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Arquivo da Categoria Tênis Brasileiro

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:37

Feijao melhor do que Rola

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O Rio continua lindo. E o Rio Open também. Este ano deram algumas incrementadas. Nao dá para descrever tudo agora, por isso será aos poucos. A primeira se percebe logo na entrada. Esta era paralela à avenida, agora é paralela à raia de grama do Jockey. Nao sei se está em época de treinos e corridas, mas se passar uns cavalos correndo por ali vai ser um barato. Também unificaram a linguagem de todas as lojas e comidas do longo corredor das conveniências. Ficou mais clean, elegante e confortável. Por conta de como o publico se posicionava e se comportava no ano passado, fizeram mudanças nas alamedas internas e até colocaram uma mini arquibancada na principal quadra de treino; a Quadra Nadal.

O Lounge Corcovado, para o qual se precisa de um crachá especial, também ganhou um design mais clean que facilita as andanças e o atendimento. É lá que os patrocinadores e convidados fazem seu network e onde se encontra o quem é quem do tênis etc. É um ótimo lugar para refrescar a cabeça, após fritá-la no inclemente sol que faz no Rio. O ar condicionado de lá faz maravilhas pelo nosso humor. Acompanhado de um refri ou uma cerva nos abre as portas do paraíso.

A sala de imprensa também ganhou um upgrade. Foi para um lugar mais nobre e é super profissional, liderada por alguém que tem know-how, a antiga RP de Gustavo Kuerten, Diana Gabany.

Dá para ver que existem outras melhoras, que irei mencionando com os dias.

Uma coisa que senti falta, e nada tem a ver com a organizaçao do evento, foi o sorvete no bar do Jockey, um lugar super charmoso ao lado da quadra 1. Ali é o meu ponto favorito para ver a banda passar. Fui direto pra lá, sentei com meu amigo Fabrizio Fasano e pedi o milk shake de chocolate, que é dos deuses. Fiquei na vontade. Acabaram com o sorvete durante o carnaval e ainda nao repuseram. Vou tentar hoje de novo.

Peguei meu ingresso e fui assistir o confronto do Blaz Rola com o Joao Feijao. Quem queria Rola ficou na vontade e quem se satisfaz com Feijao se lambuzou. Pra mim ficou de bom tamanho.

É um prazer assistir um tenista florescendo. O Feijao é um outro cara. Parece que encontrou seu caminho mágico e agora, quando precisa, vai lá, grita Shazam e sai socando o adversário.

Ontem foi um barato. No primeiro set foi demolidor. Nao deu espaço nem tempo para o Rola pensar. No segundo, até porque nao é de ferro, abriu um pouco as pernas e o Rola cresceu. O set foi uma incógnita até o tie break, que me lembrou o TB entre Nadal e Andujar no ano passado. O ápice foi no match point, quando o brasileiro decidiu surpreender, sacando e voleando no revés, algo que nao tinha feito uma vez sequer. Fez tao bem que acabou se surprendendo mais do que o outro. Teve um voleio fácil na sua direita, notou que o Rola foi, no embalo, pra direita e mudou o voleio para a paralela – ele seria mais confortável na cruzada. A bola saiu muito e dois pontos depois estava no 3o set.

O jogo deu uma tremenda caída, com uma parte do publico indo embora. Azar deles. Nao sabem que o jogo só acaba quando termina?

Por conta da caída, Feijao acabou sendo quebrado prematuramente e deixou o Rola socar um 4×2. E, quando o Rola pensou que iria crescer de vez, a adversidade só serviu para jogar água no Feijao, que procedeu entao a afogar, surpreendentemente, o adversário. Jogo de tênis, só se ganha, entre outras coisas, nao se largando o osso até o fim.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:01

Adversário intimo

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A expectativa para o jogo Rafa Nadal x Bellucci era grande. Afinal, reunia os dois maiores favoritos das arquibancadas, para o azar de todos os envolvidos, de organizadores a fas. O Animal Nadal, ídolo máximo do torneio e o nome maior do nosso tênis pós era Kuerten. No fim, foi uma decepçao.

Nadal esteve mal, bem abaixo de seu padrao, como insistia Maria Esther na transmissao, por razao óbvia; a falta de jogos. Muitos erros nao forçados e ausência de velocidade e força nas pernas, sua marca registrada. Sendo sua primeira partida no saibro após um longo tempo, era a oportunidade perfeita para Bellucci fazer uma apresentaçao que lhe daria a consagraçao aos olhos da torcida, algo que Dacio Campos , com proprieda e sutilmente, ressaltou antes e depois do jogo. A oportunidade ficou na imperfeiçao do “Se”.

O primeiro set foi um festival de erros e quebras de serviço de ambas as partes. E já que nos quesitos negativos estavam irmanados, restou a Nadal cacifar nas suas maiores qualidades e levar o set, mesmo no aperto.

No segundo set, Bellucci jogou ainda abaixo do padrao anterior, enquanto que Nadal pegou o embalo e melhorou a mao com o passar dos games e a realização, sempre um alívio bem vindo, que o adversário nao subiria ao padrao exigido pela ocasiao.

Thomaz saiu na 1a rodada – uma frustraçao, para ele e para nós, porque poderia pegar um embalo e ir mais longe, pois vem jogando razoavelmente bem. Enquanto isso, Nadal colocou mais uma moedinha no seu cofrinho de Confiatrix.

A curiosidade veio por conta da entrevista da SporTV ainda em quadra. Nos torneios mundo afora é muito raro as TVs, e os organizadores, entrevistarem o perdedor em quadra, uma falta de sensibilidade só menor do que a ânsia de um em sumir e do outro pela reportagem. Que eu lembre só em Wimbledon fazem perguntas ao perdedor, e na final, assim mesmo feitas pela Sue Baker, uma tenista de longa história e com a necessária sensibilidade que o momento exige. Nos outros eventos, quando muito, oferecem um microfone ao vice-campeao para ele dizer o que bem entende.

A jornalista da SporTV que entrevistou Bellucci, no que é conhecido como uma entrevista “hot”, porque o atleta ainda está pegando fogo internamente e nao digeriu nem um pouco a decepçao e frustraçao da derrota, chegou com os pés no peito do rapaz com a pergunta que nao quer calar, e que provavelmente lhe foi pautada por alguém que acompanha a carreira do Thomaz com mais acuidade.

Jornalisticamente, a pergunta – algo na linha de como Thomas alterna bons e maus momentos, com os maus geralmente aparecendo em momentos cruciais e lhe causando derrotas até inesperadas – é relevante e seria interessante se Thomaz em alguma momento a explorasse e respondesse com transparencia. Mas, para isso, teria que ser em um cenário correto e ideal; nunca no calor da derrota, com o cara ainda querendo quebrar uma raquete na própria cabeça, ou na de quem se oferecer, por conta da frustraçao.

Thomaz manteve a compostura e driblou a pergunta, divagando sobre alamedas outras no melhor estilo político. Ficou o cutucao, mas nao veio a resposta. A jornalista teve, enfim, o bom senso de agradecer e nao insistir no ponto em questao e nenhum outro. Quiçá algum dia Thomaz possa explorar publicamente sobre essas profundezas emocionais que o afligem – ontem ele insistiu que nao foi esse o caso (uma negaçao que a psicologia explica), mas nao elaborou do porque o jogo “acabou” após o 4×4 ainda no 1o set.

Talvez, e mais provável, será algo que ele, quando muito, explorará no confinamento de sua privacidade e com pessoas com quem tenha intimidade e confiança, o que nao seria nenhuma surpresa e nada pelo qual se pudesse critica-lo. Afinal se trata de assunto da maior intimidade emocional. Nós até podemos conjeturar a respeito, mas ele nao tem nenhuma obrigaçao de falar a respeito em publico para saciar nossas vontades e demandas.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015 Rio Open, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:12

Feijao com arroz

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Desde a semana passada que vejo o Joao Feijao jogando o seu melhor tênis. Perigoso sempre foi. Grande saque, bons golpes do fundo, mao pesada, fortíssimo. Tantas qualidades podem te levar longe no circuito.

Faltava a regularidade – o feijao com arroz com qualidade. Ela veio e com ela as vitórias e com elas a confiança. Agora o limite está aberto e muito nas maos do rapaz.

Hoje ele deu uma verdadeira surra em um argentino que o tinha como fregues e de quem nunca havia tirado um set, em 4 ou 5 partidas.

Ganhou de maneira tao tranquila que parecia estar em outra dimensao técnica. O próprio adversário sentiu a barra e se encolheu – nao mostrou a menor disposição em comprar uma briga que considerou, com boa razao, perdida.

Feijao já foi à semifinal em Sao Paulo e tem boas chances de progredir no Rio. Sem dúvidas ganha muito com isso; no ranking, prêmios e confiança. E melhor, pelo menos para nós, ganha o tênis brasileiro. Nao se esqueçam, no começo de março tem Copa Davis, contra a Argentina.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 Brasil Open, Tênis Brasileiro | 11:12

Argentino e Uruguaio

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Sempre gostei do Pablo Cuevas. Tenista sem excesso de brilho, nao busca ofuscar adversários ou seu próprio tênis com firulas ou frescuras. Mistura de argentino e uruguaio, traz para a quadra o melhor do tênis competitivo, nao largando o osso jamais, sempre vendendo a derrota caro e buscando o melhor resultado. Por detrás dessas características, um estilo clássico e uma das esquerdas com uma mao mais bonitas e eficientes do circuito – ali ninguém faz festa.

Como tem uma pegada bem fechada, típicas de esquerdas com suas características técnicas, nao é dono de uma grande direita, pois mantem a pegada “martelo” mas melhorou bem a sua com os anos. Talvez nao seja tao perigoso nas duras, mas no saibro, com sua esquerda cruzada funda, e alta quando quer, e a paralela com controle, é um osso duro de roer – já assisti grandes partidas suas.

Nao dá para esquecer que é um bom duplista – inclusive por conta de certas habilidades, já que nao é nada “engessado”, novamente no saibro – e novamente por conta de seu ótimo revés do fundo de quadra, tendo entre seus quatro títulos o de Roland Garros em 2008.

Nas simples, Sao Paulo foi seu 3o título após os dois primeiros em 2014, quando tinha 28 anos. É um tenista que chega ao seu melhor tênis após os 27 anos, característica do circuito sobre a qual já escrevi aqui. Para mim, um técnico que acredita no trabalho e na persistência como instrumentos para conquistar a excelência, Cuevas é belo exemplo para muito cabeça de bagre que se acomoda com o destino e seus limites.

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Brasil Open, Tênis Brasileiro | 11:11

Argentino e Uruguaio

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Sempre gostei do Pablo Cuevas. Tenista sem excesso de brilho, nao busca ofuscar adversários ou seu próprio tênis com firulas ou frescuras. Mistura de argentino e uruguaio, traz para a quadra o melhor do tênis competitivo, nao largando o osso jamais, sempre vendendo a derrota caro e buscando o melhor resultado. Por detrás dessas características, um estilo clássico e uma das esquerdas com uma mao mais bonitas e eficientes do circuito – ali ninguém faz festa.

Como tem uma pegada bem fechada, típicas de esquerdas com suas características técnicas, nao é dono de uma grande direita, pois mantem a pegada “martelo” mas melhorou bem a sua com os anos. Talvez nao seja tao perigoso nas duras, mas no saibro, com sua esquerda cruzada funda, e alta quando quer, e a paralela com controle, é um osso duro de roer – já assisti grandes partidas suas.

Nao dá para esquecer que é um bom duplista – inclusive por conta de certas habilidades, já que nao é nada “engessado”, novamente no saibro – e novamente por conta de seu ótimo revés do fundo de quadra, tendo entre seus quatro títulos o de Roland Garros em 2008.

Nas simples, Sao Paulo foi seu 3o título após os dois primeiros em 2014, quando tinha 28 anos. É um tenista que chega ao seu melhor tênis após os 27 anos, característica do circuito sobre a qual já escrevi aqui. Para mim, um técnico que acredita no trabalho e na persistência como instrumentos para conquistar a excelência, Cuevas é belo exemplo para muito cabeça de bagre que se acomoda com o destino e seus limites.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 Copa Davis, Tênis Brasileiro | 15:36

Cenário e pavio.

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Após a bela vitória do Feijao Souza sobre o eslovaco Klizan, tenho mesmo que escrever sobre o fato. Mas, antes disso, até como contraponto, uma palavra sobre a derrota de Tommy Robredo para Nicolas Almagro. Almagro nao ganhava dois jogos seguidos desde abril passado – esteve contundido o o semestre. Talvez por isso tenha vindo ao Brasil Open, que deve lhe trazer ótimas lembranças – o cara ganhou três de seus doze títulos no Brasil.

Mas quem me surpreendeu foi o Robredo. Esse é um tenista que associo à luta, suor e lágrimas. O cara adora correr, tem um tênis limitado, mas ótima cabeça e um coraçao é grande. Imagino que aos 32 anos deve estar contemplando a aposentadoria – ele fala sobre ela há tempos. Agora, o tênis que ele apresentou no Ibirapuera foi uma Vergonha para seus fas – notem o V maiúsculo. O rapaz está visivelmente destreinado para jogar no padrao ATP e fazer valer o fato de ser o 2o cabeça do torneio. Alias, nao sei o por detrás isso, só sei que desde Outubro ele só participou do Australian Open, onde jogou cinco games e desistiu. Entao é claro que está fora de forma e, provavelmente, voltando de contusao. Minha cabecinha ficou pensando quanto deram pra ele de garantia – entre Sao Paulo e Rio – para vir passar o carnaval por aqui.

O Feijao entrou em quadra com sangue nos olhos. Bom pra ele, azar do Klizan. Aliás, a noite teria sido ainda mais interessante – e o jogo deles foi ótimo – se Bellucci tivesse confirmado o serviço no 5×3. Lembrando, o atual técnico de Thomaz é o desafeto do Feijao e capitao do time da Davis que, até onde sei, nao foi divulgado, apesar de que o zumzumzum é que ele está de volta ao time. Ressalte-se que nao sei nada oficial sobre o assunto, mas, pela proximidade, começa em 6 de março, os tenistas mesmo já devem saber se estao ou nao no time. E, suponho, pelo bem do time, as arestas tenham sido aparadas e bola pra frente que atrás têm gente.

A vitória dele ontem foi na garra, algo que nem sempre ele traz pra mesa com a consistência que a carreira exige. Ele quis mais do que o outro. E bola ele tem pra incomodar. Mas, como todos estao carecas de saber, ter bola só nao faz uma carreira. Precisa bem mais do que isso; vontade, determinaçao, coragem, consistência, e podem estender a lista.

Como a vitória do Klizan tinha impacto indireto no assunto Copa Davis (o eslovaco bateu o Bellucci) entende-se a motivaçao extra. Agora, precisamos ver se o que ele apresentou se estende para o resto do evento ou se tem pavio curto. Porém, a partida de hoje tem ainda mais impacto no assunto Davis, já que ele enfrenta o argentino Leonardo Mayer, que deve ser titular no confronto contra o Brasil. Um ótimo cenário para ele manter a inspiração e mandar sua mensagem. E uma pedida melhor ainda para a torcida comparecer e dar uma força para o brasileiro, que adora a força que vem das arquibancadas. E que nao gosta? Alguém falou algo aí?

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 Brasil Open, Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro | 13:04

Carnaval tenístico

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Anos atrás um organizador de torneios de tênis nao queria nem ouvir falar na possibilidade de organizar um evento durante o carnaval. Era só falar em carnaval e o pessoal tremia. E, convenhamos, com um bocado de razao. Realizar eventos paralelos ao carnaval, que nao tenha a ver com ele, é temerário. Pelo menos é a realidade que se mostrou até hoje.

Tenho sérias duvidas que os organizadores mudaram suas cabeças a respeito, considerando o Brasil Open e o Rio Open, sendo que ambos coincidem com dias do Carnaval. O que aconteceu é que, provavelmente obedecendo a Lei de Murphy, a ATP encaixou, há alguns anos, o circuito latino americano bem na época ao redor do carnaval, que foi a única janela no seu apertado calendário que eles acharam. Com isso, os organizadores brasileiros tem sempre feito o possível para convencer os gringos que o carnaval era uma péssima data para o evento. Os caras ouviam e faziam o que queriam, acomodando também os pleitos dos outros torneios no continente.

Nao lembro se teve algum dos eventos no Sauípe que bateu com o carnaval. Lá dentro parecia carnaval em qualquer data e e o pessoal de Salvador nao era muito de frequentar, a nao ser que o Kuerten estivesse na final. Ou seja, nao fazia muita diferença para eu lembrar, apesar de ser muito próximo a Salvador, local que respira fortemente o Carnaval, por bem mais de uma semana.

Hoje começa o Brasil Open, ainda no Ibirapuera, até porque nao existe uma clara melhor alternativa. O evento atravessa o sábado e o domingo de carnaval. Na semana que vem o circo da ATP vai para o Rio de Janeiro, onde atravessa o fim de semana, mais a 2a e a 3a feira do carnaval. Como lá é o Rio e o desfile das campeas acontece no sábado, pode-se dizer que o torneio acontece, em cheio, durante o carnaval, o que será, pelo menos até onde minha memória permite, inédito.

Como tenho minhas dúvidas que o publico seja exatamente o mesmo, além do que ninguém pula 24hrs seguidas, imagino que de para conciliar as duas coisas, e ainda pegar uma praia. É o que farei, pelo menos a partir de 4a feira, porque antes os hoteis ou me mandavam catar coquinhos ou me metiam a mao.

Em Sao Paulo, muita gente irá viajar, mas muita irá ficar na cidade, que tem muita gente de qualquer maneira. Aliás, tanta gente saindo deve até ajudar no fim de semana. Um dos problemas com eventos na cidade é chegar e sair ao local, por conta do transito – fora o estacionar, onde há décadas a prefeitura e a polícia nao fazem nada a respeito da estorsao dos “guardadores” de veículos. E a cidade fica ótima nos fins de semana e feriados – sempre a melhor época para visitar, ficar e aproveitar Sao Paulo.

O torneio de Sao Paulo nao terá tantas estrelas como o do Rio – lá o pessoal está investindo barbaridades em trazer ídolos como Nadal e Ferrer, entre outros. Mas Sao Paulo terá um evento bem interessante tecnicamente, já que há um equilíbrio técnico grande entre os participantes. O principal cabeça de chave é Feliciano Lopez, que deve fazer bom uso da altitude de Sao Paulo com seu jogo junto à rede. Almagro, com um de seus piores ranking e três títulos no torneio – da época do Sauipe – também estará por aqui.

Além deles, teremos figura com o Fognini, que é uma figuraça, o Cuevas, que é um ótimo tenista, e muitos outros desse escalao – inclusive os argentinos que jogarao a Copa Davis contra o Brasil em breve. Isso, sem falar de Bellucci, Clezar, Feijao Souza (que caíram quase que grudados no sorteio, ô zica!), um possível Gham, que está na ultima do qualy – alias, de onde terá vindo a imposiçao do belga Kimmer Coppejans, jovem belga que ganhou um convite na chave principal no Brasil Open? – além dos mineirinhos Melo, Sá e Soares, que estarao nas duplas, além do Demoliner e o Rogerio Silva, que receberam convite para a chave.

PS 15:40h – Recebi notificaçao dos organizadores do Brasil Open que Feliciano Lopes pulou fora de Sao Paulo. O espanhol, que foi finalista em Quito no domingo – perdendo na final para o Burgos, que esteve em Sao Paulo para a final dos challengers, sendo o mais velho dos tenistas a ganhar pela 1a vez um ATPTour – alega ter sentido contusao na coxa. Sei..

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014 Masters, Novak Djokovic, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 16:48

O Masters em Londres

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O Masters sempre foi um evento diferenciado e interessante. Estive presente em vários, nos anos que eram disputados em N. York e Hannover. Aliás, se você nunca foi a Hannover, nao vá. A cidade é um zero à esquerda, especialmente no frio. Dá para entender porque o tal Hitler queria estender seu Lebensraum para outras paragens. Mas Nova York compensava.

Londres é uma cidade intensa e cosmopolita e a recente ocupaçao do outro lado do rio Tamisa, da qual o O2 faz parte, tornou-a ainda mais interessante. E que belíssimo local é essa arena londrina, apesar de que nao chegar aos pés do Ibirapuera, verdadeiro orgulho nacional. Ironia nao é o meu forte, fazer o que ?!

E que bicho vai sair desta ediçao do Masters? Uns esperam a confirmaçao de Novak Djokovic como El #1 do ranking. Outros esperam que Roger Federer vire o barco no apagar das luzes, algo que Gustavo Kuerten fez em 2000, em Lisboa, onde também estive. Torço mais pelo Boniton, mas acho que está mais para o Djoko – o cara está sólido e só perde a coroa se jogar abaixo de seu padrao. O que acontece.

Na minha entrevista, na CBN, mencionei que Andy Murray seria uma possível terceira via, por jogar em casa(casa??) e ter jogado bem as ultimas semanas. Eu devia estar ainda de ressaca eleitoral. Até parece que eu nao conheço o bipolar. Aquela partida com o Nishikori foi séria? Sim, o japa jogou muito bem depois de engrenar no meio do 1o set. Mas o Andy Murray ficou no vestiário e o que vimos em quadra foi seu alter ego.

O Boniton nem piscou. Deu mais uma aulinha para o canadense sacador. Aliás, figura estranha o rapaz Milos. O com esse corte de cabelo estilo reco fica ainda mais estranho. As câmeras mostraram seu pai e deu para entender de onde vieram aquelas costas curvadas. Mas saca muito o Milos. Mas com 2m de altura nao é um grande feito. Mesmo sem suar Roger venceu rapidinho.

Legal o Stan Wawrinka ter jogado bem. Gosto de seu tênis e acho que um tenista como ele vivo deixa o evento mais rico. Já que começou muito bem o ano que termine no mesmo tom, porque o que fez do Aberto da Austrália para cá nao foi no padrao que ele, e nós, esperávamos.

Quanto aos brasileiros Marcelo Melo e Bruno Soares, ambos venceram o importante jogo de estréia, o que dá confiança e conforto. Bruno e parceiro tiveram que salvar um MP no 3o set. E Marcelo, está tao confiante e melhor que na partida foi uma das primeiras vezes que vi ele assumir a responsabilidade da devoluçao no NO-AD, lembrando que esse fundamento é o ponto forte do seu parceiro. Seria um bom final de ano para o nosso tênis sem um deles vencesse o Masters, batendo o outro na final. E melhor ficará quando voltarem a jogar juntos.

 

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 História, Juvenis, Light, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:30

O rei dos pangas

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Como todo cara simpático, Vic era ótimo contador de histórias. Como todo bom professor de tênis, tinha ótimas histórias pra contar do seu esporte. Uma de suas favoritas era de como se apaixonou pelo tênis.

Aos 11, anos, andando por um parque em Monroe, Michigan EUA, passou pelas quadras de tênis exatamente quando abriam uma lata de bola e aquele cheiro característico da borracha e do gás que colocam na lata inebriou o ar por instantes, o bastante para enfeitiça-lo. Ficou por ali, secando os tenistas, esperando que um deles mandasse uma bolinha por cima do alambrado. Quando o gerente das quadras o pegou tentando fugir com uma delas o enquadrou: escolha, ou vai preso ou aprende a jogar! Ele afirma que escolheu a segunda alternativa e abraçou uma paixao para o resto da vida.

Nao importa muito se a história é real ou nao. Afinal, na minha juventude, pelo menos no Brasil, as bolas ainda nao vinham pressurizadas – elas vinha em caixas de papelao e embrulhadas uma a uma em papel como drops dulcora. Só nos anos stenta isso mudou. E Vic Braden, que morreu esta semana aos 85 anos, o que situa sua história em 1929, três anos depois da Penn começar, timidamente, vender as entao raras latas pressurizadas e abertas com um abridor de latas.

Pouco importa. Braden rescreveu a história do tênis americano, sendo, talvez, o maior responsável por sua popularização nos anos 70, época de ouro do tênis americano através de seus programas na tv. Foi um ótimo juvenil, ganhou uma bolsa na California State em LA, onde estudou psicologia, esteve no precursor de todos circuitos profissionais, o de Jack Kramer, onde era um dos coadjuvantes de ícones como Pancho Gonzales, Bobby Riggs, Segura Cano e Kramer entre outros. Dali foi, em 1963, tomar conta da academia que Kramer montou em Palos Verdes, onde ajudou formar, entre outros, Tracy Austin, Sampras, Davemport e outros.

Mas seu foco nunca foi a formaçao de tenistas profissionais. Gostava mesmo era de ensinar o pangaré jogar tênis. Talvez por temperamento. Nunca foi um disciplinador. Era um simpático, um gozador que acreditava que o sorriso, o carinho e, especialmente, o bom humor, eram ferramentas imprescindíveis para fazer as pessoas se apaixonarem pelo tênis.

Por isso, em 1974, abriu sua famosa academia no magnifico condomínio Coto de Caza, entre LA e San Diego, onde construiu sua casa e onde morreu. Era inteligente o bastante para saber que só sorrisos e bom humor nao lhe trariam sucesso e usou de seu conhecimento da psicologia para entender e conquistar as pessoas. Precisava de um método e assim tornou-se o precursor do ensino de biomecanica no tênis. O que hoje se ensina de biomecanica, por aqui e mundo afora, começou com ele. Só que ele colocava a pitada do humor, o que nem sempre faz parte do cardápio desse pessoal.

Sua teoria para se aprender o tênis era simples; “se voce compra um sorvete de pirulito e consegue levá-lo à boca você consegue jogar tênis. Se você levá-lo direto à testa as chances sao bem menores!”. Ele tinha cursos para cadeirantes, e até para cegos, quando ainda nao era moda nem politicamente correto. Para os cegos bolou um sistema de números para a localizaçao da altura da bola, que ele gritava para o pessoal executar o golpe.

Mas era na área de biomecanicas que ele deitou e rolou. Comprei seu livro “Teaching children the Vic Braden way” no começo dos anos oitenta para saber um pouco mais sobre essa ciência dos golpes. Seu estilo nao era entao minha praia, mas me ajudou mais de uma maneira. Enquanto Bollettieri focava nos jovens que queriam ser campeoes do mundo, e nao tinha o menor tempo para o pangao, Braden fazia da Pangalandia seu reduto e seu reino – ali era o mestre e amado pelas multidoes.

Foi dos primeiros a usar a câmera de alta velocidade e o computador para dissecar o tênis. Confesso, sem falsa modéstia, que fui o precursor do uso da câmera por aqui, nos idos de 1974, com uma câmera na mao e uma mala com um monitor acoplado na mesa na lateral da quadra.

Como todo estudioso do tênis, Braden adorava conversar sobre o assunto com qualquer um que tinha algo a dizer ou disposiçao para ouvir. Sua mulher confessa que mesmo agora tinha inúmeros projetos que o tempo nao permitiu que realizasse. Da mesma maneira que tinha inúmeras certezas e as transmitia inflando a tao necessária auto estima e confiança do pangao, tinha pelo menos uma dúvida que dividiu com seus leitores no Los Angeles Times. “Por que os tenistas tremem (choke)? Levou a dúvida para o além, porque aqui ninguém conseguiu explicar aquela característica que, ao mesmo tempo o que fascina e prende todos os praticantes, separa os campeoes do mortais.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014 Copa Davis, Olimpíadas, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:18

Gala

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Thomaz Bellucci nao deve ser um cara muito bem quisto lá pelas terras tenisticas ibéricas. Gostado nao, respeitado sim. Suspeito que ele deva preferir o respeito, que dentro e fora de uma quadra é bom e faz bem.

A surpreendente derrota do time espanhol na Copa Davis, muito pelas maos de Bellucci (assim como dos mineiros) causou um terremoto por lá. E a conseqüência mais visível, e imprevisível, foi que o presidente da federaçao local, Jose Escanuela, decidiu indicar uma mulher como capita do time da Davis. Um brincalhao falando sério.

O presidente nao esteve presente em Sao Paulo. Segundo suas palavras “foi a primeira vez que nao esteve presente como presidente”. Eu diria que escolheu uma má hora, assim como outros tenistas que recusaram a convocaçao de Carlos Moya.

Após a derrota Escanuela tentou convencer Moya a ficar, mas o rapaz disse “no gracias”. Mostrou vergonha na cara, já que seus “amigos” lhe deixaram na mao.

E o que Escanuela fez? Convocou para seu lugar uma mulher – Gala Leon. O cara devia estar muito bravo com os tenistas. Eu diria que chamar alguém totalmente fora do cenário do tênis masculino, e ainda mais uma mulher, sem ter consultado um tenista sequer – pelo menos entre os possíveis convocados – foi uma atitude temerária dele, assim como ambiciosa dela em aceitar.

Começaram o ouvir imediatamente. O primeiro a chutar a porta, e aí nenhuma novidade, foi Tio Nadal que fala pelo lado “dark” de seu sobrinho. Totalmente contra. Alguns tentam dar a pecha de machismo à sua recusa, o que nao passa de mais uma idiotice politicamente correta. Se fosse um homem qualquer sem as devidas credenciais e ele reclamasse seria normal, sendo uma mulher, é machismo. Sei.

Só que a Gala nao tem mesmo as credenciais para o cargo. Afinal nao treina nenhum homem, nao conhece pessoalmente a maioria deles, nunca jogou Copa Davis e nao é uma técnica reconhecida e com lastro técnico e moral para sentar na cadeira e falar com Rafa Nadal no intervalo dos games. Por que entao?

Isso só o Sr. Escanuela sabe dizer. O fato é que a moça, que foi tenista top50, vem fazendo carreira como técnica na federaçao, o que muitas vezes é mais uma cargo político do que meritocrático. Ela esteve em Sao Paulo acompanhando o time como assistente técnico, indicada pela federaçao, nao pelo Moya, e, que eu me lembre, era a única mulher no enorme camarote do time espanhol – e sentada na ultima fileira e na ponta extrema do box. Chegou à janelinha rapidinho.

Fico imaginando se foi uma puniçao ao time de machos espanhois. Parece que assim que Moya recusou ele convocou Gala, mudou de idéia e quando as reclamaçoes apareceram confirmou a convocaçao como que por birra.

Lembrando, o cargo de Capitao do time é um de aglutinador, líder, comandante, de experiência e, nao menos importante, o de alguém a quem os tenistas respeitem e possam confiar. Afinal, eles sao os únicos interlocutores dos tenistas durante os jogos. É verdade que servem também de interlocutores entre os tenistas e os cartolas das federaçoes, algo importante. Mas, no caso, o tal presidente parece ter muito mais sua própria agenda, do que com a agenda que possa unir e motivar e unir novamente um time que já ganhou muito e nao parece mais tao interessado – duvido que vá ser a Gala, a moça da federaçao, que vá ter esse papel, que ela mesmo diz ser sua meta agora.

Gala já defendia anteriormente a puniçao a quem nao aceitasse uma convocaçao e agora defende que o contrato entre federaçao e os tenistas deva incluir uma cláusula de obrigatoriedade de participaçao na Davis e Fed quando convocados, por conta de todos os benefício, financeiros e outros, recebidos durante a carreira, que na Espanha nao sao poucos. Provavelmente nao colocaram antes porque nao acharam necessário, contando com a boa vontade e patriotismo dos tenistas, o real combustível da Copa Davis. Gala afirma que a federaçao já está trabalhando no novo contrato, algo que deve ser a nova política do presidente. De qualquer maneira, será uma experiência quase única – só três times tiveram mulheres no posto, todos irrelevante (Siria, San Marino, Moldávia e Panamá). Por outro lado, os tenistas podem tomar vergonha na cara e correr para defender a pátria – lembrando que quem nao o fizer em 2015 fica fora das Olimpíadas no Rio.

O fato é que o time espanhol envelheceu e nao apareceram tenistas do mesmo calibre para repor. Verdasco, Feliciano, Ferrer todos sao balzacas e Almagro, o incerto, padece de longa contusao, assim como Nadal, o pai de todos. A “nova” geraçao nao aguentou o tranco beluciano. No fim das contas, esse parece ser a real origem dos problemas que se tornaram visíveis graças às patadas de Thomaz Bellucci.

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Gala e o time no hotel em Sao Paulo antes da derrota.

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