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terça-feira, 30 de junho de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino, Wimbledon | 17:39

Nossos duplistas em Wimbledon

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Nao deixa de ser curioso que o Brasil chegou a Wimbledon praticamente sem chances nos eventos de simples, a ponto de todos nossos três tenistas serem eliminados na 1a rodada, e ter outros três jogadores com chances de se darem muito bem, com chances de chegarem a uma final e quiçá um título.

Bruno Soares e Marcelo Melo já nao soam como surpresas para o fa brasileiro. Pelo contrário. Em especial Marcelo, #3 do mundo nas duplas, que vem de merecido título em Roland Garros, coroando uma carreira dedicada às duplas. O Girafa é um tenista que, aos 31 anos, vem agregando, nos últimos anos, qualidade técnica ao seu jogo até chegar a ser um dos melhores do mundo, o que nao é pouca coisa.

Bruno, 33 anos e #14 do mundo, teve, curiosamente, seu melhor ano na mesma idade que Marcelo tem agora, quando chegou também a #3 do mundo,  provando ambos que a idade e a experiencia fazem uma diferença, especialmente nas duplas. Soares nao teve um 2015 tao feliz como os anos anteriores, mas está aí, com o mesmo parceiro austríaco, dando trabalho a todos e sabendo que, a qualquer hora, pode beliscar novo título.

O terceiro que entra em consideração é o também mineiro Andre Sá, #44 do mundo, um dos veteranos do circuito aos 38 anos, e que se mantêm em excelente forma física, sendo mais rápido e ágil do que muito jovem profissional. Muitos!

Andre, dos três foi o único que teve uma carreira nas simples, a ponto de ter chegado às quartas de final em Wimbledon, o que lhe garante uma “membership” no “Club Last Eight”, que todos os quadrifinalistas de simples tem direito para o resto da vida, e com isso dois ingressos para o evento, além de acesso a um lounge exclusivo para almoço, repouso e conversas.

Andre escolheu, para seu mais recente parceiro, outro quase veterano, o australiano sacador, e que sacador, Chris Guccione, que se nao incomoda nas simples, incomoda bastante nas duplas com seu saque de canhoto e voleios. Os dois venceram dois torneios seguidos na grama, antes de chegarem a Wimbledon. Nao eram grandes eventos, mas as conquistas consecutivas, com a participaçao da maioria dos duplistas, é um feito que agrega muita confiança. Como eles irao usar essa confiança no grande palco é algo que merece nossa atenção.

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segunda-feira, 29 de junho de 2015 Curtinhas, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino, Wimbledon | 14:39

Os sem ingressos

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Começa Wimbledon e com ele a famosa fila para os “sem ingresso”. Os organizadores nao fazem nenhuma questao em serem democráticos na oferta dos ingressos. Disponibilizam a maior parte para poucos, segundos critérios nunca divulgados. Os que nao conseguem comprar tem q se sujeitar a ficar em filas intermináveis dia e noite. Durante o dia o pessoal fica em terreno disponibilizado pela prefeitura, onde levantam acampamento, socializam, colocam a leitura em dia, brincam, lêem, cantam, comem e esperam.

Durante a noite a festa rola solta no acampamento dos “sem ingressos”. Tocam musica, dançam, bebem e outras cositas más que a noite propicia. Alguns continuam em colocar a leitura em dia e acordam cedo para curtir o sol, pleno nesta época, mas raro no geral, e esperar que suas senhas sejam chamadas e curtir o seu dia em Wimbledon – que com a espera é sempre mais de um.

Para fotos, curiosidades e detalhes entrem na “Tenisnet-Blog do Paulo Cleto” no Facebook.

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sexta-feira, 26 de junho de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino, Wimbledon | 15:45

Oportunidades

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Pelo menos para nós, o jogo mais interessante da primeira rodada de Wimbledon será entre Thomaz Bellucci e Rafael Nadal. Falando em uma oportunidade de ouro…

A primeira rodada de Wimbledon é sempre um incentivo às zebras. Mas tem que se aproveita-la. Nadal ganhou um torneio preparatório, perdeu na 1a rodada de outro e passou esta semana jogando partidas-exibiçoes. Ou seja, foi para o pau porque sabe que a coisa está feia para ele. Bellucci nao jogou nas duas primeiras semanas e perdeu para um (ótimo) juvenil nesta. Apesar da oportunidade da zebra, o espanhol parece mais preparado para a primeira rodada do que o brasileiro. Bellucci tem um tremendo serviço, a grama deve estar rápida no início e o espanhol sentindo um urubuzinho no ombro. Vamos ver quem lida melhor com as circunstâncias – mas é uma oportunidade.

Na mesma linha de oportunidades de 1a rodada, o atual campeão, Novak Djokovic, terá pela frente o Philip Kholschreiber, que nao é nenhuma flor que se cheire e tem uma esquerda venenosa na grama e para o estilo do Djoko. O alemão gosta de engrossar jogos e atrapalhar adversários-cachorroes. Infelizmente nao tem o mesmo gosto por vencer essas partidas na hora da onça beber água. Mas será uma partida para lá de interessante e que, aposto, o Djoko nao gostou.

Lleyton Hewitt joga seu ultimo Wimbledon, torneio que, por mais incrível que pareça, um dia venceu. Pode passar pelo Niemenem, mas aí pega o vencedor do jogo acima.

O Joao Feijao pega o Giraldo. O colombiano tem um jogo plano, bom para a grama, mas ruim para quem está sem confiança. Mas está em péssima fase. Uma oportunidade para o brasileiro, que também está em fase de chorar. Alguém vai ficar muito feliz.

O Klizan e o Verdasco, jogo equlibrado, devem jogar cinco sets para ver qual canhoto passa à 2a rodada de Wimbledon.

O Kirgyos e Schwartzmann se enfrentam. Pode existir dois adversários mais opostos? Um saca demais. O outro de menos. Um grandao e o outro minúsculo. Mas eu sou fa do argentino. Esse cara faz das tripas coraçao e tiro meu chapéu para ele a qualquer hora. Será um jogo curioso.

Berdich e Chardy será outro jogo que pode acontecer coisas. O checo deve ganhar, mas a francês, seu saque e o tanto que abre o braço para bater sao um tanto fantasmas.

Gulbis e Rosol se enfrentam. Está aí um confronto que pode acontecer qualquer coisa. Pode sair até pernadas. Será que vao mostrar?

Muitos jogos equilibrados e muita diversão garantida na 1a rodada. Mas o pessoal só fala que Djoko, Wawrinka, Cilic, Nishikori, Kirgyos e Raonic estao no mesmo lado da chave. E do outro tem Federer, Murray, Tsonga, Berdich e Ferrer. Fica claro que a de cima ficou mais competitiva, por conta do estilo dos jogadores – mais gramistas para incomodar os favoritos. Mas jogo é na quadra.

Voces podem ver mais notícias, fatos e fotos no Facebook no “Tenisnet-Blog do Paulo Cleto”.

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domingo, 14 de junho de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino, US Open | 19:49

E a reciclagem?

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Sentado nos ótimos assentos da imprensa escrita na Quadra Central de Roland Garros, acompanhando um jogo de Andy Murray que só ficava interessante nas horas da onça beber água, eu trocava figurinhas com um ex tenista brasileiro. Em certo momento, a conversa foi para o futuro imediato do tênis, após por ele ser colocada a consideração, entre outras, de que Roger Federer está mais para um fim de carreira de luxo e qualidade e Rafa Nadal tem um futuro tao incerto, considerando sua carreira, quanto a nossa economia.

A colocação do amigo era que os organizadores do tênis masculino profissional estão preocupados com o que vai fazer o publico sair de casa e, principalmente, ligar a TV no tênis, ao invés de surfar no mar de alternativas esportivas atualmente disponível. O rapaz olhava para a quadra e, levantando as sobrancelhas, lançava; vai ser esse cara? – enquanto sua carinha entregava que nao colocava nenhuma fé em estar ali a resposta. No Djokovic?, perguntava entao, levantando a velha questão de que o servio – provavelmente o tenista mais completo na atualidade – nao consegue encantar o publico em geral, apesar de ser o que mais tenta.

O azar de Djoko talvez seja conviver com aquela que deve ser considerada a maior rivalidade da história do tênis, estando ele sempre um passo atrás, até que ambos estivessem prontos, mesmo a contragosto, para lhe entregar o bastão. De qualquer maneira, também nao será um Nishikori que salvará a pátria, a nao ser a asiática, onde é um fator. Ou seja, a pergunta de 1 milhão que começa a afligir o pessoal é que acontecerá após a época Fedal. O que enxergam, pelo menos é que se ouve pelos corredores, nao é tao óbvio. Quem serão os protagonistas do próximo “Fedal” ou algo parecido? Uma boa rivalidade é a melhor coisa para revitalizar um esporte, especialmente o tênis, com sua forte característica individual. E uma grande rivalidade exige excelentes qualidades técnicas e carisma pessoal dos envolvidos.

Uma outra coisa que conversamos foi sobre o fator idade no tênis atual. Na verdade, um tema um tanto mais complexo, e que derivou, e complementa, o primeiro. Parece que, concomitante, os novos tenistas estão tendo dificuldades em “estourar” com a mesma prodigalidade de antes, enquanto os tenistas mais velhos estão durando mais no circuito. Estes, com a experiência adquirida, junto com suas qualidades técnicas apuradas pelo tempo de competições, estão conseguindo manter os mais jovens à margem do sucesso, o que impede, óbvio, também que a confiança destes aflore com a velocidade esperada. E porque isso é possível? Entre outros fatores, o preparo físico do atleta atual, em especial o do tenista, mudou drasticamente e permite que eles se mantenha competitivos em uma idade que antes já sofriam para acompanhar o vigor dos mais jovens. Nao só o preparo físico, mas também a alimentação mais cuidada e orientada, os suplementos legais disponíveis que ajudam na tao importante recuperação.

E nao é só isso. Hoje os tenistas ganham muuuito mais dinheiro, o que os mantêm ainda mais motivados, já que o dinheiro que entra com um vigor que provavelmente nao virá em nenhuma outra fase, ou atividade, de suas vidas. Além disso, sao muito mais bem tratados nos torneios, tendo suas vontades e necessidades atendidas nos mínimos detalhes. Um dos diretores do Torneio de Roma disse que semanas antes do evento eles recebem uma lista detalhada do que deve ser disponibilizado no restaurante do local para atender a restrita dieta de Novak Djokovic. Atualmente os melhores tenistas viajam com uma comitiva para cuidar de todas suas necessidades; fisio, preparador físico, massagista, manager, aspones, rebatedores etc, para que só lhes reste entrar na quadra e dar nas bolinhas. O resto é a comitiva ou os organizadores que atendem.

Além disso tudo, emocionalmente também ficou mais fácil, em inúmeros aspectos, ficar no circuito anos a mais do que era o padrão. Hoje os tenistas podem conversar com membros de suas famílias, namoradas, casos, agentes, banqueiros, técnicos etc por Skype/Facetime etc. O cara viaja, mas segue próximo de casa. Tem cara que pede o jantar no quarto do hotel, coloca o Ipad na sua frente, com a imagem da família jantando no outro lado do mundo com o Ipad na mesa. Pode parecer maluco – e é – mas tudo isso faz uma enorme diferença na mente e coração do atleta. Nao muito tempo atrás o tenista ligava, quando muito, uma vez por semana para casa, sendo o padrão uma vez a cada duas ou três semanas. Poucos anos atrás eu entrava no lobby do hotel pouco antes da hora do jantar, onde existia free wi-fi, e quase todos estavam lá com seus headphones e computadores falando “sozinhos”. Hoje já ficam no quarto, já que agora é padrão os hotéis oferecerem free wi-fi nos quartos. Tudo isso tem feito a vida do tenista mais fácil, permitindo e incentivando carreiras mais longas e prosperas, o que, novamente, se constitui em uma forte barreira para os mais novos. Nos últimos 10 anos somente um jovem surpreendeu e venceu um Slam – Del Potro, em New York, às vésperas de completar 21 anos. No resto das vezes, foram somente os Fab4, Wawrinka aos 28 anos e Cilic aos 26 anos. É um muito pouco para reciclar campeões.

 

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terça-feira, 26 de maio de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Masculino | 21:13

Justo?

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O mundo está de ponta cabeça e nao é de hoje. Por isso nem chego a me espantar com que vejo, ouço e leio. As pessoas falam cada coisa e, o pior, é que o resto nao diz nada como se fosse natural. Como o blog é de tênis, fico restrito ao assunto, mas o problema é universal e o tênis é só um micro do que acontece por aí.

E aí perguntaram ao Nadal se ele tinha mesmo pedido o afastamento do brasileiro Carlos Bernardes de seus jogos. Em entrevista ele confirmou que pediu a ATP. Nao bastasse o cara fazer um pedido desses, como o orgao responsável pelo circuito e pelos tenistas vai lá e obedece.

O caso de Nadal e Bernardes nao é de hoje, mas ficou pior no Rio de Janeiro. Para quem nao lembra, teve aquele incidente bizarro quando Nadal saiu da quadra para ir ao banheiro e, aproveitou, trocar de uniforme. Pois nao é que o maluco voltou para a quadra com o shorts de trás para a frente?! Jogou uns pontos quando viu que a coisa nao iria progredir – especialmente na hora de pegar a bola do bolso ou puxar as cuecas. Pois o cara pediu para voltar ao banheiro. Bernardes disse que se saísse levaria uma advertência. Nem sei mais se era o caso de deixar o cara trocar o shorts ou nao. Regras existem e devem ser cumpridas. Mas nao é todos os dias que neguinho veste shorts ao contrário.

Também nao é de hoje que Nadal força a barra com os juízes. Ele dentro da quadra e o tio fora delas, com os organizadores. Estão sempre a reclamar se as coisas nao sao do jeito que querem. Parece político brasileiro, que se acham acima do bem e do mal – uma regra para todos e outra para mim, que sou melhor do que o resto. Sei nao. O pior é que o cara ainda se faz de indignado, como se estivesse certo. Pior ainda. Confessa. Pior ainda, o que a ATP tem a dizer para se defender? Mas o rapaz acha que fica tudo bem se disser que nao é pessoal e que até gosta do Bernardes. Mas atrapalha (cumprindo as regras, especialmente a do tempo entre pontos, que Rafa insiste em quebrar e pressionar qualquer um que tente enquadra-lo)).

Como jornalista nao pede oportunidades, hoje levantaram a questão para Novak Djokovic, que saiu smashando, mesmo sem dizer nomes. Perguntaram o que ele acha de um tenista vetar um juiz. Sem pestanejar, disse que nao é justo tenista vetar juiz. Algo que nao foi dito em referencia a Nadal, mas que teve repercussão imediata e endereço conhecido.

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domingo, 24 de maio de 2015 Juvenis, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 19:51

Rendez-Vous a Roland Garros

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Vir a Paris e cobrir Roland Garros começa pela boa surpresa de encontrar um bom tempo com sol brilhando. É quase uma tradição que a 1a semana é de tempo ainda incerto e um Q de frio e a segunda o sol já abrindo desavergonhadamente. Mas este domingo o sol bombou. No entanto, nao fui a Porte de Auteuil e sim à Champs de Mars, ao lado da Torre Eiffel. Lá aconteceu as finais do “Roland Garros around the World”, evento organizado pela FFT que começou em Sao Paulo, Xangai e Nova Deli. Em cada uma dessas cidades foi escolhido um garoto e uma garota através de um torneio para tenistas até 18 anos. Os vencedores vieram à Paris para um round robin com seus dois adversários. Os vencedores receberam um convite na chave juvenil de RG.

Para a alegria dos brasileiros, Gabriel Decamps passou como um trator pelos oponentes. Perdeu só 8 games nos dois jogos e agora vai pra chave principal juvenil. Como o torneio só começa no fim de semana que vem, vai se juntar à outros brasileiros já na chave que estao treinando em um dos centros de treinamento da FFT. O acerto faz parte de uma das várias parcerias que a CBT fez, e está fazendo, com a FFT.

Decamps, tem 15 anos e 1.90m de altura, porte de tenista atual. É treinado desde os 7 anos de idade por William Kiryakos, um ex tenista que treinei quando juvenil, deve estar todo feliz com as vitórias em Sao Paulo e Paris. Um detalhe interessante é que os pais de Gabriel sao franceses e assim ele e a família, que compareceu em peso, nao se sentiu nem um pouco fora de casa.

A carioca Maria Clara Silva nao teve a mesma sorte e foi eliminada no saldo de sets, já que perdeu para a chinesa e bateu a hindu.

Ao lado da quadra montada no Champs de Mars, a FFT montou um enorme telao, com a torre ao fundo, onde as pessoas pode deitar no gramado, tomar um vinho local, um lanchinho básico e acompanhar os jogos. Fora o cenário.

 

TENNIS - INTERNATIONAUX DE FRANCE 2015

 

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segunda-feira, 18 de maio de 2015 Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 16:17

O cara pra Paris

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Após Roma, a pergunta que nao quer calar: tem alguém que possa tirar o título de Roland Garros de Novak Djokovic?

Rafael Nadal terá que fazer sua maior mágica para ganhar mais uma vez. Acho difícil. Além de estar mais vulnerável, perdeu um pouco o respeito dos adversários, que começam a vê-lo como uma boa oportunidade de saírem bem nos jornais. Ele teve algumas oportunidades nos torneios preparatórios, mas nao conseguiu levantar para o patamar necessário.

O Boniton Federer é uma boa maneira de se ganhar uma graninha de um amigo mais desavisado. Federer está naquele ponto em sua carreira que vence muito tenista bom, mas nao ganha a grande final. O cara é #2 do mundo, mas nao vai levar Roland Garros. Sao jogos no saibro e 5 sets, onde o tenista tem que estar disposto a comer o pao que o diabo amassou. Algo que saiu do radar do Boniton. Sua final em Roma foi lastimável. Primeiro falou que o Djoko nao é o Nadal no saibro. Falou pra que??? Lutou o primeiro set e perdeu. Quando nao levou, largou. Feio.

Bem, tem o Ferrer. O cara é encardido, mas empaca quando enfrenta os manjados cachorroes. Pode até chegar à final, mas….

Teve um dia, na semana retrasada, que eu pensei: vou ganhar uma grana apostando no Nacional Kid. Isso pelo perigoso tenis que vinha jogando. Mas aí se encolheu total contra o Murray em Madrid (aquilo foi horrível) e o Novak em Roma. O cara ainda nao tem “nome” pra ganhar dos caras.

E ia falar do Berdich, mas aí achei que iria perder a moral com meus leitores.

Tem o Murray. Mas quem aposta $100,00 no Bibi? Bem, eu aposto. O cara é maluco mesmo, vai que leva. Porque jogo ele tem. Mas a cabecinha…

Tudo isso pra dizer que, após Roma, fica claro que o cara é mesmo o sérvio. Está jogando muito, sólido, confiante e nas pontas dos cascos. Exatamente como deve ser para vencer um torneio complicado como Roland Garros.

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domingo, 10 de maio de 2015 Masters 1000, Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Masculino | 19:37

Fora da caixa

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É domingo, dia das maes, e nao vou tentar explicar a vitória de Andy Murray sobre Rafa Nadal no Masters de Madrid, na terra, a primeira após seis derrotas nesse piso – ainda mais na casa do espanhol. O jogo de tênis per se é complicado, acrescentando de um lado da quadra um bibi como o Murray, capaz de resmungar entre todos os pontos, ganhos ou perdidos, de uma partida, e um obsessivo em crise de confiança como Nadal é uma tarefa fora da minha disposição neste dia.

Mas, alguns amigos imediatamente me colocam suas conclusões a respeito. Uma amiga terapeuta jura que em cinco seções acabava com os agora prejudiciais toques do espanhol que, segundo ela, nem tao severos sao. Ela afirma que desde seu ultimo retorno o rapaz perdeu o ritmo em quadra, por conta de sua cada vez mais agravado TOC. Lembro, em algum canto de minha mente, que a ATP e seus juízes por vezes parecem estar a fim de acabar com a insistente quebra da regra dos 25 segundos entre pontos por parte de Nadal e outros. Tao decididos estao que treinam bastante com outros tenistas de menor estatura – infelizmente ainda se acovardam na hora de penalizar Nadal todas as vezes que ele estoura o tempo. Fora que o espanhol age como se ele estivesse sendo roubado à luz do dia quando aplicam a regra. Mas, como o rapaz tem um sério transtorno, quando em competição, porque em treino nao apresenta as mesmas características, suponho que a simples idéia que alguém irá interrompe-lo e penaliza-lo por conta do tempo, a paranóia de tal pensamento é o bastante para tirá-lo de seu prumo. Talvez seja isso que minha amiga esteja enxergando. Teoricamente isso se agravaria em Grand Slams, onde o limite oficial é de 20´- mas cadê a coragem dos juízes?

Talvez isso tenha algo a ver com a perda da confiança de Rafa, que é de fato seu mal problema atualmente. Talvez sejam 1001 outras razoes, já que o diferencial de Nadal sobre seus oponentes sempre foi muito mais sua obsessão, no caso positiva, em ganhar cada ponto disputado. Por isso digo que seu mental como um todo, um universo em si, seja mais importante do que a estupenda força física e atleticismo, e muuuito mais do que sua técnica.

É fácil ver o resultado do desvio de padrão; sua bolas estão curtas, erros acontecem em bolas fáceis que nunca existiram, a ausência do poder de defender seu fraco serviço a todo e qualquer ataque e por aí vai. Talvez, como disse um outro amigo, sua mente nao está mais no tênis com a mesma intensidade e singularidade de antes. Afinal, este ano o cara foi até à avenida pular carnaval dias antes de um torneio. Saiu da caixa!

Quanto a Murray o cara segue sendo o maior mistério do tênis. Nem tento decifra-lo. Amigos me asseguram que o casamento fez dele um novo homem. Talvez, mas duvido que vejamos o resultado em quadra. Ele já viaja com a namorada há anos. E desde que casou nao viaja mais e sim com a técnica, Amelie Mauresmo, a outra mulher em sua vida atualmente. Outras me asseguram que a mudança é por conta de Mauresmo, que já tem data marcada para abandonar o barco: logo após Wimbledon. Isso porque ela vai ser mae pela primeira vez, só mais um dos mistérios que rondam Murray e seu time.

Correndo por fora, entre as conjecturas, o fato que desta vez Murray nao quer passar meses sem um técnico, como aconteceu da ultima vez. Por isso, já em Munique, duas semanas atrás, onde venceu seu primeiro título na terra, começou a treinar de leve com Jonas Bjorkman, um sueco que jogou muitas duplas e teve uma decente carreira nas simples e pode já ter lhe cochichado algum mistério. O fato é que ele está fazendo a bola girar mais com a direita e nao esperando que o sagrado Jesus Cristo faça nova descensão para ajuda-lo a ganhar um ponto. Isso sim tem feito ele ganhar partidas na terra.

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quarta-feira, 6 de maio de 2015 Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino, Wimbledon | 20:45

Circunstâncias

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Seria petulante escrever que Roger Federer perder do sacador Nick Kirgyos é fim de carreira? As circunstâncias, sempre elas. Para Roger perder de um cara quase cego sobre a terra é ruim, bem ruim. No fundo da quadra o australiano é quase um 2a classe. Por outro lado, Roger foi à final de Istambul na semana passada, onde venceu, mesmo sem bater nenhum cachorrao, o que deve ter encostado na cota dele para as 2 semanas. Afinal, ele tem 33 anos, apesar de ainda nao pensar em ir para a cruz.

Outro detalhe a se considerar é que, desta vez, o caçador virou a presa. Madrid sempre foi um lugar que O Boniton gostou de jogar por conta das facilidades que a pequena altitude lhe traz. Madrid tem meros 650 metros, semelhante a Sao Paulo. Em comparação, o resto do circuito europeu é quase todo jogado abaixo de 100 metros. Ali o saque anda mais e o jogador agressivo lava vantagem. Quase sempre isso funciona a favor do suíço, mas quando tem que enfrentar um dos maiores sacadores do circuito o buraco é mais embaixo. Mesmo que ele seja cegueta, é também jovem, carudo e veloz.

Sim, passar por uma primeira rodada – mesmo sendo uma baba – dessas nao é assim tao simples. Mas seria tudo que o Boniton gostaria. Ele vinha de Istambul, na altura do mar e a algumas horas de voo. Precisava pegar o ritmo de Madrid e caiu contra o Kirgyos, que é um tremendo corta-físico. Se fosse até um cara mais sólido no saibro, que colocasse mais bolas em quadra, seria melhor. As circunstâncias!

Além disso, Roger deu, mais uma vez uma de Federer. Tinha o jogo nas maos, quando resolveu balançar o topete e deixar a cobra fumar. Pode isso, Arnaldo? Bem, Roger pode quase tudo, ou pelo menos passou boa parte de sua carreira podendo. Hoje o mundo mudou, os adversários nao sao mais os mesmos, nem as perninhas do Boniton. Por isso há que priorizar para nao dançar.

Mas, Federer resolveu ir a Istambul. Certo ele – eu também iria. Especialmente se me pagassem U$ 2 milhões pra bater umas bolinhas à beira do Bósforo; e sem chamar nenhum daqueles malas que gostam de ganhar de mim. O que vocês prefeririam? Ir lá e agarrar os U$2 milhoes de garantia ou priorizar o torneio em Madrid, onde Tiriac nao abre a mao para dar bom dia?

A esta altura, Roger pegou seu jatinho e foi dormir em casa pensando nas baklavas que comeu em Istambul. Descansa uns dias e vai a Roma, antes de Roland Garros. Tudo isso, na verdade, pensando em Wimbledon, onde ele sabe ter uma das ultimas chances de faturar um Grand Slam. É isso, em termos de grandes conquistas a que ficou acostumado. Lhe resta também fazer uma canjas mundo afora, como foi em Istambul, aonde nunca fora, mostrando aos fas do tênis o que eles vao perder quando ele finalmente aposentar as raquetes. Aí nao haverá circunstâncias que preencham nosso vazio.

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domingo, 12 de abril de 2015 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 15:42

O que mudar no saibro

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O amigo e colega Jose Nilton Dalcin, que há anos comanda o Tenisbrasil, site mais antigo e de maior sucesso do tênis brasileiro, me passa a tarefa de lhe enviar uma pauta sobre as adaptações que um tenista profissional deve fazer para realizar com sucesso a transição das quadras duras para o saibro. O tema tem a ver com o momento, já que começa a temporada européia, que é quando todos os tenistas, nao só mais os amantes da terra vermelha, que tiveram um gostinho no circuito da América do Sul, tem que abraçar o saibro como única alternativa.

Primeiro é bom dizer que tenista é um dos animais mais conservadores do planeta e odeia mudanças e adaptações. Adaptar, pra eles, é pirar. Dito isso, alguns nao mudam nem que a vaca tussa, e nao é vaca do PT, que se apertar muda. Alguns nao mudam nao é porque nao querem e sim porque nao tem para o que e como mudar – faltam opçoes técnicas para apresentar algo diferente. E, se mudarem, a emenda pode ser pior do que o soneto, o que nos leva de volta à primeira observação.

Nao custa desviar um tiquinho do assunto e dizer que uma das razoes da derrocada do tênis norte-americano é que nas ultimas décadas uniformizaram bastante as condiçoes do circuito, alterando a velocidade das quadras duras, eliminando os carpetes e uniformizando as bolas. Hoje é pequena a diferença entre os dois pisos e, em consequencia, a obrigaçao da tal “adaptaçao”. Antes os americanos tinha o circuito deles, que era a maioria, com as quadras duras e as quadras indoors com carpete, enquanto os europeus e latinos tinham só a janela de três a quatro meses do saibro europeu. Agora é a época da homogeneidade.

Pelo estilo, pela “escola”, pela cultura, pela cabeça, alguns estao mais aptos para um ou outro piso. Exemplo? Os espanhóis e latinos gostam da terra e os americanos gostam da quadra dura. O que tem a ver com os primeiros três quesitos. Americano cresce valorizando o serviço forte e decisivo. Espanhol cresce valorizando a alta porcentagem de 1o serviço em jogo. Espanhol gosta de ficar dois ou mais passos atrás da linha de fundo, correndo como cachorros mordidos, deixando que a bola à eles cheguem, já sem o peso, investindo em criar alternativas táticas, usando a arquitetura da quadra, para forçar erros dos oponentes, que acontecem por instabilidade técnica dos golpes, preparo físico abaixo do par, velocidade lateral menor e golpes com menor alavancagem de pulso, incapazes de gerar o necessário top spin, que é o que acrescenta segurança e profundidade aos golpes.

Do outro lado, os americanos, ou qualquer tenista que tenha golpes mais retos e gostem de jogar mais próximos da linha de fundo, para poderem “tomar” a quadra, mandarem no ponto e assim abreviarem a disputa. Esse pessoal nao gosta de esperar a bola – vai pra cima dela, batendo mais bolas na ascendente, cortando o tempo de reaçao do oponente.

Dizer que é o saibro nao basta. É importante considerar outras variáveis, como a altitude da cidade. E bem diferente jogar em Madrid e em Barcelona. Avaliar as condições do piso, se lento ou rápido, pesado (úmido) ou escorregadio (seco) – e os franceses sao os que mais mexem nessa opção – se a bola é rápida ou lenta, se está sol ou nao, sendo que o sol deixa o jogo mais rápido. Essas variáveis sao vitais na estratégia da adaptação.

Para quem pode adequar, ou customizar, a preparação física, na quadra dura a ênfase pode ser na velocidade, nos passos curtos de ajustes e um tenis mais anaeróbico. Na terra, o investimento seria na durabilidade e no aeróbico, para durar nos pontos mais longos, no escorregar, na qual os americanos, por exemplo, sao quase ignorantes.

Como na dura a idéia é abreviar e no saibro é alongar os pontos, o pessoal com instinto mais matador, que se dá melhor nas duras, é obrigado a abraçar um espirito mais paciente, com uma mescla mais intensa de ataque e contra ataques, uma perspicácia maior para a transiçao do defesa para o ataque, e vice versa, uma atenção e concentração maior, para bem avaliar as mudanças dentro do ponto e ficar vivo até a hora do bote final que, ao contrário das duras, acontece em um crescendo de golpes, alternâncias e colocações.

A esta altura alguém já está perguntando: se é assim como o Paulo Cleto escreve, porque um cara como o Murray, que adooora correr como uma gazela no cio na floresta de Nottingham, um animal tático de primeira linha, nao se dá bem na terra? Simples! Nao basta correr, tem que ter os golpes apropriados – o principal sendo aquele top spin que mencionei acima. Tem que saber, e poder, expulsar o adversário de dentro da quadra (vejam o El Gancho do Nadal). Tenistas como o Murray, o Hewitt sao contra atacadores que vivem da força alheia, nao conseguindo gerar tanta velocidade e spin nos golpes, especialmente na direita. Mesmo um tarado como o Berdich, que tem a mao pesada e consegue fazer a bola andar barbaridades, sofre na terra, porque nao tem o corpo correr por muito tempo, só joga reto, que nao tira o adversário da quadra e, pra machucar, corra mais risco a cada golpe, quando aparecem os erros precoces. Ele, como alguns outros, só gosta de joga em cima da linha, utilizando praticamente nada do movimento de “sanfona”, de defesa para ataque e vice-versa.

Com isso, saliento outra mudança tática para o Zé Nilton. Uma coisa que o tenista tem que fazer, mais do que na dura, é fugir com maior frequencia da esquerda e atacar com sua direita. Na terra, esquerda nao ganha jogo (ela evita que você seja derrotado); é preciso, na maioria das vezes, do forehand para dar uma bola vencedora no barrão. E mesmo aí tem um probleminha. Alguns tem o golpe tao reto que se ficam ali dentro da quadra, tentando pegar a bola na subida, podem dançar. Porque, ao contrário da quadra dura, que tem o quique uniforme, no saibro podem ter os morrinhos artilheiros e desvios alhures. Mais atrás da linha, onde fica a espanholada, dá tempo de ajustar e evitar o erro – alí na frente é preciso muita mao para o ajuste e mesmo assim nao sai mais aquele torpedo definitivo. Até por isso, uma outra diferença – uma quadra de saibro de primeiríssima é muito diferente de uma de primeira.

Treinei um tenista no circuito profissional que no 2o serviço na terra, usava o spin, alto e longo. Ele mirava na linha do saque, investindo em um desvio da bola, por menor que fosse, na linha ou na junçao da linha com a terra, para forçar um erro, nem que fosse uma devoluçao defeituosa, para partir do ataque. Um grande tenista nao tem medo de dupla falta. Dupla falta na rede é coisa de quem encurta o braço; a longa é de quem quer ganhar jogo – especialmente se você nao estiver no “clube dos com mais de 1.90m”, quando sacar é mais simples. Na quadra dura, um daqueles fantasmoes dá um sacao e faz 15×0. Mesmo os nao tao fantasmas sabem que se encaixarem um bom primeiro saque a porcentagem de vencerem o ponto é alta (de 80% pra mais). No saibro essa porcentagem é menor, o saque menos decisivo e por isso a mudança do saque reto para o com spin, para investir na expulsao do oponente de dentro da quadra e evitar os ataques de resposta de serviço. Além disso, na dura se saca bastante o 1o serviço fechado (no meio), na terra se saca mais aberto, em especial no lado da vantagem, para se abrir a quadra e iniciar a correria.

O que nos leva a outra adaptaçao. A da resposta de saque. Se na quadra dura dá pra vir para cima da linha e bloquear, no saibro é melhor ficar mais atrás, deixar a bola perder a força e alongar a devoluçao. É só lembrar do Gustavo Kuerten, em uma situaçao que deixava seus fas intrigados, já que achavam que ele deveria ficar mais à frente o saque.

O que me leva a conclusao final: a maior adaptaçao que o tenista deve fazer é a mental. Se o cara vai para a Europa sem saber como e sem adaptar com o que vem pela frente vai dançar ( o inverso também é um fato). Mais do que nunca os tenistas estão preparados para chegar a tudo quanto é bola e mandar mais uma de volta; e com potência, colocaçao, variaçao, buscando neutralizar um ataque. A cada vez que alguém é obrigado a executar um golpe a mais, aumenta a probabilidade do erro, que é a estratégia final no saibro. No início da temporada de saibro é necessário o tenista rever sua tática e, especialmente, sua mentalidade, aceitando que vai passar mais tempo em quadra, abraçando o sofrimento, se propondo a correr como um desgraçado para fazer um mero 15.

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