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Arquivo da Categoria US Open

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 Juvenis, Minhas aventuras, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 11:51

Santas academias

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Logo que cheguei dei de cara com Carlos Kirmayr. Antes do torneio ele medisso que só ficaria no Rio enquanto a pupila Paula Gonçalves estivesse viva na chave. Hoje a moça é única brasileira(o) viva nas simples e ainda já ganhou uma rodada nas duplas. O Kiki segue firme no Rio.

 
Com ele esbarramos no Andre Sá, aos 38 anos, está nas chaves de duplas. Brinco com ele que ainda vou abrir a internet e ver que ele virou presidente da ATP. Nao tem tenista mais querido no circuito.

 
Assisti um pouco do jovem chileno Nicolas Jarry (20 anos) perder para David Ferrer. Se tivesse um pouco mais de maturidade levaria o jogo para o 3o set – teve três set points. Mas o cara é alto (1.98) saca bem, lógico, e tem ótimos golpes dos dois lados, o que nem sempre acontece com esses gigantes. É para ficar de olho.

 
Ontem só teve duplas femininas – os meninos começam hoje. Com esse calor e as tempestades vai ter tenista que ainda está na chave de simples saindo rapidinho das duplas.

 
Uma coisa me chamou a atenção nas duplas femininas. Elas não pensam duas vezes é colocar uma medalha na adversária. Bem no meio dos seios, quando não miram na cara. Meninas más. Os meninos só fazem isso quando querem partir pra ignorância de vez. O que é bem mais raro.

 
Se o tênis masculino mudou na última década, e mudou bem, o feminino mudou ainda mais. As meninas melhoraram demais. Da parte física, à técnica e a mental. Hoje há um prazer bem maior em assistir as garotos. Sem mencionar que, ao contrário de antigamente, são muitas as que são bem agradáveis de olhar. Santas academias.

 
Ouvi e li muita coisa sobre a “piscina” que a quadra central virou no 1o dia. Muita gente dizendo que era um absurdo o que aconteceu. A primeira coisa que o taxista me disse quando cheguei foi que ele iria pra casa depois da corrida por medo de outra tempestade. Ou seja choveu feio aquela noite. Da boca do diretor do torneio ouvi que a questão foi que com a chuva a rua alagou e a água que drenava pelos ralos da quadra retornava – não dava vazão.

 

 

Quem eu sempre encontro no Rio Open é o Bob Falkenburg III. Pra quem não sabe, e um dia escreverei mais a respeito, o avo dele venceu Wimbledon em 1947. Veio pro Rio jogar um torneio – sim, já tinha torneios por aqui – e se apaixonou por uma carioca. Casou e ficou por aqui. Viu uma oportunidade de negócios e abriu o Bob´s, primeira lanchonete como tal no Brasil, no início dos anos 50. O resto é história.

 

 

Escondidinha na arquibancada, se espremendo na única sombra por alí, a atual campeã do US Open, Flavia Penetta, torcia descaradamente pelo namorado Fognini. Os italianos não escondem a paixão.

 

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Flavia na torcida

 

 

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domingo, 20 de dezembro de 2015 Copa Davis, História, Juvenis, Masters 1000, Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 19:21

Os melhores do ano

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Com o fim do ano e da temporada surgem as pesquisas dos “melhores do ano” para a apreciação dos fas. Interessante que nem sempre os votos dos “experts” coincidem com o dos fas. Qual vale mais? O que vale mesmo é o que você pensa, até porque se nao for o caso é melhor só usar pra pentear. Pode ser também o que você sente, já que em termos de escolhas esportivas o emocional fala alto. Nao é futebol, mas o Tênis também cria suas paixões.

Recebi dois ou três pedidos de enviar meus votos e o fato me inspirou em deixar aqui no Blog os meus pensamentos a respeito dos “melhores do ano”. Divirtam-se divirjam se forem capazes!

Os fatos marcantes mais mencionados foram: Os 3 Slams do Djoko e da Serena, a vitória da Penetta em Nova York, a conquista da Davis pelos britânicos.

Se Djoko ou Serena, os dois melhores tenistas do ano, tivessem ganho os quatro seria difícil ter outro fato mais marcante, o que nao tira o imenso mérito de ambos em conquistar algo dificílimo e merecedor de muitos aplausos. Mas a Serena foi, em um jogo, do Fato do Ano para a Afinada do Ano, ao perder para a Roberta Vinci nas semis e deixar escapar o Grand Slam que a colocaria como candidata a maior da história.

A vitória de Penetta, no apagar das luzes de sua carreira, foi a maior surpresa da temporada e uma conquista maravilhosa para uma tenista maravilhosa. E eu adoro surpresas em quadra, além de pernas bem torneadas. Alias, o fato é ampliado pela presença de duas italianas na final – na Itália elas vao ganhar todos os votos.

Mas Murray, o tripolar das quadras, liderar uma conquista da maneira como foi feita, e aí o diferencial, para o país que tem Wimbledon e Murray e nada mais em termos de tênis, apesar dos milhões investidos, foi um fato marcante. Eu fico com a vitória na Davis, pelo impacto que terá no país que inventou o tênis e as emoções que causou mundo afora.

As decepções? A Bouchard no feminino. Mais uma tenista que tropeçou na fama e na máscara, achou que era maior e melhor do que realmente é. Além de ainda nao ter conquistado lhufas ainda. Agora perdeu a confiança, perde jogos que nao deveria perder e ainda tem que enfrentar as consequências do tombo que levou – figurativamente e de fato.
Entre os homens, temos o Dimitri que pensou que era o rei da cocada preta, enquanto só foi o plebeu que pegava a rainha. Tem tênis pra ser mais do que apresentou. Eu nao vou falar do Gulbis porque ele nao é mais uma decepção e sim uma certeza.

As esperanças? Temos aí o Zverev que tem golpes e serviço pra incomodar, o Kyrgios que tem o serviço, um pouco de golpes e a personalidade pra incomodar, o Thiem que tem uma bela direita mas precisa achar uma esquerda, o Coric que tem uma bela esquerda mas precisa melhorar a direita, o Kokkinakis que é um fantasmao com um belo serviço e se acertar os golpes vai ser bem perigoso.

Os que mais melhoraram fora dos radares. O Anderson aprendeu tirar o melhor de seu tênis limitado, provavelmente ouvindo sua mulher que é bem mais do que uma digitadora de texto ou uma fazedora de biquinhos. Outra melhora surpreendente, que me pegou de calças curtas, foi o Benoit Paire. O cara tem, de longe, a pior direita do circuito, pior do que os 3a classes lá no clube, além de tropeçar na própria mascara. Mas tem uma tremenda esquerda! Milagres acontecem, amigos. Entre as mulheres, a suíça Bencic, que ano e meio atrás jogava no mesmo nível da Bia Maia – as duas eram rivais no juvenil – e hoje é 12a do mundo.

O idiota do ano? O Kyrgios leva fácil. O cara investe no quesito com frequencia e sem medo, além de ter uma família que aplaude seu esforço. Alias, poderiam dar uma dica para narradores e comentaristas de TV. O nome do cara se pronuncia Kirios e nao Kirgios – meu, é só ouvir o juiz de cadeira falar. O interessante é que a Austrália, que sempre foi celeiro de tenistas extremamente educados e divertidos deu de exportar tenistas idiotas. Harry Hopmann deve estar tendo surtos na cova.

Entre os brasileiros tivemos bons sucessos. Marcelo Melo virou o Tenista do Ano no Brasil por se tornar #1 do mundo em duplas. Tenho minhas reservas em eleger um duplista à frente de um singlista. Mas ser #1 do mundo nao é mole nao. Marcelo soube aproveitar as oportunidades e administrar a temporada lindamente e colocou o tênis nacional na mídia de maneira positiva – parabéns! Bellucci nao foi grandes notícias, mas teve seus momentos – na Davis no Ibirapuera foi um deles. Permanece o 1o de nosso ranking e 30 do mundo, o que nao é nadinha mal. Parabéns também para Teliana Pereira, que soube fazer o necessária para sair das sombras e ir para as luzes do circuito principal. Fecha como 54a do ranking mundial e conseguiu dar seu salto à frente aos 27 anos, idade em que a maioria das tenistas já mostrou o seu melhor. Vale lembrar Orlando Luz, que aos 17 anos se tornou um dos melhores juvenis do mundo e, suponho, encerrou sua carreira entre a garotada, apesar de só completar 18 em 2016. Agora vai buscar o caminho do sucesso naa transição para o profissional, momento que separa os garotos dos homens.

Se vocês tiverem outras categorias que queira explorar, sejam meus convidados. E aproveito para desejar boas festas a todos que com sua leitura, e comentários, fazem deste Blog um local de amor ao tênis.

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domingo, 13 de dezembro de 2015 Aberto da Austrália, Copa Davis, História, Olimpíadas, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open, Wimbledon | 22:03

O Tênis brasileiro no Jornal Nacional

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Semana agitada no tênis brasileiro, especialmente fora dos torneios. Em uma semana o Jornal Nacional apresentou duas matérias sobre o tênis no Brasil, ambas bem positivas e sem ter Gustavo Kuerten como tema.

A primeira falou sobre o sucesso de Marcelo Melo, que fechou a temporada como o primeiro da ranking mundial, um feito extremamente positivo para nosso tênis. Marcelo soube aproveitar o declínio natural dos irmaos Brian, que dominaram o circuito nos últimos anos, mas nao venceram nenhum GS na temporada, para se instalar no topo do ranking. Para isso, teve que se preparar ainda melhor do que nas outras temporadas, negociar bem com seu parceiro titular, que teve um ano bem ruim nas simples, o que deve ter lhe causado algum estresse, manter a qualidade quando longe do mesmo e aproveitar as oportunidades que soube criar. Sim, porque uma coisa é criar as oportunidades, outra é ter a confiança e o gabarito de cacifa-las na hora da onça beber água que é quando os games, os sets, as partidas, os títulos e uma temporada sao definidas. Ter esse sucesso reconhecido em rede nacional para todos o Brasil ver deve ter sido bem gratificante para o Girafa.

A segunda, isso sem minha memória nao está a falhar, foi sobre a inauguração do Centro Olímpico de Tênis no Rio de Janeiro, novamente por uma luz positiva. Especialmente quando colocaram lá o caco de que a CBT herdará o complexo, após as Olimpíadas, uma das principais reivindicações da entidade e que faz todo o sentido. Aliás, deveriam, nao só colocar nas maos da entidade, que é quem tem o know-how para tal, como também desponibilizar uma verba para fazer o Centro – que deve, entre outras coisas abrigar o principal centro de treinamento do país – funcionar em seu dia a dia. Com um complexo igual ao de poucos eventos no planeta, a CBT terá a tarefa de nao só formar tenistas, como encontrar o melhor uso para tal local de outras formas, inclusive abrigar torneios, a Fed Cup e Copa Davis. O que me deixou um tanto encanado foi ter lido hoje que a CBT está negociando para se desfazer de seu torneio da WTA – nao sei a razao para tal passo.

O curioso na entrevista do JN, veio por conta da nossa tenista #1, Teliana Pereira, lamentar que o piso duro, o do Centro Olímpico, nao é o que mais lhe convém – ela quase que só joga no saibro. Até aí ela defendia o seu estilo e suas limitações. O que me trouxe um sorriso ao rosto foi a sua afirmação que o piso duro seria positivo aos duplistas Melo e Soares, que nao escolhem piso e, quase caí para trás, à Thomas Bellucci. Que torneios do Belo a nossa melhor tenista tem acompanhado?

Nao pode deixar de ser mencionado, e aplaudido, a decisão de escolherem o nome de Maria Esther Bueno para a Quadra Central do complexo. Afinal a tenista tem vários títulos de Grand Slam a mais do que Gustavo Kuerten ou qualquer outro brasileiro. Mas a minha cabecinha ficou pensando: porque nao fizeram como os americanos, que deram o nome de Billie Jean King ao complexo onde é jogado o Aberto dos EUA e à Quadra Central o de Arthur Ashe? Por aqui poderiam entao dar à Central o nome de Gustavo Kuerten, também um grande ídolo nacional. Ou será que pensam em fazer o inverso dos americanos em algum momento futuro? Vale lembrar que na Austrália nao deram o nome de um tenista ao complexo, e sim às duas quadras principais – Rod Laver e Margareth Court – em Roland Garros deram o nome de um aviador ao complexo e o de um cartola à Quadra Central e em Wimbledon eles nem pensam em uma ou outra idéia – e sendo como sao, dariam a Fred Perry antes de dar a Murray.

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terça-feira, 15 de setembro de 2015 Curtinhas, História, Novak Djokovic, Porque o Tênis., Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 15:47

O US OPEN em três atos

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ATO 1 – A final masculina e seus contrastantes protagonistas

Assisti na internet uma entrevista de Boris Becker, que sempre foi um falastrão e ao mesmo tempo dono de enorme carisma, afirmando que se fosse na sua época enfiaria um saque “medalha” em Roger Federer, se o Boniton insistisse, após aviso, em receber o saque de perto da linha do serviço. Como seu pupilo nao tem esse perfil, nem o saque para tal, confidenciou ao rapaz o valor do saque no corpo quando o oponente começa a se adiantar e presionar.

A tática funcionou bem e segurou a onda do Topetudo, que assim mesmo insistiu em faze-lo. Eu, como nao tenho nada com isso e gosto mesmo é de Tênis e nao necessariamente de um tenista, vibrei e adorei as invasões suíças. E o cara está ficando melhor no golpe e mais carudo a respeito. No começo, semanas atrás, invadia uns três a quatro passos e respondia um pouco mais de slice. Contra Djoko era quase em cima da linha (acho que estava enviando alguma mensagem ao Kaiser Becker) e reto com uma pitada de spin – lindo de ver. Tao lindo quanto foi ver o servio encaixar lobs milimetricamente perfeitos como contra ataque.

Normalmente alguém é mais prejudicado do que outro quando uma partida é postergada várias vezes por conta do clima. Na final de domingo, o prejudicado foi Federer; e nao por conta do “aluguel” no vestiário. A diferença esteve no jogo ser realizado à noite e nao debaixo do sol. No calor, o jogo, por conta das bolas e do piso, fica mais rápido, o que ajudaria o suíço, que precisava de qualquer ajuda para vencer. Sabendo disso, o Boniton acabou enfiando um pouco os pés pelas maos na sua ânsia de chegar à rede, fator primordial na sua estratégia, correta diga-se. O problema é que faz tempo que Roger nao joga dessa forma, pelo menos no quesito quantidade, e acabou nao sendo determinante nos seus ataques junto à rede como gostaria e esperaria ser. Sem contar que, por ser uma final, ele nao conseguiu manter a mesma confiança e tranquilidade das rodadas anteriores.

A vaquinha suíça começou seu trajeto ao brejo quando o rapaz perdeu o primeiro set – ali notifiquei minha mulher, e meus seguidores no Twitter, que a sorte estava lançada. Roger precisava do 1o set. Tanto para mexer na admirável confiança do Djoko, como para poupar seu longevo corpo de quatro ou cinco sets.

Mas se Roger nao cacifou como gostaria, o crédito deve ir mesmo para Novak Djokovic, que jogou como um campeão. Soube executar seu plano de jogo e seus golpes com excepcional qualidade. Soube administra seu emocional, mesmo com a esmagadora torcida contra, o talento do adversário que é imenso e a eventual perda do segundo set. Nada disso o abalou a ponta de tirar o seu foco. Ao contrário, como um campeão, aprendeu a usar as dificuldades e contrariedades para ampliar sua motivação e aprofundar seu foco. E sempre que foi necessário, nos momentos chaves que definem uma partida, soube usar e abusar da Confiatrix, o elixir máximo dos campeões.

 

ATO 2 – O nao controle das massas. 

Às vezes chega a dar pena de Novak Djokovic – se é que se pode ter pena de alguém que é o melhor do mundo no seu esporte e ganha milhões por temporada por conta. Mas o rapaz gosta tanto de ser gostado que causa certo constrangimento em observar, repetidamente, que o publico mundo afora simplesmente nao o ama como se ama o melhor em qualquer esporte. Nao é o caso de ser odiado, como acontece com alguns malas ou maus caráter que permeiam o esporte em geral. Longe disso. O caso é que o público simplesmente nao compra seu peixe. É certo que ele mudou bastante, daquele que, no princípio da carreira, gostava de fazer graça às custas de colegas, de sair da quadra quando começava a perder jogos alegando dores e milonguices outras. Temos que reconhecer; mudou, mas parece que o público em geral ainda nao se deu conta. Uma pena, poque ele está cada vez melhor – dentro e fora das quadras.

Que o publico torceria pelo Federer todos sabíamos. Nao importa quem estivesse do outro lado da rede as arquibancadas sao de Roger. Rafa Nadal teve que suar muita camisa para ter alguma torcida ao enfrentar Roger – sem mencionar que passou anos anotando o nome do suíço na sua caderneta. Mas O Cara tem o Tênis mais bonito do circuito e ponto final – algo fácil de ser reconhecido – ainda mais por qualquer um que tenha empunhado uma raquete, a maioria em qualquer final de torneios de tênis.

Talvez Djoko pudesse ter outra estratégia para seu marketing pessoal, algo com o qual se esforça mais do que o Topetudo. Ao invés de tentar ser tao Politicamente Correto – tenho uma séria aversão a isso e a esses – Djoko beirou o ridículo ao ficar se desculpando em quadra por ter derrotado o favorito do público. Disse que seguirá tentando ganhar coraçoes e mentes do público. Talvez devesse ter uma conversinha com Roberta Vinci sobre os benefícios da transparência e da sinceridade.

 

ATO 3 – O bálsamo da humanidade e do humor.

E qual foi o melhor jogo do US Open 2015? À parte daqueles que nao assisti, e daqueles que nunca sairão da mente e o coração dos envolvidos, como a vitória de Fognini sobre Nadal, e a própria final masculina, principalmente pela qualidade técnica apresentada, “A Partida” do torneio tem que ser a vitória da italiana Roberta Vinci sobre Serena Williams, por tudo que envolveu e aconteceu em quadra.

Serena estava a duas partidas de gravar seu nome no panteão das inesquecíveis, algo que já conquistou por conta de seus 21 títulos de Grand Slams em simples. No entanto, o fato de conquistar o chamado “Grand Slam” – vencer os quatro GS no mesmo ano-calendário – aos 32 anos, algo já conseguido anteriormente por tenistas menos abrasivas do que ela, como Maureen Conolly, Margareth Court e Steffi Graf, faria muito bem à sua história. Até porque é considerada por muitos como a “melhor da história”, algo que nao abraço com a mesma desenvoltura. Todos os campeões, quando comparados com outros, devem ser olhados pela ótica das circunstâncias e das épocas. Serena bateria todas as campeãs do passado, se estas viessem para o presente com o exato mesmo tenis de entao. Mas é mais justo considerarmos as circunstâncias e a época. Além disso, um campeão se justifica por muito mais do que como batia na bolinha. Devem marcar suas épocas por suas posturas, dentro e fora das quadras, como lidaram com adversárias e adversidade, e como administraram todas as facetas de suas carreiras.

Talvez, por saber tudo isso, Serena foi transpirando a pressão que sentia, especialmente desde o jogo com sua irma, Venus, quando quase chorou em quadra mais de uma vez denunciando a perda do controle das emoçoes. Na semifinal nao conseguiu administrar a situação, o que lhe custou caro. E, para seu azar e desespero, enfrentou uma tenista única: Roberta Vinci. A italiana, uma veterana, é a mais “italiana” das tenistas italianas. Enquanto Serena babava de um lado da quadra, indo à loucura de até dirigir, mais uma vez, impropérios à oponente, esta nao só manteve a tranquilidade, como foi vários passos adiante. Aproveitou a “força” das arquibancadas e a tentativa de intimidação e o desespero da adversária para alimentar sua confiança e sua determinação em vencer. E conseguiu isso com uma categoria e alegria que Serena, que se recusou a confessar a pressão que sentiu, nem saberia como buscar.

O discurso de Roberta após a vitória entrará para os anais da história e foi “o momento” do torneio. Deveria é ser mostrado para todas as tenistas, especialmente as jovens, que ainda tem chances de serem “salvas”. A italiana jogou o “Politicamente Correto”, o “Discurso Marketeiro” no lixo e deixou o coração falar sem restrições e censuras. Como tem um bom coração, foi uma maravilha – quem nao ouviu procure na internet que vale a pena.

O jogo foi, mais do que nada, repleto de emoções, como deve ser um espetáculo esportivo. O final do 3o set foi para se ver de pé, andando de uma lado para o outro, como faria o Tio Patinhas se vivesse sob a tutela da presidenta Dilma. Se cobrassem dobrado aquela partida ainda seria barato. Nem Hitchcock escreveria um roteiro daqueles, especialmente pelo epilogo.

A final, contra outra italiana, Flavia Penetta, acabou sendo um desapontamento, considerando a semifinal. O gás de Roberta acabara no dia anterior e no TB do 1o set. Mas valeu por ter oferecido algo que nem o mais macarronico dos italianos teria a coragem de sonhar; duas italianas na final do US Open, disputada em quadras duras (na Itália praticamente só se joga sobre o saibro). A cereja do bolo foi Flavia, dona de um par de pernas e golpes de altíssima qualidade, mas nao da mesmo descontração de sua companheira, conseguir seu único Grand Slam no apagar das luzes de sua carreira e anunciar o fim desta.

Assistir as duas amigas conversarem, sentadinhas esperando a premiaçao, nao teve preço. Nunca aconteceu antes e, apesar de duvidar que acontecerá novamente, é o que espero ver no futuro. Como escreveu no Twitter o meu amigo jornalista Sergio Xavier: “E o que essas italininhas, Pennetta e Vinci, fizeram pelo tênis em dois dias? Injetaram humanidade, humildade, emoção e, de quebra, humor”. Em tempos onde o Marketing Pessoal é considerado artigo da mais alta importância para atletas nao é pouco como é um alívio.

 

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segunda-feira, 24 de agosto de 2015 Roger Federer, Tênis Masculino, US Open | 18:12

Saiu da caixa

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O tênis mudou muito e ninguém percebeu. Ou perceberam e o fato é que mudou em tantas maneiras que algumas seguiram desapercebidas. Hoje temos dois balzaquianos arrasando no circuito, independente de Serena e Roger serem ou nao os líderes do ranking. Ambos sao os tenistas com mais títulos, entre mulheres e homens, e ambos farão uma firme marca na história. E digo isso nao pelo fato de ainda jogarem competitivamente aos 34 anos (Serena completa em Setembro). Uma década atrás, nessa idade tenistas estavam em casa pensando qual seria sua próxima atividade ou profissão. Agora ambos estão jogando o melhor tenis de suas vidas, independente de nao estarem em seus respetivos auges físicos.

Uma das razoes para tal feito, a mais óbvia, é que os tenistas cuidam de seus corpos com muito mais know-how e a mais tempo do que antes. Imaginem se Gustavo Kuerten tivesse tido esse tipo de know-how a sua disposição quando iniciou sua carreira profissional. Além disso, Serena e Federer foram os tenistas mais dominantes de suas épocas. As consequências disso é que jogaram mais jogos importantes, adquiriram mais experiência em momentos determinantes, testaram seus golpes em situações de estresse mental/emocional e foram descobrindo com mais alcance o que funciona ou nao. Isso os fez melhores, compensando o que foram perdendo de vigor. Como fazem parte da primeira geração que investiu dessa maneira diferenciada no preparo físico, estão conseguindo alongar suas carreiras com extrema qualidade, usufruindo das descritas vantagens dessa longevidade.

Ambos tiveram picos e vales em suas carreiras, mais ou menos severos – Serena sendo bem mais radical nisso. Roger foi bem mais uniforme, o que acrescenta a sua grandeza. Seus maiores problemas foram uma certa acomodação técnica por ter siso considerado, prematuramente, como o GOAT, e Rafael Nadal. E ultimamente Novak Djokovic. Mas, para mim, seu maior adversário sempre foi os limites que se impôs.

Rafa Nadal deixou de ser sua pedra no sapato por razoes recentes bem conhecidas e as quais lamentamos muito. Sobre Novak, que vem jogando um tênis soberbo dentro de seus horizontes, os quais nao cansa de explorar, temos a surpreendente “aula” de ontem em Cincinnati. Sobre Serena já escrevi em outras ocasiões e escrevei mais no futuro.

Hoje o assunto é o notável torneio que Roger jogou em Ohio e a acachapante vitória na final.

Federer venceu Cincinnati sem perder um game de serviço. Uma conquista dessas em um evento desse nível e com os Oponentes do quilate disponíveis é algo para a história. Nao só pela extrema qualidade técnica necessária para tal feito, como pela exigência mental/emocional de se fechar a porta na cara de cada adversário a cada game de serviço.

Sim, me chamou a atenção Roger Federer conseguir manter a concentração a cada jogo, cada dia, cada game. Especialmente ele, que sempre teve a tendência a entregar uma ou duas rapaduras nos momentos de conforto. O cara jogou com o Tezao daqueles que chegam ao circuito e a confiança daqueles que estão se despedindo; um equilíbrio tanto raro como fenomenal e mortal.

Mas, o que mais me encantou, foi que, finalmente, aos 34 anos, o suíço saiu da caixa – o que, convenhamos, deve ser difícil para um helvético, mesmo Roger Federer.

Nunca o vi jogar assim. E sempre “cobrei” isso dele. Por que ele nao trazia para os jogos exatamente aquilo de mais surpreendente o seu talento pode oferecer? Um tênis incalculado, inaudito, imprevisível, impremeditado. Porque somente os gênios sao capazes de manter a qualidade, enquanto incorporam os adjetivos do instinto, algo que foge da equação da repetição, da lógica, do acervo construído dos reles mortais. No entanto, desconsiderando lampejos esporádicos e insuficientes, Roger se recusava a adotar uma estratégia onde os ingredientes excepcionais de seu repertório nao ficassem ocultos. Parecia ter pudor em apresentar o que pudesse ser visto como um avilte ao adversário; como se muito do normalmente fazia nao o fosse.

Quem viu a final, ou mesmo os outros jogos de Cincinnati, sabe do que falo. Quem nao viu perdeu o Cara respondendo serviço do #1 do mundo quase na linha do saque, chip and charge como há muito nao se vê, esquerdas de bate pronto, de slices, com top ou chapadas, voleios esticado no máximo da tensao corporal e acertando, direitas de ataque que viravam deixadinhas com uma sutil munhecada, forehands a la squash, serviços à punhalada e outras cositas más. O Homem saiu da caixa. Agora quero ver quem o coloca lá de novo antes do final do US Open. Acho que só ele mesmo.

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domingo, 14 de junho de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino, US Open | 19:49

E a reciclagem?

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Sentado nos ótimos assentos da imprensa escrita na Quadra Central de Roland Garros, acompanhando um jogo de Andy Murray que só ficava interessante nas horas da onça beber água, eu trocava figurinhas com um ex tenista brasileiro. Em certo momento, a conversa foi para o futuro imediato do tênis, após por ele ser colocada a consideração, entre outras, de que Roger Federer está mais para um fim de carreira de luxo e qualidade e Rafa Nadal tem um futuro tao incerto, considerando sua carreira, quanto a nossa economia.

A colocação do amigo era que os organizadores do tênis masculino profissional estão preocupados com o que vai fazer o publico sair de casa e, principalmente, ligar a TV no tênis, ao invés de surfar no mar de alternativas esportivas atualmente disponível. O rapaz olhava para a quadra e, levantando as sobrancelhas, lançava; vai ser esse cara? – enquanto sua carinha entregava que nao colocava nenhuma fé em estar ali a resposta. No Djokovic?, perguntava entao, levantando a velha questão de que o servio – provavelmente o tenista mais completo na atualidade – nao consegue encantar o publico em geral, apesar de ser o que mais tenta.

O azar de Djoko talvez seja conviver com aquela que deve ser considerada a maior rivalidade da história do tênis, estando ele sempre um passo atrás, até que ambos estivessem prontos, mesmo a contragosto, para lhe entregar o bastão. De qualquer maneira, também nao será um Nishikori que salvará a pátria, a nao ser a asiática, onde é um fator. Ou seja, a pergunta de 1 milhão que começa a afligir o pessoal é que acontecerá após a época Fedal. O que enxergam, pelo menos é que se ouve pelos corredores, nao é tao óbvio. Quem serão os protagonistas do próximo “Fedal” ou algo parecido? Uma boa rivalidade é a melhor coisa para revitalizar um esporte, especialmente o tênis, com sua forte característica individual. E uma grande rivalidade exige excelentes qualidades técnicas e carisma pessoal dos envolvidos.

Uma outra coisa que conversamos foi sobre o fator idade no tênis atual. Na verdade, um tema um tanto mais complexo, e que derivou, e complementa, o primeiro. Parece que, concomitante, os novos tenistas estão tendo dificuldades em “estourar” com a mesma prodigalidade de antes, enquanto os tenistas mais velhos estão durando mais no circuito. Estes, com a experiência adquirida, junto com suas qualidades técnicas apuradas pelo tempo de competições, estão conseguindo manter os mais jovens à margem do sucesso, o que impede, óbvio, também que a confiança destes aflore com a velocidade esperada. E porque isso é possível? Entre outros fatores, o preparo físico do atleta atual, em especial o do tenista, mudou drasticamente e permite que eles se mantenha competitivos em uma idade que antes já sofriam para acompanhar o vigor dos mais jovens. Nao só o preparo físico, mas também a alimentação mais cuidada e orientada, os suplementos legais disponíveis que ajudam na tao importante recuperação.

E nao é só isso. Hoje os tenistas ganham muuuito mais dinheiro, o que os mantêm ainda mais motivados, já que o dinheiro que entra com um vigor que provavelmente nao virá em nenhuma outra fase, ou atividade, de suas vidas. Além disso, sao muito mais bem tratados nos torneios, tendo suas vontades e necessidades atendidas nos mínimos detalhes. Um dos diretores do Torneio de Roma disse que semanas antes do evento eles recebem uma lista detalhada do que deve ser disponibilizado no restaurante do local para atender a restrita dieta de Novak Djokovic. Atualmente os melhores tenistas viajam com uma comitiva para cuidar de todas suas necessidades; fisio, preparador físico, massagista, manager, aspones, rebatedores etc, para que só lhes reste entrar na quadra e dar nas bolinhas. O resto é a comitiva ou os organizadores que atendem.

Além disso tudo, emocionalmente também ficou mais fácil, em inúmeros aspectos, ficar no circuito anos a mais do que era o padrão. Hoje os tenistas podem conversar com membros de suas famílias, namoradas, casos, agentes, banqueiros, técnicos etc por Skype/Facetime etc. O cara viaja, mas segue próximo de casa. Tem cara que pede o jantar no quarto do hotel, coloca o Ipad na sua frente, com a imagem da família jantando no outro lado do mundo com o Ipad na mesa. Pode parecer maluco – e é – mas tudo isso faz uma enorme diferença na mente e coração do atleta. Nao muito tempo atrás o tenista ligava, quando muito, uma vez por semana para casa, sendo o padrão uma vez a cada duas ou três semanas. Poucos anos atrás eu entrava no lobby do hotel pouco antes da hora do jantar, onde existia free wi-fi, e quase todos estavam lá com seus headphones e computadores falando “sozinhos”. Hoje já ficam no quarto, já que agora é padrão os hotéis oferecerem free wi-fi nos quartos. Tudo isso tem feito a vida do tenista mais fácil, permitindo e incentivando carreiras mais longas e prosperas, o que, novamente, se constitui em uma forte barreira para os mais novos. Nos últimos 10 anos somente um jovem surpreendeu e venceu um Slam – Del Potro, em New York, às vésperas de completar 21 anos. No resto das vezes, foram somente os Fab4, Wawrinka aos 28 anos e Cilic aos 26 anos. É um muito pouco para reciclar campeões.

 

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 Tênis Masculino, US Open | 14:48

A final do US Open 2014

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Sim, adorei a final do US Open, mais do que nada por ter dois tenistas fora dos Fab4, algo que nao acontecia a praticamente uma década.

Enquanto Nishokori é um tenista que vem crescendo aos poucos, Cilic é um jogador que desabrochou após a crise surgida após sua suspensao por ingerir o que nao podia.

O japones foi formado tenisticamente nos EUA, o que, mais uma vez, afirma que a escola americana segue sendo forte como sempre – o problema é o material humano deles que mudou, além de terem perdido a hegemonia de ditarem as regras do circuito como sempre ditaram.

Aos 24 anos, o japa decidiu dar um upgrade na carreira contratando um novo técnico; um asiático como ele e, obedecendo a nova tendência, desenterrando Michael Chang que de vez em quando jogava torneios Vets. A parceria deu novas qualidades ao competitivo oriental mas, infelizmente, nao tem como acrescentar centimetros a sua altura de 1.78m

Marin Cilic deve ter perdido muitas noites de sono, se frustrando e amaldiçoado as razoes que o levaram a ser suspenso (uso indevido de coramina em tabletes de glucose comprado em farmácia). Como parece ser claro que ele nao o fez de propósito o descanso obrigatório de oito meses lhe deu tempo para repensar muitas coisas. No final, mal sabia ele, foi o melhor que aconteceu para sua carreira.

Uma delas foi contratar seu antigo mentor – Goran Ivanisevic – com quem tinha contato desde os 15 anos. Goran conseguiu convence-lo a ser mais agressivo, mental e tecnicamente. Mas antes Cilic teve que encontrar dentro de si a motivaçao para deixar de ser o tenista apático que sempre foi. Nada como um belo chute nas canelas, ou ainda mais acima, para colocar alguém na sintonia de repensar sua postura.

A final foi a confirmaçao de minhas suspeitas. Kei tinha jogado seguidas partidas de sets, o que lhe drenou a energia vital necessária para enfrentar as agruras emocionais de uma primeira final de GS. Especialmente contra um cara de 2m de altura, capaz de sacar 4 aces em um game e, ainda mais decisivo, capaz de sacar para conseguir de 2 a 3 pontos fáceis por game por conta de seu saque. Enquanto Kei consegue muitos poucos desses pontos por set. É uma conta cruel. A conta fica ainda mais cruel com Nishikori tendo que correr como um cao para chegar ás bolas retas e rápidas de um cara que, praticamente, bate de cima para baixo os golpes. Com o passar dos games a conta ficou ainda pior, conforme a confiança do croata subiu e a frustraçao do japones aumentou. A vantagem de Cilic na quadra dura sempre existirá, mas se Nishikori estivesse mais “inteiro” a batalha teria sido mais interessante.

No fim da história, para os fas valeu pela final inédita e renovadora.

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014 Roger Federer, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 13:43

Curtas no US Open

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Algumas curtas e grossas do US Open.

Nem Roger deve estar acreditando que Manofills jogou a vitória de volta no seu colo para a sua alegria e da torcida novaiorquina. A maneira como escapou no primeiro match point foi inesquecível: um dos voleios mais vacilantes da carreira surpreendeu o francês que jogou a bola fora. Depois de perder os dois MP, Monfa passou a jogar menos da metade do que pode e 1/10 do que jogou nos dois primeiros sets – o que diz bastante de seu potencial técnico e de sua deficiência no quesito mental.

O Topetudo enfrenta agora Marin Cilic, o que nunca foi. O apático croata era para ter sido um dos grandes de sua geraçao, mas aquela postura gelada em quadra sempre foi um breque de mao em sua carreira. Agora, após um longo repouso forçado, por ter ingerido o que nao devia, ao que parece sem saber, volta com mais disposiçao e com Goran Ivanisevic, que sempre foi seu mentor, como técnico, o que deve trazer um pouco de alegria à sua vida.

Marcelo Mello continua entra a cruz  e a espada. Seu parceiro Ivan Dodig, que é um singlista também, ao contrário da imensa maioria dos duplistas do circuito é sempre uma caixinha de surpresas. Pode tanto ser o melhor como o pior jogador em quadra. No dia que está a fim é ótimo parceiro. No dia que está com a maca é um coveiro.

Como escrevi, os espanhóis enviaram mais de uma ótima opçao de duplas para o confronto da Davis. A dupla Granollers e Lopez, que a princípio nao é a titular, já que o mágico Granollers será titular nas simples, está nas finais do US Open. E como entendem a arquitetura das duplas esses dois. O Lopez é um gênio no jogo de fundo da quadra nas duplas.

Como já expliquei antes – em post ou twitter – os BryanBros estao na maior fissura para vencer o US Open – seria a 100a conquista da dupla gringa, numero para ninguém botar defeito e para fazer a alegria da mídia americana. Pelo menos na final deve haver algum nas arquibancadas. É uma tristeza ver a imeeensa maioria dos assentos vazios nas duplas.

A pirigueti Hingis nao consegue mesmo se decidir se é ou nao uma tenista. Já se aposentou, e voltou, nao sei quantas vezes. O pior é que a moça é tao talentosa – ou as outras sao tao ruins? – que está nas finais de duplas femininas com a italiana Penetta, que é parceira também fora das quadras. E nao duvido que vençam.

 

 

 

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014 Copa Davis, Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, US Open | 12:06

Ausente em Nova York

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Sombreando o feito de Roger Federer em Cincinnati, Rafa Nadal divulgou hoje, logo na primeira hora, que nao jogará o US Open. Mais uma vez o espanhol sofre com suas contusoes, originadas pelo seu estilo de tênis, onde a brutalidade, a intensidade, a entrega, a falta de fluidez exigem de seu corpo algo que mesmo o Animal nao está preparado para dar.

Desta vez nao foram seus joelhos, as juntas que primeiro cedem por conta de sua principal característica, e sim o punho direito. Nao o esquerdo, mas o direito, aquele que usa para complementar o golpe de backhand. O problema apareceu semanas atrás, quando ele abandonou todos os torneios preparatórios para o US Open. Mas deixando a porta aberta, Rafa vinha postando fotos de seus treinamentos até a semana passada.

É um tanto estranho. Se vinha treinando é porque estava liberado. Talvez tenha decidido que das duas uma: o pulso nao resistiria ao esforço de uma quinzena extremamente exigente ou nao teria tempo de estar em condiçoes técnicas e/ou físicas que seu padrao de qualidade exige. De qualquer maneira, qualquer que fosse a razao me parece correta, já que um tenista nao deve entrar em quadra para competir sem suas condiçoes ideais, especialmente um tenista como Nadal em um torneio como o US Open.

Rafa e seu pessoal sabe as as mais imediatas consequencias desse abandono. Ele perde 2000 pontos no ranking, já que nao defenderá seu título, o que por si já é uma depressao. Isso em um momento em que seu arqui rival chegará a Nova York com a pior das intençoes, vendo ali uma das suas ultimas chances de aumentar o hiato entre ambos em títulos de Grand Slams. Sua ausencia nao dá ao suíco a 2a colocaçao no ranking de bandeja. Federer terá que brigar por isso nas quadras já que ainda existirao 1180 pontos de diferença entre ambos.

Para os brasileiros aumenta a duvida que nao quer calar. Será que Rafa Nadal virá a Sao Paulo jogar a Copa Davis, que acontece na semana seguinte ao torneio de Nova York? Façam suas apostas.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Roger Federer, US Open | 12:53

Quinzena recheada

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Quinzena recheada de tênis, com dois grandes eventos, feminino e masculina, seguidos. Após a passagem pelo Canadá a festa segue para Cincinnati, local do torneio mais antigo dos EUA jogado em sua cidade original. Começou em 1899, quando as raquetes eram pouco mais do que um tacape, homens e mulheres usavam calças e vestidos longos e o golpe padrao, dos dois lados, era o slice salame. O piso original era uma derivaçao das quadras de terra e o local original hoje é uma universidade. O piso mudou algumas vezes e o local muitas; sempre na cidade. Chegou a ser propriedade da ATP, quando estava no perigo, e sobreviveu graças aos esforços de um abnegado, Paul Flory, falecido em 2013. Agora é propriedade da USTA, federaçao americana de tênis.

Três brasileiros já se deram bem por lá. Gustavo Kuerten ganhou as simples em 2001, batendo Rafter na final, em jogo estranhissimo, e Carlos Kirmayr e Cassio Motta foram vices de duplas em 1983, época em que os cachorroes jogavam simples e duplas.

Hoje, com os cachorroes ficando quase que só nas simples, os irmaos Bryan vao tentar vencer o 99o torneio de suas carreiras. E podem apostar que vao tentar ao máximo, o que pode ser mais um estorvo pela pressao, porque adorariam chegar a New York com a possibilidade de lá ganhar o 100o. Imaginem o que eles nao iriam agitar na Big Apple – esse pessoal das duplas sao marketeiros nas “úrtima”, até pela necessidade.

Mas serao os dois primeiros favoritos – Djoko e Federer – que estarao nos cabeçalhos da semana, por razoes bem compreensíveis. O servio nunca ganhou em Cincinnati – perdeu em quatro finais – e completaria o Slam dos Masters1000 com o título. Nao existe outro tenista no circuito com essa conquista – um feito e tanto.

O Boniton, que já ganhou cinco vezes vezes por lá, imaginem seu olhar de desprezo no vestiário, deve chegar à sua 300a vitória em Masters1000, já na 1a rodada, feito único também no circuito.

Murray, que já ganhou duas vezes é outro que deve ter bons sonhos com Cincinnati. Faz tempo que o escocês busca um bom resultado. Tsonga chega confiante após socar geral em Toronto – mas esperar duas conquistas seguidas do francês é esperar demais.

Tsonga passou por cima de todos no Canadá; Djoko, Murray, Dimitrov e Federer. Tá bom ou querem mais? Dois compadres; Vasselin na 1a e Chardy na 2a rodada! Na final abafou Federer que, aos 33 anos, está em ótima fase técnica e física, mas continua pecando no quesito tática. Precisando vencer o TB para ir à negra, o suíço saca no 3×3 e, na 1a bola, com sua direita, seu golpe de ataque, passou uma bolinha sem vergonha na direita do francês, de longe seu melhor golpe, só para levar um cascudo para deixar de ser indisciplinado. É muita bobagem na hora da onça. Nao fez mais nenhum ponto.

Os brasileiros lavaram a alma na final das duplas. Marcelo Melo continua entre a cruz e a espada com seu parceiro Ivan Dodig. O cara, um dos poucos duplistas full time que é singlista full time e excelente duplista quando está disposto, volta e meia joga uma partida bem meia boca. A final foi uma delas.

Em compensação, Bruno Soares e seu parceiro Peya estavam a 1000 por hora. Aliás, Bruno mudou seu saque e pra bem melhor. Está alavancando melhor. Com isso está mais agressivo e deixando menos espaço para ataques. Ainda mete umas duplas faltas ingratas, mas no médio e longo prazo a mudança é um grande avanço. O rapaz já tinha melhorado bem sua devoluçao de revés, uma das razoes de sua melhora técnica nos últimos dois anos. Os manos Bryans que se cuidem.

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