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quinta-feira, 24 de abril de 2014 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:30

Estratégia?

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A estratégia para o sucesso no tênis profissional nao passa somente pelo o que acontece em quadra. Sao muitas se decisões que o atleta precisa fazer. Sempre dizia aos jogadores que treinei que um tenista, especialmente aquele em formaçao, faz, no mínimo, umas 30 decisoes diárias, numero aleatório já que é maior, que terao um impacto em sua vida/carreira. Desde o momento que tem que decidir se vai levantar na hora marcada para ir treinar ou nao, até se vai deitar cedo para ter uma boa noite de sono ou ceder às tentaçoes, com todo o recheio de decisoes que se faz a cada instante que podem ser benéficas, ou nao, para sua carreira – e a lista é grande, diária e infindável. Nao é à toa que os campeos sao poucos e os perdedores muitos.

Mas, nao era por aí que o meu Post foi pensado. Eu tinha mesmo em mente um breve comentário sobre o Novak Djokovic e a seu aparente infindável flerte em meter um pé na jaca. Para os que tem pouca memória, lembro que no início da carreira o sérvio volta e meia abandonava partidas por conta de “contusoes” e alguns “mal estar” mal contados. Levou, por conta disso, pito de Federer e Roddick, entre outros, mais alguns vários comentário desabonadores. Como é um tremendo lutador, foi à luta, focou no que importa, e tornou-se um dos mais, se nao o mais bem preparado fisicamente dos tenistas, algo pelo o qual tenho o maior respeito. E aquele aspecto negativo dele sumiu. Até Monte Carlo 2014.

Na semifinal, contra Roger Federer, que por anos foi seu algoz, Novak escorregou na velha forma. Jogou de igual para igual até o 5×5 no 10 set, quando acusou uma contusao no pulso, com um belo teatro, e acabou “entregando” o jogo sem sair da quadra. Alguns elogiaram sua atitude – e ele fez questao de dizer nas entrevistas que ficou em quadra no sacrifício, por respeito ao publico e por temer que as velhas acusaçoes reaparecessem.

A bem da verdade, ele já vinha avisando sentir dores no pulso desde o início da semana. Mas é bom lembrar que a partida tinha outros componentes emocionais em jogo, o que fazia dela mais “nervosa”, especialmente para Novak. Se ele vencesse, empataria com Federer em 17 vitórias cada (Ficou 16×18 e, por curiosidade, Novak está 18×22 contra Nadal). Considerando o futuro, as chances seriam mais altas que acabasse com um recorde positivo contra o “melhor do mundo” – algo que em seu HD emocional deve contar bastante. E aí que começa suas discutíveis estratégias e decisoes.

Um atleta contundido nao alardeia sua condiçao pela imprensa. Se ele tem algo o “vestiário” vai saber. E se nao souber a imprensa nao é o melhor e mais confiável local para descobrir. Cada um “espalha” o que lhe convém pela imprensa, que, em certos casos, acaba sendo um porta voz involuntário. Além disso, nao cai muito bem ficar oferendo desculpas por derrotas. Especialmente por contusao. Se um tenista tem dores que o impedem de jogar nao entra em quadra para nao agravá-la. E se as sente durante a partida, aperta a mao do adversário, o olha no olho e lhe dá os parabéns pela vitória. Mas usar as entrevistas para diminuir a vitória do adversário é algo duvidoso.

Novak passou a semana dizendo estar com dores no pulso e vencendo partidas em dois sets – sei! Aí, contra o algoz, o pulso piorou e ele foi para o sacrifício. Para explicar melhor a história, afirmou, logo após a derrota, que teria que ficar um tempo longe das quadras e nao sabia quando voltaria a competir.

Esta semana anunciou que volta a jogar em Madrid. Nao custa mencionar que ele nao estava escrito em nenhum outro torneio antes de Madrid. No fim das contas, ele só ficou longe mesmo o que já estava planejado e nao houve nenhum estresse que o obrigasse a “ficar longe das quadras e nao saber quando voltava a competir”.

Essa tem sido a estratégia de Djokovic; declarar e confundir. Mas, lembrando Nadal e Federer, nao posso dizer que é o único. Cada um, a seu modo, tenta despistar enquanto tentam encantar. Alguns, como Federer, até conseguem, mas por outras razoes. Novak nunca teve tanto sucesso junto à imprensa ou o público. Nadal também adora confundir com o assunto. Só o Murray, dos Fab4, fica lá em seu mundinho sem bricar do mesmo jogo. Nao preciso nem dizer que o Ferrer nunca usou de tal argumento. Mas, nesse quesito, dou a mao à palmatória às irmas Williams. Elas nunca usaram a forma fisica, ou a falta dela, para embaçar. Assim como nunca as vi dando desculpas após uma derrota. No máximo dao os parabéns à adversária. E isso, meus leitores, eu respeito, e muito.

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quinta-feira, 10 de abril de 2014 Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Masculino | 13:42

En passant

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Gustavo Kuerten deu entrevista à Bandsports dizendo que este ano Rafael Nadal nao é tao favorito ao título de Roland Garros quanto nos outros anos. Calma, nadalistas, Kuerten deixou bem claro seu raciocínio. O cara segue sendo o maior favorito ao título, mas ele baixou um pouco o nível e outros subiram um pouco. É o maior, mas nao tanto como antes. Nos últimos nove RG o espanhol venceu oito. Mas o brasileiro com seu olho de lince enxerga que algumas coisas mudaram. Tanto com ele como com outros. Concordo, sem corda.

Kuerten menciona, en passant, Fognini e Djoko, acho que o primeiro nao tem cabeça para tal façanha, o segundo nao dorme direito desde A Semifinal de 2013, um jogo inesquecível, e tem cacife para a vingança. Aliás, Kuerten confessa, também en passant, que nao assistiu muito da tal partida, mas viu o dramático final do jogo – nao deixa de ser curiosa a colocaçao.

Mas tem um que ficou fora do radar do brasileiro, e que eu acho que se entrar no caminho do espanhol até, vamos dizer, oitavas ou quartas, pode ser A Zebra. Nao sei se Dimitrov tem pernas e nervos para as últimas rodadas. Mas no começo, quando ainda estiver inteiro e sem o desgaste emocional, pode surpreender. Ele tem tênis para incomodar o espanhol.

Mas, como sabemos, Nadal nao venceu nenhuma das oito vezes pelo seu “tênis” e sempre pelo seu coraçao. O “tênis” dele está cada vez melhor, e nao poderia ser de outra maneira já que está sempre procurando esse caminho, resta saber como estará o Tezao de vencer. Talvez, mais importante, é se alguém vai se superar para a ocasiao. Porque, tenho certeza, Rafa nao vai entregar o colar de títulos na bandeja para ninguém.

Veja a entrevista de Kuerten: http://bandsports.band.uol.com.br/noticia.asp?id=100000675612

E veja este video de Dimitrov x Nadal em Monte Carlo 2013 : https://www.youtube.com/watch?v=T8_QL3EbzlI

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quarta-feira, 9 de abril de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:08

Imaginando

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Contrariando o que escrevi anteontem, Rafael Nadal disse que, se o quiserem e nada de diferente acontecer, ele estará no Brasil em Setembro para a Copa Davis. Bem, é certo que os espanhóis vao querer que ele venha, quanto a algo diferente acontecer, o futuro a Deus pertence. É uma daquelas declaraçao onde a gente nao sabe se ri ou se chora. Ele alerta que o Brasil tem uma dupla de primeiro nível e um singlista (Bellucci) que quando nao está contundido e está em boa forma é um top 30 potencial. Os espanhóis mostram respeito pela trinca e assim pelo menos um dos top 10, se nao ambos, devem comparecer. E assim mesmo tem neguinho sobrando por lá – Almagro, Robredo, Verdasco etc.

Bruno Soares deu algumas declaraçoes para a TV. Disse que o grupo tem que conversar e, de uma maneira incisiva, tem que ver quem vai jogar. Imagino que esta é uma questao para Thomaz Bellucci que, tenho certeza, nao deixará passar uma oportunidade dessas, até porque jogará sem a pressao, cenário sempre lhe muito favorável.

Incisivo também foi ao dizer que o saibro deve ser descartado, já que é o piso favorito – óbvio – dos espanhóis. Menciona também quadras cobertas e situaçoes onde a bola pique mais alta. O raciocínio todo é uma faca de dois legumes.

Se o saibro é o piso favorito dos espanhóis é também o dos brasileiros. Paralelo a isso, Rafa Nadal já venceu o U.S. Open e Australia. David Ferrer e Verdasco também tem títulos no piso e nele se viram muito bem. Enquanto isso, Thomaz Bellucci tem seus melhores resultados na combinaçao de saibro com altitude (Gstaad, Santiago, Madrid). O brasileiro foi também a uma final em duras coberta – Moscou. Mas é mais a exceçao provando a regra.

A pergunta de onde jogar deve ser feita a Bellucci. Ele é o cara. Por suas qualidades e deficiências particulares e conhecidas – e para vencer o Brasil precisaria de seus dois pontos. A dupla é mais eclética e consegue manter seu padrao no saibro como nas duras. Assim sendo, deveria passar a escolha para os singlistas que disputam quatro pontos. Como ao Rogério ninguém precisa perguntar sua preferencia, resta a do Bellucci. E aí, imagino, nao tem também muito como fugir.

Considerando o cenário acima, ideais seriam cidades como Sao Paulo, 600 m e bem semelhante a Madrid, Gramados a pouco mais de 800m e, radicalizando, Campos do Jordao 1600m – sempre no saibro. Nesta sim nós estamos falando de incomodar os espanhóis – e talvez os nossos também. Em um confronto como esse, quanto mais sair da zona de conforto de todos mais interessa ao Brasil. E, se a escolha fosse minha, ligava para o Tiriac, pegava a fórmula e mandava colocar saibro azul. Aí quero ver o humor do Rafa.

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domingo, 6 de abril de 2014 Copa Davis, Roger Federer, Tênis Masculino | 01:49

De que lado?

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Recebi a pergunta abaixo de um leitor nos comentários sobre os suíços. Minha resposta está mais abaixo.

Cleto

É sabido que o Wavrinka tem uma das melhores esquerda do mundo, enquanto que o Federer tem uma das melhores direitas e uma esquerda que não está a altura de seu jogo.
Gostaria que você, como técnico vitorioso que é, me explicasse porque no jogo de duplas deste sábado, contra o Cazaquistão , Federer esta jogando pela esquerda e o Wavrinka pela direita.
obrigado-Rodrigues

Pelo menos desde 2008, quando venceram as Olimpíadas, os suíços jogam nessa formaçao. Dessa maneira eles estao, teoricamente, protegendo suas devoluçoes abertas – Federer com sua magnífica direita – e Stan com sua magistral esquerda.

Poderiam fazer o inverso? Com certeza, o que é muito aconselhável. É quase um padrao no circuito. Mas existem tenistas que preferem ficar com seus melhores golpes para as segundas (e terceiras etc) bolas, o que é o caso dos suíços.

Mas nao custa lembrar que o golpe mais difícil do tênis é a devoluçao de revés no lado do iguais nas duplas – ele é antinatural. No caso deles, esse pepino fica com Federer – e bem que poderia ficar com Stan, que tem melhor esquerda.

Uma outra questao, talvez mais importante, é que no caso Stan é o cara que joga os pontos “decisivos”, o que nao é melhor cenário para os “rapazes”, já que Roger é muuito mais um jogador de pressao que Stan, que tem, ou pelo menos tinha, deixou de ter nos últimos tempos, e está se esforçando para readquirir neste confronto da Davis, a fama de entregar a rapadura na hora H. O que, ninguém nos ouça, é uma provável razao para Federer ficar longe da competiçao. Afinal, perder do Golobev, em casa, e depois “enterrar” o parceiro, como o fez hoje – e ainda ter que ouvir o técnico adversário dizer que ele teve problemas emocionais na partida – é de doer.

Fim da história é que os dois ganharam uma Olimpíadas, batendo na final os malasBryans e isso prova que eles podem vencer qualquer um em qualquer dia. Por outro lado, após quatro (sim, quatro) derrotas seguidas na Copa Davis, a dupla suíça pode repensar alguma coisa – talvez o que o leitor questiona.

PS: Pelo o que entendi, pesquisando no you tube, já que nao houve televisionamento para o Brasil, em algum ponto da partida, Federer e Wawrinka trocaram de lado. Algo que nao só nao é nem um pouco normal, como mostra um certo desespero.

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quinta-feira, 3 de abril de 2014 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:09

Bancando

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O time brasileiro de Copa Davis, que enfrenta o Equador no caldeirao de Guayaquil, é um dos mais capengas de nossa história. Capenga no sentido que nem o #1 do país, Thomaz Bellucci, nem o #2 Joao Feijao Sousa estarao presentes.

O primeiro por escolha própria. Thomaz comunicou, após abandonar mais uma partida, desta vez em Miami, que preferia nao jogar a Davis. Foi divulgado, por ele, uma declaraçao de seu médico: “O Thomaz tem uma perda hídrica importante. Precisaremos de pelo menos duas semanas de testes para investigar tais sintomas e propor uma melhor relação de reposição energética e hídrica”. Perda hídrica, que é o suor, acontece com os melhores tenistas – é só ver o Nadal na TV. O cara sua em bicas. Como mais nao foi dito, mais nao posso dizer sobre o que acontece com o tenista. Esses abandonos do Thomaz é mais um dos mistérios de nosso melhor tenista, mistério esse que, pela declaraçao do médico, nem Thomaz, nem os mais próximos ainda conseguiram ainda decifrar. Por conta disso, Thomaz nao vai a Guayaquil. Ele declara que a Davis segue sendo uma prioridade, mas que cuidar de sua saúde é o mais importante neste momento.

No entanto, a surpresa é que, pelo que soube, a ausência de Joao Feijao nao foi escolha própria. Cheguei a ler em algum lugar que o tenista #2 do país (#140) estava contundido e por isso fora. Mas videos de exibiçoes suas no Rio de Janeiro esta semana e a sua divulgada participaçao em torneio em Itajaí, atestam o contrário.

O que se fala é que o time é que tem a posiçao de nao querer Joao no time. Considerando que Bellucci seria o titular, nao dá para raciocinar que o veto veio de Rogério Silva, que brigaria pela posiçao com Feijao, nem de Guilherme Clezar, que entra no time pela primeira vez. Sobram o capitao e os duplistas.

Nao seria a primeira vez que o time fizesse esse movimento. Há tenistas que nao se encaixam no espirito do time, de uma ou mais maneiras. Resta ao capitao escolher quais sao as boas, ou nao, razoes para exercer essa escolha. Quando capitao também deixei alguém de fora por essa razao, assim como banquei, mais de um, que também nao era bem quistos – se arrependimento matasse…

Com a nao vinda de Feijao, o tenista escolhido é Guilherme Clezar, #170 e pupilo do técnico Zwetsch. Antes que algum apressado levante as sobrancelhas, Clezar é o próximo tenista na ranking, após o Rogério, #157. E o fato de ser treinado por Joao é algo positivo para o time. Isso no meu olhar, apesar que muitos que estao por aí, e bem perto, ainda hoje, me criticavam por estar na mesma posiçao – com Oncins e Mattar. De lá para cá tanto Acyoly com Zwetsch usaram da mesma prorrogativa e o pessoal se faz de mortos. Sei…

Ordem dos jogos:

Sexta Feira 12h: Rogério x Campozano (#495)

A seguir: Clezar x Emilio Gomez (#252)

Sorteio ótimo para Brasil. Rogerio deve vencer, fácil e dar moral e tranquilidade para Clezar, que deve fazer 2xo. E aó, no sábado a dupla pao de queijo entra em quadra.

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segunda-feira, 31 de março de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 13:36

Pra dançar

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No final do primeiro game da final entre Djokovic e Nadal em Miami, enquanto Maria Esther nos brindava com comentários sobre os bonés distribuídos no estádio, a geradora de imagens da SporTV nos premiava com uma tabela de informaçoes sobre o saque de Rafa Nadal. Rafa tinha tido entao sua única chance de quebrar o serviço de Djoko, oportunidade que nao conseguiria reeditar pela resto da partida, detalhe que mostra a dominância do sérvio sobre o espanhol na partida definida em 6/3 6/3.

O que a tabela informava, trocando em miúdos, era que contra outros oponentes Nadal insistia em saques contra o revés, mesmo na vantagem. Contra Djoko, no Canadá (nao me perguntem porque esse torneio), onde Rafa vencera, este sacara basicamente fechado, nos dois lados. Além disso, com um pouco mais de atençao do fa do tênis, ele perceberia que recentemente, após aquela série de derrotas, Rafa passara a jogar mais “fechado”, tirando o angulo do sérvio. Ontem, pelo menos no início e em boa parte do jogo, a estratégia foi a mesma. O resultado foi uma das maiores tundas que Djoko aplicou no espanhol.

Aliás, a coisa está, momentaneamente, feia para Rafa. Sao três derrotas seguidas para Djoko sem fazer um set. Vale lembrar dois detalhes. Todas em quadras duras e nenhuma em Grand Slam. Anterior a estas derrotas, a vitória de Rafa aconteceu exatamente no US Open, também em duras. Mas isso é outra história.

Um fato me chamou a atençao ontem. Mas já volto a isso. O que me surpreendeu, e a Rafa também, foi como a estratégia do “fechado” nao funcionou. Alias, pelo contrário, facilitou a vida do Djoko.

Nao vou entrar nos detalhes, porque seria cansativo. O fato é que Djoko sabia de antemao e se preparou para a situaçao. Como? Aí que nao vou entrar. Mas volto ao que me chamou a atençao, que talvez abrevie a esplanaçao.

Novak parecia Federer. Como? Cool! Tranquilo, sem pressa, como se soubesse que estava por cima da carne seca e que teria respostas para tudo. No primeiro game, quando teve o BP contra, parecia que estava doente de tao parado. Nao! Ele tinha mudado a postura, a sintonia interior. A mensagem que ele enviava ao espanhol era: você quer tirar os meus angulos para que eu faça erros nao forçados? Esqueça!

Djoko colocou o espanhol para dançar. Só faltou ligarem os altofalantes e tocarem algum flamenco balear. Se passarem o replay, prestem atençao em um detalhe: enquanto Nadal fazia um estardalhaço com sua movimentaçao, com seus sapatos-tênis bramindo mais do que ratos no telhado, do lado do sérvio vinha aquela sonora placidez bucólica. Nadal era um desesperado atrás da bolinha, o outro lhe servia drills tal qual um técnico desalmado.

Sim, a estratégia foi por água abaixo, para nao usar metáfora mais agressiva, até por uma segunda razao, que explica ainda mais o campeao. Todas as vezes que Nadal tentou abandona-la, indo para seu golpe favorito, com sua direita cruzada agressiva, o contra ataque com aquele revés magnifico (que tal me emprestar?) era venenoso e impiedoso e a mensagem clara: “Bonitao, fica no meio mesmo porque se for aberto só piora”. Isso sem contar que quando o ataque era no forehand, Djoko imediatamente “achava” o revés do ibérico, conta que nao fecha para o espanhol.

No fim das contas foi uma aula que mexeu com a confiança do animal. No fim ele nem mais tentava, o que é totalmente fora de suas caracteristicas.

Agora vem a temporada de saibro. Como ficarao as estratégias nos próximos encontros – no caso finais? Será que a de Nadal voltará a funcionar – afinal no saibro a bola nao vem lhe “morder” com a mesma velocidade como na dura, o que é uma graaande diferença. Djoko manterá essa interessante postura cool? Com isso, no saibro, os pontos seriam intermináveis, a nao ser por um detalhe crucial; no saibro Nadal teria tempo de fugir para usar sua arma letal – o forehand – e ele colocaria o outro para correr. A ver. Djoko, ontem dormiu em paz. Rafa, nao vai pregar os olhos tao cedo. E o Tio Toni que comece a queimar os neurônios.

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#1 e #2 do mundo. Rivais por um bom tempo.

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quinta-feira, 27 de março de 2014 Masters 1000, Tênis Masculino | 12:34

Invasao

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Bem, vamos lá. Sobre a barbaridade que aconteceu na partida Djokovic x Murray ontem.  A invasao houve, foi clara e na cara do juiz de cadeira, que é mais um bundao com medo de tomar decisoes, algo que sempre foi, nao sei se ainda é, prioridade na hora de escolher esses caras.

Nao pode encostar na rede, nem com a raquete nem qualquer parte do corpo que perde o ponto. Se pode passar a raquete do outro lado da rede, para bater uma bola, se ela tiver tocado na sua quadra antes e por conta de um efeito tiver passado para o outro lado da rede. Aí se pode esticar o braço e golpear a bola.

O que o Djokovic fez é totalmente ilegal – tocar na bola do outro lado da linha imaginária da rede, antes de ela cruzar a mesma. O juiz viu e se borrou e, nao sei se pior, o Djoko sabe – foi quase que a extensao toda da raquete do outro lado, e deu uma de miguelao, o que caracteriza uma garfada monumental no adversário, no caso um “amigo” dele.

Pior foi o juiz tentando, e fracassando, explicar a idiotice que fez para o Murray que nao sei nao foi à loucura pelas bobagens que ouviu de quem deveria saber o que fala.

Pior mesmo foi o Djoko tentar “convencer” o mundo em entrevista, ainda dentro da quadra, que ele nao tem certeza de como é a regra. O que, profissional, #2 do mundo e nao sabe a regra – especialmente depois de perder aquela semifinal de Roland Garros exatamente por ter tocado a rede?? Nao sabe a regra – brincalhao!

Qualquer panga sabe essa regra no tênis, mas um profissional se engasgar todo na explicação pega muito mal para sua reputaçao. Isso, dois dias depois de “dar” um ponto para Robredo e fazer o maior comercial que “isso é fair play e, pra mim, parte do jogo” no estilo eu sou muito legal. Sei – só que alí, um ponto nada importante – o desafio mostraria em segundos que o juiz estava errado. No jogo com Murray nao podia haver desafio e era o primeiro ponto do 5×5, saque Murray, do 1o set equilibradissimo – após a discussáo Murray perdeu rapidinho os pontos seguintes e o set.

Veja no link abaixo todo o incidente, começando com a entrevista de Djoko, onde ele se complica todo, e veja o quanto ele atravessou para bater na bola e como tentou convencer seu amigo Murray que nao tinha feito nada errado, mesmo com o telao do estádio mostrando a barbaridade.

http://espn.go.com/tennis/story/_/id/10680024/sony-open-tennis-did-novak-djokovic-racket-cross-plane-net-andy-murray

 

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quarta-feira, 26 de março de 2014 Juvenis, Masters 1000, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:42

Cabeçada

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“Os pais sao o câncer do tênis”. Esta é uma frase de Billie Jean King, super-campea americana que dá o nome ao complexo onde é jogado o US Open. Mais do que uma verdade é uma frase de efeito, coerente com o perfil marketeiro da autora. A verdade é que os pais tanto fazem como destroem, em especial nos tempos de juvenis. Que fique claro, sem o apoio familiar nao tem tenista que progrida. Com os pais massacrando e cobrando nao tem emocional que resista.

Já escrevi anteriormente sobre o assunto, que é crítico e extenso, provavelmente voltarei a faze-lo, mas hoje é mais sobre uma ramificaçao, uma curiosidade do problema.

Quando eu era garoto nao gostava que meu pai assistisse meus jogos. O cara ficava ali nas arquibancadas com aquele olhar ameaçador, o que nao fazia nem um pouco bem para meu ego, que era impiedosamente massacrado pelo adversário e suas malignas intençoes. Nao pensem que qualquer argumento meu o fazia mudar de opiniao sobre ele estar lá. Se ele quisesse, assistia, se nao quisesse nao assistia.

Assim sendo, entendo tenistas, jovens e nao tao jovens, que tenham um pé atrás com a presença de seus progenitores nas arquibancadas. Normalmente o assunto é uma questao entre os juvenis, quando os atletas ainda estao marcadamente sob a influência paterna. Essas intervençoes acontecem tanto com as meninas como com os meninos. A diferença é que as meninas “aceitam” essa influencia por mais tempo e mais passivamente. Os rapazes sao mais rebeldes, e com a testosterona presente e inflamando, os arrancas rabos com os pais podem ficar punks. Quando sao as maes as envolvidas o negócio é mais tranquilo. Teoricamente esse pesadelo termina quando os rebentos vao para o profissionalismo. Teoricamente.

Miami deve ter alguma coisa no ar que instiga esse conflito. Três anos atrás presenciei, quando na sala da TV do estádio, imagens e audio de uma quadra secundária, onde o australiano Barnard Tomic negociava com o juiz de cadeira a expulsao do pai das arquibancadas. Foi uma conversa surreal e única nos anais do tênis. Tomic chegou a pedir que o juiz mandasse o pai embora. Quando o juiz retrucou que ele deveria fazê-lo, o rapaz retrucou que nao adiantaria. Por fim, o juiz deu, a ele tenista, uma advertência por “coaching”, já que o pai falava com ele, e nao eram instruçoes. Tomic virou para o juiz e agradeceu, sinceramente. A continuaçao dessa novela mórbida entre o tenista e seu pai culminou com o doidao agredindo o técnico do garoto com uma cabeçada e, por isso, sendo suspenso de todo o circuito da ATP.

Esta semana foi a vez do Jonh “Meia” Sock brigar com o pai durante um jogo em Miami. O pai devia estar atormentando a cabecinha já atormentada do Joao Meia e levou um cartao vermelho do filho. Este nem pediu a intervençao do juiz. Foi logo virando para o pai, em uma troca de lados, e dizendo para o progenitor “dar o fora”. Repetiu a ordem duas ou três vezes e as câmeras mostraram que o pai obedeceu rapidinho.

A realidade dos pais problemáticos espirra na personalidade dos filhos. Tomic é um garoto com uma atitude sofrível – passa a mensagem que nao gosta do jogo. Mas seus problemas e atitudes sao muito mais com ele mesmo do que com adversários, árbitros ou publico. Sock carrega o pressao dos EUA nao terem mais um grande tenista e terem nele um tenista, quando muito, mediano, e nas quadras duras – porque no saibro… É um garoto temperamental e mascarado e joga bem menos do que imagina. Sobre seu pai nada sei. Só imagino que nao tem a mesma cabeçada do TomicPai, já que o filho nao tem muito respeito ou medo dele.

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domingo, 23 de março de 2014 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 20:55

Luz no Banana

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Trinta e três anos atrás o paulistano Eduardo Oncins, irmao mais velho de Jaime, conquistava o Banana Bowl, entao nosso maior evento juvenil e um dos maiores torneios juvenis do mundo, na mesma linha dos Grand Slams juvenis. Foi o último brasileiro a conquistar o Banana. Isso, até hoje, quando o jovem Orlando Luz, uma das nossas melhores promessas, conquistou o título enfrentando outro brasileiro, Joao Menezes, na final.

Luz sequer está na faixa dos 18 anos – ele completou 16 em Fevereiro – mas joga uma categoria acima por força de seu tênis. Apesar da idade, já casou com o tênis de vez e, desde o ano passado, ainda com 15 anos, treina dois períodos, algo que faz uma diferença enorme no progresso nessa idade – e nao estou dizendo que é algo que se deve fazer – já que somente os tenistas que fazem algum acerto escolar tem condiçoes de realizar.

É fato que o Banana Bowl, já há alguns anos nao realizado pela Federaçao Paulista e sim pela CBT, nao é mais o evento que um dia foi, e nem nosso maior torneio é, algo que a Copa Gerdau conquistou por conta de um trabalho sério de muitos anos. Mas é um grande evento, que volta para o estado de Sao Paulo, e arregimenta nao só os nossos melhores tenistas como também da América do Sul, assim como alguns do resto do mundo. Mas nao a elite do tênis mundial, como era o caso durante muitos anos, inclusive em 1981 quando Oncins ficou com o título.

O que nao tira os méritos de Orlando, pelo contrário. Ele assumiu a aposta de jogar uma categoria acima e provou que é do tipo que mata a cobra e mostra o pau, uma característica inequívoca de um campeao. É um para se ficar de olho, assim como outros que vem por aí nessa nova safra.

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quarta-feira, 19 de março de 2014 História, Tênis Masculino | 17:18

Nenhuma surpresa

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A parceria Andy Murray e Ivan Lendl sempre me pareceu que teria um prazo de validade deveras curto, algo que enxergo também na de Becker com Djokovic. Era algo mais na linha de ambos terem razoes imediatas e de curto prazo do que uma parceria que visava a solidificaçao de carreiras; a de tenista de Murray e a de técnico de Lendl.

Além disso, temos ali um caso de duas pessoas de gênios e humores difíceis, personalidades nada agregadoras e individualistas ao extremo, como quase todo os tenistas, mas algo que Lendl aprimorou com zelo.

A simpática dupla teve seu grande momento quando Murray, finalmente, venceu Wimbledon no ano passado. Mas após essa vitória, que ficará marcada na história do tênis britânico – é só lembrar de Fred Perry – Murray se decidiu por uma cirurgia nas costas, por algo que lhe incomodava desde o início do ano.

Murray começou o ano afirmando que nao sabia quando voltaria a jogar seu melhor tênis. Estamos em Março, a temporada pegando fogo e até agora nao conseguiu deslanchar – sem contar as derrotas inesperadas.
E quando se começa a perder, em um ambiente de cabeças duras, algumas vao rolar.

Nas ultimas semanas Lendl competiu algumas vezes no circuito dos veteranos. Ele ficou 14 anos afastado do tênis, afirmando que era por conta de dores nas costas. Talvez. Em 2010 jogou alguns poucos eventos e começou a fazer eventos tenisticos – as exibiçoes de tenis no Madison Square Garden como Sampras x Federer. O fato é que estava mais ligado no golfe e ninguém no tênis o queria por perto. Quando Murray o chamou ele topou, sabendo que voltaria nao só ao circuito como, principalmente, aos noticiarios e isso o tiraria do ostracismo – funcionou.

Hoje qualquer jovem sabe quem é Ivan Lendl e ele tem, novamente, seu nome associado ao sucesso. Ele, que nunca foi o cara mais paciente ou simpático, nem primava pelo esforço de socializar, preferindo sempre a ironia e o sarcasmo com seus amigos de vestiário, talvez tenha chegado à conclusao que nao precisa mais aguentar o humor de alguem tao semelhante nos atributos emocionais. Além disso, a grande história parceria Murray/Lendl já foi escrita. O checo avisou que chegou a hora de priorizar seus projetos e pulou fora. Mas, comme il faut, sem causar nenhuma estranheza ou mal estar. Murray diz que vai pensar bem sua próxima escolha.

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