Publicidade

Arquivo da Categoria Tênis Feminino

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:20

Imagino

Compartilhe: Twitter

Fico imaginando qual será o impacto em Rafael Nadal por conta de sua derrota, prematura, na semifinal e justamente pelas maos do MalaFognini. O espanhol voltou às quadras capengando, ao contrário de seus outros retornos, sempre por conta de suas múltiplas contusoes, sempre resultado direto do estilo Nadal de jogar. Imagino que seu foco agora seja, para variar, o circuito europeu sobre a terra, porque pelo tênis que está jogando nao será nas quadras duras da Califórnia ou da Florida que irá se dar bem. Só espero que sua derrota nao tenha nenhum impacto em sua aparente decisao de voltar ao Rio Open em 2016. Se tudo der certo ele vira ao Brasil duas vezes no ano que vem; a segunda na Olimpíada. Lembrando, esta jogada em quadra dura. A respeito, o piso foi escolhido pela FIT e nao pela CBT ou COB. A FIT alegou, para a decisao, o calendário internacional – os Jogos terminam imediatamente antes do US Open. Sendo assim, Rafa deverá jogar novamente, imagino, o Rio Open no saibro e as Olimpiadas no piso duro.

Atentaram ao “imagino”? Isso porque existe uma grande duvida sobre o Rio Open para 2016. É a velha questao de ter mais de uma opçao. Ele seguirá sendo jogado no Jockey Club ou passara para a Barra, onde está sendo erguido o complexo do tênis dos Jogos Olímpicos?

Ao contrário do que vem sendo dito, nao há uma decisao feita sobre o assunto. Pelo menos oficial. Rumores dizem que seria na Barra porque o COI exige que seja feito um evento no local para o tal “soft opening”, para testar tudo. Sim, essa exigência existe, mas ela nao exige que o evento seja o Brasil Open.

A decisao é uma faca de dois gumes. A continuaçao do evento no Jockey Club tem que ser a favorita de praticamente todos. O clube quer o evento, porque só tem a ganhar, especialmente pelos benefícios de infra estrutura e o privilégio de receber tal evento em casa. Falando por mim, como fa do tênis, difícil imaginar um local mais aprazível para o torneio. O cenário é maravilhoso, já o descrevi anteriormente, e localizaçao privilegiada; ao lado de Ipanema, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico. Eu adoro, e a cada ediçao o pessoal vai afinando a máquina, deixando o evento mais gostoso e aprimorando a hospitalidade ao publico. Só ouço boas coisas a respeito.

Por outro lado temos o tal conflito que aflige a organizaçao. Eles sabem que o local atual é um diferencial enorme, sempre para o positivo, com o público e os jogadores. No entanto, a montagem custa uma bela grana – e isso mexe no balanço financeiro. Na Barra, eles terao à disposiçao toda a infra que será utilizada nos Jogos Olímpicos e, provavelmente, depois dos Jogos. Imagino que só o custo de montar a Quadra Central atual seja maior do que o de cacifar os melhores do mundo. Fora todos os custos de levantar uma estrutura tal qual a disponibilizada no Jockey. Na Barra esses custos seriam cortados fortemente.

Há muitas outras consideraçoes, que já deviam estar tirando o sono da organizaçao antes mesmo desta ediçao. Se o torneio for para a Barra, a organizaçao terá que negociar uma nova data, já que a atual está inserida no circuito latino-americano, necessariamente jogado sobre o saibro. Talvez logo após o tal circuito e logo antes de Indian Wells. Com isso talvez percam Nadal e o bando de saibristas que por aqui tem aparecido. Mas devem ganhar outros que queiram se preparar para o breve circuito de quadras duras de Indian Wells e Miami. Mas isso é longe de ser simples e fácil, até porque nao existe muito espaço no tempo.

Tao importante, e determinante nas decisoes, será o destino da IMX. Até 2016 é possível que água corra debaixo dessa ponte. O Rio Open é um ativo forte de seu portfólio e imagino que seu futuro esteja assegurado, de uma maneira ou de outra, em um local ou outro. De qualquer maneira, a imagem do Cristo Redentor, no topo do Corcovado, se elevando por detrás das arquibancadas é algo que está fotografado da melhor maneira na minha memória emocional.

Autor: Tags:

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:21

Falso equilíbrio

Compartilhe: Twitter

Tenho visto o Marco “Bocao” Barbosa, atual técnico da Bia Maia, que está conseguindo, sem mágias e invencionices, melhorar o tênis da Bia Maia, que é nossa maior esperança de bons resultados no tênis feminino. A hipotese nao é de hoje, mas ainda está para se tornar uma firme realidade. Os bons resultados no Rio Open sao bons indicadores. A moça tem talentos, habilidades e um bom tamanho; agora tem um ótimo técnico ao seu lado, algo que faz enorme diferença na balança das possibilidades.

Os caras continuam sem o sorvete para meu milk-shake, o que é uma tremenda sacanagem e desapontamento. O garçon me sugere substituir por uma tigela de açaí. Açaí eu comia, tirando do pé, na verdade catando do chao, lá no sítio. Aqui no Rio, lá no Jockey, eu quero milk-shake de chocolate. Tem gente que é do açaí, eu sou do milk shake! Minhas dietas e health food eu administro, e bem, em outras áreas. Tem assuntos culinários que têm mais a ver com o emocional do que com a nutriçao.

Nadal é Nadal, e fim de história. O espanhol nao está jogando nem uma pequena parte do que joga. Mas e pra ganhar dele? Aí sao outros quinhentos, bem caros quando você está do outro lado da rede. Ontem, o jovem espanhol que o enfrentou entrou bem briefado pelo técnico – o veterano Duarte, que trabalhou com o Corretja. É interessante assistir esses jogos porque se enxerga como os “colegas”, que conhecem bem a fera, enxergam a tática para enfrenta-lo.

O jogo foi equilibrado, especialmente no 1o set. Mas como já havia sido com Bellucci, o equilíbrio foi só até o Animal “entrar” no jogo. Mas diferença ficou clara em um game em particular. No 2×2 o Busta quebrou a fera e foi sacar para confirmar a quebra. Esse foi o game do jogo. Àquela altura Nadal estava jogando batatinhas, deixando a maior parte das bolas muito curtas, enquanto o adversário se esbaldava. Naquele game nao jogou tao melhor ainda, mas o oponente foi apresentado à famosa “garra nadal”. Rafa sabia que tinha que voltar ao set naquele game, pra nao deixar o inimigo acreditar e crescer. Muitas vantagens depois, de ambos os lados, Nadal conseguiu a quebra e colocou o trem nos trilhos. Entao, foi só um questao de games.

Autor: Tags:

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:49

Noites australianas

Compartilhe: Twitter

Estou cansado. Porém, ao contrário de quando ficava cansado e doente por varar a noite durante a cobertura tenística do Aberto da Austrália, o meu cansaço é de jogar tênis, mais saudável e gostoso. Durmo fácil, sem contar carneirinhos ou bolinhas. Se antes pegava uma demoníaca gripe por ficar horas trancado em um insípido cubículo com o ar condicionado no máximo, seguindo as diretrizes da engenharia da tv, hoje o cansaço é de correr atrás das bolinhas ao ar livre e ter a oportunidade de competir com meus amigos. Em qualquer idade isso vale ouro; nao minha nao tem preço. Tenho a certeza que esta opçao traz mais qualidade, além de mais anos, à minha vida. Foi divertido enquanto durou, como tudo que se faz na vida com entrega, paixao e qualidade.

Sendo assim, a opção de varar a noite assistindo jogos está descartada. Resta o que dá para acompanhar no começo da noite e de manha cedo, o que está de ótimo tamanho. Até pouco tempo atrás nao tinhamos opçao alguma, sendo assim está de ótimo tamanho. Sei que para muitos ir pessoalmente a um Grand Slam é objeto de desejo, e algo que deve ser realizado por qualquer fa do tênis, mas acompanhar os jogos pela tv é um privilégio que nao pode ser minimizado. Isso vale para tanto para assistir um jogo como o do Federer com o Bolelli, dois excelentes representantes do tênis clássico e agradável de assistir, como ver o Nadal, mais uma vez, ganhar um jogo na marra, ao bater o americano Smiczek, um tenista que soube elevar seu padrao para a ocasião, mas que, infelizmente para ele, nao soube cacifar na hora da onça beber água.

Tem seus micos pelo caminho. Assistir à engessada Sharapova, por exemplo, só se sua adversária for muito gracinha. Assisti a uns poucos games contra a Panova, que tem um belo par de pernas e tênis a bastante para engrossar com a Shara. Mas falta aquele mojo emocional, que é o diferencial da grandona. O mesmo vale para a Serena. Muita gente, como fez a Zvonareva, engrossa com ela – mas ganhar sao outros quinhentos. O campeao tem algo no seu interior que os mortais só conhecem á distância e com uma rede no meio do caminho.

Fico pensando como é a cabeça do Hewitt – e se ele vai, finalmente, abandonar a carreira. O cara faz 34 anos o mês que vem, e virou, pelo menos para seu padrao, saco de pancadas de muitos migués. Afinal foi #1 do mundo. Hoje perdeu para o Benjamin Becker, um cara de golpes sólidos mas cabeça nem tanto – nunca havia vencido uma partida no 5o set. O que me leva a pensar o quanto o tênis mudou na história recente e como alguns tenistas conseguiram deitar e rolar com o hiato histórico que surgiu entre o final dos anos 90 e o meio da primeira década deste século.

Hewitt foi, talvez, o que melhor conseguiu aproveitar essa brecha. Ferreiro foi outro. Tivemos outros e, de certa maneira, até mesmo Kuerten, que, de certa maneira, foi um dos causadores da mudança que deu no que deu. Se o australiano tivesse surgido nem 10 depois do que surgiu nao teria tido o mesmo sucesso, que de fato durou de 2000 a 2004. Depois disso foi um excelente jogador, mas nao mais um que vencesse, nem chegasse perto, um Slam. Seu tênis ficou defasado.

Nao assisti, mas deve ter sido deveras interessante a partida entre Monfils e Janowicz, dois dos mais doidos do circuito. Pelas declaraçoes de Monfa, a culpa da sua derrota foi, mais uma vez, o seu excesso de defesa e passividade na hora de ganhar jogo. Passa ano, entra ano e o mano insiste em empurrar a bolinha e correr como uma gazela ao invés de impor seu volume de jogo. O cara esta entre os três mais atléticos do circuito e tem um tênis bem sólido. Mas, sei lá o por que, prefere viver naquela mesma dimensao do multi-polar Murray, que também adora empurrar bolinha e correr como se nao tivesse amanha. O que dá um brilho diferenciado ao tweet que Monfils publicou nos primeiros dias do ano. La nuit me aide à méditer, c´est dans ces moments que je me dis que je vais changer…

Autor: Tags:

segunda-feira, 10 de novembro de 2014 Masters, Novak Djokovic, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 16:48

O Masters em Londres

Compartilhe: Twitter

O Masters sempre foi um evento diferenciado e interessante. Estive presente em vários, nos anos que eram disputados em N. York e Hannover. Aliás, se você nunca foi a Hannover, nao vá. A cidade é um zero à esquerda, especialmente no frio. Dá para entender porque o tal Hitler queria estender seu Lebensraum para outras paragens. Mas Nova York compensava.

Londres é uma cidade intensa e cosmopolita e a recente ocupaçao do outro lado do rio Tamisa, da qual o O2 faz parte, tornou-a ainda mais interessante. E que belíssimo local é essa arena londrina, apesar de que nao chegar aos pés do Ibirapuera, verdadeiro orgulho nacional. Ironia nao é o meu forte, fazer o que ?!

E que bicho vai sair desta ediçao do Masters? Uns esperam a confirmaçao de Novak Djokovic como El #1 do ranking. Outros esperam que Roger Federer vire o barco no apagar das luzes, algo que Gustavo Kuerten fez em 2000, em Lisboa, onde também estive. Torço mais pelo Boniton, mas acho que está mais para o Djoko – o cara está sólido e só perde a coroa se jogar abaixo de seu padrao. O que acontece.

Na minha entrevista, na CBN, mencionei que Andy Murray seria uma possível terceira via, por jogar em casa(casa??) e ter jogado bem as ultimas semanas. Eu devia estar ainda de ressaca eleitoral. Até parece que eu nao conheço o bipolar. Aquela partida com o Nishikori foi séria? Sim, o japa jogou muito bem depois de engrenar no meio do 1o set. Mas o Andy Murray ficou no vestiário e o que vimos em quadra foi seu alter ego.

O Boniton nem piscou. Deu mais uma aulinha para o canadense sacador. Aliás, figura estranha o rapaz Milos. O com esse corte de cabelo estilo reco fica ainda mais estranho. As câmeras mostraram seu pai e deu para entender de onde vieram aquelas costas curvadas. Mas saca muito o Milos. Mas com 2m de altura nao é um grande feito. Mesmo sem suar Roger venceu rapidinho.

Legal o Stan Wawrinka ter jogado bem. Gosto de seu tênis e acho que um tenista como ele vivo deixa o evento mais rico. Já que começou muito bem o ano que termine no mesmo tom, porque o que fez do Aberto da Austrália para cá nao foi no padrao que ele, e nós, esperávamos.

Quanto aos brasileiros Marcelo Melo e Bruno Soares, ambos venceram o importante jogo de estréia, o que dá confiança e conforto. Bruno e parceiro tiveram que salvar um MP no 3o set. E Marcelo, está tao confiante e melhor que na partida foi uma das primeiras vezes que vi ele assumir a responsabilidade da devoluçao no NO-AD, lembrando que esse fundamento é o ponto forte do seu parceiro. Seria um bom final de ano para o nosso tênis sem um deles vencesse o Masters, batendo o outro na final. E melhor ficará quando voltarem a jogar juntos.

 

Autor: Tags:

segunda-feira, 20 de outubro de 2014 História, Juvenis, Light, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:30

O rei dos pangas

Compartilhe: Twitter

Como todo cara simpático, Vic era ótimo contador de histórias. Como todo bom professor de tênis, tinha ótimas histórias pra contar do seu esporte. Uma de suas favoritas era de como se apaixonou pelo tênis.

Aos 11, anos, andando por um parque em Monroe, Michigan EUA, passou pelas quadras de tênis exatamente quando abriam uma lata de bola e aquele cheiro característico da borracha e do gás que colocam na lata inebriou o ar por instantes, o bastante para enfeitiça-lo. Ficou por ali, secando os tenistas, esperando que um deles mandasse uma bolinha por cima do alambrado. Quando o gerente das quadras o pegou tentando fugir com uma delas o enquadrou: escolha, ou vai preso ou aprende a jogar! Ele afirma que escolheu a segunda alternativa e abraçou uma paixao para o resto da vida.

Nao importa muito se a história é real ou nao. Afinal, na minha juventude, pelo menos no Brasil, as bolas ainda nao vinham pressurizadas – elas vinha em caixas de papelao e embrulhadas uma a uma em papel como drops dulcora. Só nos anos stenta isso mudou. E Vic Braden, que morreu esta semana aos 85 anos, o que situa sua história em 1929, três anos depois da Penn começar, timidamente, vender as entao raras latas pressurizadas e abertas com um abridor de latas.

Pouco importa. Braden rescreveu a história do tênis americano, sendo, talvez, o maior responsável por sua popularização nos anos 70, época de ouro do tênis americano através de seus programas na tv. Foi um ótimo juvenil, ganhou uma bolsa na California State em LA, onde estudou psicologia, esteve no precursor de todos circuitos profissionais, o de Jack Kramer, onde era um dos coadjuvantes de ícones como Pancho Gonzales, Bobby Riggs, Segura Cano e Kramer entre outros. Dali foi, em 1963, tomar conta da academia que Kramer montou em Palos Verdes, onde ajudou formar, entre outros, Tracy Austin, Sampras, Davemport e outros.

Mas seu foco nunca foi a formaçao de tenistas profissionais. Gostava mesmo era de ensinar o pangaré jogar tênis. Talvez por temperamento. Nunca foi um disciplinador. Era um simpático, um gozador que acreditava que o sorriso, o carinho e, especialmente, o bom humor, eram ferramentas imprescindíveis para fazer as pessoas se apaixonarem pelo tênis.

Por isso, em 1974, abriu sua famosa academia no magnifico condomínio Coto de Caza, entre LA e San Diego, onde construiu sua casa e onde morreu. Era inteligente o bastante para saber que só sorrisos e bom humor nao lhe trariam sucesso e usou de seu conhecimento da psicologia para entender e conquistar as pessoas. Precisava de um método e assim tornou-se o precursor do ensino de biomecanica no tênis. O que hoje se ensina de biomecanica, por aqui e mundo afora, começou com ele. Só que ele colocava a pitada do humor, o que nem sempre faz parte do cardápio desse pessoal.

Sua teoria para se aprender o tênis era simples; “se voce compra um sorvete de pirulito e consegue levá-lo à boca você consegue jogar tênis. Se você levá-lo direto à testa as chances sao bem menores!”. Ele tinha cursos para cadeirantes, e até para cegos, quando ainda nao era moda nem politicamente correto. Para os cegos bolou um sistema de números para a localizaçao da altura da bola, que ele gritava para o pessoal executar o golpe.

Mas era na área de biomecanicas que ele deitou e rolou. Comprei seu livro “Teaching children the Vic Braden way” no começo dos anos oitenta para saber um pouco mais sobre essa ciência dos golpes. Seu estilo nao era entao minha praia, mas me ajudou mais de uma maneira. Enquanto Bollettieri focava nos jovens que queriam ser campeoes do mundo, e nao tinha o menor tempo para o pangao, Braden fazia da Pangalandia seu reduto e seu reino – ali era o mestre e amado pelas multidoes.

Foi dos primeiros a usar a câmera de alta velocidade e o computador para dissecar o tênis. Confesso, sem falsa modéstia, que fui o precursor do uso da câmera por aqui, nos idos de 1974, com uma câmera na mao e uma mala com um monitor acoplado na mesa na lateral da quadra.

Como todo estudioso do tênis, Braden adorava conversar sobre o assunto com qualquer um que tinha algo a dizer ou disposiçao para ouvir. Sua mulher confessa que mesmo agora tinha inúmeros projetos que o tempo nao permitiu que realizasse. Da mesma maneira que tinha inúmeras certezas e as transmitia inflando a tao necessária auto estima e confiança do pangao, tinha pelo menos uma dúvida que dividiu com seus leitores no Los Angeles Times. “Por que os tenistas tremem (choke)? Levou a dúvida para o além, porque aqui ninguém conseguiu explicar aquela característica que, ao mesmo tempo o que fascina e prende todos os praticantes, separa os campeoes do mortais.

article

 

Autor: Tags:

sexta-feira, 5 de setembro de 2014 Roger Federer, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 13:43

Curtas no US Open

Compartilhe: Twitter

Algumas curtas e grossas do US Open.

Nem Roger deve estar acreditando que Manofills jogou a vitória de volta no seu colo para a sua alegria e da torcida novaiorquina. A maneira como escapou no primeiro match point foi inesquecível: um dos voleios mais vacilantes da carreira surpreendeu o francês que jogou a bola fora. Depois de perder os dois MP, Monfa passou a jogar menos da metade do que pode e 1/10 do que jogou nos dois primeiros sets – o que diz bastante de seu potencial técnico e de sua deficiência no quesito mental.

O Topetudo enfrenta agora Marin Cilic, o que nunca foi. O apático croata era para ter sido um dos grandes de sua geraçao, mas aquela postura gelada em quadra sempre foi um breque de mao em sua carreira. Agora, após um longo repouso forçado, por ter ingerido o que nao devia, ao que parece sem saber, volta com mais disposiçao e com Goran Ivanisevic, que sempre foi seu mentor, como técnico, o que deve trazer um pouco de alegria à sua vida.

Marcelo Mello continua entra a cruz  e a espada. Seu parceiro Ivan Dodig, que é um singlista também, ao contrário da imensa maioria dos duplistas do circuito é sempre uma caixinha de surpresas. Pode tanto ser o melhor como o pior jogador em quadra. No dia que está a fim é ótimo parceiro. No dia que está com a maca é um coveiro.

Como escrevi, os espanhóis enviaram mais de uma ótima opçao de duplas para o confronto da Davis. A dupla Granollers e Lopez, que a princípio nao é a titular, já que o mágico Granollers será titular nas simples, está nas finais do US Open. E como entendem a arquitetura das duplas esses dois. O Lopez é um gênio no jogo de fundo da quadra nas duplas.

Como já expliquei antes – em post ou twitter – os BryanBros estao na maior fissura para vencer o US Open – seria a 100a conquista da dupla gringa, numero para ninguém botar defeito e para fazer a alegria da mídia americana. Pelo menos na final deve haver algum nas arquibancadas. É uma tristeza ver a imeeensa maioria dos assentos vazios nas duplas.

A pirigueti Hingis nao consegue mesmo se decidir se é ou nao uma tenista. Já se aposentou, e voltou, nao sei quantas vezes. O pior é que a moça é tao talentosa – ou as outras sao tao ruins? – que está nas finais de duplas femininas com a italiana Penetta, que é parceira também fora das quadras. E nao duvido que vençam.

 

 

 

Autor: Tags:

segunda-feira, 4 de agosto de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 18:28

Um passo de cada vez.

Compartilhe: Twitter

Os canadenses realizam um dos mais significativos Masters1000 do circuito, espelhado por um tal qual evento feminino. Sao realizados em duas cidades – Toronto e Montreal – apaziguando assim “franceses” e “ingleses”. Para melhorar ainda mais a dinâmica, homens e mulheres alternam as cidades a cada temporada.

Este ano, o masculino acontece em Toronto e os fas locais estao correndo às bilheterias com disposição ímpar. Isso porque, pela primeira vez na história, dois canadenses se enfrentaram em uma final de torneio da ATP – em Washington e exatamente na semana passada. Melhor timing nao haveria.

Milos Raonic vem batendo pelas traves do circuito a pouco mais de uma temporada – acho que tudo tem seu tempo. Agora o rapaz, de origem iugoslava, já é o #6 do ranking. Para vocês verem o que um grande serviço pode oferecer a uma carreira.

Seu oponente foi Vasek Pospsil (#27), um grande talento de origem tcheca, ainda em busca do eterno fugidio equilíbrio. Os dois nasceram no mesmo ano (1990), sendo Vasek poucos meses mais velho. Algo que a personalidade em quadra nao espelha.

Raonic está um bom passo à frente – emocionalmente, estratégicamente e, consequentemente, técnicamente de seu conterrâneio.

Um sinal disso, à parte do ranking e a vitória na final, foi sua declaraçao, consciente, de quem sabe que no circuito é necessário assumir riscos calculados e, o principal, fazerem eles funcionarem.

Milos declarou que enquanto jogava e focava em vencer o Torneio de Washington, evento que teve Berdish, Nishokori, Gasquet, Isner entre outros, ele mantinha um olho bem aberto na semana seguinte. Nao só porque seria um Masters1000, mas por ser em casa. E tenista que vale seus calçoes sabe da importância de jogar muuuito bem em casa. E sabe, melhor ainda, ama, a pressao que isso traz.

Por isso tentou minimizar o dispêndio de energia, conseguindo vencer o evento sem perder um set. Ele venceu 52 dos 53 games de serviço e salvou 7 dos 8 break pointos que teve que encarar. Isso é ter consciência estratégica e saber coloca-la em prática. Tênis é bem mais do que dar na bolinha.

Agora vamos ver como ele lida com o fator “jogar em casa”, em torneio que todos os cachorroes – menos El Rafa que ainda esá contundido e é duvida até para o US Open – estarao presentes. Um passo de cada vez.

Autor: Tags:

domingo, 8 de junho de 2014 Light, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 10:57

No vestiário nao

Compartilhe: Twitter

Andy Murray sempre foi fora da caixa. Enquanto outros contratam ex grandes jogadores, ele contrata uma ex grande jogadorA – a francesa Amelie Mauresmo. As reaçoes de seus companheiros/adversários será de, no mínimo espanto.

Desde que Andrei Chesnokov apareceu no circuito com Tatiana Naumko que eu nao me lembro de outro tenista ter uma técnica. A nao ser que vocês contem com o supermala Jeff Tarango e sua mae.

Os rumores já existiam, já que a moça andava assistindo os jogos dele em Paris.

Uma das prováveis razoes da escolha é ele ser uma tarada por preparfo físico, assim como Andy. Em 2011 ela correu a maratona de New York em 3.40h.

Mas, talvez, a principal razao é ela ser muito bem considerada no circuito pelo seu jeito, seu posicionamento e sua cultura.

Ela já teve uma pequena experiencia como técnica, ajudando Marion Bartoli vencer seu único Grand Slam em Wimbledon no ano passado.

Amelie adora um bom vinho, é um amor de pessoa e tem uma cultura bem acima da média das tenistas profissionais.

Mesmo sendo lésbica assumida, duvido que Amelie vá conseguir ter conversas de vestiário com seu pupilo.

 

Autor: Tags: ,

Roland Garros, Tênis Feminino | 00:23

Uma bela final

Compartilhe: Twitter

Foi a melhor final feminina em Roland Garros desde 2001, quando Jennifer Capriati bateu Kim Cljisters 12-10 no 3o set. De lá para cá as finais foram decepcionantes emocionalmente, sempre decididas em dois setinhos.

Maria Sharapova e Simona Halep honraram a expectativa e fizeram um jogo equilibrado e eletrizante, repleto de alternativas táticas e liderança no placar e, até o último game, era difícil apostar em uma ou outra.

Maria foi mais jogadora, tentando, como sempre, imprimir o ritmo da partida e, por conta de seu estilo, ditando quem venceria. Se ela, se suas bolas entrassem nas horas da onça beber água, ou se a romena, caso as bolas nao entrassem.

Como sempre, tiro o chapéu para a russa, que nao tem medo de ir para suas bolas com extrema audácia e viver com o resultado. Simona fazia das tripas coraçao para sobreviver e alongar a partida, contando que uma hora o estilo audaz da russa naufragasse. Para isso usava sua excelente velocidade e seus sólidos golpes de ambos os lados – uma pena que nao consiga gerar mais força no seu saque (especialmente o segundo) e que tenha dado um único slice (quando venceu o ponto) contra uma tenista que tem uma certa dificuldade com essa bola. E, para quem acompanhou pela TV e viu Maria quase às lágrimas quando as coisas ficaram pretas no terceiro set, sua estratégia quase deu certo.

Simona apostou em mover a adversária, evitando que Maria batesse duas bolas do mesmo lado, e assim dificultasse a produçao de suas bolas mortais, algo extremanete difícil de fazer contra uma tenista do calibre da russa. A romena nao tem nem o tamanho, nem a força para entrar na pancadaria que Sharapova adora imprimir. Mas, conseguiu sobreviver à seu modo e levar o jogo até a hora onde o emocional cala a técnica, transformando a partida em um confronto extremamente físico de mais de três horas. Tudo isso na primeira oportunidade que esteve em uma final de GS, enquanto sua oponente é macaca velha nesse galho.

Para variar, tivemos, mais uma vez, o Instante Decisivo. E este veio na hora da onça beber sua água. 4×4 no set final, com todo mundo tenso em quadra, do público às tenistas e aos juízes. E foi um destes que, sem querer, foi o fiel da balança. No primeiro ponto do game, com Simona sacando, Maria alonga a devoluçao do saque, que escorrega na quina da linha de fundo, impossibilitando a boa devoluçao da romena, que espirra a bolinha para as arquibancadas. A juiza de linha canta fora e o juizao com voz de FM desce para verificar a marca. Dá boa! Simona se move para repetir o ponto (indo para o lado direito da marca central da quadra). Imediatamente o juizao, que voltava às cadeira, para, atento, volta e explica que o moça isolara a bola antes da chamada da juiza. Simona tenta dialogar sem sucesso. Como sempre acontece nessas ocasioes a tenista nao concorda – essa chamada sempre dá confusão e sempre, como nao poderia deixar de ser, prevalece a decisao do árbitro. Sabem quantos pontos a moça ganhou depois desse ponto, no momento mais crítico da partida? Pois é – nenhum!

Se Sharapova é uma russa que já venceu todos os Grand Slams pelo menos uma vez, sendo a tenista que mais faturou na história do esporte e até hoje nao sabe explicar seu sucesso no saibro parisiense, Halep é uma tenista da Romênia, país extremamente maltratado nos últimos 70 anos, forçando um legado extremamente desolador para seus habitantes, que, após ser a melhor juvenil do mundo, começa a descobrir o sucesso na carreira, sendo, de inumeras maneiras, o contraponto de sua oponente. Foi um belo confronto de estilos, táticas, momentos, circunstâncias e personalidades. Um verdadeiro ganho para o tênis feminino.

Autor: Tags: ,

quinta-feira, 5 de junho de 2014 Roland Garros, Tênis Feminino | 14:12

Ainda nao

Compartilhe: Twitter

Eugenie Bouchard entrou dando muito na bola e acuando Maria Sharapova. Mas nao levou. A russa teve a quilometragem para escapar que a canadense nao teve para sustentar.

Bouchard já é ótima jogadora, mas pode se tornar uma grande. Um ano atrás era uma desconhecida do grande público. Aos 20 anos tem bons golpes dos dois lados, saca muito bem para a altura e para o tênis feminino, é extremamente veloz e faz coisas que outras tenistas nao fazem. A melhor delas sendo conseguir gerar um contra ataque com muita aceleraçao após usar a velocidade para se recuperar do ataque adversário. É magistral nisso. E quando tem que mudar de direçao tem as bolas e a confiança.

Mas tem coisas que a moça ainda nao conhece. Uma delas é como fechar um jogo importante, contra uma mega campea, em uma semifinal de um GS.

Nao esteve com o jogo na mao, mas, até a hora da onça beber água, nos finalmentes do 2o set, ela era a jogadora que determinava o ritmo do jogo. A partir daquele momento, tornou-se um tantinho hexitante, o bastante para a russa entrar chutando a porta e virar o jogo, de uma maneira que a canadense nao soube mais reverter. Parabéns à Maria, que é uma rainha em virar jogos desse quilate e longa carreira para a Bouchard que é bem mais do que uma tenista bonitinha.

Sharapova 4/6 7/5 6/2

Autor: Tags:

  1. Primeira
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5
  6. 6
  7. 10
  8. 20
  9. 30
  10. Última