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domingo, 20 de março de 2016 Masters 1000, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:21

O Aberto de Miami – o favorito dos brasileiros

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Não fui a Indian Wells, mas vou a Miami. Tinha me prometido que iria para a California este ano. Nao funcionou, mas funcionou Florida. Esse negócio da California ser lá do outro lado e a Florida aqui deste lado faz muita diferença na disposição de encarar um avião. Bem, pelo menos não estamos no radar do Trump. Por enquanto.

 

Miami é um belíssimo torneio, com todas vantagens de ser na Florida, começando pela acima mencionada. Mas, pelo o que ouço, o novo Indian Wells é espetacular também. Ainda vou ter que comparar.

 

Na verdade, fui aos primeiros torneios tanto em Indian Wells como em Miami, nos idos anos oitenta. Indian Wells começou nos anos setenta, em Tucson e imediatamente depois na área de Palm Springs – Rancho Mirage e La Quinta – até encontrar seu lar em Indian Wells. Estive na primeira edição deste, acompanhando os tenistas Luiz Mattar e Cassio Motta. Miami começou nos anos 80 em Delray Beach. Em 1987 Butch Buchholz, ex tenista, ex presidente da ATP e fundador do evento o trouxe para Crandon Park em Key Biscayne.

 

Frequentei o torneio muitos anos, como técnico e depois como cronista para o Jornal da Tarde e O Estado, ESPN-BRASIL e meu blog. É incrível o quanto ele foi mudando. Não foi uma daquelas coisas que nasceu pronta. Pelo contrário. Foi se desenvolvendo, adquirindo personalidade, cativando, melhorando, como torneio de tênis e evento de entretenimento esportivo, que são coisas paralelas, mas não são a mesma coisa. O recente Aberto do Brasil, realizado no Clube Pinheiros, e o anterior, realizado no Ibirapuera, oferecem uma medida do que escrevo. O Rio Open já nasceu evento e tem agora a responsabilidade de se manter ou se reinventar.

 

O Miami Open sempre foi o torneio de tênis favorito dos fãs brasileiros. Especialmente pela primeira questão que ofereci – a geográfica. Mas se fosse só isso o pessoal não o abraçaria. Não por outra razão, atualmente o principal patrocinador do torneio é uma empresa brasileira – o Banco Itau – o que não deixa de ser um dado interessante para nós.

 

Nos anos 2013 e 2015 o torneio sofreu um pouquinho com a ausência de Roger Federer, talvez causada por um conflito entre o tenista e a empresa que é dona do torneio, a IMG, que é parceira também do Rio Open e que por anos administrou sua carreira.

 

As arestas foram aparadas e Roger volta a Miami, um torneio que nunca foi de seus grandes favoritos, talvez por ser um dos mais “lentos” do circuito. Mesmo assim, ele foi três vezes à final, vencendo duas; a ultima 10 anos atrás.

 

Mas é uma ótima notícia que volte às quadras de Crandon Park. Como está com 34 anos, imagino que não que deixar nenhuma situação não acertada para trás, no que faz muito bem, em especial com seus fãs, que são muitos em qualquer lugar, inclusive Miami.

 

Não estará na sua melhor forma – recém passou por uma cirurgia no menisco de um dos joelhos e por isso perdeu Indian Wells. Mas estará “fresh” e cheio de amor para dar. Um tenista com suas características – muito talento e habilidade – adora esse cenário; especialmente se ganhar uns dois jogos para pegar ritmo e confiança. O Miami Open promete, por mais de uma razão, Federer sendo uma delas. Mas há muitas outras. Em breve…

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quarta-feira, 16 de março de 2016 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:33

Me desliga

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Para quem vive no Brasil de hoje extremas caras de pau não é, infelizmente, novidade. Não vou escrever sobre os enormes e tristes escândalos que nos afligem. Mas não posso deixar de mencionar uma notícia que acabei de ler sobre o “caso sharapova”.

 

 

Em um esforço de parar a sangria financeira que deve estar afligindo o seu bolso e o de pessoas que ganham com ela, Sharapova acaba de dizer que instruiu a empresa Sugarpova, que fabrica balas e doces e que é dela mesma, que a tire de porta voz da empresa até que o julgamento de seu caso saia.

 

 

Então é isso. A moça é dona da empresa, mas em uma tentativa de distanciar a empresa dela mesmo, tentando evitar a contaminação, pede à empresa que não a tenha mais como porta voz. Então tá. Pelo menos, mesmo que pela razão errada, é o contrário do que acontece por aqui.

 

 

Com inúmeros patrocinadores pulando fora, ou suspendendo, contratos até segunda ordem, agora é esperar para ver qual será a posição de sua parceira Head. A empresa tem um contrato de raquetes com a russa/americana e, ao contrário da Nike, por exemplo, que em oito horas se manifestou pela suspensão do contrato, disse que não só não vai suspender como vai fazer uma extensão do mesmo.

 

 

No entanto, outro contratado da Head, o britânico Andy Murray também se manifestou. Disse que se Maria foi pega tomando o que não devia tem que ser suspensa mesmo – ela e/ou qualquer um. Ainda pediu mais exames. E que não entende como seu patrocinador pode ter a posição que divulgou. O rapaz não estava nada satisfeito e chegou a mencionar a possibilidade de terminar o seu contrato. Isso ainda vai dar pano pra manga e separar o joio do trigo a respeito de antidoping.

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sábado, 27 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:19

Yes, you can.

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Ontem, sexta feira, foi um dia lindo no Brasil Open. Exatamente o que se espera, quando se espera coisas boas, de um evento tenístico. Todos os ingressos vendidos, publico lotando as quadras, inclusive as de treino, que, ao meu ver, merecem uma mini arquibancada, já que o publico adora ver essa informalidade nos tenistas, as alamedas repletas com pessoas transitando e atendendo às lojas instaladas na alameda principal do evento e, vital, brasileiros em quadra.

 

 

Sim, aí um dos diferencias de um evento realizado no Brasil: a presença de um dos nossos em quadra. E como à noite teríamos os mineirinho e a nova sensação em quadra, à procura por ingressos era insana. Tive inúmeros conhecidos ligando para ver se eu arrumava ingressos. Eu, que nada tenho a ver com o evento? Imaginem os que têm. E assim sofrem os que não se programam.

 

 

O outro lado da moeda é que olhando a chamada de hoje não encontramos mais nenhum dos nossos nas quadras. Os mineiros tiveram uma derrota inesperada. Thiago, um esperada.

 

 

Mas Thiago chegou a passar os dedos pela vitória. E aí nós vemos a diferença que faz a experiência, a quilometragem. Ele venceu o 1o set jogando melhor do que Cuevas. Começou o 2o quebrando e abrindo 2×0 e o uruguaio dando sinais que apitaria. Foi então que Thiago jogou o game que vai lhe tirar o sono e render boas conversas com o técnico.

 

 

Fez algo gritante de errado? Nao. Mas também nao fez o que precisava, que era jogar a pá da cal no cadáver que se prostrava do outro lado da rede. Jogou o game esperando que o outro se enterrasse sozinho. O outro não é jogador de futures ou challengers. É argentino/uruguaio, tem brios por baixo daquela carinha de coitado. Ficou no jogo. Thiago não se perdoou pelo vacilo e não foi mais o mesmo. A partir daquele game virou presa fácil para o comedor de canhotos.

 

 

Tudo isso faz parte do aprendizado e esta semana Monteiro aprendeu mais, em quadra, do que em toda a carreira. A principal delas, aquilo que virou mote do Obama: “Yes, you can!” Especialmente porque, além de ter um jogo redondo, tem brios, coragem, vontade, determinação e atitude em quadra, qualidades que lhe servirão para progredir no circuito e, importante para nós, cativar seus fas em casa. Que siga o trabalho e ouvindo aqueles que são responsáveis por seu progresso.

 

 

O porque do fracasso dos mineiros Melo e Soares? Não sei lhes dizer. Ainda não estão à vontade em quadra. Digo ainda porque para todos os brasileiros o importante agora é a participação deles no Rio 2016. Sim, eles tem altas chances de medalha, independentes dos resultados das duas ultimas semanas. Quanto a parte técnica já escrevi o porque, acredito, eles nao conseguiram render o que se esperava por aqui. Mas faltou algo mais e por isso ainda acho que deveriam jogar juntos antes das Olimpíadas. O mote de Obama também vale, totalmente, para eles. A dupla é uma entidade maior do que a individualidade, no caso. Eles precisam ganhar juntos para adquirirem a confiança para vencerem juntos. Catch 22!

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:44

De novo

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De novo? Essa foi a colocação/exclamação de um amigo tenista meu quando me viu, logo após a derrota de Thomaz Bellucci no Brasil Open. A minha cara, assim como a dele, foi que não havia necessidade de se estender sobre o assunto.
O adversário do Belo foi um espanhol de 22 anos, #122 no ranking e tenista bem abaixo tecnicamente do brasileiro, sendo que este o trucidou no 1o set. E por que este perdeu? As chances são que eu escreveria algo que vocês já leram. De novo.

 
Do novo mesmo bom foi a vitória do Thiago Monteiro. Desta vez pegou um espanhol veterano, #72 no ranking. O garoto jogou bem, manteve o padrão que vem apresentando, na verdade mostrando mais confiança, e com isso mais qualidade, a cada partida que joga.

 
Apesar de começar perdendo o primeiro set, Thiago seguiu mostrando a atitude que vem cativando os fas brasileiros: garra, luta, determinação, foco e empatia com a torcida, qualidades que sempre fizeram parte do arsenal de tenistas brasileiros de sucesso. Pelo menos até recentemente.

 
Uma coisa que deu gosto foi ver a torcida se empolgar e participar, assim como já tinha feito contra Almagro. Comparando com o que havia acontecido pouco antes em quadra, quando a torcida se frustrava a cada vez que tentava motivar Thomaz e este respondia com o mais gelado dos ares.

 
Após a partida, conversei no lounge com o diretor e o dono do torneio. Hoje colocaram Thiago, que enfrenta o campeão do Rio Open, na 2a partida da noite, logo após a dupla dos mineiros Melo/Soares. Parece que o técnico de Cuevas, o ex-tenista argentino top 10 Alberto Mancini, reclamou bastante, já que ele queria que fosse o 1o jogo. Felizmente aqui é São Paulo e não Montevideo ou Buenos Aires e aqui quem manda não são eles.

 
Aliás, o leitor, garanto, não tem a menor idéia da queda de braço que é fazer a chamada a cada dia do torneio. Todos querem as coisas do seu jeito e que encaixem suas agendas. No frigir dos ovos, as pessoas que realmente decidem são o diretor do torneio, o supervisor e o representante dos jogadores (ATP). Se o bicho pegar, e o bicho pega, ganha a coalizão de forças e, na pior das hipóteses, quem for mais poderoso; o supervisor, que pode sempre tirar o ás da manga e dar uma cartada em todo mundo, ou o diretor, que se tiver muuuito prestígio.

 

O sentimento dos organizadores é que Thiago tem chances de bater Cuevas e, até, ir à final. Organizadores são otimistas por natureza. O que não se deve esquecer são dois detalhes. Cuevas é, ainda, mais tenista, mais rodado e mais confiante do que Thiago. Além de Thiago ser um canhoto, como eram todos os adversários que ele bateu no Rio e o que bateu na 1a rodada em Sao Paulo – o que é um recorde no circuito.

 
Por outro lado, após vencer o Rio Open, seu corpo começa a pedir descanso. Um vacilo e Thiago, que tem ótima postura e sangue nos olhos, coloca o pé na sua porta.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:09

Gentil

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Um amigo meu, ligado ao tênis, não ficou nem um pouco contente com a participação de Nicolas Almagro na derrota para Thiago Monteiro. Afirmava que, na melhor das hipóteses, e não foi exatamente isso que ele disse, faltou empenho em vencer. Thiago continua não tendo nada a ver com a história alheia e assim faturou mais uma vitória que enriquece barbaridades seu currículo. Sorte e competência se somam para o sucesso.

 
No Rio ele já havia se beneficiado da “participação” de Jo Tsonga. Quanto a esse jogo, o diretor do torneio em Sao Paulo afirmou que Tsonga “estava um desastre e parecia um elefante caminhando em quadra”. Para quem conhece o Roberto Macher, um cara extremamente culto, articulado e que sabe o que fala a definição não surpreende – assim como para quem assistiu. Talvez tenha algo a dizer sobre o Almagro. Talvez não.

 
Ontem cheguei ao Pinheiros na hora do almoço para bater a minha bolinha. Mal adentrei encontrei uma das colegas de quadra de minha mulher. A moça estava excitadíssima. Me contou, aos trancos e barrancos, que estava em uma aula em grupo, com mais duas amigas, quando chegou Almagro, dispensou o professor e passou a jogar 5 games com as moças! Ela estava delirante com a simpatia do espanhol.

 
Também achei extremamente simpático do rapaz. Afinal tenistas profissionais só fazem esse tipo de ação mediante um bom dindin e de mau humor – o que não foi o caso. Roberto Marcher fala com todas as letras que o torneio não pagou “garantias” a ninguém. Ao que tudo indica foi totalmente espontâneo e aconteceu em uma das quadras secundárias do clube.

 
O que não estou muito certo é se eu, como técnico, permitiria tal gentileza por parte de meu tenista, horas antes de entrar em quadra pela 1a rodada, contra um adversário que já “aprontara” na semana anterior.

 

 

Finalizando sobre Almagro, com uma olhadinha mais nítida sobre a chave de duplas descobrimos que ele recebeu um convite da organização para as duplas. Ele escolheu como parceiro Eduardo Assumpção, que tem como ranking de duplas #1035 e de simples #1618 e cujo pai é dono da EGA Academia de Tênis, além de ser um certo filantropo do tênis, que gosta de investir, à sua maneira, na formação de tenistas. O Almagro realmente está inspirado nas gentilezas esta semana.

 

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Almagro e as alegres meninas pinheirenses.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:01

O Brasil Open

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O Brasil Open ganhou um tremendo upgrade ao sair do Ginásio do Ibirapuera e ir para o Clube Pinheiros. O fato fala alto tanto sobre o Ibirapuera, uma arena que nasceu defasada e que o tempo só acentuou essa característica, sobre o Clube Pinheiros, um clube sempre investindo em ser melhor e que, com sua última obra, ficou ainda mais “public friendly” e o Brasil Open, que há anos namorava a idéia de ir para o Pinheiros, mesmo quando ainda estava na Bahia, atrás de um bom local em São Paulo para também encorpar o evento.

 
O Ibirapuera depende da administração do Estado de São Paulo, o maior do país, cujo governantes, em especial os das últimas três décadas, não tiveram a menor cerimônia em manter de maneira precária e, menos ainda, se animaram em construir uma arena digna da maior cidade da América Latina e o maior estado da federação. É só nós vermos uma arena como a O2 em Londres ou outra qualquer em diferentes cidades do mundo.

 
O Clube Pinheiros é o maior clube social/esportivo do país, um celeiro de atletas olímpicos e um oásis na área mais nobre da cidade. Com a obra que acrescentou mais de 800 vagas de estacionamento, o qual o público do evento pode usufruir, um ginásio coberto lindo com duas, de um total de 24, quadras, milhares de árvores, arbustos e plantas oferecendo um local ímpar para passear, praticar esportes e, no caso, fazer um evento de primeira linha.

 
No pouco que visitei – ontem e hoje – já deu pra ver que a atual é a melhor opção das três que o Brasil Open já teve. Ficou gostoso passear pelas quadras secundárias, inclusive as de treino, onde hoje acompanhei o treino dos duplistas brasileiros, junto com um público que lotava a quadra e, ao final, aplaudiu polidamente os tenistas.

 

 

Ontem assisti a derrota de Clezar na quadra central, que ficou de bom tamanho – não tem a monumentalidade da QC do Rio Open, mas ficou agradável e os assentos ficaram a uma distância boa de se acompanhar uma partida.

 

 

Ou seja, se o fã não foi ao Rio, pode perfeitamente acompanhar o evento com conforto, passando horas assistindo jogos e tenistas de primeira linha, além de vivenciarem o ambiente.

 
Se tudo isso não bastasse, atravessando a rua está o Shopping Iguatemi com várias ótimas opções de refeições. Ou seja, dá para fazer um programão, inclusive em família. Mais ainda. É facílimo deixar as crianças no Clube e pegá-las de volta, em um local de altíssima segurança. Ou seja, um programão, não importa a sua realidade.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 Aberto da Austrália, Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 01:24

O coração do fã.

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Imagino como ficam cabeças e corações dos organizadores de um torneio como o Rio Open no sábado, dia em que se joga as semifinais de simples e duplas.

 

Eles foram dormir na sexta-feira com Nadal vivo na chave, assim como Dominic Thiem, o tenista mais quente no evento, após vencer Buenos Aires e dar uma coça no Ferrer, sendo uma jovem e quase desconhecida promessa, dono de um tênis vistoso e um vigor impar. Se pouco fosse, tinham ainda, na semi de duplas, os dois tenistas brasileiros que mais alegrias tem ofertado aos fãs locais – Bruno Soares e Marcelo Melo.
No final do sábado seus piores pesadelos tinham se tornado realidade – estavam todos fora do torneio. E, lógico, junto com seus sonhos os do público, pois tudo que os organizadores querem é ver os sonhos do público realizados.
A perda de uns são, muitas vezes, o ganho de outros. Assim sendo, Cuevas e Pella devem ser dois tenistas bem contentes com suas participaçoes no Rio Open.
Especialmente o argentino Pella (o outro também o é, apesar de jogar pelo Uruguai), que esteve com um dos pés fora do evento logo na 1a rodada, contra Isner. Só passou porque foi muito forte mentalmente, para derrotar o corta físico americano sacador.
Cuevas, apesar do respeito adquirido, ficou na lista negra dos fãs locais, que queriam mais uma oportunidade de assistir Rafael Nadal. Ficaram na mão, o que causou os mais diversos comentários, por parte de entendidos e praticantes locais do tênis, sobre o tema que Nadal não é mais o mesmo. Bem, não é mesmo. Agora nos resta descobrir o que ainda é. Mas isso é assunto para outra hora.
Se é pra falar de frustrações, tive a oportunidade de acompanhar na Quadra 1, a quadra “gostosa” do evento, pela proximidade que nos coloca dos jogadores, a derrota dos brasileiros Soares/Melo para os espanhóis nas semis das duplas. O público, mais do que frustrado ficou intrigado como o #1 do ranking, em parceria com o campeão do Aberto da Austrália, foram eliminados por dois “desconhecidos”. Pois é, acontece.
Talvez até porque, aos meus olhos, quadras de saibro à altura do mar não exatamente a praia favorita dos mineiros. Eles não tem a munheca para colocar uma pimenta nas bolas como, por exemplo, fizeram os espanhóis, além de seus serviços não serem tão fortes para fazer a bola machucar na altura do mar. Questão de estilo; eles tem mil e uma outras qualidades que funcionam melhores com pisos e circunstâncias mais rápidas. Como quase sempre acontece nas duplas, o jogo foi decidido em detalhes, uma ou duas bolas que se fossem a favor deles a história seria diferente. Mas as duplas são cruéis nesse aspecto – não perdoam.
Nada disso apaga o sucesso do torneio. Cada ano que passa fico mais fã do Rio Open. É um belo evento, bem organizado, que faz um esforço para que seu público seja bem recebido e tenha um espetáculo condizente com suas expectativas – uma responsabilidade nem sempre abraçada em terras brasileiras, não importa o tipo de evento.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:34

A hora

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As melhores notícias do tênis brasileiro no Rio Open correram por fora. Paula Gonçalves e Thiago Monteiro. Paula teve que passar pelo qualy e, se perguntada antes do Rio Open sobre suas pretensões no torneio, com certeza iria falar sobre as duplas, onde tem tido mais sucesso.

 

 

Thiago, que teve sucesso como juvenil, teve sérios problemas de contusão, ficou afastado das quadras um bom tempo e faz a sempre sofrida “volta”. Ela entrou na chave através do qualy, ele de um convite do torneio.

 

 

Paula foi preterida na escolha dos convites, até porque estes seguiram o critério do ranking. Teliana Pereira foi a única brasileira a entrar por méritos próprios, era à favorita ao título, mas ficou pela 1a rodada. Bia Maia e Gabriela Ce estavam à frente de Paula no ranking. Ela seria a próxima a receber o convite, quando a romena Cirstea, a bonitona que atualmente é #199 do ranking, já foi #21, e joga bem menos do que poderia, pediu o convite e Paula dançou.

 

 

Bem, uma coisa eu escrevo com toda tranquilidade – o azar de Paula foi sua sorte. Eu duvido que ele teria ganho essas mesmas duas rodadas na chave principal se não tivesse passado pelo qualy.

 

 

Tenista em geral odeia jogar qualifyings. Preferem atravessar os portões do inferno. Mas o fato é que depois que passam por um se sentem como os reis/rainhas da cocada preta – já com toda a razão.

 

 

Paula até agora ganhou quatro jogos – todos de tenistas melhores rankeadas. E não inventaram, nem inventarão melhor remédio para a confiança do que vitórias, em especial sobre tenistas melhores rankeados. E o que chamo de Confiatrix.

 

 

Ontem antes de entrar em quadra Paula chegou a preocupar seu time. Alegava um mal estar. Pensou-se uma virose, até a paranóia da zica voou por perto. Entrou em quadra com o pé atrás e começou mal. Aos poucos colocou o esquema que seu técnico Carlos Kirmayr lhe passara, virou o jogo e não olhos mais para trás. Acho que estava mais para ansiedade.

 

 

Independente do resultado da 3a rodada, Paula e seu técnico podem/devem buscar um novo olhar para sua carreira. Eu sei que para este ano eles colocaram metas mais altas. Olhando de fora, acredito que chegou a hora da moça fazer suas apostas nas simples. Até hoje, pelas circunstâncias, construídas pelos resultados, ela vem priorizando as duplas e tentando as simples. Afinal as primeiras é onde vem tendo mais sucesso – é compreensível.

 

 

Perante os resultados no Rio Open eu diria que é hora da moça jogar suas maiores fichas onde o bicho pega e lidar com a responsabilidade. As simples é onde o tenista quer estar e onde realmente o tênis profissional tem maiores reverberações. Senão acaba por se acomodar, ou encaixar, unicamente nas duplas que, convenhamos, é para quem não conseguiu sucesso nas simples.

 

 

O pior, ou no caso, o melhor, é que aos meus olhos Paula tem mais qualidades técnicas para ser uma melhor singlista do que duplista – e não que não seja boa duplista. Mas tem tamanho e envergadura, golpes sólidos e um saque que machuca. Tem pernas grandes e fortes que ajudam na necessária boa movimentação. Tem o peso e a altura para “montar” nas bolas e machucar e não ser só uma “passadora” de bolas. Tem muita coisa a seu favor para não arriscar ser melhor do que é. Chegou sua hora de descobrir se tem o que, no final, faz a diferença. Aquele “it” que separa as “cachorronas” das outras. Bem, a esmagadora maioria sequer tem a oportunidade e, especialmente, as ferramentas para tentar descobrir. Paula Gonçalves tem.

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 01:01

Sorte?

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Se buscarmos a palavra “oportunidade” no google, aparecerão inúmeras frases interessantes que preencheriam um capitulo de um livro de auto ajuda. Talvez por ter se revelado pela primeira vez pra mim quando ainda estudava nos Estados Unidos, a seguinte tenha se tornado uma de minhas favoritas: “a sorte surge quando a oportunidade encontra a preparação”.

 

Pensando bem, a frase define com razoável precisão a surpreendente vitória de Thiago Monteiro sobre o francês, e # 9 do mundo, o Jo Tsonga.

 

Convenhamos, Tsonga deveria ter um mínimo de vergonha em se apresentar como o fez por aqui na América do Sul. Em Buenos Aires perdeu na 2a rodada, no Rio dançou na primeira, sendo que, como cabeça de chave #3, a expectativa é que chegasse, no mínimo, à semifinal.

 

Na partida contra Monteiro, Tsonga esteve bem abaixo de seu padrão. Pode-se imaginar que tenha subestimado o jovem brasileiro, #338 do mundo. Convenhamos, teoricamente o nosso tenista não seria páreo para o top 10. Teoricamente.

 

Na verdade, o que se viu foi um tenista que ou achou que o jogo estava ganho antes de entrar em quadra, ou não fez o esforço necessário para se preparar para a partida, o mínimo que se espera de um profissional como ele. Considerando Buenos Aires, parece que não fez uma preparação adequada para vir jogar no saibro da América do Sul. Seja lá o que for, o primeiro set do favorito foi quase ridículo. No 2o set melhorou, enquanto Thiago perdeu o foco, e no 3o ficou claro que quando quis ganhar não tinha na sua caixa de ferramentas o que era necessário.

 

E o que Thiago tem a ver com isso tudo? Tem, como diz a frase lá em cima, que ele se preparou para o que desse e viesse, fazendo jus à escolha do convite da organização e a responsabilidade atachada a ela.

 

Thiago chegou ao Rio para defender sua carreira, aproveitar a oportunidade e se apresentar, com orgulho e respeito, perante um público pagante que sai de casa para assistir tenistas profissionais, se enfrentando em uma arena que exigiu grandes investimentos e muito trabalho de todos envolvidos.

 

Será que Tsonga leva tudo isso em consideração quando exige e aceita, o que imagino, um grande valor somente para aparecer e jogar? Aparentemente não.

 

Por outro lado, Monteiro teve seu encontro com a sorte quando o destino lhe deu a oportunidade de estarr do outro lado da quadra de um adversário que não se deu ao respeito na 1a rodada de um grande torneio. Como estava preparado, pode realizar algo, e isso ninguém lhe tira, que em nenhuma hipótese é fácil de realizar: bater um tenista top 10.

 

 

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Thiago explica sua vitória a Dacio Campos.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 Juvenis, Minhas aventuras, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 11:51

Santas academias

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Logo que cheguei dei de cara com Carlos Kirmayr. Antes do torneio ele medisso que só ficaria no Rio enquanto a pupila Paula Gonçalves estivesse viva na chave. Hoje a moça é única brasileira(o) viva nas simples e ainda já ganhou uma rodada nas duplas. O Kiki segue firme no Rio.

 
Com ele esbarramos no Andre Sá, aos 38 anos, está nas chaves de duplas. Brinco com ele que ainda vou abrir a internet e ver que ele virou presidente da ATP. Nao tem tenista mais querido no circuito.

 
Assisti um pouco do jovem chileno Nicolas Jarry (20 anos) perder para David Ferrer. Se tivesse um pouco mais de maturidade levaria o jogo para o 3o set – teve três set points. Mas o cara é alto (1.98) saca bem, lógico, e tem ótimos golpes dos dois lados, o que nem sempre acontece com esses gigantes. É para ficar de olho.

 
Ontem só teve duplas femininas – os meninos começam hoje. Com esse calor e as tempestades vai ter tenista que ainda está na chave de simples saindo rapidinho das duplas.

 
Uma coisa me chamou a atenção nas duplas femininas. Elas não pensam duas vezes é colocar uma medalha na adversária. Bem no meio dos seios, quando não miram na cara. Meninas más. Os meninos só fazem isso quando querem partir pra ignorância de vez. O que é bem mais raro.

 
Se o tênis masculino mudou na última década, e mudou bem, o feminino mudou ainda mais. As meninas melhoraram demais. Da parte física, à técnica e a mental. Hoje há um prazer bem maior em assistir as garotos. Sem mencionar que, ao contrário de antigamente, são muitas as que são bem agradáveis de olhar. Santas academias.

 
Ouvi e li muita coisa sobre a “piscina” que a quadra central virou no 1o dia. Muita gente dizendo que era um absurdo o que aconteceu. A primeira coisa que o taxista me disse quando cheguei foi que ele iria pra casa depois da corrida por medo de outra tempestade. Ou seja choveu feio aquela noite. Da boca do diretor do torneio ouvi que a questão foi que com a chuva a rua alagou e a água que drenava pelos ralos da quadra retornava – não dava vazão.

 

 

Quem eu sempre encontro no Rio Open é o Bob Falkenburg III. Pra quem não sabe, e um dia escreverei mais a respeito, o avo dele venceu Wimbledon em 1947. Veio pro Rio jogar um torneio – sim, já tinha torneios por aqui – e se apaixonou por uma carioca. Casou e ficou por aqui. Viu uma oportunidade de negócios e abriu o Bob´s, primeira lanchonete como tal no Brasil, no início dos anos 50. O resto é história.

 

 

Escondidinha na arquibancada, se espremendo na única sombra por alí, a atual campeã do US Open, Flavia Penetta, torcia descaradamente pelo namorado Fognini. Os italianos não escondem a paixão.

 

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Flavia na torcida

 

 

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