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Arquivo da Categoria Tênis Feminino

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015 Olimpíadas, Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:10

O Rio Open vem aí!

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O Brasil Open manda avisar que o ano que vem o evento irá bombar. Além de Rafa Nadal, que se tornou um símbolo do evento, os organizadores anunciam a presença de outras estrelas Top10 como Ferrer, Tsonga e Isner. Eles nao mencionam o italiano Fognini, mas pra muitos il cattivo ragazzo também se tornou peça indispensável para o evento. É bem capaz que eles também o anunciem mais à frente.

Sobre Rafa nao preciso gastar os dedos digitando. Todo mundo adora assistir o cara. Especialmente porque com ele nao tem corpo mole – mesmo debaixo da linha do equador. Tsonga é um show man, um cachorrao e um grande nome; mas uma incógnita. Será que estará em forma? Dará o seu melhor? Se jogar o que sabe as semis do torneio prometem.

Ferrer é outro que nao dá chabu. O cara come o pão que o diabo amassou passado no saibro de qualquer quadra. Já Isner chamará a atenção pela curiosidade. O cara tem 2.08m, saca barbaridades e nunca esteve por aqui. Lógico que o saibro e a altura do mar nao sao suas praias, mas acrescenta ao elenco e pode testar a qualidade do tie breaker de qualquer um presente.

É lógico que todo o elenco de brasileiros, de Bellucci a Teliana, passando pelo nosso #1 Marcelo Mello, estará presente – diretos, por qualy ou convites, o que é ótimo para eles, o público e o tenis nacional.

Uma ótima notícia para os fas é que os organizadores confirmaram o Jockey Club como o anfitrião. Havia a possibilidade de realizarem o evento lá para os lados da Barra, onde serão os Jogos Olímpicos. Eu adoro aquele cenário e o local. Se fosse na Barra eu pensaria duas vezes (e provavelmente iria, anyway), mas ali na Gávea nao dá para hesitar.

Outra novidade dos organizadores diz respeito aos horários. Nao haverá mais jogos pela manha – eles começam às 14:15h. A razão deles é facilitar a vida dos tenistas e nao os colocar para jogar debaixo do sol do meio dia do Rio de Janeiro. Eu acho ótimo porque poderei curtir uma praia de manha e só depois ir para o clube.

Além disso, fizeram um bem bolado. Continuam tendo duas seções distintas, mas o público pode acessar o local a qualquer hora, com qualquer ingresso. A Seção Noite é a partir das 17h. Mas o publico que compra-la poderá acompanhar os jogos de todas as quadras, menos a Central, desde as 14h. E pelo encurtamento dos horários, as quadras secundárias devem bombar – nao sei se eles vao incrementar o local e arquibancadas dessas quadras. Eles prometem incrementar o Leblon Boulevard, com suas comidas e lojas, que no ano passado já estava melhor do que no ano retrasado. O lugar faz o maior sucesso.

Os ingressos começam a ser vendidos a partir de 11/12/2015 exclusivamente pelo site www.tudus.com.br. e nao haverá taxa de conveniência. Os clientes da Claro, Net e os sócios do Jockey Club Brasileiro poderão comprar a partir do dia 01/12 até o dia 10/12. Os dois primeiros terão 20% de desconto e podem comprar até 2 ingressos por seção. O site é o www.tudus.com.br/rioopenclaro.

Agora que vocês sabem as infos, fiquem espertos para nao cair naquele nóia que já vi alguns caírem quando chega a hora do evento e o ingresso nao está na mao.

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terça-feira, 15 de setembro de 2015 Curtinhas, História, Novak Djokovic, Porque o Tênis., Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 15:47

O US OPEN em três atos

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ATO 1 – A final masculina e seus contrastantes protagonistas

Assisti na internet uma entrevista de Boris Becker, que sempre foi um falastrão e ao mesmo tempo dono de enorme carisma, afirmando que se fosse na sua época enfiaria um saque “medalha” em Roger Federer, se o Boniton insistisse, após aviso, em receber o saque de perto da linha do serviço. Como seu pupilo nao tem esse perfil, nem o saque para tal, confidenciou ao rapaz o valor do saque no corpo quando o oponente começa a se adiantar e presionar.

A tática funcionou bem e segurou a onda do Topetudo, que assim mesmo insistiu em faze-lo. Eu, como nao tenho nada com isso e gosto mesmo é de Tênis e nao necessariamente de um tenista, vibrei e adorei as invasões suíças. E o cara está ficando melhor no golpe e mais carudo a respeito. No começo, semanas atrás, invadia uns três a quatro passos e respondia um pouco mais de slice. Contra Djoko era quase em cima da linha (acho que estava enviando alguma mensagem ao Kaiser Becker) e reto com uma pitada de spin – lindo de ver. Tao lindo quanto foi ver o servio encaixar lobs milimetricamente perfeitos como contra ataque.

Normalmente alguém é mais prejudicado do que outro quando uma partida é postergada várias vezes por conta do clima. Na final de domingo, o prejudicado foi Federer; e nao por conta do “aluguel” no vestiário. A diferença esteve no jogo ser realizado à noite e nao debaixo do sol. No calor, o jogo, por conta das bolas e do piso, fica mais rápido, o que ajudaria o suíço, que precisava de qualquer ajuda para vencer. Sabendo disso, o Boniton acabou enfiando um pouco os pés pelas maos na sua ânsia de chegar à rede, fator primordial na sua estratégia, correta diga-se. O problema é que faz tempo que Roger nao joga dessa forma, pelo menos no quesito quantidade, e acabou nao sendo determinante nos seus ataques junto à rede como gostaria e esperaria ser. Sem contar que, por ser uma final, ele nao conseguiu manter a mesma confiança e tranquilidade das rodadas anteriores.

A vaquinha suíça começou seu trajeto ao brejo quando o rapaz perdeu o primeiro set – ali notifiquei minha mulher, e meus seguidores no Twitter, que a sorte estava lançada. Roger precisava do 1o set. Tanto para mexer na admirável confiança do Djoko, como para poupar seu longevo corpo de quatro ou cinco sets.

Mas se Roger nao cacifou como gostaria, o crédito deve ir mesmo para Novak Djokovic, que jogou como um campeão. Soube executar seu plano de jogo e seus golpes com excepcional qualidade. Soube administra seu emocional, mesmo com a esmagadora torcida contra, o talento do adversário que é imenso e a eventual perda do segundo set. Nada disso o abalou a ponta de tirar o seu foco. Ao contrário, como um campeão, aprendeu a usar as dificuldades e contrariedades para ampliar sua motivação e aprofundar seu foco. E sempre que foi necessário, nos momentos chaves que definem uma partida, soube usar e abusar da Confiatrix, o elixir máximo dos campeões.

 

ATO 2 – O nao controle das massas. 

Às vezes chega a dar pena de Novak Djokovic – se é que se pode ter pena de alguém que é o melhor do mundo no seu esporte e ganha milhões por temporada por conta. Mas o rapaz gosta tanto de ser gostado que causa certo constrangimento em observar, repetidamente, que o publico mundo afora simplesmente nao o ama como se ama o melhor em qualquer esporte. Nao é o caso de ser odiado, como acontece com alguns malas ou maus caráter que permeiam o esporte em geral. Longe disso. O caso é que o público simplesmente nao compra seu peixe. É certo que ele mudou bastante, daquele que, no princípio da carreira, gostava de fazer graça às custas de colegas, de sair da quadra quando começava a perder jogos alegando dores e milonguices outras. Temos que reconhecer; mudou, mas parece que o público em geral ainda nao se deu conta. Uma pena, poque ele está cada vez melhor – dentro e fora das quadras.

Que o publico torceria pelo Federer todos sabíamos. Nao importa quem estivesse do outro lado da rede as arquibancadas sao de Roger. Rafa Nadal teve que suar muita camisa para ter alguma torcida ao enfrentar Roger – sem mencionar que passou anos anotando o nome do suíço na sua caderneta. Mas O Cara tem o Tênis mais bonito do circuito e ponto final – algo fácil de ser reconhecido – ainda mais por qualquer um que tenha empunhado uma raquete, a maioria em qualquer final de torneios de tênis.

Talvez Djoko pudesse ter outra estratégia para seu marketing pessoal, algo com o qual se esforça mais do que o Topetudo. Ao invés de tentar ser tao Politicamente Correto – tenho uma séria aversão a isso e a esses – Djoko beirou o ridículo ao ficar se desculpando em quadra por ter derrotado o favorito do público. Disse que seguirá tentando ganhar coraçoes e mentes do público. Talvez devesse ter uma conversinha com Roberta Vinci sobre os benefícios da transparência e da sinceridade.

 

ATO 3 – O bálsamo da humanidade e do humor.

E qual foi o melhor jogo do US Open 2015? À parte daqueles que nao assisti, e daqueles que nunca sairão da mente e o coração dos envolvidos, como a vitória de Fognini sobre Nadal, e a própria final masculina, principalmente pela qualidade técnica apresentada, “A Partida” do torneio tem que ser a vitória da italiana Roberta Vinci sobre Serena Williams, por tudo que envolveu e aconteceu em quadra.

Serena estava a duas partidas de gravar seu nome no panteão das inesquecíveis, algo que já conquistou por conta de seus 21 títulos de Grand Slams em simples. No entanto, o fato de conquistar o chamado “Grand Slam” – vencer os quatro GS no mesmo ano-calendário – aos 32 anos, algo já conseguido anteriormente por tenistas menos abrasivas do que ela, como Maureen Conolly, Margareth Court e Steffi Graf, faria muito bem à sua história. Até porque é considerada por muitos como a “melhor da história”, algo que nao abraço com a mesma desenvoltura. Todos os campeões, quando comparados com outros, devem ser olhados pela ótica das circunstâncias e das épocas. Serena bateria todas as campeãs do passado, se estas viessem para o presente com o exato mesmo tenis de entao. Mas é mais justo considerarmos as circunstâncias e a época. Além disso, um campeão se justifica por muito mais do que como batia na bolinha. Devem marcar suas épocas por suas posturas, dentro e fora das quadras, como lidaram com adversárias e adversidade, e como administraram todas as facetas de suas carreiras.

Talvez, por saber tudo isso, Serena foi transpirando a pressão que sentia, especialmente desde o jogo com sua irma, Venus, quando quase chorou em quadra mais de uma vez denunciando a perda do controle das emoçoes. Na semifinal nao conseguiu administrar a situação, o que lhe custou caro. E, para seu azar e desespero, enfrentou uma tenista única: Roberta Vinci. A italiana, uma veterana, é a mais “italiana” das tenistas italianas. Enquanto Serena babava de um lado da quadra, indo à loucura de até dirigir, mais uma vez, impropérios à oponente, esta nao só manteve a tranquilidade, como foi vários passos adiante. Aproveitou a “força” das arquibancadas e a tentativa de intimidação e o desespero da adversária para alimentar sua confiança e sua determinação em vencer. E conseguiu isso com uma categoria e alegria que Serena, que se recusou a confessar a pressão que sentiu, nem saberia como buscar.

O discurso de Roberta após a vitória entrará para os anais da história e foi “o momento” do torneio. Deveria é ser mostrado para todas as tenistas, especialmente as jovens, que ainda tem chances de serem “salvas”. A italiana jogou o “Politicamente Correto”, o “Discurso Marketeiro” no lixo e deixou o coração falar sem restrições e censuras. Como tem um bom coração, foi uma maravilha – quem nao ouviu procure na internet que vale a pena.

O jogo foi, mais do que nada, repleto de emoções, como deve ser um espetáculo esportivo. O final do 3o set foi para se ver de pé, andando de uma lado para o outro, como faria o Tio Patinhas se vivesse sob a tutela da presidenta Dilma. Se cobrassem dobrado aquela partida ainda seria barato. Nem Hitchcock escreveria um roteiro daqueles, especialmente pelo epilogo.

A final, contra outra italiana, Flavia Penetta, acabou sendo um desapontamento, considerando a semifinal. O gás de Roberta acabara no dia anterior e no TB do 1o set. Mas valeu por ter oferecido algo que nem o mais macarronico dos italianos teria a coragem de sonhar; duas italianas na final do US Open, disputada em quadras duras (na Itália praticamente só se joga sobre o saibro). A cereja do bolo foi Flavia, dona de um par de pernas e golpes de altíssima qualidade, mas nao da mesmo descontração de sua companheira, conseguir seu único Grand Slam no apagar das luzes de sua carreira e anunciar o fim desta.

Assistir as duas amigas conversarem, sentadinhas esperando a premiaçao, nao teve preço. Nunca aconteceu antes e, apesar de duvidar que acontecerá novamente, é o que espero ver no futuro. Como escreveu no Twitter o meu amigo jornalista Sergio Xavier: “E o que essas italininhas, Pennetta e Vinci, fizeram pelo tênis em dois dias? Injetaram humanidade, humildade, emoção e, de quebra, humor”. Em tempos onde o Marketing Pessoal é considerado artigo da mais alta importância para atletas nao é pouco como é um alívio.

 

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015 Novak Djokovic, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:47

Sétimo céu

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Certa vez, na quadra central do US Open, John McEnroe mandou um cara que estava nas primeiras filas da arquibancada apagar o charuto que infestava suas narinas enquanto ele corria atrás das bolinhas. Na época ainda tinha uns caras de pau que ficavam pitando praticamente dentro da quadra. A semana passada – seria isso um sinal dos tempos? – Novak Djokovic reclamou para o juiz que estava ficando enjoado com o cheiro de maconha vindo das arquibancadas. Na entrevista pós jogo afirmou, de bom humor, que o mesmo já tinha ocorrido na partida anterior. Ele até que levou numa boa, dizendo que alguém estava se divertindo bastante “no sétimo céu” em suas partidas.

A maconha nao é legal no Canadá, mas foi descriminalizada. Com receita médica na mao o da paz pode puxar seu fuminho sem ter que ir parar na carceragem. Se pego com quantias pequenas de maconha e sem a receita médica a pessoa nao vai presa – no máximo tem sua diversão confiscada ou se o policial estiver de mau humor escreve uma multa. Pelo o que sei nao existem cannabis cafés em Montreal, apesar de encontrados em Toronto. E nao tenho a menor idéia se é permitido ou nao o fulano acender um baseado em local publico – inclusive na arquibancada de um torneio de tênis.

Na final o estádio estava lotado e nao percebi nenhuma fumaça estranha, risadas fora de hora ou reclamações do servio. Se ele tem alguma coisa a reclamar da final é o quanto o seu oponente jogou de tênis. Fazia tempo que nao via Andy Murray tao a fins de ganhar. E mais tempo ainda que nao o via tao agressivo – tanto com a esquerda como com a direita. Isso para nao falar das idas à rede.

O interessante foi que a tática do britânico foi atacar o revés do servio – justamente onde se fala que é cutucar a onça com vara curta. Pois ele cansou de ir lá. Tanto com sua direita na diagonal, como com seu revés cruzado – nunca o vi pegar tanto a bola na subida e soltar o braço. Parecia macho, che!

Murray foi o alfa dog do começo ao fim. Ele determinou o ritmo da partida, ele decidiu se ganhava ou perdia. Djoko parecia nao estar preparado para o que veio do outro lado da rede. Mesmo viajando no 2o set e vacilando na hora de ganhar no 3o o escocês levou. Levou porque jogou mais. Levou porque desta vez quis mais e tem ferramentas para tal.

Dois anos atrás assisti Bia Maia perder no torneio juvenil de Roland Garros para a suíça Belinda Bencic. Na ocasião escrevi a respeito aqui. A partida foi bem equilibrada e a suíça levou porque quis mais e teve mais “cabeça” e coração. Porque golpes nao tinha nao.

Bia está de #167 no ranking, enquanto Belinda, 18 anos, está como #12 do planeta. Bia vem sofrendo com diferentes e graves contusões e mudanças de plano. Semana passada recebi um email notificando que assinou com a IMG, a maior empresa do mundo de gerência de carreira – o que será muito bom para sua saúde financeira quando começar a ganhar. Por outro lado, o email avisava que estava afastada dos torneios, por contusão, a mesma que a tirou do Panamericano e que nao trabalha mais com o técnico Marcos “Bocao” Barbosa, com quem treinava desde 2014, após 4 anos com Larri Passos e ser formada no E.C. Pinheiros. O email nao informava com quem ela irá treinar agora. Bencic ganhou o Aberto do Canadá em Toronto, onde bateu Bouchard, Wozniacki, Lisicki, Ivanovic, Serena e Halep. Tá fácil?

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segunda-feira, 3 de agosto de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 13:24

O canal de Teliana

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Para quem nao vem escrevendo muito, nada como uma boa motivação. E no fim de semana vieram duas. Uma, que repercute aqui e mundo afora; as pazes de Rafa Nadal e os títulos, algo que o espanhol e seus fås queriam muito. Especialmente acontecendo sobre um tenista que já estava abrindo uma caderneta com o nome de Rafa, a ponto de durante uma virada de lado, o italiano Fognini ficar de pé, mandar o espanhol ficar quieto e parar de “encher o saco”! Bem..

Para nós brasileiros, a nota mais importante da semana no tênis veio pelas raquetes da pernambucana Teliana Pereira que fez uma das coisas que mais admiro e respeito no Tênis – vencer em casa. Foi o segundo título de sua carreira. Me fez lembrar um filme, nåo tåo recente, do Kevin Costner, “Campo dos Sonhos”, onde a frase chave é “se você construir, eles virão”, frase que virou icônica para vários usos. Bem, a CBT fez um evento no nível WTA em quadras de saibro e a Teliana ganhou.

Imagino que quando a CBT pensou em organizar tal evento a idéia era dar uma alavancada no carente tênis feminino. Talvez ainda com um pouquinho do gosto de “nós fazemos e elas faturam”, onde nossas meninas eram as coadjuvantes com sonhos de um dia serem protagonistas. Bem, o cenário mudou, o sonho se tornou realidade a a estrela da festa é uma brasileira com alma sertaneja, temperada no sudeste por um chefe francês e que hoje tem em suas entranhas, como é necessário para uma campeã de tênis, uma bagagem internacional. Com cada um dos itens tendo sua devida e insubstituível importância.

Nao deixa de ser interessante o fato de que Teliana ganhou em casa em uma quadra de saibro. Nao acompanhei de perto para lhes dizerem porque o evento saiu de quadras duras para o saibro este ano e, dizem, irá de volta para as duras. Bem provável por demanda da WTA, que quer impõe que o piso encaixe no calendário. Eu diria que com esse novo, e importante, fato, a vitória de Teliana, a CBT poderia considerar abrir negociações com a WTA. Evento no Brasil é para brasileiros aproveitarem e, havendo um mínimo de chance, ganharem. Infelizmente durante nossa história somente Gustavo Kuerten, Luiz Mattar e Jaime Oncins e agora Teliana tiveram o que é necessário mental e emocionalmente para tal conquista, porque se fosse só pela técnica outros tiveram pelo menos essa capacidade. Óbvio que estou me referindo a torneios do circuito top, como os da WTA e da ATP, porque nos Challengers tivemos outros que souberam aproveitar as chances.

Teliana está, mais uma vez, de parabéns. É uma atleta a se respeitar. Seu arsenal técnico é limitado, seu background familiar longe dos privilégios – o que para mim se torna uma vantagem no longo prazo. Se o tênis feminino tem um futuro no Brasil, nao me canso de dizer isso, ele está nas periferias e nas zonas mais carentes do país, um perfil do qual Teliana é uma digna representante. O tênis competitivo internacional é um esporte danado de difícil e que exige muito do emocional da mulher – podemos dizer que para nossas meninas é massacrante. Por isso, o respeito pelo o que Teliana vem conquistando.

Uma maneira de observar seu valor é notar que somente aos 27 anos Teliana desabrocha internacionalmente. Antes estava lutando com seus inúmeros handicaps, derrubando os muros em seu caminho, desenvolvendo sua arte, polindo seu diamante tenistico. Tudo isso, sem as facilidades do talento natural e da habilidade que facilitam os primeiros passos, sem as benesses que uma família de posses pode oferecer, longe da vidinha do shopping center.

Teliana aprendeu cedo e em casa que o tênis era uma porta para tirar alguém de uma situação de pobreza e oferecer possibilidades de uma vida melhor. Para isso teve, inicialmente, a mao do pai, um lavrador que saiu do agreste a procura de um emprego no Paraná. Quando sentiu firmeza e construiu uma casa com suas maos trouxe a família. Eram 8 irmaos, uma barra que mae teve que segurar lá fronteira de Pernambuco e Alagoas.

O pai foi fazer manutenção das quadras em uma academia e a mae a faxina. Teliana foi pegar bolas, assim como seus irmaos; Junior, ainda um bom tenista e Renato, seu técnico atual. Como muitas vezes acontece, os pegadores se interessaram pelo jogo da raquete pelas maos do professor da academia, o francês Didier Rayon, a quem Teliana agradeceu em quadra após o título.

Teliana se tornou a melhor juvenil do país, assim como Junior. Mas ainda teve que comer muito pão amassado pelo diabo pelo caminho. Inclusive uma contusão no joelho, que por falta de melhor orientação e dinheiro para se cuidar, atrasou sua carreira em quase dois anos. Mas seguiu em frente. Com certeza, como toda história de sucesso, existem muitas histórias tristes, surpreendentes, alegres e fascinantes, conhecidas e aquelas que nunca serão contadas.

A mais importante agora é essa que a moça do agreste, que poderia estar com uma enxada na maos e uns oito filhos debaixo da saia, todos com escarsas chances de vingar, está escrevendo uma nova história com uma raquete nas maos. É fácil dizer que o tênis é que propiciou isso. Mais acurado dizer que foi a ferramenta. O que tornou isso uma realidade foi a determinação, filha da força de espirito, produto de alguém que um dia teve muito pouco, quase nada, além da energia sagrada que vem da família, uma chance na vida e um coraçao guerreiro. É isso. O Tênis, nao o shopping center, fica com o crédito de ser o canal pelo qual Teliana pode mostrar seu valor.

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segunda-feira, 29 de junho de 2015 Curtinhas, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino, Wimbledon | 14:39

Os sem ingressos

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Começa Wimbledon e com ele a famosa fila para os “sem ingresso”. Os organizadores nao fazem nenhuma questao em serem democráticos na oferta dos ingressos. Disponibilizam a maior parte para poucos, segundos critérios nunca divulgados. Os que nao conseguem comprar tem q se sujeitar a ficar em filas intermináveis dia e noite. Durante o dia o pessoal fica em terreno disponibilizado pela prefeitura, onde levantam acampamento, socializam, colocam a leitura em dia, brincam, lêem, cantam, comem e esperam.

Durante a noite a festa rola solta no acampamento dos “sem ingressos”. Tocam musica, dançam, bebem e outras cositas más que a noite propicia. Alguns continuam em colocar a leitura em dia e acordam cedo para curtir o sol, pleno nesta época, mas raro no geral, e esperar que suas senhas sejam chamadas e curtir o seu dia em Wimbledon – que com a espera é sempre mais de um.

Para fotos, curiosidades e detalhes entrem na “Tenisnet-Blog do Paulo Cleto” no Facebook.

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sexta-feira, 29 de maio de 2015 Roland Garros, Sem categoria, Tênis Feminino | 09:25

Uma sexta feira

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estou assistindo na quadra central a partida entre Alice corneta e lucic-baroni. Jogão! Nenhuma das duas é favorita ao título. Nenhuma das duas super estrela ou tem título de GS. Nenhuma delas é top ten. mas o que as meninas estão dando na bolinha é uma grandeza. Além disso, emociona em ver o que as duas estão se entregando à batalha. Lutam como se não tivesse amanhã. Sem falar da coragem. Ambas jogando no limite, sem medo de errar é sem receio de fazer o que é preciso. Uma tributo ao tênis feminino.

No passado não pensava que Alize tivesse dentro dela o necessário. Ela fazia o estilo periguei, com o narizinha arrebitado. Mas já faz uns dois ou três anos que vem crescendo, mesmo dentro de suas limitações. Além disso, se hoje tem uma carreira é porque tem um coração bem grande.

lucic apareceu mais do que dez anos atrás como uma juvenil que seria a próxima cachorrinha do circuito. Mas tinha um daqueles país infernais e acabou se afastando das quadras, cedendo à horrível pressão. Poucos anos atrás voltou à carreira, sem nunca atingir o brilho prometido. Mas tem golpes sólidos e dá na bola com uma força que não deve à ninguém é um desprendimento que beira a irresponsabilidade. As bolas só entram o que entram pela técnica apurada.

a partida foi decidida na bacia das almas 4/6 6/3 7/5 oferecendo todos os componentes necessários à um grande espetáculo, da qualidade tecnica ao drama de uma batalha sem um favorito até a última bola. O tênis feminino mudou e pra muito melhor.

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quinta-feira, 28 de maio de 2015 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 10:00

O uniforme e a nova Teliana

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Eu estava me divertindo na quadra 1, acompanhando o clássico entre Berdich e Stepanek, que alias estava um jogao, quando, ao final do 3o set, me pareceu hora de ir para a quadra 2 assistir o jogo da Teliana Pereira. Quando chegamos estava no intervalo e o publico se instalando. Ali sempre existe uma fila danada e nessa hora a credencial ajuda bastante. O pessoal da manutenção terminava de regar a quadra vermelha, os juízes chegavam e os pegadores de bola faziam, na lateral da quadra, suas acrobacias de aquecimento.

De repente, entra na quadra, toda de preto, como se fosse a amante do Darth Vader, a Aninha Ivanovic. A moça fica bem de qualquer angulo e em qualquer cor. Mas, convenhamos, jogar tênis na primavera de Paris de preto é um tanto estranho.

O preto é a cor que a Adidas escolheu para vestir seus tenistas em Roland Garros, algo um tanto incompreensível, a nao ser para os gênios que ficam dentro de alguma sala ditando a moda global. O torneio em Paris é jogado exatamente quando o tempo começa a esquentar em Paris e o preto em esportes só faz sentido quando usado indoors ou no frio – nenhum dos casos em Roland Garros. Para quem nunca pensou no assunto, roupa escura segura o calor e é algo que atletas evitam usar durante longos períodos debaixo do sol como é o caso dos jogos de tênis.

Somos todos escravos da moda? De um jeito ou de outro, conscientes ou nao, a resposta é sim. É uma industria poderosíssima, que gira bilhões de dólares anualmente, inclusive dentro dos esportes, onde é a maior patrocinadora dos atletas. Por isso eles se sujeitam ao que vem de cima, gostem ou nao. Alguns poucos tem um pequeno input ou alguma musculatura para dizer, querer ou vetar algo. A esmagadora maioria se curva ao peso do checao. Entre os que já vi que estao de preto total estao Aninha, Tsonga e Murray. O interessante é que a Wozniack, também patrocinada pela Adidas, nao estava de preto, por conta de usar a linha da Stella Mcartney que, como filha de um Beatle, nao entrou nessa fria.

Mas o uniforme que causou mais tititi do que o dos atletas foi o das pegadoras de bola. O dos meninos pegadores é só uma questao de cor e o mesmo problema acima. O das meninas é algo distinto. Ele tem sido o mais comentado, ainda mais pelo corte do que pela cor. Elas estao usando uma regata preta, que deixa ombros e costas expostas, uma saia preta com pregas largas e meias 3/4 pretas com listas brancas, o que deixam, junto com as costas expostas, as meninas fortes e, de alguma maneira, sexys – mas estranhas. A conversa é que o uniforme ficou no mínimo estranho, mas há quem goste, depende do gosto. Mas se uma das metas era chamar atençao, fazer um statement, o objetivo foi conquistado.

Apesar do meu fraco pela a Aninha, mesmo de preto, logo tratei de acessar o aplicativo de RG no telefone e descobrir onde tinham colocado a partida de Teliana. Quadra 17! Exatamente a ultima quadra no extremo oposto do complexo de Roland Garros. Após longa caminhada, quando cheguei o jogo já rolava e as arquibancadas quase cheias, um padrao no atual Roland Garros.

O que vi por lá? Uma Teliana que cresceu barbaridades. A moça me lembrou a árvore dos feijões mágicos do Joaozinho. No ano passado Teliana era uma passadora de bola sem grandes perspectivas e, parecia, sem maiores ambiçoes de crescer tecnicamente. Seu jogo e estilo tinha algumas deficiencias de formaçao técnica, especialmente no saque. Sua esquerda sempre foi sólida, mas a direita era instável, soft e nao machucava.

O feijao cresceu. Primeiro, a moça está forte e veloz, o que suas costas e pernas evidenciam. A maneira como está chegando nas bolas é o trampolim para o que vem conquistando em termos de resultados. Além disso, tenta melhorar o serviço, acelerando mais, mesmo enfrentando a dificuldade técnica de origem. Sua direita progrediu barbaridades e é o que a está levando a outro patamar. Deixa de ser uma passadora de bola, para fugir da esquerda, entrar na quadra, subir nas bolas e atacar, como deve ser feito. Ontem fez isso com determinação e coragem, consequência da confiança adquirida por conta dos inúmeros resultados positivos que vem conquistando. Entrou em outra dimensão tenistica.

Se faltou algo ontem foi quilometragem, especialmente a que se adquire enfrentando tenistas top 10 como Makarova. Com certeza ela saiu da quadra com gostinho de quero mais e de que podia mais. Abraçando a nova fase, de coragem e agressividade, ela abre as portas do possível dentro do circuito. Os tempos no tênis sao de Serenas e nao de Wozniacks.

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domingo, 24 de maio de 2015 Juvenis, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 19:51

Rendez-Vous a Roland Garros

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Vir a Paris e cobrir Roland Garros começa pela boa surpresa de encontrar um bom tempo com sol brilhando. É quase uma tradição que a 1a semana é de tempo ainda incerto e um Q de frio e a segunda o sol já abrindo desavergonhadamente. Mas este domingo o sol bombou. No entanto, nao fui a Porte de Auteuil e sim à Champs de Mars, ao lado da Torre Eiffel. Lá aconteceu as finais do “Roland Garros around the World”, evento organizado pela FFT que começou em Sao Paulo, Xangai e Nova Deli. Em cada uma dessas cidades foi escolhido um garoto e uma garota através de um torneio para tenistas até 18 anos. Os vencedores vieram à Paris para um round robin com seus dois adversários. Os vencedores receberam um convite na chave juvenil de RG.

Para a alegria dos brasileiros, Gabriel Decamps passou como um trator pelos oponentes. Perdeu só 8 games nos dois jogos e agora vai pra chave principal juvenil. Como o torneio só começa no fim de semana que vem, vai se juntar à outros brasileiros já na chave que estao treinando em um dos centros de treinamento da FFT. O acerto faz parte de uma das várias parcerias que a CBT fez, e está fazendo, com a FFT.

Decamps, tem 15 anos e 1.90m de altura, porte de tenista atual. É treinado desde os 7 anos de idade por William Kiryakos, um ex tenista que treinei quando juvenil, deve estar todo feliz com as vitórias em Sao Paulo e Paris. Um detalhe interessante é que os pais de Gabriel sao franceses e assim ele e a família, que compareceu em peso, nao se sentiu nem um pouco fora de casa.

A carioca Maria Clara Silva nao teve a mesma sorte e foi eliminada no saldo de sets, já que perdeu para a chinesa e bateu a hindu.

Ao lado da quadra montada no Champs de Mars, a FFT montou um enorme telao, com a torre ao fundo, onde as pessoas pode deitar no gramado, tomar um vinho local, um lanchinho básico e acompanhar os jogos. Fora o cenário.

 

TENNIS - INTERNATIONAUX DE FRANCE 2015

 

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sexta-feira, 22 de maio de 2015 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 18:34

Belo e Teliana em Paris

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Bellucci chega a Roland Garros nas pontas dos cascos e confiante por conta de seus feitos recentes. O mais recente ir à final em Genebra – o cara gosta mesmo da Suíça – onde vocês saberão o resultado antes de mim que estarei em um avião rumo a Paris.

O quanto isso é bom? É uma faca de dois gumes. O cara vai chegar acreditando ser o rei da cocada preta, o que é ótimo para a confiança e melhor ainda em um Grand Slam. Por outro lado, é uma tradição que nenhum finalista de torneio jogado na semana anterior a RG vai longe neste evento. O cara joga cinco partidas nessa semana e chega um pouco chumbado para jogar cinco sets dia sim, dia nao. Mas duvido que os plano de Bellucci dizem respeito à 2a semana de Paris, quando começam as 4as de finais. Se ele ganhar três rodadas estará em um bom lucro. Mas, como o Belo é um cara imprevisível dentro de sua previsibilidade, nós vamos ficar na torcida para desta vez ele quebrar barreiras e limites em Paris.

Teliana entrou no evento pela próprias pernas, passando pelo qualy, e como bonus pegou uma baba de moça no 1o jogo. Uma francesinha, de 18 aninhos, #326 do ranking que só entrou na chave por convite da FFT. Nao poderia pedir estréia melhor. É só nao se embananar com o fato de jogar contra uma juvenil, que pode fazer qualquer coisa e pressionar alguem que acha que tem mais uma obrigação de ganhar além do fato da estréia. Mas a brasileira anda bem confiante, também por conta de seus recentes resultado, motivada e nunca precisou de ninguém lhe dizer que precisa brigar por cada ponto.

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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 14:29

Um marco

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Apesar da consagradora vitória de Novak Djokovic em Monte Carlo, vencendo assim os três primeiros títulos de Masters 1000, sendo o 1o tenista a faze-lo, a figura da semana foi Teliana Pereira, conquistando o primeiro título para o tênis feminino brasileiro no circuito WTA em 27 anos – o ultimo fora de Niege Dias. Teliana vem crescendo tenisticamente com o tempo, ao contrário de outras que param no tempo e se acomodam. A moça é guerreira e, aos poucos, vem conseguindo com que suas carências diminuam e suas qualidades se ampliem, uma virtude para qualquer atleta. Ela nunca foi uma tenista para quem as coisas vieram fácil. Nem pela sua origem social, nem pela ausência de grandes habilidades. É um claro exemplo daquilo que prego há anos. As tenistas brasileiras teriam maior sucesso vindo das classes menos abastadas – da periferia mesmo. O tênis é extremamente punitivo emocionalmente, para nao se falar nada da parte física, e nossas meninas parecem nao estar equipadas com a necessária força interior, muitas vezes oriunda da necessidade, para derrotar meninas de outras áreas do mundo que hesitam menos em pagar o amargo preço para o sucesso nesse esporte. A vitória de Teliana passa a ser um marco, uma inspiração e um exemplo para todas.

Colocado tudo acima, nao deixa de ser interessante o caso de amor que a cidade de Bogota tem com o tênis brasileiro. Lembro que Carlos Kirmayr e Marcos Hocevar tiveram bons resultados por lá. Marcos Daniel foi à final e/ou conquistou nao sei quantos títulos por lá que é considerado o Rei de Bogota. A curiosidade fica mais interessante considerando que a cidade está a 2.600m, o que altera drasticamente a maneira de se jogar. Teliana soube tirar proveito da pequena tradição e das condições. Mais uma razão para parabeniza-la.

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