer muito alto e chiou de volta “se fosse a Sharapova vc não fazia essa advertência”. Pois é, ontem as duas berraram como bezerras desmamadas e ninguem disse nada. No final, a portuguesinha com sua direita manteve a russa sob pressão e se movendo, o que causou tres quedas ao chão da patachoca, que não deve ter gostado também do espelho auditivo. Pode-se dizer que Brito ganhou no grito.

A vitória de Stakhovsky e suas contigencias também foram abordadas precocemente no ultimo post. É a vitória do compromisso e da boa execução com o saque/voleio na grama. O ucraniano fez a decisão no dia anterior e ficou com ela até o fim. Foi bonito de ver – Federer costumava fazer isso. Mas o Bonitão não é mais o mesmo – nem no estilo nem na cabeça. Ainda dá para curtir muito quando ele está em quadra, mas me parece claro que ele não tem mais o que exige para ser o campeão que um dia foi. O que, convenhamos, é normal aos 31 anos.

Até por isso, há que se fazer mais acertos do que erros, dentro e fora das quadras. Federer sempre se deu ao luxo de fazer incompreensíveis erros em quadra, só para se impor graças ao imenso talento. Na imensa maioria das vezes funcionou. Hoje funciona menos.

Lembro-me que um ou dois anos atrás grande polêmica houve no Blog por conta do calendário de Thomaz Bellucci. Para quem nunca conseguiu entender, ele arriscou e não deu certo, algo que acontece na vida de quem opta pela audácia de querer mais do que tem, algo que vejo com bons olhos. Federer errou em seu calendário este ano, algo que dá para ver agora, mas quando o fez fazia seu sentido. Jogar menos e focar onde teria mais chances, considerando a idade e adversários que tem. Com isso chegou a Wimbledon, seu grande momento na temporada, junto com o US Open, sem o devido ritmo e a devida confiança. Quando pegou um fantasmaço jogando muito e abafando junto à rede não soube/conseguiu contra atacar o tsunami adversário. Teve uma época que lidaria com isso só com seus instintos. Hoje ele está fora. A fila anda.

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